domingo, 22 de fevereiro de 2015

Uma visão dos jovens sobre as mídias sociais


O meu blog A Quinta Onda tem mais de seis anos de vida. Já publiquei mais de 500 posts, mas o mais lido continua sendo um post que publiquei em 2010, que é uma entrevista que fiz com um adolescente sobre o ambiente da sala de aula.

A conversa foi dura, o rapaz estava insatisfeito com o curso, carregava as aulas como um fardo e encarava a sala de aula com muito sacrifício. Foi uma declaração polêmica, e talvez isso justifique o impressionante número de acessos que este post ainda tem até hoje.

Dias atrás me chegou um post onde um jovem de 19 anos compartilha o seu ponto de vista sobre diversas redes sociais. Ele vive nos Estados Unidos e estuda na Universidade do Texas, em Austin.

Da mesma forma que as pessoas adoraram a entrevista que eu publiquei, eu também adorei ler o depoimento deste jovem. Existe uma magia quando as pessoas abrem seus segredos e suas percepções, falam de forma genuína e são honestas com elas mesmas.

O adolescente não cita nenhum estudo ou pesquisa, o que ele escreve é a sua percepção pessoal e ponto de vista, mas também fala pelo seu grupo de amigos. Eis as coisas que me chamaram atenção.

Facebook
Ele diz que o Facebook "está morto", porém, ironicamente, me pareceu ser a rede social mais usada por ele e pelos seus amigos. Ele diz que precisa estar no Facebook pois é onde todos estão. Existe uma espécie de pressão social atrás da questão: "Todos estão no Facebook, por que não você?". Ele afirma que a funcionalidade de grupo funciona bem nesta rede social e isto caracteriza um dos principais usos da rede. O uso do "messaging" do Facebook é frequente entre os jovens de sua idade. O resumo é que ele usa intensamente o Facebook, mas não curte, apesar de ser onde as coisas acontecem e onde ele sabe das coisas. Por fim, me passou a percepção de achar o Facebook poluído demais, inclusive por publicidade.

Instagram
Segundo ele, o Instagram é, de longe, a rede mais usada pelos jovens da sua idade. No Instagram, ele não se sente pressionado por ter que seguir alguém de volta. Ele diz que o conteúdo desta rede tem mais qualidade do que nas outras, além dela não ter sido ainda inundada pela geração mais velha. Outro ponto citado é que as pessoas não postam 10 mil vezes por dia, permitindo mais qualidade no conteúdo publicado. Não existem links no Instagram, o que significa que ele não é constantemente bombardeado por publicidade. Enfim, ele afirma que o Instagram é mais seletivo e que as pessoas investem mais tempo para serem relevantes e divertidas no que publicam.

Twitter
Ele acha confuso e não entende muito bem o propósito do Twitter. Não é um lugar que permite achar amigos facilmente. Diz que o Twitter é um lugar para seguir ou ser seguido por um grupo randômico de estranhos, e que há três principais grupos de usuários: aqueles que o utilizam para reclamar/expressar-se, aqueles que postam com a suposição de que o seu potencial empregador acabará por ver o que eles estão dizendo, e os que simplesmente olham para outros tweets e fazem um RT ocasional.

Snapchat
O Snapchat está rapidamente se tornando a mídia social mais usada, segundo ele. Parece que é onde ele se sente mais a vontade, quando afirma que "é onde realmente podemos ser nós mesmos e conectados com a nossa identidade social". Não existe a pressão social de uma contagem de seguidores e amigos, como no Facebook. Ele diz que é uma rede onde "eu não estou constantemente tendo pessoas aleatórias na minha frente pedindo atenção", um ambiente mais íntimo de amigos onde você não se importa se os seus amigos estão vendo você se divertindo numa festa. Em resumo, o Snapchat, na visão dele, é onde você pode ser mais você mesmo.

Tumblr
Ele foi lacônico. Para ele, o Tumblr é um lugar para seguir ou ser seguido por um grupo randômico de estranhos, sem que você se identifique. Ou seja, parece ser algo além do Twitter, na visão dele. Ele diz que o Tumblr é como uma sociedade secreta em que todos estão, mas ninguém fala a respeito. Esta é uma rede onde você se cerca (através de quem você segue) de pessoas que têm interesses semelhantes. É muitas vezes visto como uma "zona livre de julgamento" em que, devido à falta de identidade no site, você pode realmente ser quem você quer ser.

LinkedIn
O LinkedIn soa como uma obrigação para ele. Ele tem que estar lá. Ele diz que muitos esperam até a faculdade para entrar nesta rede. Esta não é uma rede interessante para ele no momento, mas entende que não pode fugir dela.

WhatsApp
Ele diz que o WhatsApp é baixado quando você vai para o exterior. Você usa o aplicativo lá fora, mas depois volta para o iMessage ou o Messenger do Facebook. Ele diz conhecer muitas pessoas que se comunicam com pessoas fora do país através desse aplicativo, especialmente estudantes.

YouTube
Ele considera que o YouTube é uma rede que mudou o mundo. Todo mundo usa. Ele tem amigos que visitam diariamente esta rede e que é quase impossível ignorar o YouTube. O conteúdo não é apenas entretenimento, mas tem muita coisa útil, diz ele, citando já ter usado o YouTube para complementar algumas aulas onde precisava de ajuda para entender algo. Achei interessante, e não me surpreendeu, quando ele afirma que o YouTube vem substituindo o tempo que ele gasta assistindo TV, especialmente pela alta qualidade no conteúdo.

Google+
Ele diz que, pessoalmente, não conhece ninguém que usa ativamente o Google+. Fala que já ouviu de alguns amigos que o Google+ é muito bom para fotos e hangouts. Diz que os únicos amigos dele no Google+ são aqueles que estão mais interessados em tecnologia. Ele, pessoalmente, abandonou o serviço porque achou difícil e cansativo categorizar cada pessoa em diferentes "círculos" e, em seguida, manter o controle de todos esses grupos. Segundo ele, tal como está hoje, o Google+ é uma plataforma que está fora do radar. Ele diz ter esperança no futuro desta rede e está interessado em ver para qual direção ela vai.

Ele analisa outras mídias sociais em seu depoimento. Vale a pena ler todo o artigo "A Teenarge's View on Social media", entender como a cabeça dele funciona, ver os adjetivos que usa e o que está por trás das palavras. Acho que ele representa muito bem os adolescentes. Não é apenas uma visão norte-americana, apesar de que o cenário de mídias sociais nos Estados Unidos é diferente de outras partes do planeta.

Enfim, ele é o nosso futuro consumidor, trabalhador, vizinho da rua e... cidadão.



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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

10 coisas que vão desaparecer das nossas vidas nos próximos anos

APARELHO DE FAX
Acredite ou não, mas ele ainda existe em muitos escritórios. Esse já pode ser considerado um dinossauro.



TELEFONE FIXO
Por que precisamos de telefones fixos se já existem mais de 7 bilhões de celulares no mundo? O futuro é dos dispositivos móveis em nossas mãos para toda e qualquer tipo de comunicação, inclusive no trabalho.

CD, DVD e Blu Ray
Eles surgiram como uma grande revolução e mataram os LPs e as fitas magnéticas de áudio e vídeo. Eles desaparecerão junto com os aparelhos que tocam essa mídia. O futuro é do conteúdo armazenado e distribuído na nuvem da internet.

PEN DRIVE
Para que precisamos de pen drive se iremos armazenar tudo na nuvem?


MOUSE
O futuro são as telas sensíveis ao toque e outras tecnologias de interação inteligente com as máquinas, já existentes nos smartphones, PCs e tablets.

PC
Os nomes PC e computador já não fazem mais sentido. Eles desaparecerão das nossas vidas. O desktop vira peça de museu e o notebook vai evoluir para outro tipo de dispositivo.

IDENTIFICAÇÃO E SENHA
Vamos nos livrar definitivamente do sofrimento de memorizar identificação e senha para acessar as coisas. Tudo será feito por biometria.

CABOS
Os cabos que interligam tudo tendem a reduzir ou desaparecer. Tudo será conectado por tecnologias de transmissão sem fio. Será o fim daquela bagunça de fios atrás dos nossos equipamentos.

CONTROLE REMOTO
Será substituído por apps para tablets e smartphones ou por sensores de movimento, aliás, já presentes em modelos mais novos de Smart TV.

INTERNET
Em breve não falaremos mais a palavra "internet". Ela estará tão integrada e inserida na rotina de nossas vidas, como acontece com a eletricidade, que nem sentiremos mais a sua presença no dia a dia. A internet da coisas será a evidência disso.

E aí? Na sua opinião o que mais vai desaparecer nos próximos anos?


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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Mídias sociais podem fazer mal para a saúde e para o bolso, tudo depende de como você usa

Tempos atrás escrevi um post analisando os males causados pelas mídias sociais, especialmente o Facebook e o Instagram. Existem pesquisas e estudos que evidenciam isso. A questão não são as mídias sociais em si, mas a forma como você usa e consome tais redes.

Um dos estudos afirma que o "consumo passivo" dos posts dos seus amigos no Facebook está fortemente relacionado a sentimentos de solidão e depressão. As pessoas se sentem frustradas ao rolar as telas do Facebook e se depararem com pessoas felizes, viajando e alcançando coisas legais. É quase uma espécie de "tortura mental". Saiba mais no post "Facebook e Instagram fazem mal para a saúde".

Uma pesquisa feita na Inglaterra concluiu que o excesso de fotos publicadas no Facebook pode prejudicar os relacionamentos na vida real. Os pesquisadores afirmam que as pessoas parecem não se relacionar bem com quem compartilha muitas fotos de si, com exceção dos parentes e amigos muito próximos. Em resumo: quanto mais fotos você publica, maior o risco de prejudicar o relacionamento com alguém.

Já um estudo publicado em 2012, pela Columbia Business School e pela Universidade de Pittsburgh, apontou que usuários de Facebook são mais propensos a seguir impulsos consumistas e a engordar. O conceito é simples: as pessoas se sentem relaxadas no Facebook, por isso elas se controlam menos e se permitem extrapolar em algumas coisas.

Os pesquisadores perguntaram aos entrevistados sobre o tempo que passam conectados ao Facebook. Adivinha? Os mais gordinhos sempre gastavam mais tempo, todos os dias, com o Facebook. Por isso que a Super Interessante, ao publicar matéria sobre esse estudo, usou o dramático título: "Facebook te deixa mais pobre e gordo".

Agora surge um novo estudo, mais um trabalho da Universidade de Pittsburgh, afirmando que usuários frequentes de Facebook tendem a ter níveis mais elevados de endividamento com cartões de crédito e menor pontuação de crédito. Isso acontece porque as mídias sociais podem estar desencorajando o autocontrole financeiro e criando impulsos consumistas.

Ao ver fotos e posts de seus amigos nas redes sociais se divertindo, viajando e conquistando coisas, você se sente impelido a fazer as mesmas coisas, até mesmo para se sentir parte daquele grupo social e mostrar que você também é capaz.

O artigo "How to avoid the high price of social media envy" publicado na Reuters faz uma boa análise desse cenário. É evidente que as mídias sociais estimulam nossos desejos, nossas decisões e nossos gastos. Existem muitos estudos afirmando que as redes sociais têm forte influência nas decisões de compra dos usuários, ou seja, elas tocam no "botãozinho" do consumo dentro da gente. Fiquei surpreso ao descobrir que o Pinterest, cuja plataforma é muito mais visual que o Facebook, tem uma compra média por clique bem maior que o Facebook: mais que o dobro, segundo dados publicados pela Fast Company.

A mensagem é clara: cuidado ao entrar nas redes sociais porque sua resistência a gastar dinheiro diminui.

Este estudo, que sinaliza que o Facebook nos deixa mais frouxos para gastar dinheiro, tem relação direta com outros estudos que afirmam que as redes sociais podem gerar sentimentos de depressão e frustração. Em todos os estudos surge o sentimento de inveja, que parece ser o sentimento por trás de tudo.

A situação pode ser até pior. Alguns pesquisadores dizem que as mídias sociais tendem a provocar uma espécie de "espiral de inveja". Ao ver histórias e experiências legais de seus amigos numa rede social, você fica motivado para publicar histórias mais legais, e seus amigos, ao ver as suas histórias, vão tentar publicar histórias ainda mais bacanas, e assim o mundo das redes sociais tende a levar as pessoas para longe do mundo real. Essas histórias podem ser viagens, bens e outras conquistas. É aí que sentimentos conflitantes aparecem e as pessoas forçam a barra em suas finanças para atender aos seus anseios.

O número alto de curtidas em posts de alguns dos seus amigos no Facebook também parece ser algo que incomoda. A percepção é que existem pessoas mais legais do que você. Isso gera um desafio dentro de sua mente e o faz pensar em descobrir o motivo de eles estarem sendo mais admirados do que os outros, e até você mesmo. Sem saber, o seu inconsciente pode estar levando você a querer imitar esses sujeitos de maior sucesso nas redes sociais.

Como resistir ao instinto humano de tentar se igualar ou se superar ao que seus amigos publicam nas mídias sociais? É difícil. A maioria das pessoas publica apenas coisas legais, mas não contam as dificuldades que tiveram que enfrentar para conquistar aquela viagem dos sonhos ou aquele carro novo.

Devemos ter sempre em mente que as pessoas nas mídias sociais tendem a publicar somente as histórias bonitas de sua vida. Na verdade, é pior: nas redes sociais as pessoas supervalorizam as suas boas histórias, exageram e até fazem uso da "licença poética", camuflando muitas vezes a dureza do dia a dia. As dificuldades e as más notícias quase não aparecem. E, quando aparecem, elas tendem a ser minimizadas, muitas vezes tratadas com ironia.

É inegável que as mídias sociais geram inclusão, compartilham conhecimento, ajudam a democracia, aproximam pessoas e derrubam barreiras de todos os tipos, não somente as geográficas. Os benefícios são imensos, e não são somente para o indivíduo, mas também para a coletividade. Os benefícios e os males de tais redes dependem totalmente da forma como elas são usadas, do tempo e da forma como elas ocupam a vida de cada um. Existe uma tendência enorme da vida virtual e imaginária na web ocupar uma parte preciosa da sua vida real. E aí pode estar o perigo. Saber discernir entre os dois mundos é fundamental.

Enfim, nesse mundo de faz conta das mídias sociais, devemos ter a capacidade de colocar um filtro em nossos olhos. Desculpe se serei repetitivo e falarei mais uma vez o que já escrevi em posts anteriores. A solução não é as pessoas fugirem do Facebook, do Instagram e de outras redes. Muito pelo contrário, mas pensar na forma como usam.

O que você está deixando de fazer enquanto fica horas pendurado num gadget? O uso do Facebook faz você aprender algo diferente? Faz você se sentir um ser humano melhor? Como se sente depois de passar 30 minutos nas mídias sociais? A sensação é de ganho ou perda de tempo? Pense nessas perguntas. Ou melhor, pense nas respostas.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

[VÍDEO] A reunião interna da Apple onde Jobs apresentou a campanha "Think Different"

 Acredito que você já conheça esse vídeo. Se conhece, veja de novo. Em caso negativo, reserve 16 minutos para ver uma apresentação impactante. Este é um vídeo que mostra uma reunião interna da Apple, confidencial, ocorrida no dia 23 de setembro de 1997, onde Steve Jobs apresenta e explica o conceito da campanha "Think Different" para executivos e gerentes da empresa. O auditório tem muitas cadeiras vazias, mostrando que a reunião era para poucos. A campanha iria para o ar, mundialmente, 5 dias depois daquela reunião. Portanto tudo era segredo até o dia do lançamento.

Veja o jeito como Jobs fala, como ele "vende" o conceito, as pausas entre as frases, o olhar pensativo dando espaço para a plateia pensar junto, as justificativas, os motivos e as palavras. Jobs está relaxado. Me parece exagerado ele subir no palco de bermuda, mas o fato sugere conexão com a essência do "Think Different". Ele fala sobre pipeline, produtos, distribuição e tudo ao redor de uma "nova" Apple, mas dedica atenção especial ao marketing e à mensagem.



É inegável que as peças da campanha são espetaculares, mas este vídeo mostrando Jobs explicando a campanha, dias antes de sua entrada no ar, é emblemático. O vídeo carrega elementos preciosos, como um Jobs confiante, mas ainda incerto de como a novidade será recebida pelo mercado. Ele entra e sai do palco com passos calmos, carrega uma caneca nas mãos como se estivesse conversando com você numa pausa de café, todos os elementos expostos carregam uma mensagem. É possível imaginar a tensão pré lançamento da campanha, o nervosismo diante do investimento de milhões de dólares em publicidade numa fase em que a Apple precisava se reposicionar, a pressão dos investidores por resultados imediatos e o peso sob a cabeça de Jobs, alçado novamente ao comando da empresa para fazer algo diferente. Tudo isso parece não existir ao vermos Jobs no palco, sereno e seguro de que está fazendo a coisa certa. Mas a história mostra que não foi bem assim. A matéria publicada pela Forbes chamada "The Real Story Behind Apple's 'Think Different' Campaign" desvenda uma história com muitas emoções.

Jobs retornou para Apple no dia 20 de dezembro de 1996, após ter deixado a companhia no ano de 1985. Ele voltou com a missão de "virar o jogo". A campanha "Think Different" é considerada uma das mais espetaculares já criadas na história, algo legendário e icônico. Ela entrou no ar no dia 28 de setembro de 1997 e marca um dos maiores "turning points" da Apple.

O mais famoso filme da campanha é o "Here's to the Crazy Ones", com locução do ator Richard Dreyfuss. O filme é preto e branco e apresenta imagens de líderes inovadores como Thomas Edison, Mahatma Ganghi, Martin Luther King Jr. e outros. Eles são mostrados como quebradores de regras e criadores de problemas, porém transformadores da humanidade. O filme é lindo, impactante e inspirador. O texto é perfeito e a música inspiradora. Vá na Wikipedia para encontrar uma descrição completa da campanha Think Different.

Como curiosidade, veja o mesmo filme narrado na voz de Steve Jobs. Esse vídeo se tornou viral depois do falecimento de Jobs em 2011. Alguns registros históricos mostram que Jobs odiou a versão do filme com sua voz. Eu gosto :)




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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Os 10 melhores podcasts do Brasil


Outro dia eu li uma matéria que dizia que a onda dos podcasts estava ressurgindo. Do meu lado, confesso, nunca deixei de consumir podcasts compulsivamente. Até bula de remédio eu gosto de ler e eu também curto muito ouvir podcasts, e os mais variados possíveis.

Quando você vai no Google e busca pelos melhores podcasts do País, surgem muitas análises e muitos rankings, porém parece que eles se repetem, apontando repetidamente os mesmos canais de podcasts. Eu não concordo com algumas análises. Infelizmente, muitos podcasts seguem a mesma fórmula: participantes eufóricos como se estivessem num programa de auditório, alguns mostrando um entusiasmo artificial, até exagerado.

Alguns podcasts são longos demais, com papo em excesso e de pouco valor, às vezes com gracejos exagerados. Desculpe se sou chato, mas prefiro os casts mais objetivos, quando o grupo entra logo no tema principal. Noutro dia eu entrei num podcast com 1h20 de duração, onde o grupo usou mais de 20 minutos iniciais para falar sobre os emails recebidos, alguns deles sem relevância e desinteressantes.

Apesar da minha rabugice, esteja certo que existem muitos podcasts legais e relevantes atualmente em nosso País. Tem muita gente bacana gerando bom conteúdo, investindo tempo em produzir material de qualidade. Podcast é uma forma bacana de compartilhar novos pontos de vista sobre temas diversos, difundir e debater cultura e se divertir.

Dias atrás, ao entrar numa roda de amigos onde a conversa era sobre podcasts, expliquei o motivo do meu entusiasmo por este tipo de mídia, falei que já acompanhava podcasts há anos. Aí me perguntaram quais eram os podcasts que eu mais admirava e que eu recomendaria a amigos. Opa! Gostei do pedido, intuitivamente montei um ranking dos podcasts que mais curto e onde sinto que sempre aprendo alguma coisa legal. Fui muito rigoroso em minha análise.

Privilegiando o conteúdo e as minhas áreas de interesse, eu compartilho abaixo os podcasts que você não pode deixar de experimentar. Vale dizer que eu sempre consumo podcasts via smartphone, muitas vezes nas minhas corridas e caminhadas quase diárias, mas também no trânsito.

Escriba Café 
Este é muito mais do que um podcast. É uma experiência. O Escriba Café é um show de produção, tem uma sonoplastia imbatível e criativa, uma apresentação impecável e é resultado de uma pesquisa detalhada. Os temas são sempre sobre história, do mundo e do Brasil, sobre mistérios da humanidade e curiosidades. Este é um projeto idealizado em 2005, por Christian Gurtner, cujo preciosismo e excelência impressionam. Quer uma recomendação? Ouça os podcasts sobre a segunda Guerra Mundial e a história de Jack, O Estripador. São imperdíveis. O Escriba Café vai capturar você.

Braincast
Comandado pelo seu fundador, Carlos Merigo, o Braincast é o podcast do famoso Brainstorm #9 e é uma delícia. Com temas variados, muitos deles tocando diretamente a minha realidade no mundo do marketing, o grupo sempre leva um bom papo com conversas realmente legais, algumas vezes com discussões profundas. Vale dizer que os participantes sempre estudam previamente o tema, raramente vejo alguém falando sem uma boa base de fundamento. Este é um podcast onde sempre aprendo alguma coisa importante. Ouço todos.

Rapaduracast
É o podcast do Cinema com Rapadura. Sob o comando de Jurandir Filho, o Rapaduracast é divertido, informativo e extremamente justo nas suas avaliações sobre o mundo do cinema. Não tem aquela de achar tudo legal e bonzinho. Os participantes têm opiniões próprias, estudam profundamente o tema discutido e são pessoas apaixonadas pelo mundo do cinema. São papos muito agradáveis. Vale muito a pena. Experimente escutar o episódio sobre a série Indiana Jones, ou o episódio sobre Star Wars. Você vai se viciar no Rapaduracast.

Beercast
Na minha opinião é o melhor podcast sobre cervejas do Brasil. Cada programa tem 45 minutos, em média. A turma, sempre bem humorada, dá uma aula sobre cervejas nacionais e internacionais, incluindo bebidas artesanais e industriais. Quase sempre eles gravam o podcast fazendo uma degustação ao vivo. Eles trazem informações históricas, conversam sobre a produção, falam sobre a evolução da marca, bem como tentam traduzir as percepções sensoriais que cada um sente na cerveja analisada. Os episódios quase sempre têm convidados, normalmente especialistas no tema ou personalidades que apreciam cervejas. Eu sou um apreciador de cervejas artesanais e os programas do Beercast são muito instrutivos, além de divertidos. Você vai curtir muito.

Na Porteira Cast
Sabendo que a maioria repete as mesmas fórmulas, o Na Porteira Cast é uma grata surpresa. Como eles dizem na abertura de cada programa, este é um podcast "que vem lá do fim do mundo, de onde o vento faz a curva". Os componentes principais do time ficam em Pederneiras, interior de São Paulo. É dirigido e editado pelo excepcional Randal Bergamasco. Você vai se surpreender com esse podcast bem humorado, porém com discussões profundas e fundamentadas. Eles sempre convidam especialistas para conversar sobre os assuntos, os temas variam bastante e eu gosto muito. São conversas bem objetivas e construtivas. Não dá para ouvir o programa e sair sem aprender coisas legais. Você vai curtir a simplicidade e a conversa de bar dessa turma.

De Cabeça
Esse é um podcast voltado para quem estuda, admira ou trabalha com marketing digital. Não tem uma produção rebuscada, mas o conteúdo, que é o mais importante, vale a audiência. Acho um podcast fundamental para os iniciantes e para os profissionais de pequenas e médias empresas que buscam conhecer melhor como fazer negócios online, seu potencial, novas técnicas, como fazer, dicas e orientações. É um podcast voltado para empreendedores e sempre tem um convidado para compartilhar experiências. Comandado por Eric Menau, o De Cabeça encanta por apresentar um conteúdo prático e com o pé no chão. Não conheço nada nessa linha em podcasts no Brasil.

Marchwill
Este é um podcast diferente, porque são curtos, em média duram 15 minutos, sem muito lero-lero. O tema é sempre tecnologia. A conversa é bem objetiva, bem humorada e tem um papel bem educativo. Eles estão sempre preocupados em ensinar alguma coisa. Para os apaixonados em tecnologia, que gostam de saber novidades, Marchwill é um podcast muito atraente e desce fácil. O comando é de William Marchiori, sempre bem humorado.

Papo de Fotógrafo
Aqui eu sou suspeito. Eu sou fotógrafo amador e curto muito fotografia. O Papo de Fotógrafo consegue gerar boas conversas sobre a arte de fotografar. Mas não é só isso. Muitas vezes o assunto fotografia é abordado de forma diferente, como num dos episódios de novembro onde o bate-papo aconteceu com Samuel Carneiro, que contou a sua história como fotógrafo e cadeirante. O projeto atende fotógrafos profissionais, amadores e amantes da fotografia. Ana Cariane e Rafael Petrocco, os apresentadores do programa, estão sempre com bons convidados. O podcast funciona muito bem.

Café Brasil
Excelente. Divertido. Amplo. O podcast Café Brasil faz parte de um projeto maior, comandado por Luciano Pires, que nos provoca a reflexão sobre temas diversos, mas quase sempre tocando cultura, cidadania, educação e comportamento. O objetivo é fazer você pensar, cutucá-lo em alguns dogmas, conceitos e preconceitos. É um programa muito bem produzido, que mistura música e arte. É um presente para qualquer brasileiro que busca entender melhor nossas raízes, de onde viemos e para onde vamos, como País e cidadãos.

Fronteiras da Ciência
Este é um podcast para quem gosta muuuito de ciência. O podcast Fronteiras da Ciência funciona com uma roda de bate-papo onde cientistas conversam informalmente sobre temas variados, mas tendo ciência como pano de fundo. Não se espante se em determinados momentos você não entender direito, é que às vezes eles descem fundo no tema mesmo, mas a conversa e a pluralidade das discussões fazem você fazer parte da roda. Este é um podcast maravilhoso que, infelizmente, não é muito divulgado e pouco conhecido por todos. Mas é excelente. Ouça o episódio de dezembro de 2014, "O Brasil na Antártica", e você terá uma bela ideia do estilo do programa.

Por fim, se você topa encarar podcasts em inglês, os videocasts e podcasts do TED são imbatíveis. Existe uma série de videocasts do TED com legendas em português, sempre excelentes. Aproveite e treine seu inglês. Estas gravações do TED são de excepcional qualidade e a voz é cristalina.

A lista acima é uma opinião muito pessoal, pode até desagradar alguns. Eu ouço todos eles com regularidade, por isso são indicações testadas e aprovadas por mim. Como disse antes, existem muitos rankings na web apontando bons podcasts, portanto, pesquise e monte a sua própria lista. Conheça também: Pauta Livre News, Telhacast, JurassiCast, Música na Lata, Nerdcast, Pelada na Net, Bacanudo, Matando Robôs Gigantes, Papo de Gordo, e muitos outros.

Tá curioso em saber como é feito um podcast? Veja o vídeo do William Marchiori, do podcast Marchwill, no qual ele compartilha os bastidores de um podcast.



Enfim, curta podcasts, vale a pena. Sabe aquela horinha do engarrafamento no trânsito?


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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Um exemplo perfeito de storytelling: Homem vende carro velho de forma genial

Tomei conhecimento do caso no Hypeness, excelente site sobre inovação e criatividade. Muito se fala sobre storytelling no marketing, existe muita teoria e nem sempre se mostram claros exemplos. O caso citado abaixo é um exemplo muito legal de storytelling bem feito.

Em setembro de 2013, Luke Aker, dono de um velho Nissa Maxima de 1996, decidiu vender o seu querido e amado carro. Ele fez um filme mágico. O carro estava repleto de problemas, mas no vídeo o locutor fala toda a verdade, mostra os bancos de couro rasgados e afirma tratar-se de "um veículo que vai te levar do ponto A para o ponto B... na maioria das vezes".

O vídeo se tornou viral. Em dezembro do mesmo ano já estava perto de alcançar 2 milhões de views. O caso foi tão impactante, ganhou tanta visibilidade na web, que a própria Nissan fez uma oferta pelo veículo e... comprou o carro.

A Nissan, com uma oportuna visão de marketing, lançou uma discussão digital e os fãs da marca decidiram que o carro deveria ser restaurado.

Em fevereiro de 2014, a Nissan dos EUA anunciou a restauração do velho carro. Seis meses depois, o carro já recuperado, "novinho" outra vez, foi apresentado num vídeo espetacular da Nissan, publicado no YouTube.

O filme criado por Luke Aker é um exemplo evidente de como fazer storytelling. O caso todo, enfim, é uma história genial.

Veja abaixo 3 vídeos:
- o épico vídeo criado pelo dono do veículo;
- o vídeo da Nissan anunciando e mostrando o carro recuperado;
- o vídeo feito pelo Autoblog com o pessoal de marketing da Nissan contando a história toda.

Ahhhh, e tem uma coisa que fez toda a diferença, o jovem Luke Aker, ex-dono do carro, é um cineasta.



 

 


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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Mattel cria regras para reunião e Coca-Cola elimina correio de voz

"Confie mais em seus instintos do que em pesquisas". Isso me foi dito por um dos meus melhores POC. Cada vez precisamos mais de métricas, de controles e de análise de risco. Por outro lado, as empresas globais se tornaram complexas organizações, muitas vezes fragmentadas, cuja decisão é quase sempre compartilhada. Em geral, as empresas convivem com um grande número de reuniões internas de alinhamento e planejamento, causando impactos na produtividade, na flexibilidade e na velocidade das tomadas de decisão. Esse lado perverso do gigantismo e da globalização muitas vezes penalizam os ganhos de escala, unicidade e posicionamento global que as empresas perseguem.
chefes no passado, mas no mundo empresarial atual isso é difícil de exercer. Vivemos o mundo do ROI, do "ver pra ver", do retorno de curto prazo e do

Por isso, não surpreende a decisão recentemente divulgada pela gigante Mattel na sua nova forma de operar:

1- Redução drástica no número de reuniões e apresentações em powerpoint

2- Estão proibidas reuniões com mais de 10 pessoas, a menos que a finalidade da reunião seja treinamento

3- Nenhuma reunião pode ser feita sem um propósito especifico

4- Não devem ser realizadas mais do que 3 reuniões para se tomar qualquer decisão

Tais orientações se tornaram públicas numa matéria recentemente publicada no The Wall Street Journal.

O objetivo é simples: mudar a cultura da empresa para ganhos de agilidade, produtividade e criatividade. Segundo a matéria do WSJ, as decisões da empresa se arrastavam por reuniões intermináveis, apresentações longas em powerpoint com mais de 100 slides e discussões sem fim. Desculpe a franqueza, mas este não é um mal exclusivo da Mattel, é algo inserido no modelo operacional das grandes organizações.

Uma vez escrevi um post chamado "Powerpointlândia: o mundo divertido e maravilhoso do powerpoint dentro das empresas". Queiramos ou não, as empresas se perdem no universo das reuniões internas, onde muitas vezes o powerpoint e as reuniões viram o fim e não o meio. O WSJ conta que, em 2013, uma reformulação do site da Mattel envolveu o equivalente a quase um ano de reuniões mensais e centenas de slides. Quando a decisão final foi tomada, o orçamento já havia sido realocado para outro projeto.

Segundo a pesquisa anual "Wasting time at work", da salary.com, as reuniões são uma das principais causas de improdutividade nas empresas. Os motivos são vários, entre reuniões muito longas, sem propósito ou descoordenadas. Outro vilão é a internet e as redes sociais, pois as pessoas se distraem facilmente navegando na web. Aliás, a combinação "reunião desinteressante + smartphone nas mãos" é uma potencial bomba de improdutividade, é um convite para o ser humano perder a concentração.

Mas as reuniões e as redes sociais online não são somente as causadoras de males dentro das organizações. Existem muitos outros pontos que podem ser trabalhados como emails, uso do telefone, regras e processos massacrantes, burocracia, etc.

A Coca-Cola, recentemente, resolveu atacar o correio de voz. Através de um memorando interno da área de TI, a empresa decidiu desativar o correio de voz "para simplificar a maneira de trabalhar e para aumentar a produtividade”. Segundo matéria publicada na Exame, a mudança passou a vigorar em dezembro e agora uma mensagem padronizada informa para a pessoa que liga que ela tente mais tarde ou use “um método alternativo” para entrar em contato com a pessoa que tenta localizar.

Desativar o correio de voz é uma medida concreta pois basta a empresa interromper o serviço e a determinação já está valendo. As pessoas, forçadamente, aprenderão a trabalhar através de outros métodos. Mas no caso da Mattel, criar regras de conduta "top down" não necessariamente garante que as coisas mudarão, mas é uma mensagem clara de desejo de mudança.

Se os principais executivos da empresa mudarem a prática das suas próprias reuniões e exercerem o papel de agentes de mudança, a chance de transformação crescerá muito. A mudança, na verdade, está na cabeça e na vontade das pessoas fazerem diferente. Tem que se criar mais do que um compromisso de mudar, mas uma cumplicidade entre todos.

Já vi empresas adotando regras como reuniões em pé, reuniões de 10 minutos e por aí vai. Não sei se funcionam, mas gosto muito das dicas do post "6 ways to make meeting significantly less miserable". Particularmente eu gosto muito da #4 e da #6. O fato é que não existe uma receita igual para todas as organizações, depende do tamanho, propósito, cultura, liderança, complexidade e até do tipo de negócio.


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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

10 estatísticas sobre internet móvel no Brasil


O jornal Valor, no dia 26/12/14, publicou uma matéria muito boa chamada "Em casa, brasileiro pesquisa Mobile Report, elaborada pela Nielsen e Ibope, e pela pesquisa F/Radar, da F/Nasca e Datafolha. Fui atrás das pesquisas e achei mais dados legais, que compartilho abaixo. Use, abuse e se surpreenda :)
acessa a internet pelo celular".  Ela está repleta de dados e informações interessantes, oriundas da

Cerca de 37% da população do Brasil têm smartphones. Em números absolutos, são 51,4 milhões de pessoas;

A maioria dos usuários prefere conteúdo gratuito e costuma usar 10 aplicativos diariamente;

As redes sociais são acessadas por 81% dos usuários de smartphones. Na pesquisa do ano passado este índice era de 77%;

Entre as redes sociais, o Whatsapp teve o crescimento mais vigoroso. Ele está presente 70% dos smartphones. No ano passado este índice era de 40%;

Entre os games, Candy Crush lidera com 18% do total;

Em média, cada usuário tem 17 aplicativos instalados em seu smartphone, mas usa menos de 10;

Dos entrevistados para pesquisa, 39% dos usuários disseram que usam até 5 aplicativos por dia, e 44% usam de 6 a 10 aplicativos diariamente;

Mais da metade dos usuários está em busca de aplicativos gratuitos e cerca de 65% dos aparelhos têm programas de música;

O preço considerado adequado para uma mensalidade de serviços de áudio por assinatura é de R$ 5 mensais. Pessoas com mais de 35 anos aceitam pagar mais;

O smartphone é o meio preferido para navegar, superando tablets e notebooks. É usado principalmente para pesquisa de preços, troca de mensagens instantâneas e publicação de fotos;

Cerca de 28% dos internautas costumam opinar online sobre produtos comprados.


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sábado, 27 de dezembro de 2014

Com a chegada do verão, Rio volta a discutir uso de bermuda no trabalho

No dia 21 de dezembro de 2014, exatamente a data que marcou o início do Verão 2014, o Rio de Janeiro registrou a temperatura de 40 graus, com sensação térmica de 55 graus. Como dizem os cariocas, o maçarico estava ligado no máximo. Por coincidência ou não, a discussão sobre o uso de bermuda no trabalho voltou com toda força na cidade.

No ano passado, a discussão do uso da bermuda ocupou matérias nos jornais da cidade. Eu escrevi um longa reflexão sobre o tema em um post chamado "Agora vai! Empresas liberam o uso de bermuda no trabalho". Convido você a ler este post porque acho que o conteúdo está bem legal.

Dias atrás o jornal O Globo publicou matéria chamada "No Rio 40 graus, a deselegância do paletó suado". O bom da matéria é uma lista de fatos que mostram a intensidade da importância do assunto. Juntando tais fatos a alguns outros, dá uma lista de contradições:

1- O TRT-RJ (Tribunal Regional do Trabalho do Rio) tornou opcional o uso do paletó e gravata por juízes, advogados e servidores até 20/março/2015. Mas nas audiências o traje completo ainda é exigido.

2- A Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) aprovou uma lei que autoriza os bermudões (na altura do joelho) para os servidores estaduais que trabalham ao ar livre e também para os trabalhadores de serviços concessionários.

3- O prefeito do Rio vai publicar decreto liberando o uso de bermudas por parte do funcionalismo municipal e motoristas e cobradores.

4- No Rio senegalês, apenas 30% da frota de ônibus tem ar refrigerado.

5- O Jardim Botânico do Rio e o Zoológico do Rio proíbem a circulação de pessoas sem camisa... mesmo considerando que ambos são parques ao ar livre.

6- O Serpro foi o 1o. órgão federal a liberar o uso de bermuda no trabalho.

7- A página do movimento "Bermuda Sim" tem quase 19 mil curtidas. Este é um movimento nacional pelo uso de bermuda no trabalho.

Enfim, temos uma mudança em curso. Novidades devem surgir durante esse verão.


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domingo, 21 de dezembro de 2014

Apple Watch: fracasso ou sucesso?


O cara escreve um post bem completo, com um ponto de vista e análise super equilibrada, bem fundamentada e com fatos. O ponto dele é claro: o watch da Apple será um fracasso!

Ele começa o post dizendo que pela primeira vez, em mais de dez anos, a Apple vai cometer um erro. Segundo ele, o Apple Watch tem erros de design, de ecossistema e de modelo de negócio. Ele afirma que a Apple não analisou corretamente o comportamento das pessoas.

Tudo que ele falou é lógico, racional e faz sentido. Ele quase ironiza as previsões de vendas feitas por analistas reconhecidos de mercado de que serão vendidas dezenas de milhões de unidades de Apple Watch. Ele avalia que o dispositivo pretende fazer muitas coisas que nós não precisamos, afirma que ele está inchado de recursos, tenta abocanhar tudo, é grande em tamanho e feio. Afirma de forma contundente que a Apple, pela primeira vez, exagerou no design, Por fim, a Apple deveria ter criado um dispositivo que realmente oferecesse algo novo e não o que está sendo anunciado, que é uma sobreposição de funções já oferecidas por equipamentos já existentes no mercado, inclusive da própria Apple.

Lembro quando a Apple lançou o IPod. Ninguém entendeu muito bem. O iPod era algo que reinventava algo já oferecido por equipamentos de outras empresas. É o iPhone? Lembro de colegas ridicularizando o iPhone dizendo: "como pode um telefone com um botão apenas?" E o iPad? Na época, eu vi dezenas de matérias onde analistas se mostravam decepcionados com o iPad, alguns mais sarcásticos diziam que o iPad nada mais era do que um iPhone gigante.

Enfim, respeito o que esse colega escreveu no post, eu juro que entendi tudo, mas nós não estamos no campo da racionalidade. Ele fala que a Apple não estudou bem o comportamento dos usuários, mas esse não é o ponto. A Apple não segue o comportamento, ela cria novos hábitos, necessidades e conveniências. Esse é o campo da Apple. Ela sai do campo racional e vai o campo emocional.

No final do post, desdizendo o próprio título do post "Why the Apple Watch will fail", ele segura a onda e diz que não tem tanta certeza a respeito do fracasso do novo lançamento da Apple. Ele fez bem. A verdade é que ninguém está seguro em avaliar a reação do mercado em relação à novidade da Apple.

Enfim, desculpe Sr. Tom, se vou desapontá-lo, mas eu quero um Apple Watch. Tô na fila :)





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