domingo, 31 de agosto de 2008

O Lançamento do Macintosh em 1984

O lançamento do Macintosh da Apple ocorreu através de um filme que é considerado um marco na história da publicidade. Ele foi veiculado durante o Superbowl XVIII, exatamente no dia 22 de janeiro de 1984. Muitos comentam que essa pode ser considerada a data em que a Apple se lançou de verdade na briga com a IBM pela dominação do mercado de PCs. Só para ter uma idéia, cada comercial de 60 segundos veiculado no Superbowl custa mais de 800 mil dólares para cada anunciante, ou seja, uma pequena fortuna.

Vale a pena também lembrar que a IBM, em 1981, veiculou uma propaganda, também genial, que mostrava uma caricatura de Charlie Chaplin usando um PC, tentando passar o conceito que qualquer um poderia usar aquela máquina. O objetivo era simples: tirar a percepção de que o computador era algo complexo e voltado para empresas e colocá-lo na frente das pessoas comuns. A propagando fez grande sucesso e os negócios da IBM cresceram muito.
Voltando para 1984. Muita gente não sabe, mas o comercial do Apple’s Macintosh foi dirigido por... Ridley Scott. É isso mesmo, o mesmo Ridley Scott de Blade Runner, Gladiadores e Alien. Aliás, ao ver o filme publicitário, ficamos sim com a sensação de que aquilo é coisa de Ridley Scott.

O filme é entitulado ''1984'' e foi inspirado num romance-ficção chamada 1984 de George Orwell, escrito inglês. O escritor escreveu essa história em 1949, que fala sobre a vida num regime totalitário num futuro distante... ano de 1984.

Voltando para a propaganda…
Foram mais de 300 extras, com faces emblemáticas e vestindo roupas cinzas... e uma espécie de Big Brother ditando as regras. O custo de produção na época foi 400 mil dólares e o anúncio foi veiculado poucas vezes pois a Apple não tinha muito dinheiro para pagar veiculação. Mesmo assim, a Apple decidiu veicular o anúncio em horário nobre e em mercados prioritários.

Eu não preciso comentar mais nada, o filme da Apple de 1984 é uma jóia, e a mensagem passada fica explicíta no final... quem é o mocinho e quem é o vilão.

video

Para fechar o post, vale muuuito a pena ver o filme abaixo que mostra Steve Jobs lançando o filme da Apple. Ele ainda é muito jovem e usa um tom um pouco arrogante, até sarcástico, para anunciar os novos tempos da Apple. É um momento histórico e muito interessante, principalmente porque ele cita nomes de empresas que desapareceram, outras que encolheram e uma outra que continua gigante e destacada no mundo da tecnologia. Enfim, essa é prá curtir.

sábado, 30 de agosto de 2008

Vamos mudar o nome do Departamento de Comunicação 2

Noutro dia eu escrevi aqui que a gente deveria mudar o nome do Departamento de Comunicação para Departamento de Transformação. Agora venho com um conceito complementar.

No mundo atual, a comunicação unidirecional vem perdendo de goleada para a comunicação multidirecional e colaborativa. Os mais jovens adoram redes sociais, blogs, fóruns e outras formas de interação pois permitem troca de informações online e aberta a todos. São todos falando com todos simultaneamente, de modo informal, criativo e expontaneo. Tudo ao mesmo tempo agora. Acredito que isso não é novidade pra ninguém, mas parece que para as grandes empresas isso ainda é uma tremenda novidade. A maioria absoluta das empresas ainda trabalha com os canais tradicionais de comunicação, que são unidirecionais, frios, lentos e acéfalos. A palavra “acéfalos” é exagerada, mas o intuito foi esse mesmo.

As empresas ainda insistem em fazer suas comunicações assinando embaixo o nome da empresa. Parece que ninguém assinou ou foi dono daquela comunicação. Ahhh, isso é coisa da empresa.. não é de uma área só não. Mas que empresa é essa? Se tirarmos todos os seres humanos das empresas, ficarão apenas as mesas, cadeiras, máquinas e todas as traquitanas fabris e de escritório e... nada vai acontecer. As empresas funcionam porque as pessoas fazem funcionar. Portanto, as empresas são pessoas. Portanto, a comunicação dentro das empresas deveria ser sempre de pessoas para pessoas. Daí eu puxo todo o raciocínio para o início do meu papo. O mundo hoje é colaborativo, e isso fica evidente no sucesso das redes sociais e em todos os meios de comunicação em que a interação é online e intensamente pessoal. As empresas deveriam acordar para isso e tomarem iniciativa de disponibilizar redes sociais internas de comunicação para os funcionários conversarem e trocarem experiências. Seria imaginar um grande orkut interno da empresa, aberto, democrático e disponível 24hs por dia. Aí alguém apareceria com a velha paranóia (sempre tem alguém que fala isso) de que vamos perder o controle da informação ao criarmos uma rede aberta a todos. Pura balela, o controle da informação a gente já perdeu há muito tempo. A gente pensa que não perdeu... ou finge que não perdeu. O Orkut faz sucesso porque é aberto... e cá entre nós, os corredores das empresas são abertos também. Quer melhor orkut do que o corredor ou o cafezinho na cantina dentro da empresa?

Eu tenho um outro ponto que acho que as companhias ainda não se tocaram. Ter uma rede social interna, aberta, sem restrição e sem controle, vai permitir que os executivos da empresa saibam quais são os anseios, aspirações, preocupações e visão dos empregados. Vai estar tudo demonstrado lá nas interações entre os empregados. No final alguém vai dizer: “Caramba, isso é melhor do que qualquer mesa-redonda”. E de lambuja, eu garanto que vão aparecer idéias, oportunidades de novas áreas de negócio que a companhia ainda não trabalha, etc. Enfim, acho que os ganhos são infinitamente maiores do que o risco de perdermos o tal controle da informação. Aliás, o bom será isso mesmo... vamos perder o controle da informação!!! Até porque ela não existe mesmo...hehehehe.

Enfim, acho que o Departamento de Comunicação poderia ser chamado Departamento de Colaboração.

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A comunicação que transforma

Ainda existe o conceito que a comunicação de massa é boa e que ela resolve tudo. Isso é muito comum nas empresas onde o presidente e os executivos mudam algo e resolvem pedir para comunicação fazer a “tal da comunicação”, ou... “dar ciência”. Daí eles imaginam que “pum”, depois do comunicado tudo vai mudar, as pessoas vão passar a cumprir aquela ordem desde o momento zero. Isso pode até ser possível quando a comunicação diz respeito à uma mudança administrativa ou processual, mas é quase impossível quando depende de uma mudança de atitude das pessoas. A realidade corporativa mostra que as grandes mudanças sempre envolvem fatores como comportamento e valores. É aí que a comunicação de massa não funciona. Não adianta colocar na revistinha que, a partir de agora, a companhia passou a ser socialmente responsável e esperar que todos mudem o comportamento de uma hora para outra. Essa armadilha velha de guerra já foi explorada em centenas de livros, mas o mais incrível é que as empresas, independentemente do tamanho, continuam caindo na mesma pegadinha. A transformação obrigatoriamente tem que começar pela liderança da empresa. Ações práticas têm que existir. Cabe a área de comunicação tangibilizar essas ações e evidenciá-las para os funcionários. Esse conceito que os americanos chamam de “walk the talk” (praticar o que se fala) é o que funciona de verdade.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O profissional de comunicação já era

Uma vez usei essa expressão num evento de comunicação e quase levei pedrada. A platéia era praticamente de.... profissionais de comunicação. O que quis dizer é que o profissional do jornalismo tradicional (aquilo que todos aprendem na escola de jornalismo) está mudando radicalmente de papel. É obvio que ainda existem milhares de profissionais do velho e bom jornalismo, mas a tecnologia e o mundo online está tornando cada cidadão desse planeta num jornalista em potencial. Todos nós participamos de redes sociais, blogs e outros fóruns de discussão. Cada um de nós externa opiniões, avalia situações, escreve histórias e influencia pessoas. Isso é ou não é jornalismo??? Enfim, extremando um pouco mais esse conceito, podemos imaginar um dia em que os jornais serão publicados somente com as cartas, e-mails e histórias enviadas pelos próprios leitores e colaboradores do jornal. O mesmo vai acontecer com os fotógrafos. Todos nós agora carregamos máquinas fotográficas de alta resolução e celulares carregados de recursos tecnológicos, como fotografia, gravador de voz e até vídeo. Enfim, todos nós somos jornalistas em potencial.
Diante de todo esse cenário avassalador, vejo o papel do jornalista mudando radicalmente nos próximos anos, mas isso é papo mais pra frente. Será que a gente consegue imaginar como será o jornalista do futuro?

sábado, 23 de agosto de 2008

Dá-lhe Dunga!

A gente escuta falar que a imprensa tem a capacidade de construir ou destruir reputações em minutos. Infelizmente isso é verdade. Eu digo "infelizmente" pois muitas vezes a acidez da imprensa ultrapassa a imparcialidade ou o equilíbrio. Nos “media trainings” que participo, eu sempre comento a respeito desse jeito meio “Robin Hood” da imprensa brasileira: uma imprensa que exerce o papel de fiscalizador do governo e das grandes empresas em prol do coitado cidadão comum, que é vilão de um governo corrupto e de empresas ganaciosas que não pensam em nada mais do que o lucro a qualquer preço. É a imprensa defensora dos fracos e oprimidos. Enfim, parte desse estilo da mídia nacional vem do tempo da ditadura onde a imprensa era fortemente controlada e cerceada. Muita gente teve que sair do país. Muitos desses jornalistas massacrados no passado comandam hoje as redações de grandes veículos nacionais.

Toda essa introdução é para comentar a capa do caderno de Esportes do O GLOBO dessa semana. Aliás, a capa vem sendo tema de fóruns e de alguns programas de rádio que comentaram a respeito.

O fato é que, dias atrás, a seleção masculina de futebol perdeu de forma vergonhosa para a seleção Argentina nas Olimpíadas (3x0). Realmente a seleção jogou muito mal, parecia um time de várzea. No dia seguinte, O GLOBO estampou a página abaixo na capa do caderno de esportes.
Nas páginas seguintes o título seguiu o mesmo padrão da capa, ou seja, pau no Dunga. O jornal, diga-se, o editor, elegeu Dunga como culpado do fiasco da seleção e já montou a artilharia em cima.

Impressiona a forma irônica, linguagem direta e escancarada de encontrar um único culpado para o caso. Não existe nenhuma preocupação em dividir a culpa entre os jogadores, comissão técnica e dirigentes. A culpa foi do Dunga e pronto! Em resumo, a forma como o GLOBO conduziu as matérias leva o Dunga diretamente para frigideira. Em vez de "Seleção de Dunga" na capa, seria mais justo "Seleção Brasileira". A parcialidade e a assertividade usadas pelo jornal assustam e corroboram a velha questão da imprensa como o quarto poder, o poder que destrói ou liberta.


sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Quando menos é mais

A minha experiência mostra que matérias curtas e objetivas têm muito mais interesse e leitura que as mais longas e “aparentemente” mais completas. Informação essencial e relevante, com poucos adjetivos, factual, é o que o “povo” quer. É o mesmo conceito existente nos resultados mostrados pelos jornais e revistas, onde as colunas sociais e notas são as partes mais lidas dos veículos. A fórmula fica ainda mais matadora quando usamos um personagem (com sua fotografia, de preferência) para montar a matéria. Pessoas gostam de ler e ver pessoas. É tiro no alvo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A comunicação goela abaixo

Trabalho numa empresa americana e várias vezes as diferenças culturais entre os empregados americanos e brasileiros ficam bem evidentes. Em relação a comunicação interna também existem expectativas e percepções diferentes.
Numa empresa americana, existe a expectativa de que a informação tem que estar num lugar de fácil acesso e disponibilidade – ou seja, cada empregado toma o seu tempo para se informar. Uma intranet bem montada é o exemplo mais adequado para isso, funcionando como um repositório de informações.
Numa empresa brasileira, a gente tem que empurrar a comunicação goela abaixo dos empregados porque senão eles não serão informados. Temos que colocar a comunicação na cara dos empregados.
Duas culturas, duas abordagens e expectativas diferentes.
A americana entrega para o funcionário a responsabilidade de se informar.
A brasileira retira a responsabilidade do empregado. Parece que ele fica isento de ter que procurar informações e separar um tempo para se informar.
Claro que fui extremista nas duas situações. Mas usei esses extremos para ilustrar uma visão antiga e uma visão moderna da comunicação interna nas empresas. No mundo atual, com a profusão e facilidade de acesso à informação, é o leitor que decide o que e quando quer se informar. É ele, soberano, que decide o que ler. É assim que funciona nos googles, orkuts, blogs e fóruns da vida. Ou seja, é bem diferente do passado quando a revistinha e o mural eram as únicas duas fontes de informação dos empregados dentro das empresas.
Resumindo tudo isso que falamos: comunicação goela abaixo não funciona. Só serve para satisfazer a ansiedade de alguém.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Vamos mudar o nome do Departamento de Comunicação?

Eu acho que o nome Dep. de Comunicação é uma coisa velha.
Faça uma experiência. Pega uma pessoa na rua e fala pra ela que você trabalha no departamento de comunicação. Ela vai olhar pra você com cara de conteúdo. Daí você solta a segunda pergunta: O que o departamento de comunicação faz? Certamente ela vai responder: ele comunica. E fim! A resposta provavelmente vai terminar aí.
Em resumo, o nome Departamento de Comunicação já era. Esse termo lembra o velho departamento da revistinha e do jornalzinho. O departamento que sempre entra no final para comunicar algo que alguém decidiu. Esse é um conceito velho, arcaico mesmo. E pior, completamente inadequado para a realidade atual. Hoje a comunicação é online, de todos para todos, influencia, desenvolvem valores e mudam atitudes. A comunicação não é algo passivo, é algo que muda o curso das coisas. Muitas empresas já descobriram que a comunicação está intimamente conectada com seus negócios e objetivos empresariais. É através de uma comunicação estratégica e envolvente que você transforma a empresa, alinha os colaboradores em prol de uma estratégia corporativa e se relaciona com seus clientes e sociedade. Ou seja, é a comunicação que transforma as percepções, atitude e cultura. Enfim, o departamento de comunicação não é mais o departamento de comunicação, ele é o departamento de transformação. Vamos mudar o nome?

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sábado, 16 de agosto de 2008

Comunicação: O Doril das empresas

De um tempo pra cá parece que o departamento de comunicação virou o doril das empresas, resolve tudo.

Tem que fazer uma mudança cultural? chama comunicação.
Vai mudar o menu do restaurante? Chama comunicação.
O banheiro quebrou e vai entrar em obra? Chama comunicação.
Os funcionários não atendem o telefone quando ele toca? Chama comunicação.

Tudo isso já passou comigo. Essa última é até engraçada. O que o departamento de comunicação tem a ver com o fato dos funcionários não atenderem o telefone?
A verdade disso tudo é que comunicação passou a ser uma arma valiosa para influenciar na mudança de atitude das pessoas. E num mundo que gira muito rápido, não tem relax, chama comunicação. Aí a comunicação vira mesmo o Doril para consertar as dores das empresas.

O problema é que a comunicação pura e simples não é suficiente para mudar a atitude das pessoas. Mudança de atitude mexe em formação cultural e social, toca nos valores individuais e coletivos e não é uma coisa imediata. Enfim, o Doril cura dor de cabeça e febre, mas não muda o comportamento das pessoas.

Finalmente... o blog!

Demorei muito para decidir se fazia um blog. Pensei em fazer outras coisas para registrar minhas experiências, percepções e conceitos do mundo corporativo, especialmente em comunicação. O que me fez decidir pelo blog foi a informalidade da ferramenta. Não preciso me preocupar em escrever perfeitamente correto e manter um português impecável. Posso ser informal, falar quando e quanto quiser. Posso até dar uma de Guimarães Rosa e inventar palavras. Isso é maravilhoso e pesou muito na minha decisão. Pois bem, aqui estou, pronto para contar algumas histórias, registrar as coisas que penso e, quem sabe, encontrar alguém no mundo virtual que queira dividir percepções comigo.
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