sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Você é feliz no trabalho?

Você é feliz no trabalho? Quantas vezes você já ouviu esta pergunta? É duro respondê-la, né? Quase sempre a resposta é longa e pouca assertiva. As pessoas dão a maior volta para responder.

Mas eu tenho outra pergunta: Quem disse que a gente ter que ser feliz no trabalho?

O jornal O Globo, na edição de 15 de Novembro, no caderno Boa Chance, publicou uma excelente entrevista com Alain de Botton, autor de um livro recentemente publicado chamado "Os prazeres e desprazeres do trabalho". Gostei muito do conteúdo da entrevista pois trouxe "insights" bacanas sobre um tema que sempre é polêmico: a tal felicidade no trabalho.

Eu não tenho opinião sobre essa discussão, mas selecionei algumas partes interessantes da entrevista que deixa a gente encucado.
Enfim, se tiver interesse, leia, pois vale a pena. Só não sei se você vai chegar a alguma conclusão. Cito apenas uma frase que vivo repetindo baixinho pra mim, pois as vezes eu esqueço: "Eu não vivo para trabalhar. Eu trabalho para viver".

Eis alguns fragmentos da entrevista de Alain de Botton para O Globo:

"Temos grandes expectativas de que precisamos ser felizes trabalhando e que o trabalho deve estar no centro de nossas vidas e aspirações. A primeira pergunta que fazemos para novos conhecidos não é de onde eles vêm, mas sim o que eles fazem - como se isso fosse revelar a essência de sua identidade".

"... por milhares de anos o trabalho foi visto como uma espécie de mal necessário e nada mais. Aristóteles, por exemplo, já dizia que ninguém poderia ser livre, diante da obrigação de garantir seu próprio sustento. Ter um emprego era como ser escravo".

"Na era pré-moderna, argumentava-se que ninguém poderia estar apaixonado e casado: casar, era algo feito por razões comerciais, para garantir os negócios da família ou a continuidade de uma dinastia. Amizade entre o casal já era bom. Amor era para se ter com o amante, em paralelo - prazer separado das responsabilidades de criar filhos".

"Mas os novos filósofos do amor disseram que deveríamos casar com quem amássemos em vez de só ter um caso. À ideia incomum surgiu a noção peculiar de que alguém poderia trabalhar tanto por dinheiro quanto para realizar sonhos, algo que substituiu o pensamento de que o trabalho servia apenas para pagar as contas e que as ambições só deveriam ser alimentadas no tempo livre. Somos herdeiros da crença de que podemos ter um emprego e nos divertir nele".

"A grande promessa do mundo moderno era que trabalharíamos menos no futuro. O oposto parece ter acontecido. A vida parece tão competitiva agora que nos tempos de grande pobreza. Eis o paradoxo da modernidade: para onde foi a liberdade, o dinheiro e o tempo de olhar para o céu? Por que é tão difícil ter o tempo livre que nos foi prometido?"

"É vital notar que muito da satisfação depende de expectativas pessoais. Estamos falando de duas filosofias: a primeira é a da classe trabalhadora, que vê o emprego como algo primariamente financeiro. Você trabalha para se alimentar e sustentar seus entes queridos. Você não vive para o trabalho, sobrevive à espera do tempo livre e seus colegas não são necessariamente seus amigos. A outra visão é a da classe média, que vê o trabalho como algo essencial para uma vida realizada. Na recessão, a visão da classe trabalhadora ganha nova força. Mais gente vai dizer: não é perfeito, mas é um emprego".

"Mas o que mais jogamos fora é o talento humano. Não sabemos tirá-lo da mina. Muitos de nós caem de paraquedas em empregos que não necessariamente requerem nossa preciosa habilidade. É importante debater, por exemplo, como mudanças no sistema educacional podem ajudar a combater isso".

"Umas das grandes satisfações do trabalho é a sensação de que estamos fazendo a diferença. A industrialização tornou essa sensação menos acessível para alguns. Fabricar biscoitos, por exemplo, passei um bom tempo na maior fábrica britânica, que emprega 15 mil pessoas em 12 unidades. Antigamente, o confeiteiro fazia tudo na cozinha e possivelmente conhecia todos os clientes. Muito diferente de agora. Alguém que trabalha na contabilidade, por exemplo, está bem longe de experimentar o sentido de sua atividade".

Enfim, você é feliz no trabalho?
A gente tem que ser feliz no trabalho?
Você trabalha com pessoas felizes?
Você vive para o trabalho ou trabalha para viver?

Infelizmente o jornal O Globo não disponibilizou essa entrevista na rede.

Por fim, se está interessado no tema, sugiro acessar AQUI uma matéria interessante publicada na Época Negócios de 10/07/2009, chamada "Dá para ser feliz no trabalho?"

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6 comentários:

Washington Sales disse...

Olá!!!
Mauro...
Tenho uma opinião sobre o esse tema, quer dizer penso ser o certo. A felicidade no trabalho vem em fazer aquilo que mais gostamos. Por exemplo, uma pessoa que gosta de cozinhar, trabalhar em uma restaurante deve ser uma das maravilhas do mundo. Quando criança que nunca pensou em ser jogador de futebol, e realizou esse sonho. Agora assim, fazer a união do que gosta de fazer e ser remunerado por isso não uma tarefa muito fácil, exigi dedicação e muita perseverança, é um caminho espinhoso que poucas pessoas têm a coragem de trilhar. Um termômetro para saber se está feliz ou não no trabalho é: Ficar feliz quando a semana acaba, e triste quando chega a segunda feira. Pode ter certeza agindo assim o trabalho não tem produtividade e nem rende. Creio sim que dá para ter felicidade sim, mas não fácil conciliar. Nem sempre só fazemos o que gostamos...

Até mais,
Washington Sales

A Bordo disse...

Se eu falar que quando me fazem a pergunta - "Você é feliz no trabalho?" eu não sei responder você acredita?

Eu amo a empresa que trabalho, amo a minha equipe, mas não amo o que eu faço - como diz em um ponto do texto, tenho somente "um caso" com o que faço.
E como colocar isso na balança?
Não sei!

Então, acho a pergunta - "Quem disse que a gente ter que ser feliz no trabalho?" é muito pertinente.

abraços,
Belle

Cibele Silva disse...

[Não precisa aprovar o comentário! rs]

Só para agradecer seu comentário no A Bordo e dizer que eu respondi sua pergunta.

abraços,
Belle

Zee Lima disse...

É Mauro... como já foi dito aqui noutras vezes por outras pessoas "o desafio esta no equilibrio."

Todos temos talentos, facilidades em determinada áreas do nosso mundo particular.

Certos talentos se enquandram com trabalhos, outros não. Esse é um dos pontos da equação.

Noutro ponto temos nosso instinto social, somos animais sociais. Vivemos de (e por) nossas expressões e não temos como negar isso.

Certos empregos nos auxiliam neste ponto, outros não.

E por fim, nós temos nossas expectativas. É como a história da chicara... quanto cabe de chá numa chícara cheia?

Para então nos esvaziar precisamos fazer uma série de coisas. E então nós nos esbarramos com coisas como: nossos medos, desejos, crenças, e programações cotidianas.

No final das contas é uma questão de colocar cada coisa em seu devido lugar. E lidar com as espectativas dos "chefes" mais "afoitos" que quere que seus funcionários seja "hiper-pró-ativos!" + "ultra-criativos" + "apaixonados pelo que fazem" + "disposto a trabalhar pelo mínimo possível para não comprometer os balanços".

hehehe brincadeiras à parte, todos estamos no mesmo barco. Assim como em todos os relacionamentos humanos, podemos unir as partes de forma satisfatória...boa para todos os pontos.

Mas não é simples, e não espere conseguir na primeira. Mas não esmoreça e continue fazendo aquilo que é bom, correto, justo e despreocupado.

Ah e quanto a minha resposta, eu sou da turma do "infeliz no trabalho". Descreveria como uma relação fria, como aqueles namoros que prometem muito mas realizam pouco.

Exerço alguns poucos talentos, minha expressão é normalmente contida e cortada, e minhas expectativas para com o serviço são as piores possíveis.

Mas tudo bem, estou procurando um bom advogado para o divórcio!;D

Forte Abraço à todos!

Mari disse...

Felicidade é um conceito tão difícil de descrever né ? O que seria felicidade no trabalho ? Ganhar bem, ter vários amigos, estar satisfeito com os resultados, ser reconhecido, ganhar prêmios? Ou simplesmente fazer o que gosta em um local agradável? Isso depende muito do que cada pessoa aspira pra si (e da fase da vida que estamos passando). Eu adoro o que faço, tenho muita motivação (e liberdade) para criar e ousar na empresa que trabalho. Por hora, isso me faz feliz... Só que como vivemos num mundo onde tudo muda muito rápido, logo logo vou querer outras formas de felicidade... com certeza! Ah, e para mim é importante estar contente sim, pois destino quase 12h do meu dia para o trabalho... então tem que valer a pena, né ? Adorei o artigo Mauro, abraços!

Marcia Ceschini disse...

Olá Mauro,

Sou feliz onde trabalho, embora no momento esteja fazendo algo útil para a empresa, mas fora do que desejo.
Assim que acabarmos esse projeto, espero que seja aproveitada para fazer a diferença. Gosto disso, do desafio de inovar.
Bom texto. Abraços

PS: perdi um pouco o interesse em blogar.

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