domingo, 12 de abril de 2015

A trilogia completa de entrevistas de Jean Paul Jacob para Jô Soares, em 1991, 1992 e 1996


Aqui você encontra, em vídeo, a famosa trilogia de entrevistas de Jean Paul Jacob para Jô Soares. Este foi um tesouro enterrado durante muitos anos e só agora descoberto, numa antiga fita VHS encontrada na casa de JP (Jean Paul). São vídeos de significativo valor histórico.

No dia 2 de dezembro de 1991, Jô Soares comandou uma entrevista histórica com Jean Paul Jacob, Gerente de Pesquisas da IBM na Califórnia, no seu antigo programa Jô Onze e Meia, ainda no SBT. Numa era em que a tecnologia da informação e a internet ainda estavam dando os primeiros passos, JP (Jean Paul) e Jô travaram uma conversa divertidíssima sobre o futuro dos computadores, mundo multímidia, inteligência artificial, internet e super condutividade.

A entrevista toda foi sensacional, mas a magia aconteceu no final, quando JP demonstrou a super condutividade ao vivo, fazendo uma pastilha de cerâmica levitar, diante dos olhos e das bocas boquiabertas do público, inclusive do próprio Jô. Ainda mais no finalzinho, já no encerramento, JP tinha que se desfazer do nitrogênio líquido (que é perigoso e de difícil manipulação) e decidiu jogá-lo no chão, criando uma espécie de fumaça. A câmara captou o momento e Jô Soares se espantou. JP simplesmente comentou: "Estou devolvendo ar ao ar".

A entrevista teve tanta repercussão, que Jô trouxe JP mais uma vez para o seu programa, desta vez em 1992.

Na entrevista de 1992, a conversa voltou a ser sobre futuro e transformações. Falou-se sobre robôs miniaturizados introduzidos no corpo humano e computadores pessoais multimídia, que eram super novidades naquele ano. É divertido compararmos essa conversa com os dias de hoje, onde temos smartphones e dispositivos super sofisticados em nossas mãos. Foram quase 40 minutos de diálogo e quase nada se falou sobre internet, que naquela época era algo ainda incipiente e poucos conseguiam estimar a dimensão transformadora que ela traria à sociedade.

Completando a trilogia, Jô voltou a entrevistar JP em 1996. Nessa nova conversa, as estrelas da conversa foram os laptops multimídia e, principalmente, a internet. Muito interessante a demonstração feita por JP de busca na internet sem usar o... Google, até porque o Google ainda não existia :) Ver o JP fazendo as demonstrações é estranho, pois mostra como éramos bebês ingênuos na jornada de transformação da tecnologia. É incrível ouvir o JP falar naquela época em wearables, parecia algo de um futuro muito distante e improvável.

JP tem uma história formidável. Ele se formou em engenharia eletrônica no ITA, São José dos Campos, em 1959. Logo que se formou, JP descobriu que ser
cientista no Brasil era uma profissão muito mal remunerada e repleta de limitações. Ele partiu para o exterior. Trabalhou como pesquisador na França e na Holanda. Em 1961 ele recebeu um convite para se juntar a uma equipe da IBM que pesquisava métodos de automação de aciaria na Suécia. O projeto exigia conhecimentos avançados de matemática para gerar um modelo matemático do processo, e JP gostou da oportunidade. A alegria durou pouco. JP fazia seu trabalho usando computadores analógicos, algo muito limitado, e ele queria mais. Durante o seu trabalho na Suécia, já na IBM, a NASA anunciou um projeto para o primeiro estudo de uma estação espacial. Na época os médicos diziam que o ser humano não poderia sobreviver fora da atração da gravidade e se tentasse, os órgãos vitais seriam expelidos para fora do corpo. Algo bizarro. O projeto da NASA pedia a simulação de uma estação espacial que gerasse gravidade usando a força centrífuga, e a equipe da IBM que trabalhava no projeto da aciaria era de longe a mais experiente em simulações. Foi aí que JP aceitou o convite para participar do projeto e pousou na Califórnia em 1962. De lá ele nunca mais saiu, com exceção de um breve período, entre 1969 e 1971, quando morou no Brasil. Na Universidade da Califórnia, em Berkeley, ele alcançou os graus de mestrado e doutorado em matemática e engenharia.

JP é de tudo um pouco. É professor, cientista, pesquisador, palestrante e um monte de outras coisas. Recebeu dezenas de prêmios ao longo do tempo. Talvez, a melhor definição para ele seja futurólogo. Toda a sua vida é dedicada para olhar para frente. Ele frequentemente diz que temos que aprender com nossos erros. Nunca devemos repetir o mesmo erro. Afirma que aprendeu isso quando ainda era muito jovem, numa fazenda em São Carlos, São Paulo. Diz ele: "olhe sempre onde você vai pisar e não onde você já pisou". Assim nasceu o futurólogo Jean Paul Jacob.

Com enorme poder de comunicação e sedução, JP é um dos melhores palestrantres que eu já vi na minha vida. Ele é uma espécie de evangelista das ciências. Já fez palestras pelo mundo todo: Brasil, Estados Unidos, Europa, América Latina, etc. Falando em português, inglês, francês, alemão e espanhol. Um assombro :) Dono de um humor envolvente, ele encanta as plateias com seu estilo pessoal e magnético. Sempre foi extremamente preocupado com detalhes e com o planejamento de cada uma de suas palestras e reuniões. O sucesso nunca veio por acaso e sempre veio por conta do conteúdo extraordinário que compartilha com quem conversa ou assiste suas apresentações.

Sempre foi uma pessoal humilde, de sorriso farto e sincero, com riso fácil. Eu tenho a impressão que a palavra que ele mais fala na vida, até hoje, é "porque", sempre com tom interrogativo. É um curioso costumaz. Acho que ele deve ler até bula de remédio. Seus paradeiros prediletos sempre foram o Centro de Pesquisas da IBM em Almaden e a Universidade da Califórnia. Aliás, ele hoje continua residindo na Califórnia, a terra escolhida para viver nas últimas cinco décadas.

Como qualquer futurólogo, JP acertou muitas previsões e errou algumas. Porém,
mesmo aquelas que ainda não deram certo, ainda me parecem muito prováveis de acontecer, como a previsão de que vamos usar a condutividade elétrica da pele e do sangue para interconectar "coisas" que carregamos. Uma espécie de rede pessoal. Lembro bem dele falando sobre isso em suas palestras. Aliás, lembro dele falando da internet das coisas, computação cognitiva, robótica, dispositivos vestíveis, e-readers, o fim do LP e o surgimento do CD laser, câmeras digitais, mundos virtuais, internet 3D, etc.


Mas o gênio JP também é um ser humano como nós. É gente como a gente. E esta sempre foi uma face de encantamento para as pessoas. É um sujeito espartano, humilde, sem preconceitos e que gosta de coisas simples, como um belo prato de camarão e ouvir música clássica.

JP passou a vida toda imaginando e planejando o futuro. Foi um agente de mudança, impactando a vida de milhares de pessoas. Trabalhar com o futuro é magnífico pois exige sonho e imaginação, por outro lado pode ser frustrante, pois o futuro nunca chega, ele está sempre a frente. Fico pensando no que JP está atualmente pensando sobre o futuro da sociedade. Visite e participe do Grupo dos Amigos do Jean Paul no Facebook. Lá você você vai ter chance de saber mais sobre JP, sua história e interagir com ele.

A primeira das entrevistas da trilogia abaixo aconteceu em 1991, um pouco mais de 20 anos atrás. Assista o vídeo, veja a demonstração da super condutividade, que é antológica, e solte a sua imaginação. Isso tudo aconteceu há somente duas décadas. Será que somos capazes de imaginar o mundo daqui há 20 anos para frente?

Aperte os cintos e boa viagem :)









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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Hello Barbie: evolução ou invasão de privacidade?

O anúncio da nova boneca Hello Barbie conectada por wi-fi e que conversa com as crianças provocou uma avalanche de análises e comentários na web a respeito da invasão de privacidade dentro dos lares. As críticas têm sido duras e muito bem fundamentadas. A boneca tem um microfone embutido que capta tudo que é conversado ao redor dela. Essas conversas serão transmitidas para os servidores da Toy Talk, a parceira de tecnologia da Mattel, que é a fabricante do brinquedo.

A Mattel informa que vai aprender sobre o que as crianças gostam e não gostam, que a boneca vai conversar com elas através do alto-falante existente no brinquedo e que os pais receberão emails com destaques das conversas de sua crianças. Psicólogos estão analisando o caso com avaliações catastróficas. Conheça a boneca no vídeo abaixo.



Apesar de parecer intrusivo, ameaçador e uma afronta à privacidade, eu acho que podemos estar fazendo tempestade em copo d'água. O argumento de que as bonecas ouvirão os segredos das crianças, apesar de verdadeiro, nada mais é do que uma evolução natural do que vêm ocorrendo em nossas vidas.

Nós já compartilhamos segredos, deixamos rastros e nossos gostos pessoais nas redes sociais nas quais participamos. Muitos de nós somos facilmente localizáveis pois permitimos que nossos smartphones registrem nossos passos. As nossas vidas estão armazenadas nos servidores do Google, Facebook e etc. com detalhes que desconhecemos. Cada vez mais pessoas compartilham suas informações com empresas em troca de benefícios, promoções, facilidades, conveniências e ofertas personalizadas. O conceito de privacidade vem evoluindo radicalmente nos últimos anos.

Falar que são crianças inocentes contando os seus segredos para a Hello Barbie me incomoda. Elas já fazem isso nas redes sociais, nos smartphones e em outros canais que os pais nem imaginam. Portanto, se isso incomoda você, não dê a boneca para uma criança, ou, se optar em ter a boneca, não ligue o wi-fi, desligue o microfone e o alto-falante. Ah, aproveite para tirar o smartphone de suas mãos também. Se for fazer o serviço, faça bem feito e completo.

Será que alguém já perguntou para as crianças o que elas acham da Hello Barbie? Ou apenas os psicólogos, especialistas e pais se pronunciaram? Ah, elas não têm idade para avaliar essas coisas. Ok, então deixemos elas se divertindo com seus smartphones superconectados.

A boneca Hello Barbie é um mero sinal do tsunami à nossa frente. Em alguns anos haverá a explosão da computação cognitiva, robótica, inteligência artificial e assistentes virtuais. Você assistiu o filme Ela? (veja trailer abaixo) Assista! E me diga o que acha da Hello Barbie comparada à Samantha. Parece ficção, mas não é. Estamos muito próximos dessa realidade.

Tecnologias altamente avançadas de computação cognitiva permitirão a interação intensa entre homens e máquinas, com conversas inteligentes e profundas, numa relação quase humana. Provavelmente, mais breve do que imagina, o seu melhor amigo e conselheiro não será propriamente um humano, mas uma máquina, travestida de robô ou em algum dispositivo que você vai carregar consigo.

A internet das coisas vai permitir que os equipamentos e dispositivos ao seu redor conversem sobre você... sem você saber! Os wearables vão monitorar a sua saúde, evidenciar sua rotina, seus gostos e preferências. As empresas estarão aptas a entender e conhecer melhor você, provendo serviços personalizados, experiências únicas e individuais. E você vai gostar disso. As coisas ao seu redor saberão tudo sobre você. Quando isso acontecer, o conceito de privacidade pode ser totalmente diferente do que imaginamos hoje.

Enfim, a Hello Barbie é apenas a pontinha do iceberg que o titanic da sociedade vai encarar pela proa em breve. E não vai dar para fugir dele.

E aí, vai comprar uma Hello Barbie?




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segunda-feira, 30 de março de 2015

Quando a demissão joga a favor da equipe


Há muitos anos atrás, num dos meus primeiros empregos, trabalhei numa empresa que estava se expandindo e contratando muita gente. No dia da minha entrada iniciaram comigo mais dois novos colegas de trabalho. Um deles se chamava Roberto. Ficamos sob a gestão de um mesmo gerente, que comandava um grupo de aproximadamente 20 pessoas. O clima era bom e o gerente parecia ser uma boa pessoa.

Em menos de três meses eu percebi que Roberto era um sujeito complicado. Ele não gostava de trabalhar, era pessimista de carteirinha, sempre achava que o copo dele estava mais vazio, sempre reclamava de tudo, falava mal de todos, mostrava insatisfação com a empresa, nunca demonstrava entusiasmo e influenciava a todos. Quando ele chegava de manhã no escritório, raramente dava "bom dia", parecia que carregava uma nuvem preta na cabeça, pois ele incendiava o grupo e todos entravam na pilha da insatisfação e pessimismo dele. Ele era realmente uma pessoa desagradável.

Para resumir a história, Roberto transformou o grupo num time de infelizes trabalhadores. Após um ano de sua entrada na empresa, quase metade do grupo pediu demissão do emprego. Foi uma debandada. Todos, inclusive a gerência, tinham consciência da influência devastadora de Roberto e de que ele era a principal razão de tudo que estávamos passando. Mesmo assim, mesmo após todos os danos e a destruição do grupo, a empresa ainda levou meses para tomar a decisão de demitir Roberto. Aquela foi uma lição aprendida.

Por que as empresas demoram tanto tempo para demitir alguém incompetente e perverso para o grupo? Por que as empresas aceitam conviver com péssimos influenciadores? Por que os gerentes procrastinam tanto na hora da tomada de decisão de uma demissão?

Segundo Lucy Kellaway, os gestores adiam essa decisão por três motivos: eles se apegam a vã esperança de que a pessoa vá mudar (ela quase nunca muda), eles relutam em admitir que fizeram uma escolha errada, e eles recuam da situação desagradável que é demitir alguém.

Depois da experiência descrita acima, recebi uma oferta de emprego e fui para outra empresa. Após meses de trabalho, a empresa contratou um novo diretor, vindo de fora da organização. Lembro que em apenas dois dias ele demitiu um analista financeiro que tinha muito tempo de casa. Perguntado por que ele demitiu aquela pessoa tendo apenas dois dias de convivência, ele respondeu: "Como posso conviver com um analista financeiro que se diz sênior, mas não responde às perguntas e não sabe usar Excel?" Nunca mais esqueci essa resposta dele.

Desde então eu aprendi a mapear muito bem quem são os bons e os maus colegas no trabalho e, principalmente, quem são os principais influenciadores da equipe. Com o passar do tempo eu desenvolvi uma teoria simples, porém não é propriamente uma novidade, pois já vi versões variadas do meu conceito. Ao longo de 20 anos como gerente fui testando e desenvolvendo o conceito. Incrivelmente ele funciona na maioria das vezes. Chamei esse conceito de 2-6-2.

Num grupo de 10 pessoas no trabalho, é possível identificar duas supermotivadas, otimistas e para cima. Por outro lado, no mesmo grupo, somos capazes de identificar duas pessoas rabugentas, pessimistas, que influenciam negativamente o grupo e que estão sempre para baixo. Por fim, existem seis pessoas que são observadoras, influenciáveis e que às vezes são influenciadas pelos positivos, ora pelos negativos.

O conceito 2-6-2 pode ter variações numéricas, mas quase sempre é infalível. O sucesso da equipe vai depender de quem tem mais poder e influência sobre as pessoas observadoras. É nesta hora que o gerente tem que atuar, privilegiando e destacando os positivos. Se isso acontecer, a equipe se contagia e o espírito positivo prevalece dentro do grupo. Camaradagem, parceria e entusiasmo passam a imperar se o pêndulo do grupo estiver favorável. Cabe ao gerente saber identificar esses perfis positivos e dar maior espaço para eles no dia a dia.

Não estou dizendo que ter pessoas menos positivas seja de todo ruim. Muitas vezes pode ser interessante ter alguém mais crítico, mais duro e questionador dentro do grupo, alguém menos confiante e até, às vezes, uma espécie de ovelha negra. Mas este não deve ser o espírito reinante. Pense nisso. Pense no grupo onde trabalha e faça o exercício. Escolha estar do lado do colega certo em seu trabalho. Fique perto de quem passa boa energia, tem espírito de time e acredita numa sociedade melhor. Vai ficar bem mais fácil trabalhar assim.


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segunda-feira, 23 de março de 2015

No mundo atual dormir é para os fracos


Este post nasceu de um livro perturbador: "24/7 Capitalismo Tardio e os Fins do Sono" de Jonathan Crary, Editora Cosac Naify. A mensagem do livro é exatamente como me sinto: a "minha agenda" não é mais minha.

Eu tenho falado nos últimos anos que a vida do trabalho invadiu a vida pessoal e que eu não consigo ter uma agenda equilibrada por conta disso. Isso é verdade, mas é uma verdade parcial. O problema não é apenas o trabalho. A vida como um todo ficou de pernas para o ar. O controle da minha vida não está mais propriamente comigo, mas está sujeito às demandas, estímulos, armadilhas e novas explorações que chegam a mim de todas as formas. Vou explicar melhor.

O pano de fundo da transformação que estamos vivendo vem da fusão dos mundos real e virtual. Com a internet invadindo o nosso dia a dia, através dos dispositivos que temos nas mãos e das redes sociais que nos rodeiam, estamos submetidos 24 horas por dia a uma infinidade de conteúdo espetacular, as vezes muito mais interessante do que a realidade que nos cerca.

Quando o mundo digital começou a surgir, eu pensava que ele só faria sentido e só daria certo se ele fosse uma extensão da vida real. E continuei pensando assim durante muito tempo. Hoje eu vejo que errei. O mundo virtual não necessariamente tem que estar conectado com o mundo real, muitas vezes ele parece ser melhor e mais interessante do que a dura realidade em que vivemos.

Na verdade, a situação é até pior. O nosso dia a dia real parece que perde importância se ele não tiver uma extensão no mundo online. Intuitivamente nós esperamos que a nossa vida diária continue na esfera digital. Aliás, Mr. Crary fala em seu livro que "as atividades da vida real que não têm seu correlato online se atrofiam ou perdem relevância".

A internet, as redes sociais, a mobilidade total e as novas tecnologias nos transformaram em seres dependentes tecnológicos. Somos consumidores ansiosos de conteúdo, de todos os tipos e em todas as formas. Antigamente, nós tínhamos que buscar esses conteúdos, mas agora eles chegam por todos os lados, sem pedir. E vai piorar com as tecnologias vestíveis e com outras tecnologias que ainda nem imaginamos. Existe uma infinidade de conteúdos sensacionais 24 horas por dia. Tudo parece ser mais estimulante e divertido do que a realidade.

A nossa agenda de vida mudou depois de tudo isso. O tempo todo somos desviados de nosso caminho por estes estímulos que recebemos, seja na esfera de nossas vidas pessoais, seja nas nossas vidas profissionais. Novas demandas, novos interesses, mais interlocutores e influenciadores das nossas vidas jogaram o controle da nossa agenda no lixo. Já não temos mais controle de nossas agendas e interesses. Navegamos de um lado para outro, descobrindo coisas novas o tempo todo, numa fusão surpreendente entre os mundos real e virtual.

O dia de 24 horas, definitivamente, não é mais suficiente. Não dá mais tempo para dormir, estamos o tempo todo conectados, atentos, consumindo conteúdo e nos relacionando com pessoas, sejam elas conhecidas ou não. No mundo atual, dormir é para os fracos. Dormir é o único momento em que realmente não estamos conectados. Talvez cheguemos a uma sociedade em que dormir seja ruim, indo além da mera sensação de perda de tempo que alguns de nós já sentem.

Mr. Crary afirma que o consumidor sem sono está a caminho. Nos últimos cinco anos o Departamento de Defesa dos Estados Unidos tem investido na pesquisa de uma espécie de pássaro chamado pardal-de-coroa-branca que tem a incrível capacidade de permanecer acordado por até sete dias consecutivos. Isso ocorre no outono, quando eles voam do Alasca até a Califórnia, num percurso superior a 4.300 km, e também na primavera quando fazem o caminho inverso. Durante essas migrações, esses pardais voam a noite e procuram por alimento de dia, sem descansar e dormir. Pesquisadores têm investigado a atividade cerebral dos pássaros durante esses longos períodos de vigília, com a expectativa de obter conhecimentos aplicáveis aos seres humanos, e descobrir como as pessoas poderiam ficar sem dormir e funcionar produtiva e eficientemente. O objetivo inicial é a criação do soldado sem sono, ou seja, desenvolver métodos que permitam um combatente ficar sem dormir por pelo menos sete dias e, no longo prazo, duplicar esse período, preservando alto níveis de desempenho mental e físico.

Durante os séculos, as inovações na esfera militar, especialmente nas guerras, foram rapidamente aplicadas na sociedade em geral, por isso parece evidente que o soldado sem sono será o precursor do trabalhador e do consumidor sem sono. Não existem dúvidas de que o surgimento de produtos contra o sono seria um mercado promissor para as empresas, tornando-se um estilo de vida ou necessidade para muitos de nós.

A distinção entre vida pessoal e profissional está desaparecendo. Horário do expediente é algo que já não faz mais sentido para muita gente. O trabalho parece ser ininterrupto. Você responde um email de trabalho dentro do cinema. Você checa a programação do cinema e compra os ingressos dentro do escritório. A sua casa as vezes é seu escritório. Parece que tudo conspira para nos transformarmos em trabalhadores 24 horas por dia.
O mesmo ocorre com o consumo. Não precisamos mais de lojas ou shoppings para comprar, apenas o desejo e um click.

Se você tem mais de 50 anos, pense em seus relacionamentos quando era adolescente. Eles se limitavam à sua família, aos colegas de escola e aos amigos e vizinhos de bairro. Estas eram as suas comunidades. Hoje as redes sociais e as tecnologias nos colocam em contato com o mundo todo. Estamos a um click de nos relacionar com quem imaginarmos. Hoje podemos saber o que um desconhecido tomou de café da manhã no outro lado do mundo, basta ele postar algo no facebook ou no instagram.

Nesse contexto maluco em que vivemos, a minha agenda não está mais sob o meu controle. Eu penso que está, posso até acreditar pensando dessa forma, mas não está. Aprender a conviver com essa nova realidade é um exercício cotidiano. E você, está tranquilo?


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segunda-feira, 16 de março de 2015

O Spotify e o prazer de escutar boa música

Na minha adolescência eu adorava comprar discos, especialmente LPs, tinha prazer em cuidar dos discos mais queridos e tê-los à minha disposição. Anos mais tarde me tornei um colecionador compulsivo de CDs, depois DVDs, cheguei a juntar centenas. Com o passar do tempo, o transtorno e a conveniência começaram a se tornar barreiras intransponíveis. As mídias ficavam amontoadas em estantes e gavetas. Como guardar, organizar e levar tantas músicas comigo?

O Spotify absolutamente subverteu tudo isso. Ele coloca quase todas as músicas do mundo em nossas mãos, pagando uma mensalidade super acessível. Como sou uma pessoa que viajo muito e passo muito tempo no trânsito, o Spotify me permite carregar tudo que desejo de música, montar playlists próprias, conhecer músicas diferentes, de diversas partes do mundo e descobrir um monte de bandas novas. Enfim, é uma revolução. Tudo no smartphone, no tablet e no PC, sincronizados, tudo salvo na nuvem, com uma qualidade excepcional e muito fácil de pesquisar e selecionar o que deseja.

Entrar no Spotify e procurar por novidades é um prazer. Ficar pesquisando, experimentar ouvir coisas novas, me permitir conhecer músicas e tendências de outras partes do mundo é uma satisfação imensa. As vezes me dou conta que passo horas navegando a esmo pelo Spotify. Adoro fazer minhas corridas ouvindo música. Trabalhar ouvindo música instrumental, ou clássica, também está começando a virar uma mania. Compartilhar playlists com amigos também é bacana. Enfim, O Spotify me trouxe de novo o prazer de ouvir música, de todos os tipos, em todas as ocasiões. Já experimentou?  


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terça-feira, 3 de março de 2015

A difícil arte de dizer NÃO quando todos dizem SIM

Esse caso é verdadeiro e aconteceu comigo, mas o nome é fictício.

Uma vez trabalhei numa empresa que tinha um enorme contingente de força de vendas. Vendíamos produtos básicos, de pouco valor agregado. O foco da organização era preparar vendedores agressivos, com grande capacidade de persuasão e obstinados por resultados. Obviamente que o clima era de constante pressão, o que implicava numa rotatividade regular de funcionários. Porém, surpreendentemente, havia aqueles considerados intocáveis, aqueles que sempre alcançavam ou superavam suas metas, mesmo nos períodos mais difíceis da economia e mercado.

Havia um vendedor cujo nome era Moacir, carinhosamente chamado de Moacirzão. Tal apelido tinha origem no seu jeito de ser, de falar, um pouco bronco, rude nas palavras, alto, um pouco gordo, sempre usando roupas apertadas, e esbaforido. Apesar do seu estilo parecer incompatível com o que imaginamos de um vendedor de sucesso, Moacirzão era um dos melhores vendedores da equipe, constantemente na frente da maioria e sempre regular em seus resultados. Os clientes o adoravam, pois ele estava sempre disponível, cultivava uma relação saudável e de transparência nas relações comerciais e sempre tomava a iniciativa quando alguma coisa não funcionava. Era uma máquina de trabalhar, sempre motivado e nunca feliz com seus resultados, sempre queria mais.

Certa vez, com o crescimento da operação comercial, a empresa resolveu criar uma nova posição de gerente de vendas. Tal gerente assumiria parte da operação e ele passaria a ter 12 vendedores sob seu comando. A diretoria analisou as possibilidades e avaliaram que era hora de reconhecer o Moacirzão.

Passados alguns meses, a diretoria convoca toda a equipe de vendas, pouco mais de 300 pessoas. Todos foram convidados para uma reunião no auditório, uma espécie de kick-off de vendas. Sem avisar ninguém, nem o próprio Moacirzão, os diretores explicaram a evolução da empresa e informaram que o crescimento dos negócios estava permitindo criar uma nova gerência de vendas.

Moacirzão não tinha ideia do que estava acontecendo. Como sempre, com seu tradicional estilo introspectivo, ele estava lá atrás do salão, doido para terminar aquilo tudo e sair para visitar clientes, fazer aquilo que ele sabia fazer muito bem: vender.

No final da reunião geral, o diretor sobe ao palco e avisa a novidade: a criação de uma nova gerência de vendas. De repente, sem menos esperar, ele cita com orgulho que Moacirzão, pelo seu histórico de resultados e paixão pela empresa, foi escolhido para ser o novo gerente, e chama-o ao palco. Constrangido, sem saber muito bem o que se passava, Moacirzão é empurrado pelos colegas para frente do grande auditório. Ele se arrastou, envergonhado em seus sapatos surrados, olhando o reverberar das palmas e caminhando trôpego para o palco. O diretor entrega o microfone. Moacirzão olha para ele. Era a primeira vez que tinha um microfone nas mãos e que tinha que falar para tantas pessoas.

Balbuciando e falando com sofrimento, Moacirzão disse algo mais ou menos assim: "Eu agradeço muito tudo isso. Eu não sabia. Eu não estava preparado". E virando-se para o diretor: "O senhor me desculpe pelo que vou falar, mas eu não vou aceitar não. O meu negócio é vender, é sair pra rua, estar com meus clientes. É isso que eu sei fazer e quero continuar fazendo. Não quero ficar no escritório longe dos clientes e mandando nos outros". E devolveu o microfone para as mãos do diretor, com a plateia boquiaberta e um silêncio constrangedor. Andando lentamente, com a cabeça baixa, Moacirzão desceu do palco e voltou para o fundo do auditório.

Nas semanas seguintes, Moacirzão pouco apareceu no escritório, talvez um pouco constrangido com tudo aquilo. Foram as semanas em que ele bateu todos os recordes de vendas. Nunca ninguém chegou perto dele nos resultados em tão pouco tempo.

Essa é uma história real que eu presenciei. Saber falar não quando todos diriam sim é uma arte.


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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Uma visão dos jovens sobre as mídias sociais


O meu blog A Quinta Onda tem mais de seis anos de vida. Já publiquei mais de 500 posts, mas o mais lido continua sendo um post que publiquei em 2010, que é uma entrevista que fiz com um adolescente sobre o ambiente da sala de aula.

A conversa foi dura, o rapaz estava insatisfeito com o curso, carregava as aulas como um fardo e encarava a sala de aula com muito sacrifício. Foi uma declaração polêmica, e talvez isso justifique o impressionante número de acessos que este post ainda tem até hoje.

Dias atrás me chegou um post onde um jovem de 19 anos compartilha o seu ponto de vista sobre diversas redes sociais. Ele vive nos Estados Unidos e estuda na Universidade do Texas, em Austin.

Da mesma forma que as pessoas adoraram a entrevista que eu publiquei, eu também adorei ler o depoimento deste jovem. Existe uma magia quando as pessoas abrem seus segredos e suas percepções, falam de forma genuína e são honestas com elas mesmas.

O adolescente não cita nenhum estudo ou pesquisa, o que ele escreve é a sua percepção pessoal e ponto de vista, mas também fala pelo seu grupo de amigos. Eis as coisas que me chamaram atenção.

Facebook
Ele diz que o Facebook "está morto", porém, ironicamente, me pareceu ser a rede social mais usada por ele e pelos seus amigos. Ele diz que precisa estar no Facebook pois é onde todos estão. Existe uma espécie de pressão social atrás da questão: "Todos estão no Facebook, por que não você?". Ele afirma que a funcionalidade de grupo funciona bem nesta rede social e isto caracteriza um dos principais usos da rede. O uso do "messaging" do Facebook é frequente entre os jovens de sua idade. O resumo é que ele usa intensamente o Facebook, mas não curte, apesar de ser onde as coisas acontecem e onde ele sabe das coisas. Por fim, me passou a percepção de achar o Facebook poluído demais, inclusive por publicidade.

Instagram
Segundo ele, o Instagram é, de longe, a rede mais usada pelos jovens da sua idade. No Instagram, ele não se sente pressionado por ter que seguir alguém de volta. Ele diz que o conteúdo desta rede tem mais qualidade do que nas outras, além dela não ter sido ainda inundada pela geração mais velha. Outro ponto citado é que as pessoas não postam 10 mil vezes por dia, permitindo mais qualidade no conteúdo publicado. Não existem links no Instagram, o que significa que ele não é constantemente bombardeado por publicidade. Enfim, ele afirma que o Instagram é mais seletivo e que as pessoas investem mais tempo para serem relevantes e divertidas no que publicam.

Twitter
Ele acha confuso e não entende muito bem o propósito do Twitter. Não é um lugar que permite achar amigos facilmente. Diz que o Twitter é um lugar para seguir ou ser seguido por um grupo randômico de estranhos, e que há três principais grupos de usuários: aqueles que o utilizam para reclamar/expressar-se, aqueles que postam com a suposição de que o seu potencial empregador acabará por ver o que eles estão dizendo, e os que simplesmente olham para outros tweets e fazem um RT ocasional.

Snapchat
O Snapchat está rapidamente se tornando a mídia social mais usada, segundo ele. Parece que é onde ele se sente mais a vontade, quando afirma que "é onde realmente podemos ser nós mesmos e conectados com a nossa identidade social". Não existe a pressão social de uma contagem de seguidores e amigos, como no Facebook. Ele diz que é uma rede onde "eu não estou constantemente tendo pessoas aleatórias na minha frente pedindo atenção", um ambiente mais íntimo de amigos onde você não se importa se os seus amigos estão vendo você se divertindo numa festa. Em resumo, o Snapchat, na visão dele, é onde você pode ser mais você mesmo.

Tumblr
Ele foi lacônico. Para ele, o Tumblr é um lugar para seguir ou ser seguido por um grupo randômico de estranhos, sem que você se identifique. Ou seja, parece ser algo além do Twitter, na visão dele. Ele diz que o Tumblr é como uma sociedade secreta em que todos estão, mas ninguém fala a respeito. Esta é uma rede onde você se cerca (através de quem você segue) de pessoas que têm interesses semelhantes. É muitas vezes visto como uma "zona livre de julgamento" em que, devido à falta de identidade no site, você pode realmente ser quem você quer ser.

LinkedIn
O LinkedIn soa como uma obrigação para ele. Ele tem que estar lá. Ele diz que muitos esperam até a faculdade para entrar nesta rede. Esta não é uma rede interessante para ele no momento, mas entende que não pode fugir dela.

WhatsApp
Ele diz que o WhatsApp é baixado quando você vai para o exterior. Você usa o aplicativo lá fora, mas depois volta para o iMessage ou o Messenger do Facebook. Ele diz conhecer muitas pessoas que se comunicam com pessoas fora do país através desse aplicativo, especialmente estudantes.

YouTube
Ele considera que o YouTube é uma rede que mudou o mundo. Todo mundo usa. Ele tem amigos que visitam diariamente esta rede e que é quase impossível ignorar o YouTube. O conteúdo não é apenas entretenimento, mas tem muita coisa útil, diz ele, citando já ter usado o YouTube para complementar algumas aulas onde precisava de ajuda para entender algo. Achei interessante, e não me surpreendeu, quando ele afirma que o YouTube vem substituindo o tempo que ele gasta assistindo TV, especialmente pela alta qualidade no conteúdo.

Google+
Ele diz que, pessoalmente, não conhece ninguém que usa ativamente o Google+. Fala que já ouviu de alguns amigos que o Google+ é muito bom para fotos e hangouts. Diz que os únicos amigos dele no Google+ são aqueles que estão mais interessados em tecnologia. Ele, pessoalmente, abandonou o serviço porque achou difícil e cansativo categorizar cada pessoa em diferentes "círculos" e, em seguida, manter o controle de todos esses grupos. Segundo ele, tal como está hoje, o Google+ é uma plataforma que está fora do radar. Ele diz ter esperança no futuro desta rede e está interessado em ver para qual direção ela vai.

Ele analisa outras mídias sociais em seu depoimento. Vale a pena ler todo o artigo "A Teenarge's View on Social media", entender como a cabeça dele funciona, ver os adjetivos que usa e o que está por trás das palavras. Acho que ele representa muito bem os adolescentes. Não é apenas uma visão norte-americana, apesar de que o cenário de mídias sociais nos Estados Unidos é diferente de outras partes do planeta.

Enfim, ele é o nosso futuro consumidor, trabalhador, vizinho da rua e... cidadão.



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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

10 coisas que vão desaparecer das nossas vidas nos próximos anos

APARELHO DE FAX
Acredite ou não, mas ele ainda existe em muitos escritórios. Esse já pode ser considerado um dinossauro.



TELEFONE FIXO
Por que precisamos de telefones fixos se já existem mais de 7 bilhões de celulares no mundo? O futuro é dos dispositivos móveis em nossas mãos para toda e qualquer tipo de comunicação, inclusive no trabalho.

CD, DVD e Blu Ray
Eles surgiram como uma grande revolução e mataram os LPs e as fitas magnéticas de áudio e vídeo. Eles desaparecerão junto com os aparelhos que tocam essa mídia. O futuro é do conteúdo armazenado e distribuído na nuvem da internet.

PEN DRIVE
Para que precisamos de pen drive se iremos armazenar tudo na nuvem?


MOUSE
O futuro são as telas sensíveis ao toque e outras tecnologias de interação inteligente com as máquinas, já existentes nos smartphones, PCs e tablets.

PC
Os nomes PC e computador já não fazem mais sentido. Eles desaparecerão das nossas vidas. O desktop vira peça de museu e o notebook vai evoluir para outro tipo de dispositivo.

IDENTIFICAÇÃO E SENHA
Vamos nos livrar definitivamente do sofrimento de memorizar identificação e senha para acessar as coisas. Tudo será feito por biometria.

CABOS
Os cabos que interligam tudo tendem a reduzir ou desaparecer. Tudo será conectado por tecnologias de transmissão sem fio. Será o fim daquela bagunça de fios atrás dos nossos equipamentos.

CONTROLE REMOTO
Será substituído por apps para tablets e smartphones ou por sensores de movimento, aliás, já presentes em modelos mais novos de Smart TV.

INTERNET
Em breve não falaremos mais a palavra "internet". Ela estará tão integrada e inserida na rotina de nossas vidas, como acontece com a eletricidade, que nem sentiremos mais a sua presença no dia a dia. A internet da coisas será a evidência disso.

E aí? Na sua opinião o que mais vai desaparecer nos próximos anos?


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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Mídias sociais podem fazer mal para a saúde e para o bolso, tudo depende de como você usa

Tempos atrás escrevi um post analisando os males causados pelas mídias sociais, especialmente o Facebook e o Instagram. Existem pesquisas e estudos que evidenciam isso. A questão não são as mídias sociais em si, mas a forma como você usa e consome tais redes.

Um dos estudos afirma que o "consumo passivo" dos posts dos seus amigos no Facebook está fortemente relacionado a sentimentos de solidão e depressão. As pessoas se sentem frustradas ao rolar as telas do Facebook e se depararem com pessoas felizes, viajando e alcançando coisas legais. É quase uma espécie de "tortura mental". Saiba mais no post "Facebook e Instagram fazem mal para a saúde".

Uma pesquisa feita na Inglaterra concluiu que o excesso de fotos publicadas no Facebook pode prejudicar os relacionamentos na vida real. Os pesquisadores afirmam que as pessoas parecem não se relacionar bem com quem compartilha muitas fotos de si, com exceção dos parentes e amigos muito próximos. Em resumo: quanto mais fotos você publica, maior o risco de prejudicar o relacionamento com alguém.

Já um estudo publicado em 2012, pela Columbia Business School e pela Universidade de Pittsburgh, apontou que usuários de Facebook são mais propensos a seguir impulsos consumistas e a engordar. O conceito é simples: as pessoas se sentem relaxadas no Facebook, por isso elas se controlam menos e se permitem extrapolar em algumas coisas.

Os pesquisadores perguntaram aos entrevistados sobre o tempo que passam conectados ao Facebook. Adivinha? Os mais gordinhos sempre gastavam mais tempo, todos os dias, com o Facebook. Por isso que a Super Interessante, ao publicar matéria sobre esse estudo, usou o dramático título: "Facebook te deixa mais pobre e gordo".

Agora surge um novo estudo, mais um trabalho da Universidade de Pittsburgh, afirmando que usuários frequentes de Facebook tendem a ter níveis mais elevados de endividamento com cartões de crédito e menor pontuação de crédito. Isso acontece porque as mídias sociais podem estar desencorajando o autocontrole financeiro e criando impulsos consumistas.

Ao ver fotos e posts de seus amigos nas redes sociais se divertindo, viajando e conquistando coisas, você se sente impelido a fazer as mesmas coisas, até mesmo para se sentir parte daquele grupo social e mostrar que você também é capaz.

O artigo "How to avoid the high price of social media envy" publicado na Reuters faz uma boa análise desse cenário. É evidente que as mídias sociais estimulam nossos desejos, nossas decisões e nossos gastos. Existem muitos estudos afirmando que as redes sociais têm forte influência nas decisões de compra dos usuários, ou seja, elas tocam no "botãozinho" do consumo dentro da gente. Fiquei surpreso ao descobrir que o Pinterest, cuja plataforma é muito mais visual que o Facebook, tem uma compra média por clique bem maior que o Facebook: mais que o dobro, segundo dados publicados pela Fast Company.

A mensagem é clara: cuidado ao entrar nas redes sociais porque sua resistência a gastar dinheiro diminui.

Este estudo, que sinaliza que o Facebook nos deixa mais frouxos para gastar dinheiro, tem relação direta com outros estudos que afirmam que as redes sociais podem gerar sentimentos de depressão e frustração. Em todos os estudos surge o sentimento de inveja, que parece ser o sentimento por trás de tudo.

A situação pode ser até pior. Alguns pesquisadores dizem que as mídias sociais tendem a provocar uma espécie de "espiral de inveja". Ao ver histórias e experiências legais de seus amigos numa rede social, você fica motivado para publicar histórias mais legais, e seus amigos, ao ver as suas histórias, vão tentar publicar histórias ainda mais bacanas, e assim o mundo das redes sociais tende a levar as pessoas para longe do mundo real. Essas histórias podem ser viagens, bens e outras conquistas. É aí que sentimentos conflitantes aparecem e as pessoas forçam a barra em suas finanças para atender aos seus anseios.

O número alto de curtidas em posts de alguns dos seus amigos no Facebook também parece ser algo que incomoda. A percepção é que existem pessoas mais legais do que você. Isso gera um desafio dentro de sua mente e o faz pensar em descobrir o motivo de eles estarem sendo mais admirados do que os outros, e até você mesmo. Sem saber, o seu inconsciente pode estar levando você a querer imitar esses sujeitos de maior sucesso nas redes sociais.

Como resistir ao instinto humano de tentar se igualar ou se superar ao que seus amigos publicam nas mídias sociais? É difícil. A maioria das pessoas publica apenas coisas legais, mas não contam as dificuldades que tiveram que enfrentar para conquistar aquela viagem dos sonhos ou aquele carro novo.

Devemos ter sempre em mente que as pessoas nas mídias sociais tendem a publicar somente as histórias bonitas de sua vida. Na verdade, é pior: nas redes sociais as pessoas supervalorizam as suas boas histórias, exageram e até fazem uso da "licença poética", camuflando muitas vezes a dureza do dia a dia. As dificuldades e as más notícias quase não aparecem. E, quando aparecem, elas tendem a ser minimizadas, muitas vezes tratadas com ironia.

É inegável que as mídias sociais geram inclusão, compartilham conhecimento, ajudam a democracia, aproximam pessoas e derrubam barreiras de todos os tipos, não somente as geográficas. Os benefícios são imensos, e não são somente para o indivíduo, mas também para a coletividade. Os benefícios e os males de tais redes dependem totalmente da forma como elas são usadas, do tempo e da forma como elas ocupam a vida de cada um. Existe uma tendência enorme da vida virtual e imaginária na web ocupar uma parte preciosa da sua vida real. E aí pode estar o perigo. Saber discernir entre os dois mundos é fundamental.

Enfim, nesse mundo de faz conta das mídias sociais, devemos ter a capacidade de colocar um filtro em nossos olhos. Desculpe se serei repetitivo e falarei mais uma vez o que já escrevi em posts anteriores. A solução não é as pessoas fugirem do Facebook, do Instagram e de outras redes. Muito pelo contrário, mas pensar na forma como usam.

O que você está deixando de fazer enquanto fica horas pendurado num gadget? O uso do Facebook faz você aprender algo diferente? Faz você se sentir um ser humano melhor? Como se sente depois de passar 30 minutos nas mídias sociais? A sensação é de ganho ou perda de tempo? Pense nessas perguntas. Ou melhor, pense nas respostas.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

[VÍDEO] A reunião interna da Apple onde Jobs apresentou a campanha "Think Different"

 Acredito que você já conheça esse vídeo. Se conhece, veja de novo. Em caso negativo, reserve 16 minutos para ver uma apresentação impactante. Este é um vídeo que mostra uma reunião interna da Apple, confidencial, ocorrida no dia 23 de setembro de 1997, onde Steve Jobs apresenta e explica o conceito da campanha "Think Different" para executivos e gerentes da empresa. O auditório tem muitas cadeiras vazias, mostrando que a reunião era para poucos. A campanha iria para o ar, mundialmente, 5 dias depois daquela reunião. Portanto tudo era segredo até o dia do lançamento.

Veja o jeito como Jobs fala, como ele "vende" o conceito, as pausas entre as frases, o olhar pensativo dando espaço para a plateia pensar junto, as justificativas, os motivos e as palavras. Jobs está relaxado. Me parece exagerado ele subir no palco de bermuda, mas o fato sugere conexão com a essência do "Think Different". Ele fala sobre pipeline, produtos, distribuição e tudo ao redor de uma "nova" Apple, mas dedica atenção especial ao marketing e à mensagem.



É inegável que as peças da campanha são espetaculares, mas este vídeo mostrando Jobs explicando a campanha, dias antes de sua entrada no ar, é emblemático. O vídeo carrega elementos preciosos, como um Jobs confiante, mas ainda incerto de como a novidade será recebida pelo mercado. Ele entra e sai do palco com passos calmos, carrega uma caneca nas mãos como se estivesse conversando com você numa pausa de café, todos os elementos expostos carregam uma mensagem. É possível imaginar a tensão pré lançamento da campanha, o nervosismo diante do investimento de milhões de dólares em publicidade numa fase em que a Apple precisava se reposicionar, a pressão dos investidores por resultados imediatos e o peso sob a cabeça de Jobs, alçado novamente ao comando da empresa para fazer algo diferente. Tudo isso parece não existir ao vermos Jobs no palco, sereno e seguro de que está fazendo a coisa certa. Mas a história mostra que não foi bem assim. A matéria publicada pela Forbes chamada "The Real Story Behind Apple's 'Think Different' Campaign" desvenda uma história com muitas emoções.

Jobs retornou para Apple no dia 20 de dezembro de 1996, após ter deixado a companhia no ano de 1985. Ele voltou com a missão de "virar o jogo". A campanha "Think Different" é considerada uma das mais espetaculares já criadas na história, algo legendário e icônico. Ela entrou no ar no dia 28 de setembro de 1997 e marca um dos maiores "turning points" da Apple.

O mais famoso filme da campanha é o "Here's to the Crazy Ones", com locução do ator Richard Dreyfuss. O filme é preto e branco e apresenta imagens de líderes inovadores como Thomas Edison, Mahatma Ganghi, Martin Luther King Jr. e outros. Eles são mostrados como quebradores de regras e criadores de problemas, porém transformadores da humanidade. O filme é lindo, impactante e inspirador. O texto é perfeito e a música inspiradora. Vá na Wikipedia para encontrar uma descrição completa da campanha Think Different.

Como curiosidade, veja o mesmo filme narrado na voz de Steve Jobs. Esse vídeo se tornou viral depois do falecimento de Jobs em 2011. Alguns registros históricos mostram que Jobs odiou a versão do filme com sua voz. Eu gosto :)




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