domingo, 4 de dezembro de 2011

A gente adora floresta de pinheiros

Texto adaptado do original publicado na Magazine da Petrobras.

Semanas atrás, numa reunião de trabalho, ouvi a seguinte frase: "A gente adora ‘floresta de pinheiros'. Todo mundo igualzinho, que não cria problema, que pensa igual..."

De maneira geral, em nossas cabeças, a inovação parece ser algo que ocorre quase que por acaso. Imaginamos que, de repente, alguém tem uma ideia brilhante e tudo acontece. Isso pode até ser verdade, mas muitas empresas já descobriram que ela não é fruto apenas do acaso. A inovação é resultado de processos, foco e cultura corporativa. Desenvolver um senso contínuo de inovação nos colaboradores parece ser hoje prioridade da maioria das empresas, independentemente do tamanho e do segmento de atuação.

A inovação genuína e contínua no ambiente de trabalho exige algumas precondições básicas. Uma delas é a diversidade. E entenda diversidade num espectro bem amplo. Estou falando de diversidade de ideias, comportamento, formação, idade, experiências, cor, raça, senso e cultura.

De forma geral, as empresas adoram ‘floresta de pinheiros’. Raramente encontramos exemplos de grupos que sejam realmente diversos nos principais projetos e estratégias das empresas. Faça um exercício e veja a organização onde você trabalha. Ao subir cada vez mais na pirâmide organizacional, a ‘floresta de pinheiros’ fica mais evidente. Ironicamente, é no topo da hierarquia que encontramos a menor diversidade de ideias e conceitos. As empresas não reconhecem isso, mas essa parece ser a maior barreira para uma cultura genuína de inovação.

A diversidade, contudo, não serve de nada se não existir um ambiente organizacional aberto e fomentador para a troca de ideias. A imagem do Professor Pardal, sozinho, tendo uma ideia brilhante é divertida, mas é uma ilusão. A inovação acontece a partir do conflito sadio de opiniões, experiências, visões e perspectivas. Quanto maior a pluralidade e o número de interações entre as pessoas, maior será a probabilidade de surgirem ideias e pensamentos inovadores.

A unanimidade leva a gente quase sempre para o mesmo lugar. Para as empresas que enfrentam um mercado cada vez mais competitivo e disruptivo - onde novos modelos de negócio e competidores criativos aparecem a todo momento -, a capacidade de inovar não é mais apenas uma questão para superar a concorrência. É questão de sobrevivência.

A habilidade de inovação de uma empresa é potencializada ao máximo quando acontece a colaboração espontânea entre pessoas com pensamentos diversos, que tenham liberdade e vontade de falar e opinar, quase como que tomando um chopinho na mesa de um bar no final de semana. As empresas estão descobrindo que essa liberdade de conversar é importante. Juntar grupos heterogêneos de dentro e fora da empresa é uma saudável forma de oxigenar a organização e descobrir oportunidades de inovação desde a retaguarda até as linhas de frente do negócio. As mídias sociais aparecem como ferramentas fundamentais nesse novo cenário. Mas essa já é outra história.


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3 comentários:

Celisa Saito disse...

Oi Mauro! Gostei do Post e aproveitando a metáfora do Pinheiro e o clima natalino no ar...comento: teve uma época, quando eu era criancinha, que em casa não tínhamos dinheiro pra comprar um pinheirinho de natal. Mas mesmo assim, meus pais, criativamente pegavam uma árvore ou planta do jardim de casa e a enfeitavam. No começo eu ficava meio sem graça, porque era diferente dos pinheirinhos tradicionais que via nas outras casas ou lojas.

Mas depois, percebi o quanto era fantástico! Primeiro: a gente escolhia juntos qual plantinha do jardim teria a honra de ser enfeitada! Segundo: somos de um país tropical e faz mais sentido enfeitar mini pitangueiras e coqueirinhos =^_^=. Terceiro: os enfeites não eram comprados prontos, a gente sempre bolava algo novo!

Resumindo... nós temos a mania de querer "ser pinheiro", por achar que é "cool" e normal. E quando temos uma ideia nova, sempre corremos o risco de nos autosabotar por medo de fracassar ou por estar a frente demais do nosso tempo.
Mas quer saber, eu amo as "arvorezinhas de natal anormais" de casa =^_^=...Boas festas!

Mauro Segura disse...

Celisa.
Adorei o seu post, especialmente quando escreveu "quando temos uma ideia nova, sempre corremos o risco de nos autosabotar por medo de fracassar ou por estar a frente demais do nosso tempo". É isso mesmo. Na maioria das vezes a maior barreira está dentro de nós. É uma mistura de preconceito e medo do fracasso, o que nos torna um pouco mais do mesmo. Enfim, adorei. Beijos e obrigado por colaborar com o blog. Mauro.

Gilberto Strapazon disse...

Ótimo artigo. Gostaria de comentar que na produção em massa da mesma coisa, se nunca precisar inovar, se nunca precisar disputar concorrência, se nunca precisar promover ou trocar funcionários, se nunca precisar melhorar, enfim, se nunca tiver sequer problema nem pela ferrugem, o exemplo da floresta é ótimo, pois refere-se a capacidade de ser uma mesmice consagrada, sem qualquer outra expectativa na vida.
Mas no dia a dia, grandes empresas tem sucumbido por isto.
Se permite, gostaria de citar duas matérias em que comento sobre isto. A primeria, sobre inovação:

http://gilbertostrapazon.blogspot.com/2011/10/inovacao-apesar-das-metricas.html

A outra, sobre diferenças: "Se você é desprezado por alguém que não sabe reconhecer a diferença, não adianta perder tempo esperando algum reconhecimento."

http://gilbertostrapazon.blogspot.com/2009/06/retencao-de-talentos-os-que-sobem.html

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