domingo, 20 de dezembro de 2009

Essas maravilhosas empresas sonhadoras e seus fantásticos canos furados

Eu lembro muito bem de um filme chamado "Esses Homens Maravilhosos e Suas Máquinas Voadoras". Você não conhece? Vale a pena assistir. O filme é antigo mas é muito bom. Sempre adorei o título de filme e usei-o como inspiração para o título deste post.

Num evento recente, onde eu participava de uma discussão sobre como incrementar o ambiente colaborativo nas empresas (liberdade para as redes sociais!!!), mais uma vez surgiu a velha e tradicional pergunta sobre como controlar a informação, aquela costumeira preocupação do vazamento de dados e informações estratégicas via redes sociais nas empresas.

A minha resposta foi uma pergunta. Indaguei: "Mas, hoje, a sua empresa controla alguma coisa?"

A resposta veio através de um sinal afirmativo com a cabeça.

Eu retruquei dizendo que o controle de informação nas empresas é apenas uma percepção, ou melhor, uma boa intenção. As empresas controlam somente o que elas enxergam, somente o que passa nos canais oficiais de comunicação. As empresas não controlam a conversa nos corredores, nos cafezinhos e nos almoços. As empresas não controlam o que os seus funcionários conversam no telefone todos os dias, com familiares, fornecedores e clientes. As empresas não controlam todos os emails que chegam e saem das caixas postais de seus funcionários. Enfim, se pudéssemos criar uma metáfora para isso, eu diria que a comunicação nas empresas é um enorme cano furado, vazando água por todos os lados. É um Titanic em constante rota de colisão. As informações vazam por todos os lados, diariamente, hora a hora, minuto a minuto. Da mesma maneira que elas saem, chegam um monte de outras de diversas fontes diferentes.

Quanto maior o número de funcionários, pior. Serão mais bocas e mais ouvidos. Quanto mais global é a empresa, mais complexa será a coordenação das diversas geografias e das diferenças culturais. Quanto maior o número de clientes, mais difícil será imaginar o controle de informação. Como controlar milhares de interações diárias com os clientes? E com os fornecedores, parceiros, intermediários, canais de vendas, distribuidores, etc?

Enfim, neste contexto, as redes sociais parecem ser a ilha da fantasia. Afinal, é um lugar onde todas as interações são registradas, os nomes de quem fala, responde e opina estão escritos e disponíveis, está tudo lá registradinho. É um ambiente muito mais seguro e visível do que o cafezinho de qualquer empresa.

E qual é a saída?
O caminho correto é a conscientização dos funcionários de que informação estratégica é diferencial competitivo, seja ela tratada numa conversa informal, numa reunião de planejamento ou "postada" numa rede social. Se o funcionário tiver consciência disso, e sabedor de como cuidar da informação que possui, então não importará o ambiente ou a mídia, ele sempre saberá tratar a informação com critério. Este é um passo importante para uma empresa entrar de verdade num ambiente colaborativo. E, sendo repetitivo como sempre, a empresa não pode esquecer de desenvolver um guia corporativo que dará a orientação básica de como os funcionários devem usar as ferramentas sociais.

Enfim, se alguém aparecer dizendo que tem medo de redes sociais nas empresas por conta de vazamento de informação, pense no cano furado.

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Entrevista para A Voz do Marketing

A Voz do Marketing tem sido um espaço interessante na apresentação e discussão das novidades e tendências nas áreas de comunicação e marketing. Por isso, ao ser convidado pelo Ricardo Marques para dar uma entrevista, eu me senti envaidecido e aceitei imediatamente. Gosto muito da forma como o Ricardo desenvolve o portal, ele sempre explora o marketing digital, o que me interessa muito por ser conversa constante em todas as empresas. Foi muito legal contar um pouco da IBM, da nossa visão de um planeta mais inteligente e do uso da novas mídias e redes sociais.

Acesse AQUI a Voz do Marketing e veja abaixo a entrevista. O duro deve ter sido editar uma entrevista de mais de 30 minutos em apenas 10 minutinhos...

A Voz do Marketing - IBM from A Voz do Marketing on Vimeo.



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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Os riscos de se associar uma marca a uma pessoa - caso Tiger Woods

Em fev/2009, eu publiquei um post chamado "Os riscos de se associar uma marca a uma pessoa - caso Michael Phelps", onde apresentei uma história pessoal e o caso Michael Phelps. O post gerou muitas conversas e você precisa acessá-lo antes de seguir em frente na leitura. Acesse AQUI.

A novidade é o caso Tiger Woods que ocupa o noticiário em todo mundo. O escândalo de infidelidade conjugal do maior jogador de golfe americano de todos os tempos vem causando sérios impactos em seus patrocinadores diretos. Ele era considerado, tal como Michael Phelps, um exemplo de atleta, cidadão e ser humano. Todo mundo queria se associar a ele. Agora os patrocinadores estão de cabelo em pé, tendo que gerenciar uma situação improvável e complicada. Como desvincular suas marcas de todo esse acontecimento?

A única marca que afirmou publicamente continuar com o patrocínio a Tiger Woods foi a Nike. A Tag Heuer, empresa suíça de relógios de luxo, está reavaliando o contrato. A AT&T também. A Gillette já decidiu diminuir a publicidade em cima dele e não será surpresa se anunciar o encerramento do contrato em breve. A Gatorade e a Accenture, que costuma encher os aeroportos com painéis associando a sua marca ao Tiger, já cancelaram o patrocínio ao atleta, ou ex-atleta. A Gatorade está numa enrascada maior pois tem uma bebida vendida nos EUA chamada Tiger, com muita propaganda em cima. Em resumo, os seus grandes patrocinadores estão analisando a situação e tomando decisões.

Imagine você, como gestor de comunicação e marketing dessas empresas, tendo que responder a pergunta: Como cuidar de sua marca se o atleta patrocinado vai para imprensa mundial e diz que está se afastando do esporte por tempo indeterminado para "tentar ser um melhor marido, pai e pessoa" ?

O que você vai dizer para seus clientes? Qual é a história que você vai contar a eles? Ou é melhor sair de fininho tendo o Tiger Woods em todas as capas de jornais do mundo?

Como disse Marc Ganis, presidente da consultoria desportiva Sportscorp: "Se o Tiger pode sair do rumo, qualquer um pode. Não havia atleta que fosse considerado mais seguro (do ponto de vista publicitário) do que Tiger há um mês. Isso vai ter um impacto". Enfim, o impensável aconteceu e agora os patrocinadores estão tendo que se virar para sair deste rolo.

Este é mais um caso recente que mostra que as empresas de marcas fortes têm que avaliar muito bem se vale a pena associar a sua marca a uma personalidade. Por mais "segura" que ela seja, sempre existe um risco. Os exemplos de Tiger Woods e Michael Phelps mostram que o improvável está sempre a espreita.


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Você é feliz no trabalho?

Você é feliz no trabalho? Quantas vezes você já ouviu esta pergunta? É duro respondê-la, né? Quase sempre a resposta é longa e pouca assertiva. As pessoas dão a maior volta para responder.

Mas eu tenho outra pergunta: Quem disse que a gente ter que ser feliz no trabalho?

O jornal O Globo, na edição de 15 de Novembro, no caderno Boa Chance, publicou uma excelente entrevista com Alain de Botton, autor de um livro recentemente publicado chamado "Os prazeres e desprazeres do trabalho". Gostei muito do conteúdo da entrevista pois trouxe "insights" bacanas sobre um tema que sempre é polêmico: a tal felicidade no trabalho.

Eu não tenho opinião sobre essa discussão, mas selecionei algumas partes interessantes da entrevista que deixa a gente encucado. Enfim, se tiver interesse, leia, pois vale a pena. Só não sei se você vai chegar a alguma conclusão. Cito apenas uma frase que vivo repetindo baixinho pra mim, pois as vezes eu esqueço: "Eu não vivo para trabalhar. Eu trabalho para viver".

Eis alguns fragmentos da entrevista de Alain de Botton para O Globo:

"Temos grandes expectativas de que precisamos ser felizes trabalhando e que o trabalho deve estar no centro de nossas vidas e aspirações. A primeira pergunta que fazemos para novos conhecidos não é de onde eles vêm, mas sim o que eles fazem - como se isso fosse revelar a essência de sua identidade".

"... por milhares de anos o trabalho foi visto como uma espécie de mal necessário e nada mais. Aristóteles, por exemplo, já dizia que ninguém poderia ser livre, diante da obrigação de garantir seu próprio sustento. Ter um emprego era como ser escravo".

"Na era pré-moderna, argumentava-se que ninguém poderia estar apaixonado e casado: casar, era algo feito por razões comerciais, para garantir os negócios da família ou a continuidade de uma dinastia. Amizade entre o casal já era bom. Amor era para se ter com o amante, em paralelo - prazer separado das responsabilidades de criar filhos".

"Mas os novos filósofos do amor disseram que deveríamos casar com quem amássemos em vez de só ter um caso. À ideia incomum surgiu a noção peculiar de que alguém poderia trabalhar tanto por dinheiro quanto para realizar sonhos, algo que substituiu o pensamento de que o trabalho servia apenas para pagar as contas e que as ambições só deveriam ser alimentadas no tempo livre. Somos herdeiros da crença de que podemos ter um emprego e nos divertir nele".

"A grande promessa do mundo moderno era que trabalharíamos menos no futuro. O oposto parece ter acontecido. A vida parece tão competitiva agora que nos tempos de grande pobreza. Eis o paradoxo da modernidade: para onde foi a liberdade, o dinheiro e o tempo de olhar para o céu? Por que é tão difícil ter o tempo livre que nos foi prometido?"

"É vital notar que muito da satisfação depende de expectativas pessoais. Estamos falando de duas filosofias: a primeira é a da classe trabalhadora, que vê o emprego como algo primariamente financeiro. Você trabalha para se alimentar e sustentar seus entes queridos. Você não vive para o trabalho, sobrevive à espera do tempo livre e seus colegas não são necessariamente seus amigos. A outra visão é a da classe média, que vê o trabalho como algo essencial para uma vida realizada. Na recessão, a visão da classe trabalhadora ganha nova força. Mais gente vai dizer: não é perfeito, mas é um emprego".

"Mas o que mais jogamos fora é o talento humano. Não sabemos tirá-lo da mina. Muitos de nós caem de paraquedas em empregos que não necessariamente requerem nossa preciosa habilidade. É importante debater, por exemplo, como mudanças no sistema educacional podem ajudar a combater isso".

"Umas das grandes satisfações do trabalho é a sensação de que estamos fazendo a diferença. A industrialização tornou essa sensação menos acessível para alguns. Fabricar biscoitos, por exemplo, passei um bom tempo na maior fábrica britânica, que emprega 15 mil pessoas em 12 unidades. Antigamente, o confeiteiro fazia tudo na cozinha e possivelmente conhecia todos os clientes. Muito diferente de agora. Alguém que trabalha na contabilidade, por exemplo, está bem longe de experimentar o sentido de sua atividade".

Enfim, você é feliz no trabalho?
A gente tem que ser feliz no trabalho?
Você trabalha com pessoas felizes?
Você vive para o trabalho ou trabalha para viver?

Infelizmente o jornal O Globo não disponibilizou essa entrevista na rede.

Por fim, se está interessado no tema, sugiro acessar AQUI uma matéria interessante publicada na Época Negócios de 10/07/2009, chamada "Dá para ser feliz no trabalho?"

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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A ousadia jovem que transforma a cultura organizacional

Texto meu publicado no blog Foco em Gerações que reproduzo abaixo.

Era uma grande empresa, com milhares de funcionários, que estava numa curva de acentuado crescimento e contratando muita gente nova, especialmente da geração Y. Um dos programas existentes era uma reunião de boas-vindas, que ocorria pelo menos uma vez por mês. Os novos contratados eram chamados ao auditório para assistirem algumas apresentações sobre a empresa, sua organização e história.

Havia vários apresentadores e, na maioria das vezes, o presidente aparecia para falar um pouco da história, falava muito sobre os fundamentos da empresa, do passado e de como a empresa havia crescido nas últimas décadas, sempre com bases sólidas e valores fortes. O presidente costumava terminar sua apresentação segurando em suas mãos um livro sobre a história da empresa, cheio de fotografias e fatos históricos. Daí ele fazia uma pergunta para platéia, e quem respondesse acabava ganhando o livro, motivo de orgulho do presidente e de seu time executivo.

Um dia, num desses encontros, o presidente já estava terminando a apresentação, quando fez a tal pergunta. Um jovem, de 23 anos, com poucas semanas de empresa, respondeu a pergunta e ganhou o livro das mãos do presidente. Surpreendentemente, o jovem, ainda com o microfone nas mãos, falou: “Senhor Presidente, eu agradeço muito este livro que conta o passado e as glórias da empresa, mas, por acaso, o senhor tem aí um livro que fala sobre o futuro da empresa?”

Este caso ficou famoso e fez cair por terra a percepção que todos tinham, de que a apresentação de boas-vindas do presidente era impactante para os novos contratados. Decidiram fazer, então, uma pesquisa com os últimos participantes e descobriram que a maioria achava enfadonho e desinteressante ficar ouvindo fatos do passado da empresa, coisas distantes e desconectadas do interesse e do dia a dia dos jovens recém-contratados. Perguntaram o que eles queriam, e ficou evidente que os novos funcionários queriam saber dos planos da empresa para vencer no mercado, saber das oportunidades de crescimento e desenvolvimento e como o presidente imaginava a empresa para a próxima década. Ou seja, todos queriam o tal “livro do futuro”.

Então reformularam tudo. A reunião de boas-vindas passou a ser conduzida por funcionários mais jovens, compartilhando experiências positivas e visões de futuro. Mensagens entusiasmadas e de inspiração encheram as quase duas horas da reunião. No final, o presidente continuava aparecendo, ele falava brevemente sobre a história e como ele enxergava a empresa no futuro. A reunião sempre terminava de modo entusiasmado.

E o livro? O livro continuou sendo entregue, mas desta vez como uma inspiração para o futuro. Enfim, viva a geração Y.

Ah, essa história é verdadeira, mas não adianta perguntar a empresa porque essa eu não conto.

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O Paradoxo da Comunicação Interna

Texto meu publicado no Nós da Comunicação que reproduzo abaixo.

Os novos tempos trouxeram desafios enormes para a comunicação interna das empresas. Há uma década o papel da comunicação interna era comunicar, informar. Hoje, a responsabilidade é maior: é formar, capacitar e influenciar. Numa perspectiva mais ousada, poderíamos até dizer que a comunicação interna pretende formar o profissional do futuro que qualquer empresa deseja, ou seja, um colaborador mais engajado, conhecedor da estratégia da organização, cúmplice e influenciador representativo no mercado.

Eu sei que muitos dirão que estou confundindo o papel da Comunicação com Recursos Humanos, mas pergunto a vocês: já não está tudo misturado? A nova dinâmica das empresas impõe novas formas de desenvolvimento do colaborador e o rompimento de antigos paradigmas.

Esse é o paradoxo da comunicação interna nas empresas:

Desenvolver uma comunicação mais inspiradora, estratégica, visionária, de formação e de médio/longo prazo ou... buscar uma comunicação mais pragmática, factual, de informação e de curto prazo.

Existe ainda dois dilemas nesse contexto que é o profissional de comunicação e a tecnologia disponível.

As escolas de comunicação, de maneira geral, parece que ainda continuam formando profissionais de comunicação no modelo antigo, com foco no jornalismo e nas relações públicas tradicionais.

Outro desafio é a tecnologia disponível. A velocidade, a dinâmica, o alcance e a flexibilidade que as novas tecnologias trouxeram para a comunicação empresarial não podem ser negligenciadas como parte das empresas ainda fazem. A situação complica quando o próprio profissional de comunicação não conhece e não se desenvolve nas novas mídias e no ferramental tecnológico.

Esse contexto só amplifica o paradoxo e torna a comunicação interna das empresas num desafio ainda maior. Saber balancear o pragmatismo com a inspiração significa criar uma estratégia com canais de comunicação diversos, com conteúdo e porta-vozes definidos. É importante que o funcionário saiba onde ele se informa sobre fatos e onde ele se inspira. Criar essas alternativas é interessante, pois vai permitir que cada funcionário atenda o seu perfil de interesse e necessidade.

Enfim, novos tempos merecem uma nova comunicação interna.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Certo ou Errado? Justiça condena dono de blog por comentário de internauta

Dentro do capítulo "Use as redes sociais com moderação. A vítima pode ser você", existe um caso emblemático que bombou na web nas últimas duas semanas. Falo do caso do blogueiro autor do blog Liberdade Digital, www.liberdade.blogueisso.com , que está sendo condenado pela justiça a pagar 16 mil reais por um comentário em seu blog.

Você não conhece o caso? Então leia o resumo no parágrafo abaixo.

O caso começou em março de 2008, quando o universitário blogueiro publicou em seu blog um post sobre uma briga entre dois estudantes de um colégio em Fortaleza. Um internauta postou um comentário insultando a diretora do colégio, que é freira, criticando a sua atuação na intermediação da briga dos estudantes. Meses depois, a diretora do colégio abriu uma ação por danos morais contra o blogueiro. Entre as idas e vindas das várias audiências, o juiz, na quinta audiência, aceitou a ação e o condenou ao pagamento de 40 salários mínimos. Existem detalhes adicionais interessantes para entender bem o contexto. Acesse os dois links abaixo para conhecer tais detalhes.

Jornal O Globo: Dono de blog é condenado a pagar R$ 16mil por comentário de internauta

Blog Silenzio: A Justiça é mais cega na blogosfera

Eu tentei acessar o comentário que gerou toda a polêmica, mas ele já foi removido pelo autor do blog.

Confesso que estou sem paciência para analisar profundamente o caso e tomar um partido. Acho, até, que eu poderia chegar a conclusão que eu não tenho conclusão. Tenho apenas três comentários que sempre levo em consideração em casos polêmicos como esse.
  • Cada um, individualmente, é responsável pelo que escreve e publica nas redes sociais
  • Liberdade de expressão não significa dizer que podemos escrever tudo que dá na veneta
  • Escrever num blog ou numa rede social é a mesma coisa que dar uma entrevista para o Jornal Nacional da Globo
Encaro os blogs, bem como as redes sociais em geral, como canais públicos de comunicação, tais como os canais de TV, jornais, revistas, etc. Entendo também que os comentários e opiniões de terceiros, publicados nestes veículos, devem passar pela análise dos responsáveis. Ou seja, dentro deste contexto, pode até ser polêmico, mas os responsáveis pelos canais de comunicação deveriam ser co-responsáveis pelo conteúdo vindo de terceiros, tais como cartas e emails de leitores. E, quando eu falo em co-responsabilidade, eu falo no bom senso em publicar conteúdo coerente, fundamentado, sem agressões e palavras inadequadas. Ou seja, não vale xingar a mãe.

O que você escreve num blog público (com acesso livre) é, conceitualmente, a mesma coisa que escrever num jornal. É o mesmo efeito de você dar uma entrevista para o Jornal Nacional, da Globo, que potencialmente pode ser visto e interpretado por milhares ou milhões de pessoas. Ou seja, cada um tem que assumir o que fala e escreve. No caso do Jornal Nacional, cabe a Globo separar o joio do trigo, isto é, tem que analisar e ter bom senso para veicular entrevistas e matérias que respeitem as regras da sociedade e da boa cidadania, mesmo que sejam contundentes e desagradem parte da comunidade.

Enfim, essa discussão é boa. Vale para blogs, twitter, orkut e todas as plataformas de redes sociais existentes e que ainda estão por vir. As redes sociais não estão provocando somente uma revolução nas relações humanas, elas estão transformando cada cidadão do mundo num porta-voz, que potencialmente pode falar a qualquer momento para milhares de pessoas. Como qualquer porta-voz, ele tem que ser responsável pelo que fala. Aliás, tive uma ideia aqui. Que tal um media training para a raça humana?? Neste novo cenário, cada cidadão do mundo precisaria de um "social media training". Algumas empresas já identificaram esse novo mundo e criaram guias e diretrizes para seus funcionários nas redes sociais. Não é exatamente um "social media training", e sim um "social media guideline".

O resumo da ópera é:
As vezes as redes sociais parecem remédio. Fazem muito bem quando consumidas com consciência e moderação. Por outro lado, quando usadas de forma inadequada, elas podem se virar contra você.

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Retenção de Talentos 2.0

Texto meu publicado no blog Foco em Gerações que reproduzo abaixo.

De um tempo para cá, e isso foi criado pela própria mídia, basta a gente colocar um “2.0” no final de qualquer coisa e tudo parece que fica mais moderno. O fato é que o “2.0” tem uma ligação quase instantânea com a geração Y, a chamada geração do milênio. O “2.0” nos leva a pensar em interatividade, online, integração e colaboração.

Existem toneladas de artigos na imprensa e na web a respeito da geração Y. A grande maioria delas falando sobre as características, desejos e ansiedades dessa nova geração. O que me incomoda é que existem poucos relatos de experiências e práticas. Só vejo muita teoria. Seria ótimo se pudéssemos ver mais relatos de casos práticos nas empresas com esse pessoal, independentemente se bem ou mal sucedidos. Teríamos uma oportunidade enorme de aprendizado se cada um de nós, gestores das empresas, compartilhássemos mais algumas experiências.

Um dos maiores desafios da nova geração nas empresas é a RETENÇÃO DE TALENTOS. Atender essa juventude ansiosa, apressada, ambiciosa e sedenta por novas experiências é algo complicado. Essa é uma luta constante que temos na IBM Brasil onde temos contratado uma média de 10 novos profissionais por dia nos últimos 3 anos, considerando que mais da metade da força de trabalho de quase 20 mil colaboradores têm menos de 30 anos de idade.

Um dos bons materiais que já vi sobre isso é o livro “Keeping Good People Strategies for Solving the Dillema of the Decade”, lançado no Brasil pela Makron Books, cujo autor é Roger Herman. O livro é muito bom pois apresenta uma lista completa de sugestões e atenções que devemos ter para reter os talentos com que trabalhamos. É quase uma bíblia para mim.

Para facilitar as coisas, eis abaixo o resumo do livro. Obviamente que é um menu no qual cada um vai pinçar o que achar mais adequado. Senti falta de algo que considero fundamental para os talentos da geração do milênio: o fomento de atividades ligadas ao meio ambiente, responsabilidade social e cidadania. Essa nova geração é muito conectada a isso e, portanto, o desenvolvimento de iniciativas ligadas à cidadania ajuda muito na retenção dos jovens talentos.

Good luck!!!

Retenção de Talentos
Sumário do livro: Keeping Good People Strategies for Solving the Dillema of the Decade – Makron Books - Autor: Roger Herman

ESTRATÉGIAS AMBIENTAIS

COMPARTILHE UMA VISÃO COMUM
Defina com clareza uma visão que todos os funcionários possam seguir. Faça do processo de redação da visão um trabalho de equipe. As pessoas apóiam o que ajudaram a criar.

VALORIZE CADA INDIVÍDUO
Reconheça o que cada pessoa é e o que ela pode se tornar. Valorize as contribuições que cada um faz à organização e aos colegas.

TRABALHE COMO UMA EQUIPE
Assim, uma quantidade maior de trabalho pode ser realizada. Encoraje a cooperação, o networking, o compartilhamento e a camaradagem.

PROPORCIONE ESTABILIDADE, SEGURANÇA E RISCO
Organizações que valorizam demais a estabilidade tornam-se lentas, resistentes à mudança e ao crescimento. As que valorizam demais o risco tornam-se vulneráveis. Estabeleça um equilíbrio razoável entre risco e estabilidade.

PROÍBA QUALQUER TIPO DE DISCRIMINAÇÃO
Se as pessoas acreditam que estão sendo discriminadas, elas deixarão a empresa em busca de um ambiente mais receptivo.

FACILITE UMA SENSAÇÃO FAMILIAR
Em uma família, as pessoas estabelecem fortes alianças entre si e compartilham responsabilidades.

LEALDADE É UMA VIA DE MÃO DUPLA
Se você espera que as pessoas sejam leais a você, deve ser leal a elas. Apoie-as quando precisarem de ajuda. Seja compreensivo quando alguém erra de maneira honesta.

ESTAMOS AQUI PARA O CLIENTE
As empresas de sucesso são aquelas orientadas para o cliente. Dê autoridade aos funcionários para que façam a coisa certa pelo cliente.

TORNE O TRABALHO DIVERTIDO
Funcionários felizes são funcionários produtivos. Crie e mantenha um ambiente onde as pessoas possam gostar de trabalhar.

NÃO TOLERE PESSOAS INADEQUADAS
Muitas vezes, temos a tendência de não despedir funcionários inadequados na hora certa.

ESTABELEÇA POLÍTICAS CLARAS E ADMINISTRE-AS DE MANEIRA UNIFORME
As pessoas devem compreender exatamente quais são as políticas da empresa, porque foram estabelecidas e com que rigidez serão aplicadas.

OFEREÇA OPORTUNIDADES DE CRESCIMENTO
Se não houver oportunidades na sua empresa, os funcionários irão, naturalmente, buscá-las em outro lugar.

PARTILHE INFORMAÇÃO
Estabeleça uma política clara para proporcionar às pessoas as informações que necessitam para tomar decisões e concretizar suas tarefas.

ESCOLHA OS FUNCIONÁRIOS COM CUIDADO
Na contratação, conduza entrevistas e verifique referências para identificar as pessoas com poucas chances de êxito no cargo.

EQUIPE AS PESSOAS PARA QUE SEJAM PRODUTIVAS
Dê às pessoas o que necessitam para atingir sua produtividade máxima e elas darão os resultados que você espera.

RESPONDA ÀS QUEIXAS COM SOLUÇÕES
Quando alguém reclamar de algo, responda com rapidez, interesse e empatia.

ESTRATÉGIAS DE RELACIONAMENTO

COMPREENDA OS VALORES E PADRÕES ÉTICOS
Cada um de seus funcionários cresceu aprendendo um certo conjunto de valores. As pessoas cujos valores conflitam com os de outras pessoas da empresa poderão sair em busca de um ambiente mais favorável.

RESOLVA OS CONFLITOS
Aja imediatamente em resposta a conflitos que se desenvolvam entre seus funcionários.

OFEREÇA RECONHECIMENTO
Demonstre reconhecimento e dê crédito pelo bom trabalho das pessoas, regularmente.

EQUILIBRE O ELOGIO E A CRÍTICA
O excesso faz com que o elogio perca seu impacto e que a crítica faça as pessoas associarem sentimentos negativos ao ambiente de trabalho.

SEJA ACESSÍVEL
Uma política de portas abertas é boa, se as pessoas se sentem confortáveis para entrar em sua sala. Caso contrário, quebre a formalidade para que os membros de sua equipe conversem com você.

DÊ O EXEMPLO
Se você é um líder, por posição ou por relacionamentos, as outras pessoas irão observar suas ações e seguir sua liderança.

NÃO CRITIQUE AS PESSOAS O TEMPO TODO
Os bons funcionários sentem que são competentes em seu trabalho. Se você quiser saber como as tarefas estão progredindo, peça às pessoas que informem de maneira positiva.

ESTRATÉGIAS ORIENTADAS À TAREFAS

REMOVA BARREIRAS AO CUMPRIMENTO DE TAREFAS
Ouça seu pessoal com atenção para identificar barreiras percebidas. Remova essas barreiras imediatamente.

AJUSTE AS TAREFAS EM FUNÇÃO DAS HABILIDADES, PONTOS FORTES E TALENTOS
Cada indivíduo possui um conjunto único de conhecimentos, habilidades e atitudes. Para utilizar esses recursos, permita aos funcionários modificar a forma como o trabalho é feito.

MANTENHA AS PROMESSAS
Se tiver que fazer algo diferente do que as pessoas esperam, explique a mudança. A perda de credibilidade leva à perda de lealdade.

DEFINA PAPÉIS
Para ter o desempenho esperado, as pessoas precisam ter suas responsabilidades definidas com clareza.

DEFINA RESPONSABILIDADES
Ao atribuir responsabilidade por uma tarefa, atribua também a responsabilidade pelo resultado final. Percebendo que suas reputações estão em jogo, os bons funcionários superam as expectativas.

DEFINA AUTORIDADES
As pessoas trabalham melhor quando têm o poder de tomar decisões, acessar informações, controlar recursos e planejar como o trabalho será feito.

ENCORAJE A INICIATIVA
Para que as pessoas tomem a iniciativa, elas devem acreditar que possuem responsabilidade e autoridade.

SAIBA O QUE AS PESSOAS ESTÃO FAZENDO
As empresas perdem bons funcionários quando eles não sentem interesse por parte da gerência no que estão fazendo. Permaneça envolvido.

RESPONDA QUANDO SOLICITAREM APROVAÇÃO OU ORIENTAÇÃO
As pessoas recorrem a seus superiores e pessoas a quem valorizam para obter feedback.

VALORIZE O TRABALHO ROTINEIRO E CONSISTENTE
Agradeça às pessoas que realizam seu trabalho de maneira confiável e consistente.

FAÇA CONTRATOS DE DESEMPENHO
Defina verbalmente o que um funcionário deve fazer sob contrato para você e para a empresa e que remuneração, benefícios e outros apoios lhe serão oferecidos em troca.

ESTRATÉGIAS DE REMUNERAÇÃO

DEMONSTRE O VALOR PLENO DA REMUNERAÇÃO
A maioria dos funcionários não vê o quadro geral das compensações monetárias e não-monetárias de seu trabalho. Ofereça-lhes informações detalhadas.

OFEREÇA OPORTUNIDADES DE INCENTIVO
Maximize o desempenho das pessoas criando oportunidades de incentivo em todos os níveis da organização, relacionados ao nível de responsabilidade ou contribuição.

REMUNERE OS FUNCIONÁRIOS DE ALTO POTENCIAL / BAIXA HABILIDADE COM UM SISTEMA BASEADO EM HABILIDADES
Quanto mais habilidades um funcionário acumula, maior deverá ser sua remuneração. Os ganhos per capita nesse sistema são altos, mas são compensados pelo aumento de produtividade e qualidade.

ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO PESSOAL

OFEREÇA MATERIAIS DE APRENDIZADO PARA CRESCIMENTO PESSOAL
Disponibilize materiais de aprendizado para que os funcionários continuem seu desenvolvimento pessoal e/ou profissional.

FAÇA COM QUE OS TREINANDOS REPASSEM SEU APRENDIZADO A OUTROS
Quando sua empresa financia um curso externo para um funcionário, convide-o a partilhar os principais pontos aprendidos com as outras pessoas.

AUXILIE AS PESSOAS A CRESCER NO EMPREGO
Prepare seu pessoal para maiores responsabilidades ou posições na empresa.

ATRIBUA PROJETOS ESPECIAIS
Dê oportunidades para que as pessoas ampliem seus conhecimentos, perspectivas e experiências através de projetos especiais.

FORME COMPETÊNCIAS
Compare a capacidade atual do funcionário em relação às exigências futuras. Desenvolva um plano para que ele desenvolva sua capacidade profissional.

OFEREÇA OPORTUNIDADES PARA O CRESCIMENTO
Os funcionários esperam por promoções, oportunidades de colocar seus novos conhecimentos em prática ou, pelo menos, atingir um maior status na empresa. Não os desaponte.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Use as Redes Sociais com moderação. A vítima pode ser você

Uma mulher canadense está de licença do trabalho desde o ano passado. Ela foi diagnosticada com uma grande depressão e estava recebendo um valor mensal de benefício da seguradora Manulife, uma das maiores do Canadá.

Neste último trimestre de 2009 ela parou de receber o benefício. Ao entrar em contato com a Manulife, ela soube que os pagamentos foram suspensos por conta de suas fotos no Facebook, onde aparentemente parece estar se divertindo. Tem fotos dela num bar, em sua festa de aniversário e num dia ensolarado na praia. Segundo a seguradora, as fotos mostram que a mulher já está curada. A mulher vai tentar recorrer dessa decisão alegando que tentou se divertir por orientação médica. Acesse AQUI para saber mais detalhes.

Daqui podemos tirar duas lições:
1- Use as redes sociais com moderação. Ela é uma janela aberta para sua vida pessoal.
2- Se estiver deprimido, evite a praia, não entre num bar e nunca, nunca mesmo, comemore seu aniversário.
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