quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Tico


Eu sabia que isso acontecer...

O último post sobre 9 personalidades para serem seguidas no Facebook causou a insatisfação de algumas pessoas e recebi várias mensagens ruidosas, vindas de vários lados diferentes. A boa notícia é que a maioria veio por emails e mensagens privadas, o que me privou de um bom bate boca. Nada como ter amigos que pensam em mim :)

O personagem principal de todas as mensagens foi o Tico Santa Cruz. Como posso ter incluído o nome dele na lista? Essa foi a principal indagação de todos. E os argumentos que recebi eram fortes: Ele é um idiota. Ele é um mal exemplo. Colocar o Luciano Pires na mesma vibe do Tico é a mesma coisa que colocar Fred Mercury e Anitta juntos. E por aí vai...

Quando montei a lista, o nome do Tico ficou batendo na minha cabeça. Eu já deixei de seguir o Tico e voltei a segui-lo por diversas vezes. Quase sempre a decisão de deixa-lo foi por conta de seus textos ácidos e o tiroteio ofensivo no campo dos comentários, mas depois resolvo consultar a timeline dele e volto a segui-lo por conta de um ou outro argumento publicado. Sou muito diferente dele em todos os aspectos. Sabe 360 graus de diferença? É isso. Como ficar indiferente a alguém que tem mais de 2 milhões de seguidores no Facebook?

Na minha lista de 9 nomes existem outros nomes que também geram alguma polêmica, como o Romário e o Carlos Osório. O Romário é polêmico desde o início de sua carreira como jogador de futebol e o Osório usa as redes sociais com claro viés político, portanto são nomes bastante questionáveis para entrar também numa lista dessa. Decidi inclui-los pois são exemplos reais de figuras políticas que sabem usar as redes com critério e consistência, mesmo sabendo de suas intenções verdadeiras.

Boechat também tem pontos prós e contras, mas adoro a forma como ele expõe os bastidores de sua vida diária, compartilhando as fotos com as filhas e transformando-o numa pessoa comum como eu e você. Esse foi o principal motivo de minha escolha, mesmo considerando a chatice dele colocar os seus speechs diários na Band News FM dentro da timeline. Mas, enfim, quer segui-lo? Então encara os speechs dele :)

Luciano, Mentor, Cora, Ethevaldo e Givokate parecem ser unanimidades. Não recebi nenhum mensagem negativa a respeito deles. Somente elogios e o silêncio... e nessas horas o silêncio é o melhor feedback.

Sou leitor compulsivo de redes sociais, porém o Facebook foi se tornando um fardo. Aparece muita coisa que não me interessa. Passei a limpar o meu Facebook ao longo do ano, usando os filtros que a rede oferece, e com isso a rede social foi se tornando interessante de novo. Também fui seguindo diversas personalidades diferentes para ver o que eles escreviam e como se comportavam. Aí incluí políticos, empresários, acadêmicos, artistas, pensadores, escritores, etc. Um monte de gente diferente. Para ter ideia, foram nomes como Jean Willys, Carlos Mion, Pondé, Eduardo Jorge, Xico Sá, Lillian Witte Fibe e outros. Muitos me pareceram inicialmente interessantes, mas aí você descobre que eles não tem consistência, escrevem esporadicamente, fazem divulgação excessiva de seus trabalhos e se tornam chatos ao longo do tempo. Isso se repetiu dezenas de vezes comigo. Talvez, nessa relação, o chato seja eu :)

A lista dos 9 nomes são nomes que eu sigo regularmente, apesar de não concordar em nada com o Tico, e não ter admiração pelo Romário e pelo Osório. Gosto do Boechat na rádio, mas estou longe de concordar com tudo que ele fala e pensa. Da lista que publiquei, os 3 nomes que tenho admiração profunda, pelo que publicam e pensam, são: Luciano Pires, Ethevaldo Siqueira e Cora Ronai. São pessoas que conheço, me relaciono e sou grande admirador. É impossível não acompanha-los em tudo que fazem. São fontes de inspiração para mim.

Em resumo, se a minha lista gerou decepção, fica aqui as minhas desculpas. Fazer listas é sempre um desafio, porque sempre gera percepções e avaliações diversas. Aliás, diversidade é a palavra do jogo na montagem de qualquer lista, quanto mais diferente, abrangente e heterogênea, melhor será a lista. Confesso que faço um esforço enorme para ouvir algumas pessoas que não me agradam, por isso sou seletivo e escolho poucos que incomodam meus ouvidos. Sou radicalmente contra preconceitos, mas gosto de me aproximar de pessoas preconceituosas para entender como pensam e como posso influencia-las de alguma forma. Talvez isso explique um pouco tudo isso. Portanto peço desculpas a Andressa, Tadeu, Paulo, Luciana e Marcelo, que foram os que me enviaram os comentários mais contundentes.

Desejo um 2016 especial para todos, com muita paz, saúde, fraternidade e realizações.



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domingo, 27 de dezembro de 2015

Quem vale a pena seguir no Facebook?



Um dos grandes lances do Facebook é permitir você seguir pessoas que ajudem, de alguma forma, a você se tornar um ser humano melhor. Não estou falando daquelas pessoas que publicam fotos do café da manhã ou que meramente reproduzem o que leem no jornal ou vídeos engraçados do YouTube. Estou falando de pessoas interessantes, que contam histórias legais, que colocam minhoca na sua cabeça, que compartilham pontos de vista diferentes, que provocam reflexão, às vezes até desconforto, e que geram valor. Saber selecionar essas pessoas tornará o uso do Facebook uma experiência melhor e mais prazerosa.

Na minha jornada nas mídias sociais aprendi que vale a pena seguir pessoas que pensam diferente de mim. Isso é diversidade na veia. Gera incômodo, mas me transforma num indivíduo melhor, desafiando meus preconceitos e até algumas crenças. Um dos melhores exemplos pessoais que tive, e tenho, foi com Tico Santa Cruz. Certamente somos muito diferentes, não concordo com a maioria do que ele fala e como se posiciona, mas segui-lo no Facebook é um exercício de aprendizado contínuo, mesmo que seja para discordar integralmente de tudo que ele publica.

Para provocar você a buscar novos interlocutores, compartilho aqui nove personalidades que merecem ser seguidas por você no Facebook. Faça um test drive. Eu sei que você terá vontade de chutar a canela de alguns deles.

Ricardo Boechat
É uma delícia seguir o Boechat. Ele mistura a sua rotina pessoal com a profissional, de forma divertida e muito genuína. Conta algumas confidências. Sai da postura de âncora excepcional para a posição de um ser humano como a gente, com virtudes, manias, dificuldades e diversão. É divertido ver as fotos de suas filhas no balcão do jornal da Band.

Tico Santa Cruz
Ele conversa sobre suas posições e pontos de vista a respeito de vários temas, especialmente sobre a situação do País. É sincero, tem posição, participa dos diálogos e sabe argumentar. Não é por acaso que tem quase dois milhões de seguidores. Sigo ele mesmo não concordando com tudo que escreve. A linha de comentários dele muitas vezes se transforma num campo de batalha.

Luciano Pires
Está sempre nos fazendo pensar. É muito atuante no Facebook, comanda o famoso podcast Café Brasil e gosta de provocar as pessoas. Ele costuma compartilhar notícias da atualidade agregando os seus pontos de vista. É mandatório segui-lo, mesmo que você não concorde com ele em tudo.

Mentor Neto
É um fenômeno recente. É uma delícia segui-lo, parece estar conversando no pé de ouvido com você. Escreve textos belíssimos, divertidos, misturando realidade com ficção. Mas, cuidado, ele não tem piedade em bloquear gente chata.


Cora Ronai
É imperdível. Suas reflexões, algumas profundas, misturadas com pitadas do cotidiano, são sempre valiosas. Ela ainda oferece um bônus para seus seguidores publicando os textos de sua coluna do jornal. Adoro a cobertura de suas viagens. Não perca as fotos e os gatos. Vale segui-la também no Instagram.

Ethevaldo Siqueira
Pitadas de alta tecnologia, sempre bem escritas e com um nível de profundidade na medida certa. É mandatório para quem gosta de estar por dentro das novidades tecnológicas, especialmente sobre o espaço sideral. É apaixonado por música clássica.

Carlos Osório
Ele é Secretário de Transportes do Estado do Rio. Sabemos que sua presença no Facebook tem um viés político, mas é legal como ele descreve o seu dia a dia, parece estar sempre prestando contas para a população. Sempre publica fotos do cotidiano (tiradas por alguém, raramente por ele próprio), quase sempre numa atividade com alguém do povo. Só não gosto do tom sempre otimista, mas é um exemplo de um político que utiliza bem o meio, mesmo sabendo que ele tem uma assessoria por trás fazendo o serviço.

Romário
Você pode não gostar dele. Sim, ele é polêmico, muuuuito polêmico, mas ele se posiciona no Facebook, às vezes com ironia, mas é um político que adotou as mídias sociais como um meio de comunicação com o seu eleitorado e sabe usar muito bem.


Flavio Gikovate
Estar no divã com Gikovate é interessante, mesmo que de vez em quando o devaneio vá além do nosso entendimento. Ele compartilha reflexões e pequenas pílulas do comportamento da sociedade atual. Vale seguir.



E você? Quais são as personalidades que segue nas mídias sociais? Compartilha comigo.


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sábado, 12 de dezembro de 2015

Entrevista de Obama é um marco na mídia podcast



Em junho desse ano, o presidente norte-americano Barack Obama foi à casa de Marc Maron, mais especificamente na garagem, e ficou mais de uma hora falando com ele sobre diversos assuntos, alguns sérios, mas outros divertidos e bem pessoais. Você não conhece Marc Maron? Ok, dá para entender, mas o Obama você sabe quem é, com certeza.

Marc Maron é comediante e tem um dos podcasts mais legais e mais acessados nos Estados Unidos. Chama-se WTF (que é a abreviação de "What the fuck?"). É um podcast composto por programas que já alcançaram a casa de centenas de milhões de downloads. Obama foi à garagem da casa dele exatamente para gravar um podcast.

Aqui ficam alguns comentários:

1) É imperdível os primeiros minutos do podcast com Obama. Nele, Marc Maron compartilha sua ansiedade e excitação com tudo aquilo. Acho que nem ele acreditava no que estava para acontecer. Ouça aqui o podcast.

2) Você consegue imaginar a complexidade de se levar o presidente da nação mais poderosa do mundo, com segurança, na garagem de uma casa localizada em Los Angeles? A casa é simples e sem luxo. A equipe de segurança do presidente norte-americano tomou conta da área desde o dia anterior da gravação. Veja aqui as fotos do encontro, que mostram o presidente Obama muito à vontade na casa de Marc, o pessoal da segurança e o ambiente onde Marc grava os programas.

3) Ao chegar para gravar o programa, Obama disse ser "um grande fã" de Marc, e gentilmente disse que a garagem era "cool". Brincou com Marc dizendo que ele era narcisista por ter um monte de fotos próprias no local. Falou que morou em Pasadena, perto dali, quando começou a faculdade aos 19 anos e que escreveu um diário dos 20 até os 27 anos de idade. Obviamente que a entrevista cobre temas políticos, econômicos e sociais dos Estados Unidos, mas ganha mais brilho quando ele fala sobre o seu cotidiano e temas pessoais. Obama comenta a sua vida social muito restrita, diz que as suas filhas são a sua maior alegria, mesmo considerando que elas estão se afastando dele em função da idade, e fala sobre o seu pai alcoólatra. Trata-se de uma entrevista única, longa, divertida em alguns momentos, que somente a pegada da mídia podcast permite.

4) Quer mais detalhes da experiência da gravação e do conteúdo conversado no podcast do Obama com Marc? Vá ao excelente artigo da Lúcia Guimarães publicado no Estadão e curta muito. Ela faz uma excelente análise.

Esse podcast do Obama é um marco e a evidência perfeita de como a mídia podcast está ganhando espaço. Para conhecer mais, não deixe de ler o meu post chamado "Sua marca está pronta para os podcasts?", no qual faço uma análise mais detalhada dessa mídia e do que está por vir num futuro breve.



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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Seu futuro emprego nem existe ainda


Num sábado passado, numa corrida matinal na praia, eu perdi a chave de casa. Imediatamente fui num chaveiro próximo para fazer uma cópia da chave da minha esposa. Entrei no pequeno espaço e fui prontamente atendido. Havia três pessoas esperando por algum serviço. Em apenas cinco minutos o chaveiro me entregou a cópia da chave.

Daí em diante seguiu o diálogo abaixo:

- Você foi rápido, hein? Eu acho que antigamente demorava mais tempo – comentei.
- É, agora está mais rápido – respondeu o chaveiro.
- Daqui a pouco nós não vamos mais precisar vir aqui. Vamos imprimir nossas chaves numa impressora 3D que todos vão ter em casa – interferiu um senhor perto de nós.

O chaveiro sorriu, e respondeu:
- Eu já li sobre isso. Acho que vou precisar comprar uma. Será que vai substituir a máquina que uso hoje?
- Pra que? Daqui a pouco a gente nem vai precisar mais de chave para abrir as portas – exclamou um adolescente encostado na porta do local.

O chaveiro virou o rosto interrogativo, mostrando surpresa. A esposa do chaveiro, que estava na parte de trás da parede, surgiu de repente para acompanhar a conversa.

O adolescente levou o indicador e falou:
- Sabe o dedo que nós colocamos na máquina do banco para tirar dinheiro? Estou falando da impressão digital. Vai ser assim daqui a pouco.

O chaveiro respondeu:
- Mas precisa de energia para funcionar, né? E quando faltar luz?

Todos riram. Aí eu comentei:
- Eu acho que vai ser mais do que impressão digital. A gente vai chegar em frente da casa e vai dizer assim: Casa, cheguei! E aí a porta vai abrir automaticamente porque vai reconhecer a minha voz.

O chaveiro sorriu e respondeu:
- Ainda vai precisar de energia.

Aproveitei para falar que ao longo dos próximos anos surgirão os assistentes virtuais nos nossos smartphones e em outros aparelhos, que nos ouvirão, conversarão conosco e até nos darão conselhos. Como todos me olhavam intrigados e curiosos, gastei mais dois minutos para falar sobre o conceito do IBM Watson, de inteligência artificial. Minha percepção é que todos encaravam aquilo como algo distante ou como ficção científica.

Para demonstrar algo simples, peguei meu smartphone e entrei no Google. Ativei a pesquisa por voz e coloquei as pessoas para falarem. Todos ficaram maravilhados com as respostas perfeitas do Google a partir do que falavam. Ninguém sabia que aquilo já existia.

Neste momento, o chaveiro ouve um sinal em seu smartphone. Ele pega o aparelho no balcão e o vejo digitando algumas coisas. Dois minutos depois ele me mostra a tela. Ele estava trocando mensagens no WhatsApp com alguém que perguntava se ele tinha determinado modelo de chave para fazer cópia. Tratava-se de uma chave de um carro importado. No WhatsApp do aparelho aparecia a imagem da chave que o cliente havia enviado. Isso colocou pimenta na conversa sobre tecnologia.

Com todos encantados, vi que era hora de partir e fui!

Isso tudo aconteceu de fato. Uma pequena situação cotidiana que traduz as transformações que passamos diariamente. Todas as profissões existentes no mundo estão passando por mudanças profundas. Existem previsões de todos os tipos, algumas apocalípticas e outras menos radicais, mas o fato é que o mundo ao redor exige novas competências e conhecimento para todos os profissionais.

A tecnologia assume papel protagonista em quase todas as situações. É evidente que as pessoas têm que adotar um papel diferente em relação às novidades tecnológicas. Em vez de reagir e olhar o lado vazio do copo, elas devem procurar entender, aprender e adotar tais tecnologias em seu cotidiano. Porém, infelizmente, a prática mostra que a maior barreira na adoção das novas tecnologias são as próprias pessoas. Algumas alegam falta de conhecimento, dificuldade em lidar com mudanças e até falta de tempo, que me parecem desculpas exageradas. Aliás, a falta de tempo não é uma desculpa aceitável em qualquer situação.

Existem muitas análises e estudos a respeito da inteligência artificial e da computação cognitiva. Todos falam sobre isso atualmente. O que antes era pura ficção científica, agora parece bem real. O futuro está cada vez mais próximo. Mas será que a inteligência artificial poderá realmente superar a capacidade de raciocínio do ser humano? Será que as máquinas vão mesmo roubar nossos empregos?

A discussão de máquinas roubando empregos dos seres humanos não é nova. Desde a revolução industrial que esse tema é discutido. A verdade dos fatos é que a tecnologia criou mais do que ceifou empregos nos últimos dois séculos. A chegada da eletricidade, da água encanada, das comunicações, da computação, da medicina avançada, dos transportes e muitas outras tecnologias transformadoras fizeram o mundo mudar completamente. Nossos trabalhos e empregos são muito mais divertidos e nobres do que aqueles de nossos antepassados.

O que vem por aí ninguém sabe, mas dá para especular. Máquinas com algoritmos complexosconseguem escrever histórias melhores do que jornalistas experientes. Carros conectados e autônomos nos conduzirão com mais segurança que os motoristas atuais. A comunicação instantânea e multicanal praticamente nos isenta da comunicação escrita em papel, impactando todo o setor de correios. Sistemas cognitivos já são capazes de diagnosticar pacientes com câncer com mais precisão do que os próprios médicos, por conta do big data e análise avançada de dados. Cada vez mais decidimos nossas viagens através de recomendações colhidas na internet, de amigos ou não, diminuindo as nossas idas aos agentes de viagens. A lista de mudanças nas profissões é enorme e muda a todo momento. Muitas delas têm futuro incerto e previsões ameaçadoras.

Robôs deixaram de ser ficção científica. Cada vez mais surgem pesquisas sobre as profissões ameaçadas pelo surgimento dos robôs. Esqueça a imagem dos robôs como seres de lata, aqui estamos falando de máquinas que pensam e agem como seres humanos, alguns podem até ter a forma parecida com a forma humana, mas não necessariamente. No livro "The Second Machine Age" (A segunda era das máquinas, em tradução livre), bestseller lançado no ano passado, os autores Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, ambos do MIT, afirmam que vivemos uma revolução mais intensa que a revolução industrial do início do século passado. Eles dizem que vivemos um ponto de inflexão: uma virada na curva onde muitas tecnologias que só eram encontradas na ficção científica estão virando uma realidade cotidiana.

O jornalista David Baker, notório palestrante sobre o futuro do trabalho, costuma dizer que os robôs substituirão grande parte das carreiras que conhecemos hoje. E isso vai acontecer mais breve do que imaginamos. Uma pesquisa realizada em 2014 pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, chamada "O Futuro do Emprego", analisou as perspectivas de 702 profissões. Segundo o estudo, o operador de telemarketing é o profissional mais ameaçado, com 99% de chances de perder seu emprego. Ao olharmos a pesquisa, basicamente ninguém escapa da onda transformacional. No entanto, da mesma maneira que robôs destroem empregos, eles fazem aparecer outros. David Baker acredita que os robôs permitirão que os seres humanos tenham uma vida mais confortável, gerando mais bem estar para humanidade.

Olhar as mudanças pelo viés dos empregos é somente um lado do cubo. Existe outro lado tão impactante quanto ameaçador: as empresas. Um estudo recente da Cisco afirma que a disrupção digital provocará um tsunami no mundo dos negócios nos próximos cinco anos. O relatório estima que 40% das empresas tradicionais não resistirão por não conseguirem remodelar seus modelos de maneira rápida suficiente para acompanhar as transformações de mercado. Os números e as conclusões do estudo são perturbadores.

Em resumo, se você está preocupado com o futuro do seu emprego, tenha consciência de que a onda que vem por aí é muito maior do que você imagina. Algumas pesquisas indicam que mais da metade dos universitários de hoje terão no futuro empregos que ainda são desconhecidos ou nem existem. Trate de preparar a sua prancha. Estude, evolua, se sacuda, trate de desenvolver novas competências e conhecimento, não se acomode no seu emprego e analise se a empresa onde trabalha está realmente se transformando para o futuro. O tsunami vem por aí. A onda vai pegar você. Você pode ser atropelado por ela ou surfar a maior onda da sua vida.


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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

E aí, CEO, topa encarar as mídias sociais?


Semanas atrás eu almocei com um amigo que comanda a área de comunicação de uma grande empresa. No meio do papo, ele falou que puxou conversa com o presidente da empresa para que ele entrasse nas mídias sociais. O bate-papo durou apenas alguns segundos porque a resposta do executivo foi: "eu não tenho interesse pessoal nisso". A resposta foi lacônica e inibidora para qualquer continuidade de diálogo.

A resposta desse executivo é um dos maiores equívocos que muitos executivos pensam a respeito das mídias sociais, especialmente os presidentes de empresas. O fato de estar presente numa mídia social não é apenas um fator de interesse pessoal para um CEO de empresa, muito menos de algo relacionado a ego, buscar popularidade, se tornar celebridade ou apenas estar lá porque todos estão. Vai muito além disso.

Pesquisa da Weber Shandwick revelou que 45% da reputação das empresas depende diretamente da reputação de seus CEOs. Na mesma pesquisa, os executivos entrevistados disseram que pouco menos da metade (44%) do valor de mercado da empresa é atribuído à reputação do seu CEO. No Brasil, este índice é ainda maior: 55%. A tendência é que estes números cresçam nos próximos anos. O estudo "The CEO reputation", publicado em 2015, foi resultado de mais de 1,7 mil entrevistas com executivos seniores em 19 países, incluindo o Brasil. A pesquisa mostrou que o engajamento público do CEO é essencial para construir a reputação da empresa, além de sua própria reputação como líder. O documento examina as melhores práticas de engajamento de CEOs conhecidos e apresenta uma espécie de "Guia do CEO" para reputação e engajamento.

Existem várias características que agregam valor à reputação de um CEO. Ser bom porta-voz interno e externo, ser transparente, ser acessível, autêntico, ser bom ouvinte e gostar do diálogo são algumas delas. Uma das iniciativas mais apreciadas pelos entrevistados na pesquisa foi a participação dos CEOs como palestrantes em eventos de mercado. Para os que se interessam pelo tema, eu recomendo fortemente a leitura deste estudo. Têm informações valiosas que geram boas reflexões e alguns insights para os que trabalham com isso.

Na era da conexão total, seria razoável imaginar uma maior adoção das mídias sociais como ferramenta de engajamento dos CEOs com os diversos públicos que formam a roda de influência de qualquer empresa. Surpreendentemente, um estudo da CEO.com mostra que 68% dos Fortune 500 CEOs têm presença ZERO nas principais mídias sociais, incluindo Twitter, Facebook, Instagram, Google+ e até Linkedin. Vale a pena ver o infográfico do estudo da CEO.com e descobrir que os líderes das 500 maiores empresas norte-americanas não estão presentes e ativos no mundo das midias sociais. Cerca de 8,5% dos 500 CEOs estão ativos no Twitter, sendo que 69% deles postaram pelo menos uma vez nos últimos cem dias.  E 25,4% deles têm conta no Linkedin. Apenas 8,3% têm conta no Facebook. Os números de participação nos últimos anos têm aumentado, mas ainda timidamente.

Se você deseja ir um pouco mais além nesta questão da atuação do CEO nas mídias sociais, recomendo também o estudo "Socializing Your CEO III: From Marginal to Mainstream". Este estudo conclui que houve uma aceleração da presença online dos CEOs em 2015, sugerindo que esses líderes já estão encontrando uma forma equilibrada de participação nas mídias sociais. Na parte final eles apresentam nove dicas de como aumentar o engajamento dos CEOs no mundo online.

As mídias sociais formam a maior plataforma de diálogo na sociedade: é um ambiente democrático, extremamente colaborativo e de grande alcance. Por outro lado é um território de grande exposição, de difícil domínio e controle, imprevisível e desconfortável para as áreas de relações públicas das grandes empresas. Portanto não é difícil entender o desconforto dos CEOs com as mídias sociais. Eles têm seus motivos e muitos deles são perfeitamente razoáveis.

Anos atrás eu publiquei um estudo apresentando as razões por que os executivos não blogavam e não participavam das mídias sociais. Acredito que uma boa parte desses motivos continuam atuais. Vários CEOs com quem conversei pessoalmente disseram-me que têm uma grande sensação de perda de tempo quando estão nas redes sociais, além de distração e ter que lidar com temas irrelevantes. Compartilho desses sentimentos. Queiramos ou não, as mídias sociais têm uma enorme capacidade de nos tirar do foco. Por outro lado, é inquestionável que as redes sociais podem trazer benefícios reais para a liderança de qualquer organização.

Enfim, na era da colaboração e transparência totais, os CEOs estão mais do que nunca com a responsabilidade de olhar e engajar com todos os públicos, seja pelo meio que for, o importante agora é abrir a agenda e investir no diálogo. E não dá para delegar.
 

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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sua marca está pronta para os podcasts?


Existe algo acontecendo no território dos podcasts. Segundo a Pew Research Center, o consumo de podcasts nos Estados Unidos teve uma aceleração nos últimos dois anos. O número de ouvintes tem aumentado ao mesmo tempo em que novos podcasts são lançados, bem como o cresce também o número de downloads. Os avanços na tecnologia, com destaque para o rápido avanço do uso de smartphones e dispositivos móveis, além da maior conectividade dentro dos carros, têm contribuído para o aumento do interesse por podcasts.

Outra pesquisa, desta vez da Edison Research, concluiu que os podcasts estão ganhando preferência em relação às outras mídias, especialmente em relação às rádios AM/FM. E quem escuta podcasts passa mais tempo conectado a eles do que nas outras mídias de áudio. A pesquisa apontou que quase 13 milhões de norte-americanos ouvem podcast todos os dias e quase 40 milhões ouvem pelo menos uma vez por mês.

No ano passado, a mídia podcast alcançou um marco histórico nos EUA. A série Serial tornou-se o podcast que chegou mais rapidamente aos 5 milhões de downloads e streams na história do iTunes. Lançado em 2014, conta a história do assassinato de uma estudante em Maryland. A história dramática caiu no gosto do povo e virou febre entre os americanos. Desde então, é coberta pelos principais canais de comunicação do país, criando um momento mágico para o mundo dos podcasts. A segunda temporada de Serial já foi anunciada para 2016.

"This American Life" é provavelmente o podcast mais popular e conhecido no mundo, sendo constantemente o de maior número de downloads no iTunes. Cada programa ultrapassa rotineiramente a marca de um milhão de downloads. Existem outras evidências do sucesso crescente dos podcasts, como foi o caso do famoso WTF (abreviação de "What the fuck?"), comandado pelo espirituoso Marc Maron. Olha a moral do cara: Barack Obama foi à casa do podcaster para ser entrevistado pessoalmente. Aliás, vale muito escutar a entrevista, especialmente o início, quando Marc entra em delírio não acreditando que o presidente dos Estados Unidos está na garagem da casa dele. É muito divertido.

Se você deseja conhecer os melhores podcasts dos EUA, recomendo acessar o post "The 30 Best Podcasts Right Now" de Damien Scott, ou então o post "9 Podcasts That Will Make You Smarter", publicado no Business Insider. Essas são duas boas análises de podcasts que são campeões de audiência no país.

O interesse de agências e anunciantes

O sucesso dos podcasts tem chamado a atenção dos anunciantes e das agências, que estão investindo mais neste tipo de mídia, porém ainda de forma cautelosa. Existem algumas razões para tanta cautela. A primeira é o tamanho da audiência. Podcasts, em geral, não atraem as grandes audiências que as marcas tanto perseguem, apesar de os números nos EUA serem impressionantes. Outros pontos que incomodam aos anunciantes são a falta de dados detalhados sobre a mídia e a dificuldade de se fazer anúncios mais criativos.

Por outro lado, a ascensão dos podcasts tem razões bem fortes e consistentes. A primeira é que os podcasts de hoje são simplesmente muito melhores do que no passado. A produção está mais esmerada, com edições cuidadosas e tratamento de áudio caprichado. Outro forte motivo para o crescimento dos podcasts é o fator econômico. A produção de um podcast mediano custa muito menos do que a produção de um programa de TV ou um programa de rádio. Com microfones, um software de edição e um serviço de hospedagem na web é possível produzir e distribuir um podcast. Tem muita gente nova produzindo podcasts. Além disso, matéria da New Yorker afirma que as taxas de retorno de publicidade em um podcast de sucesso é maior do que em outras mídias. Mas, segundo alguns podcasters norte-americanos, a maior razão do crescimento dos podcasts não tem nada a ver com os próprios podcasts. São os carros.

Um dos segredos para o sucesso do rádio sempre foram os ouvintes se deslocando pelas cidades e ouvindo rádio. Estima-se que 44% de toda a audiência de rádio nos EUA ocorra dentro de carros, cujos ouvintes são cativos: eles sintonizam por longos períodos por viagem e, por isso, são muito valiosos para os anunciantes. Porém, há algo mais se passando dentro dos automóveis. Cada vez mais as pessoas desligam os rádios e se conectam à internet dentro dos cubículos. A chegada dos carros conectados, a facilidade de se ouvir podcasts em qualquer dispositivo móvel e uma mudança geracional evidente, tudo isso vem transformando as opções de entretenimento e informação dentro dos carros e transportes em geral. Os anunciantes já estão atentos a essa nova tendência.

Um ponto a ser mencionado é a atenção do ouvinte. Diferentemente de outras mídias, quando a atenção do consumidor está dividida, no podcast o consumidor está imerso e dedicado para aquela mídia. Ele pode estar ouvindo dentro do carro, com um fone enquanto está andando, correndo ou dentro de um ônibus ou até mesmo sentado diante de um computador trabalhando. Em todos os casos, a atenção é total, quase sem dispersão. Isso explica a enorme capacidade de transmissão de mensagem oferecida pelos podcasts.

Podcasts que cobrem temas específicos atingem públicos específicos. Nesses casos, a audiência se sente parte de comunidades de interesse e de um clube fechado. Diferentemente dos vídeos publicados na web, que precisam ser curtos e mais objetivos, o podcast pode ser muito mais longo, oferecendo um espaço enorme para discutir em profundidade qualquer tema. Os ouvintes de podcasts são muito mais engajados nos conteúdos do que os consumidores tradicionais de outras mídias. Também são mais leais, mais entusiasmados e ficam muito gratos quando uma empresa investe num podcast – ou seja, surge um sentimento de gratidão pela marca por ela apoiar algo que ele aprecia. Essa possibilidade de conversar diretamente com grupos segmentados, que tem grande engajamento, pode ser uma oportunidade mágica para o marketing e comunicação dos anunciantes.

Um excelente artigo publicado na Fast Company, com o ousado título "The Future of Media is Podcasting", faz um raio-x sobre podcasts e apresenta os caminhos da monetização que os podcasters norte-americanos estão buscando. As alternativas não se resumem a publicidade, mas também a outras formas como assinaturas, eventos, colaboração espontânea e criação de subprodutos. Existem histórias de sucesso, como o já citado WTF, no qual 10% de seus ouvintes já pagam um mensalidade para serem membros premium do "clube", além de vendas de CDs e DVDs com coletâneas de episódios passados, livros, uma loja virtual com vendas de posters, canecas, camisas e outros produtos com a marca WTF. Mas o crescimento dos podcasts certamente exige uma mudança radical na forma como podcasters e o mundo da publicidade se relacionam.

Já existem algumas grandes marcas de olho nessa nova "velha" mídia. Nos EUA, a GE lançou o podcast "The Message", que é uma série de oito capítulos contando uma história de ficção científica. A aceitação tem sido excelente e a série já ocupa posição de destaque no ranking do iTunes. O artigo "Big Corporate Sponsors Could Change Podcasting Forever", publicado na Wired, apresenta uma análise interessante sobre essa tendência e o propósito da GE no projeto.

E no Brasil?

Aqui no Brasil não existem pesquisas que mostrem detalhes. Faltam números oficiais. A pesquisa que conheço é a PodPesquisa 2014, que apresenta alguns números interessantes, mas que não permite compararmos o consumo de podcasts com outras mídias. Também falta visibilidade do número de downloads e segmentação da audiência.

Mesmo sem dados oficiais no País, é fácil concluir que o consumo e interesse por podcasts tem aumentado substancialmente. Alguns sinais evidentes mostram que mudanças estão acontecendo. Podcasts como Nerdcast e Café Brasil têm larga audiência, produção caprichada e anunciantes. Tais sucessos permitem que seus idealizadores desdobrem os podcasts em outros produtos que podem ser monetizados. O Brainstorm#9 vem investindo na sua família de podcasts, mantendo o excepcional Braincast, mas lançando vários outros podcasts que já caíram no gosto do povo, como o excelente Mamilos. O investimento do B9 em novos podcasts é uma evidência do futuro que eles avaliam para essa mídia. Podcasts de vida longa e que já viraram referência, como o conhecido RapaduraCast que cobre cinema, continuam com sua fiel audiência. Podcasts com foco em temas específicos, como o BeerCast que fala sobre cervejas, são muito interessantes. Os que falam sobre temas gerais, como TemaCast e NaPorteiraCast tem suas audiências cativas, não tão grandes, mas altamente engajadas. Enfim, existem muitos podcasts legais no Brasil, muitos realizados na base da raça e da paixão de seus criadores e associados. Estima-se que no Brasil existam quase mil podcasts ativos. Tudo isso é bacana, mas como monetizá-los?

Os anunciantes, especialmente aqui no Brasil, ainda não acordaram para a mídia podcast. Existe o mito de que podcasts são consumidos essencialmente por nerds. Já foi assim no passado, mas atualmente essa é uma percepção equivocada. É natural que o consumo de podcasts seja maior pelo público mais jovem, que não consome TV e rádio como as gerações mais velhas, mas não se iluda: a mídia podcast está pegando todo mundo. Vários dos podcasts que citei acima tem uma audiência eclética, formada por empreendedores, gestores de empresas, trabalhadores de todas as idades e perfis, acadêmicos, estudantes, etc.

A maioria dos podcasts existentes segue o formato de "conversa de mesa de bar", ou seja, junta uma galera para conversar descontraidamente sobre algum assunto. Esse formato é massivamente repetido, inclusive nos novos podcasts que seguem sendo lançados. No entanto, alguns podcasts criaram modelos próprios, como o Café Brasil onde o idealizador Luciano Pires conversa com o ouvinte de ponta a ponta, numa narrativa sempre muito bem construída, misturada com músicas nem sempre tradicionais que ele garimpa pessoalmente e com tempo de duração menor que 30 minutos. Outro formato super interessante é o magnético podcast Escriba Café, onde o criador Christian Gurtner narra histórias misteriosas com mágica dramaticidade, uma produção de áudio caprichada e envolvente. Na época em que falamos do sucesso de Serial nos USA, cabe dizer que o Escriba Café já vem fazendo isso aqui em Terra Brasilis desde 2005. Os dois citados são projetos de longa data, reconhecidos na podosfera, mas surgem alguns projetos bem inovadores, como por exemplo o Projeto Humanos, um podcast lançado em 2015 com um formato de narrativa que mistura entrevista com histórias reais, contadas por pessoas reais, que você começa a ouvir e não consegue parar mais. Outra novidade é o GVCast, um podcast de entrevistas com convidados que foi lançado em setembro. Nesta linha também cito o excelente LíderCast, lançado no ano passado, que também segue o formato de entrevistas, porém com foco em liderança. Em resumo, tem gente fazendo coisas bem legais, diferentes e inovadoras.

Evidenciando que o momento dos podcasts é especial, um dos principais e mais acessados blogs do país, o "Não Salvo", lançou o podcast "Não Ouvo". No anúncio feito em agosto deste ano, o blog disse que estava atendendo uma demanda de muitos ouvintes que já pediam há anos o lançamento de um podcast exclusivo do blog. Este é apenas um exemplo, mas basta uma simples pesquisa para descobrir que blogs e veículos de comunicação estão lançando podcasts como complemento de suas plataformas.

O futuro


Há 10 anos a Apple trouxe o podcasting para o iTunes. Durante todo esse tempo o iTunes reinou soberano no território dos podcasts. Porém, recentemente, o Google Music e o Spotify anunciaram que em breve terão podcasts. Estas são notícias espetaculares para o mundo podcast pois o Android domina o mercado de dispositivos móveis e o Spotify tem um público imenso. Recentemente, o Deezer lançou o seu serviço de podcasts no Brasil, que pode ser acessado por qualquer pessoa, mas os usuários premium, que pagam uma assinatura mensal, possuem a vantagem do suporte offline, que permite ouvir seus podcasts favoritos mesmo quando estiver sem Internet. Acredito que estamos diante de um salto gigantesco no consumo da mídia podcast.

Apesar de todo esse interesse por podcasts, a percepção é que os anunciantes e as agências ainda não reconhecem o potencial dessa mídia e não sabem como inclui-la em seus planos de marketing. Falta também entender o perfil do típico ouvinte de podcasts. Quem ouve podcasts rotineiramente é um consumidor diferenciado, mais complexo e mais bem preparado. É um indivíduo que busca informação mais dirigida e mais profunda, provavelmente um reverberador mais ativo dentro de sua rede de relacionamento e um influenciador de maior qualidade. Como esse é um público que não consome TV e rádio, a mídia podcast passa a ser uma alternativa super interessante e complementar para a estratégia de marketing das marcas.

O potencial dos podcasts para as empresas não é somente patrocinar podcasts já existentes, mas até mesmo criar podcasts novos para os fãs de suas marcas ou para se posicionar no mercado. Também é possível ir além do uso publicitário: vejo os podcasts como uma ferramenta espetacular para capacitação e comunicação interna dentro de empresas com milhares de funcionários.

Um dos desafios existentes no Brasil é que a maioria dos podcasts surgiu como hobby, por pessoas apaixonadas pela mídia, mas que não conhecem bem o mundo do marketing e comunicação das empresas. São pessoas que iniciaram seus projetos como diversão e com o propósito de conversar sobre os assuntos que elas adoram. Essa dificuldade de transformar seus projetos em algo que possa ser monetizado ainda é uma grande barreira para os podcasters. Faltam canais de acessos aos grandes decisores de marketing, que ainda carregam preconceitos e percepções equivocadas em relação a essa mídia. Também faltam aos podcasters a capacidade de oferecer alternativas e opções de formatos inovadores que sejam interessantes para as marcas.

Em resumo, existe uma ponte a ser cruzada. No momento em que as agências e as marcas descobrirem que existe um tesouro a ser desenterrado, certamente teremos uma explosão no consumo de podcasts no Brasil. E aí? Rola um café?


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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

As mídias sociais que mais gosto

Recentemente me perguntaram como uso as mídias sociais e as que mais gosto. Não sei bem o motivo, mas tem gente que acha que eu sou um especialista no assunto. Não sou não.

Eu comecei a consumir mídias sociais lentamente. Em todas elas eu entrei como mero observador para ver o que se passava. Minha primeira experiência foi com o falecido Orkut, que foi bem traumática, porque foi uma mídia que nunca me fisgou pois nunca vi um propósito claro no seu uso.

Com o passar do tempo eu fui entendendo a dinâmica das principais redes. Também aprendi que as mídias sociais podem sugar todo o seu tempo se você não souber trabalhar com elas. Algumas ganharam importância ao longo do tempo, enquanto outras foram perdendo valor e deixando de ser interessantes para mim.

Se você procura as mídias sociais como um canal para desenvolver o seu perfil profissional, acredito que o Linkedin é a rede mais importante nos dias atuais. O Linkedin deixou de ser somente uma rede social de recrutamento e emprego, agora é um canal de produção de conteúdo e netwotking valioso. Se você busca entrenimento, aí as opções são bem mais diversas. E, vale dizer que independemente do uso, o Facebook é a mídia de maior impacto em qualquer cirscuntância. O crescimento e números do Facebook impressionam.

Compartilho abaixo a avaliação e meu uso de algumas mídias sociais. Trata-se de uma avaliação bem pessoal.

É a mídia social que mais curto no momento. Acompanho algumas comunidades com regularidade onde sempre consigo achar bom conteúdo. Também conheço muita gente legal por aí. Consumo o Linkedin por todos os meios, mas preferivelmente pelo notebook. Gosto de parar 10 a 15 minutos por dia para navegar por lá em busca de bons posts e debates. Da mesma maneira que consumo, eu também gosto de compartilhar conhecimento e minhas percepções sobre comunicação, marketing e o mundo do trabalho. Faço isso de duas formas. Primeiro publicando dois ou três posts curtos por dia fazendo menções a notícias que leio, quase sempre é uma frase apenas apontando para um link. E, segundo, publicando um post longo e caprichado, de minha autoria, tentativamente a cada duas semanas.
 br.linkedin.com/in/maurosegura

Estou me cansando do Facebook. Tenho que estar lá porque todos estão, mas tem muita coisa desinteressante aparecendo na minha timeline, mesmo considerando que eu estou sempre limpando e mudando os ajustes para melhorá-la. A rede deixou de ser espontânea, muito do que chega a mim vem de algoritmos que privilegiam a publicidade e o conteúdo patrocinado. Eu tenho duas contas no Facebook. Uma conta pessoal que eu uso para ver abobrinhas, as vezes aparece alguma coisa interessante. Uso quase sempre via smartphone, entre uma atividade e outra do dia. Já tentei publicar algumas coisas mais sérias, mas não senti um ambiente legal para conversar com as pessoas. É tudo muito efêmero nessa rede. A outra conta que tenho é a do meu blog AQO - A Quinta Onda - que eu uso para postar as matérias, notícias e estudos que considero relevantes. Tento publicar 2 ou 3 posts por dia. A audiência dessa minha página parece estagnada, está com pouco mais de 2.400 curtidas.
www.facebook.com/aquintaonda/

Essa mídia já teve o seu reinado na minha rotina. Eu entro uma vez por dia, normalmente via Hootsuite para dar uma olhadinha na timeline. É comum eu me interessar por alguns tweets, onde sempre descubro algo novo. Antigamente eu ficava paranoico por percorrer toda a timeline com receio de ter perdido algo importante, mas eu desencanei, hoje é impossível acompanhar a timeline. O volume de conteúdo é grande. Atualmente eu costumo postar dois ou três tweets por dia.
twitter.com/maurosegura

Não tenho regularidade no uso e raramente publico alguma coisa. No entanto o meu interesse vem aumentando. Cada vez mais encontro bom conteúdo e sinto que estou prestes a incluir o YouTube na minha rotina. De vez em quando eu acesso canais do YouTube na minha TV de casa, substituindo programas tradicionais de TV. A verdade é que o YouTube já é um campeão de produção de conteúdo profissional, entretenimento e inovação. Não dá para ficar fora do YouTube.
www.youtube.com/user/maurosegura

Estou lá, mas raramente entro. Tenho poucos amigos que estão ativos nessa mídia social. Nem sei o que dizer dela pois não sou um usuário frequente.
plus.google.com/ 

Esta mídia social é um show, tem muito valor e muita coisa legal. Eu sempre descubro estudos, estatísticas e referências dos assuntos do meu interesse de uma forma bem organizada e fácil. Cada vez mais eu tento dedicar tempo para explorar o Pinterest. Para quem não conhece, eu recomendo criar uma conta e experimentar. Tem muita chance de você curtir e virar fã.
br.pinterest.com/

Não sou aficionado, apesar de ser um apaixonado por fotos. Gosto de entrar pelo smartphone para curtir algumas fotos bonitas, mas faço isso sempre de maneira irregular. Procuro publicar alguma coisa para manter a atividade, mas não é uma rede que me adiciona valor.
instagram.com/maurosegura/

Não é uma mídia social, mas é uma ferramenta espetacular para quem lida com várias mídias sociais simultaneamente. A maioria das coisas que publico no Linkedin, Twitter, na conta do AQO no facebook e no Google + eu faço via Hootsuite. Acesso todo o dia, pelo notebook, tablet e smartphone. Imagine um cockpit montado na sua frente com todas as mídias sociais na sua frente. É isso!
hootsuite.com

Não é propriamente uma mídia social, mas acho que cabe falar aqui sobre os meus blogs porque é um espaço de publicação de conteúdo e colaboração. Eu tenho 4 blogs ativos. O mais ativo é o AQO - A Quinta Onda - onde regularmente publico posts desde 2008. Em seus dias de glória, quando a busca orgânica no Facebook e no Google ainda era possível, ele chegou a alcançar milhares de unique visitors por dia. Hoje em dia este número diminuiu muito. Através do AQO eu conheci e ainda conheço muita gente legal, crio bom bons relacionamentos e acesso conteúdos valiosos.
Tenho um blog sobre Paraty, um blog de contos e crônicas e um blog da família controlado por senha. Todos ativos e com bom conteúdo.
www.blogger.com

Esse é um resumo. Existem outras mídias e ferramentas sociais digitais que uso, como Whattsapp, Medium, Klout e outras coisas bacanas que nem comentei aqui. Mas a adoção e uso de mídias sociais é algo muito individual. Depende de seus interesses, tempo, objetivo e muitos outroo fatores. O importante é estar aberto para descobrir coisas novas, abandonar aquelas que vão perdendo relevância e encontrar uma forma equlibrada para consumir todo esse conteúdo. No fundo, no fundo, o importante é saber ser seletivo e criar a "sua fórmula". 


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terça-feira, 27 de outubro de 2015

A maior barreira na adoção da tecnologia são as pessoas



Os elevadores automatizados, quando surgiram, provocaram reações no mercado de trabalho porque os ascensoristas perderiam os seus empregos. Hoje, raramente nos deparamos com cabineiros, forma como os ascensoristas são chamados em algumas cidades. No Rio de Janeiro, durante muitos anos, existiu uma lei que obrigava a existência de ascensoristas nos prédios comerciais, independentemente do tipo do elevador. A pressão da classe trabalhadora e dos sindicatos foi muito grande. Eu confesso que não tenho certeza se essa lei ainda está em vigor, mas sei que esse tema foi muito tempo discutido dentro da assembleia legislativa.

Quando os primeiros automóveis apareceram, os fabricantes não consideraram que os próprios donos iriam dirigi-los. Os primeiros carros a motor tinham a cara das velhas carruagens puxadas por animais e o assento do motorista era desenhado num lugar alto assemelhado ao espaço antes destinado ao cocheiro. Ninguém admitiu que as novas carruagens a motor poderiam ser guiadas pelos próprios proprietários, quase sempre pessoas abastadas. Demorou vários anos para que isso acontecesse.

Nos dias atuais, a polêmica do Uber continua sendo tema de conversas e debates acalorados. Pessoas comuns, que têm carros pretos, se sentem ameaçadas e assustadas com a possibilidade de serem atacadas nas ruas. Em New York o número de carros do Uber já supera o de carros amarelos dos táxis. Em São Paulo e no Rio, o Uber está proibido pelas autoridades, porém o número de usuários cresce vigorosamente dia a dia.

Os três exemplos acima mostram momentos distintos da história da sociedade. Em todos eles, a tecnologia impôs novos hábitos, novos modelos de negócio, novas conveniências e impactos diretos no mercado de trabalho. As vezes a adaptação é lenta, como no caso dos automóveis versus carruagens. Outras vezes a sociedade reage decidindo por alternativas esdrúxulas, como no caso dos elevadores no Rio. Por fim, existem casos em que a resistência sai do fórum das discussões e entra na reação violenta como nos táxis versus Uber.

O fato, inquestionável, é que a tecnologia impõe mudanças em nossas vidas em todas as dimensões. Todos os dias surgem novidades e nós, seres humanos, em favor da conveniência e do bem estar, as adotamos. O interessante é que quase sempre a adoção dessas tecnologias representa impactos diretos em parte da sociedade, para o bem e para o mal, dependendo do ponto de vista.

O transporte aéreo é um belo exemplo da evolução acelerada decorrente da tecnologia. A simplificação dos processos e a introdução de novas tecnologias vêm transferindo para as máquinas, e para os próprios clientes, a responsabilidade da realização dos procedimentos de voo. Atualmente nós, passageiros, já imprimimos em casa os nossos bilhetes aéreos e fazemos o checkin remotamente através de nossos dispositivos móveis, como smartphones. No entanto, o que continuamos a fazer do mesmo jeito de sempre é o checkin de nossas malas, mas parece que isto está prestes a mudar. Já surgem empresas aéreas onde o próprio passageiro etiquetará a sua bagagem, imprimindo as etiquetas em casa e acompanhando a trajetória de suas malas por meio de seu smartphone. No fim de 2015, viajantes na Europa provavelmente estarão usando o modelo que deverá ser o futuro da passagem aérea: etiquetas permanentes que poderão ser atualizadas digitalmente caso os planos de viagem mudem.

Tudo isso parece muito legal, mas tais mudanças em relação às bagagens enfrentam desafios, como a reação dos sindicatos, normas de segurança e viajantes que preferem um atendimento humano no despacho da bagagem. No meu ponto de vista, confesso que eu não tenho nenhuma satisfação pessoal em entregar as malas para um funcionário de uma companhia aérea, porém compreendo que podem ocorrer casos especiais em que seja mais fácil lidar com um atendente humano do que um atendente máquina.

Quando o automóvel surgiu, os primeiros proprietários reagiram dizendo que a tarefa de dirigir um automotor era uma tarefa secundária, uma espécie de subatividade, além de não se sentirem capacitados para tal função. Na época, os sindicatos e as autoridades públicas se posicionaram afirmando que permitir pessoas comuns guiarem seus automóveis seria um risco à segurança nas ruas. A indústria de carruagens puxadas por animais na época, que chegou a produzir mais de 50 mil carruagens por ano, de repente viu o seu negócio sob risco e afirmou que milhares de trabalhadores iriam perder seus empregos. Na época do surgimento dos elevadores automatizados, o pesadelo era as pessoas ficarem presas nos cubículos sem a quem recorrer em caso de necessidade de ajuda. Nos dois casos citados, a experiência mostrou que, inicialmente, as próprias pessoas impuseram barreiras à mudança.

Enfim, quando falamos das transformações que a tecnologia impõe à sociedade, a maior barreira nem sempre está na própria tecnologia, mas provavelmente nos seres humanos, em seus hábitos, conveniências, crenças e até na dificuldade de sonhar. Os empreendedores e visionários são diferentes, eles sonham.  Há exatos 100 anos atrás, em 1915, Alexander Graham Bell realizou a primeira ligação telefônica transcontinental americana, de New York para seu assistente Thomas Augustus Watson, em San Francisco. Foi um acontecimento e tanto. Eles se falaram por telefone numa distância impressionante para época. Ninguém acreditou que aquele projeto seria viável a longo prazo e que ele poderia ser o primeiro passo para conectar todas as grandes cidades do país, afinal a experiência de instalar um cabo de cobre conectando as duas cidades no extremo do país apresentou um custo enorme. Ou seja, o modelo não se pagava. Naquela época, uma conversa de longa distância se dava apenas por cartas. Era a época dos correios e telégrafos. O telefone foi o Uber dos correios. Parece que, independentemente do tempo, toda empresa tem o seu Uber a espreita.




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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Bem-vindo ao futuro, Marty McFly


Existem filmes que eu já vi dezenas de vezes, e por incrível que pareça eu continuo assistindo alguns deles. O filme termina e eu sinto uma vontade enorme de ver de novo, tem algo mágico que eu não consigo dizer o que é. A trilogia "De Volta para o Futuro" faz parte dessa magia.

Lembro que ao ver "De Volta para o Futuro 2" no cinema, no natal de 1989, eu memorizei a data marcada no DeLorean: 21 de outubro de 2015. Esta foi a data que Doc Brown marcou na máquina do tempo para levar Marty McFly ao futuro. E o futuro chegou, hoje é o dia! Bem-vindo Marty McFly. Quem sabe não nos esbarramos em alguma esquina?

Também lembro de estar sentado na poltrona do cinema e pensar comigo: "estarei vivo em 2015 e vou querer ver o quanto disso será realidade". Eu nunca imaginei que os carros voadores e os skates flutuantes do filme pudessem existir de verdade, mas quem sabe o aparecimento de uma fonte de energia como o Mr. Fusion fosse possível?

"De Volta para o Futuro 2" me encantou porque mostrou um futuro colorido, vibrante e divertido, até bobo em alguns aspectos, mas muito diferente das previsões sombrias, de mundos escuros e perversos, como em Blade Runner e outros filmes apocalípticos. Eu sempre sonhei em viajar no tempo, explorar o futuro, e o filme ajudou a criar uma imagem de futuro na minha cabeça. Acho que toda criança já passou por isso. Isso explica a minha obsessão por filmes de viagem no tempo como "Em algum lugar do passado" e "Planeta dos Macacos".

Como qualquer filme contando uma história no futuro, a gente se pega olhando as previsões e fazendo exercícios de futurologia. O filme acerta algumas previsões como as TVs de tela plana e as ligações telefônicas com vídeo, mas passa longe ao não imaginar a internet e as mídias sociais como temos hoje. Uma curiosidade é que no filme os aparelhos de fax continuam funcionando e aparecem bem ativos, inclusive no meio da rua, como uma espécie de post-office do futuro.

O filme é icônico, ainda muito popular e continua interessante nos dias de hoje. Vou rever mais uma vez toda a trilogia. Aliás, a caixa com os 3 DVDs da trilogia está muito bem guardada. De tudo que se passa e é mostrado no filme, só tem uma uma coisa que nunca entendi: como pode os autores do filme imaginarem que no futuro a moda seria gravata dupla? Que coisa, hein?




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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Por que trabalhamos?


O artigo "É possível ser feliz, sem ser feliz no trabalho?", do Tracanella, faz uma reflexão perturbadora. Gastamos um terço da vida trabalhando, um terço dormindo e um terço vivendo. Notem que eu separo "viver" de "trabalhar". É uma equação simples, de conclusões óbvias, mas ela carrega alguns segredos.

Assumindo que fisiologicamente é difícil diminuirmos o tempo de sono, mesmo considerando que eu tenho amigos que dormem magicamente apenas quatro horas por dia, a estratégia para a nossa felicidade passa por fazer o "tempo vivendo" invadir o "tempo trabalhando". Ou, analisando de outra forma, precisamos diminuir o número de horas diárias de trabalho para sobrar mais tempo para viver. Isso parece impossível assumindo que na vida real o trabalho nos consome cada vez mais tempo e invade a nossa vida cotidiana.

Se não dá para diminuirmos as horas de trabalho por dia, então o caminho é transformarmos o nosso trabalho em algo que realmente faça sentido para nossa realização pessoal e profissional. Não podemos simplesmente encarar o "tempo trabalhando" como trabalho. É exatamente neste ponto que entra a argumentação do Tracanella: não dá para ser feliz sem ser feliz no trabalho. Invertendo as coisas, não dá para trabalhar em algo que não te faça feliz.

Barry Schwartz, psicólogo e palestrante do TED, foi ainda mais fundo nessa questão e lançou a pergunta: por que trabalhamos? A resposta parece óbvia: porque precisamos de dinheiro para viver e pagar as nossas contas. Essa é a resposta evidente e racional, mas no fundo não é a resposta que esperamos. Existe algo mais profundo e filosófico por trás da necessidade de trabalharmos.

Ele faz mais perguntas: por que o trabalho representa um sacrifício sem fim para a maioria esmagadora das pessoas no planeta? Por que o trabalho não pode ser algo motivador que nos faça levantar felizes da cama todos os dias? Por que a sociedade aceita que a maioria das pessoas faça trabalhos monótonos, sem sentido e sufocantes? Por que é que ao longo do último século nós não conseguimos fazer com que as satisfações não materiais no trabalho se tornassem mais essenciais?

Não vou descrever aqui as reflexões de Mr. Schwartz. Veja você mesmo em seu excelente vídeo no TED de apenas 8 minutos (com legendas em português) ou acesse o transcript (em português). Ele faz as perguntas, dá as respostas e elas não são nada agradáveis. O fato evidente é que a própria sociedade criou a armadilha do trabalho em que nos encontramos hoje. Parece que estamos presos a um modelo que não conseguimos nos libertar. Se não existe uma perspectiva de mudança vinda da sociedade, então a mudança na forma como encaramos o trabalho tem que vir de nós mesmos, de dentro da gente. A responsabilidade torna-se individual, introspectiva, muito particular e sem fórmula mágica.

Parte da resposta vem das perguntas e da reflexão do Tracanella. Quanto o nosso trabalho nos ajuda a sermos mais felizes? E quanto ajudamos nosso trabalho a também ser? Só conseguiremos ser felizes no trabalho se, de alguma forma, ele nos prover realizações.

A sua relação com o trabalho tem múltiplas dimensões: a carreira que você escolheu, o seu emprego, a empresa onde trabalha, os seus colegas, as suas aspirações profissionais, a sua performance e muitas outras dimensões. Conheço muitos amigos que reclamam do trabalho, quase sempre delegando a questão a fatores externos, mas o principal responsável pela sua felicidade no trabalho é você mesmo, é consequência de suas escolhas e depende da sua capacidade de ver a parte cheia do copo todos os dias.

Eu tenho uma visão pessoal a respeito disso. O mais importante para mim é trabalhar em um lugar ou com algo que esteja conectado a algum propósito que não me deixa indiferente. Sabe aquela sensação de estar fazendo ou construindo algo especial, que impacta alguém ou alguma coisa? É disso que estou falando, e é isso que me alimenta diariamente no trabalho.

Esqueça aquela história de que o bom é trabalhar em algo que exija pouco de você, que deixe você confortável, sem pressão, sem incômodos e sem desafios. A ciência mostra exatamente o contrário. A chave para a satisfação pessoal é fazer coisas arriscadas, desconfortáveis e até mesmo desgastantes; mas desde que elas empurrem você para frente, que permitam você se desenvolver, crescer e aprender coisas novas.

O bom trabalho não é sinônimo de conforto. É até pior, ele gera ansiedade e frio na barriga, uma sensação constante de estar em uma corrida de obstáculos. Portanto é importante conhecer suas potencialidades, o que realmente motiva você, o que você tem interesse e encontrar meios de conectar tudo isso no trabalho. Tudo isso exige autoconhecimento e capacidade de reconhecer suas virtudes e fraquezas. Saber desenvolver bons relacionamentos também é fundamental. Enfim, essas são formas de ajudar que o seu trabalho seja mais feliz e revigorante. Por mais que pense diferente, o principal responsável pela felicidade no trabalho é você mesmo.


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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Pai, você está postando demais!

Tempos atrás, o meu filho chegou perto e disse: "Pai, você está postando muito no Facebook. Tá exagerando". Entendi aquilo como um alerta e puxei o freio. Desde então eu tenho sido mais comedido no uso do Facebook.

Tenho preocupação com a exposição da minha família e meus amigos nas redes sociais. Nos últimos anos eu tenho assumido uma posição mais conservadora e evitado postar coisas na base do entusiasmo. Por outro lado, eu tenho amigos mais jovens que publicam com assiduidade, muitas vezes compartilhando fotos mais íntimas da família, especialmente os seus filhos.

Não me surpreende que os pais e as mães da geração Y usem as redes sociais como meio de discussão e compartilhamento de temas relacionados à educação, desenvolvimento e formação dos filhos. Esse é um meio natural para eles conversarem a respeito. A Universidade de Michigan publicou um estudo chamado "Parents on social media: Likes and dislikes of sharenting", oriundo de uma pesquisa realizada com pais de idade superior a 18 anos e com filhos de até quatro anos.

O estudo evidenciou que os pais estão usando as redes sociais como um canal de ajuda em suas dúvidas e inseguranças em relação à educação de suas crianças, além de prover algum conforto psicológico por mostrar que suas inseguranças e desconhecimento também rondam a mente de outros pais e mães. O maior risco deste comportamento é a exposição exagerada da família.

Eis os principais resultados da pesquisa:
A maioria dos pais (84% das mães, 70% dos pais) respondeu que usam regularmente as mídias sociais, como o Facebook, fóruns online e blogs. Mais da metade das mães (56%), em comparação com apenas 34% dos pais, discutem temas de saúde das crianças e da família nas mídias sociais.

Ao compartilhar conselhos aos pais nas mídias sociais, os temas mais comuns são: colocar as crianças para dormir (28%), dicas de nutrição/alimentação (26%), disciplina (19%), creche/pré-escola (17%) e problemas de comportamento (13%).

Pais classificam as mídias sociais como úteis para fazê-los sentir que eles não estão sozinhos (72%), aprendendo o que não fazer (70%), recebendo conselhos de pais mais experientes (67%), e ajudando-os a se preocuparem menos (62%). Em contrapartida, cerca de dois terços dos pais se preocupam com a possibilidade de alguém descobrir informações particulares sobre seus filhos (68%) ou compartilhar fotos de seus filhos (67%), enquanto 52% estão preocupados que quando mais velho, seu filho possa se envergonhar do que tenha sido compartilhado nas mídias sociais sobre ele.

A maioria dos pais pesquisados que usam mídias sociais (74%) afirma que conhecem outros pais que compartilham informação sobre uma criança nas redes de forma exagerada. Aí estão pais que deram informações embaraçosas sobre uma criança (56%), provendo informações pessoais que permitem identificar a localização de uma criança (51%), ou fotos inadequadas compartilhados de uma criança (27%).

Acredito que os resultados podem ser ainda mais perturbadores se a pesquisa for feita no Brasil, tendo em vista a nossa tradicional paixão pelas mídias sociais e pelo uso intensivo de smartphones por todos os membros das famílias brasileiras. Minha percepção é de que pode existir uma espécie de falta de autoavaliação dos pais em relação a tudo isto. Apontar que outros pais se expõem em demasia é mais simples e menos doloroso do que se autoavaliar e reconhecer um comportamento próprio exagerado nas redes.

Particularmente, na minha análise, a maior preocupação é com as crianças. Os pais, em geral, gostam de publicar fotos engraçadinhas de seus filhos pequeninos, fazendo caras e bocas, às vezes em situações inusitadas. Isso pode até ser divertido, mas quando as crianças se tornarem adolescentes tais fotos e comentários poderão gerar constrangimento. Ou seja, podemos estar falando de uma típica situação de bullying.

Aqui no Brasil, a questão de segurança me parece ser algo mais importante e grave do que em outros países. Quanto mais você publica dados sobre comportamento e rotina dos filhos, mais facilidade e informações você está dando para um possível crime.

Enfim, a superexposição dos pais e mães nas redes sociais já é uma realidade. As novas gerações certamente levarão esta exposição a um novo patamar. A atenção a ser dada é em relação aos filhos. Os filhos pequeninos da era atual já têm uma identidade digital criada na web, mesmo sem terem consciência disso. São os pais que criam essa identidade logo que o filho nasce, dá o primeiro sorriso, quando tira a fralda, larga a chupeta, fala papai e mamãe ou dá o primeiro passo.

Nos dias atuais, de uma forma ou de outra, tudo é registrado e publicado nas mídias sociais. O que for publicado sobre a criança em seus primeiros anos de vida é responsabilidade integral dos pais, que precisam estar conscientes e seguros sobre a imagem, personalidade e legado digital que desejam deixar para os seus filhos quando eles tiverem maturidade e responsabilidade. Podemos interpretar isso como um presente que os pais deixam para os filhos. Será que os pais estão pensando nisso?


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domingo, 20 de setembro de 2015

Nós amamos abobrinha

Confesso para vocês que eu tenho um problema de relacionamento com o Facebook.

Eu já tentei usar o Facebook de maneira mais séria, mais construtiva, mas não tem jeito, o negócio mesmo é falar bobagem ou usar de maneira despretensiosa.

De um ano pra cá eu transformei a minha atividade no Facebook numa espécie de experimentação. Comecei a publicar coisas diversas para ver o que rolava, especialmente olhando o número de "likes" e comentários. Deu para aprender algumas coisas.

Fotografias da minha janela do trabalho, que é um escândalo pois tenho na frente o Pão de Açúcar no Rio, é um campeão de "likes". Pode ser em qualquer situação: dia de sol, dia nublado, com chuva, sem chuva, com neblina, vale tudo. O número de "likes" é sempre relevante. Também posto muitas fotografias de Paraty, cidade que frequento com regularidade. Quase sempre o retorno é muito bom. Minhas fotos da ponte aérea também geram muitos "likes". As pessoas curtem pra valer. Quanto menos texto, melhor. O que vale é a imagem mesmo.

Passei a escrever histórias curtas do meu cotidiano, quase sempre bem humoradas, com um olhar otimista e positivo, vendo as coisas com um viés mais humano e divertido. As pessoas adoram isso, curtem bastante e postam muitos comentários. Em resumo: histórias curtas, onde as pessoas se identificam, sem compromisso, é uma boa e o engajamento acontece. Acabei até criando um blog para armazena-las.

Por outro lado, nas vezes que publiquei posts mais sérios, refletindo sobre a sociedade e de forma imparcial, o que ganhei foi um silêncio quase total, pouquíssimo engajamento e comentários mínimos. Não rolou! Tentei mais vezes e nunca rolou.  Porém, se eu escrever o mesmo post com um tom mais polêmico, parcial, com um tom irônico, dando uma cutucada em alguém, aí a coisa esquenta e os comentários aparecem. No entanto acontece um fenômeno: a polarização. Aparecem pessoas a favor e outras contra, muitas cuspindo maribondos contra mim. Eu não curto muito isso, até porque alguns dos comentários são radicais e grosseiros, criando um tremendo mal estar, porém é uma forma de ter uma timeline mais movimentada.

O que aprendi na prática:
- Posts com fotografias bonitas trazem mais engajamento (pequenos vídeos também!).
- Posts despretensiosos, descrevendo o dia a dia de maneira positiva, muitas vezes funciona bem.
- Posts polêmicos, sobre qualquer assunto, sempre dá bom retorno, mas esteja preparado para o radicalismo e comentários deselegantes
- Posts sobre assuntos sérios recebem pouco feedback, parece que as pessoas passam direto

Em resumo, um saco !!!

Uma coisa que também me desanima é constatar que as grandes redes sociais, como Facebook e Twitter, por exemplo, diminuíram muito o alcance orgânico dos posts publicados pelos simples mortais. O que pula na sua tela são conteúdos patrocinados, com viés publicitário, privilegiados pelos algoritmos turbinados das grandes redes. Ok, eu entendo, aceito bem, afinal elas são empresas que precisam se sustentar, crescer, faturar para manter a operação e inovar. Porém lamento constatar que a timeline agora está menos divertida e menos interessante do que há alguns anos.

Ao longo dos últimos meses eu fui limpando o meu Facebook. Eu continuo com toneladas de amigos, mas deixei de seguir a maioria. E peço desculpas por isso, mas não quero saber o que as pessoas comem no café da manhã, nem no jantar, e nem mensagens de paz e amor. Gosto de pessoas que me fazem refletir, de forma bem humorada, que trazem um ponto de vista diferente, não necessariamente alinhados com meu pensamento ou crenças. Não gosto de posts que simplesmente compartilham links, mas curto muito quando alguém escreve algo sobre seu conteúdo, dando algum brilho adicional. Aos poucos eu fui deixando de seguir a maior parte das pessoas e hoje eu tenho uma timeline extremamente valiosa para mim.

Como sigo pessoas que não necessariamente pensam como eu, as vezes eu tenho vontade de escrever gafanhotos sobre algo ou alguém, mas aí eu me seguro porque a decisão de seguir e ler determinados indivíduos foi exclusivamente minha. Já até pensei em escrever um post listando as personalidades que sigo e que acho que vale a pena serem seguidas. Tem cantor, político, acadêmico, psicólogo etc. É bem diverso. Mas a lista de pessoas é algo muito individual, cada um tem um interesse diferente. Por isso nunca compartilhei essa lista.

Mas de tudo isso, o que me incomoda é o que o número de "likes" no Facebook denuncia o que o povo realmente consome nesta gigantesca rede social. Em vez desta poderosa rede estar sendo usada mais vigorosamente para fazer as pessoas refletirem e discutirem como podemos transformar nossa sociedade em algo melhor, estamos nós aqui curtindo as fofocas e as efemeridades da vida. Enfim, todos amamos abobrinhas.


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