sexta-feira, 29 de maio de 2015

Carta para o Café Brasil e Luciano Pires


Já escrevi num post passado que eu adoro podcasts.
Aliás, o meu post "Os 10 melhores podcasts do brasil" foi o maior barraco. Um monte de gente disparou mensagens por todos os lados (email, Twitter, Facebook, no blog M&M, etc) me bombardeando dizendo que minha análise era furada. Fui simpático com todos eles esclarecendo que aquela era minha opinião pessoal, que hoje em dia até mudou um pouco pois descobri uns podcasts legais para caramba :)

Ao longo dos últimos meses eu continuei consumindo podcasts alucinadamente, sou fã de carteirinha de alguns deles, mas tem um, em especial, que ocupou lugar no meu cotidiano: o podcast do Café Brasil, idealizado e comandado por Luciano Pires. Aliás, o projeto vai muito além dos podcasts, vale navegar pelo Portal Café Brasil inteirinho.

Ao longo dos meus mais de 6 anos do blog, o meu propósito tem sido fazer as pessoas pensarem, refletirem, aprenderem algo diferente e provocar reflexão sobre o ambiente de trabalho e nas relações das empresas com a sociedade. Por isso me identifiquei tanto com o Café Brasil, que nos provoca reflexão por algo muito mais profundo: o nosso papel como cidadão e construtor da sociedade que tanto buscamos.

Se existe algo que posso ajudar você, que chegou até aqui nesse post, separe um tempo para visitar o Café Brasil. Ouça um podcast, escolha um qualquer. O Café Brasil completa 10 anos, o que é uma marca extraordinária para quem produz conteúdo original, quase sempre questionando o que vemos por aí. É aquele barquinho atravessando o oceano.

Ao ouvir o programa 454, eu não resisti e escrevi um texto para Luciano Pires, que reproduzo abaixo. Eu não costumo fazer isso. Eu sempre disparo textos e comentários por aí, mas eu nunca reproduzo tal conteúdo aqui no meu blog, mas este é especial. São 10 anos de reflexão do Café Brasil. Fiz questão de escrever ao Luciano Pires porque o trabalho dele é algo tocante, profundo e que constrói um acervo e legado inestimável.

Enfim, curta o meu texto abaixo e visite o Café Brasil.

Olá, Luciano.

Parabéns pelos 10 anos de Café Brasil. Sou fã apaixonado do podcast e de tudo que você fala e publica.

Você é meu amigo íntimo, mesmo que não saiba disso. Está comigo nos lugares e horários mais impróprios, sempre cochichando no meu ouvido. Enfim, é uma consciência que me cerca e me alimenta de coisas interessantes. É o Tico... e também o Teco. Você diz coisas que faz a gente pensar. Algumas dessas coisas grudam na nossa cabeça e não saem.

Eu não me lembro mais em que episódio, mas teve um episódio que você falou mais ou menos assim: "Eu já andei por todo esse país e eu garanto que o Brasil não é exatamente o que vemos na mídia. O Brasil é bem melhor do que a imprensa mostra para gente". Certamente você não falou com essas palavras, mas foi assim que a mensagem grudou em mim. Eu lembro que você falou isso quando contou sobre sua experiência no interior da região centro-oeste... e ficou surpreso e encantado com o Brasil que descobriu numa região que, tipicamente, a imprensa insiste em mostrar como atrasada e repleta de más notícias como seca, enchentes, conflitos por terra, exploração de latifundiários, índios explorados, etc. Para coroar o quadro, Brasília fica lá... lá no centro-oeste. Você contou pra gente que descobriu um centro-oeste de progresso, com pessoas preparadas, com tecnologia avançada no trabalho agrícola e uma região encantadora de belezas naturais, com cidades onde as pessoas trabalham dignamente e uma percepção de país muito melhor do que algumas regiões no sul e no sudeste maravilha do nosso país.

Quando você disse que a mídia mostra um país diferente da realidade, parece que a minha ficha caiu, as nuvens se abriram, pois é esta a sensação que eu sempre tive. Porém, sempre pensei que a minha percepção era equivocada. Pensei que o meu otimismo e os meus "belos olhos" insistiam em ver a metade cheia do copo, quando o verdadeiro país é o lado vazio do copo, Não, não, é até mais do que isso, é o lado super vazio do copo, meio o "volume morto", sabe?

Fiquei entusiasmado com aquele rasgo de esperança citado por você de que o nosso Brasil pode ser realmente bem melhor do que vemos todos os dias na TV, nas rádios e nos jornais. Um país onde as notícias podem ser diferentes dos assassinatos, corrupção, serviços públicos deploráveis e vergonha. Um país diferente dos nossos lava-jatos rotineiros.

Estou pensando nisso desde que você falou aquilo. Toda vez que leio a notícia num jornal ou vejo um noticiário na TV, eu penso exatamente no lado cheio do copo. O que pode estar acontecendo de bom que contra diz o que estou ouvindo e assistindo? Confesso também que a minha paciência com a grande mídia brasileira está se esgotando, e por isso busco novas fontes de informação e aprendizado completamente diferente da máquina de moer cérebros da mídia tradicional. Aliás, esta seria uma forma diferente de cada brasileiro ajudar o país: mude a sua fonte de informação, busque alguém diferente, não ligue mais a TV no automático, cancele a sua assinatura de jornal de décadas e procure ouvir outras pessoas com pontos de vista diversos do seu. Saia da mesmice. Sacuda a sua rotina. É por isso que ouço o Café Brasil e muitas outras fontes alternativas que estão ajudando a abrir a minha cabeça.

Seria extraordinário se você pudesse fazer um podcast mostrando o Brasil verdadeiro que não vemos.
Não o Brasil do futuro ou o Brasil dos sonhos. Não o Brasil da desgraça do noticiário ou o Brasil da corrupção que o planeta nos enxerga. Mas o país verdadeiro. Aquele país que desconhecemos. Aquele país que está além da esquina da rua onde moramos.
Falar sobre o brasileiro verdadeiro.
Falar sobre o que acontece por todo esse Brasil gigantesco.

O que sabemos fazer... o que fazemos bem, além do samba, da floresta e do futebol, que nem somos mais tão bons assim.
Não estou falando de mostrar apenas um Brasil progressista... mas um Brasil realista.
Como estamos e quem somos nós quando botamos a cabeça para fora do nosso balde?
Como nos comparamos a Índia, China e Rússia?

Compartilha com a gente a sua visão de país, o que funciona e o que não funciona.
Como cada brasileiro pode ver o lado cheio do copo e como podemos encher cada vez mais esse copo? Mesma que seja com uma gotinha por dia.
Eu sei, eu sei.. você vem fazendo isso ao longo de todos esses anos... nos 10 anos do Café Brasil.
Você cutuca o nosso cérebro o tempo todo, mas conte para nós a sua visão do Brasil de hoje.
Como a imprensa poderia ser realmente contribuidora para tornar o Brasil um país diferente e melhor?

Temos um país de proporções continentais.
Segundo estudos, 15% da água doce do mundo está localizada no Brasil, nos rios e em grandes aquíferos que temos sob nossos pés.
Temos 22% da terra arável do mundo, mas apenas 17% está sendo explorada.
Comparando com o mundo, estamos entre os maiores produtores de grãos, carne, aves, café, chocolate, bebidas, minérios, aço, veículos, produtos de higiene, computadores, smartphones, etc. Eu poderia ficar aqui listando um monte de coisas.
Nós somos o 13o. país em volume de produção científica no mundo.
Somos o 4o. país na produção de energia através de fontes renováveis.
O Brasil lidera o ranking mundial de uso de biomassa na produção de energia.
O nosso povo é pacífico, ordeiro, gosta de trabalhar, é criativo, alegre e ousado.
Sabemos lidar com o improviso como ninguém. E, talvez, isto possa ser mais um problema do que realmente uma virtude, pois sempre nos sentimos seguros para ligar com o improviso. "Não faz mal, a gente vai lá e resolve".
Fala a verdade. É este o país que vemos nos noticiários todos os dias?
Tem alguma coisa errada na equação.

Por que não damos certo como país? Ou estamos dando certo e ninguém sabe?

Fico por aqui com este meu devaneio e na expectativa que você compre o desafio e conte pra gente o verdadeiro Brasil que nós não vemos.

Abraços para você, e os brasileiríssimos Ciça e Lalá.

Obrigado pela gotinha que ajuda a encher o copo todos os dias.

Ahhhhh... o programa que mais gostei nos últimos 10 anos foram 3...
O 436 - The Dark Side of the Moon que foi uma... porrada :)
A obra-prima 275 - Bohemian Rapsody, que é unanimidade...
e o 450, do Tico e do Teco. Desde então, sempre quando tenho que tomar uma decisão, eu coloco os dois para conversarem...

Abraços brasileiros. Mauro Segura


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domingo, 24 de maio de 2015

Você daria emprego para estes caras?

Pegando carona no último post sobre a campanha global da Coca-Cola contra o preconceito, aproveito para republicar um post meu antigo, super conectado com o tema "preconceito".

Uma vez eu publiquei um post chamado "Geração Y: a mais formidável da história da sociedade humana". O post deve ter incomodado pois recebi muitos "feedbacks" de pessoas dizendo que não concordavam com a minha opinião, que a geração Y não é essa coca-cola toda, etc. Eu entendi a reação, afinal eu havia escrito o post para provocar mesmo. O meu ponto era que nós, baby-boomers, em geral, somos preconceituosos e reativos quando falamos da geração Y. Aliás, é comum a geração anterior sentar o pau na geração seguinte.

Veja a foto abaixo. Olhe as figuras.
Me diga se você daria emprego para algum deles. Me diga se você investiria na startup company formada por essas figuras.


Você sabe quem são eles?

Veja quem está no canto inferior, lado esquerdo.
É Bill Gates com 23 anos. O sócio Paul Allen está no canto inferior direito.
O quadro mostra os primeiros funcionários da Microsoft em 1978.
Era uma startup company. O IPO da empresa só ocorreu em 1986.

Meu filho, que é da geração Y, sempre fala o seguinte:
"Aposto que em 78, se você oferecesse uma garagem e uns sanduíches, de vez em quando, pra essa galera trabalhar, eles botavam você como sócio com 10% e hoje você seria multibilionário".

E aí? Vai um sanduíche?



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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Campanha global da Coca-Cola contra o preconceito é um tapa na cara

Não sou muito de publicar campanhas de marketing aqui no blog, mas esta campanha global da Coca-Cola é muito bacana e me encantou.  Eu gosto de tudo que derruba preconceitos e este projeto nos desafia a rever o nosso conceito sobre estereótipos. Acho que o mundo precisa mais destas reflexões.

A campanha inclui filmes comerciais que apresentam personagens que sofrem com a primeira impressão que temos deles. Após este primeiro momento, onde o preconceito impera, o filme nos convida a refletir por mais algum tempo. É um tapa na cara.

O principal vídeo chama-se "Experiment". Nele, voluntários analisam retratos de pessoas desconhecidas e apresentam as primeiras impressões. Veja o que acontece depois.

Outros 2 vídeos relatam casos reais de uma vovó e de uma modelo. Por fim, o último vídeo apresenta um grupo de crianças que tipicamente sofrem bullying. O que está por trás de cada uma delas?

Veja os vídeos e se encante. Esse é um exemplo de como as marcas podem ajudar a sociedade a refletir sobre suas mazelas e desafios. Assim se constroem as grandes marcas.









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quarta-feira, 13 de maio de 2015

IBM é a marca B2B de maior reconhecimento nas mídias sociais


Saiu o B2B Social Media Report 2015 da Brandwatch, que faz um raio-X bem completo do comportamento das empresas B2B no mundo das mídias sociais.

Enquanto as empresas B2C se lançaram rapidamente no mundo das mídias sociais, as empresas B2B têm sido mais cuidadosas, até porque o ambiente de jogo é diferente. Embora as B2B estejam atrás das B2C na curva de adoção das mídias sociais, elas estão desenvolvendo formas originais e poderosas de municiarem as suas decisões com base em "insights sociais" coletados das redes online.

O excelente estudo da Brandwatch analisou a atividade online de 200 empresas B2B, mostrando sua evolução, desenvolvimento e as diversas aplicações e usos das mídias sociais no mundo B2B. Foram mais de 5 milhões de conversas capturadas da web.

Atualmente, 76% das marcas estudadas possuem contas no Twitter e no Facebook.  Em média, a conta no Twitter das marcas líderes B2B tem 47 mil seguidores, já no Facebook a média é de 211 mil fãs por conta. Surpreendentemente, a proporção de marcas com nenhuma conta ou nenhuma atividade no Twitter é muito alto: 42% .

O estudo mostra que as B2B estão cada vez mais presentes e ativas nas mídias sociais. A plataforma mais utilizada é o Twitter, que não favorece muito a conversa com os fãs da marca, já que o Twitter não é a melhor plataforma para o desenvolvimento de diálogos. Apesar disso, várias marcas não usam o Twitter apenas como via de mão única. Interpretando de outra forma, ainda existe um enorme espaço para as B2Bs aumentarem e se aprofundarem nas conversas online. O estudo afirma que as marcas estão perdendo a oportunidade de desenvolver conversas online com seus consumidores a respeito de "customer service", intenção de compra e feedback sobre produtos e serviços. Isso fica mais evidente quando o estudo compara os números das empresas B2B versus as B2C nas mídias sociais. Vale ver no estudo.

As organizações, de forma geral, trabalham com múltiplas contas em cada mídia social, tipicamente Twitter e Facebook. Uma estratégia comum no uso de várias contas é ter uma ou mais contas focadas em engajamento - principalmente na forma de ofertas e notícias da empresa - e outras contas para atendimento ao cliente e recrutamento.

Surge um líder evidente na análise global da frequência de conversas sociais online por país, a IBM, que é a marca mais citada em mais de 100 países. O estudo diz que parte desse sucesso pode ser resultado do uso generalizado dos produtos e serviços da empresa no mundo, mas os esforços consistentes, bem planejados e executados pela IBM nas mídias sociais não pode ser negligenciado. A IBM tem sido uma das empresas B2B com maior presença nas mídias sociais ao longo dos últimos anos, com atuação consistente e inovadora.


A análise global revela que a distribuição de menções reflete a cultura, a geografia e o estado sócio-econômico de cada país. Por exemplo, países ricos em petróleo como a Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos, falam mais sobre marcas de energia, como ExxonMobil , BP e Chevron.

A análise da atuação das B2B no Facebook revela que mais da metade dos posts publicados pelas empresas contém uma foto. As empresas já descobriram que os posts com foto recebem maior engajamento. Da mesma forma, posts com vídeos alcançam ainda mais respostas do que os com foto, recebendo mais comentários do que qualquer outro tipo de post. As B2Bs entenderam que compartilhar contéudo via imagens e vídeos é uma necessidade, possibilitando formas inovadoras de relacionamento, além de aumentar o engajamento com todos os públicos.

Em resumo, vale muito a pena fazer o download e percorrer o estudo. As análises mostram que as B2Bs estão adotando de verdade as mídias sociais em suas estratégias de comunicação, porém ainda estamos apenas no início da jornada.


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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Funcionários desejam ter uma comunicação diferente com os líderes das empresas onde trabalham


Uma vez assumi uma posição executiva numa empresa na qual as coisas estavam muito mal. Logo ao chegar, me surpreendi com o pouco caso do grupo em relação à gravidade dos problemas que os negócios da empresa estavam passando. Não demorou muito para eu descobrir que o problema era muito mais sério. Não havia pouco caso, o que acontecia, de fato, era desconhecimento. Os funcionários não sabiam o que estava se passando. A gestão anterior omitia os fatos e negligenciava a participação dos funcionários no debate dos problemas e desafios e, principalmente, das soluções.

Eu decidi virar a operação de pernas para o ar, e passei a fazer reuniões semanais com todo o time, independentemente da hierarquia. Eu colocava todo mundo no auditório, desde os gerentes mais seniores até os funcionários mais juniores, e abria o livro. Nessas sessões eu apresentava os problemas, os riscos, os números (muito deles super confidenciais) e convidava – na verdade eu convocava – todos, sem exceção, para virarmos o jogo.

Confesso que as reuniões geravam muito desconforto e apreensão nas pessoas. No entanto, a transparência e a honestidade na relação geraram engajamento do grupo, muitos fizeram sacrifícios pessoais doando tempo, cancelando férias, indo além de suas áreas de responsabilidade para ajudar outros do grupo, virando noites e em poucos meses saímos de mares turbulentos e entramos em mares mais calmos. Os resultados vieram. As reuniões de acompanhamento foram diminuindo. Em seu lugar começaram as reuniões de reconhecimento e celebração.

A partir dessa experiência, aprendi a duras penas que comunicação transparente e honesta é fundamental para o sucesso de qualquer grupo e seu líder.

Portanto, não foi por acaso, que um levantamento feito pela Love Mondays apontou reconhecimento e comunicação como as atitudes que os funcionários mais esperam dos presidentes de empresas. Love Mondays é um site que coleta avaliações anônimas de funcionários das empresas onde trabalham.

O Love Mondays perguntou aos seus usuários quais os conselhos que eles gostariam de dar aos presidentes das empresas. O levantamento foi feito de dezembro de 2014 a janeiro de 2015. O site analisou as opiniões de mais de três mil pessoas, procurando descobrir as demandas mais comuns dos colaboradores aos principais líderes das empresas. No final, o portal publicou um ranking com 10 conselhos.

O que me chamou a atenção foi que, entre os cinco primeiros conselhos, três deles estão intimamente conectados à comunicação:

1- dar mais reconhecimento aos funcionários
2- melhor comunicação com os funcionários
3- estar mais informado sobre o dia a dia das empresas

Numa era em que todos nós somos seres super conectados, participantes ativos em múltiplas redes sociais e com smartphones cada vez mais poderosos em nossas mãos, me surpreende o clamor por mais comunicação. Ou seja, tem algo que não está sendo bem feito pelos líderes das empresas. Está faltando comunicar e interagir melhor com os colaboradores.

A fórmula tradicional e antiquada de cartas, emails e revistas internas não está sendo suficiente. Os funcionários querem informação direta, sem intermediários, desejam trocar opiniões, participar de alguma forma e deixar de serem meros coadjuvantes nessa relação com a liderança das empresas. Isso representa uma forma diferente de fazer comunicação corporativa. É por isso que hoje se fala tanto em engajamento. Aliás, já se fala que os CEOs deveriam agir como chief engagement officers e que as organizações de comunicação dentro das empresas têm um papel fundamental nessa tarefa.

Segundo estudo da Hay Group, as empresas que melhor engajam seus funcionários podem ter receitas até 4,5 vezes maiores do que as demais. Por outro lado, conseguir fazer isso está cada vez mais difícil, pois a cabeça dos funcionários mudou muito nos últimos anos. As motivações e valores atuais são diferentes das do passado. Segundo a Hay, essa transformação está acontecendo devido à influência de vários fatores, entre eles, o estilo de vida digital, a convergência tecnológica, as mudanças demográficas, a globalização e o impacto ambiental. Com base nessas tendências e em seus próprios estudos, a Hay identificou os principais desafios que as companhias enfrentam para incentivar e envolver os trabalhadores. Não é surpresa que colaboração e transparência apareçam na lista.

Charlene Li, uma das consultoras mais conhecidas em liderança digital, novas tecnologias sociais e colaboração nas empresas, autora de vários livros best sellers, afirma que os líderes mais engajados e de maior sucesso têm três características em comum: escutam estrategicamente, compartilham informação e se utilizam de formas genuínas de engajamento. Para ela, o líder engajado é um construtor de relacionamentos de valor, dentro e fora das empresas, que rompem a barreira da hierarquia e usam novas formas de interação. Não deixe de ler o excelente artigo chamado "3 Things All Engaged Leaders Have In Common", escrito por Charlene para a FastCompany. Vale muito a pena. O artigo é uma adaptação do recente livro publicado por ela: "The Engaged Leader: A Strategy for Your Digital Transformation".

Numa entrevista para o jornal Valor, Eduardo Gouveia, presidente da Alelo, contou algumas de suas estratégias na busca de melhor interação com sua força de trabalho. Ele faz almoços com funcionários e procura trabalhar em lugares diferentes dentro da empresa para ter chance de conhecer e interagir com mais funcionários. Ele disse que, sempre que pode, vai ao banheiro em andares diferentes do prédio, para circular mais pelos corredores. Essas são formas simples e muito interessantes de melhorar a comunicação interna, mostram um executivo que pensa diferente e que realmente procura interagir com os diversos escalões da empresa. No entanto, essas atitudes devem ser encaradas como ações complementares a algo maior e mais abrangente. Certamente não atende integralmente a demanda e a necessidade de empresas com milhares de funcionários.

Algumas empresas já descobriram que a adoção de mídias sociais internas faz toda a diferença. Pense em uma rede corporativa interna, onde os funcionários podem conversar uns com outros, compartilhar conhecimento e emitir opiniões. Criar um ambiente colaborativo, aberto, transparente e em tempo real é uma necessidade atual. Esta é uma forma interessante de aproximar as lideranças das equipes mais distantes e remotas. Por mais que apareçam opiniões contrárias, minha experiência pessoal mostra claramente que as mídias sociais internas trazem mais produtividade e inovação para as empresas, além de mais satisfação e desenvolvimento para os funcionários.

Existem muito mais benefícios do que riscos na implementação e no uso de mídias sociais pelas empresas: comunicação direta, sem intermediários, quebra da barreira hierárquica, quebra da barreira geográfica, incentivo à inovação e à diversidade, aumento do sentimento de camaradagem e do espírito de equipe, ajuda no entendimento da estratégia da empresa, aumento do senso de pertencimento, cria referências, etc. Eu poderia ficar aqui enumerando muito mais razões.

Por outro lado, a entrada das empresas no mundo das mídias sociais precisa de planejamento, de objetivos definidos e de adequação à cultura da companhia. Não é algo simples, mas está longe de ser complicado. Já existem muitas empresas com histórias de sucesso que merecem ser estudadas, com lições aprendidas e bons exemplos de como fazer.

Os maiores riscos para adoção das mídias sociais nas empresas ainda residem no velho paradigma das empresas desejarem controlar o que rola dentro da empresa. Isso é um sonho impossível. Ninguém controla mais nada. Na era dos smartphones, internet, redes sociais e conectividade total, o controle virou história da carochinha, algo de tempos passados. O tempo agora é de participar e influenciar na conversa em vez de comandar e controlar a conversa. Portanto, esqueça o desejo de inibir a interação aberta entre os funcionários, em vez disso trate de criar ambientes dentro das empresas para as pessoas conversarem cada vez mais, de preferência através dos canais de comunicação da empresa, onde os papos podem ser vistos, acompanhados e compartilhados.

Voltando ao início do post, é este o ambiente que os funcionários desejam. Todos nós queremos ambientes mais transparentes e abertos, onde os líderes falem e compartilhem seus pontos de vistas, percepções, planos, objetivos e até, inseguranças. Ironicamente, a principal barreira para a adoção das mídias sociais pelas empresas continua sendo os executivos. Infelizmente, ainda existe um número significativo de líderes empresariais que não entendem o poder das mídias sociais como ferramenta de comunicação e engajamento dos funcionários. Existem várias barreiras. Fiz uma pesquisa anos atrás e cheguei a 10 principais barreiras, mas o resumo é que a maioria ainda acha que vai perder tempo nas mídias sociais, além de não ter certeza do benefício do diálogo aberto e descontrolado.

Enfim, a comunicação interna dentro das empresas precisa passar por uma transformação gigantesca. Os funcionários estão clamando por mais e melhor comunicação de suas lideranças. Cabe aos CEOs das empresas dedicarem mais tempo em suas agendas para as atividades genuínas de relacionamento com seus times, especialmente usando ferramentas sociais digitais. É tempo de mudança.


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sexta-feira, 24 de abril de 2015

A falta de tempo não é uma desculpa


Dias atrás, numa palestra, eu falei sobre as transformações na carreira de comunicação e marketing. No fim do evento, algumas pessoas vieram falar comigo. Uma jovem disse que havia ficado encucada com algumas das minhas mensagens e que gerei inquietude e desconforto. Respondi que essa era a minha intenção, que todos nós estamos nesse mesmo barco e que, de forma geral, todas as carreiras estão em profunda e acelerada mudança, especialmente por conta da tecnologia em nossas vidas. Ela concordou, mas disse que não sabia como fazer, e soltou uma frase que sempre me incomoda: "Eu não tenho tempo". Dali para frente, sob este argumento, a conversa evoluiu pouco porque tudo se justificava pela falta de tempo.

"O mundo está todo aí para ser aproveitado, depende de você". Isso me foi dito por alguém, anos atrás, quando eu pensava em mudar de carreira. Nunca mais esqueci e foi isso que me veio à cabeça na conversa com a jovem. Como pode uma adolescente me responder que não tem tempo? Muitos reclamam da vida atribulada, alegam compromissos, mas quase sempre as pessoas olham para trás em vez de olhar para frente. Como disse Renato Russo, todos os dias quando acordamos, não temos mais o tempo que passou, mas temos muito tempo, temos todo o tempo do mundo, não temos tempo a perder. Olhemos para frente, façamos com que a nossa vida tome o rumo que desejamos.

Tempo é uma das coisas que todos os seres humanos têm em comum. Não tem discussão, todos nós temos 24 horas por dia. A reclamação de falta de tempo é corriqueira entre todos nós. É um equívoco. Eu tenho 24 horas, você tem 24 horas, o Bill Gates tem 24 horas, o Obama tem 24 horas. O Jorge Paulo Lemann, que é o homem mais rico do Brasil, tem 24 horas. O Paulo Coelho, autor de dezenas de livros com vendas de quase 200 milhões de exemplares, tem 24 horas, e por aí vamos.

Não há saída: somos todos iguais na questão do tempo. No entanto, a diferença é o que fazemos com as 24 horas que recebemos todos os dias.

Não, não, não, este não é um post de autoajuda. É apenas uma reflexão a uma jovem que encostou em mim e alegou que não tem tempo. Num dia de folga você pode decidir comer uma barra de chocolate e fazer a maratona do House of Cards, correr no parque, ler um livro, navegar a esmo no Facebook ou dormir até mais tarde. A decisão é exclusivamente sua. Não pense apenas nas 24 horas de um dia, mas pense num conjunto de dias de 24 horas, pode ser uma semana, um mês, um ano e até um conjunto de anos. Imagine o que você pode conseguir neste tempo. Este tempo é todo seu. Dá para fazer muita coisa. Você tem o livre arbítrio para decidir o que desejar fazer com ele.

Uma amiga sonhou um dia subir o Everest. Claudia juntou dinheiro, treinou, se planejou e conseguiu. Rogerio resolveu correr uma maratona, o que parecia impossível se tornou realidade. Adelino passou 20 anos sonhando em conhecer a Antártida. Depois de muito planejar, ele chegou lá. Minha esposa Regina, aos 40 anos de idade, decidiu fazer o curso de arquitetura e hoje é uma arquiteta de sucesso. Todos nós temos amigos e familiares com histórias incríveis. Faça a sua.

Como disse César Souza, realizar sonhos não é obra do acaso. As pessoas, em geral, vão levando as suas vidas, negligenciando os seus sonhos e vão perdendo lentamente a capacidade de sonhar, muitas vezes esperando que suas vidas mudem de direção a partir de algo inesperado. Tenha certeza de uma coisa: se você não tomar a iniciativa, a chance de mudar é quase nula. Pense para onde deseja ir, quem você quer ser e o que gostaria de fazer. A mudança consciente de direção depende da sua capacidade de tomar atitude, com disciplina e perseverança. Para isso você precisa repensar a forma como consome e planeja o seu tempo, diariamente.

“Quanto mais eu trabalho, mas sorte eu tenho”. A frase de Thomas Jefferson parece se encaixar perfeitamente no que estamos falando. Tome as rédeas de sua vida começando pelo planejamento de cada dia e nas pequenas decisões. Parece simples. E é mesmo. A concretização de seus projetos pessoais depende de suas ações, de sua determinação, de como consome o seu tempo e de suas atividades diárias. Todo mundo têm sonhos e aspirações. O que nos diferencia é que você faz com eles.

Eu deveria ter dito tudo isso para ela naquele dia. Mas não deu. Quem sabe ela passa por aqui e dá uma lida?

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terça-feira, 21 de abril de 2015

Trendwatching: As 10 tendências globais de consumo 2015


Anualmente a Trendwatching publica uma lista de tendências globais de consumo. Essa lista é sempre interessante pois surge com possibilidades para as empresas inovarem em seus projetos de marketing e relacionamento com consumidores. Obviamente que essas  tendências variam de mercado para mercado, região para região e de setor para setor.

Veja o resumo das 10 tendências globais de consumo 2015, cujo sumário retirei do jornal Propaganda e Marketing.

Visite também o Varejista.com.br para ver um bom sumário das tendências. É uma leitura que vai complementar os meus pontos abaixo.

E, por fim, vale muito a pena acessar o site da Trendwatching e ver cada tendência com mais detalhes. Eles mostram casos reais e exemplos práticos de cada tendência, o que ajuda muito a entender o cenário atual e para onde estamos indo.

1- Os consumidores passarão a se importar menos com o que eles possuem ou com o que eles podem comprar, e se importarão mais com o que podem fazer ou criar a partir dos produtos, serviços e plataformas.

2- Consumidores recompensarão cada vez marcas corajosas que se alinham e se posicionam em relação a conversas difíceis e necessárias do nosso tempo, especialmente temas polêmicos, que são tratados pelo jornais, mas evitados pelas marcas.

3- Terão mais sucesso as empresas que passarem a dar descontos reais em função de uma circunstância pessoal ou significativa vivida por seus consumidores. A análise mostrou que apenas 30% dos consumidores globais pensam que as marcas têm um compromisso sincero com seus clientes. Para compensar isto, cada vez mais empresas vêm fazendo esforços objetivos e criativos para mostrar que se importam, sim, com seus consumidores.

4- Connsumidores esperam das marcas meios ainda mais rápidos para acessar os produtos e serviços. Aplicativos que agilizam qualquer processo são mais eficazes.

5- Consumidores querem mais conveniência para pagamento. Além de utilizar cada vez mais pagamentos digitais, os consumidores buscarão ainda mais praticidade. Algumas marcas estão criando mais recursos para seus consumidores, como a possibilidade de dividirem os custos dos pagamentos dos produtos e serviços com outras pessoas.

6- As empresas que aumentarem seus programas de premiação dos consumidores como formas de estímulo vão alcançar suas metas, além de ganhar destaque no mercado.

7- Produtos compartilhados nas internet cada vez mais agradam os consumidores pois permitem novas maneiras de extrair valor deles. A internet das coisas está viabilizando isso. Um exemplo é o acesso compartilhado de produtos que podem ser controlados pelos consumidores a distância e podem ser trocados entre eles.

8- Consumidores esperam que as marcas monitorem e cruzem os dados demográficos para que as empresas conheçam melhor seus clientes e ofereçam serviços e inovações mais relevantes.

9- Consumidores esperam que as empresas atuem além da tradicional responsabilidade social, ou seja, que as empresas identifiquem deficiências governamentais, identifiquem suas causas e como elas afligem os consumidores, e atuem sobre elas. Iniciativas serão muito bem vindas neste sentido.

10- A chegada dos robôs nas empresas será uma realidade. Eles serão utilizados não só para cortar custos, mas também para aumentar a satisfação dos consumidores. A Nestlé, por exemplo, está testando um robô para guiar os consumidores por todas as tonalidades de sabor de café.

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domingo, 12 de abril de 2015

A trilogia completa de entrevistas de Jean Paul Jacob para Jô Soares, em 1991, 1992 e 1996


Aqui você encontra, em vídeo, a famosa trilogia de entrevistas de Jean Paul Jacob para Jô Soares. Este foi um tesouro enterrado durante muitos anos e só agora descoberto, numa antiga fita VHS encontrada na casa de JP (Jean Paul). São vídeos de significativo valor histórico.

No dia 2 de dezembro de 1991, Jô Soares comandou uma entrevista histórica com Jean Paul Jacob, Gerente de Pesquisas da IBM na Califórnia, no seu antigo programa Jô Onze e Meia, ainda no SBT. Numa era em que a tecnologia da informação e a internet ainda estavam dando os primeiros passos, JP (Jean Paul) e Jô travaram uma conversa divertidíssima sobre o futuro dos computadores, mundo multímidia, inteligência artificial, internet e super condutividade.

A entrevista toda foi sensacional, mas a magia aconteceu no final, quando JP demonstrou a super condutividade ao vivo, fazendo uma pastilha de cerâmica levitar, diante dos olhos e das bocas boquiabertas do público, inclusive do próprio Jô. Ainda mais no finalzinho, já no encerramento, JP tinha que se desfazer do nitrogênio líquido (que é perigoso e de difícil manipulação) e decidiu jogá-lo no chão, criando uma espécie de fumaça. A câmara captou o momento e Jô Soares se espantou. JP simplesmente comentou: "Estou devolvendo ar ao ar".

A entrevista teve tanta repercussão, que Jô trouxe JP mais uma vez para o seu programa, desta vez em 1992.

Na entrevista de 1992, a conversa voltou a ser sobre futuro e transformações. Falou-se sobre robôs miniaturizados introduzidos no corpo humano e computadores pessoais multimídia, que eram super novidades naquele ano. É divertido compararmos essa conversa com os dias de hoje, onde temos smartphones e dispositivos super sofisticados em nossas mãos. Foram quase 40 minutos de diálogo e quase nada se falou sobre internet, que naquela época era algo ainda incipiente e poucos conseguiam estimar a dimensão transformadora que ela traria à sociedade.

Completando a trilogia, Jô voltou a entrevistar JP em 1996. Nessa nova conversa, as estrelas da conversa foram os laptops multimídia e, principalmente, a internet. Muito interessante a demonstração feita por JP de busca na internet sem usar o... Google, até porque o Google ainda não existia :) Ver o JP fazendo as demonstrações é estranho, pois mostra como éramos bebês ingênuos na jornada de transformação da tecnologia. É incrível ouvir o JP falar naquela época em wearables, parecia algo de um futuro muito distante e improvável.

JP tem uma história formidável. Ele se formou em engenharia eletrônica no ITA, São José dos Campos, em 1959. Logo que se formou, JP descobriu que ser
cientista no Brasil era uma profissão muito mal remunerada e repleta de limitações. Ele partiu para o exterior. Trabalhou como pesquisador na França e na Holanda. Em 1961 ele recebeu um convite para se juntar a uma equipe da IBM que pesquisava métodos de automação de aciaria na Suécia. O projeto exigia conhecimentos avançados de matemática para gerar um modelo matemático do processo, e JP gostou da oportunidade. A alegria durou pouco. JP fazia seu trabalho usando computadores analógicos, algo muito limitado, e ele queria mais. Durante o seu trabalho na Suécia, já na IBM, a NASA anunciou um projeto para o primeiro estudo de uma estação espacial. Na época os médicos diziam que o ser humano não poderia sobreviver fora da atração da gravidade e se tentasse, os órgãos vitais seriam expelidos para fora do corpo. Algo bizarro. O projeto da NASA pedia a simulação de uma estação espacial que gerasse gravidade usando a força centrífuga, e a equipe da IBM que trabalhava no projeto da aciaria era de longe a mais experiente em simulações. Foi aí que JP aceitou o convite para participar do projeto e pousou na Califórnia em 1962. De lá ele nunca mais saiu, com exceção de um breve período, entre 1969 e 1971, quando morou no Brasil. Na Universidade da Califórnia, em Berkeley, ele alcançou os graus de mestrado e doutorado em matemática e engenharia.

JP é de tudo um pouco. É professor, cientista, pesquisador, palestrante e um monte de outras coisas. Recebeu dezenas de prêmios ao longo do tempo. Talvez, a melhor definição para ele seja futurólogo. Toda a sua vida é dedicada para olhar para frente. Ele frequentemente diz que temos que aprender com nossos erros. Nunca devemos repetir o mesmo erro. Afirma que aprendeu isso quando ainda era muito jovem, numa fazenda em São Carlos, São Paulo. Diz ele: "olhe sempre onde você vai pisar e não onde você já pisou". Assim nasceu o futurólogo Jean Paul Jacob.

Com enorme poder de comunicação e sedução, JP é um dos melhores palestrantres que eu já vi na minha vida. Ele é uma espécie de evangelista das ciências. Já fez palestras pelo mundo todo: Brasil, Estados Unidos, Europa, América Latina, etc. Falando em português, inglês, francês, alemão e espanhol. Um assombro :) Dono de um humor envolvente, ele encanta as plateias com seu estilo pessoal e magnético. Sempre foi extremamente preocupado com detalhes e com o planejamento de cada uma de suas palestras e reuniões. O sucesso nunca veio por acaso e sempre veio por conta do conteúdo extraordinário que compartilha com quem conversa ou assiste suas apresentações.

Sempre foi uma pessoal humilde, de sorriso farto e sincero, com riso fácil. Eu tenho a impressão que a palavra que ele mais fala na vida, até hoje, é "porque", sempre com tom interrogativo. É um curioso costumaz. Acho que ele deve ler até bula de remédio. Seus paradeiros prediletos sempre foram o Centro de Pesquisas da IBM em Almaden e a Universidade da Califórnia. Aliás, ele hoje continua residindo na Califórnia, a terra escolhida para viver nas últimas cinco décadas.

Como qualquer futurólogo, JP acertou muitas previsões e errou algumas. Porém,
mesmo aquelas que ainda não deram certo, ainda me parecem muito prováveis de acontecer, como a previsão de que vamos usar a condutividade elétrica da pele e do sangue para interconectar "coisas" que carregamos. Uma espécie de rede pessoal. Lembro bem dele falando sobre isso em suas palestras. Aliás, lembro dele falando da internet das coisas, computação cognitiva, robótica, dispositivos vestíveis, e-readers, o fim do LP e o surgimento do CD laser, câmeras digitais, mundos virtuais, internet 3D, etc.


Mas o gênio JP também é um ser humano como nós. É gente como a gente. E esta sempre foi uma face de encantamento para as pessoas. É um sujeito espartano, humilde, sem preconceitos e que gosta de coisas simples, como um belo prato de camarão e ouvir música clássica.

JP passou a vida toda imaginando e planejando o futuro. Foi um agente de mudança, impactando a vida de milhares de pessoas. Trabalhar com o futuro é magnífico pois exige sonho e imaginação, por outro lado pode ser frustrante, pois o futuro nunca chega, ele está sempre a frente. Fico pensando no que JP está atualmente pensando sobre o futuro da sociedade. Visite e participe do Grupo dos Amigos do Jean Paul no Facebook. Lá você você vai ter chance de saber mais sobre JP, sua história e interagir com ele.

A primeira das entrevistas da trilogia abaixo aconteceu em 1991, um pouco mais de 20 anos atrás. Assista o vídeo, veja a demonstração da super condutividade, que é antológica, e solte a sua imaginação. Isso tudo aconteceu há somente duas décadas. Será que somos capazes de imaginar o mundo daqui há 20 anos para frente?

Aperte os cintos e boa viagem :)









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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Hello Barbie: evolução ou invasão de privacidade?

O anúncio da nova boneca Hello Barbie conectada por wi-fi e que conversa com as crianças provocou uma avalanche de análises e comentários na web a respeito da invasão de privacidade dentro dos lares. As críticas têm sido duras e muito bem fundamentadas. A boneca tem um microfone embutido que capta tudo que é conversado ao redor dela. Essas conversas serão transmitidas para os servidores da Toy Talk, a parceira de tecnologia da Mattel, que é a fabricante do brinquedo.

A Mattel informa que vai aprender sobre o que as crianças gostam e não gostam, que a boneca vai conversar com elas através do alto-falante existente no brinquedo e que os pais receberão emails com destaques das conversas de sua crianças. Psicólogos estão analisando o caso com avaliações catastróficas. Conheça a boneca no vídeo abaixo.



Apesar de parecer intrusivo, ameaçador e uma afronta à privacidade, eu acho que podemos estar fazendo tempestade em copo d'água. O argumento de que as bonecas ouvirão os segredos das crianças, apesar de verdadeiro, nada mais é do que uma evolução natural do que vêm ocorrendo em nossas vidas.

Nós já compartilhamos segredos, deixamos rastros e nossos gostos pessoais nas redes sociais nas quais participamos. Muitos de nós somos facilmente localizáveis pois permitimos que nossos smartphones registrem nossos passos. As nossas vidas estão armazenadas nos servidores do Google, Facebook e etc. com detalhes que desconhecemos. Cada vez mais pessoas compartilham suas informações com empresas em troca de benefícios, promoções, facilidades, conveniências e ofertas personalizadas. O conceito de privacidade vem evoluindo radicalmente nos últimos anos.

Falar que são crianças inocentes contando os seus segredos para a Hello Barbie me incomoda. Elas já fazem isso nas redes sociais, nos smartphones e em outros canais que os pais nem imaginam. Portanto, se isso incomoda você, não dê a boneca para uma criança, ou, se optar em ter a boneca, não ligue o wi-fi, desligue o microfone e o alto-falante. Ah, aproveite para tirar o smartphone de suas mãos também. Se for fazer o serviço, faça bem feito e completo.

Será que alguém já perguntou para as crianças o que elas acham da Hello Barbie? Ou apenas os psicólogos, especialistas e pais se pronunciaram? Ah, elas não têm idade para avaliar essas coisas. Ok, então deixemos elas se divertindo com seus smartphones superconectados.

A boneca Hello Barbie é um mero sinal do tsunami à nossa frente. Em alguns anos haverá a explosão da computação cognitiva, robótica, inteligência artificial e assistentes virtuais. Você assistiu o filme Ela? (veja trailer abaixo) Assista! E me diga o que acha da Hello Barbie comparada à Samantha. Parece ficção, mas não é. Estamos muito próximos dessa realidade.

Tecnologias altamente avançadas de computação cognitiva permitirão a interação intensa entre homens e máquinas, com conversas inteligentes e profundas, numa relação quase humana. Provavelmente, mais breve do que imagina, o seu melhor amigo e conselheiro não será propriamente um humano, mas uma máquina, travestida de robô ou em algum dispositivo que você vai carregar consigo.

A internet das coisas vai permitir que os equipamentos e dispositivos ao seu redor conversem sobre você... sem você saber! Os wearables vão monitorar a sua saúde, evidenciar sua rotina, seus gostos e preferências. As empresas estarão aptas a entender e conhecer melhor você, provendo serviços personalizados, experiências únicas e individuais. E você vai gostar disso. As coisas ao seu redor saberão tudo sobre você. Quando isso acontecer, o conceito de privacidade pode ser totalmente diferente do que imaginamos hoje.

Enfim, a Hello Barbie é apenas a pontinha do iceberg que o titanic da sociedade vai encarar pela proa em breve. E não vai dar para fugir dele.

E aí, vai comprar uma Hello Barbie?




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segunda-feira, 30 de março de 2015

Quando a demissão joga a favor da equipe


Há muitos anos atrás, num dos meus primeiros empregos, trabalhei numa empresa que estava se expandindo e contratando muita gente. No dia da minha entrada iniciaram comigo mais dois novos colegas de trabalho. Um deles se chamava Roberto. Ficamos sob a gestão de um mesmo gerente, que comandava um grupo de aproximadamente 20 pessoas. O clima era bom e o gerente parecia ser uma boa pessoa.

Em menos de três meses eu percebi que Roberto era um sujeito complicado. Ele não gostava de trabalhar, era pessimista de carteirinha, sempre achava que o copo dele estava mais vazio, sempre reclamava de tudo, falava mal de todos, mostrava insatisfação com a empresa, nunca demonstrava entusiasmo e influenciava a todos. Quando ele chegava de manhã no escritório, raramente dava "bom dia", parecia que carregava uma nuvem preta na cabeça, pois ele incendiava o grupo e todos entravam na pilha da insatisfação e pessimismo dele. Ele era realmente uma pessoa desagradável.

Para resumir a história, Roberto transformou o grupo num time de infelizes trabalhadores. Após um ano de sua entrada na empresa, quase metade do grupo pediu demissão do emprego. Foi uma debandada. Todos, inclusive a gerência, tinham consciência da influência devastadora de Roberto e de que ele era a principal razão de tudo que estávamos passando. Mesmo assim, mesmo após todos os danos e a destruição do grupo, a empresa ainda levou meses para tomar a decisão de demitir Roberto. Aquela foi uma lição aprendida.

Por que as empresas demoram tanto tempo para demitir alguém incompetente e perverso para o grupo? Por que as empresas aceitam conviver com péssimos influenciadores? Por que os gerentes procrastinam tanto na hora da tomada de decisão de uma demissão?

Segundo Lucy Kellaway, os gestores adiam essa decisão por três motivos: eles se apegam a vã esperança de que a pessoa vá mudar (ela quase nunca muda), eles relutam em admitir que fizeram uma escolha errada, e eles recuam da situação desagradável que é demitir alguém.

Depois da experiência descrita acima, recebi uma oferta de emprego e fui para outra empresa. Após meses de trabalho, a empresa contratou um novo diretor, vindo de fora da organização. Lembro que em apenas dois dias ele demitiu um analista financeiro que tinha muito tempo de casa. Perguntado por que ele demitiu aquela pessoa tendo apenas dois dias de convivência, ele respondeu: "Como posso conviver com um analista financeiro que se diz sênior, mas não responde às perguntas e não sabe usar Excel?" Nunca mais esqueci essa resposta dele.

Desde então eu aprendi a mapear muito bem quem são os bons e os maus colegas no trabalho e, principalmente, quem são os principais influenciadores da equipe. Com o passar do tempo eu desenvolvi uma teoria simples, porém não é propriamente uma novidade, pois já vi versões variadas do meu conceito. Ao longo de 20 anos como gerente fui testando e desenvolvendo o conceito. Incrivelmente ele funciona na maioria das vezes. Chamei esse conceito de 2-6-2.

Num grupo de 10 pessoas no trabalho, é possível identificar duas supermotivadas, otimistas e para cima. Por outro lado, no mesmo grupo, somos capazes de identificar duas pessoas rabugentas, pessimistas, que influenciam negativamente o grupo e que estão sempre para baixo. Por fim, existem seis pessoas que são observadoras, influenciáveis e que às vezes são influenciadas pelos positivos, ora pelos negativos.

O conceito 2-6-2 pode ter variações numéricas, mas quase sempre é infalível. O sucesso da equipe vai depender de quem tem mais poder e influência sobre as pessoas observadoras. É nesta hora que o gerente tem que atuar, privilegiando e destacando os positivos. Se isso acontecer, a equipe se contagia e o espírito positivo prevalece dentro do grupo. Camaradagem, parceria e entusiasmo passam a imperar se o pêndulo do grupo estiver favorável. Cabe ao gerente saber identificar esses perfis positivos e dar maior espaço para eles no dia a dia.

Não estou dizendo que ter pessoas menos positivas seja de todo ruim. Muitas vezes pode ser interessante ter alguém mais crítico, mais duro e questionador dentro do grupo, alguém menos confiante e até, às vezes, uma espécie de ovelha negra. Mas este não deve ser o espírito reinante. Pense nisso. Pense no grupo onde trabalha e faça o exercício. Escolha estar do lado do colega certo em seu trabalho. Fique perto de quem passa boa energia, tem espírito de time e acredita numa sociedade melhor. Vai ficar bem mais fácil trabalhar assim.


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