sexta-feira, 31 de julho de 2015

O Uber é a salvação dos taxistas

Nas últimas semanas se intensificou no país o debate Uber versus taxistas, mas acho que essa conversa pode ser a ponta do iceberg. A questão vai muito além do Uber, nós estamos discutindo a prestação e as opções de serviço de transporte dentro das cidades, esta é a discussão real por trás de tudo, e não apenas o fato do Uber ser regulamentado ou não.

O Uber é a bola da vez, mas na fila já surgem outros modelos de compartilhamento de transporte que podem colocar o tradicional serviço de táxi em risco. O Lyft, o Zaznu e a startup brasileira Tripda são exemplos de aplicativos de carona. Você baixa o aplicativo, marca para onde quer ir e o aplicativo oferece opções de motoristas cadastrados que topam dividir a corrida com você. A ideia por trás destes aplicativos, com alguma variação, é conectar passageiros e motoristas de uma maneira fácil, rápida e conveniente, para que todos possam viajar gastando menos. Cada participante da carona paga o custo. A startup brasileira Fleety permite o aluguel de veículos particulares. A ideia é utilizar os veículos que costumam ficar parados por muito tempo e geram despesas aos proprietários. No aplicativo, o usuário pode disponibilizar o seu carro para aluguel ou procurar um carro que atenda as suas necessidades. Daqui a pouco as locadoras de veículos poderão reclamar de que estão invadindo a sua praia. O Moovit é um aplicativo que apresenta as melhores rotas de transporte público para qualquer lugar em sua cidade. Ele compara as opções de transporte público disponíveis e oferece instruções detalhadas de todo o caminho até o seu destino. O Easy Taxi e 99 Taxi são exemplos de aplicativos que já causaram mudanças no tradicional serviço de táxi das cidades, beneficiando motoristas e passageiros, mas prejudicando as antigas estruturas de associações e cooperativas de táxis. Estes são apenas alguns exemplos de aplicativos que estão aí e que sacodem, de alguma forma, o território protegido dos táxis regulamentados.

Segundo a excelente matéria do Fantástico (de quase 10 minutos!!) veiculada em 26 de julho, o Uber já está presente em 59 países e em mais de 250 cidades. A cidade do México foi a primeira cidade da América Latina a regulamentar o Uber, onde os seus motoristas pagam taxa anuais. Em New York, os táxis amarelos tradicionais já são minoria em relação aos carros do Uber. São 13,5 mil táxis amarelos contra 15 mil carros do Uber (dados da NYC Taxi and Limousine Comission).

O caso do Uber oferece uma oportunidade de ouro para os taxistas se conscientizarem de que a sua sobrevivência depende da sua capacidade de virarem o jogo, de começarem a prestar um serviço de melhor qualidade e criar diferenciais. Não basta ter a licença e pagar os impostos, o taxista é um prestador de serviço público, e no mundo atual só sobrevive quem prestar um bom serviço, com preço justo e competitivo.

Eu vivo no Rio e, infelizmente, o serviço de táxi na cidade é ruim. Sou usuário, portanto afirmo isso por experiência própria sem precisar recorrer a ninguém. Obviamente que existem bons profissionais, mas na maioria das vezes o serviço de táxi na cidade é roleta russa. Não desejo aqui discutir a legalidade do Uber e de outros aplicativos, como os citados acima, até porque eu não tenho opinião fundamentada sobre isso, mas o fato do Uber estar causando debates e manifestações por todo mundo já é uma indicação de que realmente ele abala o status quo. E isso é bom... muito bom.

O que a maioria dos cidadãos deseja em transporte é um serviço bem prestado, honesto, seguro, confortável e com preço justo. O Uber surge no rastro da qualidade questionável do serviço regulamentado dos táxis. Não vejo o Uber como um concorrente desleal e nem como algo do demônio, como alguns têm escrito, mas como algo que vai trazer benefícios de alguma forma para o serviço de transporte prestado para a população. Posso estar sendo simplista, mas é assim que eu vejo.

É interessante ver a declaração de Ronaldo Balassiano, engenheiro de gerenciamento de mobilidade da Coppe/UFRJ: "Não se pode prescindir de um sistema de transporte que, embora individual, atende milhares de pessoas, reduzindo o número de carros particulares nas ruas. O curioso é que 90% dos táxis do Rio utilizam algum dos 15 tipos de aplicativos de smartphones para conseguir clientes. Usam a mesma tecnologia do Uber. Não se deve impedir novas modalidades, e sim buscar regulamentá-las".

O Uber é mais um capítulo na imensa lista de quebras de modelo que nós vislumbramos hoje na sociedade. Algo na linha do que o Airbnb vem fazendo no segmento de hospedagem, o Spotify na música, o TripAdvisor em viagens e o Netflix no entretenimento. É mais um que chega na festa a base de Extasy da evolução e da inovação de serviços. O cenário é bem simples: ou os taxistas melhoram seus serviços ou alguém vai tomar o lugar deles. É esta a discussão mais importante que deveria estar ocorrendo na comunidade dos taxistas. Existe uma mudança acontecendo na área do transporte individual e eles estão prestes a serem atropelados por esse tsunami.

É perda de tempo esperar que o Uber vá recuar em seu negócio e em seu propósito. O bode já está na sala, ninguém tira mais. Eu não estou defendendo o Uber como empresa, até porque não sei detalhes, mas eles recorrentemente não se posicionam como uma empresa de transporte. Veja a declaração da companhia: "O Uber ressalta ainda que não é uma empresa de táxi, muito menos fornece este tipo de serviço, mas sim uma empresa de tecnologia que criou uma plataforma tecnológica que conecta motoristas parceiros particulares a usuários que buscam viagens seguras e eficientes".

Quer saber a maior ironia de todas? Os protestos dos taxistas no último dia 24 de julho deu tanta visibilidade para o caso que levou o Uber a se tornar o aplicativo mais baixado pelas pessoas neste dia de protestos no Brasil. Esta foi a primeira vez que o Uber ocupou o 1º lugar entre os aplicativos gratuitos mais baixados na Apple no Brasil desde o seu lançamento no país em 2014, segundo os rankings da App Annie. O movimento de download foi 20 vezes superior ao de dias normais.

E aí? Alguém tem dúvida de quem vai vencer essa batalha?

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quinta-feira, 23 de julho de 2015

[PODCAST] Vida de Trainee: Cuidando da imagem pessoal nas redes sociais


Nos últimos dois anos eu me viciei em podcasts, daí comecei a pesquisar e fui descobrindo a existência de podcasts maravilhosos. Alguns passaram a fazer parte da minha vida porque geram valor e propiciam ver as coisas sob outro ponto de vista. Um dos podcasts que descobri nessa jornada foi o Vida de Trainee.

O Vida de Trainee (VT) é um blog sobre carreira e desenvolvimento, plenamente focado nos jovens. Ele foi criado, inicialmente, com foco em programas de trainee, mas o seu conteúdo foi se expandindo ao longo do tempo. Hoje o site aborda temas bem abrangentes que vão além dos programas de estágio, como planejamento de carreira e desenvolvimento. Os podcasts são divertidos e muito úteis, e não mais somente para os trainees, pois abordam temas variados como "aprendendo a ter jogo de cintura", "carreira no setor público", "como fazer apresentações" e "planejando as finanças". Ou seja, interessa todo mundo.

O projeto nasceu em 2010, da cabeça de Cíntia Reinaux, pernambucana e apaixonada por RH. A ideia foi fruto da sua própria necessidade em procurar informações a respeito de carreira. Ela procurou, procurou, procurou e descobriu que existia uma lacuna, ou uma oportunidade para jovens falarem para jovens sobre carreira, que nem ela. Ela já tinha experiência de ter passado por diversos processos seletivos e sentiu vontade de compartilhar o que aprendeu e vivenciou nos inúmeros processos que passou. O projeto nasceu como um site, com cara de blog. Além do site, o VT também tem uma página no facebook, com incríveis 30 mil curtidas !!

Conheci o VT através da indicação de amigos. Imediatamente assinei o podcast no iTunes e passei a ouvi-los regularmente. Num determinado dia eu tenho a feliz surpresa de receber o contato da Cíntia me sondando para participar de um podcast. Fiquei super honrado e aceitei na hora.

O convite foi para falar sobre o uso das redes sociais dentro e fora das empresas. Como as redes sociais podem nos ajudar na carreira e nos diferenciar no mercado? Como as empresas se utilizam das redes sociais? Quais os cuidados? Como isso afeta a carreira? A pauta era essa, mas a conversa foi muito além de redes sociais. Falamos sobre carreira, a transformação das relações dentro das empresas em função das novas tecnologias e o "novo" relacionamento chefe-funcionário. Falei também sobre os conselhos que eu gostaria de ter recebido no início da minha carreira.

Para conferir, é só fazer o download ou dar o play abaixo:



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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Segredos de Palestrante

Dias atrás eu fiz uma palestra para mais de 250 pessoas. Acho que eu fui bem. Depois de muitos anos fazendo apresentações, confesso que eu encaro com tranquilidade o palco e não fico mais tão nervoso como antes. Apesar dessa aparente tranquilidade, minutos antes de encarar o microfone e a plateia, o meu coração está a mil, sinto a insegurança infinita de que vou esquecer de falar algo importante e as minhas mãos suam frio o tempo todo. Não tem jeito, isso sempre acontece, mesmo convencido de que eu vou me sair bem. Quando faltam 15 minutos para começar, eu torço para o tempo passar rápido e para a tortura da ansiedade ir embora. O nível de adrenalina está no máximo.

Por outro lado, depois de 10 minutos da palestra iniciada, tudo entra nos eixos e me sinto plenamente equilibrado, minha mente está sob controle, minhas mãos param de suar e eu entro num estado de domínio absoluto. Daí para frente minha preocupação é outra, eu fico obstinado em criar conexão com a plateia. Passo o tempo todo olhando para as pessoas, buscando os seus olhos, como se estivesse conversando individualmente com cada uma delas. É assim que funciona comigo. Em resumo, não é somente você que treme quando tem que encarar um microfone.

Eu tenho outro segredo para contar. Em todas as palestras, eu repito, em todas as palestras, sem exceção, sempre aparecem as mesmas figuras. Nessa minha última apresentação aconteceu mais uma vez.

Veja só quem aparece em todas as palestras:

O dorminhoco: são aqueles que dormem descaradamente durante tooooda a palestra. O cara está ali, na sua frente, babando de sono. Os olhos completamente fechados, o tempo todo. Esse é profissional do sono... e é profissional porque ele dorme direitinho, empinadinho, sem nem balançar a cabeça.

O sonolento: diferentemente do dorminhoco, este curte a palestra com os olhos mareados. Acho que aquela voz no fundo dá soninho. Ele abre e fecha os olhos, quase sempre com a cabeça balançando pra lá e pra cá.

A esfinge: são aqueles que olham para você fixamente, sem mexer um músculo. Você não consegue ter a mínima ideia se o cara está gostando e entendendo o que você está falando. Não dá nenhum sinal, nenhuma pista. Da até para desconfiar se o cara está vivo.

O confirmador: esse é uma delícia. É o cara que passa o tempo todo balançando a cabeça afirmativamente. Basta você olhar para ele, em qualquer instante da palestra, e ele generosamente balança a cabeça, quase dizendo assim: "sim, estou ouvindo você e concordo com tudo. Você é espetacular".

O viajante: é o cara com a cabeça na Lua. O cara não olha para você. Ele está o tempo todo olhando para o lado, desenhando na folha de papel, conversando com o vizinho. Só o corpo está lá, o interesse ficou do lado de fora.

O sorriso maroto: sim, é verdade, têm uns caras que passam a palestra sorrindo para você. Você olha e ele sorri.

O digitador: o cara passa a palestra todinha digitando no smartphone. Eu sempre tento imaginar o que o cara está jogando. Será sudoku? Eu gosto.
O sofredor: eu não sei descrever muito bem esse tipo. Não é uma questão de expressão facial, mas sim de expressão corporal. Ele está largado na cadeira, transmitindo uma sensação de sofrimento, com a seguinte inscrição na testa: "não aguento mais, quando essa tortura vai acabar?".

E aí? Curtiu?

Existem mais tipos, mas estes são o mais pitorescos. Eles estão sempre presentes, independentemente do tempo e do tema da palestra.

Viu como é difícil se concentrar no palco com tantas distrações e coisas mais interessantes do que você próprio falando? Eu luto para não cair em tentação e ficar olhando para estas figuras, criando apelidos para eles.

Quer saber de um segredo final? Às vezes, quando eu sinto que o número de pessoas distraídas começa a aumentar, eu faço uma pergunta para plateia e crio um silêncio constrangedor. Surge uma espécie de "vácuo absoluto". Alguns segundos de silêncio são suficientes para as pessoas levantarem a cabeça, se fixarem no apresentador e tentarem entender o que está se passando. Quase todos fazem isso: os sonolentos acordam, o confirmador para de confirmar, o sorriso maroto fica sério e até o digitador larga o smartphone. A única exceção são os dorminhocos, estes nem sabem o que está se passando.


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terça-feira, 7 de julho de 2015

Quatro mil emails não lidos? Pirei !


Cara, numa boa, eu estou pirando! Estou com mais de quatro mil emails ainda não lidos na caixa de entrada, mas isso é apenas a ponta do iceberg. Diariamente, recebo mensagens por email, pelo Whatsapp, pelo Linkedin, pelo Twitter, pelo Messenger do Facebook, pelos comentários dos meus posts em diversas redes sociais, pelos meus blogs, etc. E, pasmem, até por mensagem de voz no celular! Ah, tem também o Instagram, onde de vez em quando pintam umas mensagens.

Como gestor de marketing e comunicação de uma grande empresa, é natural que eu seja abordado com pedidos de patrocínios, apresentações de projetos, pedidos de entrevistas com executivos da empresa, envios de currículo, solicitações de emprego, entrevistas para trabalho de final de curso de faculdade, papos sobre carreira, agências desejando apresentar suas especialidades e serviços, etc. Tudo isso é muito legal e faz parte da minha responsabilidade. Eu gosto muuuito e procuro ler tudo o que recebo com toda atenção, mas confesso que está mais difícil dar conta do tsunami.

Ok, você tem razão. O problema é meu. Saber lidar com tudo isso faz parte do jogo. Talvez eu não esteja sabendo gerenciar as coisas e preciso repensar as prioridades de minha agenda. Eu aceito bem esse feedback. A questão é que o tratamento às mensagens que recebo cada vez me consome mais tempo e a conta não fecha.

A questão é simples: para cada email que eu enviar, certamente eu vou receber um email de resposta, pelo menos. Aliás, essa regra vale para qualquer mensagem em qualquer tipo de canal. Sabe aquela lei de Newton que diz que toda ação gera uma reação? É por aí.

Eu sei que não existe uma fórmula mágica. Eu sei que não vou conseguir aumentar o número de horas por dia, já que estamos limitados a ridículas 24 horas. E também não sou capaz de diminuir minhas horas de sono. Obviamente que não dá para delegar nada disso para ninguém. E seria inaceitável me tornar um ermitão e ficar inacessível.

A maioria das mensagens que recebo é pertinente, sobre temas interessantes, com pedidos e projetos bem legais. Porém, algumas delas são bem estranhas, com propostas que não fazem sentido e/ou abordagens heterodoxas. Parece que o emissor colocou apenas o meu nome, sem se preocupar se o assunto tinha pertinência ou não. Por isso, pego carona nesse post para deixar alguns recados para alguns "amigos".

Meu caro Jorge, eu não conheço você. Certamente você é gente boa. Mas, por favor, não envie mais pedidos de patrocínio para festa junina. Eu sei que é legal, eu também curto muito um salsichão na brasa, mas não vai rolar, entende?

Meu querido Rick, não mande emails com o título "Want to grab a coffee, Mauro?". Depois de três emails no último mês, me bateu curiosidade e fui pesquisar onde você está. Cara, você está na Inglaterra. Entende porque mandar um email me convidando para um café não vai funcionar?

Roberto, nós só estivemos juntos uma vez, foi num evento, quando trocamos cartões. Nem conversamos muito, lembra? Portanto, não é uma boa você me enviar um SMS no dia do meu aniversário me desejando parabéns como se fossemos grande amigos. Não tem cola, sacou? E, se mesmo assim você deseja continuar sua celebração virtual, apenas evite me enviar a mensagem no primeiro minuto do dia, logo depois da meia-noite, como foi da última vez.

Prezada Abgail, porque seus emails sempre começam com "há quanto tempo não nos vemos" se nós nem nos conhecemos pessoalmente?

Têm alguns emails que começam assim "O senhor ainda não analisou...", mas eu combinei em algum momento que ia analisar?

Uma vez recebi uma mensagem me convidado para um evento. Dizia assim, venha ao evento e ganhe uma "massagem especial". Fiquei com medo e nem passei perto.

Geraldo, por que você insiste em me convidar para eventos de degustação de vinhos se eu não bebo vinho? Já respondi isso tantas vezes.

Ah, e tem o pessoal que me chama de Mario.

Você, leitor amigo, não fique chateado se você enviou uma mensagem para mim e eu não respondi. Tenha certeza que sua mensagem está aqui comigo, em algum lugar, eu apenas ainda não li. Mas eu chego lá!

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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Ranking MIT: As Empresas mais Inteligentes de 2015


Ser inovador não é uma questão de idade e nem de tamanho, mas reconheço que na adolescência nós somos mais rebeldes e sonhadores. O tempo trata de endurecer a nossa casca e nos faz mais reticentes com algumas coisas, que durante a juventude a gente nem leva em conta. Ser inovador, pensar diferente, é algo ligado a nossa personalidade e jeito de ser. Você pode até ser velhinho, mas a sua cabeça continua tinindo e você continua inconformado com as coisas. No mundo das empresas isto está profundamente conectado à cultura corporativa.

O ranking das "Empresas mais inteligentes de 2015" publicado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) é uma evidência disso. Nesta lista nós encontramos crianças como o Uber, Tesla e Netflix. Encontramos algumas adolescentes como Apple, Google e Amazon. E, por fim, nos deparamos com algumas velhinhas assanhadas como Phillips, IBM e ThyssenKrupp, com corpinho sarado e mente afiada. Não importa a idade, o tamanho, a roupa e o estilo, todas são empresas inovadoras e tem conexão direta com o progresso, bem estar e transformação da sociedade.

A lista do MIT não considera apenas se a empresa é verdadeiramente inovadora, mas também se a empresa possui um modelo de negócio factível e ambicioso, o que é fundamental para sua sustentabilidade e crescimento.

Visite o ranking e clica na imagem para descobrir o que cada empresa está fazendo. Vai valer a pena.

Quer saber? É muito bom participar disso.

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terça-feira, 23 de junho de 2015

A internet das coisas e a recriação do marketing


1) Você está caminhando dentro de um shopping, passa em frente a uma farmácia e, de repente, o seu relógio vibra, na tela aparece uma mensagem com uma lista de produtos que você precisa comprar na drogaria porque estão em falta na sua casa.

2) Você escova os dentes. No final, um app no smartphone mostra que você não escovou bem uma parte da boca e pede para você repetir a escovação. O app orienta como fazer, apresentando um mapa da sua boca denunciando a qualidade de cada escovação. No final do mês, o app mostra um resumo de sua performance e manda um relatório digital para o seu dentista.

3) Você está viajando e lembra que seria legal ter deixado as luzes da sua casa acesas simulando movimento. Através de um app em seu smartphone, você coloca a sua casa em vacation mode e as luzes da sua casa se configuram conforme você deseja.

4) Você está a trabalho numa cidade que pouco conhece, de carro alugado. Entra no automóvel e pergunta para a assistente virtual do carro quais as opções existentes de restaurante japonês num raio de 30 km. Você pergunta pelo tempo de espera na fila. A assistente responde, e diz que a 5 minutos de distância tem um restaurante mexicano maravilhoso com uma promoção especial. Você diz ok e a assistente faz a reserva para você automaticamente. Em 1 minuto ela retorna: "reserva realizada e confirmada".

Os quatro casos acima são exemplos do novo mundo diante de nós. Converso regularmente com amigos e colegas do mundo de marketing e comunicação, sempre fico surpreso com o desconhecimento, e até negligência, que todos demonstram a respeito da internet das coisas e dos wearables. A sensação que tenho é que a maioria deles pensa nisso como ficção científica ou algo de um futuro ainda muito distante.

O fato é que tais tecnologias provocarão uma revolução gigantesca na forma como vivemos, consumimos e nos relacionamos. O impacto no marketing e comunicação das empresas será brutal, pois teremos uma postura diferente como clientes e consumidores, abalando os conceitos atuais de advertising e marketing de relacionamento. Surpreendentemente, este futuro distante está muito mais próximo do que imaginamos

Mas o que é Internet das Coisas?
Para você, viajante de outro planeta, Internet das Coisas refere-se ao uso de sensores, atuadores e tecnologia de comunicação de dados montados em objetos físicos, de autoestrada a marca passo, que permitem que os objetos sejam monitorados, coordenados ou controlados através de uma rede de dados ou da internet. Essa é a definição de Eduardo Prado no excepcional artigo "Saiba como a Internet das Coisas vai impactar a sua vida". Pare cinco minutos para ler este artigo, tome um tapa na cara, e volte aqui.

Uma outra definição, menos técnica e mais conectada ao nosso cotidiano, é que Internet das Coisas se refere a uma revolução tecnológica que tem como objetivo conectar os itens usados no cotidiano à rede mundial de computadores. Cada vez mais surgem eletrodomésticos, meios de transporte e até mesmo tênis, roupas e maçanetas conectadas à internet e a outros dispositivos, como computadores e smartphones. Essa é a definição dada por Pedro Zambarda, no Techtudo, no também excelente artigo "Internet das Coisas: entenda o conceito e o que muda com a tecnologia".

O potencial da Internet das Coisas é imenso, até difícil de imaginar. Experimente digitar internet of things na linha do Google e uma lista infinita de exemplos aparecerão na tela mostrando uma enormidade de projetos em andamento. Veja também alguns vídeos e caia da cadeira. E aí? Está com a boca aberta?

O divertido é quando imaginamos a Internet das Coisas muito além das descrições acima, ou seja, quando nós mesmos, seres humanos, estivermos vestindo a Internet das Coisas através de nossas roupas, sapatos, brincos, anéis, cintos, relógios, piercings, broches, canetas, etc. Estamos convivendo com a explosão inicial dos wearables voltados para a nossa saúde e para monitoração do nosso corpo, mas já existem projetos de dentes, tatuagens e peles que atuarão como sensores dentro do nosso corpo. Ou seja, cada vez mais estaremos umbilicalmente ligados à internet.

Quer fazer um exercício de futurologia? Vai no excelente artigo "Wearable Future: What will be wearing in 20 years?". E aí? Deu frio na barriga?

Esse cenário abre um novo mundo para o marketing. A comunicação e o relacionamento serão de múltiplas vias. A nova realidade permitirá um conhecimento sem precedentes das preferências individuais de cada ser humano, de suas rotinas, de seus desejos e do seu estilo de vida. As novas tecnologias criarão canais individuais de comunicação com as pessoas. A interação com cada um será personalizada, através do meio que cada um mais aprecia ou tenha interesse. O big data de hoje parecerá brincadeira frente a capacidade de captura e análise dos dados pessoais em todos os dispositivos que as pessoas terão ao seu redor, seja através do que estarão vestindo ou de todos os dispositivos ao seu redor, em suas casas, nos supermercados, dentro dos carros, nos restaurantes ou no ambiente de trabalho. O nível de conhecimento sobre cada consumidor será altíssimo, e o custo para falar e interagir com ele será baixíssimo. Surgirá um novo mercado poderoso que será a venda do conhecimento a respeito de cada ser humano. Obviamente, existirão aspectos cruciais de privacidade, segurança, adoção cultural e outros desafios, mas estes são obstáculos que serão superados, da mesma forma como ocorreu com outros exemplos passados, como o surgimento dos emails e a chegada dos celulares em nossas vidas.

A mudança do marketing e da comunicação das empresas passará pela adoção sem precedentes de novas tecnologias. Os bons e velhos dogmas que conhecemos continuarão válidos, mas os profissionais da área se transformarão, cada vez mais, em seres tecnológicos dependentes. É preciso que tais profissionais se preparem para os próximos anos, pois a transformação do marketing começará por eles. Eles terão que lidar com áreas que hoje parecem distantes, como novas tecnologias, estatística, matemática, antropologia, ciências sociais, robótica, inteligência artificial, computação cognitiva, etc.



O marketing está se tornando cada vez menos empírico e mais racional, quem sabe uma ciência? Esta é uma transformação radical que precisa ser liderada pelos profissionais da área. Se tais profissionais não se anteciparem e assumirem o comando dessa viagem, certamente teremos novos convidados para serem DJs da festa, como engenheiros, cientistas, tecnólogos, estatísticos, antropólogos e outros especialistas.

E aí? Já comprou o seu Apple Watch?



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quinta-feira, 11 de junho de 2015

IBM Watson aprendeu todo o conteúdo do TED e responde as suas perguntas mais complexas


E o Watson comeu o TED. Calma, calma, vou explicar.
O TED Talks é um manancial incrível de conteúdo onde pensadores, acadêmicos, personalidades, influenciadores e até pessoas comuns compartilham seu conhecimento, percepções e experiências sobre qualquer coisa, seja uma escalada ao Everest, um reflexão sobre o significado da felicidade ou os segredos da mente humana.  O desafio é que o conteúdo é tão rico e tão vasto, que existe uma dificuldade incrível de encontrarmos conteúdos específicos sobre determinados temas no meio de milhares de vídeos.

Por outro lado, o Watson é um sistema de computação cognitiva da IBM, o conceito mais avançado de inteligência artificial hoje existente, que não apenas atende comandos, mas aprende continuamente de forma cumulativa, sobre qualquer tema e em qualquer base. O Watson interage com as pessoas na linguagem delas, ou seja, na linguagem natural, sejam tweets, textos, artigos, estudos e relatórios, que somados compõe quase 80% de todos os dados existentes no mundo.

A novidade é que um time da IBM colocou o Watson para analisar o conteúdo de quase 2 mil vídeos do TED Talks. Tal trabalho gerou um protótipo de ferramenta que foi apresentado no evento World of Watson ocorrido em New York no dia 5 de maio.

O Watson "aprendeu" todo o conteúdo do TED Talks, "organizou-o mentalmente" e se tornou íntimo de cada speaker. O protótipo é capaz de responder perguntas e percorrer o conteúdo do TED Talks indicando trechos dos vídeos que sejam relevantes e que respondam à pergunta realizada. O resultado é uma sucessão contínua de trechos de palestras, um atrás do outro, como se fosse um "mashup" de apresentações do TED refletindo sobre a pergunta em questão.

A ferramenta também apresenta uma linha do tempo dos conceitos discutidos em cada palestra e a visualização dos dados que mapeiam a conexão de todas as conversas. Veja a demo abaixo para melhor entender o projeto. O programa está sendo testado por um grupo limitado de usuários e poderá ser oferecido publicamente nos próximos meses.


 
O projeto do Watson com o TED é uma pequena degustação do que veremos num futuro próximo. Sistemas de computação cognitiva mudarão a sociedade.

O vídeo abaixo de pouco mais de dois minutos sumariza bem o potencial dessa tecnologia.
 

 
Sistemas de computação cognitiva e inteligência artificial ajudarão a responder perguntas simples e complexas, serão importantes para a tomada de decisão nos mais diversos segmentos e permitirão o desenvolvimento do conhecimento humano de forma acelerada. Em alguns casos, tais sistemas atuarão como uma espécie de assistente virtual, provendo orientação, tirando dúvidas, nos ajudando a estudar ou conhecer e entender determinados temas. A fonte de pesquisa poderá ser a base do conhecimento gerada pela sociedade ao longo do tempo que hoje está dispersa pela internet na forma de textos, imagens, áudios, vídeos e outros formatos. Como falei, o projeto do TED é um exemplo aparentemente simples do que está por vir. A interação dos seres humanos com tais sistemas cognitivos poderá ser feita via smartphones, wearables ou qualquer dispositivo via internet das coisas. O impacto em nossas vidas será enorme. Solte a imaginação e descubra que estamos diante de um mundo completamente novo pela frente.

E aí? Quer participar do pré launch do projeto Watson para o TED?
Acesse  http://watson.ted.com/ e se inscreva

Veja o vídeo abaixo de apenas 10 minutos para conhecer um pouco mais profundamente sobre o Watson. É realmente imperdível !!!
 




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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Em busca de novos líderes


Eu vivo no mundo empresarial há décadas. Circulo por dezenas de ambientes de empresas diferentes, de todos os tamanhos e de todos os segmentos. Converso com líderes de todos os tipos. A sensação que eu tenho, é que existe um descompasso entre o mundo do trabalho e a sociedade de hoje em dia.

Enquanto o cidadão moderno vive o seu maior momento de transparência, diálogo, liberdade e participação efetiva na sociedade, o mundo das empresas ainda continua tendo por base a hierarquia tradicional, com gerentes e modelos de decisão baseados no número de faixas que as pessoas carregam nos ombros. Essa não é uma percepção propriamente minha, mas é resultado de um somatório de feedbacks que recebi de muitos amigos e colegas que conversam comigo sobre o mundo do trabalho. A minha presença ativa nas mídias sociais me ajuda a coletar melhor essa percepção demonstrada pela massa em relação às empresas.

Obviamente que o ambiente de trabalho evoluiu muito. Eu, especificamente, trabalho numa empresa de vanguarda que preconiza um ambiente diverso, colaborativo e transparente. Acho que sou um afortunado nesse sentido, pois estou muito feliz onde estou. Mas a maioria dos meus amigos não tem uma história parecida para contar. Na verdade, o quadro me parece até mais dramático.

Existem muitos desafios, mas acredito que um dos principais reside na liderança. Não estou falando apenas dos presidentes das empresas, mas incluo também os executivos, os gerentes e os coordenadores de equipes. Eu sou gerente, portanto, me sinto plenamente incluído dentro desse balde. Desculpe se generalizo, até porque eu conheço líderes extraordinários com quem convivi e convivo hoje em dia, mas o fato é que a maioria das empresas ainda tem e são comandadas por líderes à moda antiga.

Passei estes últimos anos ouvindo muitos comentários de amigos e colegas que clamam por uma liderança mais conectada com os dias atuais. De tanto ouvir, eu comecei a anotar cada observação. Fui anotando, anotando, anotando... e deu nesta lista aí abaixo.

Nós precisamos de líderes diferentes

Queremos líderes para chamarmos de colegas, e não mais de chefes

Precisamos de líderes menos assertivos, mais contemplativos

Buscamos líderes mais generosos, que compartilhem seu conhecimento e não guardem as coisas para si

Líderes que falem menos e ouçam mais

Líderes que falem mais "nós" do que "eu" quando as coisas dão certo

E que falem mais "nós" do que "vocês", quando as coisas dão errado

Líderes que gostem mais de conversar do que assistir apresentações de powerpoint

Lideres menos preocupados com a forma e mais conectados com o conteúdo

Líderes que gostem de pessoas que pensem diferente, com pontos de vista diversos dos deles, que gerem até desconforto, mas que permitem um ambiente mais diverso e heterogêneo

Líderes que inspirem curiosidade, que provoquem as pessoas a serem mais questionadoras

Líderes que trabalhem bem com pessoas deficientes, que não pensem inclusão como uma forma de caridade, mas sim como uma estratégia para construir um time mais forte, com novas percepções, sentimentos e capacidades

Líderes que curtam funcionários que usam cabelo moicano, ou que usam piercing ou que vestem jeans surrado

Líderes sem preconceito com raça, gênero e origem social

Ou melhor, queremos mais líderes negros, mulheres, LGBT ou deficientes

Líderes que adorem a palavra "por que"

Líderes que confiem mais nos seus liderados e não façam caretas quando são questionados

Líderes que pulem no abismo junto com seus liderados

Líderes que se preocupem menos com a fonte usada no powerpoint... ou com a cor do slide

Líderes que gostem de conversas no cafezinho no final do dia

Precisamos de líderes que sorriam quando estão todos em crise, que consigam ser a voz de paz e conciliação quando todos estão gritando

Líderes que se preocupem menos com o tipo de roupa que usamos, independentemente se usamos tênis ou um sapato caro

Líderes que falem mais "não sei", mas com sinceridade

Líderes que enxerguem que existe vida lá fora e que valorizem isso

Líderes que trabalhem com as portas abertas

Líderes que se permitam contemplar a paisagem nas janelas no final do expediente ou até mesmo no meio de uma reunião tensa

Líderes que contem piadas

Líderes que não se incomodem de deixarmos o trabalho para irmos à festa de dia das mães da escola

Líderes que mostrem as fotos dos entes queridos em seus smartphones, ou o quê fizeram nas últimas férias

Ah, líderes que gostem de férias

Líderes que deem bom dia todos os dias com a "boca cheia"

Líderes que não se importem com a hora que chegamos desde que façamos bem o nosso trabalho de qualquer lugar

Líderes que gostem de dar feedback sem a gente precisar pedir

Líderes que curtam ir à escola no dia das crianças para ver os seus filhos ou até ver os filhos do melhor amigo

Líderes que gostem de mesas redondas, mas se a mesa for quadrada, que se sentem então no mesmo lado da mesa e não do outro lado

Líderes que adorem trabalho em equipe

Líderes que saibam ouvir críticas e agradecer por elas

Líderes que ajudem as pessoas a crescerem

Precisamos de líderes que sorriam mais.

Nós, trabalhadores, agradecemos.


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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Carta para o Café Brasil e Luciano Pires


Já escrevi num post passado que eu adoro podcasts.
Aliás, o meu post "Os 10 melhores podcasts do brasil" foi o maior barraco. Um monte de gente disparou mensagens por todos os lados (email, Twitter, Facebook, no blog M&M, etc) me bombardeando dizendo que minha análise era furada. Fui simpático com todos eles esclarecendo que aquela era minha opinião pessoal, que hoje em dia até mudou um pouco pois descobri uns podcasts legais para caramba :)

Ao longo dos últimos meses eu continuei consumindo podcasts alucinadamente, sou fã de carteirinha de alguns deles, mas tem um, em especial, que ocupou lugar no meu cotidiano: o podcast do Café Brasil, idealizado e comandado por Luciano Pires. Aliás, o projeto vai muito além dos podcasts, vale navegar pelo Portal Café Brasil inteirinho.

Ao longo dos meus mais de 6 anos do blog, o meu propósito tem sido fazer as pessoas pensarem, refletirem, aprenderem algo diferente e provocar reflexão sobre o ambiente de trabalho e nas relações das empresas com a sociedade. Por isso me identifiquei tanto com o Café Brasil, que nos provoca reflexão por algo muito mais profundo: o nosso papel como cidadão e construtor da sociedade que tanto buscamos.

Se existe algo que posso ajudar você, que chegou até aqui nesse post, separe um tempo para visitar o Café Brasil. Ouça um podcast, escolha um qualquer. O Café Brasil completa 10 anos, o que é uma marca extraordinária para quem produz conteúdo original, quase sempre questionando o que vemos por aí. É aquele barquinho atravessando o oceano.

Ao ouvir o programa 454, eu não resisti e escrevi um texto para Luciano Pires, que reproduzo abaixo. Eu não costumo fazer isso. Eu sempre disparo textos e comentários por aí, mas eu nunca reproduzo tal conteúdo aqui no meu blog, mas este é especial. São 10 anos de reflexão do Café Brasil. Fiz questão de escrever ao Luciano Pires porque o trabalho dele é algo tocante, profundo e que constrói um acervo e legado inestimável.

Enfim, curta o meu texto abaixo e visite o Café Brasil.

Olá, Luciano.

Parabéns pelos 10 anos de Café Brasil. Sou fã apaixonado do podcast e de tudo que você fala e publica.

Você é meu amigo íntimo, mesmo que não saiba disso. Está comigo nos lugares e horários mais impróprios, sempre cochichando no meu ouvido. Enfim, é uma consciência que me cerca e me alimenta de coisas interessantes. É o Tico... e também o Teco. Você diz coisas que faz a gente pensar. Algumas dessas coisas grudam na nossa cabeça e não saem.

Eu não me lembro mais em que episódio, mas teve um episódio que você falou mais ou menos assim: "Eu já andei por todo esse país e eu garanto que o Brasil não é exatamente o que vemos na mídia. O Brasil é bem melhor do que a imprensa mostra para gente". Certamente você não falou com essas palavras, mas foi assim que a mensagem grudou em mim. Eu lembro que você falou isso quando contou sobre sua experiência no interior da região centro-oeste... e ficou surpreso e encantado com o Brasil que descobriu numa região que, tipicamente, a imprensa insiste em mostrar como atrasada e repleta de más notícias como seca, enchentes, conflitos por terra, exploração de latifundiários, índios explorados, etc. Para coroar o quadro, Brasília fica lá... lá no centro-oeste. Você contou pra gente que descobriu um centro-oeste de progresso, com pessoas preparadas, com tecnologia avançada no trabalho agrícola e uma região encantadora de belezas naturais, com cidades onde as pessoas trabalham dignamente e uma percepção de país muito melhor do que algumas regiões no sul e no sudeste maravilha do nosso país.

Quando você disse que a mídia mostra um país diferente da realidade, parece que a minha ficha caiu, as nuvens se abriram, pois é esta a sensação que eu sempre tive. Porém, sempre pensei que a minha percepção era equivocada. Pensei que o meu otimismo e os meus "belos olhos" insistiam em ver a metade cheia do copo, quando o verdadeiro país é o lado vazio do copo, Não, não, é até mais do que isso, é o lado super vazio do copo, meio o "volume morto", sabe?

Fiquei entusiasmado com aquele rasgo de esperança citado por você de que o nosso Brasil pode ser realmente bem melhor do que vemos todos os dias na TV, nas rádios e nos jornais. Um país onde as notícias podem ser diferentes dos assassinatos, corrupção, serviços públicos deploráveis e vergonha. Um país diferente dos nossos lava-jatos rotineiros.

Estou pensando nisso desde que você falou aquilo. Toda vez que leio a notícia num jornal ou vejo um noticiário na TV, eu penso exatamente no lado cheio do copo. O que pode estar acontecendo de bom que contra diz o que estou ouvindo e assistindo? Confesso também que a minha paciência com a grande mídia brasileira está se esgotando, e por isso busco novas fontes de informação e aprendizado completamente diferente da máquina de moer cérebros da mídia tradicional. Aliás, esta seria uma forma diferente de cada brasileiro ajudar o país: mude a sua fonte de informação, busque alguém diferente, não ligue mais a TV no automático, cancele a sua assinatura de jornal de décadas e procure ouvir outras pessoas com pontos de vista diversos do seu. Saia da mesmice. Sacuda a sua rotina. É por isso que ouço o Café Brasil e muitas outras fontes alternativas que estão ajudando a abrir a minha cabeça.

Seria extraordinário se você pudesse fazer um podcast mostrando o Brasil verdadeiro que não vemos.
Não o Brasil do futuro ou o Brasil dos sonhos. Não o Brasil da desgraça do noticiário ou o Brasil da corrupção que o planeta nos enxerga. Mas o país verdadeiro. Aquele país que desconhecemos. Aquele país que está além da esquina da rua onde moramos.
Falar sobre o brasileiro verdadeiro.
Falar sobre o que acontece por todo esse Brasil gigantesco.

O que sabemos fazer... o que fazemos bem, além do samba, da floresta e do futebol, que nem somos mais tão bons assim.
Não estou falando de mostrar apenas um Brasil progressista... mas um Brasil realista.
Como estamos e quem somos nós quando botamos a cabeça para fora do nosso balde?
Como nos comparamos a Índia, China e Rússia?

Compartilha com a gente a sua visão de país, o que funciona e o que não funciona.
Como cada brasileiro pode ver o lado cheio do copo e como podemos encher cada vez mais esse copo? Mesma que seja com uma gotinha por dia.
Eu sei, eu sei.. você vem fazendo isso ao longo de todos esses anos... nos 10 anos do Café Brasil.
Você cutuca o nosso cérebro o tempo todo, mas conte para nós a sua visão do Brasil de hoje.
Como a imprensa poderia ser realmente contribuidora para tornar o Brasil um país diferente e melhor?

Temos um país de proporções continentais.
Segundo estudos, 15% da água doce do mundo está localizada no Brasil, nos rios e em grandes aquíferos que temos sob nossos pés.
Temos 22% da terra arável do mundo, mas apenas 17% está sendo explorada.
Comparando com o mundo, estamos entre os maiores produtores de grãos, carne, aves, café, chocolate, bebidas, minérios, aço, veículos, produtos de higiene, computadores, smartphones, etc. Eu poderia ficar aqui listando um monte de coisas.
Nós somos o 13o. país em volume de produção científica no mundo.
Somos o 4o. país na produção de energia através de fontes renováveis.
O Brasil lidera o ranking mundial de uso de biomassa na produção de energia.
O nosso povo é pacífico, ordeiro, gosta de trabalhar, é criativo, alegre e ousado.
Sabemos lidar com o improviso como ninguém. E, talvez, isto possa ser mais um problema do que realmente uma virtude, pois sempre nos sentimos seguros para ligar com o improviso. "Não faz mal, a gente vai lá e resolve".
Fala a verdade. É este o país que vemos nos noticiários todos os dias?
Tem alguma coisa errada na equação.

Por que não damos certo como país? Ou estamos dando certo e ninguém sabe?

Fico por aqui com este meu devaneio e na expectativa que você compre o desafio e conte pra gente o verdadeiro Brasil que nós não vemos.

Abraços para você, e os brasileiríssimos Ciça e Lalá.

Obrigado pela gotinha que ajuda a encher o copo todos os dias.

Ahhhhh... o programa que mais gostei nos últimos 10 anos foram 3...
O 436 - The Dark Side of the Moon que foi uma... porrada :)
A obra-prima 275 - Bohemian Rapsody, que é unanimidade...
e o 450, do Tico e do Teco. Desde então, sempre quando tenho que tomar uma decisão, eu coloco os dois para conversarem...

Abraços brasileiros. Mauro Segura


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domingo, 24 de maio de 2015

Você daria emprego para estes caras?

Pegando carona no último post sobre a campanha global da Coca-Cola contra o preconceito, aproveito para republicar um post meu antigo, super conectado com o tema "preconceito".

Uma vez eu publiquei um post chamado "Geração Y: a mais formidável da história da sociedade humana". O post deve ter incomodado pois recebi muitos "feedbacks" de pessoas dizendo que não concordavam com a minha opinião, que a geração Y não é essa coca-cola toda, etc. Eu entendi a reação, afinal eu havia escrito o post para provocar mesmo. O meu ponto era que nós, baby-boomers, em geral, somos preconceituosos e reativos quando falamos da geração Y. Aliás, é comum a geração anterior sentar o pau na geração seguinte.

Veja a foto abaixo. Olhe as figuras.
Me diga se você daria emprego para algum deles. Me diga se você investiria na startup company formada por essas figuras.


Você sabe quem são eles?

Veja quem está no canto inferior, lado esquerdo.
É Bill Gates com 23 anos. O sócio Paul Allen está no canto inferior direito.
O quadro mostra os primeiros funcionários da Microsoft em 1978.
Era uma startup company. O IPO da empresa só ocorreu em 1986.

Meu filho, que é da geração Y, sempre fala o seguinte:
"Aposto que em 78, se você oferecesse uma garagem e uns sanduíches, de vez em quando, pra essa galera trabalhar, eles botavam você como sócio com 10% e hoje você seria multibilionário".

E aí? Vai um sanduíche?



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