terça-feira, 20 de novembro de 2012

O bom mocismo eliminou os rebeldes dentro das organizações

Por que as empresas hoje não estão inovando ou tendo ousadia? Porque o bom mocismo dentro das organizações eliminou os rebeldes. A afirmação não é minha, é de Walter Longo, que fez uma brilhante palestra na HSM recentemente. Eu assisti e anotei tudo. Aliás, o título desse post é dele também, foi ele que repetiu várias vezes que o bom mocismo eliminou os rebeldes dentro das empresas e que está faltando coragem hoje em dia nas empresas.

Eles diz que a maioria das empresas alega falta de recursos e processos para a escassez de inovação, mas a real razão é que as organizações estão expulsando os rebeldes de suas estruturas devido à política do "bom mocinho", do trabalho em equipe, da inteligência emocional e coisas desse tipo. As organizações estão tirando as pessoas que pensam diferente, que incomodam, que questionam e que falam muito “por que”. Está faltando espaço para a rebeldia, para os questionadores e para o pensar diferente.

"Ihhh, lá vem de novo ele. Lá vem o chato. O cara não concorda com nada. Lá vem ele questionar de novo a mesma coisa".

A obsessão das empresas em formarem grupos de visão homogênea e espírito de equipe acabam tirando o espaço para aquele cara que é “do contra” e que faz muitas perguntas. Ele logo se torna um intruso. As empresas hoje se preocupam mais em ter respostas do que perguntas, e isso tira o espaço para o questionamento, a transgressão e a ousadia. 

Walter falou algo engraçado: "Uma organização só de acomodados quebra em 3 anos. Uma organização só de rebeldes quebra em 3 meses. É fundamental que uma empresa seja resultado da mescla de acomodados e rebeldes". Ele disse que "estamos convivendo com uma geração de acomodados que estão se dando muito bem nas organizações. Os táticos assumiram o poder com uma excessiva visão de curto prazo. São lideranças que pensam igual, que não gostam de incomodar". Perdemos muito da intuição e dos sonhos dos visionários e idealistas de antigas empresas. O mundo hoje exige a volta não somente de profissionais para as organizações, mas também de amadores, pessoas que amam aquilo que fazem, pessoas que lutam por uma ideia, que incomodam e não desistem facilmente. "Ninguém questiona mais nada. E quando questiona logo surge alguém para falar que aquele sujeito está incomodando e não está adequado à cultura da empresa". 

Empresas acham importante disseminar cultura. E é mesmo, porém não é só isso. Elas têm que nutrir a diversidade, mas não é a diversidade somente de gênero e inclusão de minorias. Estou falando de pluralidade de opiniões, pensamentos e visões. As empresas têm que nutrir os rebeldes. "Se a empresa não tem capacidade de nutrir rebeldes, então ela não tem um futuro assegurado numa era onde a imaginação não tem mais limite".


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7 comentários:

Vanessa Garcia disse...

Venho pensando muito sobre esse "bom mocismo" ultimamente. O pior é quando eles pensam ser rebeldes, mas agem como profissionais míopes, não olham pra fora e se vangloriam pelo "mais do mesmo" que fazem todos os dias...

Tiago Bueno disse...

Mauro, gostei muito desse artigo e concordo com a existência dessa visão de privilegiar quem se alinha em detrimento dos questionadores ... é um comportamento natural do ser humano no fim das contas.

Além disso, acho curiosa a afirmação de que "a maioria das empresas alega falta de recursos e processos para a escassez de inovação" porque acho que o contrario também seja muito verdadeiro: o excesso de processos pode engessar a empresa e acabar não dando espaço para a inovação.

E outra: concordo em cheio com a necessidade de identificar "pessoas que amam aquilo que fazem, pessoas que lutam por uma ideia, que incomodam e não desistem facilmente", mas não as identificaria como "amadores", mas sim "exploradores". Existem muitos profissionais capacitados que unem a paixão à preparação e competência em suas áreas.

Um abraço.

Maria Fernanda Lacerda Pereira disse...

É interessante notar também, que igualmente nociva é a situação em que os rebeldes precisam deixar de ser quem são, gerando insatisfação para toda a equope.
Abraços

Gilberto Strapazon (Sw. Prabuddha) disse...

Corretissimo Mauro! Eu sou um exemplo de pessoa que questiona estrutura, maneiras, regras, limites, incomodo os bonzinhos mesmo. Com frequencia meus comentários e artigos deixam isto bem claro. É óbvio que são necessários disciplina, método e produtividade. Mas a criatividade não é disciplinada, a inovação é descoberta quando se rompe com os métodos a disciplina é encontrada quando nos permitimos renovar a nós mesmos e ao nosso mundo. Isto vai estar presente em todo tipo de coisa que escrevo, como um longo comentário na Info, quando falaram aquela bobagem astronomica dizendo que preferiam contratar criminosos condenados do que fumantes. Na mesma hora falei sobre esta questão de ter opinião pessoal e não ficar acomodado. Uma das empresas citadas nominalmente por eles, a Nokia, logo no outro ano estava publicamente admitindo a perda de mercado por falta de criatividade. Imagine, os inventores, os criativos, as pessoas que inovam, os que acreditam e buscam novos horizontes não querem trabalhar num campo de concentração. E veja bem, isto não tem nada a ver com libertinagem. Responsabilidade e interesse por alcançar metas e objetivos é uma característica de quem quer ir além. Só não queremos que alguém que só sabe a "decoreba" que aprendeu na escolinha fique ceifando justamente a fonte de progresso. Quanto mais meu trabalho, a empresa e a sociedade crescer com o que faço, melhor. E simplesmente porque eu trabalho todos os dias querendo criar algo para melhorar o todo e com isto, não ficar naquela mesmice acomodada de sempre. O futuro é criado assim. Quem não se renova, apodrece, seca e volta ao pó.

Cristiano disse...

Sei lá.. estranho dizer isso já que vivemos na época onde mais ocorrem inovações no mundo. Nunca se inventou tanta coisa nova... acredito que seja um tanto quanto pessimista essa opinião

mbrafranca disse...

As pessoas facilmente confundem otimizacao, mais do mesmo, com inovacao. A linha geral do texto me agrada, mas nao vejo ser uma questao de bonzinhos e bad boys. Se voce esta 100% focado em fazer o mesmo so que melhor, se seus esforcos concentram-se em padronizar, se suas equipes preocupam-se em seguir procedimentos e se a gestao fecha o processo de.estrategia a poucas cabecas que pensam iguais ... meu amigo, vc nunca vai inovar coisa alguma e seus rebeldes serao engolidos ou procurarao outras praias. Desculpem a falta de acentos ou erros - o teclado e pequeno e americano.

Dramasdeagencia disse...

Sei muito bem como é isso, faz ligação com um outro assunto que você publicou recentemente de uma pesquisa do LinkedIn onde apontava que mais de 50% dos funcionários são obedientes no Brasil. Tinha comentado que se isso realmente era verídico, tinha algo errado! Sinto na pele como é isso. Vejo situações como: "Cuidado com a sua roupa, com o seu dialeto, com o que você acessa, com o tom da voz, e etc."

É uma série de cuidados que você precisa ter para não pisar em ovos. Ou seja, se eu discordar de um superior sobre determinado assunto e tiver como provar que ele está equivocado, não posso! pois seria repreendido pelo meu superior imediato! e ainda teria que esperar o diretor perceber por si só que está equivocado. Isso eu chamo de: "Xadrez corporativo".

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