segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ninguém entende nada de redes sociais nas empresas

No mês passado eu participei de um painel sobre Redes Sociais na Futurecom. A mediadora foi Renata Fan e o painel contou com 9 participantes, além da própria Renata. Todos eram estudiosos e supostos conhecedores do tema. Acho que o painel durou mais de 1h20 de excelente debate, com boas discussões e evidente interesse da platéia, o que me surpreendeu, já que estávamos falando de uma sessão que acontecia no último horário do último dia do evento, período que tradicionalmente rola o espírito de "fim de festa".

O painel serviu para constatar algo que eu já tenho na cabeça faz tempo: ninguém entende nada de redes sociais nas empresas, eu inclusive, me incluo neste time "com louvor". Somos todos aprendizes e curiosos do assunto.

O universo das pessoas que discute redes sociais atualmente é formado por muitos teóricos e especialistas de última hora, falando mais pela percepção pessoal do que por alguma experiência prática realmente relevante. Aliás, sugiro que sempre quando você conversar com um suposto especialista, pergunte a ele pelas suas credenciais, pergunte se ele tem um blog, qual rede social ele participa e quantas horas por dia ele gasta em relações virtuais. Se ele falar que conhece redes sociais nas empresas, pergunte se na empresa onde ele trabalha o acesso é livre às redes sociais, se existe política corporativa e qual é o papel dele na gestão disso dentro da empresa. Enfim, desafie ele.

Em resumo: ninguém entende nada desse mundo novo de redes sociais. Estamos todos aprendendo. Se alguém falar que entende, desconfie.

Rolaram 3 discussões no painel que me incomodaram.

Comentei que as redes sociais para darem certo nas empresas é necessária a introdução de um guia corporativo de uso. Acho que o pessoal não entendeu bem, pois surgiu o comentário de que as redes sociais não podem ser reguladas ou controladas. Ou seja, houve um mal entendido que tentei corrigir depois. Uma coisa não tem relação com a outra. Um guia corporativo não pretende regular ou controlar o uso de redes sociais, mas sim instituir recomendações de conduta para os funcionários e participantes da rede. Trata-se do mesmo espírito do código de conduta que existe dentro das grandes empresas, que apresenta normas de conduta e ética, mas não controla nada. Enfim, veja mais detalhes AQUI.

O segundo assunto foi em relação a simplicidade de implementação de redes sociais. Em determinado momento do painel se criou a percepção que introduzir redes sociais nas empresas é algo fácil e simples. Isso é um equívoco evidente. A única coisa fácil é a tecnologia, já que atualmente um blog ou rede social pode ser criado com muita facilidade, num piscar de olhos, haja vista as ferramentas blogger e wordpress. O resto é um tremendo desafio. Desenvolver redes sociais dentro das empresas exige uma transformação cultural, educação dos funcionários, envolvimento executivo, objetivos definidos, etc. Ou seja, é uma baita complexidade. Lançar o blog é fácil, duro é fazer ele acontecer. A síndrome do telefone indiano é um dos maiores obstáculos nessa jornada.

O terceiro assunto foi o comentário do representante do governo que disse que o governo já está evoluindo no mundo da web 2.0 e que o Blog do Planalto é um exemplo disso. A realidade é que não existe uma política clara e definida do governo, o que existe são iniciativas individuais de alguns governantes ou parlamentares que acreditam no potencial dessas ferramentas e que estão entrando nisso de verdade. Não resisti, e peguei o microfone para comentar que o Blog do Planalto não aceita comentários, o que descaracteriza uma das maiores características do blog que é o diálogo.

Por fim, para fechar o post, tenho que citar que o verdadeiro destaque do painel não foi o debate. O maior sucesso foi a cruzada de pernas da Renata Fan, num vestido curto, que provocou uma migração de homens do lado esquerdo para o lado direito do auditório. Lá do palco deu para ver o movimento migratório. Coincidência ou não, o lado direito do auditório terminou muito mais cheio que o esquerdo. Parabéns para Renata, que conseguiu coordenar muito bem o painel, tornando-o mais brilhante com sua inteligência, beleza e simpatia.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entrevista para Heródoto Barbeiro da CBN: Empresas que não aproveitam o poder de inovação colaborativa das redes sociais podem se isolar no mercado

A CBN montou um estúdio dentro da Futurecom. Eu tive o privilégio de ser entrevistado por Heródoto Barbeiro, no programa Mundo Corporativo, onde conversamos sobre web 2.0 e mídias sociais mas empresas.

A chamada na CBN foi: Empresas que não aproveitam o poder de inovação colaborativa das redes sociais correm o risco de se isolar no mercado.

Acesse AQUI a entrevista de 32 minutos, sem cortes ou edição.

Você também pode ver a entrevista pois ela está no YouTube. Veja abaixo, também sem cortes ou edição.



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domingo, 1 de novembro de 2009

A internet é a ponte invisível de uma revolução

Eu assisti a magnífica entrevista de Rosental Calmon Alves para Míriam Leitão no Espaço Aberto da Globonews. Gostei muito, mas fiquei na minha. Mas hoje, ao ler a coluna da Míriam no jornal comentando esta entrevista, cujo título é "Tempo Elástico", eu não resisti e decidi publicar um post. Eu tenho que ter o registro deste material no blog.

A entrevista na Globonews deve ser motivo de reflexão de qualquer profissional de comunicação. São 23 minutos para chacoalhar a cabeça de qualquer pessoa que se envolve e trabalha com comunicação, mais especificamente jornalismo. Se você, que está lendo este post, tem amigos que trabalham com comunicação, faça um favor para eles e envie o vídeo abaixo. Acho que o vídeo deveria ser veiculado em todas as escolas de comunicação para discussão e debate dos estudantes.

Rosental fala sobre o mundo digital em que vivemos e se auto-intitula um evangelizador digital. Eu selecionei as seguintes partes da coluna de Míriam deste domingo, 1 de novembro de 2009.

"A internet não é uma nova mídia, não é mais um passo no caminho do jornal, rádio, televisão. É uma nova lógica, uma força transformadora, é o fim da era industrial e o começo da era digital. O único paralelo com o que está acontecendo é a invenção do tipo móvel, por Guttemberg, que acabou com o poder das velhas aristocracias, mudou o poder da Igreja e nos trouxe o iluminismo. A internet é a ponta invisível de uma revolução. Ninguém fala: eu vou entrar na rede elétrica e fazer um café. No futuro ninguém falará eu vou entrar na internet".

"Rosental define o que está acontecendo com uma imagem da astronomia. Diz que, antes, a imprensa era um sol intenso. Hoje, há várias constelações, e estamos numa galáxia. Apareceram os outros astros, os blogs, os produtores de conteúdo, jornalistas ou não: -- A pessoa começa a ter audiência também. Isso não termina com a audiência da mídia tradicional, mas permite mesmo a quem não é jornalista construir sua própria audiência. E a imprensa tem que entender isso e estar nisso".

"Rosental acha que nesse mundo novo, a imprensa sai de uma relação virtual, unidirecional com sua audiência, para atuar em rede. Mas não perde a sua força, como ficou provado em alguns episódios recentes. A morte de Michael Jackson saiu primeiro num blog, mas as pessoas só acreditaram depois de confirmado pela mídia tradicional: -- A imprensa mostrou sua força, sua credibilidade. A nossa profissão exige a disciplina da verificação. É o beabá".

"Fazer ou não fazer o curso de jornalismo, agora que a obrigatoriedade do diploma acabou? -- Fazer, claro. Nos Estados Unidos nunca foi obrigatório o diploma e 85% dos novos jornalistas fizeram curso de jornalismo. Terá vantagem quem tiver feito o curso e continuar estudando e aprendendo. Fica na profissão quem sabe fazer. Além disso, é um excelente curso de humanas".

Não deixe de ver o vídeo da entrevista de Rosental na Globonews e a coluna "Tempo Elástico" de Míriam Leitão. Entre tantos conceitos importantes, vou repetir o que qualifico como pilar básico em toda essa discussão: "a internet não é uma nova mídia, não é mais um passo no caminho do jornal, rádio, televisão. É uma nova lógica, uma força transformadora, é o fim da era industrial e o começo da era digital". Esse é o conceito mais importante pois confronta diretamente com o pensamento daqueles que dizem que a internet é meramente mais uma mídia. A internet balança as estruturas tradicionais, a começar pelo conceito básico de emissor/receptor. Atualmente todos são emissores e receptores.

A revolução que a internet está causando não afeta somente o jornalismo. Todas as profissões, estruturas da sociedade e relações humanas estão em profunda e acelerada transformação. Que privilégio poder viver nesta era e fazer parte desta grande viagem de transformação da humanidade.



Quer conhecer mais detalhes dos conceitos que Rosental citou na entrevista? Eis abaixo dois bons artigos escritos por ele que merecem ser lidos:

"Reinventando o jornal na Internet", publicado no blog Almanaque da Comunicação. Muito interessante esse artigo produzido em 2001, quando o impacto da internet no jornalismo ainda era visto com desconfiança.

"Jornalismo digital: Dez anos de web… e a revolução continua"; publicado em 2006 na revista Comunicação e Sociedade.

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Trabalhadores dizem que seus colegas gastam 1 hora por dia navegando em redes sociais durante o trabalho

Uma pesquisa publicada pela consultoria Morse em 26/10/2009 afirma que o uso de redes sociais (como o Twitter e o Facebook) geram mais de 2 bilhões de dólares em perdas anuais de produtividade nas empresas do Reino Unido. A mesma pesquisa também informa que 57% dos trabalhadores entrevistados usam redes sociais para fins pessoais durante o expediente e que eles gastam, em média, cerca de 40 minutos por semana nas redes, o significa uma média de 8 minutinhos por dia útil.

A pesquisa revelou que os trabalhadores de escritório, em média, acham que seus colegas gastam quase uma hora (59 minutos) por dia navegando em redes sociais durante o trabalho. Isso mostra claramente a percepção e a tensão que o comportamento online provoca nas empresas, não só nos executivos, mas também nos funcionários. Achei esse dado surpreendente e muito interessante, o que justifica a má fama das redes sociais no ambiente de trabalho.

Outro dado que me chamou a atenção é que um terço dos 1.460 trabalhadores pesquisados disseram que identificaram informações confidenciais de suas empresas postadas em redes sociais. Fiquei assustado com este número, que me pareceu exagerado, mas pesquisa é pesquisa, temos que respeitar os dados.

76% revelaram que não receberam orientações sobre como usar o Twitter dentro da empresa. Aliás, em relação ao Twitter, existe uma preocupação devido ao aumento da utilização de encurtamento de URL tipicamente usado no Twitter, o que significa que os funcionários não podem ver o endereço original para o site que pode ser visitado. Isso deixa os trabalhadores potencialmente vulneráveis a golpes de phishing, malware e vírus de computador, o que poderia comprometer a segurança da empresa. Dos trabalhadores de escritório pesquisados, 81% admitiram que já ficaram preocupados com a possibilidade de clicarem um link para um site não seguro.

Por fim, a consultoria alerta que a falta de regras de uso para redes sociais pode gerar perda de produtividade, danos à reputação da marca e riscos de segurança de informações. Clica na imagem ao lado ou acesse AQUI para ver o press release publicado pela consultoria.

Acho tudo isso muito interessante pois dias atrás a Computerworld publicou uma matéria cujo título era "Empresas passam a usar redes sociais de forma estratégica". Acesse AQUI.

A matéria diz que muitas empresas já entenderam que as redes sociais são poderosos canais de comunicação com funcionários e clientes. Por outro lado, também cita que existe uma timidez e uma cautela enormes para introdução dessas redes dentro das empresas. Ou seja, as empresas reconhecem o poder das redes sociais mas não sabem muito bem como usá-las e gerenciá-las.

Enfim, tudo isso mostra que as redes sociais nas empresas ainda são um prato cheio para discussões, de percepções diferentes, de muita desinformação e aprendizado. Mas é bom saber que as empresas já identificam as redes sociais como algo que pode ser positivo e que cuja introdução é inevitável.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A tecnologia que incomoda

Descobri a frase abaixo num excelente artigo do Renato Cruz do Estadão.

"Quando os jornais impressos desaparecerem, o café da manhã deixará de fazer sentido" - frase dita por Jeffrey Cole, diretor do Centro para o Futuro Digital da Universidade do Sul da Califórnia.

Minha primeira reação ao saber dessa frase foi: "Prezado Sr. Jeffrey, o café da manhã já desapareceu há muito tempo".

Imagine-se tendo um bom café da manhã, lendo tranquilamente o jornal do dia e tomando conhecimento das notícias naquele instante. Fala a verdade pra mim. Isto é coisa do passado, né? Você consegue ter o "breakfast" sugerido na frase do Sr. Jeffrey? Nos dias de hoje, não dá tempo de tomar um café da manhã demorado, sem pressa, ainda de pijama e sem relógio no pulso (se você for da geração Y, você não terá um relógio no pulso, mas sim um celular nas mãos). As notícias você já soube no dia anterior e poucos de nós ainda pegam o jornal para ler como fazíamos anos atrás.

Enfim, são novos tempos. E, nesse embalo, tenho que confessar que fiquei entusiasmado com o anúncio da venda do Kindle no Brasil. O problema é que minutos depois todo o meu ânimo já havia desaparecido quando descobri que as condições e preço continuarão a fazer do Kindle um produto de difícil acesso. Mas, apesar dessa decepção, a chegada do "livro eletrônico" ou 'livro digital" é um caminho sem volta. Fico até arredio de falar sobre isso pois meses atrás escrevi que o livro de papel vai desaparecer e recebi dezenas de emails falando isso e aquilo de mim. O fato é que estou convencido disso e não desejo mais entrar nessa polêmica. Mas me divirto quando encontro pessoas que discordam completamente de mim, alguns até apresentam boas razões, mas quando falam do cheirinho do papel...

O artigo de João Ubaldo Ribeiro, chamado "Futuro Tecnológico", publicado no O Globo em 18/10/2009, é imperdível. Acesse AQUI. Ele fala dos novos tempos, cita o Kindle como pano de fundo e evidencia que as relações humanas estão em profunda transformação. Definitivamente ele resiste a evolução tecnológica que o mundo vem passando e acho que muitos de nós passamos por isso também.

Eu fico sonhando em ter um Kindle com todos os maravilhosos livros que tenho na minha estante de casa. São mais de 200 livros. Sonho em tê-los com as minhas marcações e rabiscos. Sonho em poder pesquisá-los instantaneamente através da busca de uma palavra chave ou frase. Atualmente estou lendo 5 livros ao mesmo tempo e não consigo carregar os livros comigo quando estou viajando, dentro do avião ou no táxi indo de um lado para outro. Tudo isso me lembra os quase 200 CDs que eu tinha (e ainda tenho) e que agora estão concentrados no meu MP3 player que carrego comigo o tempo todo, nas corridas no calçadão, no avião e na praia.

Enfim, chegaremos num dia onde o livro de papel será algo de museu, onde a mídia eletrônica será a única existente e talvez nem a palavra "livro" exista mais. Quem sabe neste dia acontecerá o que Millôr Fernandes escreveu num artigo memorável. Alguém vai inventar um novo produto revolucionário chamado L.I.V.R.O. Não deixe de ler. É espetacular. Acesse AQUI.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Em quê a geração Y é mais interessante que as outras gerações

Texto meu publicado no blog Foco em Gerações que reproduzo abaixo.

Perguntei para alguns adolescentes com quantos amigos eles conversam, em média, todos os dias pela internet ou pelo celular via torpedo. A resposta foi “algumas dezenas”. Valia tudo: torpedo pelo celular, mensagens no orkut, posts e comentários em blogs, twitadas, etc. Valia desde um “olá” até uma conversa longa. As respostas confirmaram o que todos nós desconfiamos: os jovens tem um número impressionante de interações na web e em dispositivos móveis (diga-se celular) diariamente.

Vivo escutando que os jovens da geração Y têm relações humanas muito mais frágeis e voláteis do que os jovens do passado. Pode ser até que isso seja verdade, mas enxergo uma geração muito mais interessante, preparada, madura e preocupada em se relacionar do que a minha geração. Quando eu tinha 15 anos, a minha rotina era jogar futebol no final das tardes, estudar a enciclopédia Barsa e acreditar em tudo que o meu professor falava, achando que ele sabia de tudo e era o dono da verdade, incluindo que o presidente Médici era um bom camarada. Meu relacionamento se limitava aos meus colegas de escola, aos amigos vizinhos e à minha família.

A juventude de hoje sai para passear virtualmente pelo mundo todos os dias. Pessoas de todos os lugares, de classes sociais diversas, de culturas diferentes, numa intensidade que impressiona, vinte e quatro horas por dia. São jovens muito mais informados e atentos do que os da minha época. São pessoas mais conscientes dos dilemas e das mazelas do planeta, muito mais preocupados em serem transformadores do mundo e agentes de mudança.

O grande desafio que os jovens da geração Y enfrentam hoje é o tempo. Diante de tantas possibilidades e alternativas para se relacionar, o dia de apenas 24 horas parece curto. A conta é meramente matemática. Se o dia se mantém em 24 horas e o jovem tem muito mais oportunidades de falar com mais pessoas, obviamente que cada um destes relacionamentos, individualmente falando, será mais curto e, portanto, mais volátil. Mas não se iluda: os jovens de hoje continuam com as mesmas características dos jovens do passado: tem amigos confidentes, procuram se aproximar de quem mais confiam e se identificam e querem ser profissionais de sucesso.

Existe uma eterna discussão de que os jovens da geração Y não são preocupados com sua privacidade, que falam demais na redes sociais. que criam relacionamentos virtuais e abandonam as reais. Isso não é culpa da geração Y ou das redes sociais, a sociedade atual está assim, o país está assim. O Brasil é um país democrático, as coisas estão cada vez mais expostas, a mídia está mais ousada, cada vez mais as pessoas falam o que pensam ser a verdade e o que seus corações pedem. Então, essa “tal” perda da privacidade não é algo somente da geração Y, isso faz parte da transformação da sociedade, estamos todos “mais abertos”.

Aliás, toda hora que surge algo novo e impactante, levantam vôo os abutres de prontidão para dizer que aquilo vai piorar a sociedade, a família e as relações humanas. Foi assim com o rádio, com a televisão e a internet. Esta é uma balela. A sociedade está se desenvolvendo, se tornando mais justa e criando cidadãos melhores e mais conscientes.

O importante aqui, e por isso escrevo tudo isso, é dizer que a geração Y é muito mais interessante do que as gerações anteriores. Estamos criando cidadãos do mundo, cidadãos globais e transformadores da sociedade.

Para terminar, se você leitor é da geração Y, veja abaixo qual era o herói dos meus tempos. Em 1970, aos dez anos de idade, eu sentava na frente da TV para sonhar.





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terça-feira, 20 de outubro de 2009

A TV do Futuro

Hoje, o repórter Rafael Barifouse publicou uma interessante matéria na Época Negócios Online sobre as novas tecnologias em desenvolvimento para a TV. Gostei tanto que resolvi colocá-la no blog.

Ele visitou a IFA, a maior feira de eletroeletrônicos do mundo, em Berlim, e registrou o que será a TV do futuro, que eu resumiria da seguinte forma:

- A TV do futuro será interativa;
- O controle remoto, como conhecemos, deve desaparecer. O comando será feito através dos movimentos das mãos e braços;
- A TV será multi-uso e estará conectada na internet todo o tempo, permitindo o acesso direto aos sites de vídeo como o YouTube;
- A TV será 3D, ou seja, veremos as imagens em três dimensões.

Tenho que confessar uma coisa que nunca escrevi aqui. Atualmente, eu tenho o costume de sentar na frente da TV com o notebook aberto e ligado na internet quase o tempo todo. Ou seja, eu assisto TV e navego na internet ao mesmo tempo. Faço isso rotineiramente. E isso não acontece só comigo não. Minha esposa e filhos muitas vezes fazem a mesma coisa. Portanto, não é por acaso que a TV do futuro descrita acima me enche os olhos. O único ponto que ainda está aberto na minha cabeça é que a TV é uma experiência coletiva (a família senta e todos assistem o mesmo programa) enquanto que a internet é uma experiência individual (cada um navega de um jeito e cada um tem um interesse diferente). O que será que vai acontecer quando tivermos o TV com acesso fácil e veloz à internet? O que isso vai provocar no tradicional modelo da família sentada no sofá assistindo o mesmo programa de TV? Enfim, muita água ainda vai rolar.

A única coisa que tenho certeza é que esta TV interativa e conectada à internet vai provocar transformações radicais no marketing e na comunicação empresarial. Saíremos de uma TV baseada no modelo broadcast (a TV fala e todos escutam calados) para um TV interativa (onde o consumidor interage com a empresa online). A experiência interativa que temos hoje ao navegar na internet, via o nosso computador, é apenas um aperitivo do que veremos em termos de interatividade nas TVs da próxima década.

Por agora, curta abaixo a matéria de Rafael Barifouse... direto de Berlim.

domingo, 18 de outubro de 2009

Quando o incentivo monetário não resolve

Quem me passou o vídeo abaixo foi um colega de trabalho. É um excelente vídeo de Daniel Pink, conhecido consultor e autor de livros no mundo empresarial. Aliás, eu já li e recomendo um livro dele chamado "O Cérebro do Futuro". Vou até escrever um post sobre as ideias apresentadas no livro pois merece. Para conhecê-lo melhor eu convido você a ler uma entrevista dada por ele para a HSM. Acesse AQUI.

Enfim, o objetivo deste meu post é compartilhar as ideas apresentadas por Daniel Pink no vídeo abaixo de 18 minutos. Ele aborda um tema recorrente na esfera corporativa: o sistema de recompensas e incentivos.

Eu já tenho uns 128 anos de vida corporativa, já trabalhei como técnico eletricista, engenheiro, em fábrica, em escritório, em vendas, em administração, em marketing e até, acredite, em comunicação. Em todas as minhas sete vidas corporativas eu sempre ouvi coisas do tipo:
"-- Quer aumentar as vendas? Então aumenta os prêmios para o vendedores e bota mais pressão";
"-- Quer criar um programa de sugestões de ideias dentro da empresa? Então lança um programa de recompensas que as ideias vão aparecer";
"-- Quer buscar novas formas de reduzir custo? Então cria um sistema de incentivo monetário onde os idealizadores das propostas receberão parte do dinheiro economizado pela empresa".

Em resumo, as empresas quase sempre partem para programas de recompensa monetária quando pensam em aumentar seus negócios, sua produtividade ou buscar mais criatividade. Isso ainda é muito comum e um recurso usado abundantemente no mundo empresarial.

Daniel Pink surpreende ao dizer que tais sistemas de recompensa só funcionam em situações muito especiais, particularmente quando há um grupo simples de regras e um objetivo claro para se alcançar. Ele diz que recompensas, por natureza, estreita o nosso raciocínio e concentra a mente, restringindo possibilidades devido ao foco excessivo. E cita um excelente experimento chamado "The Candle Problem" para defender a sua teoria. Eu não vou contar aqui, mas esta história é muito boa e só ela já vale o vídeo.

Em resumo: os prêmios monetários criam foco e pressão, fazendo as pessoas a fazerem "mais do mesmo" para alcançarem rapidamente seu objetivo, minimizando tremendamente as chances das pessoas pensarem diferente.

Ele diz que a motivação verdadeira, genuína, deve estar baseada em 3 pilares:
- AUTONOMY - AUTONOMIA - o desejo de sermos donos das nossas próprias vidas;
- MASTERY - DOMÍNIO OU CONHECIMENTO PROFUNDO - o desejo de fazermos cada vez melhor as coisas que realmente nos interessam;
- PURPOSE - PROPÓSITO - o desejo de fazermos coisas que façam a diferença e que sirva a algo maior que nós mesmos.

Ou seja, se conseguirmos implementar um ambiente corporativo onde os funcionários tenham mais liberdade de trabalho, com oportunidades reais de se desenvolverem continuamente no que gostam e que participem de algo realmente construtivo e importante para a sociedade, certamente vamos ter funcionários mais motivados, criativos, inspirados, comprometidos e cúmplices da empresa onde trabalham. Esse conceito é muito maior que um programa de incentivos. Poderíamos até chamá-lo de filosofia corporativa ou valores corporativos.

Minha percepção é que falta um quarto conceito que é INSPIRAÇÃO, que de alguma forma está ligado ao PROPÓSITO. Chamo de inspiração o incentivo para as pessoas pensarem diferente, sonharem e não se prenderem nas regras e nas limitações do dia a dia. Muitas empresas têm programas definidos para isso. Talvez o melhor exemplo seja o Google que permite que TODOS os seus funcionários usem de parte do seu tempo de trabalho para trabalharem no que quiserem, sem necessariamente vínculo com os objetivos da empresa, podendo usar os recursos internos para serem criativos e desenvolverem novos projetos inspiradores. Acho INSPIRAÇÃO um componente muito importante no mundo corporativo atual que é cercado por pragmatismo e metas arrojadas. Utopia? É, pode ser. Mas as empresas têm que pensar nisso.

Voltando aos trilhos do vídeo...

Daniel resume a apresentação dizendo que existe um desencontro entre o que a ciência sabe e que o mundo prático mostra:

1- Aquelas recompensas do século XX, aqueles motivadores que pensamos ser parte natural dos negócios, funcionam somente em uma faixa surpreendentemente estreita de ciscunstâncias;

2- Recompensas monetárias frequentemente destroem a criatividade;

3- O segredo para alta performance não é o modelo "recompensa/punição", mas aquele desejo de fazer as coisas que importam.

Eis o vídeo abaixo. Acione a opção de "subtitle" para a legenda em português. E pressione a opção de tela inteira pois a apresentação merece.


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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Fragmentos da Futurecom

Estou na Futurecom, a principal feira de negócios do país no segmento das Comunicações.
Gostaria muito de estar mais tempo por aqui, mas a minha agenda de trabalho não deu a trégua que eu gostaria. Hoje, no final da tarde, eu participarei de um painel sobre Redes Sociais.

Por enquanto, para registrar, eis alguns pequenos fragmentos de frases que capturei de diversos interlocutores em painéis/apresentações que consegui assistir. Observação relevante: todas as frases abaixo são de presidentes de empresas, a maioria das operadoras fixas e móveis de telecomunicação:

-- Eu acho que os clientes de telefonia fixa exigirão uma velocidade de 1GB/seg para acessar a internet antes de 2020. Ou seja, temos um desafio de faixa de banda.

-- Em 2005 se vendia menos de 6 milhões de computadores por ano. Em 2009 serão mais de 12 milhões de computadores vendidos e com um detalhe: vai se vender mais notebooks do que desktops. Ou seja, existe uma enorme demanda reprimida de venda de banda larga móvel no Brasil.

-- Até o final de 2010 a penetração de telefonia celular será superior a 100%, ou seja, teremos mais celulares do que habitantes no Brasil. A Itália, país desenvolvido, hoje, já tem uma penetração superior a 150%.

-- O brasileiro fala pouco no celular quando comparado com o resto do mundo. O norte-americano fala, em média, dez vezes mais que o brasileiro no celular.

-- Há vinte anos, o primeiro emprego era office boy. Nos dias de hoje, é atendente de call center.

-- Em 2010 existirão 30 milhões de tags de RFID no mercado, mostrando que o mundo está cada vez mais interconectado e instrumentado. Serão 2 bilhões de pessoas conectadas na web.

-- No mundo analógico você podia assistir a TV mesmo sem pegar bem, até fora de foco. No mundo digital é tudo binário, é zero ou um, ou vê ou não vê.

Por último, eu tenho que citar que a frase abaixo foi dita pelo presidente da Andrade Gutierrez, Sr. Otávio Azevedo, empresa acionista controlador da Oi:
-- Hoje, é muito interessante saber que os clientes dos nossos concorrentes (Telefônica, TIM e Claro) atendem o telefone dizendo "Oi". Pode dar um recall interessante.

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