quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Inovação em cada um de Nós

Em 2008, a revista Época publicou uma excelente entrevista com Nancy Tennant, executiva americana da Whirlpool. Suas mensagens me fizeram pensar. Ela disse: “A inovação está dentro de cada um de nós. Quando as pessoas têm liberdade para trabalhar em coisas estimulantes, com seus colegas, a inovação vem até você todos os dias”.

Muitas empresas investem enorme volume de dinheiro em pesquisa e desenvolvimento. Muitos chamam isso de inovação, e é mesmo. Estou falando daquela imagem que temos de laboratórios e salas fechadas onde grupos de cientistas, intelectuais e bem aventurados se trancam para pensarem coisas novas. É como se cada um deles chegasse de manhã cedo para trabalhar e falasse: “Hoje eu vou inovar prá caramba. Ninguém me segura!”. É como se a empresa delegasse para um grupo de pessoas a missão de pensar em soluções inovadoras. Isso ainda existe muito no mundo empresarial e é muito eficaz. Nessas empresas a inovação é fruto de métricas claras e agressivas. Muitas definidas por engenheiros e administradores que as vezes estão longe da realidade, distante dos clientes e do mercado, mas se apoiam em pesquisas e estudos.

A realidade de hoje mostra que inovação vai muito mais além do que os laboratórios e centros de pesquisa e desenvolvimento.

Eu acho que inovação tem que seguir a estratégia que chamo carinhosamente de “A casa da Mãe Joana”. Ou seja, liberdade total. Todos os funcionários, independentemente de posto, localização e formação, têm que ser incentivados a falar, opinar, dar ideias, sejam elas básicas, malucas, impossíveis ou não. Vale tudo. Vale até sonhar.

Caímos sempre na armadilha de pensar em inovação de produtos. Fica mais fácil falarmos sobre inovação quando pensamos em máquinas, produtos eletrônicos e coisas similares. Mas a inovação pode estar em toda a cadeia. Pode estar na forma como atendemos o cliente, na fatura de cobrança, na forma de relacionamento com o fornecedor, em algum processo logístico, de transporte e até de embalagem. Pode estar em qualquer lugar. Quando pensamos dessa forma, fica fácil ver que a grande capacidade inovadora não está nos laboratórios ou nos centros científicos.

A inovação está com o Seu José que dirige os caminhões da fábrica, no Seu João que trabalha no setor de embalagem, na Maria Lúcia que atende os clientes no telefone ou na Maria Luiza que atua como compradora.

São estas pessoas que conhecem as falhas nos processos, as oportunidades de melhoria, as demandas e necessidades dos clientes e o potencial de oportunidades que a companhia não vê. São elas que conhecem os sonhos dos clientes.

A capacidade inovadora dentro das empresas é incrível. Parece um tesouro enterrado. Portanto, vamos liberar geral. Vamos colocar esse povo todo para falar. Soltar as amarras.

Em 1988, a GE criou um programa muito interessante chamado Workout. Começou como um programa para melhorar processos, mas depois se tornou um programa de grande sucesso por ser uma fonte estruturada de ideias com participação de todos os funcionários da empresa. Acabou virando referência mundial. Eu não estou dizendo que as empresas precisam de algo tão estruturado quanto o programa da GE, mas acho que começar pelo uso de canais de colaboração como blogs e mídias sociais seriam um caminho interessante. Parece complicado? É caro? É difícil implementar? Então coloca a urnazinha no canto do cafezinho com uns papeizinhos em branco e deixa o pessoal escrever suas ideias e sugestões.

Casa da Mãe Joana” neles!!!

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2 comentários:

Milena disse...

As empresas ficam tão viciadas em processos estruturados, com nomes ingles ou termos só usados corporativamente, que chega a ser engraçado elas terem que aprender que a fonte de inovação delas está na velha caixinha de sugestões, aquela implementada pelo avô do português da padaria da esquina.
Ah, em casos como o da Whirpool, a Maria de compras e o João do financeiro são além de funcionários, clientes.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Este post me fez lembrar de uma entrevista de Julio Olalla Mayor, na HSM Management. Julio é (era?) diretor do programa de coaching da George Mason University, nos EUA.
No artigo, ele lembrava que o que caracteriza um time são as diferentes pessoas e suas diferentes interpretações - e que as lideranças voltadas para a inovação não buscam gente com visão idêntica. E que quando se recupera o lugar da conversa ("con-versar") - coisas inéditas ocorrem na empresa.A conversa é a chama da inovação...

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