quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O e-mail não será extinto até 2015

Recentemente, Cezar Taurion, Ger. de Novas Tecnologias da IBM, participou de um evento onde, segundo os jornais, soltou a seguinte frase: “O e-mail deixará de existir dentro de cinco a sete anos”. Claro que ele disse isso dentro do contexto do painel em que participava, mas a frase foi suficientemente impactante para gerar repercussão. Aí alguém fez a conta. Estamos em 2008, somando sete, dá 2015. Pronto, já temos data para que o e-mail desapareça da face da Terra, da mesma forma que os dinossauros. Agora, Taurion será cobrado eternamente dessa tal previsão.

O mais incrível é que a notícia repercutiu forte. No mesmo dia, ao longo do evento, um veículo online publicou uma matéria com o seguinte título: “E-mail deve ser extinto até 2015”. Imediatamente o milagre da multiplicação começou. A notícia foi replicada nos onlines e nos blogs, com o mesmo título. Bastou o tempo de fazer um “cut and paste” para publicar a matéria. Prá confirmar o fenônemo, eu resolvi entrar no Google e digitar exatamente a frase que estampei acima. O Google apontou centenas de entradas. Ou seja, a notícia vem sendo copiada por aí indiscriminadamente, em veículos online importantes e blogs de grande popularidade.

Infelizmente, para nossa tristeza, o e-mail não vai acabar em 2015. O que Taurion deve ter dito foi algo do tipo: “O e-mail, dentro de cinco a sete anos, deixará de ser o principal de canal de comunicação entre pessoas e empresas”. Para tirar a dúvida, vejam esse post que Taurion publicou em seu blog na véspera do tal evento. Lá explica o que ele planejava falar no painel. Ele diz que a geração Y dedica um tempo enorme, diário, a softwares de mensagem instantânea (como MSN) e sites de relacionamento e que os jovens querem essa nova tecnologia dentro do trabalho. Por outro lado, as empresas têm enorme dificuldade de lidar com essa nova tecnologia, alegando falta de controle e improdutividade no ambiente de trabalho. Essa nova geração não gosta de e-mails e de ferramentas de baixa interatividade. Em algum momento, essa nova geração vai assumir os postos gerenciais e de decisão nas empresas, até lá vamos passar por uma grande transformação.

Hoje eu participei de um evento na ABERJE-Rio que teve a presença de 160 profissionais de comunicação. Perguntei à platéia, se as empresas, em que trabalhavam, permitiam aos funcionários acessarem e usarem MSN e redes sociais em seus ambientes de trabalho (orkuts da vida). Aproximadamente metade da audiência respondeu que tinha acesso ao MSN em seu trabalho, mas menos de 1/3 respondeu dizendo ter acesso às redes sociais ou facilidade para criar blogs. Ou seja, as empresas ainda estão engatinhando nesse novo mundo interativo digital.


Enfim, não deixe de ler o post do Taurion e constatar que o email não vai terminar em 2015.



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8 comentários:

Gaulia disse...

Mauro, excelente sua palestra ontem na Aberje.

O que me chamou atenção foi o lado "dark" das empresas e da comunicação - tanto que escrevi sobre isso no meu blog:
http://gaulia.blogspot.com

Um abraço e já add seu Quinta Onda aos meus "favoritos".

Luiz Gaulia

Douglas Nogueira disse...

Mauro, estive na sua palestra na Coca-Cola e achei esse ponto interessante. Da mesma forma que você aponta que as organizações estão engatinhando, acredito que o mesmo vale para o próprio profissional. Percebo que ainda falta maturidade para usar as redes sociais como uma ferramenta de apoio ao trabalho (coleta de informações espontâneas, networking, pesquisa de mercado etc). Acredito que isso será alterado dentro de alguns anos.

Douglas Nogueira disse...

aliás, parabéns pela palestra e pelo blog!

Eliana Alves disse...

Mauro, também adorei a palestra na Aberj e concordo com você que o e-mail não cabará nesta data "cabalística" de 2015. Principalmente porque, com suas confirmações de leitura e possibilidade de cópias para um zilhão de almas, ele oferece a famosa ilusão de controle que você tanto falou. O profissional acha que está se protegendo de alguma acusação quando guarda um monte de mesnagens. Isso remete a uma questão mais profunda, que é a da confiança no ambiente de trabalho. Enfim, essa é um discussão grande e boa! mais uma vez, parabéns!

Mauro Segura disse...

Gaulia, Eliana e Douglas.
Que bom que vocês gostaram da palestra. Procurei compartilhar com vocês um pouco da minha visão do que anda acontecendo no mundo da comunicacao.

Gaulia. Muito bom seu blog. Acabei de deixar dois comentários lá. Já coloquei no meu food for thought. Abcs.

Douglas. Você está certo. Tenho a oportunidade de conversar com muitas empresas e noto que, muitas vezes, o problema maior está no próprio grupo de comunicacao da empresa, que não tem formação ou ousadia de entrar nesse mundo novo colaborativo. As vezes, a empresa até se mostra aberta para alguma ousadia, mas o próprio profissional de comunicação se mostra despreparado ou inseguro para testar algo diferente. Aí, nessas horas, a própria turma de comunicação prefere continuar insistindo na fórmula antiga e conservadora de fazer comunicação. Ou seja, joga na defensiva. Abcs.

Eliana.
Vou publicar um novo post em breve sobre esse negócio de um zilhão de emails. As empresas já sabem que isso virou um inferno e estão se juntando para encontrar uma saída. Tem uma novidade aí. Obrigado por prestigiar meu blog. Abcs.

Géh disse...

Mauro,
Atualmente eu uso mais o MSN e o Skype como meios de comunicação com meus clientes. Para propostas e mensagens mais formais costumo utilizar o e-mail, até como uma forma de sintetizar o que conversamos nos canais de mensagens instantâneas. Quanto ao acesso a blogs e outras redes sociais dentro da empresa, é preciso antes de tudo criar uma consciência sobre o tema, tanto do lado gerencial como do lado do funcionário. Para utilizar esses meios durante o expediente do trabalho, o faça de forma que agregue valor ao seu trabalho, com metas e resultados. O objetivo seja de pesquisa de comportamento, de busca por notícias da área que você atua ou até de participar de debates ou escrever sobre um tema que agregue valor ao seu trabalho na empresa. Leve os melhores resultados e compartilhe com sua equipe, esse pode ser um boa metodologia para conhecer as idéias e pensamentos de seus funcionários, e faze-los pensar de modo corporativo. Infelizmente no Brasil, muitos acham que redes sociais se resumem a conversas (se é que podemos chamar assim) no orkut. Somos nós, os profissionais de comunicação digital, que temos a oportunidade de mostrar e até ensinar outros caminhos possíveis, ponderando as vantagens sobre esses recursos. Pelo número crescentes de blogs corporativos, já temos uma boa idéia desta evangelização crescente.

Talvez o "medo" dessas empresas em permitir o uso desses canais por seus funcionários, seja pelo fato que essas empresas não investem em funcionários, contratando pessoas sem "conteúdo", com menos de dois salários mínimos. Dificultando assim que seu funcionário se sinta e faça realmente parte desse pensamento corporativo. Geralmente você recebe o que você oferece...

Mauro Segura disse...

Géssica. Adorei seu comentário pois você vai no ponto mais importante de tudo, que é a transformação cultural da empresa. Considerando que a parte essencial de qualquer empresa são seus colaboradores, sejam eles empregados diretos ou terceirizados, nós podemos afirmar que todo esse processo que estamos discutindo passa por uma questão de atitude, formação, maturidade e aculturamento dos colaboradores. Enfim, é um processo lento que exige um loooongo aprendizado. Obrigado por passar por aqui.

Renata/ Trika Lopes disse...

Olá Mauro, demorei mais vim conhecer seu blog,rs

Sobre esta questão de bloqueio a redes sociais no ambinte de trabalho é aquilo... As empresas que estão à frente conseguem até mesmo antecipar algumas crises, mediante monitoramento das redes. Já aquelas que desprezam e fazem pouco caso, achando que são inabaláveis, correm sério risco de terem sua imagem bastante prejudicada.

Abraços

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