domingo, 30 de agosto de 2015

Petrobras e Odebretch são empresas dos sonhos dos jovens

Logo depois que me formei em engenharia, eu fiz um concurso para trabalhar na Petrobras. Não passei! Trabalhar na Petrobras virou um sonho. A Cia. de Talentos acaba de publicar o estudo "Empresas dos Sonhos dos Jovens 2015" e eu descobri que, como eu, a Petrobras é o sonho de trabalho de milhares de jovens.

O estudo tem origem numa pesquisa com quase 70 mil jovens para entender o que se passa nas cabeças dos universitários e recém formados em relação a trabalho e emprego. O perfil foi o seguinte: 36% de jovens entre 17 e 20 anos, 48% entre 21 e 24 anos e 16% com 25 e 26 anos de idade.

O quem mais me chamou a atenção foi encontrar a Petrobras e Odebretch nas segunda e terceira posições do ranking das empresas favoritas para se trabalhar pelos Ys. As duas só perdem para a onipresente Google, que ocupa a primeira posição da lista. As posições de Petrobras e Odebretch mostram que os jovens conseguem separar os efeitos dos escândalos da Operação Lava Jato entre empresas e executivos. Muito bom isso!!

Eu tenho muito amigos na Petrobras, inclusive alguns estudaram comigo na universidade, todos são bons profissionais, éticos e competentes. A Petrobras é uma empresa constituída de profissionais altamente qualificados e comprometidos com o sucesso da empresa, é uma organização que oferece oportunidades incríveis de desenvolvimento profissional. Já a Odebretch é um empresa com uma cultura corporativa admirada, cujo funcionários demonstram grande orgulho e admiração. As que conheço que trabalham lá tem grande paixão pela empresa. Foi uma bela surpresa constatar que os jovens mantém essas empresas no radar como lugar para se trabalhar e fazer carreira... porque são mesmo!!

Neste ano, apenas 52% dos jovens pesquisados disseram ter uma empresa dos sonhos. No ano passado esse índice foi de 58%.

A pesquisa confirma que os jovens querem trabalhar em empresas que oferecem oportunidades de desenvolvimento, que tem um ambiente aberto para experimentação e adoção de novas ideias e alternativas de carreira, ou seja, flexibilidade cada vez mais se torna importante e fator de decisão pelas novas gerações.

Registro abaixo 5 índices importantes:

  • 84% dos pesquisados esperam empresas com olhar inovador para processos e produtos
  • 71% esperam espaço para experimentar e testar novas coisas e ideias
  • 94% sairiam das empresas caso seus gestores não estivessem preparados para desenvolver pessoas, mesmo que tivessem bom salário 
  • 74% esperam que seus gestores conversem frequentemente sobre desenvolvimento profissional
  • 69% preferem recompensas imediatas às de longo prazo

Veja abaixo os motivos de escolha e o ranking das empresas. Caso se interesse pelo tema, vale a pena acessar o Estudo EMPRESAS DOS SONHOS 2015 para entender melhor como pensa essa nova geração de trabalhadores. Veja o ranking por gênero, por faixa etária, por região do país e até por renda.





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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O Uber das agências e o hacker do crescimento


Esse post tem origem em dois artigos que li recentemente. O primeiro tinha o curioso título "Growth Hacker is the new VP of Marketing". Eu caí da cadeira. O que é Growth Hacker? Se este cara vai ser o novo vice-presidente de marketing, como é que eu estou por fora? Se você é como eu, não sabe o que é isso, vá lá, dê um pulinho para sair da ignorância e conhecer seu novo chefe.

O segundo artigo tinha o oportunista título "The Uber of Agencies: Why Marketers Want to Ride a New Kind of Shop". Nesse artigo, o CMO da Kimberly-Clark põe pimenta na discussão sobre o futuro das agências.

Confesso que essas duas leituras me geraram um tremendo desconforto. Elas mostram que o marketing atual já é bem diferente daquele de um passado recente. O marketing que nós aprendemos já não existe mais, ou pelo menos parte dele. A decisão da P&G de eliminar o nome marketing das organizações e posições de marketing dentro da empresa é uma evidência dessa mudança.

No evento #ibmschool que aconteceu na semana passada rolou um painel de debate de duas horas onde se discutiu o futuro do marketing e o marketing do futuro. O painel era eclético, formado por Beth Saad (pesquisadora, professora e coordenadora do curso de pós-graduação de comunicação digital da USP), Edney Souza (consultor de marketing, professor de redes sociais na ESPM, organizador da Social Media Week São Paulo e conhecido também como Interney), Gustavo Reis (gerente de marketing e mídia da Tecnisa e professor de marketing do MBA da ESPM), Edu Vasques (coordenador de mídias sociais do Grupo TV1) e Fábio Sabba (líder de comunicação do Uber Brasil).

Ou seja, só fera e gente com múltiplas visões e experiências. O tema foi o impacto da computação cognitiva para o marketing. Um dos pontos flagrantes mais discutidos foi o desconhecimento, o despreparo e a dificuldade dos profissionais, das agências e das empresas em lidarem com as tecnologias mais disruptivas. Esse papo permeou todo o debate sugerindo que é algo que está tirando o sono de todos.

Este novo marketing é formado por um novo ecossistema, com novos personagens, novas entidades e novos influenciadores. E parece que cada vez mais chegam novos intrusos nesta festa. Se você estuda ou trabalha com marketing, sugiro que comece a repensar seus relacionamentos. O profissional de marketing precisa sair do seu habitat, do seu território protegido, e se desenvolver em novas áreas de conhecimento. Também precisa ir além do instinto de sobrevivência, precisa ter grande capacidade de adaptação e de transformação.

Hoje, as organizações de marketing têm profissionais que não existiam na década passada. Pense em especialistas em SEO, web designers, web app developers, social media experts, community managers, data analysts, programmatic media planners e etc. Esses não são profissionais tradicionais de marketing. Eles não nasceram nas universidades. São profissionais multifacetados, com múltiplas formações e com perfis muito distintos. É esse o caminho do marketing.

Agora, pense em computação cognitiva, inteligência artificial, wearables, internet das coisas e toda a sorte de dispositivos móveis. Pense na morte lenta e agonizante da TV como a conhecemos. Pense na era on demand total, na qual as marcas vão conversar com os consumidores da nova geração de forma completamente distinta. Pense que o novo canal de mídia não é mais a TV, nem o rádio e nem os canais impressos. São as próprias pessoas.

Em vez de criarmos lindas peças de publicidade para serem veiculadas na mídia que conhecemos, o novo paradigma será desenvolver ideias que possam ser compartilhadas e escaladas e que motivem as pessoas a distribuí-las. O sucesso das marcas dependerá cada vez mais da capacidade das marcas de engajar pessoas. Pense na nova geração de seres humanos nascida imersa no mundo digital e no mundo on demand. E aí? Está confortável na cadeira?

Uma vez ouvi numa palestra a seguinte profecia: "na próxima década o marketing tradicional estará morto". Eu ouvi essa frase em 1995, quando a internet como a conhecemos ainda dava os primeiros sinais de vida. Naquela época, ninguém entendia muito bem o que seria o marketing digital. A cada ano que passa essa frase volta a repercutir na minha cabeça. Seremos todos zumbis marqueteiros se não nos jogarmos no abismo desconhecido a nossa frente.

Marketing, como aprendemos na escola, sozinho, não existe mais. Marketing agora é uma combinação do marketing tradicional com antropologia, ciências humanas, matemática, estatística, tecnologia da informação, novas tecnologias, robótica e o que mais você desejar. Estamos diante de um novo marketing, de uma época onde sistemas inteligentes escreverão notícias, comprarão mídia programática e farão mensuração das campanhas em tempo real.

Vivemos um tempo onde a experiência das pessoas com as marcas é que determinará o sucesso das organizações, e considere que estamos falando de experiências únicas e individualizadas, cada vez menos massificadas. Novas profissões de marketing emergirão, exigindo novos conhecimentos, novas capacidades e competências.

O sucesso de todos nós, profissionais de marketing e comunicação – e eu me incluo nessa –, dependerá da nossa capacidade de entrar nesse novo mundo. Dependerá de sairmos do nosso networking tradicional, com os mesmos de sempre, da patotinha que fica olhando o retrovisor e fazendo o pãozinho quente da padaria, e procurar novas tribos. Dependerá da nossa capacidade de articular e nos conectarmos com profissionais completamente diferentes da gente em todos os aspectos, que nos agregam novos conhecimentos e experiências, que nos geram desconforto, e mesmo assim trabalhar com eles para um objetivo comum.

Nosso futuro depende da nossa agenda diária, com quem gastamos tempo, em quais temas, o que estamos lendo e até quem seguimos no Facebook. A nossa evolução depende de abandonarmos a velha retórica de imaginarmos que os sucessos do passado são credenciais para o sucesso futuro.

Quer saber? No fundo, no fundo, o nosso futuro em marketing é diretamente proporcional à nossa coragem de abandonar o passado.


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terça-feira, 18 de agosto de 2015

As 7 vidas do blog


O blog A Quinta Onda está completando 7 anos de vida. As vezes eu tenho a
impressão que escrevo para ninguém. Não tenho ideia do nível de interesse e leitura do blog nos dias atuais. Já desisti de acompanhar o número de acessos e comentários. A verdade é que a busca orgânica no Google e no Facebook tem jogado contra. O fato de colaborar com publicações como Meio&Mensagem, Brasil Post, Café Brasil e Innovation Insider também atrapalha, pois crio dispersão. Apesar de aumentar a relevância do meu nome, eu tiro o foco do blog.

O blog parece que tem 7 vidas. Eu pensei em parar com o blog por várias vezes, exatamente por não ter a dimensão do alcance dos posts publicados. Mas a minha motivação pelo blog sempre foi muito mais interna do que externa. O compromisso do blog me faz pensar, cria disciplina, me obriga ser criativo e a buscar coisas novas. E isso é bom pra caramba. No fundo é isto que me motiva.

A minha estratégia atual é priorizar as publicações que colaboro e depois, planejadamente, republicar os artigos aqui no blog. Ou seja, o blog está virando um repositório do que penso e escrevo por aí pela web.

Se você chegou até aqui, receba meu abraço e minha gratidão. Me sinto muito bem em saber que existem pessoas que gostam de ler o que publico. Acho que é uma forma de compartilhar um pouco do meu conhecimento e dos meus pontos de vista sobre temas diversos. Também reconheço que poucos executivos se predispõe a montar um blog e investir tempo nisso.

Se você gosta do blog, deixa uma mensagem de carinho nos comentários. Vou gostar muito. Abraços. Mauro.


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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Mitos do Empreendedorismo


O paulista Jonny Ken trabalhou durante seis anos em uma empresa de TI. Sem vislumbrar um bom futuro em seu emprego, Jonny pediu demissão e decidiu empreender. Criou uma startup e foi a luta. Um ano depois, por vários motivos, ele deixou a startup e decidiu voltar conscientemente ao mercado de trabalho tradicional. Hoje ele se diz feliz com o emprego atual e avalia: "Descobri que não tinha perfil para tocar um negócio próprio". Veja os detalhes dessa história na revista Você SA, edição 205, de julho de 2015.

Adorei a história acima. De uns tempos para cá virou lugar comum as empresas falarem que estão em busca de profissionais com perfil empreendedor. Todos querem um “cara” assim. Também escuto um monte de gente dizer de boca cheia que o melhor é você ser chefe de você mesmo, que você deve buscar realizar os seus sonhos, que o emprego tradicional vai desaparecer e que no futuro todos nós seremos empresários de nós mesmos, sem o vínculo empregatício tradicional.

Vejo 3 mitos do empreendedorismo:
- Para ser empreendedor, você tem que ter o seu próprio negócio.
- Empreendedores são os seus próprios chefes.
- Empreendedores não existem em grandes empresas.

Quer ver mais mitos do empreendedorismo? Veja AQUI.

Será que para ser empreendedor você precisa ser chefe de você mesmo ou ter o seu próprio negócio? Será mesmo? Eu respondo: Não! Não necessariamente isso tem que acontecer.

Ser empreendedor é você ter iniciativa, ter prazer por realizar, buscar construir algo novo, gostar de se lançar em novos projetos, ter prazer em inovar, ter capacidade de planejar e perseverar diante das dificuldades, ter habilidade de envolver pessoas e conseguir "vender" a sua ideia, se desenvolver em áreas que não domina, ter capacidade de realização e entrega, conseguir encontrar recursos no meio do deserto, sonhar obstinadamente com alguma coisa, ter prazer no que faz, acordar de manhã e estar feliz por mais um dia de trabalho.

Ser empreendedor depende mais de "como você faz" e menos do "que você faz".

Tá estranhando? Sim, sim, sim, você pode ser empreendedor sendo empregado de uma empresa, seja ela pequena, média ou grande.

Se você trabalha numa empresa que oferece oportunidades para você idealizar, coordenar e executar novos projetos ou negócios, que impliquem em mudanças, que envolvam inovação e riscos e que exijam grande capacidade de realização, isso é empreender!!

A empresa onde trabalha incentiva você a falar abertamente sobre temas de seu interesse? Cutuca você a pensar e propor ideias? Promove as pessoas a tentarem fazer as coisas de maneira diferente? Permite o seu desenvolvimento e crescimento pessoal e profissional? Oferece a você alternativas de trabalho que tiram o melhor de você, com liberdade e satisfação? Cara, isso é ser um empreendedor... e feliz !!!

Portanto, ser empreendedor como empregado em uma empresa, independentemente dela ser pequena ou gigante, depende apenas de duas coisas: você e a empresa. Nessa balança de equilíbrio frágil, o prato mais importante é a sua atitude. O espírito empreendedor está dentro de você. Ou você é, ou não é. Acho que o perfil empreendedor pode até ser desenvolvido com o tempo, mas a sementinha tem que estar lá dentro. Portanto, a primeira coisa que você tem que descobrir é: Qual é a sua? Qual é o seu perfil? O que quer?

O outro prato da balança é a empresa. A organização tem que gostar deste tipo de perfil. A sua posição e o que se espera de você têm que estar em consonância com as suas aspirações. Você quer pensar diferente mas a companhia contratou você para passar oito horas por dia apertando parafuso? Puxa, acho que é a hora de repensar as coisas... a não ser que curta isso.

O mais importante no empreendedorismo é você ter consciência do que você quer, das suas capacidades, dos seus potenciais e do ambiente onde você se encontra. Em resumo, não aceite fórmulas definidas de empreendedorismo. Construa a sua história.

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sexta-feira, 31 de julho de 2015

O Uber é a salvação dos taxistas

Nas últimas semanas se intensificou no país o debate Uber versus taxistas, mas acho que essa conversa pode ser a ponta do iceberg. A questão vai muito além do Uber, nós estamos discutindo a prestação e as opções de serviço de transporte dentro das cidades, esta é a discussão real por trás de tudo, e não apenas o fato do Uber ser regulamentado ou não.

O Uber é a bola da vez, mas na fila já surgem outros modelos de compartilhamento de transporte que podem colocar o tradicional serviço de táxi em risco. O Lyft, o Zaznu e a startup brasileira Tripda são exemplos de aplicativos de carona. Você baixa o aplicativo, marca para onde quer ir e o aplicativo oferece opções de motoristas cadastrados que topam dividir a corrida com você. A ideia por trás destes aplicativos, com alguma variação, é conectar passageiros e motoristas de uma maneira fácil, rápida e conveniente, para que todos possam viajar gastando menos. Cada participante da carona paga o custo. A startup brasileira Fleety permite o aluguel de veículos particulares. A ideia é utilizar os veículos que costumam ficar parados por muito tempo e geram despesas aos proprietários. No aplicativo, o usuário pode disponibilizar o seu carro para aluguel ou procurar um carro que atenda as suas necessidades. Daqui a pouco as locadoras de veículos poderão reclamar de que estão invadindo a sua praia. O Moovit é um aplicativo que apresenta as melhores rotas de transporte público para qualquer lugar em sua cidade. Ele compara as opções de transporte público disponíveis e oferece instruções detalhadas de todo o caminho até o seu destino. O Easy Taxi e 99 Taxi são exemplos de aplicativos que já causaram mudanças no tradicional serviço de táxi das cidades, beneficiando motoristas e passageiros, mas prejudicando as antigas estruturas de associações e cooperativas de táxis. Estes são apenas alguns exemplos de aplicativos que estão aí e que sacodem, de alguma forma, o território protegido dos táxis regulamentados.

Segundo a excelente matéria do Fantástico (de quase 10 minutos!!) veiculada em 26 de julho, o Uber já está presente em 59 países e em mais de 250 cidades. A cidade do México foi a primeira cidade da América Latina a regulamentar o Uber, onde os seus motoristas pagam taxa anuais. Em New York, os táxis amarelos tradicionais já são minoria em relação aos carros do Uber. São 13,5 mil táxis amarelos contra 15 mil carros do Uber (dados da NYC Taxi and Limousine Comission).

O caso do Uber oferece uma oportunidade de ouro para os taxistas se conscientizarem de que a sua sobrevivência depende da sua capacidade de virarem o jogo, de começarem a prestar um serviço de melhor qualidade e criar diferenciais. Não basta ter a licença e pagar os impostos, o taxista é um prestador de serviço público, e no mundo atual só sobrevive quem prestar um bom serviço, com preço justo e competitivo.

Eu vivo no Rio e, infelizmente, o serviço de táxi na cidade é ruim. Sou usuário, portanto afirmo isso por experiência própria sem precisar recorrer a ninguém. Obviamente que existem bons profissionais, mas na maioria das vezes o serviço de táxi na cidade é roleta russa. Não desejo aqui discutir a legalidade do Uber e de outros aplicativos, como os citados acima, até porque eu não tenho opinião fundamentada sobre isso, mas o fato do Uber estar causando debates e manifestações por todo mundo já é uma indicação de que realmente ele abala o status quo. E isso é bom... muito bom.

O que a maioria dos cidadãos deseja em transporte é um serviço bem prestado, honesto, seguro, confortável e com preço justo. O Uber surge no rastro da qualidade questionável do serviço regulamentado dos táxis. Não vejo o Uber como um concorrente desleal e nem como algo do demônio, como alguns têm escrito, mas como algo que vai trazer benefícios de alguma forma para o serviço de transporte prestado para a população. Posso estar sendo simplista, mas é assim que eu vejo.

É interessante ver a declaração de Ronaldo Balassiano, engenheiro de gerenciamento de mobilidade da Coppe/UFRJ: "Não se pode prescindir de um sistema de transporte que, embora individual, atende milhares de pessoas, reduzindo o número de carros particulares nas ruas. O curioso é que 90% dos táxis do Rio utilizam algum dos 15 tipos de aplicativos de smartphones para conseguir clientes. Usam a mesma tecnologia do Uber. Não se deve impedir novas modalidades, e sim buscar regulamentá-las".

O Uber é mais um capítulo na imensa lista de quebras de modelo que nós vislumbramos hoje na sociedade. Algo na linha do que o Airbnb vem fazendo no segmento de hospedagem, o Spotify na música, o TripAdvisor em viagens e o Netflix no entretenimento. É mais um que chega na festa a base de Extasy da evolução e da inovação de serviços. O cenário é bem simples: ou os taxistas melhoram seus serviços ou alguém vai tomar o lugar deles. É esta a discussão mais importante que deveria estar ocorrendo na comunidade dos taxistas. Existe uma mudança acontecendo na área do transporte individual e eles estão prestes a serem atropelados por esse tsunami.

É perda de tempo esperar que o Uber vá recuar em seu negócio e em seu propósito. O bode já está na sala, ninguém tira mais. Eu não estou defendendo o Uber como empresa, até porque não sei detalhes, mas eles recorrentemente não se posicionam como uma empresa de transporte. Veja a declaração da companhia: "O Uber ressalta ainda que não é uma empresa de táxi, muito menos fornece este tipo de serviço, mas sim uma empresa de tecnologia que criou uma plataforma tecnológica que conecta motoristas parceiros particulares a usuários que buscam viagens seguras e eficientes".

Quer saber a maior ironia de todas? Os protestos dos taxistas no último dia 24 de julho deu tanta visibilidade para o caso que levou o Uber a se tornar o aplicativo mais baixado pelas pessoas neste dia de protestos no Brasil. Esta foi a primeira vez que o Uber ocupou o 1º lugar entre os aplicativos gratuitos mais baixados na Apple no Brasil desde o seu lançamento no país em 2014, segundo os rankings da App Annie. O movimento de download foi 20 vezes superior ao de dias normais.

E aí? Alguém tem dúvida de quem vai vencer essa batalha?

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quinta-feira, 23 de julho de 2015

[PODCAST] Vida de Trainee: Cuidando da imagem pessoal nas redes sociais


Nos últimos dois anos eu me viciei em podcasts, daí comecei a pesquisar e fui descobrindo a existência de podcasts maravilhosos. Alguns passaram a fazer parte da minha vida porque geram valor e propiciam ver as coisas sob outro ponto de vista. Um dos podcasts que descobri nessa jornada foi o Vida de Trainee.

O Vida de Trainee (VT) é um blog sobre carreira e desenvolvimento, plenamente focado nos jovens. Ele foi criado, inicialmente, com foco em programas de trainee, mas o seu conteúdo foi se expandindo ao longo do tempo. Hoje o site aborda temas bem abrangentes que vão além dos programas de estágio, como planejamento de carreira e desenvolvimento. Os podcasts são divertidos e muito úteis, e não mais somente para os trainees, pois abordam temas variados como "aprendendo a ter jogo de cintura", "carreira no setor público", "como fazer apresentações" e "planejando as finanças". Ou seja, interessa todo mundo.

O projeto nasceu em 2010, da cabeça de Cíntia Reinaux, pernambucana e apaixonada por RH. A ideia foi fruto da sua própria necessidade em procurar informações a respeito de carreira. Ela procurou, procurou, procurou e descobriu que existia uma lacuna, ou uma oportunidade para jovens falarem para jovens sobre carreira, que nem ela. Ela já tinha experiência de ter passado por diversos processos seletivos e sentiu vontade de compartilhar o que aprendeu e vivenciou nos inúmeros processos que passou. O projeto nasceu como um site, com cara de blog. Além do site, o VT também tem uma página no facebook, com incríveis 30 mil curtidas !!

Conheci o VT através da indicação de amigos. Imediatamente assinei o podcast no iTunes e passei a ouvi-los regularmente. Num determinado dia eu tenho a feliz surpresa de receber o contato da Cíntia me sondando para participar de um podcast. Fiquei super honrado e aceitei na hora.

O convite foi para falar sobre o uso das redes sociais dentro e fora das empresas. Como as redes sociais podem nos ajudar na carreira e nos diferenciar no mercado? Como as empresas se utilizam das redes sociais? Quais os cuidados? Como isso afeta a carreira? A pauta era essa, mas a conversa foi muito além de redes sociais. Falamos sobre carreira, a transformação das relações dentro das empresas em função das novas tecnologias e o "novo" relacionamento chefe-funcionário. Falei também sobre os conselhos que eu gostaria de ter recebido no início da minha carreira.

Para conferir, é só fazer o download ou dar o play abaixo:



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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Segredos de Palestrante

Dias atrás eu fiz uma palestra para mais de 250 pessoas. Acho que eu fui bem. Depois de muitos anos fazendo apresentações, confesso que eu encaro com tranquilidade o palco e não fico mais tão nervoso como antes. Apesar dessa aparente tranquilidade, minutos antes de encarar o microfone e a plateia, o meu coração está a mil, sinto a insegurança infinita de que vou esquecer de falar algo importante e as minhas mãos suam frio o tempo todo. Não tem jeito, isso sempre acontece, mesmo convencido de que eu vou me sair bem. Quando faltam 15 minutos para começar, eu torço para o tempo passar rápido e para a tortura da ansiedade ir embora. O nível de adrenalina está no máximo.

Por outro lado, depois de 10 minutos da palestra iniciada, tudo entra nos eixos e me sinto plenamente equilibrado, minha mente está sob controle, minhas mãos param de suar e eu entro num estado de domínio absoluto. Daí para frente minha preocupação é outra, eu fico obstinado em criar conexão com a plateia. Passo o tempo todo olhando para as pessoas, buscando os seus olhos, como se estivesse conversando individualmente com cada uma delas. É assim que funciona comigo. Em resumo, não é somente você que treme quando tem que encarar um microfone.

Eu tenho outro segredo para contar. Em todas as palestras, eu repito, em todas as palestras, sem exceção, sempre aparecem as mesmas figuras. Nessa minha última apresentação aconteceu mais uma vez.

Veja só quem aparece em todas as palestras:

O dorminhoco: são aqueles que dormem descaradamente durante tooooda a palestra. O cara está ali, na sua frente, babando de sono. Os olhos completamente fechados, o tempo todo. Esse é profissional do sono... e é profissional porque ele dorme direitinho, empinadinho, sem nem balançar a cabeça.

O sonolento: diferentemente do dorminhoco, este curte a palestra com os olhos mareados. Acho que aquela voz no fundo dá soninho. Ele abre e fecha os olhos, quase sempre com a cabeça balançando pra lá e pra cá.

A esfinge: são aqueles que olham para você fixamente, sem mexer um músculo. Você não consegue ter a mínima ideia se o cara está gostando e entendendo o que você está falando. Não dá nenhum sinal, nenhuma pista. Da até para desconfiar se o cara está vivo.

O confirmador: esse é uma delícia. É o cara que passa o tempo todo balançando a cabeça afirmativamente. Basta você olhar para ele, em qualquer instante da palestra, e ele generosamente balança a cabeça, quase dizendo assim: "sim, estou ouvindo você e concordo com tudo. Você é espetacular".

O viajante: é o cara com a cabeça na Lua. O cara não olha para você. Ele está o tempo todo olhando para o lado, desenhando na folha de papel, conversando com o vizinho. Só o corpo está lá, o interesse ficou do lado de fora.

O sorriso maroto: sim, é verdade, têm uns caras que passam a palestra sorrindo para você. Você olha e ele sorri.

O digitador: o cara passa a palestra todinha digitando no smartphone. Eu sempre tento imaginar o que o cara está jogando. Será sudoku? Eu gosto.
O sofredor: eu não sei descrever muito bem esse tipo. Não é uma questão de expressão facial, mas sim de expressão corporal. Ele está largado na cadeira, transmitindo uma sensação de sofrimento, com a seguinte inscrição na testa: "não aguento mais, quando essa tortura vai acabar?".

E aí? Curtiu?

Existem mais tipos, mas estes são o mais pitorescos. Eles estão sempre presentes, independentemente do tempo e do tema da palestra.

Viu como é difícil se concentrar no palco com tantas distrações e coisas mais interessantes do que você próprio falando? Eu luto para não cair em tentação e ficar olhando para estas figuras, criando apelidos para eles.

Quer saber de um segredo final? Às vezes, quando eu sinto que o número de pessoas distraídas começa a aumentar, eu faço uma pergunta para plateia e crio um silêncio constrangedor. Surge uma espécie de "vácuo absoluto". Alguns segundos de silêncio são suficientes para as pessoas levantarem a cabeça, se fixarem no apresentador e tentarem entender o que está se passando. Quase todos fazem isso: os sonolentos acordam, o confirmador para de confirmar, o sorriso maroto fica sério e até o digitador larga o smartphone. A única exceção são os dorminhocos, estes nem sabem o que está se passando.


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terça-feira, 7 de julho de 2015

Quatro mil emails não lidos? Pirei !


Cara, numa boa, eu estou pirando! Estou com mais de quatro mil emails ainda não lidos na caixa de entrada, mas isso é apenas a ponta do iceberg. Diariamente, recebo mensagens por email, pelo Whatsapp, pelo Linkedin, pelo Twitter, pelo Messenger do Facebook, pelos comentários dos meus posts em diversas redes sociais, pelos meus blogs, etc. E, pasmem, até por mensagem de voz no celular! Ah, tem também o Instagram, onde de vez em quando pintam umas mensagens.

Como gestor de marketing e comunicação de uma grande empresa, é natural que eu seja abordado com pedidos de patrocínios, apresentações de projetos, pedidos de entrevistas com executivos da empresa, envios de currículo, solicitações de emprego, entrevistas para trabalho de final de curso de faculdade, papos sobre carreira, agências desejando apresentar suas especialidades e serviços, etc. Tudo isso é muito legal e faz parte da minha responsabilidade. Eu gosto muuuito e procuro ler tudo o que recebo com toda atenção, mas confesso que está mais difícil dar conta do tsunami.

Ok, você tem razão. O problema é meu. Saber lidar com tudo isso faz parte do jogo. Talvez eu não esteja sabendo gerenciar as coisas e preciso repensar as prioridades de minha agenda. Eu aceito bem esse feedback. A questão é que o tratamento às mensagens que recebo cada vez me consome mais tempo e a conta não fecha.

A questão é simples: para cada email que eu enviar, certamente eu vou receber um email de resposta, pelo menos. Aliás, essa regra vale para qualquer mensagem em qualquer tipo de canal. Sabe aquela lei de Newton que diz que toda ação gera uma reação? É por aí.

Eu sei que não existe uma fórmula mágica. Eu sei que não vou conseguir aumentar o número de horas por dia, já que estamos limitados a ridículas 24 horas. E também não sou capaz de diminuir minhas horas de sono. Obviamente que não dá para delegar nada disso para ninguém. E seria inaceitável me tornar um ermitão e ficar inacessível.

A maioria das mensagens que recebo é pertinente, sobre temas interessantes, com pedidos e projetos bem legais. Porém, algumas delas são bem estranhas, com propostas que não fazem sentido e/ou abordagens heterodoxas. Parece que o emissor colocou apenas o meu nome, sem se preocupar se o assunto tinha pertinência ou não. Por isso, pego carona nesse post para deixar alguns recados para alguns "amigos".

Meu caro Jorge, eu não conheço você. Certamente você é gente boa. Mas, por favor, não envie mais pedidos de patrocínio para festa junina. Eu sei que é legal, eu também curto muito um salsichão na brasa, mas não vai rolar, entende?

Meu querido Rick, não mande emails com o título "Want to grab a coffee, Mauro?". Depois de três emails no último mês, me bateu curiosidade e fui pesquisar onde você está. Cara, você está na Inglaterra. Entende porque mandar um email me convidando para um café não vai funcionar?

Roberto, nós só estivemos juntos uma vez, foi num evento, quando trocamos cartões. Nem conversamos muito, lembra? Portanto, não é uma boa você me enviar um SMS no dia do meu aniversário me desejando parabéns como se fossemos grande amigos. Não tem cola, sacou? E, se mesmo assim você deseja continuar sua celebração virtual, apenas evite me enviar a mensagem no primeiro minuto do dia, logo depois da meia-noite, como foi da última vez.

Prezada Abgail, porque seus emails sempre começam com "há quanto tempo não nos vemos" se nós nem nos conhecemos pessoalmente?

Têm alguns emails que começam assim "O senhor ainda não analisou...", mas eu combinei em algum momento que ia analisar?

Uma vez recebi uma mensagem me convidado para um evento. Dizia assim, venha ao evento e ganhe uma "massagem especial". Fiquei com medo e nem passei perto.

Geraldo, por que você insiste em me convidar para eventos de degustação de vinhos se eu não bebo vinho? Já respondi isso tantas vezes.

Ah, e tem o pessoal que me chama de Mario.

Você, leitor amigo, não fique chateado se você enviou uma mensagem para mim e eu não respondi. Tenha certeza que sua mensagem está aqui comigo, em algum lugar, eu apenas ainda não li. Mas eu chego lá!

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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Ranking MIT: As Empresas mais Inteligentes de 2015


Ser inovador não é uma questão de idade e nem de tamanho, mas reconheço que na adolescência nós somos mais rebeldes e sonhadores. O tempo trata de endurecer a nossa casca e nos faz mais reticentes com algumas coisas, que durante a juventude a gente nem leva em conta. Ser inovador, pensar diferente, é algo ligado a nossa personalidade e jeito de ser. Você pode até ser velhinho, mas a sua cabeça continua tinindo e você continua inconformado com as coisas. No mundo das empresas isto está profundamente conectado à cultura corporativa.

O ranking das "Empresas mais inteligentes de 2015" publicado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) é uma evidência disso. Nesta lista nós encontramos crianças como o Uber, Tesla e Netflix. Encontramos algumas adolescentes como Apple, Google e Amazon. E, por fim, nos deparamos com algumas velhinhas assanhadas como Phillips, IBM e ThyssenKrupp, com corpinho sarado e mente afiada. Não importa a idade, o tamanho, a roupa e o estilo, todas são empresas inovadoras e tem conexão direta com o progresso, bem estar e transformação da sociedade.

A lista do MIT não considera apenas se a empresa é verdadeiramente inovadora, mas também se a empresa possui um modelo de negócio factível e ambicioso, o que é fundamental para sua sustentabilidade e crescimento.

Visite o ranking e clica na imagem para descobrir o que cada empresa está fazendo. Vai valer a pena.

Quer saber? É muito bom participar disso.

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terça-feira, 23 de junho de 2015

A internet das coisas e a recriação do marketing


1) Você está caminhando dentro de um shopping, passa em frente a uma farmácia e, de repente, o seu relógio vibra, na tela aparece uma mensagem com uma lista de produtos que você precisa comprar na drogaria porque estão em falta na sua casa.

2) Você escova os dentes. No final, um app no smartphone mostra que você não escovou bem uma parte da boca e pede para você repetir a escovação. O app orienta como fazer, apresentando um mapa da sua boca denunciando a qualidade de cada escovação. No final do mês, o app mostra um resumo de sua performance e manda um relatório digital para o seu dentista.

3) Você está viajando e lembra que seria legal ter deixado as luzes da sua casa acesas simulando movimento. Através de um app em seu smartphone, você coloca a sua casa em vacation mode e as luzes da sua casa se configuram conforme você deseja.

4) Você está a trabalho numa cidade que pouco conhece, de carro alugado. Entra no automóvel e pergunta para a assistente virtual do carro quais as opções existentes de restaurante japonês num raio de 30 km. Você pergunta pelo tempo de espera na fila. A assistente responde, e diz que a 5 minutos de distância tem um restaurante mexicano maravilhoso com uma promoção especial. Você diz ok e a assistente faz a reserva para você automaticamente. Em 1 minuto ela retorna: "reserva realizada e confirmada".

Os quatro casos acima são exemplos do novo mundo diante de nós. Converso regularmente com amigos e colegas do mundo de marketing e comunicação, sempre fico surpreso com o desconhecimento, e até negligência, que todos demonstram a respeito da internet das coisas e dos wearables. A sensação que tenho é que a maioria deles pensa nisso como ficção científica ou algo de um futuro ainda muito distante.

O fato é que tais tecnologias provocarão uma revolução gigantesca na forma como vivemos, consumimos e nos relacionamos. O impacto no marketing e comunicação das empresas será brutal, pois teremos uma postura diferente como clientes e consumidores, abalando os conceitos atuais de advertising e marketing de relacionamento. Surpreendentemente, este futuro distante está muito mais próximo do que imaginamos

Mas o que é Internet das Coisas?
Para você, viajante de outro planeta, Internet das Coisas refere-se ao uso de sensores, atuadores e tecnologia de comunicação de dados montados em objetos físicos, de autoestrada a marca passo, que permitem que os objetos sejam monitorados, coordenados ou controlados através de uma rede de dados ou da internet. Essa é a definição de Eduardo Prado no excepcional artigo "Saiba como a Internet das Coisas vai impactar a sua vida". Pare cinco minutos para ler este artigo, tome um tapa na cara, e volte aqui.

Uma outra definição, menos técnica e mais conectada ao nosso cotidiano, é que Internet das Coisas se refere a uma revolução tecnológica que tem como objetivo conectar os itens usados no cotidiano à rede mundial de computadores. Cada vez mais surgem eletrodomésticos, meios de transporte e até mesmo tênis, roupas e maçanetas conectadas à internet e a outros dispositivos, como computadores e smartphones. Essa é a definição dada por Pedro Zambarda, no Techtudo, no também excelente artigo "Internet das Coisas: entenda o conceito e o que muda com a tecnologia".

O potencial da Internet das Coisas é imenso, até difícil de imaginar. Experimente digitar internet of things na linha do Google e uma lista infinita de exemplos aparecerão na tela mostrando uma enormidade de projetos em andamento. Veja também alguns vídeos e caia da cadeira. E aí? Está com a boca aberta?

O divertido é quando imaginamos a Internet das Coisas muito além das descrições acima, ou seja, quando nós mesmos, seres humanos, estivermos vestindo a Internet das Coisas através de nossas roupas, sapatos, brincos, anéis, cintos, relógios, piercings, broches, canetas, etc. Estamos convivendo com a explosão inicial dos wearables voltados para a nossa saúde e para monitoração do nosso corpo, mas já existem projetos de dentes, tatuagens e peles que atuarão como sensores dentro do nosso corpo. Ou seja, cada vez mais estaremos umbilicalmente ligados à internet.

Quer fazer um exercício de futurologia? Vai no excelente artigo "Wearable Future: What will be wearing in 20 years?". E aí? Deu frio na barriga?

Esse cenário abre um novo mundo para o marketing. A comunicação e o relacionamento serão de múltiplas vias. A nova realidade permitirá um conhecimento sem precedentes das preferências individuais de cada ser humano, de suas rotinas, de seus desejos e do seu estilo de vida. As novas tecnologias criarão canais individuais de comunicação com as pessoas. A interação com cada um será personalizada, através do meio que cada um mais aprecia ou tenha interesse. O big data de hoje parecerá brincadeira frente a capacidade de captura e análise dos dados pessoais em todos os dispositivos que as pessoas terão ao seu redor, seja através do que estarão vestindo ou de todos os dispositivos ao seu redor, em suas casas, nos supermercados, dentro dos carros, nos restaurantes ou no ambiente de trabalho. O nível de conhecimento sobre cada consumidor será altíssimo, e o custo para falar e interagir com ele será baixíssimo. Surgirá um novo mercado poderoso que será a venda do conhecimento a respeito de cada ser humano. Obviamente, existirão aspectos cruciais de privacidade, segurança, adoção cultural e outros desafios, mas estes são obstáculos que serão superados, da mesma forma como ocorreu com outros exemplos passados, como o surgimento dos emails e a chegada dos celulares em nossas vidas.

A mudança do marketing e da comunicação das empresas passará pela adoção sem precedentes de novas tecnologias. Os bons e velhos dogmas que conhecemos continuarão válidos, mas os profissionais da área se transformarão, cada vez mais, em seres tecnológicos dependentes. É preciso que tais profissionais se preparem para os próximos anos, pois a transformação do marketing começará por eles. Eles terão que lidar com áreas que hoje parecem distantes, como novas tecnologias, estatística, matemática, antropologia, ciências sociais, robótica, inteligência artificial, computação cognitiva, etc.



O marketing está se tornando cada vez menos empírico e mais racional, quem sabe uma ciência? Esta é uma transformação radical que precisa ser liderada pelos profissionais da área. Se tais profissionais não se anteciparem e assumirem o comando dessa viagem, certamente teremos novos convidados para serem DJs da festa, como engenheiros, cientistas, tecnólogos, estatísticos, antropólogos e outros especialistas.

E aí? Já comprou o seu Apple Watch?



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