segunda-feira, 12 de março de 2012

O livro "Marketing e Comunicação em Tempo Real" é um tapa na cara!

Ler o livro "Marketing e Comunicação em Tempo Real" de David Meerman Scott, publicado pela Editora Évora, foi um tapa na cara. Todo profissional de marketing e comunicação precisa ler esse livro... várias vezes.

A minha primeira reação foi uma vontade enorme de jogar no lixo o meu exemplar da 3a. edição do livro "Administração de Marketing" de Philip Kotler, impresso em 1994, cheinho de marcações pessoais, que eu ainda guardo na minha estante empoeirada. Depois pensei em escondê-lo para não correr o risco de um estudante qualquer reaproveita-lo. Enfim, é claro que estou brincando, mas David Meerman Scott questiona seriamente dogmas instituídos pelos profetas do marketing, alguns julgados incontestáveis e apresentados como pilares inabaláveis em qualquer curso de marketing e comunicação.A bem da verdade, o tal dos 4 P's de marketing já vêm sendo questionados há muito tempo. Já apareceram outros Ps como "People", "Process", "Perception", Personalização, Pesquisa e todos os outros "Ps" que os estudiosos de marketing conseguiram encontrar no dicionário.

Porém, ninguém havia falado até então de forma tão contundente sobre a relevância do Tempo na atividade de marketing e comunicação, a ponto de escrever um livro sobre o tema. E isso muda muita coisa. O Tempo faz o velho ditado "O excelente é inimigo do bom" funcionar como uma base do marketing moderno. Ser ágil pode ser muito mais importante do que ser preciso. Chegar primeiro pode fazer toda a diferença, mesmo que você chegue de bermuda e camiseta numa festa de smoking. Por trás disso está a internet. Como citado no livro, "a internet mudou fundamentalmente a escala de tempo dos negócios". Essa mudança no ritmo da sociedade, não só dos negócios, tem por detrás "a diminuição drástica do fator tempo, amplificando radicalmente a importância da velocidade". O problema é que as empresas ainda são comandadas por pessoas da era pré-internet, enquanto que a nova geração de consumidores e funcionários nasceram, vivem e respiram a internet a cada minuto. Por conta disso, as expectativas dessa nova sociedade estão aumentando. A geração Y é o principal exemplo, já que tempo de espera é algo não assimilado por essa geração. Esse choque de perspectivas vem causando transformações interessantes no mundo dos negócios e do trabalho.

Segundo David, o planejamento de marketing continua sendo importante, mas a flexibilidade e a capacidade de reação passam a ser uma vantagem competitiva indispensável. Isso sempre foi coberto pelos livros dos gurus de marketing, mas quase sempre no rodapé das páginas e de forma marginal. Qualquer planejamento é feito em cima de um cenário estático e de um conjunto de premissas, mas o mercado é dinâmico, o mundo online em tempo real da web faz tudo mudar o tempo todo. Reconhecer "uma situação com potencial para se tornar um bola de neve, avaliar os possíveis desdobramentos" e estar preparado para reagir passa a ser um diferencial importante para as empresas, independentemente se essa situação for uma ameaça ou uma oportunidade para a organização. Saber aproveitar cada momento é a nova dinâmica do mercado extremamente competitivo que vivemos hoje.

David afirma que "a mentalidade em tempo real não está na agenda corporativa ou no currículo das escolas de negócios". E isso parece ser verdade mesmo. Os executivos, de forma geral, não gostam de tomar decisões rápidas. Eles procrastinam pois super valorizam os riscos e minimizam os possíveis benefícios. Querem ter todos os detalhes avaliados, escritos no papel, antes de qualquer tomada de ação. Mas não é só isso. As empresas cada vez têm organizações mais complexas, onde as decisões normalmente não ficam nas mãos de uma única pessoa. Decisões corporativas exigem reuniões, avaliações dos "especialistas", aprovações de várias linhas organizacionais, e enquanto a empresa fica no "vai e fica", aquela oportunidade especial de mercado escorre pelo ralo. Isso ocorre todos os dias nas empresas.

Mesmo com todas as ferramentas tecnológicas modernas de comunicação, as empresas ainda patinam em suas estruturas funcionais e no tradicional excesso de cautela. Na nova equação de competitividade, a empresa moderna terá que saber combinar melhor planejamento e análise com velocidade e agilidade. Mas essa equação não funciona em qualquer organização. Para uma empresa ganhar velocidade e agilidade, ela precisa trabalhar de forma descentralizada, dar mais autonomia e poderes para os seus funcionários, fazer a organização funcionar de forma mais fluida, cultivando a cultura da co-responsabilidade e do foco total no cliente. Isso significa uma cultura de transparência e colaboração.

Como esperar que uma empresa fechada, com cultura hierárquica, tenha velocidade? Como uma empresa pode ter agilidade se tudo passa pela aprovação do chefe? Ou seja, a cultura corporativa pode ser uma barreira e tanto. As empresas devem estimular os funcionários a tomarem decisões, com rapidez, mesmo que sejam decisões individuais se necessário, tendo a certeza que sua empresa apoia e admira esse tipo de atitude. Criar um ambiente colaborativo, onde os funcionários se sentem confiantes para agir com autonomia, nas situações imprevistas e nas oportunidades, assumindo riscos, pode exigir uma mudança cultural da empresa, o que não é simples e fácil. É aí que as empresas caem numa armadilha, pois muitas delas confundem mentalidade em tempo real e colaboração com a implementação de ferramentas. As empresas criam uma página no facebook e se põe no twitter, mas esses são apenas os meios, o importante é mudar a mentalidade ao novo ambiente que essas ferramentas propiciam. Caímos de novo na vertente da cultura corporativa.

Uma das conseqüências mais fascinantes do marketing em tempo real é a quebra de um conceito antigo: a separação das disciplinas de marketing e comunicação. Muitas empresas ainda privilegiam comunicação externa (RP) em detrimento da comunicação interna. RP para algumas empresas é Relações com a Imprensa, o que é muito diferente do RP de Relações Públicas. No mundo atual tudo isto está se misturando numa velocidade incrível. A separação das disciplinas é algo com os dias contados. As empresas ainda vão demorar um tempo para descobrir isso em função da inércia corporativa, mas a confluência e a junção das disciplinas serão inevitáveis.

Um dos momentos em que as empresas descobrem que está tudo misturado é na crise. São nos períodos de dificuldade que as diversas áreas de uma organização têm que sentar juntas para se coordenar. Por que, então, não trabalhar também juntas nas oportunidades? Aliás, são nas crises que a mentalidade em tempo real aparece com mais força nas empresas. As mídias sociais trataram de aumentar essa criticidade. Mas, como diz David, "se são nas mídias sociais onde o fogo da crise se alastra primeiro e mais rápido, também é ali que estão as substâncias que retardam o fogo". "A empresa precisa atuar de forma ágil, honesta, abrangente, segura, tanto nas mídias que controla (seu site, sua página no facebook, seu twitter, etc) quanto nas comunidades abertas". Numa crise, têm determinados momentos que a sociedade e seus clientes esperam pela resposta e pelo posicionamento da empresa. Não deixe passar esse momento. Depois Inês estará mais do que morta.

David apresenta uma proposta ousada, que eu simplesmente adorei: a criação de um cargo sênior chamado "diretor de comunicações em tempo real". O conceito é simples. A implementação do marketing e comunicação em tempo real é tão desafiante e complexa, que a maioria das empresas vai realmente precisar de um profissional de alto nível, com autonomia e capilaridade de atuação, e também com legitimidade perante o ecossistema de entidades que se relaciona com a empresa (clientes, fornecedores, parceiros, etc). David lembra que na década de 1990, quando as empresas falavam na necessidade de um novo profissional, surgiu o webmaster. Lembra disso? Hoje, as empresas estão nomeando especialistas e estrategistas de mídias sociais, mas isso é pouco para o desafio que se espera na área dentro das empresas. O cargo somente ganhará importância, relevância e eficácia se vier atrelado com autonomia, recursos e compromisso da organização. Será uma jornada de transformação, e por isso a tarefa não poderá ser liderada por qualquer pessoa, tem que ser por alguém sênior e experiente. Ironicamente, no tempo da publicação desse livro, muitas empresas ainda entregam sua estratégia e execução em mídias sociais para estagiários e funcionários com pouca experiência e bagagem profissional. Essa é uma mensagem muito ruim para a organização e para os seus clientes.

Ao analisarmos os dez sites com maior tráfego na internet no mundo, descobrimos que sete são sites de mídia social e três são sites de busca. Apesar das empresas ainda realizarem um acanhado investimento publicitário nas mídias sociais, elas já descobriram que o futuro na atividade de relacionamento com os clientes está ali. Uma pesquisa publicada no final de 2010 concluiu que mais de 70% dos consumidores apontam as mídias sociais como o melhor canal para se relacionar com as empresas. Isso é ótimo, pois as mídias sociais permitem às empresas conhecer melhor seus clientes, suas preferências, sua avaliação sobre a marca, produtos e serviços. Mas como capturar milhares ou milhões de feedbacks e percepções esparsas na grande web e transforma-los em conhecimento e relacionamento de real valor? David desenvolve o conceito de Web Social, que é a aplicação de tecnologias de busca, classificação, análise semântica e de inteligência de negócios para analisar as conversas distribuídas sobre um produto ou empresa, com intuito em quantificar a tendência da percepção e influência de cada conversa. O marketing, com claro viés de publicidade, sempre foi muito de falar via sua propaganda e pouco de ouvir os clientes. Agora entrarmos na era de escutar e conversar, em tempo real. Bem-vindo ao novo marketing!

Acredito firmemente que os líderes de marketing e comunicação das empresas já estão mais do que conscientes de que velocidade e agilidade são importantes para o seu sucesso, mas a grande dificuldade por trás disso é a tomada de decisão. Na maioria das vezes, o verdadeiro dilema é a falta de elementos e informações para uma avaliação adequada, rápida e "mais ou menos" segura. Tomar decisão no escuro é muito difícil, por isso o marketing cada vez mais será encarado como uma ciência. Vai aumentar tremendamente o foco na coleta e análise de dados. Ferramentas tecnológicas, softwares e plataformas, cada vez mais sofisticadas, estão sendo adotadas pelas empresas, independentemente do tamanho da organização. Conhecer melhor cada cliente e o mercado, suas preferências e necessidades, será uma ciência analítica e o profissional de marketing do futuro será um sujeito apaixonado por isso.

Imagino o profissional de marketing sentado na frente de um cockpit, tomando suas decisões com base em indicadores e informação online. Parece um sonho? Não, não é um sonho. As empresas estão inundadas de dados. A grande dificuldade delas é juntar tudo que tem disponível de forma organizada, confiável e ”real time". Esse é o futuro. E esse futuro vem a galope. Softwares de “automação de marketing”, que conseguem analisar enormes quantidades de dados, já estão aparecendo e ficando disponíveis. Quanto maior o conhecimento e a disponibilidade de dados você tiver, maior será a sua capacidade para tomar decisões inteligentes no tempo correto, de forma ágil e segura.

Mas e a imagem daquele tradicional profissional de marketing criativo e intuitivo, como fica? Não se desespere. Isso ainda será muito necessário. Mas nem isso ficará imune aos novos tempos. Se você é profissional de marketing, vai lá nos seus velhos livros na estante e veja os capítulos que falam sobre gestão de marca. Você vai ver que muita coisa mudou e continua mudando. Os métodos e processos tradicionais, muitos deles ainda aplicados pelas empresas, parecem estar desconectados com o mundo em que vivemos.

Agora, a marca não pertence mais à empresa. Ela é construída e reconstruída em "real time" pelos seus clientes, são eles que falam e moldam a sua marca. A empresa não tem mais a propriedade da marca. Infelizmente o orçamento de marketing das organizações, especialmente o publicitário, não consegue mais ser tão eficaz quanto nas décadas passadas. E tende a piorar. Bem-vindo ao futuro. Enfim, acho melhor eu procurar um outro emprego pois o marketing não é mais aquele que aprendi na escola e nos meus anos de trabalho.

O texto acima foi adaptado do posfácio original contido no livro "Marketing e Comunicação em Tempo Real", David Meerman Scott, Editora Évora.

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segunda-feira, 5 de março de 2012

7 questões sobre desenvolvimento, felicidade e talentos no ambiente de trabalho

As páginas amarelas da edição de Veja no. 2246, de 7/dez/2011, trouxe uma entrevista muuuito interessante com o historiador e arqueólogo Ian Morris. O contexto é o lançamento de seu livro (dito excepcional pela revista) chamado "Por que o Ocidente Domina o Mundo - Por Enquanto". Pelo teor da entrevista eu concluí que preciso ler esse livro pois ele traz insights valiosos e ousados.

Não vou contar a entrevista (você pode acessá-la AQUI), mas no contexto apresentado por ele eu aprendi duas coisas realmente impactantes:

1- O ser humano somente se mexe quando ele identifica uma imensa oportunidade para ele como indivíduo (a tal cenoura na frente!!) ou quando ele está sob imenso risco (desculpe por isso, mas é a tal cenoura atrás!!), e sempre vai pelo caminho mais fácil, mais lucrativo e mais seguro (ou menos doloroso) para fazer as coisas.

2- O seu desenvolvimento pessoal não depende somente de você, mas depende profundamente de onde você está inserido. O autor diz na entrevista: "Se colocarmos 500 mil pessoas no Brasil e 500 mil pessoas na Alemanha, elas vão se desenvolver de forma desigual porque estarão em locais distintos, diante de desafios diversos, e não porque brasileiros e alemães tenham diferenças de natureza biológica ou sociológica".

Dito isto, e aplicando tais situações ao nosso mundo do trabalho, podemos especular a respeito de algumas das afirmações abaixo:

1- O trabalhador de uma empresa, se estiver se sentindo feliz e realizado profissionalmente, provavelmente será improdutivo e não dará tudo de si no trabalho. Ele precisa enxergar alguma excelente oportunidade para correr atrás ou estar sob risco de perder seu emprego ou posição para se movimentar, se auto motivar e realmente fazer a diferença. Portanto, se alguém falar algo do tipo "estou muito feliz no trabalho", olhe com desconfiança.

2- Considerando a afirmação acima, a conclusão é que o trabalhador precisa estar sob contínuo stress, não aquele stress danoso e negativo que conhecemos, mas o que eu chamo de stress positivo. Já escrevi e comentei sobre isso em posts anteriores, especialmente esse AQUI, que eu recomendo leitura.

3- Gerar o stress positivo depende basicamente de três elementos: da empresa, do gerente e do próprio trabalhador. Explico a seguir:
- Da empresa, para que ela crie um clima de alerta e busca contínua dos objetivos empresariais, provocando nos funcionários um senso de propósito e superação de desafios, aglutinando-os no busca de metas comuns, com foco, sinergia e a sensação de sempre procurar fazer mais e melhor.
- Do gerente, ou chefe imediato, que tem papel fundamental no engajamento, motivação e orientação ao funcionário. É ele que tem que motivar, apoiar e ajudar o funcionário em seu desenvolvimento e busca na superação de seus desafios e objetivos.
- Do próprio trabalhador, que deve ter ambição de desenvolvimento, crescimento profissional e consciência de que seu futuro depende primariamente dele próprio.

4- A empresa tem um papel fundamental no desenvolvimento de seus trabalhadores, não somente criando um clima para isso, mas também investindo e provendo alternativas para que os funcionários escolham seus caminhos e opções profissionais. Deixar o funcionário desorientado, mal informado e isolado é um erro infelizmente comum em muitas empresas. Achar que o funcionário vai se virar sozinho é uma ilusão, alguém tem que dar a mão para ele.

5- O primeiro emprego é fundamental. Começar sua carreira numa empresa que permita crescimento e movimentações faz toda a diferença nos primeiros anos de trabalho. A sua arrancada profissional, tal qual um automóvel acelera após o semáforo ficar verde, vai depender desse ambiente positivo e proativo.

6- As empresas roubam talentos de outras empresas (os headhunters estão aí para isso), porém, em algumas situações, quem é "o grande talento" em uma organização pode acabar não se dando bem em outra empresa. O clima, cultura, valores e decisões estratégicas da nova empresa podem ser incompatíveis com o talento recém contratado. Ou seja, quem é talentoso numa organização, não necessariamente vai se sair bem em outra, que pode abafar um talento adquirido a peso de ouro.

7- Funcionários em início de carreira, talentosos e muitas vezes se sentindo preteridos nas suas atuais empresas empregadoras, com excesso de atenção ao salário, acabam não olhando o todo e migram de emprego, indo para empresas que não vão permitir seu crescimento e desenvolvimento. Como disse o Sr. Morris, o seu desenvolvimento não depende somente de você, mas depende profundamente de onde você está inserido.

Imagine-se que você é um recrutador.
Você tem uma vaga aberta de engenheiro júnior em sua empresa, para trabalhar em São Paulo. Após um período de seleção, você chega ao final do processo com 3 candidatos recentemente graduados, todos com o mesmo conhecimento e perfil técnico. Não existe uma clara diferença entre eles sob o ponto de vista técnico, a análise vai para o lado pessoal.

O primeiro nasceu no interior do Maranhão, numa cidade muito pequena. Na adolescência mudou-se para São Luís, a capital do estado, onde aprendeu inglês fluente e se formou com destaque na universidade. Filho de pais muito pobres, é o primeiro filho universitário da família. Mudou-se para São Paulo há dois meses, onde busca trabalho.

O segundo é de São Paulo, onde mora desde que nasceu. É filho de pais separados, porém com excelente situação financeira.

O terceiro é americano, porém filho de brasileiros. O pai é executivo de uma empresa multinacional. Já morou nos USA, Índia, Argentina e agora em Porto Alegre.

Lembrando o que o Sr. Morris disse: "Se colocarmos 500 mil pessoas no Brasil e 500 mil pessoas na Alemanha, elas vão se desenvolver de forma desigual porque estarão em locais distintos, diante de desafios diversos, e não porque brasileiros e alemães tenham diferenças de natureza biológica ou sociológica", quem você contrataria?

Texto publicado no blog
Relações e no blog da CRN

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Novo livro de Carol Terra: Mídias Sociais... e agora?

Você trabalha com comunicação ou marketing? Se interessa pelo assunto? Então não deixe de ler o novo livro "Mídias Sociais... e agora?" , de Carolina Terra.

Quando eu comecei a blogar de verdade (até então eu era um mero observador), lá pelos idos de 2008, eu me deparei com algumas figuras que me inspiraram bastante. Uma delas foi Carol Terra. É impossível navegar pela web em busca de conceitos e experiências no uso de mídias sociais pelas empresas e não se deparar com a Carol. O seu blog RPalavreando continua sendo um ancoradouro seguro para as minhas pesquisas e aprendizado. Faça uma busca e verá o nome da Carol nos eventos, livros e blogs sobre mídias sociais. Ela é referência no assunto. Em resumo, eu pouco tempo descobri que estar conectado a ela seria uma boa.

Portanto, eu fiquei lisonjeado quando recebi o convite da Carol para que escrever a quarta capa de seu novo livro.

Lembro que ela me mandou o pdf do livro para que eu avaliasse. Eu estava em Vitória quando li o email. No dia seguinte eu voltei para o Rio. Nesse meio tempo eu devorei o livro!!! Comecei a ler o livro dentro do avião... e não parei mais. Conteúdo objetivo, prático e realmente útil. Aprendi bastante. Fiquei tão entusiasmado, inspirado, que saí escrevendo e o texto resultante ficou imenso. impossível para uma quarta capa.

Portanto, uso o espaço do blog para publicar o texto que fiz para o novo livro de Carol Terra: Mídias Sociais... e agora? mas que não foi publicado por ser longo demais. :)

Todos nós, como cidadãos, trabalhadores e consumidores, estamos sendo impactados pela introdução da internet em nossas vidas. Porém, o grande tsunami de transformação está a caminho através da introdução e adoção das mídias sociais pelas organizações. Sim, é isso mesmo, a onda está apenas chegando, mas vem forte. A computação social, que nos conecta com tudo e com todos através de um número espetacular e cada vez mais crescente de dispositivos, vem provocando radicais mudanças em como vivemos, nos relacionamos, trabalhamos, compramos e consumimos produtos e serviços. Uma das profissões mais afetadas é marketing e comunicação. Parece que nada mais é como antes. Entender esse novo mundo, essas novas dinâmicas, saber agir e tirar proveito desse tsunami das mídias sociais é o propósito de Carol Terra.

Saber encarar as mídias sociais como aliadas, e não como risco, será fundamental para o sucesso de qualquer profissional da área. Infelizmente, ainda existe muita literatura conceitual e de análise de cenários, mas o que nós precisamos é pousar a aeronave, transformar belos conceitos em ações práticas e de real valor para empresas e clientes, que nos ajudem a dar o norte e entender como evoluir nesse cenário de contínua transformação. Carol faz isso com muita competência nesse livro, navegando entre teoria e prática, dando dicas úteis, provendo um guia prático e colocando a bússola em nossas mãos. Mas não se engane, ela nos dá a bússola, mas quem escolhe o caminho é você. Ter a cabeça aberta, ser ousado, entender que não é feio dar dois passos para frente e um para trás, tudo isso ajuda. Entre no mundo das mídias sociais consciente de que vivemos em uma nova sociedade onde a palavra chave é colaboração, onde as relações humanas e valores estão mudando, ganhando novas proporções e impactando diretamente as organizações. A tecnologia abre caminho e cria novas possibilidades, porém no centro de tudo está um novo ser humano, mais poderoso, autônomo e influente. Entender como as mídias sociais pode ajudar o mundo dos negócios e do ambiente do trabalho é uma jornada, de aprendizado e experimentação, porém inevitável. Você pode escolher ficar olhando ou tomar a dianteira.

Acho que o livro vai ajudar nessa decisão. Abraços e boa viagem!

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Um vídeo de 10 minutos resumindo o Estudo Global com Líderes de Marketing e Comunicação das Empresas

Em 2010, a IBM conduziu um estudo global com líderes de marketing e comunicação em todo mundo. O estudo mostra um retrato interessante das prioridades e ansiedades que rolam nas cabeças dos mais de 1.700 líderes que participaram da pesquisa. Foram 56 no Brasil. A pesquisa também mostrou as contradições e paradoxos que nós, gestores de marketing e comunicação (sim! eu também sou um deles!), convivemos em nosso dia a dia.

Como coordenador e condutor do projeto no Brasil, eu gravei um vídeo de 10 minutos onde tive a ousadia de tentar sumarizar os principais pontos do estudo. Caso não tenha tempo de ler o estudo impresso, o vídeo pode dar uma bela ideia do projeto.



Como acontece na maioria dos estudos mais completos, os pesquisadores apresentaram as recomendações para que os líderes de marketing e comunicação nas empresas tenham sucesso. Basicamente elas estão divididas em 3 partes principais: como criar relações de maior valor com os clientes, como tornar estas relações duradouras e como medir as ações de marketing e comunicação.

CRIANDO RELAÇÕES DE MAIOR VALOR COM OS CLIENTES
- Crie valor para os clientes como indivíduos
- Invista na análise dos conteúdos gerados pelos consumidores, como blogs, tweets e redes sociais
- Utilize tecnologias de análise de dados não estruturados para reconhecer preferências e demonstre este conhecimento em todos os canais
- Busque sinergia com TI para a adoção de novas tecnologias
- Trate adequadamente as informações pessoais de seus consumidores

FAZENDO COM QUE ESTAS RELAÇÕES SEJAM DURADOURAS
- Invista nos novos canais digitais para estimular diálogos com clientes atuais e potenciais
- Crie novas formas de se relacionar e use incentivos tangíveis para atrair seguidores
- Esteja engajado com seus clientes em todos os estágios do seu ciclo de vida
- Construa comunidades online e offline para fortalecer sua marca
- Ajude a empresa a definir e promover os atributos que a tornam única
- Trabalhe e influencie o nível executivo para garantir que os valores da empresa sejam percebidos externa e internamente

MEDINDO O RESULTADO DAS AÇÕES
- Faça uso de novas ferramentas e técnicas avançadas de análise para produzir métricas mais contundentes que suportem o processo de decisão de marketing
- Ajuste o mix de talentos de sua organização, com atenção para as habilidades analíticas, financeiras e o conhecimento digital, e considere buscar parceiros para completar este mix
- Expanda você mesmo os seus horizontes. Seja exemplo para o seu time.

Não deixe de acessar o ESTUDO. Vale a pena!!!

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O horário comercial já era, diz pesquisa

Tenho que confessar que esse é um papo chato, porque sempre caímos na mesma sarjeta, mas a pesquisa publicada pela Regus no mês passado comprova algo que nós, trabalhadores, já temos sentido na pele nos últimos tempos: o horário fixo de trabalho, chamado comumente de "horário comercial", já era. Não existe mais.

A pesquisa resume o feedback de mais de 12 mil profissionais de 85 países. Mais da metade dos trabalhadores do Brasil afirma que trabalham além das 8 horas diárias e mais de 40% levam trabalho para casa. Se a pesquisa fosse feita comigo e com as pessoas com quem me relaciono diariamente, certamente os números seriam ainda maiores.

O press release (infelizmente não foi disponibilizado o estudo com mais detalhes) aponta os seguintes resultados:

43% dos profissionais no Brasil trabalham de 9 a 11 horas por dia. 38% é o percentual no restante do mundo;

17% dos trabalhadores no Brasil e 10% em outros países trabalham mais de 11 horas por dia regularmente;

No Brasil, 46% dos profissionais levam trabalho para casa, mais de 3 vezes por semana. O índice global é 43%;

Profissionais remotos em todo o mundo estão mais propensos a trabalharem 11 horas por dia (14%) do que os funcionários em escritórios fixos (6%). Os remotos também levam mais trabalho para casa (59%), do que os trabalhadores com local fixo de trabalho (26%);

No Brasil o sintoma se repete.
59% dos profissionais remotos em nosso país levam trabalho para casa com mais frequência do que os funcionários com local fixo de trabalho (22%);

Existe uma outra pesquisa interessante da Regus que indicou novos aspectos a respeito dos profissionais que trabalham em locais remotos, especialmente em casa. Confira AQUI.

Esclareço que trabalhar remoto significa que o profissional não tem um local fixo de trabalho na empresa contratante. Ou seja, ele pode trabalhar de forma itinerante, nas instalações de um cliente da empresa (situação comum em empresas prestadoras de serviços), num escritório terceirizado (não sabe o que é isso? veja AQUI) ou até mesmo em casa.

Acho que o estudo não traz grandes novidades, apenas comprova a frustração de algumas tendências que já são mais fatos do que propriamente tendências. Isso tudo é muito chato, se considerarmos que nós seres humanos, que gostamos de família e vida pessoal, estamos no meio desse turbilhão. Eis algumas conclusões que tirei do estudo juntando com outras coisas que passaram na minha cabeça:

1- As empresas estão menos preocupadas com o horário de trabalho e muito mais focadas nos resultados. Portanto, esse negócio de controle de horário de trabalho será cada vez menos importante;

2- Os trabalhadores já entenderam o recado e estão abrindo mão de seu tempo pessoal para se desenvolver (estudar mesmo!), melhorar sua performance profissional e entregar resultados para as empresas. Ou seja, estamos todos trabalhando mais horas por dia, inclusive nos finais de semana;

3- O fim de uma fronteira clara entre trabalho e vida pessoal está nos transformando em seres mais ansiosos e estressados. Soma-se a isso a era da sociedade conectada em tempo real, 24 x 7. A pressão por resultados e a velocidade incrível das coisas está criando uma geração de cansados, frustrados e deprimidos, já que cada vez mais os trabalhadores exigem mais de si mesmos.

4- Para as empresas, o trabalhador remoto parece ser bom por vários motivos: reduz custos, diminui a preocupação com infra estrutura, viabiliza o uso flexível de recursos sob demanda, muitas vezes possibilita a empresa contratar mão de obra mais barata e por aí vai.

5- Trabalhar em casa de vez em quando (algumas horas ou dias por semana) já é uma realidade para muitos trabalhadores e empresas. Essa é uma contra partida que muitos trabalhadores estão pedindo nessa difícil equação de mais horas por dia de trabalho. A maioria dos funcionários aprecia a possibilidade de trabalhar em casa quando possível;

6- Quem trabalha em casa sofre com uma terrível indefinição entre os limites do trabalho e a vida pessoal. Sensação muito maior do que aqueles com local fixo de trabalho na empresa.

7- Quem trabalha em casa normalmente trabalha mais horas do que dentro da empresa. Por outro lado, a sensação de proximidade da família e a possibilidade de administrar seu tempo com maior independência, fazem tal profissional se sentir mais satisfeito com o resultado de seu trabalho, apresentando níveis menores de estresse.

8- Muitos trabalhadores não gostam da ideia de trabalhar em casa e colocam obstáculos. Profissionais que pensam assim preferem trabalhar junto aos seus colegas de trabalho, dizem querer sentir o clima da empresa e fazer parte da equipe. Sentem medo de se sentirem excluídos e perderem oportunidades de carreira. Além disso, alegam que querem acesso às tecnologias e recursos que não estão à sua disposição em casa. Alguns também dizem que trabalhar dentro da empresa permite maior concentração em suas tarefas diárias.

9- Obviamente que o horário fixo de trabalho ainda vai continuar existindo para vários segmentos de profissionais, como por exemplo aqueles que trabalham no comércio físico (lojas com horário para abrir e fechar) e alguns setores fabris. Mas mesmo nesses segmentos, a pressão em cima dos profissionais para se desenvolverem é muito grande, o que pressiona tais trabalhadores para estudarem após o horário de trabalho e até no final de semana, não só para se desenvolverem, mas por necessidade de preservarem os próprios empregos. Quem não se desenvolve tem sérios problemas de continuidade no trabalho.

10- Falando em trabalhar remoto, quer conhecer a experiência de alguém que tem uma boa história para contar sobre home-office? Veja AQUI.

Enfim, é o mundo girando e em transformação.

Texto publicado no blog da CRN

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

2012 - Procura-se um novo profissional de marketing e comunicação nas empresas

Saio da minha sala, pego uma xícara de café na copa, ando pelo corredor envidraçado da empresa, sento no sofá e contemplo a enseada de Botafogo. Os barcos e iates "pousados" no mar da baía de Guanabara me trazem uma sensação de tranquilidade, igualzinho àqueles que passam pelo corredor e me vêem com a xícara nas mãos olhando a paisagem avassaladora do escritório da IBM no Rio. Mas é tudo aparente. A minha cabeça está efervescente, pensando em como fazer as coisas de maneira diferente, entender melhor o mercado, responder melhor os clientes, gerar mais resultados, ser mais ousado e inovador. Vivo em ansiedade pura.

Nós, líderes de marketing e comunicação nas empresas (sim, eu sou um deles!), também chamados de CMOs, vivemos um tsunami de grandes transformações. Pensamos em como surfar nesse tsunami e não sermos tragados por ele. Temos uma agenda de necessidades e projetos desafiadores e queremos fazer um 2012 diferente de 2011. Essas ansiedades e desafios aparecem no Estudo Global com CMOs, realizado pela IBM em 2011, e nos ajudam na sinalização de nossas prioridades para os próximos anos.

O CAMPO DE BATALHA
Hoje, o campo de jogo dos CMOs é bem diferente do passado. Com a competição global e a tecnologia galopante, a concorrência está muito mais dura e o tempo para o lançamento de produtos e serviços é cada vez menor. Não dá mais tempo para planejar as coisas da forma como fazíamos antigamente. E não dá mais para tratar os clientes de forma generalizada, eles agora querem experiências pessoais.
A internet mudou radicalmente a forma como nos relacionamos e fazemos negócios. Estamos diante de uma nova geração de consumidores e de funcionários, que agora são também produtores de conteúdo e informação e usam a internet para se expressar publicamente. As mídias sociais transformaram as relações pessoais: todos falam sobre todos, de maneira transparente e em "real time". Conveniência e mobilidade são as bolas da vez.
Muitos dos conceitos tradicionais de marketing estão sob questionamento. Agora qualquer um é produtor de conteúdo, seja um mero publicador ou um crítico. Não há lugar para se esconder. A transparência é o novo preço de entrada para quem quer vencer o jogo.
Além disso, existe uma explosão de dados que as empresas não conseguem gerenciar, um volume de informação que nunca existiu antes. Marketing e comunicação caminham para se tornar uma coisa só, as barreiras não existem mais.
Tal cenário avassalador sinaliza algumas tendências inevitáveis para a agenda 2012 dos CMOs. Ou eles lideram a empreitada ou eles serão atropelados por esse tsunami transformacional.

MAIS TECNOLOGIA
Os CMOs dependerão cada vez mais da utilização da tecnologia para atender e se relacionar com o mercado e clientes, bem como da automação da própria atividade de marketing e comunicação. Não é apenas isso, num mundo em tempo real, onde oportunidades se tornam ameaças em instantes, um dos grandes desafios é a tomada de decisão. Na maioria das vezes o dilema é a falta de elementos e informações para uma avaliação adequada, rápida e segura. Coletar, analisar e tirar insights dos dados disponíveis será um foco obstinado das áreas de marketing e comunicação das empresas e determinante para o seu sucesso. A demanda vai aumentar exponencialmente e o TI das empresas terá que lidar com essa pressão.

PROCURA-SE UM NOVO PROFISSIONAL DE MARKETING E COMUNICAÇÃO
Não basta ser criativo e bom planejador. Pelo menos é isso que os CMOs estão falando. O uso de mais tecnologia para análise de dados, e para própria operação da área, vai exigir profissionais que tenham mais intimidade com tecnologia, matemática e estatística. Vamos caminhar para o "matemarketing".
Profissionais de marketing terão que se tornar mais "publishers"
, enquanto que os profissionais de comunicação terão que ser mais estratégicos do que produtores de conteúdo, considerando que o próprio mercado, funcionários e clientes serão os reais geradores de conteúdo. Caminharemos para um profissional com perfil de curador e gestor, menos preocupado com o tradicional jornalismo corporativo, tão comum dentro das empresas hoje. Paixão por mídias digitais e tecnologias inovadoras faz parte desse profissional dos sonhos de marketing e comunicação.

MENTALIDADE EM TEMPO REAL

A mentalidade em tempo real parece que ainda não está na agenda corporativa, muito menos nas escolas que formam nossos profissionais. Mas incorporar essa mentalidade será questão de sobrevivência. Em busca de ganhos de velocidade e agilidade, as empresas descentralizarão cada vez mais suas pesadas hierarquias organizacionais, dando mais autonomia e poderes para os seus funcionários, dando maior fluidez para suas operações e incentivando uma cultura de co-responsabilidade e foco total no cliente. O marketing e comunicação de sucesso vai exigir uma cultura de maior transparência e colaboração.

MARKETING DO DIÁLOGO

O marketing tradicional está migrando aceleradamente para o marketing do diálogo. Sair da publicidade de mão única, do pouco ouvir os clientes, é inevitável. Estamos na era de escutar e conversar, em tempo real. Apesar das empresas ainda realizarem um acanhado investimento publicitário nas mídias sociais, elas já descobriram que o futuro na atividade de relacionamento com os clientes está ali. Uma pesquisa publicada no ano passado apontou que mais de 70% dos consumidores citam as mídias sociais como o melhor canal para se relacionar com as empresas.

UMA NOVA GERAÇÃO DE COLABORADORES E CLIENTES
Uma nova geração vem ocupando espaço dentro e fora das empresas. A Geração Y em breve já será mais da metade da força de trabalho nas organizações. São funcionários e clientes com expectativas próprias e comportamento digital, cujo sentidos de fidelidade e amizade são diferentes das gerações anteriores. Colaboração intensa, transparência, impetuosidade e ousadia fazem parte desse novo contingente de consumidores, que exige um novo tipo de relacionamento com as empresas e lideranças. Saber conversar e engajar esse novo público exige uma mudança na forma de fazer marketing e comunicação, já que a marca não pertence mais à empresa. Num mundo aberto, a marca é construída minuto a minuto pela sociedade, "online", são as pessoas, clientes ou não, que falam e moldam a sua marca.

INOVAÇÃO COLABORATIVA
As empresas já descobriram que a maior fonte de novas ideias e inovação são os próprios funcionários. No entanto, as empresas ainda pouco exploram a capacidade interativa, de mobilização e criatividade coletiva de seus colaboradores. A comunicação interna nas empresas ainda é institucional, unidirecional, sem interação e impessoal. O conhecimento existente dentro das empresas é um tesouro enterrado. As empresas investirão fortemente na mudança desse quadro, adotando massivamente as mídias sociais para sua comunicação interna, colaboração e inovação.

TECNOLOGIA PERVASIVA
A proliferação de canais de comunicação e relacionamento com os clientes é avassaladora. Aí se destacam os smartphones, tablets e todos os outros gadgets que nos cercam. Estima-se que o comércio móvel alcançará US$ 31 bilhões em 2016, com taxa anual de crescimento de 39% entre 2011 e 2016. Ou seja, a tecnologia entrará na vida de todos nós ainda de forma mais contundente. Os CMOs sabem que suas empresas precisam estar em todos esses canais, com sinergia e qualidade, integração e continuidade. Isso representará a necessidade de mais investimento em tecnologia e desenvolvimento. Essa é uma área pantanosa, fora das tradicionais áreas de conforto como publicidade, que vai exigir uma parceria ainda maior com TI.

ROI – O MAIOR DESAFIO DE TODOS
Apesar de todas as mudanças em curso, o desafio do ROI (retorno sobre investimento) de Marketing ainda parece ser o maior de todos. A pesquisa da IBM indicou que dois terços dos CMOs acreditam que o ROI será a medida básica de resultado das ações de marketing em 2015, porém apenas metade se considera suficientemente preparada para oferecer números concretos e assumir a responsabilidade sobre ele. Como defender um maior investimento em tecnologia? Como justificar a migração de investimento na publicidade tradicional para novas mídias? Estas e outras perguntas atormentam os CMOs.

AGENDA 2012
Conhecer melhor cada cliente, usar mais tecnologia, agir de forma estratégica dentro da empresa, acompanhar as transformações de sua área e investir mais no desenvolvimento e capacitação dos profissionais de marketing e comunicação: esses são alguns dos maiores desafios dos CMOs atualmente. Bem vindo 2012!

Texto completo daquele publicado parcialmente na revista CRN, edição de dezembro/2011

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Volkswagen proíbe emails fora do horário de trabalho

Será que começaremos a ver diminuir o número de emails dentro das empresas, em troca de uma comunicação mais ágil e menos formal? Existe alguma esperança no ar.

Veja essa novela em 3 episódios:

Episódio 1
No início de dezembro eu li uma matéria que Thierry Breton, o CEO da Atos Origin, uma das maiores empresas de TI da Europa, quer acabar com o uso de emails dentro da empresa.

A alegação é aquela já conhecemos: o email não é mais um meio eficiente de comunicação. Fui estudar o assunto e descobri um press-release emitido pela empresa em fevereiro de 2011. Veja AQUI.

O plano do CEO visa incentivar o uso de mensagens instantâneas pelo Facebook e em outras redes sociais, e contempla o fim da troca de emails entre os funcionários da empresa até 2014. Algumas matérias na imprensa dizem que esse objetivo poderá ser alcançado em 18 meses. Segundo informações divulgadas pela empresa ao longo do ano, a redução de emails já alcançou 20% nos últimos 6 meses.

Breton disse que número de emails circulando na empresa é insustentável para o negócio. Também afirmou que os gerentes gastam entre 5 e 20 horas por semana lendo e escrevendo emails. E que, em 2010, os usuários receberam 200 emails por dia, sendo que 18% deles eram spam.

O próprio Breton afirma que não enviou um email interno nos últimos 3 anos (será verdade mesmo?). Ele usa isso como argumento para que os funcionários adotem mais rapidamente as mensagens instantâneas e as mídias sociais.

A Atos não é uma empresa pequena - é uma multinacional que possui 74 mil funcionários e atua em 42 países. Em 2010, a empresa obteve a receita de 8,6 bilhões de euros.

Episódio 2
No ano passado, uma pesquisa da Salesforce.com realizada com 1 mil trabalhadores do Reino Unido, indicou que 7 em cada 10 trabalhadores reclamaram que recebem emails com conteúdo irrelevante ou que não tem interesse nos emails em que são copiados.

A pesquisa também mostrou que o uso das mídias sociais está em franca ascensão no ambiente de trabalho. 46% dos pesquisados disseram que usam mídias sociais no trabalho todos os dias. Ao olharmos a geração de jovens trabalhadores com 20 e poucos anos, esse número salta para 56%. Acesse o release da pesquisa AQUI.

Existem muitas pesquisas equivalentes, confirmando o que cada um de nós sente no dia a dia: recebemos uma quantidade incrível de emails desnecessários, sem relevância, sem critério de prioridade e de difícil gestão.

Por outro lado, as mídias sociais surgem como algo magnético para a geração mais jovem de trabalhadores, que valoriza e curte participar de tais redes, pessoal e profissionalmente. No entanto, as empresas têm sido lentas na adoção dessas novas tecnologias.

Episódio 3
A Volkswagen da Alemanha, em um embate com os sindicatos, que sempre foram muito fortes e atuantes na Europa, tomou a decisão de desativar a função de envio de emails para os aparelhos Blackberry fora do horário do trabalho, limitando-a para 30 minutos antes e 30 minutos depois do expediente.

Tal decisão vale somente para os 1.154 empregados sindicalizados, de 6 fábricas da empresa na Europa, que recebem gratuitamente o Blackberry fornecido pela empresa. Para o restante da Volkswagen os emails continuam liberados.

A mensagem dos sindicatos foi clara: não é razoável que os trabalhadores fiquem acessíveis e disponíveis para o trabalho o tempo todo. Por trás disso aparecem estatísticas de doenças e perda de produtividade. Leia mais detalhes AQUI e AQUI.

O foco é criar uma fronteira mais clara entre o tempo pessoal e a jornada de trabalho dos funcionários da empresa. Essa é uma discussão muito atual em algumas empresas, que já começam a se pronunciar a respeito da invasão do trabalho nas 24 horas de vida de qualquer ser humano.

Essa novela de 3 episódios sinaliza que o problema dos emails está sério e gera impactos na produtividade, saúde e performance dos trabalhadores.

Isso tudo me lembra um post que escrevi a respeito de um debate que dizia que o "E-mail deve ser extinto até 2015”. Para o CEO da Atos isso parece ser mais do que verdade.

Eu, de minha parte, escravo absoluto dos emails, que cada vez mais parecem me envolver, continuo querendo contratar um Personal Email Killer. Aceito indicações !!! :)

Mas, por agora, ainda sonho com as "Ideias radicais para sobreviver à enxurrada diária de emails nas empresas" que publiquei meses atrás. Vai lá para conferir que a Volkswagen da Europa adotou a minha ideia número 3.
Aliás, cada dia que passo acho as minhas ideias ainda melhores!

Texto adaptado do original publicado na CRN e na Webinsider

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Executivo é demitido por ter publicado seu currículo no LinkedIn

Eu tomei conhecimento dessa notícia no artigo "Executive 'forced out of job' over LinkedIn CV" publicado no Telegraph.

Ao procurar mais notícias, eu fui parar no TechTudo, na matéria "Executivo é demitido após publicar seu currículo no Linkedin". Não deixe de ler essa matéria para conhecer os detalhes do caso, mas o resumo é simples: na Inglaterra, um executivo de 34 anos foi demitido por ter cadastrado o seu currículo no LinkedIn e ativado, em seu perfil, o modo de busca de novas oportunidades de carreira.

Ele era o chefe de recrutamento da empresa. A demissão foi em junho de 2011. Existe um processo correndo e esse parece ser o primeiro caso na Inglaterra de alguém que foi demitido por dados publicados no LinkedIn. A empresa alega que o funcionário violou a política interna da empresa, que proíbe os funcionários de marcar o item “Career opportunities”.

Esse é mais um exemplo dos vários casos que surgem diariamente no uso das mídias sociais. É só pesquisar na web para encontrar centenas de casos, quase todos esbarrando no fim da fronteira entre o pessoal e o profissional. Tal fronteira não é clara, e nunca mais será. As novas tecnologias provocaram o fim daquela história de sair do trabalho, agora nós estamos no trabalho o tempo todo.

Não desejo entrar num debate e tomar partido, mas esse caso me parece um exagero. Ao descobrir que o executivo marcou no LinkedIn que estava em busca de novas oportunidades, alguém da empresa, provavelmente o chefe dele, deveria ter tido uma conversa com ele para entender o que estava ocorrendo. Sabe aquela conversa de discutir a relação? Seria algo por aí. Mas eu acredito que devem haver outros elementos que fizeram a empresa optar pela decisão de demissão sumária. O principal aprendizado que tiro desse fato é que as empresas estão alertas e atuantes nas redes sociais.

Esse caso se soma a outros que já comentei no blog. Como, por exemplo, os casos:
do executivo que fez um comentário inapropriado no Twitter e foi demitido,
do funcionário da Austrália que foi desligado depois de um post no Facebook,
da canadense que perdeu o seguro saúde depois de uma foto no Facebook e
da ex-funcionária que sofreu ação judicial por sua atuação no LinkedIn.

O relato de casos envolvendo o LinkedIn não é comum. A maior parte dos casos divulgados giram ao redor do Facebook e Twitter. Parece que o LinkedIn é tratado com mais cuidado e atenção pelos participantes da rede. A revista Época Negócios que está nas bancas (edição no. 59, janeiro/2012) afirma que 1 em cada 3 profissionais de alto nível no Brasil está no LinkedIn, e a cada segundo 2 novos profissionais entram na rede no mundo. Aliás, vale a pena ler a matéria "Você precisa estar no LinkedIn?".

Estamos todos aprendendo a conviver nesse mundo aberto e transparente. Mas me assusta imaginar que não podemos ser espontâneos e genuínos nas mídias sociais assumindo que os chefes, colegas de trabalho, empresa e entidades de toda sorte estão nos vigiando, avaliando e tomando decisões a partir do que publicamos na rede. Enfim, existe um enorme Big Brother nos olhando todo o tempo. Por isso me amedronta o título do artigo "Be Careful With Your LinkedIn — Executive Forced Out for Profile Details" no Social Times. Ter muito cuidado no uso do LinkedIn como se fosse algo perigoso? Francamente...

Ahh, quer acessar o linkedIn dele? Acesse AQUI. Eu já dei uma vasculhada. O nome dele é John Flexman. No LinkedIn ele já se apresenta em outro emprego.

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