sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O engodo dos twitters dos presidenciáveis


Como adepto às mídias sociais e comprometido com as recentes eleições governamentais, eu decidi acompanhar no mundo digital a atuação dos candidatos à presidência. Minha expectativa era descobrir o quão genuíno são as declarações e exposições dos candidatos nas redes.


Os debates na TV têm sido decepcionantes. Em vez de uma discussão construtiva e olhando para o futuro, a discussão é destrutiva, rancorosa e com foco no passado obscuro do candidato oponente. Já os programas eleitorais na TV são feitos por marqueteiros e pouco instrutivos. Nas mídias sociais a minha principal atenção ficou no twitter, onde acompanhei as contas @AecioNeves e @dilmabr por mais de duas semanas. Minha expectativa era encontrar uma discussão mais decente, mas não foi isso que encontrei no dia a dia. 

O caso mais incrível foi o debate no SBT em 16 de outubro, onde acusações e leviandades permearam a discussão na TV entre Aécio e Dilma. Uma decepção profunda. Não foi por acaso que os jornais estamparam na primeira página o vale tudo na TV. O surpreendente foi acompanhar o twitter dos dois candidatos, simultaneamente ao debate. Como os candidatos estavam ao vivo na TV, eles certamente não poderiam estar postando tweets na rede, portanto ficou fácil constatar que as contas dos twitters dos candidatos não são genuinamente controlados por eles e sim por outros, certamente os marqueteiros contratados. Mas a decepção maior foi constatar que os "pilotos" dos twitters dos candidatos entraram na onda do bate boca e dispararam acusações um ao outro, como podemos ver abaixo. Uma perda de tempo e um desrespeito aos eleitores e cidadãos brasileiros. O menos pior é o twitter @AecioNeves , porque muitas vezes o texto evidencia que não é o candidato que está escrevendo e está escrito na terceira pessoa. Já o twitter da @dilmabr fica o tempo todo na primeira pessoa, como se fosse a própria candidata escrevendo seus tweets, o que sabemos ser impossível.

Achei interessante a primeira página do O Globo, que ilustra este texto, mostrando fotos dos candidatos olhando smartphones. O que será que eles estavam vendo na telinha? 

Enfim, desisto.


 



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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

4 Estatísticas Assustadoras sobre Engajamento dos Funcionários no Trabalho


Estou estudando o tema "engajamento de funcionários no ambiente de trabalho" e me deparei com 4 estatísticas chocantes.

70% dos trabalhadores não se sentem engajados no trabalho;

75% das pessoas que pedem demissão não estão saindo pela insatisfação que tem pelo seu trabalho, mas sim porque não suportam mais seus chefes;

89% dos empregadores pensam que seus funcionários deixam o emprego para ganhar um salário maior, mas somente 12% mudam de emprego realmente por esse motivo;

Apenas 40% dos funcionários dizem conhecer os objetivos, estratégias e táticas das empresas onde trabalham


Fonte: Upworthy


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terça-feira, 30 de setembro de 2014

A publicidade e a hipocrisia da sociedade

Há alguns anos, fui convidado para dar uma entrevista numa revista conhecida. O fotógrafo, também super conhecido, chegou na minha casa e disse que o editor pediu a ele fotos do tipo "Molico". O circo foi armado e estou convencido que foram as fotos mais lindas que já fizeram de mim. Nunca mais me esqueci disso. Primeiro, porque tenho fotos maravilhosas comigo. Segundo, porque eles fizeram de tudo para construir uma imagem muito mais fantasiosa do que a realidade entregava. Essa história me veio à mente quando li a matéria no Meio&Mensagem comentando uma pesquisa que concluiu que a população brasileira não está preparada para aceitar o homossexualismo na publicidade. Ambas as situações, apesar de serem bem diferentes, demonstram o quanto a publicidade nos leva para um mundo fora da realidade.

Apesar de ser uma conversa sempre polêmica, a verdade é que, na maioria das vezes, a publicidade cria uma realidade inexistente, "vende" sonhos e universos que não existem. Pior mesmo é quando ela fecha os olhos para a realidade e ignora determinadas transformações na sociedade. Um colega meu, há pouco tempo, disse uma frase de impacto numa conversa que tivemos sobre o nosso dia a dia em marketing: "A publicidade espelha a hipocrisia da sociedade". Achei a frase dura, até injusta, mas me tocou e ainda estou pensando nela até agora.

Um estudo recente da JW Thompson revelou que 80% da população brasileira concorda que mostrar casais do mesmo sexo em anúncios reflete a realidade da nossa sociedade hoje. A pesquisa aponta que 77% dos entrevistados não se importam se os protagonistas de mensagens publicitárias são heterossexuais ou gays, e que 68% das pessoas garantem que a presença de casais do mesmo sexo não mudaria a sua decisão de compra do produto anunciado.

Por outro lado, o preconceito aparece forte quando 75% dos entrevistados dizem não se incomodar com a presença de gays na publicidade mas acreditam que muitos outros não iriam gostar. Acho incrível quando 48% dizem não entender a necessidade das marcas mostrarem casais gays em anúncio, e que 36% opinam que anúncios na TV não são lugar para casais do mesmo sexo.

Em resumo: o preconceito surge evidente quando se questiona sobre o incômodo percebido em outras pessoas, que não os respondentes. A população brasileira não está preparada para aceitar casais homossexuais na publicidade. Ponto! A nossa sociedade é preconceituosa e hipócrita, e, infelizmente, nós refletimos isso na publicidade. Até porque uma publicidade mais de vanguarda que adote gays em seus anúncios poderá ter um entendimento equivocado, já que, segundo a pesquisa, 47% da população dizem que marcas que mostram casais do mesmo sexo só querem criar polêmica. Vale lembrar que, quase duas décadas atrás, a Ikea lançou um comercial na TV tradicional norte-americana com um casal gay, o que provocou indignação entre grupos conservadores e uma ameaça de bomba em uma loja. Parece que pouco evoluímos desde então. Vida complicada essa.

Obviamente que existem contribuições formidáveis da publicidade, como por exemplo o projeto "Retratos da Real Beleza" criado pela Ogilvy para a Dove. A publicidade foi muito além do seu papel e gerou uma reflexão a respeito da beleza feminina. Aliás, o compromisso com o tema é antigo, afinal já se passaram dez anos desde que Dove, da Unilever, lançou o conceito "Campanha pela Real Beleza". Esse é um exemplo inquestionável de como a publicidade, coerente e consistente, pode contribuir construtivamente para criar algo significativo e transformador. Sejamos justos aqui: nem sempre é possível exigir uma publicidade transformadora, até porque marquetear o quilo de tomate por 1 real não provoca nenhum impacto, a não ser a motivação de fazer uma macarronada mais molhadinha.

Por outro lado, o caso mais assustador e perverso que me vem à mente é a máquina propagandista desenvolvida pelo nazismo alemão, onde foi criada uma imagem quase messiânica de Hitler, com estratégias modernas e complexas de marketing, possibilitando o engajamento do povo alemão, uma devoção incondicional ao Führer e uma admiração surpreendente à causa nazista. O exemplo não é de publicidade e sim de marketing, que foi tão intenso e eficiente que atingiu todos os níveis da sociedade alemã, perpetuando os famosos 11 princípios da propaganda de Joseph Goebbels, o cérebro desta máquina e um dos braços direitos de Hitler. Enfim, apesar de considerar este episódio como uma exceção extrema, ele não pode ser esquecido.

Marqueteiros dirão que a publicidade faz as pessoas sonharem e viajarem para mundos que elas aspiram. Concordo, acho que é válido, mas existe um lado hipócrita que é vender algo que nunca será alcançado, um sonho impossível, quase sempre inserido num mundo irreal. Será que a publicidade deve mostrar um mundo politicamente correto quando o mundo real é cheio de conflitos, imperfeições e preconceitos? Em épocas passadas, a inclusão de negros, mulheres trabalhando e beijos na boca na publicidade eram tabu. "O primeiro sutiã a gente nunca esquece", de 1987, foi polêmico, mas abriu caminho pois mostrou sensualidade sem vulgaridade. A discussão da inclusão de gays na publicidade atual segue o mesmo caminho do preconceito e da sociedade delirante em aceitar a sua própria evolução. Não é uma discussão simples pois toca elementos conectados com religião, política, cultura, valores e ética.

Não quero ser Poliana e falar de uma publicidade icônica e repleta de idealismo. Não é isso. Porém, a publicidade tem um papel importante na formação da sociedade em que vivemos, nos nossos papéis de consumidor e cidadão. Um exemplo claro dessa missão é o momento que vivemos hoje nas eleições governamentais de 2014, onde o marketing vem sendo protagonista no processo eleitoral. Não foi por acaso que o colega Adilson Xavier escreveu uma matéria de reflexão e desabafo chamada "O Marketing da Bandidagem", refletindo se o marketing político que temos hoje em dia realmente ajuda a melhorar o nosso País.

Será que a publicidade que fazemos tem realmente compromisso com a verdade? Será que o único objetivo da publicidade é vender determinado produto ou eleger determinado candidato? Existe compromisso de fato em fazermos uma publicidade ética e responsável? A publicidade deve espelhar a hipocrisia e o preconceito existente na nossa sociedade ou deve combatê-la? Será que ela deve refletir a sociedade atual ou deve estar à frente do tempo?

Não podemos negligenciar o poder transformador que a publicidade provoca em nossa sociedade, ainda mais em tempo de hiperconectividade e transparência total. Mas é fácil reconhecer que o marketing pode ajudar e mudar o rumo do desenvolvimento da sociedade.

Nunca a publicidade foi tão impactante como agora. Por isso, a responsabilidade aumenta e merece reflexão.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Anunciantes se dizem insatisfeitos com suas agências


O estudo "2014 RSW/US Agency-Marketer Business Report", publicado recentemente, mostra uma evidente insatisfação dos anunciantes com os serviços prestados pelas suas agências parceiras em publicidade e marketing.

A pesquisa foi feita nos Estados Unidos em julho de 2014 e teve o objetivo de avaliar as expectativas dos anunciantes em relação às agências e à percepção das suas principais deficiências. Vale a pena percorrer o relatório pois ele permite insights valiosos sobre a relação anunciante-agência.

O documento apresenta dados interessantes, mas o que me chamou a atenção foi a constatação de que existe uma alta rotatividade dos executivos de novos negócios dentro das agências. Cerca de 80% das agências pesquisadas disseram que o seu diretor de novos negócios têm menos de dois anos na função.

Existem várias razões por trás disso, mas o principal motivo vem das expectativas exageradas que as agências colocam em cima de tais profissionais, que são tratados quase como salvadores da pátria.

Enquanto, nos últimos anos, a pesquisa mostrou que o principal problema era a falta de conhecimento sobre o mundo do marketing e das agências, hoje o problema é mais relacionado com a metodologia: o executivo não está equipado com as ferramentas certas para gerir a prospecção de negócios e clientes de uma forma mais sofisticada. Também não tem os recursos adequados para desenvolver ações mais inteligentes e assertivas. Faltam, ainda, ferramentas de apoio à geração de conteúdo e CRM, assim como diferenciais competitivos e, o mais importante: ele não tem capacidade de manter o trabalho de forma contínua e consistente.

Este último ponto é provavelmente um dos maiores desafios que os executivos enfrentam internamente nos projetos de novos negócios. Ou seja, faltam ferramentas, conhecimento, recursos e continuidade, de forma ampla.

Não por acaso, a pesquisa apontou que 40% dos anunciantes indicaram a falta de embasamento analítico como a principal deficiência das agências no mercado norte-americano. A segunda deficiência mais citada, por 38% dos entrevistados, foi a falta de foco em indicadores de performance (KPIs).

O estudo assusta, porém sejamos justos aqui: os desafios não estão somente no lado das agências, mas também do lado dos anunciantes, que sofrem dos mesmos dilemas com a mesma ou até superior intensidade. A evidência vem de várias fontes. Uma delas é a pesquisa da IBM "Global C-Suite Study", publicada no final do ano passado, na qual 66% dos CMOs disseram que se sentem despreparados para lidar com as mídias sociais e 82% não sabem como trabalhar com Big Data.

Nós, de marketing, ainda carecemos de conhecimento e ferramentas para análise de dados, de ROI e mensuração, em tempo real. Vivemos num mundo cada vez mais tecnológico e analítico, mas ainda continuamos fazendo a gestão do marketing e tomando decisões de investimentos usando powerpoint, excel e imagens congeladas e, pior, usando os mesmos critérios.

Falamos em mobilidade, mas a maioria de nós ainda pensa mobilidade como desenvolvimento de aplicativos para smartphones e tablets, com intuito de replicar nosso negócio físico no mundo digital. Nós ainda não pensamos 100% digital e móvel. Como consumidores, nós consumimos digital quase da mesma forma que consumimos eletricidade, sem sentir, a todo momento e em qualquer lugar. Porém, como gestores de marketing, ainda tratamos o digital como complementar ao mundo físico, ou seja, algo marginal. Existem exceções? Sim, existem, mas são exceções.

O reporte da RSW/US evidencia a nossa frustração em não estarmos fazendo um trabalho decente em marketing nos dias de hoje. Não estamos atendendo os nossos clientes da forma como eles desejam. Estamos devendo. Mais do que os clientes, nós estamos devendo para nós mesmos. Anunciantes e agências estão de mãos dadas nessa jornada de transformação, andando na beira do precipício.

O relatório ajuda a jogar um pouco mais de consciência sobre nós. Precisamos trabalhar melhor, desenvolver novas competências e parcerias, aceitar que precisamos de ajuda e estudar mais, abrir mais a cabeça, investir mais tempo e recursos em novas tecnologias e ferramentas, e aceitar que nosso sucesso dependerá de nossa própria capacidade de evoluir. Já é possível identificar no mercado algumas iniciativas e projetos que sinalizam uma mudança, mas elas ainda aparecem como oásis no deserto. Aceitemos que precisamos fazer um marketing mais analítico e racional, até chato, porém sem perder a essência do marketing que sabemos fazer: emocional, empírico e inspiracional.

Saber caminhar nessa corda bamba determinará o sucesso de todos nós.



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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Você realmente conhece o seu cliente?

Há dois anos, numa conversa com Marcelo Miranda, diretor de marketing da Sky, ele me contou alguns “segredos” que viabilizaram o avanço contundente da empresa nos últimos anos. A Sky vem crescendo dois dígitos ano a ano, tendo dobrado a base de clientes em três anos, alcançando hoje mais de 5,4 milhões de assinantes. Um feito extraordinário. Nada aconteceu por acaso, o aumento veio de planejamento, ousadia, inovação e, principalmente, porque eles passaram a entender melhor o seu cliente.

Me responda: quem é o cliente da Sky? Tipicamente, numa casa de família, o cliente da empresa é o pai ou a mãe, que é pagador da conta, mas na maioria das famílias nem sempre quem paga a conta é o decisor.

Na família moderna, quem decide o que será visto na TV são os filhos. Portanto, numa típica família do século 21, o pai ou mãe paga a conta, mas quem decide são os filhos.

Um dos motivos que permitiu a Sky crescer foi ela conhecer melhor quem é o cliente de cada casa, foi aprender a linguagem das crianças e dos adolescentes, entender a dinâmica no consumo da TV dentro dos lares e iniciar uma conversa com os antigos e os novos interlocutores da marca e do serviço.

Enfim, até anos atrás, eram as operadoras de TV que ofereciam a programação e os consumidores tinham que aceitar o que recebiam. Agora o jogo mudou e são os principais influenciadores da casa que decidem, normalmente os mais jovens. E, a reboque, vem todo o restante de serviços prestados via web e dispositivos móveis, como smartphones e tablets, que são parte do corpo da nova geração.

A história da Sky grudou na minha cabeça e tem um paralelo impressionante com a indústria de TI. A adoção da tecnologia pelas grandes empresas sempre teve o CIO como o protagonista. Ele foi e continua sendo super importante, mas o jogo mudou dentro das empresas. O CIO não é mais o ser soberano que avalia e toma as decisões de TI isoladamente dentro das empresas. O CIO sempre me pareceu um sujeito solitário, que cuida de grandes investimentos e adoção de tecnologia que vai modelar a empresa durante os anos seguintes. São decisões de grande impacto, por isso muitas vezes são decisões complexas e demoradas.

Se olharmos para trás, até a década passada, a TI era algo muito concentrado na operação interna da própria empresa. Em tempos atuais, o CIO praticamente trabalha para atender as necessidades das linhas de negócio. As novas tecnologias emergentes criaram um consumidor e cliente totalmente dependentes de tecnologia. As áreas de marketing e vendas dependem do uso intensivo de tecnologia para interagir com os clientes. Logística e finanças, por exemplo, também se tornaram áreas necessitadas de investimentos pesados em tecnologia.

Ou seja, as decisões de TI dentro das empresas não estão mais somente com o CIO. Quem decide, influencia, pressiona, determina prazos e prioridades não é mais o CIO, mas os seus pares dentro das empresas. A dinâmica mudou completamente. Uma das grandes dificuldades é de linguagem. Não adianta procurar o CMO para falar de servidores ou integração de base de dados, o interesse e a linguagem deles são outros. As prioridades também são diferentes. A velocidade é outra. A cabeça desse pessoal funciona de maneira distinta. E isso também vale para CFOs, COOs, CHROs e outros C-Level.

O paralelo com o caso da SKY é incrivelmente válido. No mundo da TI, os CIOs são os velhos pais, os sábios, que sabem das coisas, tomam decisões racionais e precisam se preocupar com coisas que ninguém imagina. Os jovens são os CMOs, CFOs, CHROs e COOs. São aqueles que precisam de tudo que é novo, tem pressa, sofrem de ansiedade, batem pé, tendo que atender seus anseios e necessidades prementes, sem desculpas ou justificativas complexas. Da mesma maneira que os jovens pedem tudo aos pais, os C-Level também pedem tudo para os CIOs. E, se não são atendidos, vão buscar a saída de outra forma.

É preciso entender essa nova dinâmica, aprender como conversar e se relacionar com cada um deles. Tal qual a Sky, o cliente de TI dentro das empresas mudou. Esse é um dos segredos para que os grandes provedores de tecnologia no mundo corporativo tenham sucesso nessa nova jornada de transformação da tecnologia.

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Eu, Steve Wozniak e o meu TK85

  
Em junho eu tive a chance única de assistir uma palestra ao vivo e tirar uma foto com Steve Wozniak. Foi no CIAB.

Steve Wozniak teve grande influência na minha adolescência. Eu acompanhava tudo que ele fazia no final da década de 70 e no início da década de 80, tenho até hoje recortes de jornais daquela época. Tive, e ainda tenho, um TK85 por conta da minha paixão pelos computadores pessoais, ele foi o culpado pelo início da minha vida profissional como analista de sistemas.

Por ser graduado em eletrotécnica, eu comecei a me interessar por algumas coisas. Lembro, nos anos 70, de ter lido no jornal que nos Estados Unidos era vendido uma espécie de kit com componentes para qualquer um montar seu próprio computador em casa. Era o Altair 8800, que usava um microprocessador 8080 da Intel e tinha apenas 256 bytes de memória. Fiquei louco ao ler essa notícia porque até então computadores para mim eram caixas que pesavam toneladas , inalcançáveis e que só grandes empresas possuíam. Lembro que o preço do Altair girava ao redor de 400 dólares. Acho que o Altair foi verdadeiramente o primeiro computador pessoal vendido em escala para o público, porém ainda era algo incipiente e voltado para os nerds da época, hobbystas e aficionados por eletrônica.

Na década de 70, a famosa revista norte-americana Popular Electronics publicou uma longa matéria sobre o projeto do Altair. Em pouco tempo ele virou uma febre. A partir do Altair alguns fenômenos aconteceram, como o surgimento de um bando de empreendedores e garotos querendo fazer coisas diferentes. Nos jornais brasileiros, que eu lia na época, surgiam alguns nomes que futuramente se tornariam ícones. Bill Gates se juntou a Paul Allen (que era programador na Honeywell) para desenvolver uma versão da linguagem Basic para o Altair, nascendo aí o embrião da Microsoft. No final da década apareceram projetos e nomes mágicos de computadores como Commodore, Radio Shack TRS-80, Atari e outros. Em paralelo, uma dupla de Steves - Steve Jobs e Steve Wozniak - criavam a Apple e tiravam do papel um dos projetos mais importantes da história da tecnologia que foi o Apple II, projeto de hardware plenamente concebido por Steve Wozniak. Eu ficava enlouquecido com todas as notícias que pipocavam nos cantinhos dos jornais impressos, já que estas notícias eram importantes mas não suficientemente entendidas pelo povo.

Em 1979, já formado em eletrotécnica, eu entrava na IBM como técnico de hardware. Parecia um sonho. Eu entrava na maior empresa de informática do mundo (na época a gente usava o termo "informática" e não "tecnologia da informação"). Meu trabalho me permitia "navegar" nos grandes CPDs, fazendo manutenção nas máquinas leitoras e perfuradoras de cartão de papel, terminais de vídeo e impressoras. Eu adorava, mas continuava com a cabeça nos tais microcomputadores. Sonhava em ter um destes na minha casa.

Na minha visão, o microcomputador só se transformou em um negócio de proporções mundiais quando 4 fatos aconteceram.

O primeiro foi quando um inglês chamado Clive Sinclair criou um microcomputador super barato, nomeado  ZX80, com 1 Kb de RAM, 4 Kb de ROM e um Basic bem simples. O ZX80 vendeu bem, mas a explosão aconteceu com o ZX81, que era uma evolução do anterior e com o preço ainda bem barato. Mais de 1 milhão de equipamentos foram vendidos, um verdadeiro fenômeno. Nesta época o Brasil vivia a época da reserva de mercado de informática que impedia as empresas estrangeiras de comercializarem seus computadores no país. Por isso, a Sinclair não entrou no mercado brasileiro e começaram a surgir empresas no país criando máquinas baseadas nos equipamentos ZX80 e ZX81. Todos os brasileiros que sonhavam em ter um Sinclair, como eu, tinham a única opção de partir para uma cópia nacional, basicamente dominado em primeira instância pela Microdigital (TK80, TK82, TK82-C, TK83 e TK85) e pela Prológica (NE-Z80, CP-200 e CP-500), em menor escala haviam a Engebrás (AS-1000) e Ritas do Brasil (Ringo). Lembro que eu passei um tempão entre comprar um Ringo e um TK, mas no final acabei optando pelo TK pois o nome Microdigital me parecia um nome mais forte no mercado.

O segundo fato foi a criação do Apple II. É bem verdade que a história da Apple começa com o Apple I, lançado em 1976, que já tinha um monitor gráfico para interagir com o usuário. O sucesso da máquina foi significativo e em 1979 a empresa lançou o Apple II, projeto ousado da imaginação de Steve Jobs e da incrível capacidade de engenharia de Steve Wozniak. O Apple II tinha um padrão próprio, usava uma unidade de disco flexível bem econômica e introduzia a primeira planilha eletrônica: o VisiCalc. De repente surgiu um propósito e um valor real para o uso do computador pessoal pelas empresas e pelos homens de negócio. A Apple avançou e outros equipamentos foram lançados, como o Lisa (1983) e o Macintosh (1984), os primeiros a usar mouse e interface gráfica como conhecemos hoje.

O terceiro fato foi a decisão da IBM de entrar no mercado de microcomputadores. Uma das decisões mais importantes foi utilizar componentes básicos e um sistema operacional de fontes externas. A empresa, tradicional fabricante de grandes  computadores, vislumbrou uma oportunidade única e então se enfiou no desenvolvimento de uma máquina revolucionária. Optou pelo processador Intel 8088, incríveis 64Kb de RAM e uma unidade de disco flexível de 160KB. No dia 12 de agosto de 1981, quase um ano após o início do projeto, a IBM apresentou o IBM Personal Computer, mas conhecido como IBM PC. Inicialmente, ele foi comercializado nos EUA pelas lojas Computerland e Sears, mas depois invadiu as lojas de departamento, ficando próximo dos eletrodomésticos. A empresa carimbou o termo PC que virou sinônimo de microcomputador a partir daquele dia. Em pouco tempo as máquinas invadiam os lares e as empresas americanas. Pela primeira vez um microcomputador tinha a retaguarda de uma grande empresa de alcance mundial, sinônimo de excepcional prestação de serviço e bom atendimento ao cliente. Foi o passo para o mercado explodir e virar algo realmente sério. A partir daí novos modelos foram lançados e o IBM PC virou padrão de mercado.

O quarto importante fato foi a Microsoft e Bill Gates. O software como conhecemos hoje, fácil de usar e programável, veio das mãos de Gates e seu time. Ele foi o criador do MS-DOS que era o sistema operacional nativo do IBM PC. Depois surgiu o Windows com suas janelas. O software da Microsoft não foi adotado apenas pelo IBM PC, mas por todos os outros fabricantes de microcomputadores, tornando-se padrão mundial. De repente, o centro das atenções passava a ser o software e não o hardware. Começou a surgir um número incalculável de desenvolvedores de aplicativos para rodar no Windows, transformando a Microsoft no gigante de software que conhecemos hoje.

Steve Wozniak faz parte dos grandes nomes que transformaram a sociedade. Ele faz parte de uma lista seleta de nomes que permitiram saltos quânticos na tecnologia e que mudaram a forma como vivemos hoje. Thomas Watson pai e Thomas Watson Jr foram os fundadores da IBM e criaram os computadores como os conhecemos hoje em dia. Bill Gates criou a Microsoft e com o Windows transformou o PC numa ferramenta de trabalho de todos nós. Steve Wozniak e Steve Jobs criaram a Apple. Esses são nomes ícones, verdadeiros gênios e empreendedores.

Enfim, esse é o cara! Tinha que ter uma foto com ele.

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sábado, 30 de agosto de 2014

O pijama, a Zara e a lição

Uma vez, numa reunião de trabalho anos atrás com pessoas de diversas empresas, alguém disse que "trabalhar com marketing e comunicação é uma arte. Você pensa que está comunicando e sendo claro no seu objetivo, mas o público pode estar interpretando algo completamente diferente e vendo algo que você não vê". Nunca mais me esqueci disso.

O fato ocorrido recentemente com a Zara é um bom exemplo. Alguns consideram negligência, outros apenas uma coincidência sem importância. O fato é que a Zara anunciou a suspensão da venda de um pijama infantil que lembra as roupas usadas pelos judeus nas prisões nazistas na segunda guerra mundial. A peça tinha listras horizontais azuis e brancas e uma estrela amarela tipo "xerife" com seis pontas, era destinada a crianças e estava a venda no Zara.com e em muitas lojas físicas na Europa, em países como França, Dinamarca e Suécia. O preço era 10,95 euros.

A Zara declarou que o novo pijama foi inspirado em xerifes e na cultura do faroeste, mas o fato é que a camiseta e a estrela de seis pontas eram realmente similares aos uniformes dos judeus presos nos campos de concentração. A semelhança perturba. Veja a imagem (retirada da matéria publicada na veja.com).



A reação começou lenta nas redes sociais e rapidamente ganhou corpo e volume. Os comentários se transformaram em indignações e a Zara decidiu não bancar o risco e mandou recolher e suspender as vendas do pijama. No Twitter, a empresa assumiu a dupla interpretação da peça: "Nós honestamente nos desculpamos. Ela foi inspirada nas estrelas dos xerifes dos filmes clássicos de Western. Ela não está mais disponível em nossas lojas", escreveu. Segundo a Exame, um comunicado oficial da empresa foi emitido: "Podemos compreender o contexto sensível e conotação em que foi criado. Pedimos sinceras desculpas se, como resultado, ofendemos os sentimentos dos nossos clientes".

A Zara já tinha sofrido um problema anos atrás quando foi acusada de vender uma bolsa bordada com a suástica. A empresa espanhola se defendeu alegando não ter notado este símbolo apropriado pelos nazistas em um artigo produzido por um dos seus fornecedores. Ou seja, a Zara já era gato escaldado neste tipo de situação.

Eu não tenho dúvida que ocorreu uma coincidência, mas também tenho certeza que pessoas dentro da empresa devem ter identificado o risco em algum momento, mas provavelmente depois da peça ter sido produzida e distribuída nas lojas. Pelos elementos que tenho conhecimento, a ação da varejista foi rápida e cirúrgica, retirando as peças e removendo tudo a respeito em seus sites na web. Ou seja, fez o que se espera de uma empresa que respeita a opinião pública.

Fica a lição de que em tempos de redes sociais e transparência total, nada escapa dos consumidores e cidadãos. Cabe as empresas ficarem atentas para ouvirem o que sociedade fala e agirem rapidamente, sabendo reconhecer suas falhas, omissões, pedindo desculpas, dialogando e tomando ações de correção de rota. As vezes falar com o mercado é igual atirar com uma arma descalibrada. A gente atira no que vê e acerta no que não vê.

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

FutureBrand: o ranking das marcas de futuro


Em julho, circulou o anúncio da publicação do estudo da FutureBrand que apresenta o ranking das 100 marcas mais poderosas do mundo. Mais importante do que o ranking em si, o relatório traz importantes reflexões sobre os atributos que moldam uma marca. Para quem gosta e estuda o tema, vale imprimir o documento por inteiro e percorrer todo o conteúdo.

Nas minhas palavras, "future brand" é uma marca que tem alta probabilidade de obter sucesso no futuro, e não apenas uma marca que é forte agora, pois detém atributos e gera percepções bem balanceadas, permitindo uma experiência única a seu cliente e um claro e evidente senso de propósito.

Uma "future brand", ou uma marca de futuro, gera uma forte conexão emocional com o seu cliente e admirador, uma experiência positiva e consistente em cada contato, gera sentimento de respeito e satisfação, é autêntica e inspiradora, está comprometida com um futuro sustentável, é única e impossível de ser copiada.

Segundo o estudo, as pessoas querem comprar produtos e serviços dessas empresas diferenciadas, aceitando até pagar mais por eles, e também as consideram “empresas dos sonhos” para se trabalhar.

O relatório teve origem na pesquisa realizada com mais de três mil consumidores de 17 países, incluindo o Brasil. Uma curiosidade é que entre as 10 primeiras marcas no ranking, cinco são da área de tecnologia: Google (1ª), Microsoft (2ª), Apple (4ª), Intel (6ª) e IBM (10ª). Outra curiosidade é que a IBM é a única marca B2B entre as dez primeiras. Duas marcas brasileiras aparecem no ranking: Ambev (27ª) e Petrobras (60ª). Veja a lista das 40 primeiras no final desse post.

Diferentemente da BrandZ e da Interbrand, que são excepcionais estudos de ranking de marcas com foco no presente, o FutureBrand olha para o futuro, por isso algumas marcas fortes atuais quase desaparecem no ranking. Isso fica evidente ao constatarmos que apenas 22 das 100 marcas de maior valor de mercado aparecem no Future Brand.

A metodologia criada para definir uma "future brand" considera 18 atributos específicos dentro das dimensões "propósito" e "experiência". A pontuação absoluta alcançada por cada marca nestas dimensões e atributos permitiu classificar cada marca em quatro topologias:

Corporate Brands: organizações que têm baixas percepções nas dimensões "propósito" e "experiência" e que falham nas categorias de experiência e admiração. Exemplos: 3M, Walmart e Amazon.com.

Purpose Brands: organizações cuja percepção está fortemente baseada em atributos relacionados a propósito, inspiração, autenticidade, inovação, "though leadership", individualidade, indispensabilidade, gestão de recursos e preço diferenciado. Exemplos: Oracle e Gilead Sciences.

Experience Brands: organização cuja percepção está fortemente centrada nos atributos personalidade, história, conexão, consistência, incomparável, pessoas, prazer, bem estar e respeito. Exemplo: Coca-Cola e AmBev.

Future Brands: organizações com fortes percepções de propósito e experiência, que são vistas como as marcas com maior garantia de sucesso futuro. Esse é o ranking FutureBrand.

O ranking mostra que performance financeira ou sucesso no passado não é garantia de uma marca forte no futuro, que o valor percebido das marcas varia bastante e que o fato da marca ser muito conhecida nem sempre representa uma marca forte.

Faça uma análise das marcas de seu relacionamento e tente imaginar onde elas aparecem no ranking. Mas como disse antes, não deixe de ler o estudo, pois ele faz pensar.




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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Lições de um blogueiro: o que aprendi em 6 anos blogando


O blog A Quinta Onda completou seis anos. Eu ia deixar passar em branco, mas o post "Reputação Digital e seu blog, uma relação de longo prazo", publicado pelo Flavio no Explora! , me motivou a escrever algo. As lições que ele cita são muito pertinentes.

Vários colegas me perguntam porque eu continuo blogando até hoje. A verdade é
que eu não blogo para os outros, eu blogo para mim. A obrigação de blogar me empurra para frente, me faz estudar e refletir, estimula a minha capacidade de olhar as coisas por diversos ângulos e me pressiona a desenvolver uma melhor capacidade de argumentação, especialmente na escrita. Como bônus, eu desenvolvo relacionamentos na web, crio identidade própria e reputação digital, compartilho conhecimento e ganho relevância.

Eu já escrevi sobre o início do meu blog, mas não me lembro de ter escrito sobre o que aprendi com ele. O post do Flavio, mais uma vez, me estimulou a refletir sobre isso. Eis algumas coisas que aprendi.

  • Estabeleça uma regularidade para escrever. Criar o compromisso consigo mesmo é fundamental.
  • Evite ser apenas factual. O maior valor para as pessoas é saber a sua opinião pessoal e os seus pontos de vista sobre qualquer assunto.
  • Conte histórias, de preferência, pessoais.
  • Compartilhe conhecimento. Se você aprendeu algo de valor e que acredita ser importante para as pessoas, então compartilhe. Conteúdo de valor será sempre bem recebido por todos.
  • Pense bem antes de postar. A web é cruel. Uma vez postado, você nunca mais apaga. Você pode até deletar depois, mas a chance de alguém ter lido, copiado ou propagado algo é sempre significativa. Portanto, pense no que publica. Aprendi que publicar por impulso, especialmente se o assunto for polêmico, pode ser bem ruim. Eu já me arrependi várias vezes de coisas que publiquei, de comentários que fiz e de posições que assumi. Hoje, na maioria das vezes, escrevo algo num dia, mas somente publico no dia seguinte.
  • Recheie seu texto com links e referências. Compartilhe as suas fontes, esta é a essência das redes sociais.
  • Agregue fotos, vídeos e outros recursos. Isso enriquece o conteúdo, dá mais leveza e brilho, além de estimular a leitura.
  • Dê atenção aos comentários que recebe no blog. Converse com seus leitores, aceitando bem as críticas, sugestões ou diversidade de opiniões. Isto faz parte do jogo de blogar.
  • Acompanhe a evolução do número de seguidores e comentários, mas não sofra por isso. O acompanhamento vai ajudar você a entender o que as pessoas mais gostam e valorizam.
  • Esqueça a eterna preocupação com a qualidade do texto. Você não precisa ser um acadêmico ou perfeccionista. A escrita vai evoluir com o tempo. Use o corretor ortográfico e siga em frente. O que importa é o conteúdo.
  • Evite copiar texto dos outros. Muitas vezes, ao elaborarmos um texto, sentimos uma enorme vontade de copiar um trecho escrito por alguém para reforçar um ponto ou outro. Se achar que isso é necessário e inevitável, não tem problema, copie e cite a fonte. Só não faça isso o tempo todo.
  • Não fique acanhado de divulgar os seus posts. Use as redes sociais para isso. Fale com amigos mais chegados para repercutir os seus posts se eles gostarem. Parece óbvio, mas conheço pessoas que ficam acanhadas de divulgar o que escrevem ou pedir apoio.
  • Siga outros blogueiros. Aprendi muito com outros bons blogueiros, além de serem boas referências, alguns se tornaram bons amigos virtuais.
Enfim, estes são aprendizados que fui adquirindo ao longo do tempo. Muitos são óbvios, mas adotei-os como uma cartilha e, hoje, me considero um bom blogueiro. Não é por acaso que, além do meu próprio blog, também sou blogueiro no Meio&Mensagem e no Brasil Post, dois veículos respeitados e de grande alcance.


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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O melhor presente dos pais é o sucesso dos filhos na vida profissional

Conheço executivos muito bem sucedidos em suas carreiras que tremeram e enfrentaram enormes dificuldades para ajudar os filhos no início da vida profissional. Nessa hora, todos somos iguais, né? Não adianta doutorado em Harvard e liderar milhares de funcionários. Muito do aprendizado executivo acaba não funcionando tão bem dentro de casa.

As coisas no passado eram mais difíceis. Os jovens tinham muito mais dificuldade para obter informações a respeito das profissões e especializações. Esse processo dependia muito do interesse e da iniciativa dos estudantes, que tinham que sair em campo para caçar informações, conhecer as novas carreiras e entender o que valia pena. Lembro do "velho" teste vocacional, que nunca foi algo que me cativou muito na minha época. Aliás, se dependesse dele, eu teria estudado geografia e seria um provável bibliotecário.

A realidade atual é diferente. O mundo interconectado e aberto facilitou muito. A informação chega até dentro de casa via internet e outros canais de comunicação. Aliás, os estudantes são bombardeados por todos os lados. O que não mudou foi a necessidade absoluta da iniciativa e curiosidade dos jovens para entender as opções, ouvir conselhos de diversas fontes e trocar ideias. É aí, exatamente neste ponto, que os pais podem ajudar muito os seus filhos.

Esse post tem origem na minha própria experiência. Tenho dois filhos, ambos estão no início de suas vidas profissionais, a fase de dúvidas e dilemas já diminuiu um pouco em relação aos anos anteriores, mas os questionamentos e reflexões sempre aparecem. Os passos abaixo vêm do meu aprendizado prático e, certamente, dos conselhos de amigos e colegas que já passaram pela mesma experiência.

1. Entenda o que é o sucesso para ele
Um ponto importante é não colocar a sua expectativa de sucesso em cima de seu filho. O sucesso é relativo. O que é sucesso para você pode não ser necessariamente para ele.

2. Evite ser assertivo
Não seja afirmativo o tempo todo, afinal, conselhos muito pragmáticos poderão pressioná-lo numa direção que talvez não seja a decisão que bate no coração dele.

3. Tenha um papo aberto
O seu papel mais importante será criar um ambiente para troca de ideias, de bate-papo aberto, sem posições certas ou erradas.

4. Ouça mais do que fala
Instigue seu filho para falar de suas angústias, indecisões e interesses. Muito provavelmente as aflições dele serão bem diferentes das que você tinha quando jovem, portanto mantenha o coração aberto nestes papos.

5. Incentive-se a buscar informações
Inventive seu filho para buscar informações sobre carreira e profissões, além de motivá-lo para falar com mais pessoas, inclusive alguns amigos seus. Facilite esse caminho.

6. Não faça o trabalho pelo seu filho
Por favor não faça a pesquisa de informações pelo seu filho. Isso é responsabilidade dele. Se ele realmente estiver motivado e interessado, você não precisará fazer nada. Ele vai procurar você com todos os dados nas mãos.

7. Ajude-o a descobrir suas habilidades naturais
Motive-o a fazer uma auto reflexão para imaginar que tipo de trabalho futuro mais lhe agrada. Nestas horas, olhar para sua própria rotina e satisfações pessoais pode ajudar a encontrar o caminho.

8. Esteja sempre disponível para dialogar
Estar disponível para dialogar será uma bênção para o seu filho. Ele poderá viver grandes momentos de indecisão, se aproximando e se afastando da decisão final.

9. Tenha paciência, ele precisa de tempo
Ter paciência vai ajudá-lo bastante. Nestas horas sua principal missão será incentivá-lo a continuar pensando e conversando. Faça ele se auto questionar. Não tenha pressa.

10. Aceite bem o empreendedorismo
O futuro do mercado de trabalho sinaliza que cada vez mais os trabalhadores serão empreendedores. O primeiro momento de empreendedorismo de seu filho será esse começo de vida profissional. Conversas francas, sem paradigmas, mente aberta e visão flexível é a maior contribuição que você pode dar para seu filhos nos primeiros passos de sua carreira.

Uma outra recomendação adicional seria não se preocupar se ele escolher a mesma profissão que você, mesmo que você sinta no íntimo que ele foi influenciado por você. A maior preocupação é você estar tranquilo com sua consciência de que ele escolheu o caminho por iniciativa e decisão própria.

Enfim, apesar dessa nova geração estar muito mais informada e madura sobre carreira, os jovens ainda tem a mesma insegurança e angústia que tínhamos quando adolescentes. Imaginar o que gostaríamos de ter recebido na nossa época pode servir de inspiração para nossa preparação de conversa com nossos filhos. Só na esqueça de uma coisa: o mundo passa por grandes transformações na sociedade, onde o trabalhador de emprego perene e 35 anos de serviço está destinado a desaparecer para sempre, ou seja, o sucesso profissional não mais será o salário fixo no final do mês.

As palavras de ordem são: empreendedorismo e satisfação pessoal.


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