terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Vamos pular bastante em 2009 !!!

O ano de 2008 termina como um dos melhores anos da era recente do Brasil. O país ganhou relevância no cenário internacional, ficou mais forte e influente, e o mercado doméstico cresceu com mais empregos e melhor distribuição de renda.

A crise chegou repentinamente. Fomos abalroados de lado, que nem um carro em alta velocidade numa estrada, quando nós vivíamos a plena euforia do pré-sal e da explosão das bolsas.

Esse negócio de crise é engraçado, começa como uma perspectiva, depois vira uma percepção (“acho que já estamos em crise”), aí vem a fase da prevenção (“é melhor parar prá ver o que vai acontecer”) e finalmente ela chega com força, de verdade. Vale a pena ler a historinha do vendedor de cachorro-quente.

O fato verdadeiro é que parte da crise somos nós mesmos. O tamanho da crise depende de como nós enfrentamos e reagimos frente ao clima de pessimismo e incertezas. Aliás, estamos cansados de ouvir que crise significa oportunidade. Eu concordo muuuito com isso.

Prá fechar o ano, nada melhor do que o filme abaixo. É o vídeo que mais gosto da Pixar pois ele retrata muito bem o que comentei acima. Fazer de 2009 um ano inesquecível dependerá de cada um de nós. Portanto, vamos pular bastante em 2009!!!!

Que venha o ano novo, com crise ou sem crise!!!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Web já é a 2a. fonte de informação nos EUA, na frente dos jornais

Eu já havia publicado post anteriores informando que publicações impressas estavam abandonando o papel e migrando definitivamente para web. Agora vem uma informação que reforça mais uma vez a força da Web versus Mídia Impressa.

A Pew Research Center acaba de publicar (bem na véspera do Natal) um estudo onde afirma que a web já é a segunda fonte de informação dos norte-americanos, superando os jornais e só perdendo para a TV.

Não deixe de ler o sumário do estudo e aprender com ele. Tem dados interessantes.

A TV está em primeiro lugar folgadamente (70% TV versus 40% web) no quadro geral. No entanto, quando analisamos o segmento “Young People”, a tal geração Y, dá empate. Ou seja, para a nova geração, a web fica empatada com a TV como fonte de informação. Em pouquíssimo tempo a TV vai ficar prá trás.

Enfim, não vou ficar mais de blá-blá-blá. Entra no link abaixo, ou clica na figura, prá ver mais detalhes e tratar de pensar a forma como fazemos comunicação empresarial. Tem muita mudança em curso... não vamos ficar na janelinha vendo a banda passar, né?

http://pewresearch.org/pubs/1066/internet-overtakes-newspapers-as-news-source

sábado, 20 de dezembro de 2008

IBM , Google e Microsoft

Em várias das reuniões externas que participo, quando as pessoas descobrem que eu trabalho na IBM, logo começam a fazer perguntas centradas na comparação entre IBM, Google e Microsoft. As pessoas tendem a achar que as três são concorrentes, mas a realidade é que as três atuam em áreas bem distintas.

A Google, a empresa que parece dominar o mundo, tem somente 10 aninhos de idade. Ela fez aniversário no dia sete de setembro passado. Apesar de “novinha”, ela já é uma das marcas mais fortes do mundo.

Na sexta eu brinquei com um amigo meu dizendo que...

A IBM inventou o PC;
A Microsoft inventou o que colocar dentro do PC inventado pela IBM;
A Google inventou uma forma de achar as coisas perdidas no Windows da Microsoft que roda no PC da IBM.

A Google foi fundado por Larry Page e Sergey Brin, dois estudantes PhD de Stanford em 1998. A empresa surgiu com o objetivo de oferecer a melhor opção de busca na Internet e cresceu com base no produto de mesmo nome.

Já a Microsoft foi fundada em 1975 por Bill Gates e Paul Allen. A empresa começou desenvolvendo e comercializando interpretadores da linguagem BASIC, mas foi com o produto Windows que ele realmente cresceu. O primeiro Windows foi lançado em 1981.
O Windows 3.0 foi o primeiro sucesso amplo da Microsoft e foi lançado em 22 de Maio de 1990. Ao contrário das versões anteriores, ele era um Windows completamente novo e considerado o primeiro sistema gráfico da empresa.

A IBM foi fundada por um senhor chamado Thomas Watson, em 1911, naquela época já com “velhos” 37 anos. Ele não tinha sido um estudante brilhante, aliás, havia estudado pouco e tido uma formação educacional básica, mas era um brilhante vendedor e empreendedor.
A IBM teve origem na junção de 3 empresas: a International Time Recording Company (de registradores mecânicos de tempo), a Computing Scale Company (de instrumentos de aferição de peso - balanças) e a Tabulating Machine Company. As 3 juntas formaram uma empresa chamada Computing Tabulating Recording Company – CTR. Somente em 1924 a CTR mudou seu nome para IBM - International Business Machines.
Os primeiros produtos comerciais da IBM foram cortadores de frios, balanças e relógios de ponto. Foi na década de 50 que a IBM deu uma guinada e resolveu investir tudo que tinha nas máquinas que mais tarde iriam ser conhecidas como computadores. Já nos anos 60, sob o comando do filho Thomas Watson Junior, a IBM cresceu vertiginosamente com o lançamento dos mainframes System/360. Estava lançado o computador empresarial. Em 1981, a IBM lançou o Personal Computer. Em 2002, a IBM vendeu toda a linha de PCs para Lenovo e parou de vender produtos para pessoa física. A empresa se centrou no mercado corporativo.

Google é um trocadilho com a palavra 'googol', que designa o número representado por 1 seguido de 100 zeros. O uso do termo Google pretendia refletir a missão da empresa de organizar o enorme montante de informações disponíveis na web. Tenho a impressão que ninguém sabe disso... mas a palavra é bacana.

Microsoft significa micro software, ou seja, software para micros, delineando claramente a missão da empresa. Já a palavra Windows, em inglês “janelas”, mostra uma clara alusão ao espírito do software que permite ao usuário trabalhar através de janelas.

IBM, como já dito antes, significa International Business Machines. Um nome ousado para época de 1924, já que ninguém sabia muito bem o que significava máquinas de negócios ou para negócios. O International ficou por conta de Thomas Watson, que quando lançou o nome, disse para todos que sonhava em tornar aquela empresa puramente americana numa empresa internacional. Na época, a empresa era quase toda concentrada no estado de Nova Iorque.

A IBM, hoje, comercializa soluções (combinação de consultoria, serviços, hardware e software) para o mercado corporativo, ou seja, vende para empresas.
A Microsoft está centrada na venda de software para pessoa física e mercado corporativo.
A Google vende serviços inovadores centrados na internet.

O faturamento da Google é de U$ 16bi e tem quase 20 mil funcionários no mundo (dados de 2007).

Já a receita da Microsoft é de U$ 51bi , com um pouco menos de 90 mil empregados (dados de 2007).

Já a IBM faturou U$ 99bi (em 2007) e tem hoje mais de 380 mil funcionários no mundo.

Uma curiosidade:
A Google tem 200 funcionários no Brasil, com média de idade de 29 anos.
Já a Microsoft Brasil tem algo em torno de 400 empregados.
A IBM Brasil tem mais de 13 mil funcionários diretos, com média de idade de 32 anos, e contrata uma média de 200 novos funcionários por mês. Ou seja, contrata uma Google Brasil por mês!!!

Em 2011:
- a IBM fará 100 anos de idade,
- a Microsoft completará 36 anos e...
- a Google terá apenas 13 aninhos.

Enfim, pra resumir, podemos dizer que...

A IBM é um vovô moderninho... a Microsoft é meio tiozão... já a Google é o netinho descolado.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Socorro ! Estou me afogando nos emails !

Na semana passada, uma colega de trabalho soltou essa frase espontaneamente. Foi quase um desabafo. Adorei a frase, pois ela traduz o nosso sentimento em relação aos emails no trabalho. Ninguém agüenta mais a quantidade de emails dentro das empresas, não é mesmo? Nós viramos reféns da caixa de entrada de emails. Estamos o tempo todo checando o que entra e o que sai, os spams estão aumentando e vivemos paranóicos com o fato de termos emails não lidos.

No evento Futurecom, o presidente da Brasscom, Antonio Carlos do Rego Gil, soltou uma frase muito engraçada no microfone: "—Alguém precisa inventar o email que dá choque, pois hoje, com mais de duzentos emails na caixa de entrada, só assim conseguiremos a atenção do destinatário. Seria bom, também, inventarem um mecanismo para proibir a cópia automática".

O correio eletrônico surgiu como uma importante ferramenta de produtividade em nosso trabalho, permitindo a conexão simples e fácil de todo o ecossistema de uma empresa: funcionários, clientes, parceiros, fornecedores e sociedade. Essa plataforma evoluiu e virou a principal ferramenta da comunicação corporativa. O problema agora é que nós geramos cada vez mais mensagens, copiamos cada vez mais pessoas, arquivamos cada vez mais conteúdo que consideramos importante para controle, registro histórico e consulta futura.

Vejam esse exemplo, que é muito comum nas empresas: um email com conteúdo importante, enviado para vinte pessoas, provavelmente será arquivado por essas mesmas vinte pessoas. Ou seja, teremos dezenas de pessoas guardando o mesmo conteúdo, que ocupa espaço de armazenamento nos computadores, que custam muito dinheiro, que precisam de sistemas complexos para serem gerenciados e que consomem energia para funcionar. Enfim, pode até parecer engraçado, mas o acúmulo de emails contribui fortemente para o aquecimento global e o aumento de consumo de energia no mundo.

Recentemente, a IBM publicou um excelente "paper" cujo título é "You’ve got (too much) mail". Vale ler. O documento traz informações interessantes sobre o mundo do email. Lá é dito que o usuário comum gasta mais de 30% do seu tempo diário criando, organizando, lendo e respondendo emails. É muito tempo, né? E pior, essa média de tempo está aumentando.

O assunto é tão sério, que a IBM, Microsoft, Google, Intel e muitos outros se juntaram para formar a IORG, que é uma organização não lucrativa, que nasceu para tentar salvar as nossas vidas do absurdo volume de emails que temos que lidar todos os dias. Essa nova entidade está fresquinha (sem trocadilho, estou falando de fresquinha de pouco tempo) e ainda começando os trabalhos, mas já dá prá encontrar algumas coisas interessantes no site. O importante disso tudo é saber que grandes empresas e entidades estão preocupadas em nos tirar da sinuca em que estamos metidos. O nome do instituto não poderia ser mais apropriado: Information Overload Research Group.

Enfim, é interessante ver duas notícias diferentes e publicadas quase que simultaneamente: uma dizendo que os emails vão terminar em 2015 (ver meu post de 29/10/2008) e outra anunciando uma organização formada por notáveis para encontrar alternativas para gerenciar o enorme número de emails em nossas vidas. Está faltando alguma coisa nesse meio, né? Eu estou com Taurion. Eu acredito que a própria geração Y vai enterrar o email por considerá-lo algo antigo e improdutivo. Vamos ver quem vai fazer o email desaparecer primeiro: a geração Y ou o IORG.

Enquanto a solução não aparece, vamos tratar de seguir as dicas de uso do e-mail existentes na blogosfera. Entre tantas dicas, valer ler as do Gaulia em seu blog.

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Comunicado da Monsanto

Como já escrevi anteriormente, eu sou um apreciador e colecionador de comunicados das empresas. Tenho um post exclusivo sobre esse assunto. Pode ser publicação nos jornais, nas revistas, email, anúncios na TV, etc. Veiculou? Eu estou lá prestando atenção.

Na maioria das vezes, as empresas usam os comunicados em situações críticas e adversas. Vale a pena conhecer e estudar os movimentos das corporações para ver como que elas tratam casos complicados. A gente sempre acaba aprendendo com isso.

Agora quem está passando por uma situação delicada é a Monsanto no Brasil.

Chega no Brasil um documentário que já havia sido lançado em março de 2008 na França. O documentário, filme e livro, traça a história da empresa com claro foco nos perigos do crescimento exponencial das plantações de transgênicos.

A autora é a francesa Marie-Monique Robin, jornalista independente, polêmica e autora de outros trabalhos parecidos. Ela cita que a empresa comercializa 90% dos cultivos transgênicos no mundo. O título, irônico, é "O mundo segundo a Monsanto", que denuncia o estilo escolhido pela jornalista ao desenvolver o tema.

Um capítulo do livro chamado "Paraguai, Brasil, Argentina: A República Unida da Soja" cita claramente o nosso país e relata uma série de fatos relacionados à "política da soja", numa das maiores regiões de produção de soja no mundo.

A versão em português do documentário, e livro, é agora lançada no Brasil. A autora está em nosso país e tem agenda cheia, repleta de apresentações e muito apoiada por entidades ambientalistas, que abrem seus espaços e agendas (generosamente!) para dar visibilidade ao caso. E o caso vem obtendo grande repercussão, especialmente nas mídias online e blogs.

A Monsanto vem tratando o caso com muito cuidado. Existe um comunicado bastante longo da empresa em seu site na internet, mas não vi nada publicado na mídia impressa e a empresa vem negando pedidos de entrevistas. Por outro lado, existe um comunicado da empresa circulando na internet, de modo viral, que vem se multiplicando pela própria onda dos internautas. Ou seja, o comunicado tem circulado entre formadores de opinião, influenciadores e interessados no caso. Não tenho conhecimento de outras ações feitas pela empresa. Eis abaixo o comunicado, chamado de "Carta ao Público Externo", circulando na rede...

CARTA AO PÚBLICO EXTERNO

Como alguns de vocês devem ter lido ou ouvido na imprensa, acaba de ser lançado no Brasil um filme produzido por uma jornalista francesa sobre supostas posturas da Monsanto ao longo de sua história.

Este material está sendo extensamente divulgado por algumas entidades ao redor do mundo, com o intuito de denegrir a imagem da empresa. Acreditamos tratar-se de mais uma ofensiva por parte de setores movidos pela ideologia, e que parecem ainda não aceitar a evolução científica que vem se mostrando capaz de proporcionar importantes inovações para a agricultura moderna.

Dentre os principais benefícios que hoje estão à disposição do agricultor estão a possibilidade de escolher entre uma maior diversidade de tecnologias que pretende utilizar – desde a agricultura considerada orgânica até a denominada convencional ou aquela baseada na biotecnologia, avaliando os benefícios ambientais e sociais que cada tecnologia oferece e a produtividade que poderá extrair de sua propriedade. A biotecnologia agrícola tem se mostrado, ao longo de seus cerca de 30 anos de pesquisas e mais de 12 anos de plantio comercial em diversos países, uma moderna ferramenta para aumento da produtividade, com melhor preservação ambiental e maior inclusão social.

Exemplos disso podem se notar na maior produtividade por hectare plantado, o que pode permitir a redução de abertura de novas áreas de mata nativa para uma maior produção de alimentos; a menor utilização de inseticidas para controle de pragas e o menor custo total por hectare plantado, que tem já beneficiado diretamente os pequenos agricultores de várias partes do mundo e incentivado a adoção do plantio direto.


No Brasil, temos excelentes exemplos destes benefícios, desde o plantio da soja Roundup Ready que tem se mostrado um grande aliado dos agricultores do Sul do Brasil, composto quase que exclusivamente por pequenos agricultores organizados em cooperativas locais, até a mais recente experiência de sucesso no norte do estado de Minas Gerais, na região de Catuti, onde a cultura do algodão Bollgard tem sido a responsável pela recuperação daquela comunidade. Este exemplo pode ser visto e melhor entendido ao assistir o vídeo “A Semente da Mudança”, produzido pela produtora Toureg e pela renomada jornalista Ana Paula Padrão (www.monsanto.com.br ou www.youtube.com/monsantobrasil) e, a partir de 11/12/2008, o impacto que ele teve na região, na produção denominada “Do sonho à realidade”.


Além dos benefícios que os produtos da empresa têm demonstrado para o país, a Monsanto também tem contribuído intensamente e se mostrado uma importante parceira da sociedade brasileira através de seus programas socioambientais e de educação. A Monsanto tem investido mais de R$ 3,5 milhões por ano nessa área com programas como: CineMonsanto, que desde 2005 já encantou mais de 110 mil pessoas de 10 estados brasileiros que nunca estiveram em um cinema antes; Crianças Saudáveis, Futuro Saudável, que já beneficia mais de 50 mil crianças do ensino fundamental com tratamento de doenças que retardam o desenvolvimento escolar, e com a implementação de hortas escolares desde 2000; Projeto de Monitoramento da Onça-Pintada, que monitora a população deste importante felino em diversos biomas, como o Cerrado e o Pantanal, de forma a preservá-la e evitar desequilíbrios ambientais; Cidade dos Meninos, em Campinas (SP), que resgata a dignidade e proporciona o aprendizado de uma profissão a 200 jovens que foram destituídos de suas famílias por maus tratos ou abandono; entre outras iniciativas voltadas ao desenvolvimento da comunidade em diversas cidades do país, não só onde está presente.


Por fim, em nome da transparência e respeito ao direito à informação, se quiser saber mais sobre a posição da Monsanto frente aos assuntos abordados no material produzido pela jornalista Marie-Monique Robin, acesse (www.monsanto.com.br/monsanto/para_sua_informacao/documentario_frances.asp) .


Atenciosamente,


Monsanto do Brasil


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sábado, 6 de dezembro de 2008

RP 2.0 - Uma experiência de jornalismo multimídia

Em julho de 2005, Edu Vasquez postou em seu blog um texto cujo título era: “O Press-Release morreu?” Passados mais de dois anos, acho incrível como o conteúdo do post continua atual.

Em 2007, Thiane publicou um artigo muito pertinente. Falava em assessores de imprensa preguiçosos e PR 2.0.

Agora caminhemos para o post “O papel das Relações Publicas no Mundo Digital” publicado no blog da Thiane em set de 2008.

Ler os três posts juntos faz a gente pensar.

O que mais assusta nisso tudo é que o tempo passa, o tempo voa, mas o press-release tradicional, “velho de guerra”, continua numa boa. Ou seja, as assessorias insistem na fórmula do press-release pois ainda acham um método eficaz e mais conveniente de fazer RP.

Temos debatido muito isso dentro da IBM.

No final de 2007, nós decidimos fazer uma experiência. Fizemos algo diferente. Nós chamamos a experiência de “webrelease”. Criamos um “release 2.0” a respeito de novidades de tecnologia (mais focado em hardware), contemplando o que anunciamos no ano que se encerrava e com uma previsão das tendências para o ano seguinte. O webrelease incluía links interessantes, com um vídeo de um executivo nosso importante e muitas mensagens em formato multimídia.

Ou seja, criamos um release bem diferente do tradicional, realmente com conteúdo interessante, inovador e muito rico. Quando lançamos nesse projeto, nós não estabelecemos nenhum objetivo claro em termos de resultados. O objetivo maior era experimentar algo novo e sentir a receptividade.

E o resultado?

O fato é que recebemos bom feedback de vários jornalistas. Eles gostaram da proposta, pelo menos foi o que alguns nos disseram via email. Quase nada foi publicado daquele conteúdo que enviamos. Fiquei surpreso com o pouco entusiasmo dos nossos jornalistas mais chegados. Mas quero lembrar que não estabelecemos objetivos para a iniciativa.

De forma geral, o grupo de comunicação que trabalhou no projeto achou o resultado bom. A minha avaliação foi um pouco diferente. A minha percepção é que a maior parte dos jornalistas prefere informação objetiva. Algo no estilo: “Fala o que tem que falar e pá-pum! Nada de lero-lero”. O nosso webrelease tinha vários links e conteúdos. Acho que isso é meio “lero-lero” para muitos jornalistas. É quase como dizer para eles: “Olha, eu tenho muita coisa para dizer, eu tenho tudo isso aqui, dá uma pesquisada e veja o que te interessa”.

Infelizmente, a maior parte do jornalismo opera no estilo “máquina de moer carne”, ou seja, não tem muito tempo para pesquisar e fazer coisas muito elaboradas. Será que estou sendo injusto? Conversei isso com meu grupo e eles acham que estou sendo radical nessa linha de raciocínio. O fato é que a experiência evidenciou prá mim que a maioria dos jornalistas quer informação resumida, bem pragmática e factual. Ou seja, eles querem ainda o press release... mas não para publicar o release e sim para usá-lo como pauta.

Não estou falando que os jornalistas são preguiçosos. Aliás, é uma covardia quem fala isso. Obviamente que existem alguns jornalistas displicentes na tarefa de buscar e apurar fatos, mas a maioria sofre mesmo é com a pressão do tempo e do editor. O volume absurdo de informação com que bombardeamos (nós, empresas!!) os jornalistas, todos os dias, é matador. Eles recebem toneladas de releases e gastam uma parte considerável do dia garimpando as pepitas de ouro no meio de um monte de pedras que encontram em suas caixas de entrada. É garimpagem mesmo. Parte do problema somos nós, das assessorias das empresas, que não temos piedade no uso da tecla “send”. Por outro lado, parte da culpa vem dos próprios jornalistas, que não tem tempo para (ou não querem) pesquisar e fazer matérias mais elaboradas. Ou seja, o binômio pressa-comodidade tem maior peso na balança.

Enfim, diante desse imbróglio, eu ainda vejo dificuldade em fazer da tal RP 2.0 uma realidade em nosso dia a dia. Não por parte das ferramentas, mas sim por conta da dificuldade de entender exatamente o que os jornalistas desejam e o que as empresas podem ganhar ao entrarem nessa jornada. Para quem se interessa pelo assunto, vale a pena ler o post do último Newscamp que dá uma exata noção dessa dificuldade.

Para apimentar mais esse cenário, discute-se muito sobre o futuro dos jornais, tendo em vista que existe uma transformação evidente em curso. Muitas mídias já estão abandonando sua versão impressa e adotando exclusivamente a online. Na verdade, a discussão do futuro do jornalismo vai além da mídia. O Luis Nassif é um que pôe lenha na fogueira quando fala nesse assunto. Vale ler esse post. Enfim, não dá para falarmos de RP 2.0 sem pensarmos em "novos" profissionais de comunicação e em novos conceitos de jornalismo.

Voltando ao RP 2.0...
No evento 2º. Fórum de Comunicação do Governo Federal, a Patrícia Moreira (editora de política, economia e Brasil) do Jornal da Tarde, falou sobre isso. Ela disse que as redações estão inundadas de emails com releases e sugestões de pauta. Um jornalista no evento comentou que, recentemente, perdeu uma coletiva importante pois o convite foi enviado unicamente via e-mail e ele não viu. O convite ficou perdido no meio de duzentos emails não lidos. O assunto era muito importante. O jornal e a empresa se sentiram prejudicados com o ocorrido. Por fim, Patrícia foi clara ao microfone: “-- Se você tem algo relevante e diferente, o melhor é usar a velha fórmula: pega o telefone e liga”.

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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Redes Virtuais nas empresas

No mesmo evento que citei no último post , Comunicação Interna do IQPC, eu fiz uma apresentação sobre a experiência da IBM Brasil em comunicação interna.

Pelas minhas contas, o evento tinha quase 100 participantes, sendo que maior parte era formada por profissionais de comunicação de empresas. Haviam poucas pessoas de agência. Lá pelas tantas, no final da palestra, eu fiz as seguintes perguntas:

1- Na empresa em que trabalham, vocês têm acesso livre ao MSN e Orkut?
Resposta: Apenas 5 pessoas levantaram a mão. Ou, seja, 95% disseram não ter acesso.

2- A empresa de vocês tem blog corporativo?
Resposta: Apenas 2 pessoas se pronunciaram. 98% deram a negativa.

3- Aí fiz a pergunta mais específica, aquela mais cruel. A empresa em que trabalham tem uma política de blog ou permite que seus funcionários criem blogs internos ou externos?
Resposta: Zero. Ninguém levantou a mão.

Os índices de resposta não surpreendem, mas assustam.

O cenário descrito é muito simples: as pessoas têm, em suas casas, computadores com acesso à internet, participam de redes sociais, falam e compartilham livremente suas idéias e percepções em fóruns virtuais, muitas vezes com pessoas que elas nem conhecem bem. Já nas empresas, elas se deparam com um ambiente limitado, super-hiper-ultra-controlado, sem fóruns de compartilhamento livre, instantâneo e aberto.

Ou seja, as pessoas têm em suas casas um ambiente muito mais colaborativo do que em seus ambientes de trabalho, onde elas passam, pelo menos, oito horas por dia.
Não é incrível?

Por que as empresas não soltam as amarras da organização favorecendo a criação e estabelecimento de redes e fóruns de discussão aberta?

Alguém me respondeu dizendo que é porque as empresas têm medo de perder o controle da comunicação. Já ouvi pessoas comentando que é porque existe o receio de informações confidenciais e estratégicas vazarem nesses fóruns. Por trás disso, está a palavra que as empresas adoram e temem: controle. Mas que controle é esse? As empresas se iludem, pensando que controlam alguma coisa. Esse compartilhamento de opiniões, idéias e percepções já acontece diariamente nos corredores e "cafezinhos" das empresas. As pessoas falam e se relacionam minuto a minuto durante o trabalho, portanto a colaboração entre elas já existe. A questão é que, na maioria das vezes, esses momentos de colaboração não ficam registrados em lugar nenhum. Aliás, ficam sim, na cabeça das pessoas que participaram, somente isso. Muitas idéias e conceitos inovadores ficam pedidos nos “corredores da vida” das empresas.

Resumindo, volto a pergunta: por que as empresas não disponibilizam fóruns, blogs e outras ferramentas para que as pessoas migrem suas conversas de corredor para esse novo “corredor virtual”? Vamos alavancar essa vontade que existe dentro de cada um de nós para opinar, dar idéias e trocar figurinhas sobre qualquer coisa. As empresas têm muito mais a ganhar do que a perder com isso. Pelo menos, ao criar esses espaços de discussão e colaboração, as empresas irão saber qual é o papo que rola nos corredores.

Enfim, as redes sociais e os blogs nas empresas são os “corredores e cafezinhos” do futuro. E esse é um caminho inevitável. Transformá-los em algo do presente depende exclusivamente das empresas. É por isso que sou chato e repito sempre que o profissional de comunicação nunca teve um papel tão importante e transformador como o que estamos tendo agora.

O grupo de comunicação nas empresas (interna e externa) tem que deixar de fazer mais do mesmo e entender o papel de agente de mudança que está diante de nossos olhos. É uma oportunidade única e imperdível. Falta coragem, né? Entrar nesse mundo novo significa risco. Aí vem a velha palavrinha de sempre... controooole.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Os desafios da Comunicação Interna

Nessa semana eu participei de um evento de Comunicação Interna do IQPC. Aprendi muita coisa. Uma delas é que “cada um com seus probrema”, ou seja, não existem fórmulas mágicas em CI (comunicação interna) e nem práticas que servem para todos os casos. Aliás, a realidade vivida por cada empresa é muito peculiar.

Durante o evento, eu fui tomando nota dos diferentes cenários das empresas que se apresentaram e que formam um mosaico interessante de desafios para qualquer profissional de comunicação. Olhando tal espectro, a gente constata que cada setor e empresa tem situações bem específicas e que merecem planos e ações customizadas.

Enfim, quais seriam as ações de comunicação que você implementaria para cada um dos casos abaixo?

- A Phillips tem 7 fábricas espalhadas pelo território nacional e 2 centros de pesquisa de desenvolvimento e cuidados com a saúde. Só 1/3 da população da Phillips Brasil têm acesso a email. Existe uma grande massa de empregados que trabalham no chão de fábrica. Foram anunciados 80 lançamentos de novos produtos no período de Ago a Out/08, que deveriam ser comunicados primeiramente para todos os empregados, via comunicação interna, antes de sair na imprensa. É quase um novo lançamento por dia. Como trabalhar CI nesse cenário?

- A OI passou por uma transformação cultural enorme quando se juntou com a Telemar anos atrás. O estilo despojado e jovem da OI tomou conta da identidade da nova companhia, desbancando o jeito sisudo e burocrático da Telemar. Quando a coisa parecia que ia se estabilizar, aparece um novo desafio que é muito maior que o primeiro: a compra da Brasil Telecom pela OI. Dois ambientes e culturas bem distintas que vão se fundir. Ou melhor, duas fortes inimigas que terão que aprender a trabalhar juntas para se transformarem numa só. O novo gigante terá mais de 80 mil funcionários e receita líquida acima de 28 bilhões (dados de 2007). Como trabalhar CI nesse cenário?

- Na Embraer existem 5 mil engenheiros, cujo perfil exige uma comunicação pragmática (pouco lero-lero), detalhada (todo engenheiro é detalhista... eu sou um deles... rsrsrs) e formal. Vale lembrar que a empresa é de alta tecnologia e muito complexa. Por outro lado, o total de empregados no mundo alcança 24 mil pessoas, que tem perfil diferente dos engenheiros. Como trabalhar CI nesse cenário?

- A Accenture tem mais de 8 mil funcionários no Brasil, sendo que 95% deles têm menos de 30 anos de idade. É a Geração Y em peso e dominando a empresa. Existe um choque de gerações. Como trabalhar CI nesse cenário?

- O Albert Eistein tem 52 anos de existência, 7 unidades na Grande São Paulo, com quase 6 mil funcionários, sendo 2/3 mulheres. A comunicação interna merece um cuidado muito especial. Tipicamente, um ambiente de hospital é compartilhado por funcionários, pacientes e visitantes (na maioria familiares dos pacientes). Portanto, muitas vezes, ações de comunicação interna acabam sendo compartilhadas por esses públicos diversos. Eis um exemplo simples: um funcionário, ao dar um bom dia sorrindo para um visitante que está entrando no hospital, corre o risco de receber a seguinte resposta: “Bom dia só se for para você. O meu parente está internado aqui no hospital, está muito mal. Este é o pior dia da minha vida”. Como trabalhar CI nesse cenário?

- A IBM Brasil vem contratando 10 novos funcionários por dia, em média, regularmente, nos últimos anos. A cada 20 novos funcionários, um gerente novo é nomeado. Em quase 3 anos a empresa dobrou de tamanho. A IBM Brasil, hoje, tem mais de 15 mil funcionários, sendo que milhares deles trabalham em exportação de serviços de tecnologia da informação, com fluência em outras línguas além do português (espanhol, inglês e/ou francês), provendo serviços para clientes em diversas partes do mundo e com gerentes imediatos fora do Brasil. Esse pessoal tem calendário de feriados e horário de trabalho compatíveis com o cliente que atende em algum lugar do mundo. Ou seja, um ambiente global, multicultural e que funciona 24 horas por dia. Como trabalhar CI nesse cenário?

- A Votorantim tem 8 unidades de negócio bem diversos (cimentos, metais, celulose e papel, energia, agroindústria, química, banco e capital de risco e diversificação), com presença em 15 países e mais de 60 mil funcionários. A empresa tem o objetivo de duplicar de tamanho nos próximos 5 anos. Uma meta arrojada diante da nova conjuntura econômica global. Como trabalhar CI nesse cenário?
(curiosidade: até 2001 eles não tinham um site unificado de internet e tinham 87 veículos de comunicação interna, todos independentes. Hoje a realidade já é bem diferente)

- O Wal-Mart no Brasil tem mais de 70 mil associados (é assim que eles chamam os funcionários), distribuídos em 330 lojas, em 110 cidades brasileiras e em 4 regiões: Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Mais de 60% dos funcionários têm menos de 30 anos e com uma grande diversidade cultural em função da dispersão geográfica por todo país. Eles trabalham com 9 bandeiras: Wal-Mart, Sams Club, Bompreço, Big, Hiper, Mercadorama, Nacional, Maxxi e Todo Dia. Como trabalhar CI nesse cenário?
(curiosidade: o Wal-Mart tem 2 milhões de funcionários no mundo - é o maior empregador privado do planeta)

- A SKY se fundiu no ano passado com a DirectTV. O processo de fusão foi complexo pois as duas empresas tinham culturas bem diferentes. O serviço de atendimento aos clientes, por telefone, é o coração da operação da SKY e esse serviço é provido pela Teleperformance. São 2.200 atendentes no total, sendo: 1.300 atendentes no atendimento de frente, 180 atendentes especializados em negociação e outros 330 em retenção. E mais 400 em outras funções, incluindo supervisão e gerência. O perfil é de jovens em início de carreira. A maioria deles é o primeiro emprego. Como trabalhar CI nesse cenário?

Então? Se pudesse escolher, qual desafio que você gostaria de encarar? Não tem nenhum fácil, né? Enfim... cada um com seus “probrema”.


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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Embratel e Intelig - Inimigos mas iguais na criação

Hoje eu vi na TV um comercial da Embratel que me chamou a atenção, pois ele segue o mesmo conceito criativo de uma propaganda da Intelig veiculada intensamente anos atrás.

No ano 2000, quando a Intelig veiculou esse filme na TV, a briga com a Embratel foi parar no CONAR. A Embratel fez de tudo para tirar o filme do ar pois a pegadinha do "21" na tela a incomodou bastante. O fato é que o taxímetro antigo dos táxis (aqueles ainda analógicos... a geração Y não conhece essa quinquilharia) tinha as bandeiras, daí a expressão bandeira 2, e a Intelig se aproveitou disso para montar a tal pegadinha. Veja o filme abaixo e entenda o motivo da ira da Embratel. Preste atenção para a bandeira 2 no canto esquerdo embaixo. Veja que ela forma o número 21, dando uma mensagem subliminar de quem era mais cara.

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A briga Embratel x Intelig no CONAR foi dura, mas o filme acabou não saindo do ar e virou um dos mais veiculados na TV no ano 2000. Só prá lembrar, naquele ano, a Intelig ganhou o prêmio Caboré como o anunciante do ano.

Agora, novembro de 2008, a Embratel entra no ar com um filme publicitário que, ironicamente, segue o mesmo conceito do filme produzido pela Intelig há 8 anos. Não acho que houve cópia. O que ocorreu foi uma grande coincidência criativa, que acaba colocando os dois filmes em patamares muito parecidos. Veja abaixo o filme da Embratel.


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terça-feira, 25 de novembro de 2008

O novo ambiente de trabalho

Mario Cesar, presidente da TIM, eu sua palestra na Futurecom (última semana de out/08), disse que, em 2014, a telecomunicação móvel será a telecomunicação dominante no Brasil. Ou seja, em seis anos, vamos ter mais assinantes de aparelhos móveis do que fixos em nosso país. Faz sentido.

Pensando bem, por que nós ainda temos duas linhas pessoais de telefonia, uma fixa e uma móvel? Uma das possíveis respostas é que a banda larga que temos em casa está associada à linha fixa. Outra resposta poderia ser que o custo das ligações via linha fixa é menor que via linha celular. Poderíamos pensar também em outras boas alternativas de resposta. Agora, imagine se as linhas móveis passassem a ter o mesmo custo que as linhas fixas, e que o serviço de acesso a internet via móvel tivesse a mesma qualidade de serviço e disponibilidade da linha fixa. O que aconteceria? Acho que as linhas fixas desapareceriam rapidamente. Faz sentido, né?

Nós temos que começar a imaginar esse mundo 100% móvel pois estamos caminhando a passos acelerados para esse cenário.

Por outro lado, na mesma Futurecom, Pedro Ripper, ainda presidente da Cisco naquele momento (ele acabou de deixar a empresa conforme notícia divulgada), disse que o perfil de tráfego da internet vai mudar drasticamente nos próximos anos. Ele falou que o vídeo para PCs e para TV será responsável por 30% do tráfego total em 2011, contra 9% em 2006. Ou seja, a transmissão de imagens cresce de forma acelerada.

Recentemente, a Computerworld publicou uma matéria dizendo que os subnotebooks vão custar cerca de 300 reais em pouco tempo. Como? Muito simples. Os equipamentos serão subsidiados pelas operadoras como ocorre com os telefones celulares atualmente. Veja essa interessante previsão aqui.

Juntando estas três tendências, o cenário final contempla uma realidade diferente do que vemos hoje: pessoas estarão 100% conectadas, onde quer que estejam, em constante mobilidade, 24 horas por dia disponíveis para falar e consumindo imagens e vídeos intensamente.

E o que acontece com o ambiente de trabalho? Ele vai mudar radicalmente. Os funcionários estarão acessíveis o tempo todo: antes, durante e depois do horário de trabalho. Os funcionários carregarão seus dispositivos móveis consigo, sendo acessíveis a qualquer momento e em qualquer lugar, com aparelhos que funcionam como telefone, computador e TV. Estaremos diante de um novo ambiente de trabalho, que exigirá uma mudança no perfil dos empregados que conhecemos hoje. Estamos falando de um mundo onde muitos funcionários não irão mais para o escritório, pois o escritório estará com eles o tempo todo. É quase uma inversão de modelo. Ou seja, é o escritório que persegue o funcionário.

Esse cenário, aparentemente futurista, mas nem tanto, vai implicar numa mudança radical na relação empregador-empregado, que por sua vez vai exigir alterações significativas nas leis trabalhistas.

Esse mundo 100% conectado e móvel, com funcionários sempre “disponíveis” e ávidos por consumir vídeos e imagens, vai provocar transformações na forma como a empresa trabalha comunicação interna e externa. Ferramentas mais avançadas que as disponíveis na era 2.0 serão necessárias para viabilizar essa transformação.

O mais surpreendente é que nós estamos diante dessa revolução e muitas empresas ainda tem dificuldade para implementar uma intranet ou gerenciar seu correio eletrônico, que são ferramentas unidirecionais de comunicação. Ainda existem muitas empresas onde parte dos funcionários não tem acesso a email, especialmente aquelas que trabalham com grandes contingentes em áreas fabris (exemplo: Phillips com suas fábricas no país) ou de exploração/extração (exemplos: Vale com suas minas e Petrobrás com suas plataformas de extração de petróleo). Se analisarmos somente as empresas onde todos os empregados têm acesso a rede e a e-mail, nós vamos descobrir que muitas delas nem entraram na era da colaboração, dos blogs e das redes sociais. Essas empresas serão atropeladas pela tecnologia e pelos próprios funcionários, que disporão de tecnologia muito mais avançada em suas vidas pessoais do que no ambiente de trabalho. Cabe aos líderes de comunicação das empresas a missão de pisar no acelerador e pressionar suas organizações para implementarem essas novas tecnologias. A parceria com a área de Tecnologia de Informação é mandatória.

Não estou falando para as empresas permitirem que seus funcionários passem a brincar no YouTube ou tagarelar no MSN. Acho até que elas deveriam fazer isso... mas o fato é que estamos passando por uma evolução tecnológica que afeta diretamente a capacidade estratégica, criativa e produtiva das empresas. As empresas providas de ferramentas adequadas estarão muito mais capacitadas para inovar, integrar suas equipes, reagir às mudanças do mercado e capturar oportunidades de negócio. O profissional de comunicação nas empresas nunca teve um papel tão transformador e estratégico como agora.

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sábado, 22 de novembro de 2008

Como comunicar más notícias

Estamos vivendo um momento turbulento no mundo. A maioria das empresas está revendo seus planos de investimento, sendo que várias delas já anunciaram cortes. Diante de tal cenário, as empresas têm que transmitir más notícias para seus empregados e para o mercado. Como por exemplo, podemos citar as recentes notícias divulgadas a respeito da Vale e da Petrobras.

O grande problema é que muitas empresas se enrolam ou erram a mão na hora de comunicar notícias ruins. Muitas preferem falar aos poucos ou não dar a notícia completa. Outras cometem o erro de permitir que seus empregados saibam das novidades através da imprensa.

A minha experiência mostra que os empregados não tem dificuldade em aceitar notícias negativas, o que eles esperam é transparência, antecipação e diálogo. Se a empresa considerar esses pontos nos seus planos de comunicação, eu estou certo que as dificuldades serão entendidas e a maioria dos empregados serão sócios das decisões da empresa.

Eis aqui uma sugestão de ações que poderiam ser implementadas, em três dias, num momento de crise:

PREPARAÇÃO DO PLANO (antes dos 3 dias):

--> É recomendável que todas as notícias ruins sejam comunicadas juntas, no estilo “pacotão”. Dar notícias ruins a conta-gotas é estabelecer um clima de contínuo sofrimento. Anunciar tudo junto cria um único momento de impacto, transmite a idéia de que existe um plano e que a empresa pensou em tudo, mesmo que não seja tão verdade assim. Dar notícias ruins aos poucos passa a impressão que a empresa está indecisa e tomando decisões conforme o humor do mercado ou do time executivo.

--> Junte todas as informações possíveis: números, fatos e análises. Montar o plano e o speech com informações tangíveis e relevantes faz muita diferença num momento de crise. Os números ajudam a dimensionar as coisas, dar credibilidade e transparência. Inclua no speech uma visão equilibrada da situação do mercado para contextualizar as decisões da empresa. Veja esse post sobre crise.

EXECUÇÃO DO PLANO:

1º. DIA:

--> O presidente conduz uma primeira reunião com seu time executivo para comunicar o plano anti-crise, mostrar os detalhes, compartilhar o plano de comunicação e pedir que cada executivo se reúna com seu time gerencial nos dias seguintes para “descer” a mensagem na organização.

2º. DIA:

--> No dia seguinte da reunião acima, recomendo que o presidente tenha uma reunião com todos os gerentes da empresa comunicando resumidamente o plano. Isso pode ser feito por áudio-conferência. Se isso não for possível, seja por limitação técnica ou por receio de haver vazamento da informação, então sugiro selecionar os 50 principais gerentes da empresa, que sejam importantes influenciadores e reverberadores internos e que representem todos os setores da empresa. Ter os gerentes informados, com antecedência, é mandatório para o sucesso de qualquer plano, pois são eles que comandam as tropas e influenciam o estado de espírito dentro da empresa. Tê-los entendendo o plano e comprometidos com as ações é fundamental. Os gerentes terão que manter a confidencialidade da notícia até o dia seguinte.

3º DIA:

--> Pela manhã: Envio de um e-mail/carta do presidente para todos os gerentes da empresa comunicando que neste mesmo dia, à tarde, ele enviará um comunicado para todos empregados e um release para imprensa anunciando um plano anti-crise.

--> À tarde: envio de um email/carta do presidente para todos os empregados e disparo do plano de imprensa.

Disparar a comunicação interna para todos os empregados, no mesmo momento que é feito para imprensa, é uma medida de respeito e consideração com o ativo mais importante de qualquer empresa: as pessoas. Assim eles tomarão conhecimento das notícias antes de vê-las nos jornais.

A estratégia de comunicar um plano anti-crise para imprensa deve ser analisada com carinho. Pode ser feito via release ou através de entrevistas exclusivas do presidente para dois ou três veículos de grande circulação, no mesmo dia, de preferência. Tudo depende de como a empresa quer trabalhar o assunto no mercado. Ser uma companhia aberta impacta diretamente na decisão da estratégia. Empresas grandes, como Vale e Petrobrás, têm que partir para ações de grande impacto pois são reguladas pela CVM e altamente comprometidas com a ética e a transparência. Mas meu foco nesse post é discutir a parte de comunicação interna.

Como recomendação adicional, eu sugiro, também, que se crie um canal de diálogo dos empregados com o corpo diretivo da empresa. Pode ser um blog, um endereço de email para os empregados enviarem suas perguntas ou até mesmo a velha caixa tipo urna para colocação de bilhetes. O importante é deixar os empregados fazerem suas perguntas e divagações para o presidente e os diretores da empresa. Se não for aberto um canal de diálogo, a maioria das perguntas e comentários vai acabar rolando pelos corredores e cafezinhos da empresa. Com um canal de diálogo aberto, o time de comunicação poderia selecionar as perguntas mais relevantes e publicar as respostas do presidente no veículo de comunicação interna da empresa.

Eu reconheço que a proposta de plano de comunicação acima é ousada, pois apresenta sério risco de vazamento de informação antes do anúncio oficial. Eu concordo que o risco existe, mas cabe a cada empresa dimensionar o tempo de cada passo acima em função das características da organização. O importante é que os gerentes tenham prioridade na comunicação e que os funcionários a recebam antes da imprensa.

É claro que os empregados ficarão chateados de saber que a tradicional festa de final de ano deles foi cancelada ou que o plano de investimento foi reduzido devido às dificuldades da empresa com a crise. Mas esteja certo que todos entenderão e serão parceiros dos planos da empresa se eles receberem a notícia com antecedência, com seus gerentes comprometidos com as decisões, de forma transparente, com explicações objetivas, sem enrolações ou enganações.

Para encerrar o post, quero dar um exemplo recente de uma iniciativa tomada pela Petrobrás. A revista Exame, na edição de 19/11/2008, publicou uma matéria informando que José Sérgio Gabrielli, presidente da empresa, usou a rede interna de TV, na primeira quinzena de novembro, para informar que investimentos e projetos estariam sendo revistos em função da conjuntura econômica atual. Gabrielli conclamou os funcionários para economizar em tudo. De eventos a viagens. Achei isso ótimo. Esse é o tipo de ação que as empresas têm que buscar mais: a comunicação direta do líder para toda tropa, sem intermediários. A ação da Petrobrás segue aquela máxima do Neném Prancha, pensador do futebol, que dizia: “O pênalti é tão importante que devia ser cobrado pelo presidente do clube”. O mesmo ocorre nas empresas, notícias ruins e impactantes são tão importantes que deveriam ser sempre anunciadas diretamente pelo presidente.

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Comunicado da GM

Há cinco semanas eu publiquei um post sobre o uso de comunicados pelas empresas. Meu foco estava concentrado no dilema que as empresas vivem na hora de decidir pela publicação de um comunicado aberto ao público. Ontem surgiu um exemplo ótimo para ilustrar esse dilema.

A GM, que é reconhecidamente um ícone no mundo corporativo, vem passando por sérias dificuldades e ocupando espaços generosos na grande mídia. Em apenas doze meses, o valor da ação da GM despencou 95%. Passou de US$ 38 para menos de US$ 3, o menor valor desde 1943. O fato é que a GM tem sido usada como um exemplo das consequências da crise atual e caracterizada como uma empresa em estado pré-falimentar. Essa espiral negativa é altamente danosa para a marca GM e para o futuro dos negócios da empresa. Já ouvi pessoas falando que deixarão de comprar carros da GM por temerem o futuro da companhia. Qualquer empresa que passe por este tipo de situação necessita partir para ações de relações públicas diferentes das tradicionais. Uma reação rápida e pragmática é exigida.

Eu não conheço as ações de comunicação que a GM vem tomando, mas ontem ela tomou a iniciativa de publicar um comunicado nos principais jornais do país. Eu, particularmente, gostei do comunicado, mais pela urgência da necessidade da empresa se posicionar do que pelo conteúdo da carta publicada. Veja o texto na íntegra no final do post ou clique na imagem ao lado.

O comunicado é longo, mas duas coisas me chamaram a atenção.
Uma positiva e significativa: a empresa diz que opera com mais de 60% das vendas fora do mercado norte-americano e que a operação brasileira é uma das mais lucrativas globalmente. Isso é bom.
O segundo ponto me supreendeu pois afirma que a General Motors do Brasil continuará operando, qualquer que seja o destino de sua matriz. Isso soou estranho.

Independentemente das ações que a empresa tomará nos próximos dias, eu acho que a decisão da GM foi corajosa e oportuna. Existe sempre o risco do comunicado de uma empresa virar uma espécie de tiro no pé, não só por um conteúdo mal feito, mas também pelo comunicado amplificar a divulgação de um problema, que muitas vezes está confinado a um número pequeno de impactados ou conscientes da situação. Acho que o caso da GM é diferente. A imagem da GM já está muito arranhada e seu futuro como empresa sendo questionado. Nessas horas não adianta esperar pelo dia seguinte, tem que agir imediatamente.
Que ironia vive a GM ao ver tudo isso acontecendo no ano em que ela completa 100 anos de vida.

Veja abaixo a íntegra da carta publicada pela GM em 18/11/2008:

A GM, O BRASIL E A REALIDADE DOS FATOS

Tendo em vista os recentes artigos publicados na imprensa sobre a situação da General Motors Corporation e a indústria automobilística nos Estados Unidos e com o objetivo de esclarecer o público em geral, os consumidores de veículos da marca Chevrolet, os fornecedores, os concessionários Chevrolet e os parceiros do mercado financeiro, a General Motors do Brasil sente-se no dever de prestar os seguintes esclarecimentos:

1. O mercado financeiro global atravessa neste momento sua pior crise das últimas décadas, com reflexos e conseqüências em todos os países, tanto os desenvolvidos como aqueles em desenvolvimento.

2. A General Motors Corporation – assim como outras montadoras e também empresas de outros setores da economia – vem sofrendo as conseqüências da situação financeira norte-americana, que está levando o setor automobilístico a fechar 2008 com um volume de vendas total de 13 milhões de veículos, ou seja, 3 milhões de veículos a menos se comparados aos 16 milhões vendidos nos Estados Unidos em 2007.

3. Mesmo diante dessa nova realidade financeira, a General Motors Corporation, que completou recentemente 100 anos de existência, continua determinada a executar seu plano de reestruturação, ao mesmo tempo em que mostra sua liderança tecnológica com o lançamento de novos e atraentes veículos, entre os quais se destaca o Chevrolet Volt, o primeiro automóvel elétrico a ser produzido em série e comercializado nos Estados Unidos no final de 2010, ano em que os efeitos de sua reestruturação já serão bem mais visíveis.

4. Como empresa global, a GM já vende hoje mais de 60% dos seus veículos fora dos Estados Unidos e vem crescendo cada vez mais nos países emergentes, como Brasil, Rússia, China e Índia. Nesses mercados, a GM está mantendo seus agressivos planos de investimentos e crescimento.

5. Desde 2006 as operações da General Motors do Brasil são lucrativas e a região à qual está integrada, que é a LAAM – Operações da GM na América Latina, África e Oriente Médio, tem sido a mais lucrativa este ano, colaborando de forma decisiva para o fortalecimento da situação financeira da matriz. No Brasil, alguns dos nossos recentes lançamentos de produtos, como a Chevrolet Captiva, têm feito muito sucesso junto aos consumidores, tendo inclusive recebido diversos prêmios por parte da imprensa especializada.

6. Por ser uma entidade jurídica distinta da Corporação, a General Motors do Brasil atua de forma independente e, por essa razão, estão mantidos todos os investimentos já programados para o período de 2009-2012, entre os quais a construção da nova fábrica de motores em Joinville, o Centro Logístico de Distribuição de Veículos no Porto de Suape, em Pernambuco, o desenvolvimento e lançamento de um novo veículo a ser produzido em São José dos Campos, a expansão e modernização das fábricas e do Centro Tecnológico de São C aetano do Sul nas áreas de design e engenharia, além do desenvolvimento de novos veículos Chevrolet que chegarão ao mercado nesse período.

7. Em qualquer cenário da reestruturação das operações da GM na América do Norte, as atividades da GM do Brasil, independentes que são, não serão diretamente afetadas, e nossos consumidores podem ter certeza de que nós continuaremos a prover os excelentes produtos e serviços aos quais eles já estão acostumados.

8. Finalmente, a GM manifesta a certeza de que as autoridades norte-americanas encontrarão uma saída para a crise que está afetando sua economia e, por conseqüência, a sua indústria automobilística, a maior do mundo, ao mesmo tempo em que reafirma sua confiança na economia brasileira, que, graças aos seus sólidos fundamentos, vem sendo menos afetada que a de outros países.

São Caetano do Sul, 18 de novembro de 2008.

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sábado, 15 de novembro de 2008

O que é progresso para você? Um planeta mais inteligente

Você já experimentou perguntar para seu filho, marido ou esposa o que é progresso?
Progresso pode ser construir alguma coisa, obter um diploma, fazer uma viagem dos sonhos ou obter a cura para uma doença que parece incurável. Progresso pode ser alguma coisa complexa ou simples, pode ser também algo coletivo ou individual. Progresso pode ser aspirarmos que os nossos filhos e netos tenham uma vida de mais oportunidades e realizações do que a nossa. Porém, independentemente do conceito que nos vem à cabeça, o progresso sempre implicará numa sociedade mais justa, segura e focada no ser humano, em seu bem-estar e equilíbrio. Enfim, progresso significa um mundo mais inteligente.
Veja esse vídeo.



Sam Palmisano, CEO da IBM WW, na palestra que fez no “Council on Foreign Relations”, em New York, no dia 6/11, compartilhou pela primeira vez a visão de um planeta mais inteligente, baseado no conceito de que o mundo está mais instrumentado e interconectado, não somente no aspecto tecnológico, mas também socialmente e economicamente. Essa nova realidade, com as tecnologias já disponíveis, permite pensarmos em sistemas, processos e infra-estruturas mais eficientes, mais eficazes e mais inteligentes. Enfim, um planeta melhor.
Veja aqui o speech e o vídeo da palestra.

Conheça aqui o planeta mais inteligente. Vale a pena ver essa nova visão estratégica da IBM.

Por fim, um vídeo recém-produzido que conta a história de quase 100 anos da companhia em 90 segundos.




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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

As comunidades que as empresas desconhecem - O lado Dark

No final de outubro, eu participei de uma apresentação na Aberje Rio onde falei sobre comunicação interna. Desde então, eu tenho recebido alguns emails a respeito de um tema que toquei na palestra. O conceito é bem simples, mas parece que despertou a atenção de algumas pessoas.

As empresas desenvolvem seus canais de comunicação interna privilegiando a organização tradicional, tendo como base seus departamentos e unidades organizacionais. A comunicação formal, dentro da empresa, existe entre os departamentos contidos no organograma, como por exemplo: RH, Finanças, Marketing, etc. Muitas dessas organizações desenvolvem veículos próprios de comunicação como newsletters, revistas, etc. Por outro lado, em toda empresa, existem comunidades que vivem dispersas nos diversos departamentos que se falam e que se relacionam. Veja esse post.

Vou citar dois exemplos que identifico na IBM, a empresa onde trabalho.
Lá temos a comunidade técnica, formada por um número enorme de profissionais técnicos da empresa, que estão espalhados em diversos departamentos e sub-departamentos. Eles se falam, têm interesses comuns e compartilham os mesmos ideais. Estão espalhados por toda empresa e formam um grupo fortíssimo e numeroso. Outra comunidade, muito comum nas empresas, é a de secretárias. Elas formam uma rede paralela na empresa, sabem de tudo, são influenciadoras, são aliadas umas às outras, mas normalmente são negligenciadas pelas empresas.

O conceito é simples. As empresas se beneficiariam muito se soubessem identificar essas comunidades, se ajudassem seu desenvolvimento, procurando integrá-las ao modelo de gestão da empresa e engajando-as nos objetivos empresariais. Essas comunidades, formadas por pessoas com interesses comuns, muitas vezes são muito mais fortes, reverberadoras e influenciadoras do que os tradicionais departamentos do organograma. Na apresentação na Aberje Rio, eu chamei essas comunidades de “Lado Dark” das empresas, pois muitas vezes as empresas nem conseguem identificar muito bem esses tais grupos paralelos.

Nesse cenário, nós poderíamos identificar quatro tipos de empresa:

1- Têm aquelas que não sabem da existência de comunidades paralelas. Essas são as empresas CEGAS ou ALIENADAS, pois não conseguem enxergar o que acontece dentro delas;

2- Têm aquelas que sabem da existência de certas comunidades internas, mas fingem que não vêem ou preferem ignorá-las. Essas são as empresas DISSIMULADAS;

3- Têm aquelas que sabem da existência de comunidades, reconhecem-nas, mas não ajudam a alavancá-las. Até fazem alguma coisa, mas sempre no conceito de obrigação. Não é uma iniciativa genuína. Essas são as empresas NEGLIGENTES ou DESCOMPROMETIDAS;

4- E têm aquelas que sabem da existência das comunidades e ajudam a desenvolvê-las, valorizá-las e integrá-las na gestão da empresa. Essas são as empresas TRANSFORMADORAS, SOCIAIS e MODERNAS, que entendem e investem na colaboração e integração.

Mas como se tornar uma empresa número 4 ?

Canais de comunicação como blogs, redes sociais e wikis são formas modernas de desenvolver tais comunidades internas. A empresa deveria tomar a iniciativa de disponibilizar tais ferramentas, com foco na integração e colaboração do conhecimento, percepções e experiências das pessoas dessas diversas comunidades. A empresa também teria outros benefícios indiretos, como por exemplo, captar nessas redes sociais virtuais as tais conversas e interações que normalmente existem nos corredores das empresas.

Para a empresa embarcar nessa onda, não necessariamente a empresa tem que implementar ferramentas de web 2.0. Basta criar facilidades para as pessoas se reunirem regularmente numa sala de reunião, num auditório, numa áudio ou vídeo-conferência. O importante seria identificar essas principais comunidades e ajudá-las a se desenvolver. Obviamente que as ferramentas digitais ajudariam muito nessa jornada, pois a geração Y respira essa nova tecnologia.

Acho que essa missão deveria fazer parte da estratégia dos líderes de comunicação das empresas. Minha impressão é que, na maior parte das vezes, isso não está no radar de ninguém. A área de comunicação deixa para a área de RH. A área de RH está tão cheia de coisas que acaba deixando para outra área ou na prioridade mínima. O pior mesmo é quando, em algumas empresas, as tais comunidades só existem uma vez por ano. Quer um exemplo? O dia da secretária. Esse é o único dia do ano que as empresas olham para essa importante comunidade.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A Regionalização da Comunicação - A experiência da SECOM

Ontem participei do 2o. Fórum de Comunicação do Governo Federal no Nordeste, em Fortaleza, a convite do BNB - Banco do Nordeste. Achei o evento excelente. Aprendi bastante. Dentre as palestras e debates, eu gostaria de destacar uma: "A Regionalizacao da Comunicação". A apresentação de Flavia Filipini, Diretora do Departamento de Relações com a Midia Regional do SECOM (Secretária de Comunicação Social do Governo Federal), me chamou a atenção.

Flavia falou sobre a estratégia da SECOM de desenvolver a regionalização da comunicação do governo federal, que virou prioridade no segundo mandato do Presidente Lula. Ela citou várias ações interessantes, mas uma, em particular, me surpreendeu. Eles estabeleceram uma nova estratégia de comunicação para as entrevistas do Presidente Lula para a imprensa. Até meados do ano passado, o presidente dava entrevistas com foco nos grandes veículos. Tudo se concentrava na fala do presidente. Após as entrevistas, de forma bem tradicional, um release era distribuído para imprensa.

O foco na regionalização da comunicação provocou uma mudança na estratégia a partir de ago/07. Eles iniciaram um processo de coletivas regionais, fora dos grandes centros do sudeste "maravilha". Eis as principais ações implementadas para as coletivas do presidente:

- A Assessoria de Comunicação do SECOM viaja três dias antes do presidente para o local (cidade) onde a coletiva será dada. Viaja junto com o cerimonial, segurança e outros assessores. Antes, ninguém da SECOM viajava com o presidente, ou seja, eles tentavam fazer as coisas funcionarem de Brasília;

- As mídias regionais são chamadas para as coletivas junto com os grandes veículos. É comum ver, agora, veículos (jornais, TVs e rádios) de pequeno porte ao lado da Folha e da Bloomberg. Todos num espaço democrático e com mesmo espaço;

- Na véspera, um ou dois dias antes da coletiva do presidente, é realizada um coletiva no local com fontes federais e locais, mostrando parceria e entendimento entre os órgãos;
- Um release é distribuído no dia anterior à coletiva do presidente;

- A imprensa entra na coletiva do presidente sabendo do assunto, bem informada e preparada, em função dos passos citados acima.

O mais interessante é que essa estratégia inverte a forma tradicional de fazermos coletiva de imprensa, onde comumente guardamos, a sete chaves, todas as informações e segredos para a hora "H" da coletiva. Esse novo formato da SECOM explora intensamente o pré-evento, ou seja, cria vários eventos anteriores de grande intensidade, antes da coletiva do presidente. Taí uma coisa que muita empresa privada, que é exemplo de comunicação corporativa, poderia pensar.
Segundo Flavia, os resultados conquistados por essa estratégia têm sido estupendos:

- Em 1 ano (de ago/07 a ago/08), foram realizadas 41 coletivas, em 28 cidades, em 16 estados. Desse total, 12 coletivas foram no interior, em cidades como: Mossoró (RN), Delmiro Gouveia (AL) e Tucuruí (PA);


- Foram levados para mídia regional 103 fontes federais, de 29 órgãos, como ministérios, bancos estatais e autarquias;

- A coletiva se mostrou um ótimo instrumento para as TV's. As matérias veiculadas têm, em média, 3 minutos. Em 1 ano, foram trabalhados 346 veículos da mídia regional.

Uma outra novidade que eles implementaram foi atender, de forma seletiva, pedidos de imprensa para o presidente via entrevista escrita. Ou seja, as perguntas são apresentadas escritas e o presidente trata de respondê-las também de forma escrita. Em 1 ano (ago/07 a ago/08) foram produzidas 27 entrevistas escritas com o presidente Lula, que foram publicadas em 46 jornais de 21 estados.

Como profissional de comunicação, eu fico satisfeito com essas mudanças de estratégia pois elas mostram que não existem fórmulas únicas de se trabalhar. Foi legal descobrir que o governo federal está preocupado com a mídia regional, pois acho isso fundamental num país continental como o nosso. Por fim, como cidadão brasileiro, é muito bom saber que a SECOM está sendo comandada por pessoas sérias, profissionais e com pensamento ousado, fazendo coisas diferentes e comprovando com resultados pragmáticos. Enfim, valeu o dia.



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