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domingo, 11 de agosto de 2013

Caiu na rede. E agora? - Crises nas Mídias Sociais


Chegou no mercado um ótimo livro sobre gestão e gerenciamento de crises nas mídias sociais. Se você estuda ou trabalha com comunicação e marketing, não deixe de investir na compra desse livro. Vale a pena. Recomendo fortemente. Tive o privilégio de escrever o prefácio, que compartilho abaixo. Agradeço a honra desse convite e agradeço a Patrícia que teve a ousadia de nos brindar com um documento realmente de valor, cobrindo um tema que a maioria dos profissionais tenta fugir. Afinal, ninguém gosta de falar de crise. 

São poucas as opções de literatura a respeito do tema “crises nas redes sociais”. Por isso devemos festejar o trabalho de Patrícia Brito Teixeira. O tema é árido, de difícil apuração porque as organizações não gostam de falar sobre isso. É desgastante buscar casos de referência pois as empresas evitam expor suas experiências negativas, sejam elas ocorridas nas redes sociais ou não. O valor desse livro encontra-se nos conceitos e nos inúmeros casos reais, navegamos ao redor deles da primeira até a última página. Por ser uma obra nacional, o trabalho aponta experiências em nosso país, o que é muito especial pois crises têm forte conexão com cultura, comportamento e história.

O mundo está passando por grandes transformações tecnológicas e sociais, no meio disso tudo encontra-se a internet, a rede poderosa que conecta todos com todos, em tempo real. Nunca o cidadão teve tanta influência como agora. Pesquisas mostram que o boca-a-boca, seja virtual ou não, é o que tem maior poder de influência nas decisões de compra e comportamento dos consumidores. As redes sociais e os inúmeros "gadgets" móveis potencializam isso ao máximo. Por outro lado, as empresas dependem cada vez menos dos canais tradicionais de imprensa para falarem para a sociedade e seus clientes. Nunca tudo foi tão exposto e transparente como agora. Vivemos todo o tempo no palco e com telhado de vidro. As empresas parecem que ainda não entenderam esse novo contexto pois negligenciam sua presença nas redes, não cultuam o diálogo e não se planejam para esse novo ambiente.

Crise? Que crise? Já ouvi isso muitas vezes. As organizações minimizam os primeiros sinais de uma possível crise, têm dificuldade em identificá-las e por isso procrastinam as suas ações de comunicação. Ficam sentadas esperando ver o que acontece, que é uma cultura forjada na época onde havia total dependência das relações com a imprensa. A situação é ainda pior pois Patrícia mostra que as empresas, de forma geral, não têm planos de prevenção para enfrentar problemas graves, A maioria das crises não surge repentinamente, exceto em alguns casos de tragédia, mas vêm do mundo externo com impactos diretos na internet e na imprensa, iniciam-se com pequenos sinais, como sintomas de uma doença e quase sempre é um processo evolutivo.

Por trás disso encontram-se a identidade, a imagem e a reputação corporativa, que são construídas tijolo sobre tijolo. Logo no início do livro Patrícia explica o que o público espera da presença das empresas nas redes sociais: aproximação, interação e engajamento, tudo sob o manto de uma relação de confiança e transparência. Somente dessa forma uma organização será relevante e conseguirá construir credibilidade junto ao seu grupo de relacionamento.  

Os três últimos capítulos impressionaram-me bastante, pois estão repletos de dicas e conselhos imprescindíveis ao leitor. Patrícia ainda nos brinda com um capítulo de "Considerações Finais" onde generosamente resume os pontos mais importantes de toda a obra. Imperdível! É para guardar, colocar num envelope e escrever do lado de fora: "SOS - abra se entrar em condição de emergência".
Essa é uma obra de referência que deve estar na estante de qualquer profissional de comunicação e marketing. Está repleta de casos reais, muitos são atuais e ainda têm rastros para serem explorados na internet. Ler esse livro esporadicamente dará o alerta constante que o leitor precisará ter em seu dia-a-dia, lembrando que preparação e planejamento são fundamentais para todos aqueles que lidam com comunicação e marketing no mundo atual das redes sociais.


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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Marketing e RP em Tempo Real

Vários me perguntam quem é o guru ou o cara que tem o pensamento mais ousado nas áreas de comunicação e marketing. Eu não gasto dois segundos para responder. O cara mais ousado, que abre as nossas cabeças e coloca toneladas de minhocas, chama-se David Meerman Scott.

Ele não é meramente um teórico, ele consegue prover conceitos e experiências práticas, fazendo com que apareça dentro da gente aquela sensação de miserabilidade, aquele sentimento de que estamos fazendo tudo errado. É isso mesmo, sempre quando ouço ou leio algo produzido pelo Mr. Scott, eu me sinto um miserável que não consegue fazer algo realmente inovador ou ousado na minha atividade diária de marketing e comunicação. Que sensação horrível!!

Eu já tinha escrito aqui no blog, alguns meses atrás, que foi um tapa na cara ler o livro "Marketing e Comunicação em Tempo Real" de Mr. Scott. Todo profissional de marketing e comunicação deveria ler o livro... várias vezes, até algo entrar na cachola. Esse é um livro mandatório para todos aqueles que desejam ser desafiados a respeito das novas regras de marketing.

No inicío de 2011, David Meerman Scott foi "keynote speaker" no evento Marketing Sherpa  Email Summit em Las Vegas. Sua apresentação de 50 minutos foi gravada e disponibilizada na web. Separe um tempo para ver o vídeo. Vale a pena.






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segunda-feira, 12 de março de 2012

O livro "Marketing e Comunicação em Tempo Real" é um tapa na cara!

Ler o livro "Marketing e Comunicação em Tempo Real" de David Meerman Scott, publicado pela Editora Évora, foi um tapa na cara. Todo profissional de marketing e comunicação precisa ler esse livro... várias vezes.

A minha primeira reação foi uma vontade enorme de jogar no lixo o meu exemplar da 3a. edição do livro "Administração de Marketing" de Philip Kotler, impresso em 1994, cheinho de marcações pessoais, que eu ainda guardo na minha estante empoeirada. Depois pensei em escondê-lo para não correr o risco de um estudante qualquer reaproveita-lo. Enfim, é claro que estou brincando, mas David Meerman Scott questiona seriamente dogmas instituídos pelos profetas do marketing, alguns julgados incontestáveis e apresentados como pilares inabaláveis em qualquer curso de marketing e comunicação.A bem da verdade, o tal dos 4 P's de marketing já vêm sendo questionados há muito tempo. Já apareceram outros Ps como "People", "Process", "Perception", Personalização, Pesquisa e todos os outros "Ps" que os estudiosos de marketing conseguiram encontrar no dicionário.

Porém, ninguém havia falado até então de forma tão contundente sobre a relevância do Tempo na atividade de marketing e comunicação, a ponto de escrever um livro sobre o tema. E isso muda muita coisa. O Tempo faz o velho ditado "O excelente é inimigo do bom" funcionar como uma base do marketing moderno. Ser ágil pode ser muito mais importante do que ser preciso. Chegar primeiro pode fazer toda a diferença, mesmo que você chegue de bermuda e camiseta numa festa de smoking. Por trás disso está a internet. Como citado no livro, "a internet mudou fundamentalmente a escala de tempo dos negócios". Essa mudança no ritmo da sociedade, não só dos negócios, tem por detrás "a diminuição drástica do fator tempo, amplificando radicalmente a importância da velocidade". O problema é que as empresas ainda são comandadas por pessoas da era pré-internet, enquanto que a nova geração de consumidores e funcionários nasceram, vivem e respiram a internet a cada minuto. Por conta disso, as expectativas dessa nova sociedade estão aumentando. A geração Y é o principal exemplo, já que tempo de espera é algo não assimilado por essa geração. Esse choque de perspectivas vem causando transformações interessantes no mundo dos negócios e do trabalho.

Segundo David, o planejamento de marketing continua sendo importante, mas a flexibilidade e a capacidade de reação passam a ser uma vantagem competitiva indispensável. Isso sempre foi coberto pelos livros dos gurus de marketing, mas quase sempre no rodapé das páginas e de forma marginal. Qualquer planejamento é feito em cima de um cenário estático e de um conjunto de premissas, mas o mercado é dinâmico, o mundo online em tempo real da web faz tudo mudar o tempo todo. Reconhecer "uma situação com potencial para se tornar um bola de neve, avaliar os possíveis desdobramentos" e estar preparado para reagir passa a ser um diferencial importante para as empresas, independentemente se essa situação for uma ameaça ou uma oportunidade para a organização. Saber aproveitar cada momento é a nova dinâmica do mercado extremamente competitivo que vivemos hoje.

David afirma que "a mentalidade em tempo real não está na agenda corporativa ou no currículo das escolas de negócios". E isso parece ser verdade mesmo. Os executivos, de forma geral, não gostam de tomar decisões rápidas. Eles procrastinam pois super valorizam os riscos e minimizam os possíveis benefícios. Querem ter todos os detalhes avaliados, escritos no papel, antes de qualquer tomada de ação. Mas não é só isso. As empresas cada vez têm organizações mais complexas, onde as decisões normalmente não ficam nas mãos de uma única pessoa. Decisões corporativas exigem reuniões, avaliações dos "especialistas", aprovações de várias linhas organizacionais, e enquanto a empresa fica no "vai e fica", aquela oportunidade especial de mercado escorre pelo ralo. Isso ocorre todos os dias nas empresas.

Mesmo com todas as ferramentas tecnológicas modernas de comunicação, as empresas ainda patinam em suas estruturas funcionais e no tradicional excesso de cautela. Na nova equação de competitividade, a empresa moderna terá que saber combinar melhor planejamento e análise com velocidade e agilidade. Mas essa equação não funciona em qualquer organização. Para uma empresa ganhar velocidade e agilidade, ela precisa trabalhar de forma descentralizada, dar mais autonomia e poderes para os seus funcionários, fazer a organização funcionar de forma mais fluida, cultivando a cultura da co-responsabilidade e do foco total no cliente. Isso significa uma cultura de transparência e colaboração.

Como esperar que uma empresa fechada, com cultura hierárquica, tenha velocidade? Como uma empresa pode ter agilidade se tudo passa pela aprovação do chefe? Ou seja, a cultura corporativa pode ser uma barreira e tanto. As empresas devem estimular os funcionários a tomarem decisões, com rapidez, mesmo que sejam decisões individuais se necessário, tendo a certeza que sua empresa apoia e admira esse tipo de atitude. Criar um ambiente colaborativo, onde os funcionários se sentem confiantes para agir com autonomia, nas situações imprevistas e nas oportunidades, assumindo riscos, pode exigir uma mudança cultural da empresa, o que não é simples e fácil. É aí que as empresas caem numa armadilha, pois muitas delas confundem mentalidade em tempo real e colaboração com a implementação de ferramentas. As empresas criam uma página no facebook e se põe no twitter, mas esses são apenas os meios, o importante é mudar a mentalidade ao novo ambiente que essas ferramentas propiciam. Caímos de novo na vertente da cultura corporativa.

Uma das conseqüências mais fascinantes do marketing em tempo real é a quebra de um conceito antigo: a separação das disciplinas de marketing e comunicação. Muitas empresas ainda privilegiam comunicação externa (RP) em detrimento da comunicação interna. RP para algumas empresas é Relações com a Imprensa, o que é muito diferente do RP de Relações Públicas. No mundo atual tudo isto está se misturando numa velocidade incrível. A separação das disciplinas é algo com os dias contados. As empresas ainda vão demorar um tempo para descobrir isso em função da inércia corporativa, mas a confluência e a junção das disciplinas serão inevitáveis.

Um dos momentos em que as empresas descobrem que está tudo misturado é na crise. São nos períodos de dificuldade que as diversas áreas de uma organização têm que sentar juntas para se coordenar. Por que, então, não trabalhar também juntas nas oportunidades? Aliás, são nas crises que a mentalidade em tempo real aparece com mais força nas empresas. As mídias sociais trataram de aumentar essa criticidade. Mas, como diz David, "se são nas mídias sociais onde o fogo da crise se alastra primeiro e mais rápido, também é ali que estão as substâncias que retardam o fogo". "A empresa precisa atuar de forma ágil, honesta, abrangente, segura, tanto nas mídias que controla (seu site, sua página no facebook, seu twitter, etc) quanto nas comunidades abertas". Numa crise, têm determinados momentos que a sociedade e seus clientes esperam pela resposta e pelo posicionamento da empresa. Não deixe passar esse momento. Depois Inês estará mais do que morta.

David apresenta uma proposta ousada, que eu simplesmente adorei: a criação de um cargo sênior chamado "diretor de comunicações em tempo real". O conceito é simples. A implementação do marketing e comunicação em tempo real é tão desafiante e complexa, que a maioria das empresas vai realmente precisar de um profissional de alto nível, com autonomia e capilaridade de atuação, e também com legitimidade perante o ecossistema de entidades que se relaciona com a empresa (clientes, fornecedores, parceiros, etc). David lembra que na década de 1990, quando as empresas falavam na necessidade de um novo profissional, surgiu o webmaster. Lembra disso? Hoje, as empresas estão nomeando especialistas e estrategistas de mídias sociais, mas isso é pouco para o desafio que se espera na área dentro das empresas. O cargo somente ganhará importância, relevância e eficácia se vier atrelado com autonomia, recursos e compromisso da organização. Será uma jornada de transformação, e por isso a tarefa não poderá ser liderada por qualquer pessoa, tem que ser por alguém sênior e experiente. Ironicamente, no tempo da publicação desse livro, muitas empresas ainda entregam sua estratégia e execução em mídias sociais para estagiários e funcionários com pouca experiência e bagagem profissional. Essa é uma mensagem muito ruim para a organização e para os seus clientes.

Ao analisarmos os dez sites com maior tráfego na internet no mundo, descobrimos que sete são sites de mídia social e três são sites de busca. Apesar das empresas ainda realizarem um acanhado investimento publicitário nas mídias sociais, elas já descobriram que o futuro na atividade de relacionamento com os clientes está ali. Uma pesquisa publicada no final de 2010 concluiu que mais de 70% dos consumidores apontam as mídias sociais como o melhor canal para se relacionar com as empresas. Isso é ótimo, pois as mídias sociais permitem às empresas conhecer melhor seus clientes, suas preferências, sua avaliação sobre a marca, produtos e serviços. Mas como capturar milhares ou milhões de feedbacks e percepções esparsas na grande web e transforma-los em conhecimento e relacionamento de real valor? David desenvolve o conceito de Web Social, que é a aplicação de tecnologias de busca, classificação, análise semântica e de inteligência de negócios para analisar as conversas distribuídas sobre um produto ou empresa, com intuito em quantificar a tendência da percepção e influência de cada conversa. O marketing, com claro viés de publicidade, sempre foi muito de falar via sua propaganda e pouco de ouvir os clientes. Agora entrarmos na era de escutar e conversar, em tempo real. Bem-vindo ao novo marketing!

Acredito firmemente que os líderes de marketing e comunicação das empresas já estão mais do que conscientes de que velocidade e agilidade são importantes para o seu sucesso, mas a grande dificuldade por trás disso é a tomada de decisão. Na maioria das vezes, o verdadeiro dilema é a falta de elementos e informações para uma avaliação adequada, rápida e "mais ou menos" segura. Tomar decisão no escuro é muito difícil, por isso o marketing cada vez mais será encarado como uma ciência. Vai aumentar tremendamente o foco na coleta e análise de dados. Ferramentas tecnológicas, softwares e plataformas, cada vez mais sofisticadas, estão sendo adotadas pelas empresas, independentemente do tamanho da organização. Conhecer melhor cada cliente e o mercado, suas preferências e necessidades, será uma ciência analítica e o profissional de marketing do futuro será um sujeito apaixonado por isso.

Imagino o profissional de marketing sentado na frente de um cockpit, tomando suas decisões com base em indicadores e informação online. Parece um sonho? Não, não é um sonho. As empresas estão inundadas de dados. A grande dificuldade delas é juntar tudo que tem disponível de forma organizada, confiável e ”real time". Esse é o futuro. E esse futuro vem a galope. Softwares de “automação de marketing”, que conseguem analisar enormes quantidades de dados, já estão aparecendo e ficando disponíveis. Quanto maior o conhecimento e a disponibilidade de dados você tiver, maior será a sua capacidade para tomar decisões inteligentes no tempo correto, de forma ágil e segura.

Mas e a imagem daquele tradicional profissional de marketing criativo e intuitivo, como fica? Não se desespere. Isso ainda será muito necessário. Mas nem isso ficará imune aos novos tempos. Se você é profissional de marketing, vai lá nos seus velhos livros na estante e veja os capítulos que falam sobre gestão de marca. Você vai ver que muita coisa mudou e continua mudando. Os métodos e processos tradicionais, muitos deles ainda aplicados pelas empresas, parecem estar desconectados com o mundo em que vivemos.

Agora, a marca não pertence mais à empresa. Ela é construída e reconstruída em "real time" pelos seus clientes, são eles que falam e moldam a sua marca. A empresa não tem mais a propriedade da marca. Infelizmente o orçamento de marketing das organizações, especialmente o publicitário, não consegue mais ser tão eficaz quanto nas décadas passadas. E tende a piorar. Bem-vindo ao futuro. Enfim, acho melhor eu procurar um outro emprego pois o marketing não é mais aquele que aprendi na escola e nos meus anos de trabalho.

O texto acima foi adaptado do posfácio original contido no livro "Marketing e Comunicação em Tempo Real", David Meerman Scott, Editora Évora.

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Novo livro de Carol Terra: Mídias Sociais... e agora?

Você trabalha com comunicação ou marketing? Se interessa pelo assunto? Então não deixe de ler o novo livro "Mídias Sociais... e agora?" , de Carolina Terra.

Quando eu comecei a blogar de verdade (até então eu era um mero observador), lá pelos idos de 2008, eu me deparei com algumas figuras que me inspiraram bastante. Uma delas foi Carol Terra. É impossível navegar pela web em busca de conceitos e experiências no uso de mídias sociais pelas empresas e não se deparar com a Carol. O seu blog RPalavreando continua sendo um ancoradouro seguro para as minhas pesquisas e aprendizado. Faça uma busca e verá o nome da Carol nos eventos, livros e blogs sobre mídias sociais. Ela é referência no assunto. Em resumo, eu pouco tempo descobri que estar conectado a ela seria uma boa.

Portanto, eu fiquei lisonjeado quando recebi o convite da Carol para que escrever a quarta capa de seu novo livro.

Lembro que ela me mandou o pdf do livro para que eu avaliasse. Eu estava em Vitória quando li o email. No dia seguinte eu voltei para o Rio. Nesse meio tempo eu devorei o livro!!! Comecei a ler o livro dentro do avião... e não parei mais. Conteúdo objetivo, prático e realmente útil. Aprendi bastante. Fiquei tão entusiasmado, inspirado, que saí escrevendo e o texto resultante ficou imenso. impossível para uma quarta capa.

Portanto, uso o espaço do blog para publicar o texto que fiz para o novo livro de Carol Terra: Mídias Sociais... e agora? mas que não foi publicado por ser longo demais. :)

Todos nós, como cidadãos, trabalhadores e consumidores, estamos sendo impactados pela introdução da internet em nossas vidas. Porém, o grande tsunami de transformação está a caminho através da introdução e adoção das mídias sociais pelas organizações. Sim, é isso mesmo, a onda está apenas chegando, mas vem forte. A computação social, que nos conecta com tudo e com todos através de um número espetacular e cada vez mais crescente de dispositivos, vem provocando radicais mudanças em como vivemos, nos relacionamos, trabalhamos, compramos e consumimos produtos e serviços. Uma das profissões mais afetadas é marketing e comunicação. Parece que nada mais é como antes. Entender esse novo mundo, essas novas dinâmicas, saber agir e tirar proveito desse tsunami das mídias sociais é o propósito de Carol Terra.

Saber encarar as mídias sociais como aliadas, e não como risco, será fundamental para o sucesso de qualquer profissional da área. Infelizmente, ainda existe muita literatura conceitual e de análise de cenários, mas o que nós precisamos é pousar a aeronave, transformar belos conceitos em ações práticas e de real valor para empresas e clientes, que nos ajudem a dar o norte e entender como evoluir nesse cenário de contínua transformação. Carol faz isso com muita competência nesse livro, navegando entre teoria e prática, dando dicas úteis, provendo um guia prático e colocando a bússola em nossas mãos. Mas não se engane, ela nos dá a bússola, mas quem escolhe o caminho é você. Ter a cabeça aberta, ser ousado, entender que não é feio dar dois passos para frente e um para trás, tudo isso ajuda. Entre no mundo das mídias sociais consciente de que vivemos em uma nova sociedade onde a palavra chave é colaboração, onde as relações humanas e valores estão mudando, ganhando novas proporções e impactando diretamente as organizações. A tecnologia abre caminho e cria novas possibilidades, porém no centro de tudo está um novo ser humano, mais poderoso, autônomo e influente. Entender como as mídias sociais pode ajudar o mundo dos negócios e do ambiente do trabalho é uma jornada, de aprendizado e experimentação, porém inevitável. Você pode escolher ficar olhando ou tomar a dianteira.

Acho que o livro vai ajudar nessa decisão. Abraços e boa viagem!

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

EMPRESAS PROATIVAS - Como Antecipar Mudanças no Mercado

Semanas atrás eu participei de uma palestra chamada EMPRESAS PROATIVAS - COMO ANTECIPAR MUDANÇAS NO MERCADO. O evento teve por base o lançamento do livro de mesmo nome, de Leonardo Araújo e Rogério Grava. Trata-se de um livro muito especial, como os autores dizem: "que ajuda as empresas a formularem novas perguntas, em vez de apenas buscarem a resposta para as mesmas perguntas de sempre".

Para nós, profissionais de marketing e comunicação, que usamos e abusamos da palavra ESTRATÉGIA, esse livro abre a cabeça e nos desafia a repensar o que chamamos de "estratégia". Eis abaixo um pouco do aprendi, temperado com algumas ilações de minha parte.

Os autores abrem o livro convidando o leitor a olhar a empresa onde trabalha sob 3 ângulos:

1- De que forma a empresa tem construído as suas estratégias ao longo do tempo?
De forma a se adaptar às condições que a cercam? Ou visando construir novas realidades de mercado?

2- Que tipo de orientação para o mercado tem norteado as ações de marketing de sua empresa?
Uma orientação voltada a responder às necessidades dos consumidores e aos movimentos da concorrência? Ou que procura criar necessidades totalmente novas e mudar as regras do jogo da competição?

3- Como sua empresa trata a inovação?
Como um processo pautado nas demandas do mercado e nos requerimentos dos clientes? Ou como uma ação baseada em interpretar proativamente o que não foi explicitado pelo mercado e em romper de forma marcante com os padrões de oferta?

Se suas respostas evidenciarem uma forte orientação reativa, não se preocupe, a grande maioria das empresas tende a ter um comportamento de adaptação à mudança e não liderar a mudança.

Numa abordagem simplista, as empresas tendem a adotar uma das duas correntes abaixo em relação à atuação de mercado:
ESCOLHA ESTRATÉGICA - significa que a empresa quer interferir no mercado;
DETERMINISMO AMBIENTAL - a empresa segue o mercado, se adapta aos ventos, fica quase à mercê do ambiente.

As EMPRESAS PROATIVAS optam pela primeira corrente, elas entendem que as regras do jogo competitivo não são fixas, e assim podem ser mudadas por meio de uma ESCOLHA ESTRATÉGICA. Tal PROATIVIDADE DE MERCADO pode ser definida como a capacidade de antecipar a mudança de mercado, criando-a de forma liberada ou agindo sobre seus primeiros sinais.

Marketing, tradicionalmente, tem um DNA reativo. Digo isso com conhecimento de causa pois atuo em marketing há muito tempo. Nós ficamos o tempo todo olhando o que nossos concorrentes estão fazendo, tentando definir as tais necessidades dos clientes e investindo continuamente em pesquisas de mercado. No final de todo esse esforço a gente continua fazendo quase sempre a mesma coisa.

Tente visitar as áreas de marketing de diferentes empresas de um específico segmento de indústria, você vai descobrir que quase todas elas costumam fazer as mesmas perguntas, gerando um fenômeno chamada CONVERGÊNCIA COMPETITIVA, ou seja, todas vão para o mesmo lugar.

Como identificar as tendências que ainda não estão esboçadas ou evidentemente claras? Ou que ainda não aparecem nos números? A essência da proatividade é antecipação e tempo. E proatividade não se decreta, é preciso desenvolver capacidades e ações. Tudo isso temperado com inspiração, reconhecimento, estímulo e carisma. Daí aparece a pergunta mágica: como identificar e desenvolver PESSOAS PROATIVAS ?

Por trás disso tudo está algo muitas vezes negligenciado pelos líderes empresariais: a CULTURA CORPORATIVA. Como disse Lou Gestner, ex-CEO da IBM, uma década atrás: "Cultura não é parte do jogo. Cultura é o jogo". Daí o papel da área de comunicação corporativa ganhar novas nuances que vão muito além da arte de "INFORMAR". A nova missão da comunicação interna das empresas é DESENVOLVER CULTURA E FORMAR PESSOAS.

É aparentemente simples identificar uma PESSOA PROATIVA. Ela interfere, incomoda, é insistente e demora para desistir. Pergunta mais do que responde, tem causas e propósitos, perfil de evangelista e persevera mesmo diante de ameaças e obstáculos. Muitas vezes ganha o delicado apelido de CHATO. É aquele que não se conforma em fazer a mesma coisa que todos os outros estão fazendo.

PROATIVIDADE e INOVAÇÃO são coirmãos, difícil imaginar um sem o outro.
A inovação incremental é importante, que tipicamente acontece em melhorias de processos, sistemas, upgrades de produtos já existentes, etc. Mas a inovação disruptiva e radical é que faz a mudança. É ela que permite o salto quântico. E quase sempre este tal salto quântico não será encontrado nas pesquisas de mercado e nem no feedback dos clientes. Como disse Steve Jobs: “As pessoas não sabem o que querem até você mostrar para elas". De forma geral, o cliente como fonte de inovação é algo muito limitado.

"Nós acreditamos que uma organização se destaca apenas se ela está disposta a assumir tarefas aparentemente impossíveis". Isso foi dito por Thomas Watson Jr. (presidente da IBM de 1952 a 1971) numa palestra dada na Universidade de Columbia em 1962. E complementou: "Os inovadores são aqueles que se propõe a fazer o que os outros dizem que não pode ser feito. São aqueles que realizam as descobertas, que produzem as invenções e que movem o mundo adiante".

INOVAR quase sempre significa você se permitir a ERRAR. Será que existem ERROS CERTOS e ERROS ERRADOS?

Uma empresa, dentro de sua cultura corporativa, pode ter duas abordagens diferentes em relação ao erro:
1- LICENÇA PARA ERRAR
2- LIBERDADE PARA ERRAR

Empresas verdadeiramente inovadoras, estão sempre em busca de ERROS NOVOS. Certamente existem ERROS BONS, que valem a pena. Eis aí mais um desafio para as empresas: desenvolver a CULTURA DO ERRO. Surpreendentemente, a maioria das empresas trata muito mal os empregados que se arriscam e erram. Existe um culto ao erro zero, cujo maior dano é a geração de pessoas que trabalham pelo e para os processos dentro da empresa, que quase sempre inibem a criatividade e a iniciativa de tentar fazer algo diferente. Daí a importância de identificar os profissionais diferentes, aqueles proativos, preservá-los e muni-los de ferramentas e autonomia para colaborarem de outra maneira para a empresa.

Pense e veja se rola na sua empresa as duas perguntas básicas que normalmente estão incrustadas no DNA das empresas e pessoas proativas:
1- O que NÃO EXISTE e pode ser GERADO?
2- O que EXISTE e pode ser MODIFICADO?

Olhando tudo isso... o que me diz?
A sua empresa é PROATIVA?
Você é PROATIVO em sua vida profissional e pessoal?

O livro é espetacular, pois incomoda qualquer profissional de marketing e comunicação. Aí ele cumpre o seu papel. Muitos concluirão que as estratégias de marketing de sua empresa não são verdadeiramente estratégias. O que fazem é meramente seguir as tendências de mercado, seus concorrentes e clientes tradicionais, valorizando o risco mínimo e o mais do mesmo. O livro apresenta muitos casos reais de mercado, sempre bem explorados e analisados com profundidade, abordando cada fato sob uma ótica diferente. Trata-se de um livro realmente diferente.

Visite o site www.proatividadedemercado.com.br ou clique na imagem para aprender mais um pouco. Vale a pena.

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domingo, 27 de novembro de 2011

Lançamento do livro A QUINTA ONDA em Sampa

Agora é prá valer !!!

O lançamento e noite de autógrafos do livro A QUINTA ONDA em Sampa vai rolar no dia 7/dez, quarta-feira, às 19 horas, na Livraria Cultura do Shopping Villas-Lobos - Av. das Nações Unidas, 4777 - loja 245 - São Paulo.

Você também pode adquirir o livro por um preço pequenininho na Loja da Singular Digital, via o link abaixo.

http://www.lojasingular.com.br/a-quinta-onda_.html

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ebook grátis de Cezar Taurion sobre Mídias Sociais

Acesse o link abaixo ou clique na imagem para obter o excepcional Ebook do Cezar Taurion sobre mídias sociais. É grátis !!!!!

Mídias Sociais e seus impactos na nossa vida

Sugiro fazer o download no formato PDF. Como "souvenir", reproduzo abaixo o prefácio do livro, que tive o privilégio de escrever.

Cara, esta foi uma grande viagem!

Essa foi a minha primeira reação ao ler este blogbook de Cezar Taurion. Falar de redes sociais de 2007 a 2010 é uma grande viagem, em aceleração máxima, non-stop flight. Os posts mostram uma evolução espetacular nas ferramentas e no conceito do que chamamos de sociedade virtual. Soa até engraçado o primeiro post, quando o autor comenta a respeito da conferência Web 2.0 de 2007 em que ele identificou um grande interesse do público participante pelo tema "blogs corporativos". O assunto ainda era incipiente, as empresas não tinham muita clareza do que eram esses tais de blogs e muito menos em como usar e incorporar tal tecnologia em suas estratégias e planos. Enfim, é muito interessante rememorar isso, pois evidencia que o tempo de introdução, aceitação e maturação das novas plataformas de mídias sociais vem diminuindo rapidamente.

O blogbook oferece generosamente uma visão geral do que chamamos de tecnologias sociais ou computação social. Nada escapa aos olhos e da "caneta virtual" de Taurion: blogs, wikis, redes sociais, twitter, mundos virtuais, etc. Ele percorre todos estes temas desmitificando-os e conectando-os ao mundo corporativo. Apesar de toda evolução, tais tecnologias ainda estão sendo absorvidas pelas empresas e a distância dos executivos deste novo mundo parece ser uma das principais barreiras.

Mas o autor não cobre somente as mídias sociais em seu aspecto tecnológico, ele também aborda algumas transformações sociais que vêm acontecendo a reboque destas mídias, seu uso em algumas empresas de vanguarda, a influência da geração Y, o "novo conceito" de privacidade e um olhar sobre o futuro. E não pense que a abordagem é chata e técnica. Nada disso. Ele explora cada tema de maneira leve, muito didática e sempre com um olhar muito próprio, diferente da maioria dos textos que encontramos por aí, que normalmente abordam estes assuntos falando "mais do mesmo".

Lendo o blogbook, fica claro que não é por acaso que Taurion é Gerente de Novas Tecnologias e Technical Evangelist da IBM Brasil. Aliás, o termo "evangelista" é de uma felicidade absoluta, pois Taurion exerce exatamente este papel no dia a dia. Ele é um entusiasta, um doutrinador, com todas as suas convicções e até incertezas, mas, acima de tudo, um mestre que acredita em causas, e faz disso a sua principal característica. Sua capacidade didática, de descomplicar o que parece díficil, é muito especial.

Enfim, esta é uma obra para todos aqueles que desejam conhecer e se aprofundar um pouco mais nos conceitos de computação social. É uma visão abrangente, atual e interessante a respeito das mídias sociais no mundo corporativo. Todo profissional que se interessa e trabalha com o assunto vai gostar deste blogbook. É, certamente, uma referência.

Portanto, só me resta dizer o que os milhares de leitores dos livros e blogs de Taurion sempre falam: obrigado mestre!

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sábado, 15 de janeiro de 2011

Um livro que vale muito a pena: Mídias Sociais nas Empresas

A Editora Évora, no final de 2010, lançou um excelente livro sobre mídias sociais no ambiente corporativo. Trata-se do livro "Social Media at Work", que na versão brasileira recebeu o título de "Mídias Sociais nas Empresas".

Os autores Arthur Jue, Jackie Alcalde Marr e Mary Ellen Kassotakis são especialistas em liderança e desenvolvimento organizacional, o que resultou num livro diferente da maioria do que encontramos nas estantes das livrarias. Livros de mídias sociais normalmente são escritos por autores ligados aos temas marketing e tecnologia, o que resulta em livros distantes dos temas transformação cultural, organizacional e desenvolvimento pessoal. O livro de Jue, Marr e Kassotakis vai direto no ponto da maior transformação que as mídias sociais pode trazer para as empresas, que é a transformação das pessoas.

Enfim, esse é um livro especial, que vale muito a pena. E eu tive o privilégio de escrever o prefácio, que compartilho aqui nesse post.

Prefácio à Edição Brasileira

Antes de mais nada, este é um livro apaixonante. Jue, Alcalde Marr e Kassotakis nos colocam no olho do furacão, evidenciando que vivemos a maior transformação da história da sociedade humana, algo sem precedentes. A forma como nos relacionamos, tomamos decisões e fazemos negócios está mudando completamente. Estamos no meio de uma revolução e ninguém escapará dela. As empresas podem escolher ignorar o fenômeno ou se antecipar e incorporar as mídias sociais em suas organizações, nos seus modelos de negócio e em seu próprio desenvolvimento.


Esqueça os livros teóricos e conceituais. Os autores optaram por um livro prático, pragmático e extremamente útil para aqueles que estudam ou lideram a implementação das mídias sociais no ambiente corporativo. Através de exemplos e casos reais muito bem explorados, os autores derrubam os tradicionais paradigmas.


A maioria das empresas trata as mídias sociais como uma mera plataforma para fazer marketing, esta visão torta e limitada muitas vezes gera experiências negativas. Ao tratar o cliente com um viés de consumidor, as empresas lançam projetos de mídias sociais com o objetivo único de vendas e descobrem que por trás dele existe uma pessoa multifacetada, que deseja falar com a empresa para reclamar de um serviço, dar uma ideia de um novo produto, se relacionar institucionalmente por ser acionista da empresa ou apenas pedir mais informações. A maior virtude do livro é dismitificar essa percepção oportunista das mídias sociais como canal de vendas, elas vão muito além disso, pois permitem mudar o modelo de relacionamento das empresas com seus clientes, parceiros e, principalmente, funcionários. E, em muitos casos, permitem uma transformação radical do modelo de negócio da empresa. Portanto, aplicar o uso dessas novas plataformas somente em vendas é um desperdício de recursos, ou, no mínimo, a perda de uma bela oportunidade.


Obviamente que o impacto inicial causado pelas mídias sociais nas empresas é na comunicação, mas esta é somente a primeira onda nas mudanças que estarão por vir. Quando aumenta a comunicação, as pessoas ficam mais conectadas, cresce o sentimento de camaradagem e compartilhamento, a colaboração espontânea aparece no dia a dia da empresa, as barreiras diminuem e aumenta a flexibilidade e a tolerância. Tudo isso provoca melhor performance e eficácia da organização. O coletivo se sobrepuja ao individual. A diversidade e a pluralidade aparecem com mais intensidade. A hierarquia fica mais flexível e menos importante. O clima de integração e alinhamento atua em todos os aspectos da organização, tais como planejamento estratégico, desenvolvimento das lideranças, gestão de mudanças e de performance, e até nas pequenas decisões diárias de cada funcionário. No Capítulo 5, os autores oferecem vários exemplos reais de empresas que já descobriram o poder das mídias sociais para os seus negócios e desenvolvimento. O Capítulo 6 é o mais vigoroso do livro. É um passo-a-passo essencial, com práticas e dicas, para implementação das mídias sociais nas empresas. O Capítulo 7 é uma visão de futuro, onde fica evidente as transformações e o alcance dessa revolução chamada mídias sociais.


As mídias sociais dentro das organizações ainda parecem ser um território virgem a ser explorado, com todas as suas contradições, oportunidades e riscos. Neste contexto, só existem duas certezas. A primeira é que estamos num caminho sem volta pois todas as empresas tomarão esta estrada, sejam elas pequenas ou grandes, locais ou globais, e de qualquer segmento de indústria. A segunda certeza é que os que saírem na frente ganharão uma vantagem competitiva imensa. E, por essa razão, os inúmeros casos citados no livro merecem ser estudados, não só por serem bons exemplos, mas por mostrarem empresas que estão inovando, ousando e criando um mundo diferente para a sociedade.


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domingo, 17 de outubro de 2010

Emoções Tóxicas no Trabalho

Ganhei de uma querida amiga um livro chamado "Emoções Tóxicas no Trabalho", de Peter J. Frost. O título é muito interessante, mas o conteúdo é muito mais. Eu me achei em diversas partes do livro.

O livro é fascinante pois cobre um tema que as empresas não gostam de falar. Aliás, nós gerentes, convivemos com ela rotineiramente, quase como uma carga individual que carregamos em nossas costas. Estou falando da "dor emocional" no trabalho.

Todos nós, trabalhadores, sofremos com a carga exagerada de trabalho, prazos absurdos, chefes intransigentes e metas impossíveis. Tudo isso num clima de economia instável, alteração de regras empresariais, fusões, terceirizações e toda sorte de mudanças. O conjunto dessa obra é o surgimento de pessoas angustiadas e frustradas no ambiente de trabalho. Desculpe o meu exagero e dramaturgia, mas você, leitor, entende o que eu estou falando. Peter J. Frost chama isso de "a dor emocional inevitável da atual vida corporativa".

Essa dor emocional, se não tratada adequadamente, transforma-se em emoções tóxicas, ou seja, em atitudes prejudiciais e não curativas que as pessoas têm ante as dificuldades enfrentadas no trabalho. Se este clima negativo for crescente, o ambiente de trabalho torna-se nocivo, drenando a vitalidade, motivação e energia das pessoas.

Infelizmente, na maioria das empresas, existe uma forte ética corporativa de não se discutir a dor emocional. Prefere-se fingir que ela não existe. Ou, as vezes, até é dito que ela existe, mas não é importante, o que faz com que o assunto não apareça na lista das prioridades das empresas.

Quase sempre esta dor emocional, não reconhecida pelas empresas, cai no colo dos chamados "manipuladores de toxinas", termo usado pelo autor para designar aquelas pessoas, gerentes e profissionais, que ajudam a aliviar o sofrimento dos colegas, fazendo com que estes se concentrem no trabalho. Estou falando daquelas pessoas que os colegas procuram para desabafar, para pedir conselhos e compartilhar aquelas ideias que não gostam de falar abertamente. Muitas vezes, esses "manipuladores de toxinas" não têm consciência do que fazem, na maioria dos casos agem por instinto e por convicções pessoais e emocionais, já que as empresas não endereçam o problema.

Existem empresas que parecem panelas de pressão. Estou falando daquelas onde o clima interno de trabalho não é saudável, ou daquelas onde os funcionários não se identificam com os valores e ideais corporativos. Nestas empresas, é muito comum encontrar alguns colegas que "seguram a onda", que sabem ver a parte cheia do copo quase vazio. Parecem evangelistas, sem saberem que são. O pior de tudo é que muitas empresas não conseguem identificar o poder e a importância destes "seguradores de onda", e acabam dispensando estes trabalhadores tão importantes para a manutenção do clima corporativo.

Uma vez, muito anos atrás, ouvi um colega comentar que fulano era muito bom, gerava resultados incríveis para a empresa, mas por onde passava ele deixava um rastro de sangue atrás. A empresa parecia gostar deste executivo, afinal os seus resultados de curto prazo eram fantásticos, mas era um sujeito difícil e que levava a organização ao estresse extremo. Os resultados eram sempre bons no início, mas com o tempo a situação se invertia. Nestas situações, quase sempre, é que os manipuladores de toxinas aparecem e se destacam. Certamente você, que está lendo este texto agora, entende e deve ter um caso parecido para contar.

Segundo Peter J. Frost, "muitos gerentes não possuem o treinamento sistemático na arte de criar relações produtivas com seu pessoal. Eles foram promovidos ou contratados, muitas vezes, de outras empresas com base em suas habilidades técnicas. Ninguém verifica a competência do gerente para trabalhar com pessoas, ou se o fazem, não dão importância às fracas ou modestas habilidades interpessoais quando comparadas a fortes habilidades de venda ou TI e um recorde de entrega de produtos". É aí que aparecem muitos dos perfis gerenciais que conhecemos. Tem aquele gerente que gosta de colocar o pessoal "contra a parede" devido a sua falta de aptidão em tomar decisões. Tem aquele outro que exagera no pedido de conselhos e análises antes de qualquer decisão. Existem também os gerentes maníacos por controle e microgerenciamento. Outros querem rever tudo. E assim vai...

Mas sabe o que é pior? É que os "manipuladores de toxinas" também precisam de ajuda. Ele são seres humanos e também sofrem dores emocionais. Infelizmente, em geral, o trabalho de um manipulador não é celebrado ou admirado, talvez nem mesmo pelas pessoas que estão sendo ajudadas, uma vez que esse trabalho muitas vezes ocorre "nos bastidores". As empresas deveriam identificar e investir fortemente nestas pessoas, que influenciam diretamente na produtividade e no clima organizacional.

Se você se interessa pelo assunto, ou se sente um "manipulador de toxinas", o livro vale muito a pena. O autor discute os efeitos destas toxinas, apresentando de forma bem prática as ferramentas e técnicas para administrá-las e neutralizá-las.

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terça-feira, 26 de maio de 2009

Crises Empresariais - O livro de Roberto Castro Neves

Acabei de devorar o livro "Crises Empresariais com a Opinião Pública" de Roberto Castro Neves (RCN). Foi que nem Doritos, impossível comer um só. Foi começar e não parar mais.

Antes de falar do livro, não dá prá não deixar de falar do RCN.

Eu tive a sorte e o azar de ter trabalhado com Roberto na IBM Brasil, anos atrás. Sorte porque RCN era, e ainda é, uma das maiores autoridades de comunicação corporativa no país. O azar é pelo mesmo motivo. Uma autoridade desse calibre é exigente e detalhista, o que evidencia que um aprendiz de feiticeiro nunca teria, ou terá vida fácil, ao trabalhar com um perfil assim.

Roberto era um executivo centralizador e detalhista. Tinha um profundo conhecimento de comunicação empresarial, extremado bom senso, excelente domínio no relacionamento externo, especialmente com a imprensa, e grande liderança na empresa. Esta é a imagem que tenho dele. Cada interação com ele era uma aula.

Depois de um tempo, ficou claro para mim que eu precisava levar as coisas para ele de forma mais estruturada. Minha ansiedade e vontade de fazer coisas diferentes, muitas vezes me levavam a propor projetos incompletos e com riscos não calculados. Enfim, eu era um aprendiz do ofício.

O perfil de Roberto foi construído a partir de sua experiência na IBM Brasil. Ele comandou a área de comunicação da empresa durante muitos anos (até 1997, acredito eu), especialmente na época da “Política Nacional de Informática”. Talvez muitos não lembrem ou não saibam, mas teve uma época nesse país em que os maiores fabricantes de computadores do mundo não podiam fabricar no Brasil ou importar seus equipamentos. A justificativa é que, protegidas da concorrência com as multinacionais do setor (na época a liderança era da IBM, Burroughs, DEC e HP), os fabricantes brasileiros poderiam desenvolver uma tecnologia genuinamente tupiniquim e estariam plenamente aptos para competir em pé de igualdade com seus concorrentes estrangeiros quando a reserva de mercado terminasse. Foi a fase de empresas brasileiras como Cobra, Edisa e Itautec, essa última existe até hoje. Todo mundo sabe como essa história acabou, né?

Esse cenário transformou a IBM Brasil num enorme alvo de pancadaria vinda do governo e da imprensa. De repente, a IBM virou a Geni da vez. E foi o RCN, liderando Relações Externas, num papel muito mais abrangente do que meramente lidar com a imprensa, que enfrentou toda essa época com maestria e grande sucesso. Foram tantos anos lidando com uma crise latente e com assuntos delicados, que RCN tornou-se um líder centralizador e atento a tudo que acontecia, muitas vezes até desconfiado das coisas que chegavam a ele. Enfim, conto tudo isso pois a conjuntura nacional daquela época é que emolduraram a personalidade empresarial e a liderança de RCN.

O resultado é que RCN tornou-se uma das maiores autoridades de comunicação do país. Não é por acaso que ele é o Ombudsman da ABERJE e têm vários livros de referência publicados.

Feita essa pequena "longa" introdução, vamos ao livro.

O livro é imperdível para os profissionais de comunicação e gestores de empresa. Acho até que o livro vai muito além das crises empresariais, ele dá uma bela perspectiva do perfil da imprensa brasileira e do sempre delicado relacionamento dos executivos de empresas com a mídia. RCN usa e abusa de casos reais, internacionais e nacionais, e isso transforma o livro numa experiência riquíssima, provendo leituras diferentes sobre cada uma das crises apresentadas. O livro fica ainda mais valioso pois ele trabalha com muitos casos brasileiros conhecidos da mídia.

Tenho certeza que alguns não gostarão do estilo literário de RCN. Ele escreve como se estivesse tomando um chopp com a gente, numa mesa de bar. É quase uma conversa no pé-do-ouvido. Eu adoro isso, mas estou certo que tem gente que gosta de um texto mais formal e mais “quadrado”. Enfim, o estilo de Roberto nos leva a um bate-papo delicioso, que transforma um assunto sério numa conversa leve e divertida. É o jeito dele, pessoal, transposto para o livro. Muito bom.

Os capítulos 6 e 7 são o "crème de la crème" do livro, cujo conteúdo merece ser guardado na gaveta da mesa de trabalho para consulta e referência. Não deixe de ler o caso do "Infarto do Edgar", nas páginas 159 e 160, que na minha opinião é a essência do livro. A história pode ser resumida neste pequeno fragmento de texto: "Quanto mais decisões foram tomadas antes da crise, melhor. Tome a decisão e coloque no freezer. Quando precisar dela, ela já está lá, é só requentar. Quando se tem um planejamento, isto é possível".

Para ter um gostinho de como RCN aborda o tema, visite o seu site no endereço www.imagemempresarial.com e navegue pelos capítulos, especialmente o "Tudo sobre Imagem Empresarial" e "Crises Empresariais com a Opinião Pública", que contém alguns casos descritos no livro.

Enfim, o livro é para todo profissional de comunicação ter como referência, e até como manual de primeiros socorros. Também é recomendado para todos aqueles que têm contato com a imprensa, especialmente executivos de empresas e porta-vozes em geral. Do meu lado aqui, eu já vou tratar de colocar alguns exemplares na mesa de alguns executivos da companhia onde eu trabalho.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Steve Jobs - aos 28 e aos 50 anos de idade... e uma Apple no meio

Muito provavelmente, o vídeo de Steve Jobs falando para os formandos da Universidade de Stanford já foi visto pela maioria das pessoas, afinal ele vem circulando pela internet com intensidade nos últimos tempos. Mas esse post não comenta apenas esse vídeo, ele tem também um outro filme muito especial e até um pouco desconhecido de Jobs. Enfim, publico esse post pois desejo ter esses vídeos emblemáticos dentro do meu blog.

Temos visto vários exemplos de empresas onde a “marca” do fundador ou do líder se confunde com a própria marca da empresa. Dois exemplos de empresas de tecnologia se destacam nesse cenário. A “marca” Bill Gates é tão ou mais forte que a própria marca da Microsoft. O mesmo podemos dizer de Steve Jobs e a Apple. Mas existem muitos outros, como, por exemplo, Sam Walton e o Walmart.

Aqui no Brasil poderíamos citar Antonio Ermírio de Morais e a Votorantim, Abílio Diniz e o Pão de Açúcar e vários outros. Temos alguns exemplos extremos como o Eike Batista, que tem uma marca muito mais forte do que qualquer empresa dele.

Enfim, essa mistura de marcas pessoais com marcas corporativas torna-se um desafio ao longo do tempo para as empresas. Acho que esse é o momento vivido hoje pela Apple, que tem uma ligação simbiótica com a personalidade e imagem de Steve Jobs.

A história de Steve Jobs é interessante. Nasceu em 1955, foi adotado, não completou o curso universitário, viveu sérias dificuldades financeiras, até que se juntou com um tal de Steve Wozniak e começou a fazer algumas coisas interessantes na garagem de seus pais adotivos (vale dizer que isso é mais folclore do que realidade, parece que nada surgiu de verdade naquela garagem, segundo o livro que cito mais abaixo). Foi nessa época que nasceu a Apple, mais ou menos quando ele tinha 20 anos de idade. Depois de um tempo ele saiu da Apple, derrotado, quase expulso, criou a Pixar e voltou para Apple como um salvador.

O vídeo de Stanford é imperdível. O speech de 15 minutos dado por Steve Jobs para os formandos em 2005 é o retrato claro e pragmático de um empreendedor, de uma personalidade intrigante, de uma mente inquieta e em constante busca de coisas novas. O vídeo inspira e nos surpreende.

Por outro lado, é sabido que Steve Jobs é um líder tirano, numa relação constante de amor e ódio com seus funcionários. Definitivamente ele não é o líder preconizado pelas boas práticas de recursos humanos. A última edição da Super-Interessante traz uma matéria polêmica a respeito desse lado “dark” de Jobs. Infelizmente a matéria não está disponível online. O que vale mesmo é ler o livro de Leander Kahney, chamado “A Cabeça de Steve Jobs”, que evidencia com primor as contradições da cabeça de Jobs, um sujeito apaixonado e que sempre seguiu seus próprios instintos. Leia AQUI o primeiro capítulo, imperdível. Duro vai ser você não correr na livraria para ler o resto.

Mas antes de você ver o vídeo de Stanford, eu recomendo que você veja esse post que eu publiquei no ano passado, onde comento o lançamento do Macintosh em 1984. É um momento histórico, especialmente pelo filme que mostra um Steve Jobs muito jovem, com 28 anos de idade, arrogante, desafiando alguns gigantes da tecnologia, especialmente a IBM, falando com um sorriso sarcástico e denunciando que estava prestes a conquistar o mundo.

Todo esse contexto só potencializa o mérito do vídeo memorável de Stanford. Ver o Steve Jobs falando aos 28 anos, e depois aos 50 anos, é muito interessante. Da vontade de ver e rever.

A história contada no vídeo de Stanford pelo próprio Jobs me faz lembrar o pensamento de Albert Eisntein, que dizia que a criatividade nasce da angústia como o dia nasce de uma noite escura. É na crise que nasce a invenção, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise de incompetência. Sem crises não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crises não há méritos. Falar da crise é promovê-la, e calar nas crises é exaltar o conformismo. Todas essas palavras e frases são de Einstein. Mas a que mais gosto é uma frase que ilustra meu blog desde o primeiro dia: Não se pode esperar resultados diferentes fazendo as coisas do mesmo jeito.

Por fim, eis o vídeo de Stanford dividido em duas partes:

Parte 1:


Parte 2:

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