carta enviada pelo CEO da Sun para dezenas de milhares de empregados da Sun, na semana passada, é o exemplo vivo de como é difícil o processo de integração e comunicação nos processos de fusão e aquisição das grande empresas. Mas antes de falar sobre a carta, é importante contextualizar o caso.
Em abril de 2009, a Oracle anunciou a compra da Sun por US$ 7,4 bilhões. Quem não trabalha na área de TI (Tecnologia da Informação) não tem ideia do que isso representa e muitos não conhecem as empresas envolvidas.
A Oracle possui 85 mil funcionários no mundo e faturou pouco mais de US$ 22 bilhões no ano fiscal de 2008. A empresa tem cerca de 320 mil clientes, sendo a grande maioria – 280 mil – na área de banco de dados, cujo principal produto tem o mesmo nome da empresa. Ao longo dos anos, a companhia expandiu seu portfólio de aplicações empresariais, fazendo ofertas agressivas por rivais como PeopleSoft, BEA, Hyperion e Siebel.
A Sun tem 33,5 mil funcionários e faturou US$ 13,8 bilhões em 2008. Além do negócio de hardware – que inclui servidores corporativos, armazenamento e os processadores UltraSPARC –, a companhia possui ativos importantes na área de software, como a linguagem de programação Java, o sistema operacional Solaris e o banco de dados MySQL.

A fusão das duas empresas permite juntar hardware com software, o que no primeiro olhar parece ser muito interessante. Alíás, nos últimos anos, muitas das licenças de banco de dados da Oracle foram vendidas para rodar em computadores Sun. Com a fusão, nada mais natural que o foco seja na venda combinada de hardware com software. Isso, no entanto, poderia causar problemas para a Oracle junto a parceiros tradicionais, como HP, Dell e IBM.
"Colar" as duas empresas não está sendo fácil.
A cultura corporativa da Oracle é muuuuito diferente da Sun. O estilo de gestão, os valores, a velocidade, a linguagem, a agressividade no mundo dos negócios e até as cores são diferentes. Portanto, fazer a fusão da água com o óleo é difícil.