segunda-feira, 29 de junho de 2015

Ranking MIT: As Empresas mais Inteligentes de 2015


Ser inovador não é uma questão de idade e nem de tamanho, mas reconheço que na adolescência nós somos mais rebeldes e sonhadores. O tempo trata de endurecer a nossa casca e nos faz mais reticentes com algumas coisas, que durante a juventude a gente nem leva em conta. Ser inovador, pensar diferente, é algo ligado a nossa personalidade e jeito de ser. Você pode até ser velhinho, mas a sua cabeça continua tinindo e você continua inconformado com as coisas. No mundo das empresas isto está profundamente conectado à cultura corporativa.

O ranking das "Empresas mais inteligentes de 2015" publicado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) é uma evidência disso. Nesta lista nós encontramos crianças como o Uber, Tesla e Netflix. Encontramos algumas adolescentes como Apple, Google e Amazon. E, por fim, nos deparamos com algumas velhinhas assanhadas como Phillips, IBM e ThyssenKrupp, com corpinho sarado e mente afiada. Não importa a idade, o tamanho, a roupa e o estilo, todas são empresas inovadoras e tem conexão direta com o progresso, bem estar e transformação da sociedade.

A lista do MIT não considera apenas se a empresa é verdadeiramente inovadora, mas também se a empresa possui um modelo de negócio factível e ambicioso, o que é fundamental para sua sustentabilidade e crescimento.

Visite o ranking e clica na imagem para descobrir o que cada empresa está fazendo. Vai valer a pena.

Quer saber? É muito bom participar disso.

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terça-feira, 23 de junho de 2015

A internet das coisas e a recriação do marketing


1) Você está caminhando dentro de um shopping, passa em frente a uma farmácia e, de repente, o seu relógio vibra, na tela aparece uma mensagem com uma lista de produtos que você precisa comprar na drogaria porque estão em falta na sua casa.

2) Você escova os dentes. No final, um app no smartphone mostra que você não escovou bem uma parte da boca e pede para você repetir a escovação. O app orienta como fazer, apresentando um mapa da sua boca denunciando a qualidade de cada escovação. No final do mês, o app mostra um resumo de sua performance e manda um relatório digital para o seu dentista.

3) Você está viajando e lembra que seria legal ter deixado as luzes da sua casa acesas simulando movimento. Através de um app em seu smartphone, você coloca a sua casa em vacation mode e as luzes da sua casa se configuram conforme você deseja.

4) Você está a trabalho numa cidade que pouco conhece, de carro alugado. Entra no automóvel e pergunta para a assistente virtual do carro quais as opções existentes de restaurante japonês num raio de 30 km. Você pergunta pelo tempo de espera na fila. A assistente responde, e diz que a 5 minutos de distância tem um restaurante mexicano maravilhoso com uma promoção especial. Você diz ok e a assistente faz a reserva para você automaticamente. Em 1 minuto ela retorna: "reserva realizada e confirmada".

Os quatro casos acima são exemplos do novo mundo diante de nós. Converso regularmente com amigos e colegas do mundo de marketing e comunicação, sempre fico surpreso com o desconhecimento, e até negligência, que todos demonstram a respeito da internet das coisas e dos wearables. A sensação que tenho é que a maioria deles pensa nisso como ficção científica ou algo de um futuro ainda muito distante.

O fato é que tais tecnologias provocarão uma revolução gigantesca na forma como vivemos, consumimos e nos relacionamos. O impacto no marketing e comunicação das empresas será brutal, pois teremos uma postura diferente como clientes e consumidores, abalando os conceitos atuais de advertising e marketing de relacionamento. Surpreendentemente, este futuro distante está muito mais próximo do que imaginamos

Mas o que é Internet das Coisas?
Para você, viajante de outro planeta, Internet das Coisas refere-se ao uso de sensores, atuadores e tecnologia de comunicação de dados montados em objetos físicos, de autoestrada a marca passo, que permitem que os objetos sejam monitorados, coordenados ou controlados através de uma rede de dados ou da internet. Essa é a definição de Eduardo Prado no excepcional artigo "Saiba como a Internet das Coisas vai impactar a sua vida". Pare cinco minutos para ler este artigo, tome um tapa na cara, e volte aqui.

Uma outra definição, menos técnica e mais conectada ao nosso cotidiano, é que Internet das Coisas se refere a uma revolução tecnológica que tem como objetivo conectar os itens usados no cotidiano à rede mundial de computadores. Cada vez mais surgem eletrodomésticos, meios de transporte e até mesmo tênis, roupas e maçanetas conectadas à internet e a outros dispositivos, como computadores e smartphones. Essa é a definição dada por Pedro Zambarda, no Techtudo, no também excelente artigo "Internet das Coisas: entenda o conceito e o que muda com a tecnologia".

O potencial da Internet das Coisas é imenso, até difícil de imaginar. Experimente digitar internet of things na linha do Google e uma lista infinita de exemplos aparecerão na tela mostrando uma enormidade de projetos em andamento. Veja também alguns vídeos e caia da cadeira. E aí? Está com a boca aberta?

O divertido é quando imaginamos a Internet das Coisas muito além das descrições acima, ou seja, quando nós mesmos, seres humanos, estivermos vestindo a Internet das Coisas através de nossas roupas, sapatos, brincos, anéis, cintos, relógios, piercings, broches, canetas, etc. Estamos convivendo com a explosão inicial dos wearables voltados para a nossa saúde e para monitoração do nosso corpo, mas já existem projetos de dentes, tatuagens e peles que atuarão como sensores dentro do nosso corpo. Ou seja, cada vez mais estaremos umbilicalmente ligados à internet.

Quer fazer um exercício de futurologia? Vai no excelente artigo "Wearable Future: What will be wearing in 20 years?". E aí? Deu frio na barriga?

Esse cenário abre um novo mundo para o marketing. A comunicação e o relacionamento serão de múltiplas vias. A nova realidade permitirá um conhecimento sem precedentes das preferências individuais de cada ser humano, de suas rotinas, de seus desejos e do seu estilo de vida. As novas tecnologias criarão canais individuais de comunicação com as pessoas. A interação com cada um será personalizada, através do meio que cada um mais aprecia ou tenha interesse. O big data de hoje parecerá brincadeira frente a capacidade de captura e análise dos dados pessoais em todos os dispositivos que as pessoas terão ao seu redor, seja através do que estarão vestindo ou de todos os dispositivos ao seu redor, em suas casas, nos supermercados, dentro dos carros, nos restaurantes ou no ambiente de trabalho. O nível de conhecimento sobre cada consumidor será altíssimo, e o custo para falar e interagir com ele será baixíssimo. Surgirá um novo mercado poderoso que será a venda do conhecimento a respeito de cada ser humano. Obviamente, existirão aspectos cruciais de privacidade, segurança, adoção cultural e outros desafios, mas estes são obstáculos que serão superados, da mesma forma como ocorreu com outros exemplos passados, como o surgimento dos emails e a chegada dos celulares em nossas vidas.

A mudança do marketing e da comunicação das empresas passará pela adoção sem precedentes de novas tecnologias. Os bons e velhos dogmas que conhecemos continuarão válidos, mas os profissionais da área se transformarão, cada vez mais, em seres tecnológicos dependentes. É preciso que tais profissionais se preparem para os próximos anos, pois a transformação do marketing começará por eles. Eles terão que lidar com áreas que hoje parecem distantes, como novas tecnologias, estatística, matemática, antropologia, ciências sociais, robótica, inteligência artificial, computação cognitiva, etc.



O marketing está se tornando cada vez menos empírico e mais racional, quem sabe uma ciência? Esta é uma transformação radical que precisa ser liderada pelos profissionais da área. Se tais profissionais não se anteciparem e assumirem o comando dessa viagem, certamente teremos novos convidados para serem DJs da festa, como engenheiros, cientistas, tecnólogos, estatísticos, antropólogos e outros especialistas.

E aí? Já comprou o seu Apple Watch?



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quinta-feira, 11 de junho de 2015

IBM Watson aprendeu todo o conteúdo do TED e responde as suas perguntas mais complexas


E o Watson comeu o TED. Calma, calma, vou explicar.
O TED Talks é um manancial incrível de conteúdo onde pensadores, acadêmicos, personalidades, influenciadores e até pessoas comuns compartilham seu conhecimento, percepções e experiências sobre qualquer coisa, seja uma escalada ao Everest, um reflexão sobre o significado da felicidade ou os segredos da mente humana.  O desafio é que o conteúdo é tão rico e tão vasto, que existe uma dificuldade incrível de encontrarmos conteúdos específicos sobre determinados temas no meio de milhares de vídeos.

Por outro lado, o Watson é um sistema de computação cognitiva da IBM, o conceito mais avançado de inteligência artificial hoje existente, que não apenas atende comandos, mas aprende continuamente de forma cumulativa, sobre qualquer tema e em qualquer base. O Watson interage com as pessoas na linguagem delas, ou seja, na linguagem natural, sejam tweets, textos, artigos, estudos e relatórios, que somados compõe quase 80% de todos os dados existentes no mundo.

A novidade é que um time da IBM colocou o Watson para analisar o conteúdo de quase 2 mil vídeos do TED Talks. Tal trabalho gerou um protótipo de ferramenta que foi apresentado no evento World of Watson ocorrido em New York no dia 5 de maio.

O Watson "aprendeu" todo o conteúdo do TED Talks, "organizou-o mentalmente" e se tornou íntimo de cada speaker. O protótipo é capaz de responder perguntas e percorrer o conteúdo do TED Talks indicando trechos dos vídeos que sejam relevantes e que respondam à pergunta realizada. O resultado é uma sucessão contínua de trechos de palestras, um atrás do outro, como se fosse um "mashup" de apresentações do TED refletindo sobre a pergunta em questão.

A ferramenta também apresenta uma linha do tempo dos conceitos discutidos em cada palestra e a visualização dos dados que mapeiam a conexão de todas as conversas. Veja a demo abaixo para melhor entender o projeto. O programa está sendo testado por um grupo limitado de usuários e poderá ser oferecido publicamente nos próximos meses.


 
O projeto do Watson com o TED é uma pequena degustação do que veremos num futuro próximo. Sistemas de computação cognitiva mudarão a sociedade.

O vídeo abaixo de pouco mais de dois minutos sumariza bem o potencial dessa tecnologia.
 

 
Sistemas de computação cognitiva e inteligência artificial ajudarão a responder perguntas simples e complexas, serão importantes para a tomada de decisão nos mais diversos segmentos e permitirão o desenvolvimento do conhecimento humano de forma acelerada. Em alguns casos, tais sistemas atuarão como uma espécie de assistente virtual, provendo orientação, tirando dúvidas, nos ajudando a estudar ou conhecer e entender determinados temas. A fonte de pesquisa poderá ser a base do conhecimento gerada pela sociedade ao longo do tempo que hoje está dispersa pela internet na forma de textos, imagens, áudios, vídeos e outros formatos. Como falei, o projeto do TED é um exemplo aparentemente simples do que está por vir. A interação dos seres humanos com tais sistemas cognitivos poderá ser feita via smartphones, wearables ou qualquer dispositivo via internet das coisas. O impacto em nossas vidas será enorme. Solte a imaginação e descubra que estamos diante de um mundo completamente novo pela frente.

E aí? Quer participar do pré launch do projeto Watson para o TED?
Acesse  http://watson.ted.com/ e se inscreva

Veja o vídeo abaixo de apenas 10 minutos para conhecer um pouco mais profundamente sobre o Watson. É realmente imperdível !!!
 




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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Em busca de novos líderes


Eu vivo no mundo empresarial há décadas. Circulo por dezenas de ambientes de empresas diferentes, de todos os tamanhos e de todos os segmentos. Converso com líderes de todos os tipos. A sensação que eu tenho, é que existe um descompasso entre o mundo do trabalho e a sociedade de hoje em dia.

Enquanto o cidadão moderno vive o seu maior momento de transparência, diálogo, liberdade e participação efetiva na sociedade, o mundo das empresas ainda continua tendo por base a hierarquia tradicional, com gerentes e modelos de decisão baseados no número de faixas que as pessoas carregam nos ombros. Essa não é uma percepção propriamente minha, mas é resultado de um somatório de feedbacks que recebi de muitos amigos e colegas que conversam comigo sobre o mundo do trabalho. A minha presença ativa nas mídias sociais me ajuda a coletar melhor essa percepção demonstrada pela massa em relação às empresas.

Obviamente que o ambiente de trabalho evoluiu muito. Eu, especificamente, trabalho numa empresa de vanguarda que preconiza um ambiente diverso, colaborativo e transparente. Acho que sou um afortunado nesse sentido, pois estou muito feliz onde estou. Mas a maioria dos meus amigos não tem uma história parecida para contar. Na verdade, o quadro me parece até mais dramático.

Existem muitos desafios, mas acredito que um dos principais reside na liderança. Não estou falando apenas dos presidentes das empresas, mas incluo também os executivos, os gerentes e os coordenadores de equipes. Eu sou gerente, portanto, me sinto plenamente incluído dentro desse balde. Desculpe se generalizo, até porque eu conheço líderes extraordinários com quem convivi e convivo hoje em dia, mas o fato é que a maioria das empresas ainda tem e são comandadas por líderes à moda antiga.

Passei estes últimos anos ouvindo muitos comentários de amigos e colegas que clamam por uma liderança mais conectada com os dias atuais. De tanto ouvir, eu comecei a anotar cada observação. Fui anotando, anotando, anotando... e deu nesta lista aí abaixo.

Nós precisamos de líderes diferentes

Queremos líderes para chamarmos de colegas, e não mais de chefes

Precisamos de líderes menos assertivos, mais contemplativos

Buscamos líderes mais generosos, que compartilhem seu conhecimento e não guardem as coisas para si

Líderes que falem menos e ouçam mais

Líderes que falem mais "nós" do que "eu" quando as coisas dão certo

E que falem mais "nós" do que "vocês", quando as coisas dão errado

Líderes que gostem mais de conversar do que assistir apresentações de powerpoint

Lideres menos preocupados com a forma e mais conectados com o conteúdo

Líderes que gostem de pessoas que pensem diferente, com pontos de vista diversos dos deles, que gerem até desconforto, mas que permitem um ambiente mais diverso e heterogêneo

Líderes que inspirem curiosidade, que provoquem as pessoas a serem mais questionadoras

Líderes que trabalhem bem com pessoas deficientes, que não pensem inclusão como uma forma de caridade, mas sim como uma estratégia para construir um time mais forte, com novas percepções, sentimentos e capacidades

Líderes que curtam funcionários que usam cabelo moicano, ou que usam piercing ou que vestem jeans surrado

Líderes sem preconceito com raça, gênero e origem social

Ou melhor, queremos mais líderes negros, mulheres, LGBT ou deficientes

Líderes que adorem a palavra "por que"

Líderes que confiem mais nos seus liderados e não façam caretas quando são questionados

Líderes que pulem no abismo junto com seus liderados

Líderes que se preocupem menos com a fonte usada no powerpoint... ou com a cor do slide

Líderes que gostem de conversas no cafezinho no final do dia

Precisamos de líderes que sorriam quando estão todos em crise, que consigam ser a voz de paz e conciliação quando todos estão gritando

Líderes que se preocupem menos com o tipo de roupa que usamos, independentemente se usamos tênis ou um sapato caro

Líderes que falem mais "não sei", mas com sinceridade

Líderes que enxerguem que existe vida lá fora e que valorizem isso

Líderes que trabalhem com as portas abertas

Líderes que se permitam contemplar a paisagem nas janelas no final do expediente ou até mesmo no meio de uma reunião tensa

Líderes que contem piadas

Líderes que não se incomodem de deixarmos o trabalho para irmos à festa de dia das mães da escola

Líderes que mostrem as fotos dos entes queridos em seus smartphones, ou o quê fizeram nas últimas férias

Ah, líderes que gostem de férias

Líderes que deem bom dia todos os dias com a "boca cheia"

Líderes que não se importem com a hora que chegamos desde que façamos bem o nosso trabalho de qualquer lugar

Líderes que gostem de dar feedback sem a gente precisar pedir

Líderes que curtam ir à escola no dia das crianças para ver os seus filhos ou até ver os filhos do melhor amigo

Líderes que gostem de mesas redondas, mas se a mesa for quadrada, que se sentem então no mesmo lado da mesa e não do outro lado

Líderes que adorem trabalho em equipe

Líderes que saibam ouvir críticas e agradecer por elas

Líderes que ajudem as pessoas a crescerem

Precisamos de líderes que sorriam mais.

Nós, trabalhadores, agradecemos.


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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Carta para o Café Brasil e Luciano Pires


Já escrevi num post passado que eu adoro podcasts.
Aliás, o meu post "Os 10 melhores podcasts do brasil" foi o maior barraco. Um monte de gente disparou mensagens por todos os lados (email, Twitter, Facebook, no blog M&M, etc) me bombardeando dizendo que minha análise era furada. Fui simpático com todos eles esclarecendo que aquela era minha opinião pessoal, que hoje em dia até mudou um pouco pois descobri uns podcasts legais para caramba :)

Ao longo dos últimos meses eu continuei consumindo podcasts alucinadamente, sou fã de carteirinha de alguns deles, mas tem um, em especial, que ocupou lugar no meu cotidiano: o podcast do Café Brasil, idealizado e comandado por Luciano Pires. Aliás, o projeto vai muito além dos podcasts, vale navegar pelo Portal Café Brasil inteirinho.

Ao longo dos meus mais de 6 anos do blog, o meu propósito tem sido fazer as pessoas pensarem, refletirem, aprenderem algo diferente e provocar reflexão sobre o ambiente de trabalho e nas relações das empresas com a sociedade. Por isso me identifiquei tanto com o Café Brasil, que nos provoca reflexão por algo muito mais profundo: o nosso papel como cidadão e construtor da sociedade que tanto buscamos.

Se existe algo que posso ajudar você, que chegou até aqui nesse post, separe um tempo para visitar o Café Brasil. Ouça um podcast, escolha um qualquer. O Café Brasil completa 10 anos, o que é uma marca extraordinária para quem produz conteúdo original, quase sempre questionando o que vemos por aí. É aquele barquinho atravessando o oceano.

Ao ouvir o programa 454, eu não resisti e escrevi um texto para Luciano Pires, que reproduzo abaixo. Eu não costumo fazer isso. Eu sempre disparo textos e comentários por aí, mas eu nunca reproduzo tal conteúdo aqui no meu blog, mas este é especial. São 10 anos de reflexão do Café Brasil. Fiz questão de escrever ao Luciano Pires porque o trabalho dele é algo tocante, profundo e que constrói um acervo e legado inestimável.

Enfim, curta o meu texto abaixo e visite o Café Brasil.

Olá, Luciano.

Parabéns pelos 10 anos de Café Brasil. Sou fã apaixonado do podcast e de tudo que você fala e publica.

Você é meu amigo íntimo, mesmo que não saiba disso. Está comigo nos lugares e horários mais impróprios, sempre cochichando no meu ouvido. Enfim, é uma consciência que me cerca e me alimenta de coisas interessantes. É o Tico... e também o Teco. Você diz coisas que faz a gente pensar. Algumas dessas coisas grudam na nossa cabeça e não saem.

Eu não me lembro mais em que episódio, mas teve um episódio que você falou mais ou menos assim: "Eu já andei por todo esse país e eu garanto que o Brasil não é exatamente o que vemos na mídia. O Brasil é bem melhor do que a imprensa mostra para gente". Certamente você não falou com essas palavras, mas foi assim que a mensagem grudou em mim. Eu lembro que você falou isso quando contou sobre sua experiência no interior da região centro-oeste... e ficou surpreso e encantado com o Brasil que descobriu numa região que, tipicamente, a imprensa insiste em mostrar como atrasada e repleta de más notícias como seca, enchentes, conflitos por terra, exploração de latifundiários, índios explorados, etc. Para coroar o quadro, Brasília fica lá... lá no centro-oeste. Você contou pra gente que descobriu um centro-oeste de progresso, com pessoas preparadas, com tecnologia avançada no trabalho agrícola e uma região encantadora de belezas naturais, com cidades onde as pessoas trabalham dignamente e uma percepção de país muito melhor do que algumas regiões no sul e no sudeste maravilha do nosso país.

Quando você disse que a mídia mostra um país diferente da realidade, parece que a minha ficha caiu, as nuvens se abriram, pois é esta a sensação que eu sempre tive. Porém, sempre pensei que a minha percepção era equivocada. Pensei que o meu otimismo e os meus "belos olhos" insistiam em ver a metade cheia do copo, quando o verdadeiro país é o lado vazio do copo, Não, não, é até mais do que isso, é o lado super vazio do copo, meio o "volume morto", sabe?

Fiquei entusiasmado com aquele rasgo de esperança citado por você de que o nosso Brasil pode ser realmente bem melhor do que vemos todos os dias na TV, nas rádios e nos jornais. Um país onde as notícias podem ser diferentes dos assassinatos, corrupção, serviços públicos deploráveis e vergonha. Um país diferente dos nossos lava-jatos rotineiros.

Estou pensando nisso desde que você falou aquilo. Toda vez que leio a notícia num jornal ou vejo um noticiário na TV, eu penso exatamente no lado cheio do copo. O que pode estar acontecendo de bom que contra diz o que estou ouvindo e assistindo? Confesso também que a minha paciência com a grande mídia brasileira está se esgotando, e por isso busco novas fontes de informação e aprendizado completamente diferente da máquina de moer cérebros da mídia tradicional. Aliás, esta seria uma forma diferente de cada brasileiro ajudar o país: mude a sua fonte de informação, busque alguém diferente, não ligue mais a TV no automático, cancele a sua assinatura de jornal de décadas e procure ouvir outras pessoas com pontos de vista diversos do seu. Saia da mesmice. Sacuda a sua rotina. É por isso que ouço o Café Brasil e muitas outras fontes alternativas que estão ajudando a abrir a minha cabeça.

Seria extraordinário se você pudesse fazer um podcast mostrando o Brasil verdadeiro que não vemos.
Não o Brasil do futuro ou o Brasil dos sonhos. Não o Brasil da desgraça do noticiário ou o Brasil da corrupção que o planeta nos enxerga. Mas o país verdadeiro. Aquele país que desconhecemos. Aquele país que está além da esquina da rua onde moramos.
Falar sobre o brasileiro verdadeiro.
Falar sobre o que acontece por todo esse Brasil gigantesco.

O que sabemos fazer... o que fazemos bem, além do samba, da floresta e do futebol, que nem somos mais tão bons assim.
Não estou falando de mostrar apenas um Brasil progressista... mas um Brasil realista.
Como estamos e quem somos nós quando botamos a cabeça para fora do nosso balde?
Como nos comparamos a Índia, China e Rússia?

Compartilha com a gente a sua visão de país, o que funciona e o que não funciona.
Como cada brasileiro pode ver o lado cheio do copo e como podemos encher cada vez mais esse copo? Mesma que seja com uma gotinha por dia.
Eu sei, eu sei.. você vem fazendo isso ao longo de todos esses anos... nos 10 anos do Café Brasil.
Você cutuca o nosso cérebro o tempo todo, mas conte para nós a sua visão do Brasil de hoje.
Como a imprensa poderia ser realmente contribuidora para tornar o Brasil um país diferente e melhor?

Temos um país de proporções continentais.
Segundo estudos, 15% da água doce do mundo está localizada no Brasil, nos rios e em grandes aquíferos que temos sob nossos pés.
Temos 22% da terra arável do mundo, mas apenas 17% está sendo explorada.
Comparando com o mundo, estamos entre os maiores produtores de grãos, carne, aves, café, chocolate, bebidas, minérios, aço, veículos, produtos de higiene, computadores, smartphones, etc. Eu poderia ficar aqui listando um monte de coisas.
Nós somos o 13o. país em volume de produção científica no mundo.
Somos o 4o. país na produção de energia através de fontes renováveis.
O Brasil lidera o ranking mundial de uso de biomassa na produção de energia.
O nosso povo é pacífico, ordeiro, gosta de trabalhar, é criativo, alegre e ousado.
Sabemos lidar com o improviso como ninguém. E, talvez, isto possa ser mais um problema do que realmente uma virtude, pois sempre nos sentimos seguros para ligar com o improviso. "Não faz mal, a gente vai lá e resolve".
Fala a verdade. É este o país que vemos nos noticiários todos os dias?
Tem alguma coisa errada na equação.

Por que não damos certo como país? Ou estamos dando certo e ninguém sabe?

Fico por aqui com este meu devaneio e na expectativa que você compre o desafio e conte pra gente o verdadeiro Brasil que nós não vemos.

Abraços para você, e os brasileiríssimos Ciça e Lalá.

Obrigado pela gotinha que ajuda a encher o copo todos os dias.

Ahhhhh... o programa que mais gostei nos últimos 10 anos foram 3...
O 436 - The Dark Side of the Moon que foi uma... porrada :)
A obra-prima 275 - Bohemian Rapsody, que é unanimidade...
e o 450, do Tico e do Teco. Desde então, sempre quando tenho que tomar uma decisão, eu coloco os dois para conversarem...

Abraços brasileiros. Mauro Segura


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domingo, 24 de maio de 2015

Você daria emprego para estes caras?

Pegando carona no último post sobre a campanha global da Coca-Cola contra o preconceito, aproveito para republicar um post meu antigo, super conectado com o tema "preconceito".

Uma vez eu publiquei um post chamado "Geração Y: a mais formidável da história da sociedade humana". O post deve ter incomodado pois recebi muitos "feedbacks" de pessoas dizendo que não concordavam com a minha opinião, que a geração Y não é essa coca-cola toda, etc. Eu entendi a reação, afinal eu havia escrito o post para provocar mesmo. O meu ponto era que nós, baby-boomers, em geral, somos preconceituosos e reativos quando falamos da geração Y. Aliás, é comum a geração anterior sentar o pau na geração seguinte.

Veja a foto abaixo. Olhe as figuras.
Me diga se você daria emprego para algum deles. Me diga se você investiria na startup company formada por essas figuras.


Você sabe quem são eles?

Veja quem está no canto inferior, lado esquerdo.
É Bill Gates com 23 anos. O sócio Paul Allen está no canto inferior direito.
O quadro mostra os primeiros funcionários da Microsoft em 1978.
Era uma startup company. O IPO da empresa só ocorreu em 1986.

Meu filho, que é da geração Y, sempre fala o seguinte:
"Aposto que em 78, se você oferecesse uma garagem e uns sanduíches, de vez em quando, pra essa galera trabalhar, eles botavam você como sócio com 10% e hoje você seria multibilionário".

E aí? Vai um sanduíche?



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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Campanha global da Coca-Cola contra o preconceito é um tapa na cara

Não sou muito de publicar campanhas de marketing aqui no blog, mas esta campanha global da Coca-Cola é muito bacana e me encantou.  Eu gosto de tudo que derruba preconceitos e este projeto nos desafia a rever o nosso conceito sobre estereótipos. Acho que o mundo precisa mais destas reflexões.

A campanha inclui filmes comerciais que apresentam personagens que sofrem com a primeira impressão que temos deles. Após este primeiro momento, onde o preconceito impera, o filme nos convida a refletir por mais algum tempo. É um tapa na cara.

O principal vídeo chama-se "Experiment". Nele, voluntários analisam retratos de pessoas desconhecidas e apresentam as primeiras impressões. Veja o que acontece depois.

Outros 2 vídeos relatam casos reais de uma vovó e de uma modelo. Por fim, o último vídeo apresenta um grupo de crianças que tipicamente sofrem bullying. O que está por trás de cada uma delas?

Veja os vídeos e se encante. Esse é um exemplo de como as marcas podem ajudar a sociedade a refletir sobre suas mazelas e desafios. Assim se constroem as grandes marcas.









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quarta-feira, 13 de maio de 2015

IBM é a marca B2B de maior reconhecimento nas mídias sociais


Saiu o B2B Social Media Report 2015 da Brandwatch, que faz um raio-X bem completo do comportamento das empresas B2B no mundo das mídias sociais.

Enquanto as empresas B2C se lançaram rapidamente no mundo das mídias sociais, as empresas B2B têm sido mais cuidadosas, até porque o ambiente de jogo é diferente. Embora as B2B estejam atrás das B2C na curva de adoção das mídias sociais, elas estão desenvolvendo formas originais e poderosas de municiarem as suas decisões com base em "insights sociais" coletados das redes online.

O excelente estudo da Brandwatch analisou a atividade online de 200 empresas B2B, mostrando sua evolução, desenvolvimento e as diversas aplicações e usos das mídias sociais no mundo B2B. Foram mais de 5 milhões de conversas capturadas da web.

Atualmente, 76% das marcas estudadas possuem contas no Twitter e no Facebook.  Em média, a conta no Twitter das marcas líderes B2B tem 47 mil seguidores, já no Facebook a média é de 211 mil fãs por conta. Surpreendentemente, a proporção de marcas com nenhuma conta ou nenhuma atividade no Twitter é muito alto: 42% .

O estudo mostra que as B2B estão cada vez mais presentes e ativas nas mídias sociais. A plataforma mais utilizada é o Twitter, que não favorece muito a conversa com os fãs da marca, já que o Twitter não é a melhor plataforma para o desenvolvimento de diálogos. Apesar disso, várias marcas não usam o Twitter apenas como via de mão única. Interpretando de outra forma, ainda existe um enorme espaço para as B2Bs aumentarem e se aprofundarem nas conversas online. O estudo afirma que as marcas estão perdendo a oportunidade de desenvolver conversas online com seus consumidores a respeito de "customer service", intenção de compra e feedback sobre produtos e serviços. Isso fica mais evidente quando o estudo compara os números das empresas B2B versus as B2C nas mídias sociais. Vale ver no estudo.

As organizações, de forma geral, trabalham com múltiplas contas em cada mídia social, tipicamente Twitter e Facebook. Uma estratégia comum no uso de várias contas é ter uma ou mais contas focadas em engajamento - principalmente na forma de ofertas e notícias da empresa - e outras contas para atendimento ao cliente e recrutamento.

Surge um líder evidente na análise global da frequência de conversas sociais online por país, a IBM, que é a marca mais citada em mais de 100 países. O estudo diz que parte desse sucesso pode ser resultado do uso generalizado dos produtos e serviços da empresa no mundo, mas os esforços consistentes, bem planejados e executados pela IBM nas mídias sociais não pode ser negligenciado. A IBM tem sido uma das empresas B2B com maior presença nas mídias sociais ao longo dos últimos anos, com atuação consistente e inovadora.


A análise global revela que a distribuição de menções reflete a cultura, a geografia e o estado sócio-econômico de cada país. Por exemplo, países ricos em petróleo como a Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos, falam mais sobre marcas de energia, como ExxonMobil , BP e Chevron.

A análise da atuação das B2B no Facebook revela que mais da metade dos posts publicados pelas empresas contém uma foto. As empresas já descobriram que os posts com foto recebem maior engajamento. Da mesma forma, posts com vídeos alcançam ainda mais respostas do que os com foto, recebendo mais comentários do que qualquer outro tipo de post. As B2Bs entenderam que compartilhar contéudo via imagens e vídeos é uma necessidade, possibilitando formas inovadoras de relacionamento, além de aumentar o engajamento com todos os públicos.

Em resumo, vale muito a pena fazer o download e percorrer o estudo. As análises mostram que as B2Bs estão adotando de verdade as mídias sociais em suas estratégias de comunicação, porém ainda estamos apenas no início da jornada.


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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Funcionários desejam ter uma comunicação diferente com os líderes das empresas onde trabalham


Uma vez assumi uma posição executiva numa empresa na qual as coisas estavam muito mal. Logo ao chegar, me surpreendi com o pouco caso do grupo em relação à gravidade dos problemas que os negócios da empresa estavam passando. Não demorou muito para eu descobrir que o problema era muito mais sério. Não havia pouco caso, o que acontecia, de fato, era desconhecimento. Os funcionários não sabiam o que estava se passando. A gestão anterior omitia os fatos e negligenciava a participação dos funcionários no debate dos problemas e desafios e, principalmente, das soluções.

Eu decidi virar a operação de pernas para o ar, e passei a fazer reuniões semanais com todo o time, independentemente da hierarquia. Eu colocava todo mundo no auditório, desde os gerentes mais seniores até os funcionários mais juniores, e abria o livro. Nessas sessões eu apresentava os problemas, os riscos, os números (muito deles super confidenciais) e convidava – na verdade eu convocava – todos, sem exceção, para virarmos o jogo.

Confesso que as reuniões geravam muito desconforto e apreensão nas pessoas. No entanto, a transparência e a honestidade na relação geraram engajamento do grupo, muitos fizeram sacrifícios pessoais doando tempo, cancelando férias, indo além de suas áreas de responsabilidade para ajudar outros do grupo, virando noites e em poucos meses saímos de mares turbulentos e entramos em mares mais calmos. Os resultados vieram. As reuniões de acompanhamento foram diminuindo. Em seu lugar começaram as reuniões de reconhecimento e celebração.

A partir dessa experiência, aprendi a duras penas que comunicação transparente e honesta é fundamental para o sucesso de qualquer grupo e seu líder.

Portanto, não foi por acaso, que um levantamento feito pela Love Mondays apontou reconhecimento e comunicação como as atitudes que os funcionários mais esperam dos presidentes de empresas. Love Mondays é um site que coleta avaliações anônimas de funcionários das empresas onde trabalham.

O Love Mondays perguntou aos seus usuários quais os conselhos que eles gostariam de dar aos presidentes das empresas. O levantamento foi feito de dezembro de 2014 a janeiro de 2015. O site analisou as opiniões de mais de três mil pessoas, procurando descobrir as demandas mais comuns dos colaboradores aos principais líderes das empresas. No final, o portal publicou um ranking com 10 conselhos.

O que me chamou a atenção foi que, entre os cinco primeiros conselhos, três deles estão intimamente conectados à comunicação:

1- dar mais reconhecimento aos funcionários
2- melhor comunicação com os funcionários
3- estar mais informado sobre o dia a dia das empresas

Numa era em que todos nós somos seres super conectados, participantes ativos em múltiplas redes sociais e com smartphones cada vez mais poderosos em nossas mãos, me surpreende o clamor por mais comunicação. Ou seja, tem algo que não está sendo bem feito pelos líderes das empresas. Está faltando comunicar e interagir melhor com os colaboradores.

A fórmula tradicional e antiquada de cartas, emails e revistas internas não está sendo suficiente. Os funcionários querem informação direta, sem intermediários, desejam trocar opiniões, participar de alguma forma e deixar de serem meros coadjuvantes nessa relação com a liderança das empresas. Isso representa uma forma diferente de fazer comunicação corporativa. É por isso que hoje se fala tanto em engajamento. Aliás, já se fala que os CEOs deveriam agir como chief engagement officers e que as organizações de comunicação dentro das empresas têm um papel fundamental nessa tarefa.

Segundo estudo da Hay Group, as empresas que melhor engajam seus funcionários podem ter receitas até 4,5 vezes maiores do que as demais. Por outro lado, conseguir fazer isso está cada vez mais difícil, pois a cabeça dos funcionários mudou muito nos últimos anos. As motivações e valores atuais são diferentes das do passado. Segundo a Hay, essa transformação está acontecendo devido à influência de vários fatores, entre eles, o estilo de vida digital, a convergência tecnológica, as mudanças demográficas, a globalização e o impacto ambiental. Com base nessas tendências e em seus próprios estudos, a Hay identificou os principais desafios que as companhias enfrentam para incentivar e envolver os trabalhadores. Não é surpresa que colaboração e transparência apareçam na lista.

Charlene Li, uma das consultoras mais conhecidas em liderança digital, novas tecnologias sociais e colaboração nas empresas, autora de vários livros best sellers, afirma que os líderes mais engajados e de maior sucesso têm três características em comum: escutam estrategicamente, compartilham informação e se utilizam de formas genuínas de engajamento. Para ela, o líder engajado é um construtor de relacionamentos de valor, dentro e fora das empresas, que rompem a barreira da hierarquia e usam novas formas de interação. Não deixe de ler o excelente artigo chamado "3 Things All Engaged Leaders Have In Common", escrito por Charlene para a FastCompany. Vale muito a pena. O artigo é uma adaptação do recente livro publicado por ela: "The Engaged Leader: A Strategy for Your Digital Transformation".

Numa entrevista para o jornal Valor, Eduardo Gouveia, presidente da Alelo, contou algumas de suas estratégias na busca de melhor interação com sua força de trabalho. Ele faz almoços com funcionários e procura trabalhar em lugares diferentes dentro da empresa para ter chance de conhecer e interagir com mais funcionários. Ele disse que, sempre que pode, vai ao banheiro em andares diferentes do prédio, para circular mais pelos corredores. Essas são formas simples e muito interessantes de melhorar a comunicação interna, mostram um executivo que pensa diferente e que realmente procura interagir com os diversos escalões da empresa. No entanto, essas atitudes devem ser encaradas como ações complementares a algo maior e mais abrangente. Certamente não atende integralmente a demanda e a necessidade de empresas com milhares de funcionários.

Algumas empresas já descobriram que a adoção de mídias sociais internas faz toda a diferença. Pense em uma rede corporativa interna, onde os funcionários podem conversar uns com outros, compartilhar conhecimento e emitir opiniões. Criar um ambiente colaborativo, aberto, transparente e em tempo real é uma necessidade atual. Esta é uma forma interessante de aproximar as lideranças das equipes mais distantes e remotas. Por mais que apareçam opiniões contrárias, minha experiência pessoal mostra claramente que as mídias sociais internas trazem mais produtividade e inovação para as empresas, além de mais satisfação e desenvolvimento para os funcionários.

Existem muito mais benefícios do que riscos na implementação e no uso de mídias sociais pelas empresas: comunicação direta, sem intermediários, quebra da barreira hierárquica, quebra da barreira geográfica, incentivo à inovação e à diversidade, aumento do sentimento de camaradagem e do espírito de equipe, ajuda no entendimento da estratégia da empresa, aumento do senso de pertencimento, cria referências, etc. Eu poderia ficar aqui enumerando muito mais razões.

Por outro lado, a entrada das empresas no mundo das mídias sociais precisa de planejamento, de objetivos definidos e de adequação à cultura da companhia. Não é algo simples, mas está longe de ser complicado. Já existem muitas empresas com histórias de sucesso que merecem ser estudadas, com lições aprendidas e bons exemplos de como fazer.

Os maiores riscos para adoção das mídias sociais nas empresas ainda residem no velho paradigma das empresas desejarem controlar o que rola dentro da empresa. Isso é um sonho impossível. Ninguém controla mais nada. Na era dos smartphones, internet, redes sociais e conectividade total, o controle virou história da carochinha, algo de tempos passados. O tempo agora é de participar e influenciar na conversa em vez de comandar e controlar a conversa. Portanto, esqueça o desejo de inibir a interação aberta entre os funcionários, em vez disso trate de criar ambientes dentro das empresas para as pessoas conversarem cada vez mais, de preferência através dos canais de comunicação da empresa, onde os papos podem ser vistos, acompanhados e compartilhados.

Voltando ao início do post, é este o ambiente que os funcionários desejam. Todos nós queremos ambientes mais transparentes e abertos, onde os líderes falem e compartilhem seus pontos de vistas, percepções, planos, objetivos e até, inseguranças. Ironicamente, a principal barreira para a adoção das mídias sociais pelas empresas continua sendo os executivos. Infelizmente, ainda existe um número significativo de líderes empresariais que não entendem o poder das mídias sociais como ferramenta de comunicação e engajamento dos funcionários. Existem várias barreiras. Fiz uma pesquisa anos atrás e cheguei a 10 principais barreiras, mas o resumo é que a maioria ainda acha que vai perder tempo nas mídias sociais, além de não ter certeza do benefício do diálogo aberto e descontrolado.

Enfim, a comunicação interna dentro das empresas precisa passar por uma transformação gigantesca. Os funcionários estão clamando por mais e melhor comunicação de suas lideranças. Cabe aos CEOs das empresas dedicarem mais tempo em suas agendas para as atividades genuínas de relacionamento com seus times, especialmente usando ferramentas sociais digitais. É tempo de mudança.


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sexta-feira, 24 de abril de 2015

A falta de tempo não é uma desculpa


Dias atrás, numa palestra, eu falei sobre as transformações na carreira de comunicação e marketing. No fim do evento, algumas pessoas vieram falar comigo. Uma jovem disse que havia ficado encucada com algumas das minhas mensagens e que gerei inquietude e desconforto. Respondi que essa era a minha intenção, que todos nós estamos nesse mesmo barco e que, de forma geral, todas as carreiras estão em profunda e acelerada mudança, especialmente por conta da tecnologia em nossas vidas. Ela concordou, mas disse que não sabia como fazer, e soltou uma frase que sempre me incomoda: "Eu não tenho tempo". Dali para frente, sob este argumento, a conversa evoluiu pouco porque tudo se justificava pela falta de tempo.

"O mundo está todo aí para ser aproveitado, depende de você". Isso me foi dito por alguém, anos atrás, quando eu pensava em mudar de carreira. Nunca mais esqueci e foi isso que me veio à cabeça na conversa com a jovem. Como pode uma adolescente me responder que não tem tempo? Muitos reclamam da vida atribulada, alegam compromissos, mas quase sempre as pessoas olham para trás em vez de olhar para frente. Como disse Renato Russo, todos os dias quando acordamos, não temos mais o tempo que passou, mas temos muito tempo, temos todo o tempo do mundo, não temos tempo a perder. Olhemos para frente, façamos com que a nossa vida tome o rumo que desejamos.

Tempo é uma das coisas que todos os seres humanos têm em comum. Não tem discussão, todos nós temos 24 horas por dia. A reclamação de falta de tempo é corriqueira entre todos nós. É um equívoco. Eu tenho 24 horas, você tem 24 horas, o Bill Gates tem 24 horas, o Obama tem 24 horas. O Jorge Paulo Lemann, que é o homem mais rico do Brasil, tem 24 horas. O Paulo Coelho, autor de dezenas de livros com vendas de quase 200 milhões de exemplares, tem 24 horas, e por aí vamos.

Não há saída: somos todos iguais na questão do tempo. No entanto, a diferença é o que fazemos com as 24 horas que recebemos todos os dias.

Não, não, não, este não é um post de autoajuda. É apenas uma reflexão a uma jovem que encostou em mim e alegou que não tem tempo. Num dia de folga você pode decidir comer uma barra de chocolate e fazer a maratona do House of Cards, correr no parque, ler um livro, navegar a esmo no Facebook ou dormir até mais tarde. A decisão é exclusivamente sua. Não pense apenas nas 24 horas de um dia, mas pense num conjunto de dias de 24 horas, pode ser uma semana, um mês, um ano e até um conjunto de anos. Imagine o que você pode conseguir neste tempo. Este tempo é todo seu. Dá para fazer muita coisa. Você tem o livre arbítrio para decidir o que desejar fazer com ele.

Uma amiga sonhou um dia subir o Everest. Claudia juntou dinheiro, treinou, se planejou e conseguiu. Rogerio resolveu correr uma maratona, o que parecia impossível se tornou realidade. Adelino passou 20 anos sonhando em conhecer a Antártida. Depois de muito planejar, ele chegou lá. Minha esposa Regina, aos 40 anos de idade, decidiu fazer o curso de arquitetura e hoje é uma arquiteta de sucesso. Todos nós temos amigos e familiares com histórias incríveis. Faça a sua.

Como disse César Souza, realizar sonhos não é obra do acaso. As pessoas, em geral, vão levando as suas vidas, negligenciando os seus sonhos e vão perdendo lentamente a capacidade de sonhar, muitas vezes esperando que suas vidas mudem de direção a partir de algo inesperado. Tenha certeza de uma coisa: se você não tomar a iniciativa, a chance de mudar é quase nula. Pense para onde deseja ir, quem você quer ser e o que gostaria de fazer. A mudança consciente de direção depende da sua capacidade de tomar atitude, com disciplina e perseverança. Para isso você precisa repensar a forma como consome e planeja o seu tempo, diariamente.

“Quanto mais eu trabalho, mas sorte eu tenho”. A frase de Thomas Jefferson parece se encaixar perfeitamente no que estamos falando. Tome as rédeas de sua vida começando pelo planejamento de cada dia e nas pequenas decisões. Parece simples. E é mesmo. A concretização de seus projetos pessoais depende de suas ações, de sua determinação, de como consome o seu tempo e de suas atividades diárias. Todo mundo têm sonhos e aspirações. O que nos diferencia é que você faz com eles.

Eu deveria ter dito tudo isso para ela naquele dia. Mas não deu. Quem sabe ela passa por aqui e dá uma lida?

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