terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A ousadia jovem que transforma a cultura organizacional

Texto meu publicado no blog Foco em Gerações que reproduzo abaixo.

Era uma grande empresa, com milhares de funcionários, que estava numa curva de acentuado crescimento e contratando muita gente nova, especialmente da geração Y. Um dos programas existentes era uma reunião de boas-vindas, que ocorria pelo menos uma vez por mês. Os novos contratados eram chamados ao auditório para assistirem algumas apresentações sobre a empresa, sua organização e história.

Havia vários apresentadores e, na maioria das vezes, o presidente aparecia para falar um pouco da história, falava muito sobre os fundamentos da empresa, do passado e de como a empresa havia crescido nas últimas décadas, sempre com bases sólidas e valores fortes. O presidente costumava terminar sua apresentação segurando em suas mãos um livro sobre a história da empresa, cheio de fotografias e fatos históricos. Daí ele fazia uma pergunta para platéia, e quem respondesse acabava ganhando o livro, motivo de orgulho do presidente e de seu time executivo.

Um dia, num desses encontros, o presidente já estava terminando a apresentação, quando fez a tal pergunta.
Um jovem, de 23 anos, com poucas semanas de empresa, respondeu a pergunta e ganhou o livro das mãos do presidente. Surpreendentemente, o jovem, ainda com o microfone nas mãos, falou: “Senhor Presidente, eu agradeço muito este livro que conta o passado e as glórias da empresa, mas, por acaso, o senhor tem aí um livro que fala sobre o futuro da empresa?”

Este caso ficou famoso e fez cair por terra a percepção que todos tinham, de que a apresentação de boas-vindas do presidente era impactante para os novos contratados. Decidiram fazer, então, uma pesquisa com os últimos participantes e descobriram que a maioria achava enfadonho e desinteressante ficar ouvindo fatos do passado da empresa, coisas distantes e desconectadas do interesse e do dia a dia dos jovens recém-contratados. Perguntaram o que eles queriam, e ficou evidente que os novos funcionários queriam saber dos planos da empresa para vencer no mercado, saber das oportunidades de crescimento e desenvolvimento e como o presidente imaginava a empresa para a próxima década. Ou seja, todos queriam o tal “livro do futuro”.

Então reformularam tudo. A reunião de boas-vindas passou a ser conduzida por funcionários mais jovens, compartilhando experiências positivas e visões de futuro. Mensagens entusiasmadas e de inspiração encheram as quase duas horas da reunião. No final, o presidente continuava aparecendo, ele falava brevemente sobre a história e como ele enxergava a empresa no futuro. A reunião sempre terminava de modo entusiasmado.

E o livro? O livro continuou sendo entregue, mas desta vez como uma inspiração para o futuro. Enfim, viva a geração Y.

Ah, essa história é verdadeira, mas não adianta perguntar a empresa porque essa eu não conto.

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9 comentários:

Marcia Ceschini disse...

Mauro,

temos que ter essa humilde e aprender com os novos.. rever paradigmas (meio chavão, mas é isso mesmo).
Outro bom texto seu.
Abraços

Cibele Silva disse...

Ah só pq eu queria saber em que empresa foi. rs

Bom, gostei da história.
Sexta-feira passada houve a festa de confraternização da empresa em que trabalho e a comemoração de seus 100 anos. Todos os funcionários ganharam o livro de memória. Eu fiquei super contende de ver a minha foto lá no meio, tão nova, tão pouco tempo de empresa e já fiz uma pequena parte da construção de uma empresa. Achei muito bacana.
Mas o que vc disse é bem verdade, na hora que eu fui embora tinha um livro 'de ouro' para os funcionários escreverem e a maioria dos depoimentos inclusive o meu foi sobre o futuro.
É o que as pessoas querem saber hoje.

Gostei muito do seu post, uma história bem próxima da minha realidade.

Abraços,
Belle
(A Bordo)

Mauro Segura disse...

Puxa, Belle, eu não posso falar o nome da empresa pois eu não recebi autorização para isso. A área de comunicação da empresa até falou que não tinha problema, mas aí eles foram falar com RH e outras pessoas e a coisa emperrou. Enfim, não posso falar pois é uma empresa muito conhecida e eu não quero criar problemas.
O que posso dizer é que este mesmo fenômeno ocorre aqui na IBM, onde eu trabalho. Os jovens entram querendo conhecer melhor a empresa, sua história e valores, mas sempre com a cabeça no futuro. Saber dosar esta combinação de passado e futuro é uma habilidade que as empresas têm que desenvolver. Obrigado por visitar meu blog. Abraços. Mauro.

Zee Lima disse...

Sabe Mauro essa questão toda me lembrou uma passagem que gosto muito de narrar...

Um guerreiro chega a seu amigo monge, cheio de dúvidas a respeito de como sua vida parecia estar "estagnada".

O monge ouviu o desabafo do amigo, e disse q iria ajudá-lo, pegou seu cajado e desenhou um círculo no chão em torno do amigo e disse: agora temos a representação de sua vida, e vc esta ai, preso.

O guerreiro não entendendo nada, achou que estava sendo zombado, arrancou a espada da bainha, pois estava praticamente em surto!

O monge deu um passo atrás, o guerreiro se deteve no circulo e comoçou, dali a gritar, vociferar e a brandir a espada em direção ao amigo.

O monge então deu as costas e quieto foi-se embora. O guerreiro ficou ali por horas, gritando, berrando, e chorando! Estava preso, não podia sair... até que cansou e se sentou.

Fim da tarde, o sol se punha e a sombra do guerreiro se projetava para fora do círculo. O guerreiro então olhou aquilo e entendeu o que estava acontecendo.

Começou a rir, e a bendizer seu amigo monge, levantou-se, sacudiu a poeira e voltou para sua jornada, deixando o circulo na áreia para trás.

Abraço à todos!

Iêda Diniz disse...

Maravilhosa história que nos levar a reflexão... como aliás, tudo que você escreve!
Mauro, concordo como você como já evidenciado, bem como com seus leitores, que assim como eu estão ligadissimos em seus artigos, porém, não posso deixar passar a oportunidade de chamar a atenção para o bom senso, podemos sim aprender com a geração Y, assim como com qualquer outra geração, na verdade, o que as organizações precisam é da união de gerações, pois tanto a experiencia da geração X como a criatividade da geração Y são ferramentas importantes tanto no mundo coporativo em nossas vidas.
O comentário ocorre apenas por presenciar em algumas empresas os conflitos entre as gerações ocasionando sérios problemas no clima organizacional, uma boa gestão consegue administrar e tirar um maior proveito da situação.
Necessitamos buscar novas idéias, romper paradigmas mas, nunca jogar fora os livros da estante. Descupe-me se estiver enganada...
Porém, existe uma pergunta que não posso deixar de fazer: "porque esses livros só mencionam casos de sucesso? Será não não somos capazes de aprender com os erros???

Cris Martins disse...

Parabéns pelo blog, muito rico em conteúdo!Visitem o nosso blog tbm, espero que gostem:
http://www.abczdigital.com.br/wordpress

Washington Sales disse...

Olá, Mauro!!!
Fiquei curioso...rsrsr
Mais assim, passei por uma historia parecida, certa empresa que eu trabalhei (Não vou dizer o nome também...rsrsr). Tem uma reunião a muito tempo, só que o formato da reunião não era interessante, as pessoas não gostavam, e reclamavam muito quando era dia da reunião tipo, "vamos lá para aquela reunião chata", e outros comentários detalha era apenas gerencia. Então e outro amigos propomos uma mudança. Pesquisamos, Estudamos novas metodologias de reuniões, de Ensino, e apresentamos para todos os participantes. Tivemos algumas resistências dos mais velhos, e questões até de acomodação, na nova proposta os participantes iriam deixar de ser meros participantes para produzir o material e conteúdo da reunião. Sabe. Tivemos uma mudança significativa, a qualidade nem se fala, e aumentou o interesse dos outros em participar da reunião. Isso foi uma experiência muito incessante. Não sei se o formato novo continua, pois não estou mais na empresa. Mas a experiência que tivemos essa vai ser carregada para resto da minha vida.

Abraço,
Até mais.

Mauro Segura disse...

Iêda. Fiquei matutando a sua pergunta e não encontrei uma resposta coerente. Acho que é porque as empresas têm muita dificuldade de reconhecer e lidar com seus erros. A ironia disso tudo é que sempre aprendemos mais com nossos erros do que com os acertos. Enfim, essa foi uma pergunta ótima. Muito obrigado por prestigiar meu blog. Abraços. Mauro.

Mozart Gomes disse...

Todo bom time, é mesclado, você tem os jovens para empurrar sem muita responsabilidade, e os mais velhos para segurar, é o equilíbrio que faz o sucesso de qualquer organização

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