segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Os Executivos se tornaram Dependentes Tecnológicos


Existe um movimento acontecendo nas empresas que ainda parece um pouco obscuro, mas é uma transformação que está diante dos nossos olhos: a tecnologia está saindo do armário, ou seja, está deixando as fronteiras do departamento de TI e invadindo todos os as áreas da companhia como marketing, finanças, recursos humanos, vendas, logística, etc. A grande novidade é que os investimentos em tecnologia começam a sair das mãos do CIO e estão caindo nos braços de seus pares de negócio. A tecnologia está deixando de ser algo restrito ao back office e migrando aceleradamente para o front office. Uma das maiores evidências dessa mudança foi uma previsão publicada pelo Gartner em 2012 que afirma que em 2017 os CMOs das organizações terão um budget de TI maior que os próprios CIOs.

No entanto, tal migração ainda não é evidente. Sabemos que ela começa a ocorrer, mas parece que existe uma certa inércia dentro das empresas. Esta negação da transferência da tecnologia dos CIOs para as áreas de negócio tem uma razão muito simples: conveniência. Desculpe se sou um pouco ácido, mas existe um certo conforto por parte dos executivos das empresas em relação a isso.

Para o CIO, é conveniente que o investimento e as decisões de tecnologia continuem sob as asas dele, isso dá poder. Mas, mais do que isso, permite que o CIO e sua equipe continuem tendo o controle da TI dentro da empresa, cuidando da governança, o que é fundamental para qualquer organização. Por outro lado, CMOs, CFOs, CHROs e CSCOs ainda se sentem inseguros e sem autonomia para investir e tomar decisões em tecnologia. Para eles, é mais conveniente pedir e cobrar de alguém (no caso o CIO) a tecnologia que suas áreas demandam. Essa é a razão que está por trás da inércia na migração de mais autonomia de decisão em TI dentro das empresas.

Esse movimento migratório é inevitável. Mas, mais do que a migração, a direção parece ser a parceria. A pressão de todos os lados está fazendo os CIOs e os executivos de negócio se alinharem ao mesmo lado da mesa. Existe claramente um sentimento de colaboração mútua, mas que ainda esbarra na grande dificuldade da gestão da TI dentro das empresas, que tem que olhar para governança, segurança das informações, integração de bases de dados e tecnologias diversas, e programas legados, escalabilidade dos sistemas e muitas outras coisas que as áreas de negócio têm dificuldade de entender.

O crescimento desordenado, alinhado com a diversidade de plataformas de tecnologia existente dentro das organizações, colocou algemas no CIO que tem que lidar com grande complexidade operacional para fazer a TI evoluir dentro das empresas. Tal contexto faz com que os CIOs estejam sempre “devendo” dentro das companhias, que cobram alucinadamente que os projetos de TI saiam do papel.

As operações das empresas sempre dependeram de TI, o que fez com que os investimentos em tecnologia nas décadas passadas se concentrassem nos sistemas internos e na administração da própria organização. Agora a demanda da tecnologia vem de fora, na pressão dos clientes que cobram por mais inteligência, canais de relacionamento e conveniência de serviços. A área de marketing das companhias está totalmente dependente de tecnologia. A automação da área comercial virou prioridade absoluta. Recursos humanos precisa cada vez mais de meios tecnológicos para desenvolvimento da força de trabalho, capacitação dos funcionários, recrutamento e nos processos de identificação de competências e talentos. Tendências como home office e globalização das empresas só se tornam viáveis em grande escala sob o uso intenso de ferramentas tecnológicas modernas. A complexidade operacional e as demandas crescentes de investimento colocam uma pressão enorme nas áreas de administração e finanças, que demandam ferramentas analíticas poderosas, complexas e em “real time”. Esse cenário impõe uma pressão monumental nos líderes de marketing, finanças, recursos humanos, administração e outras áreas chave das empresas.

Quatro tecnologias emergem com força no mundo empresarial: Cloud Computing, Mobile, Social Business e Big Data/Analytics. Tais tecnologias estão virando de perna para o ar o mundo de TI das empresas. Surgem no mercado inúmeros serviços on demand, proporcionando independência e facilidade de uso e rapidez na implementação de tecnologia nas áreas de negócio das organizações.

Estamos diante de um tsunami transformacional no mundo corporativo, que altera profundamente o ambiente do trabalho e o mundo dos negócios. Surfar essa onda ou ser atropelado por ela depende exclusivamente da liderança executiva. A onda diante de nossos olhos sinaliza que a tecnologia é o grande diferencial. O futuro, ou já o presente, aceitando ou não, transforma cada executivo num dependente tecnológico. Se esquivar, procrastinar ou se jogar na adoção intensiva da tecnologia será decisivo para o sucesso das empresas e de suas lideranças executivas.

Texto publicado na Computerworld

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domingo, 27 de outubro de 2013

Os Líderes de Marketing das Empresas estão na Berlinda


Participei de um painel no Maximidia, dias atrás, e a Claudia Vassallo, mediadora do debate, perguntou para os painelistas a respeito do marketing das empresas em 2014, ano de Copa do Mundo e de eleições. Pergunta fácil, resposta difícil.

O fato é que os investimentos em marketing nas empresas têm se mantido mais ou menos constante, o aumento é marginal, obviamente que existem variações em função do segmento e da maturidade do negócio onde a empresa atua. Existem algumas tendências evidentes, como uma migração acelerada de projetos para a área digital e a pulverização do dinheiro de propaganda em outras áreas. Isto tem uma explicação. O marketing das empresas vem mudando, porém vai além disso, o papel do líder de marketing (CMO) vem mudando radicalmente e carregando o marketing como um todo nesse movimento. Como em qualquer debate, a conversa evoluiu para um determinado lado e eu pouco explorei alguns pontos importantes que estavam na minha cabeça.

Quero aproveitar este espaço para registrar tais conceitos. Mais do que o marketing das empresas, mais do que as verbas em propaganda, o grande ser em transformação é o CMO.

Hoje o CMO é um executivo bem diferente de um passado recente. Tradicionalmente seu papel sempre ficou muito concentrado na atividade de propaganda, isso fazia sentido, pois propaganda sempre foi algo intimamente relacionado à imagem das organizações e à geração de novos negócios. O fato é que a propaganda, em si, já não é mais suficiente. Hoje a reputação e o desejo de compra não estão apenas vinculados aos clientes. Existem outros públicos, é preciso se preocupar com os funcionários que são super influenciadores externos e, em muitos casos, especialmente nas empresas de serviços, provedores da real experiência do cliente com a marca, produtos e serviços.

A sociedade, em geral, também é outro público importante, pois a imagem da empresa é influenciado diretamente pela percepção das multidões, especialmente pelo poder de influência das mídias sociais e de outras plataformas digitais.

Portanto, de repente, o CMO passou a ter que se preocupar com clientes, funcionários e sociedade. Isso sem falar nas empresas que trabalham com grande contingente de parceiros e serviços terceirizados, que muitas vezes aparecem como a "cara" das empresas no mercado. Esse é mais um grupo que está sob o radar dos CMOs.

Os clientes do passado não são mais os mesmos. Estamos diante de um novo cliente. O ambiente da empresa também mudou, ficando muito mais pervasivo. Os clientes entram na empresa por todos os lados. A experiência da marca é construída não somente pela propaganda, mas pela qualidade na prestação dos serviços, na fatura que chega na casa do cliente, no atendimento do call center, na resposta do "customer service", na consulta que o cliente faz a respeito da empresa na web, nas respostas e ações da organização nas mídias sociais, no compromisso social e cidadão da empresa, etc. Quem são os clientes de um serviço de TV a cabo? Os pais que pagam a conta ou os filhos que decidem a programação da casa? Como conversar com eles? Os clientes mudaram, os canais de relacionamento mudaram, a percepção de marca passou a ser construída de forma diferente e todos na sociedade, clientes ou não, são influenciadores da marca e dos negócios da empresa.

Tal ambiente, caótico por natureza, exige, minimamente, quatro coisas:

1 que todos os pontos de contato da empresa com os clientes e sociedade sejam instrumentalizados e monitorados;

2 que exista um processo de análise dos dados capturados, que uns falem com os outros e "insights" reais sejam gerados.  Aqui podemos estar falando de uma insatisfação pontual de um cliente até uma tendência de mercado;  

3 que se adote um processo de gestão e comando para que tomadas de ação sejam realizadas a partir dos dados coletados e analisados;

4 que se desenvolva uma colaboração mútua e genuína entre as diversas organizações internas das empresas (marketing, vendas, atendimento ao cliente, TI, finanças, produtos e serviços, etc)

Estamos falando, portanto, de um novo CMO.

Um CMO que passa a se preocupar tremendamente com a instrumentalização da organização, para capturar e organizar todos os pontos de contato dos clientes com a empresa. Um CMO obcecado em encontrar meios de juntar tudo isso, analisar os dados e construir "insights", pensar sistemicamente, pensar tecnologicamente, negociador, de se articular com o restante da empresa para apresentar respostas adequadas aos clientes e responder as tendências de mercado, capturando oportunidades de mercado que ainda não são claras ou visíveis para a maioria da sociedade.

Estamos falando de um CMO diferente, com uma nova agenda, com outras preocupações e prioridades em relação a um passado recente. Tal mudança tem impacto direto nas verbas de marketing, especialmente de propaganda, que começam a migrar para outras atividades e missões dentro da empresa, que muitas vezes parecem não ter vínculo direto com marketing. Estou falando, por exemplo, de migração de verba para comunicação interna com os funcionários, para o  desenvolvimento e implementação de ferramentas para  atendimento aos clientes, etc. Isso, de alguma forma, dilui o dinheiro originalmente destinado para pura propaganda.

Este é um movimento migratório evidente, ainda na fase inicial, mas inevitável. Os CMOs estão tendo que fazer mais com menos, ninguém tem dúvida disso. Mais do que o dinheiro em si, a questão é se os CMOs reconhecem esse novo cenário, se eles se sentem capazes para assumir essa missão, de abocanhar novas responsabilidades e desafios que parecem incompatíveis com as suas competências, de buscar maior capacidade na articulação interna dentro da empresa e de liderar a transformação do marketing que tanto as empresas e os clientes precisam.

E aí? Vai encarar?

Texto publicado no blog Ponto de Vista do Meio&Mensagem

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Histórias de Chefes Mala


Tenho muitos anos anos no mercado de trabalho, obviamente que sempre me reportando a um chefe. De uns tempos pra cá, com o advento das organizações matriciais, tenho sempre mais de um chefe simultaneamente. Ao longo do tempo eu tive chefe de todo jeito, longe e perto, gordo e magro, chato e legal, presente e ausente, preocupado e despreocupado, tenso e relaxado, e por aí vai. Graças a Deus eu tive um número bem maior de chefes competentes e generosos (em compartilhar conhecimento e dar conselhos). Não foi por acaso que consegui evoluir e crescer na carreira. O grande dilema é que os chefes mala, apesar de serem um número pequeno, foram marcantes e jogaram muitas pedras no meu caminho. Ao olhar pelo retrovisor, é interessante constatar que alguns chefes mala foram importantes para a minha formação, fizeram diferença, apesar de eu querer ter tentado enforca-los naquela época.

No início da minha vida eu tive um chefe muito centralizador, controlador mesmo, tudo tinha que passar por ele. Aquilo me incomodava profundamente, demonstrava falta de confiança na equipe, mas depois entendi como a cabeça dele funcionava. O ponto a favor dele é que ele conhecia profundamente o ofício, adorava conversar e dar seus pontos de vista, com isso tínhamos horas e hora de sermão falando como as coisas deveriam ser feitas.

Anos mais tarde ganhei um dos chefes mais complicados da minha vida profissional. Eu sempre fui honesto e muito transparente com meus chefes, é um relação sem segredos ou pegadinhas, e isso me trouxe problemas por diversas vezes. Vou dar alguns exemplos para ilustrar melhor:
-- Chefe, eu não vou conseguir entregar o trabalho neste prazo porque a equipe está sobrecarregada e o projeto é muito complexo.
Ele responde:
-- Mauro, você está me dizendo que não está conseguindo comandar a sua equipe e por isso não vai entregar o projeto no prazo que estou pedindo?
-- Não, não, o que estou dizendo é que estão todos muito atarefados e que o trabalho é complexo.
-- Então você está dizendo que não tem capacidade para entender o trabalho a ser feito porque parece muito complexo para você?

Não vou seguir com o exemplo, mas as conversas com ele seguiam essa linha e eram intermináááááveis, sofridas, looongas, com jogo de palavras de ambos os lados. Coincidência ou não, ele me levava ao limite e foram dois anos onde alcancei espetaculares resultados de performance. Na minha fase na área de vendas foi quando alcancei os melhores números. 

Tive um chefe que falava assim: "Você tem um problema". Ou seja, o problema nunca era "nosso", era só meu, ele fazia questão de deixar isso bem claro. Em compensação, quando alguma conquista acontecia, o sucesso era "nosso" :)

Certa vez tive um chefe apaixonado por powerpoint. Tudo merecia uma apresentação, especialmente para o chefe dele. Haviam momentos que ele ficava discutindo a tonalidade do azul do texto, a cor do fundo do slide e até pedia versões alternativas para ele escolher. Lembro de várias vezes onde abandonávamos a discussão do conteúdo para falarmos longamente sobre o formato. Aquilo era uma tortura para mim pois eu sempre negligenciava o formato. Mas com ele aprendi, a duras penas, como preparar uma apresentação mais impactante e objetiva, sucinta quando necessária, especialmente quando tínhamos pouco tempo para sensibilizar alguém sobre um projeto ou uma tomada de decisão crítica. Foi duro, mas valeu.   

Tive um chefe que fumava charuto... no meio do expediente. Ele era muito desorganizado, mas um gênio em criar cenários e pensar no futuro. Quando ele acendia o charuto, eu já podia contar que ia ficar com ele, pelo menos, duas horas. Ele divagava muito. Como qualquer pensador e sonhador, ele era pouco objetivo, mas profundamente inteligente e me levava sempre a repensar as coisas. Por ser bagunçado, era comum ver a mesa dele com dezenas de papéis empilhados e jogados sobre a mesa. Uma vez o charuto rolou entre os papéis e ele não viu... e a papelada começou a pegar fogo. Os sprinklers funcionaram e o prédio foi evacuado. Nada de grave aconteceu, mas naquele dia ele foi proibido de continuar fumando seus charutos, até porque os vizinhos de sala já não o aguentavam. Ele não era exatamente um chato, mas era difícil manter as coisas organizadas e fazer os projetos acontecerem no prazo, ele sempre pensava em mudar algo.

Felizmente essas histórias de chefes mala são poucas. Me atrevo a dizer que elas foram importantes porque me ensinaram "como fazer" e, principalmente, "como não fazer". Aprendi que devo agir com meus subordinados, e toda equipe, da mesma forma que eu gostaria que agissem comigo.

Uma vez, quando mudei de área, eu ganhei um livro chamado "Chefes Incríveis" de um dos integrantes da antiga equipe. Fiquei encucado pois sei que, como líder e chefe de equipes, sempre tenho muito o que aprender e desenvolver. Portanto, fui preparado para encarar a dedicatória, mas lá estava a frase mágica, escrita a mão, que massageou meu ego: "Chefes incríveis, como você".

Cada pessoa tem necessidades específicas, mas compartilho aqui uma confidência. Quando fui nomeado gerente pela primeira vez, em dezembro de 1990, eu não tive tempo de fazer cursos preparatórios. O processo de promoção foi muito rápido e eu tinha que mudar de cidade com família e papagaio, tudo corrido e muito louco. Pensei: "Como posso me transformar em um gerente de pessoas em menos de 30 dias?". Uma das decisões mais acertadas que tomei foi conversar com o máximo de gerentes possível. Foram reuniões pessoais e por telefone, sempre perguntando duas coisas: "O que você fez no seu primeiro ano como gerente e que faria diferente se tivesse a chance de começar de novo? Qual é o conselho mais importante que você pode dar para um gerente novato como eu?". Recebi conselhos valiosos.

A segunda ação foi a sorte de encontrar um livro mágico, que está esgotado nas lojas, infelizmente, mas todos os gerentes deveriam ler. Ainda é possível encontrar tal livro nos sebos. Chama-se "Sucesso com as Pessoas: A Teoria Z das Relações Humanas para o Aproveitamento Mútuo", em português. Em inglês o título é: "Success with People: The Theory Z Approach to Mutual Achievement". O autor é Willard I. Zangwill, Professor de Ciência de Administração da Universidade de Chicago, USA. Ele ensina, através de conselhos legais e casos práticos, que o sucesso do gerente depende de uma única coisa: o sucesso do funcionário. Cuide de fazer o seu time funcionar e todo o resto vai funcionar para você. O livro ensina como fazer isso.

Enfim, lembranças de outros tempos.


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domingo, 13 de outubro de 2013

Vivemos a maior transformação social da história da humanidade



Veja as duas fotos acima.

As duas fotos foram concebidas na Praça São Pedro, em Roma.

A primeira foto é de 2005, quando da passagem do corpo do Papa João Paulo II.
A segunda foto é de 2013, no anúncio do Papa Francisco. ,

Olhe bem a segunda foto. A primeira vista são FOTÓGRAFOS, simples pessoas tirando fotos.

Será que as pessoas vão guardar as fotos somente para elas? Provavelmente não. A grande maioria vai enviar de alguma forma as fotos para amigos e amigas, e postar nas redes sociais.

Nesse momento ele se tornarão COMUNICADORES.

No entanto, ainda considerando a maioria das pessoas, elas vão escrever um pequeno texto descrevendo o que estão vendo, sentindo, comentando o ambiente ao redor e falando a respeito das pessoas ao seu lado. E vão publicar nas redes sociais.

Nesse instante, eles serão JORNALISTAS.... TESTEMUNHAS da história.

Muitos vão descrever sentimentos e o momento único que estão vivendo. Vão citar percepções pessoais, valores sentimentais e até algumas confidências. E colocar tudo... nas redes sociais.  

Nesse momento, eles serão CONFIDENTES.

Todo o conteúdo postado será disponibilizado nas redes sociais, algumas plenamente públicas como o twitter, outras mais fechadas, como o facebook, porém todas de alcance global, sendo compartilhadas por milhões de pessoas, ultrapassando as barreiras geográficas, culturais e econômicas.

Nesse instante, eles serão verdadeiramente CIDADÃOS DO MUNDO.

As mensagens impactarão corações e mentes. Pessoas vão querer conhecer mais sobre o que está se passando naquele momento na Praça São Pedro, em Roma. Outros reavaliarão seus conceitos com o anúncio do novo papa e as mudanças em andamento na religião.

Nesse momento eles serão AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO... do mundo.

Que bom viver no mundo atual. Estamos diante da maior transformação (ou evolução) social da história da humanidade. Entender e viver isso depende de cada um de nós.

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domingo, 6 de outubro de 2013

As 3 formas dos CEOs participarem das redes sociais e seus benefícios


O estudo "The Social CEO: Executives Tell All", publicado em 2012 pela Weber Shandwick, é o melhor estudo que já vi sobre a presença dos CEOs nas mídias sociais. A pesquisa foi feita com 630 profissionais (de gerentes a VPs, com exceção dos próprios CEOs) sobre a participação dos CEOs no mundo digital social.

Estudos anteriores identificaram que os líderes empresariais têm pouca presença nas redes sociais
, por diversos motivos. Os impactos dessa ausência são grandes e o novo estudo da Weber Shandwick dá novos elementos para análise desse ambiente.

O estudo revela 9 "insights" da sociabilidade dos CEOs. Também oferece um bom guia dos 7 principais hábitos dos CEOs altamente sociais. Trata-se de uma inspiração para CEOs que querem partir para ação nas mídias sociais e não sabem como. Foi bom descobrir que, apesar da ausência dos CEOs nas mídias sociais abertas, eles estão bem presentes nas intranets e websites das empresas, embora sejam ambientes mais controlados e limitados.

Existem basicamente 3 formas dos CEOs participarem dos canais digitais sociais:
1- na INTRANET da empresa
2- no WEBSITE da empresa
3- nas MÍDIAS SOCIAIS abertas (como facebook, Twitter, LinkedIn, Pinterest, etc)

A presença do CEO na INTRANET da empresa melhora sensivelmente a REPUTAÇÃO INTERNA no ambiente de trabalho, colaborando para um ambiente mais TRANSPARENTE e com COMUNICAÇÃO mais GENUÍNA.

O CEO ativo no WEBSITE da empresa gera mais CREDIBILIDADE, colaborando para a melhora da REPUTAÇÃO EXTERNA da empresa.

Já o CEO nas MÍDIAS SOCIAIS traz INOVAÇÃO e constrói RELACIONAMENTOS mais GENUÍNOS e DURADOUROS, com seus clientes e sociedade.

Os pesquisados afirmaram que diálogos e comentários de CEOs nas mídias sociais têm mais credibilidade do que comentários dos mesmos CEOs na imprensa ou nos canais oficiais de comunicação da empresa.

A pesquisa indicou os seguintes benefícios (em ordem de prioridade) gerados pela presença do CEO em cada uma das 3 plataformas:

INTRANET DA EMPRESA

1- Boa forma para compartilhar notícias e informação: 90%
2- Bom canal para o CEO se comunicar com os funcionários: 82%
3- Dá uma face humana e personalidade para a empresa: 73%
4- Bom uso do tempo do CEO: 66%
5- Permite os funcionários se comunicarem com o CEO: 57%
6- Faz a empresa um lugar mais atrativo para se trabalhar: 57%

WEBSITE DA EMPRESA
1- Boa forma para compartilhar notícias e informação: 87%
2- Dá uma face humana e personalidade para a empresa: 76%
3- Impacto positivo na reputação da empresa: 67%
4- Bom uso do tempo do CEO: 59%
5- Aumenta a credibilidade da empresa no mercado: 57%

MÍDIAS SOCIAIS
1- Boa forma para compartilhar notícias e informação: 80%
2- Impacto positivo na reputação da empresa: 78%
3- Mostra Inovação: 76%
4- Dá uma face humana e personalidade para a empresa: 75%
5- Boa forma do CEO se comunicar com os funcionários: 75%
6- Ajuda o CEO em criar relacionamentos com a imprensa: 75%
7- Permite os funcionários se comunicarem com o CEO: 73%

O estudo evidenciou um ponto super interessante e que sempre acreditei. Foi bom constatar isso na pesquisa. Todos os benefícios gerados pela presença dos CEOs nas mídias sociais são amplificados quando os CEOs blogam. Atributos como Inovação, Reputação e Construção de Relacionamentos são amplificados quando o CEO é blogueiro.

85% dos pesquisados disseram que CEOs que blogam mostram INOVAÇÃO.

Falar em CEO blogueiro é sempre complicado. A grande maioria não contribui para blogs por diversas razões. Pesquisa da CEO.com no ano passado mostrou que 70% dos CEOs não têm rastro nas redes sociais. Apenas 6 CEOs das 500 Top Companies da Fortune contribuem para blogs, ou seja, um índice de apenas 1%. O mesmo estudo publicado em 2013 mostrou pouca evolução.

Existem razões evidentes para os executivos não blogarem. Um dos posts mais acessados que já escrevi chamado "10 motivos por que os executivos não blogam" aborda essa questão. Mas, no fundo, lá no fundo mesmo, os executivos pensam que eles têm coisas mais importantes para fazer do que estar pendurado nas redes sociais. Em suas mentes existe uma sensação de perda de tempo quando se fala em redes sociais.

O recente estudo da CEO.com mostra que o Twitter e o LinkedIn emergem como os principais canais de mídia social que os líderes empresariais estão adotando. Mesmo assim, quando analisamos o presença dos CEOs da Top 500 da Fortune no Twitter, muito deles estão presentes, mas com pouca atividade. Muitos estão... mas não estão. Enfim, esse é um caminho de aprendizado.

O fato é que já existe uma consciência (não dos CEOs ainda, talvez) das organizações que a presença de seus CEOs nas mídias sociais é relevante não só para a construção de um ambiente de trabalho mais transparente e sadio, mas também para melhorar a reputação e credibilidiade da empresa perante seus clientes e sociedade. CEO blogueiro ajuda a reputação e os negócios da empresa. Só falta agora os CEOs abrirem os olhos e abrir um tempinho na agenda.

Vale a pena ver outros índices da pesquisa da Weber Shandwick. Imprime o documento e embrulha para presente para o seu CEO.


 

Texto publicado no blog Ponto de Vista do Meio&Mensagem.


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domingo, 29 de setembro de 2013

Meus Segredos de Blogueiro

Tem duas coisas a respeito do meu blog que me incomodam. A primeira é quando me perguntam quantos estagiários me ajudam com o blog. Não sei o motivo, mas algumas pessoas pensam que eu tenho estagiários que me ajudam ou trabalham no meu blog. A segunda é quando dizem que eu devo ter tempo sobrando para "brincar" nas mídias sociais, especialmente no blog.


Depois de cinco anos de vida do blog, eu encaro essas insinuações numa boa, mas tais perguntas são um tremendo equívoco. Normalmente elas vêm de pessoas que não entendem a relevância das mídias sociais e não as colocam como prioridade em seu dia a dia. Eu entendo isso. Todo ser humano tem as mesmas 24 horas do dia. O que vai fazer com elas é decisão sua, você decide o que deseja a cada minuto. Como profissional de marketing e comunicação que sou, eu decidi investir tempo para entender, estudar e usar intensamente as mídias sociais, pois elas estão causando grandes transformações na área em que atuo.   

O blog foi integralmente montado por mim. Todos os posts foram e continuam sendo escritos pelo autor. Eu manuseio a ferramenta diretamente. Há cinco anos eu escolhi a plataforma blogspot pela facilidade de uso, e continuo nela até hoje. No início eu encarei essa atividade de mexer com a ferramenta como uma jornada de aprendizado que todo profissional de comunicação deveria ter. O passar do tempo me fez ficar viciado com o blog, muitas das razões eu já citei em posts anteriores. 

Eu escrevo muito... porque leio muito. Eu sou um devorador de revistas, jornais e tudo que chega nas minhas mãos. Leio até bula de remédio. Não tenho restrição. Estou sempre conectado às mídias sociais, pode ser pelo celular, tablet e notebook. Acesso às mídias dentro dos elevadores, almoçando e andando por qualquer lugar.

Quando leio algo que acho interessante, anoto no primeiro lugar que encontro, muitas vezes são guardanapos, verso de canhotos de cartão de crédito ou capas de revistas. Muitas vezes o roteiro de um novo post já vem todo na minha cabeça. Aí não tem jeito, tenho que rascunhá-lo naquele momento para não perder o impulso, muitas vezes isso leva poucos minutos.  Sou campeão de escrever posts nos aeroportos e dentro do avião, são momentos onde estou "sozinho" (este post que está lendo foi gerado dentro de um vôo). Já escrevi muitos posts em páginas de revistas de bordo. A ideia vem na cabeça e eu tenho que registrar para não esquecer.

Tenho dezenas de posts semi rascunhados que não vingaram. Eram boas ideias, mas perderam o "timing" ou faltaram elaboração. Outros eu joguei fora pois achei sem graça quando lidos tempos depois.

Descobri que as pessoas gostam de ouvir a minha opinião. Mais do que relatar as coisas, eu constatei que as pessoas apreciam que eu comente e apresente a minha visão sobre qualquer assunto. Isso é legal e me dá liberdade para ser genuíno no que escrevo.  

Pessoas me contam que acham incrível como eu estou sempre conectado e postando nas redes. Algumas dizem que estou sempre 24 horas no ar. Isso não é verdade. Aqui tem uma pegadinha. Eu uso uma ferramenta fantástica chamada Hootsuite. Ela permite que eu programe meus posts no Facebook, no Twitter, no LinkedIn e no Google+. A ferramenta coloca uma espécie de cockpit na minha tela, onde olho as minhas publicações nessas redes, os feeds de notícias, as menções ao meu nome e tudo mais que eu precisar. E o melhor de tudo, tenho essa ferramenta no meu notebook, tablet e celular. O segredo é que gasto um tempo no final de semana lendo o que guardei ao longo da semana anterior e, usando o Hootsuite, programo posts nas diversas redes sociais em dias e horários diversos ao longo da semana entrante, com isso a minha presença nas redes se espalha e eu pareço estar online publicando coisas ao longo de todos os dias. Não só sou eu que faço isso, eu conheço um monte de gente que faz a mesma coisa. Enfim, esse é uma espécie de segredo.       

Em alguns momentos, quando tive uns textos mais difíceis ou polêmicos, eu pedi ajuda e opinião para amigas confidentes. Obrigado a Flavia, Chris, Camila e Vanessa. Elas me ajudaram a encontrar a sintonia fina em alguns posts.

Mais do que a atividade de blogar, a satisfação vem da capacidade de descobrir e acompanhar outros blogueiros. Acompanho muitos deles, que são ricos em seus pensamentos, análises, críticas e propostas. Alguns são acadêmicos, outros estudantes, tem jornalistas, executivos, empreendedores e curiosos. Quase sempre não penso nisso, até porque não julgo importante. Meu foco é sempre o conteúdo. Me atrevo a dizer que, em muitas ocasiões, eu aprendo mais com blogueiros do que com livros e eventos, pois eles trazem experiências ricas e pontos de vista únicos. Tenho acesso a informações exclusivas e de bastidores. Confiança e credibilidade, conquistadas ao longo do tempo, permitem que certas confidências sejam trocadas com pessoas que não conheço pessoalmente, apenas virtualmente no mundo da blogosfera.


Enfim, segredos de blogueiro...




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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Eu trabalho melhor quando tenho um tubarão atrás de mim


Eu raramente publico histórias aleatórias que recebo da internet neste blog, mas esta aqui é muito boa e bem conectada com o mundo do trabalho em que vivemos. Leia a história e tire as suas próprias conclusões. O autor é desconhecido.

Os japoneses sempre adoraram peixe fresco. Porém, as águas do mar perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar a sua população, os japoneses aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe da costa. Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais que alguns dias, o peixe já não era mais fresco. E os japoneses não gostaram do gosto destes peixes.

Para resolver este problema, as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto mar. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto mar por muito mais tempo. Os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe congelado e, é claro, eles não gostaram do peixe congelado. Entretanto o peixe congelado tornou os preços mais baixos.

Então, as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar os peixes nos tanques como "sardinhas". Depois de certo tempo, pela falta de espaço, eles paravam de se debater e não se moviam mais. Eles chegavam vivos, porém cansados e abatidos. Infelizmente os japoneses ainda podiam notar a diferença do gosto. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor. Os japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático.

Como os japoneses resolveram esse problema?
Como eles conseguiram trazer ao Japão peixes com gosto de puro frescor?

Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas ainda colocam os peixes dentro de tanques, nos barcos. Mas, eles também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega "muito vivo" e fresco no desembarque. Tudo porque os peixes são desafiados, lá nos tanques.

A histórica acima é uma bela metáfora do mundo do trabalho. Inconscientemente nós procuramos trabalhar em ambientes seguros, nos aproximamos de pessoas que pensam igual a nós, sempre com o objetivo de enfrentarmos o mínimo possível de contradições e desconforto. Procuramos sempre nossa zona do conforto. Esse comportamento nos transforma em "peixes preguiçosos". Queremos distância dos "tubarões" que pensam diferente da gente, que nos desafiam e que nos tiram da zona de conforto. Tubarões geram inquietude, desconfiança e ansiedade. Porém, são os tubarões que geram o ambiente de desafio constante, de desconforto contínuo, que faz a organização se desenvolver. A única maneira para crescer sempre é fazer aquilo que "você não sabe fazer".

Portanto, como norma de vida, tenha um tubarão no tanque junto com você.


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domingo, 15 de setembro de 2013

Pesquisa: O Marketing, a Privacidade e os Jovens na era do BIG DATA e das REDES SOCIAIS


Recentemente publiquei um post comentando sobre a relação da geração Y com as marcas. O estudo da Pew Internet chamado "Teens, Social Media, and Privacy" coloca mais molho nessa discussão e traz um tema carregado de controvérsia que é o conceito de privacidade que as gerações têm com as redes sociais.

Por que isso se relaciona com as marcas?
A resposta é simples. Vivemos a era do BIG DATA e as marcas começam a descobrir a riqueza dos dados e informações que os consumidores deixam registrados pela redes. Existe um tesouro escondido dentro das redes sociais sobre o que os consumidores gostam, querem e aspiram. Saber garimpar e trabalhar com esses rastros deixados espontaneamente pelas pessoas pode trazer informações valiosas para as empresas, não apenas para seus atuais clientes, mas também para a identificação de potenciais novos clientes. É aí que entramos num ponto sensível: a privacidade. Você se sentiria invadido se uma empresa conseguisse mapear as suas informações deixadas nas redes sociais para conhecer você melhor e, eventualmente, até tentasse uma abordagem de relacionamento com você?

O estudo da Pew Internet, feita em parceria com a Universidade de Harvard, entrevistou 802 adolescentes (de 12 a 17 anos) e 802 pais de adolescentes nos EUA. Vasculhar o material é muito interessante pois traz dados valiosos e responde curiosidades, como o número médio de amigos que os jovens têm no facebook e a média de seguidores no twitter.   

Um conclusão surpreendente é que os adolescentes se mostram preocupados com a sua privacidade.  Isso vai contra a crendice de que a juventude é aberta e "facinha". Os jovens concordam que compartilham muita informação sobre eles próprios, mas eles também afirmam que procuram saber, por diversas formas, como controlar e gerenciar o que publicam.

81% dos pais disseram estar preocupados com o que as empresas podem aprender a partir do comportamento e hábitos online de seus filhos.

72% dos pais se preocupam com o fato dos filhos estarem interagindo com pessoas que eles não conhecem.

69% dos pais estão atentos à reputação online de seus filhos.

Por outro lado, a pesquisa concluiu que apenas 9% dos adolescentes se mostram muito preocupados com as empresas e os marqueteiros acessarem suas informações.

Comparando os resultados da mesma pesquisa feita em 2006 versus esta última pesquisa, fica evidente que os jovens estão compartilhando muito mais informação pessoal do que antes.
Os adolescentes estão postando mais fotos de si mesmos e informações importantes na rede.
53% postaram o seu endereço de email.
20% postaram o número do celular.

Apesar dessa aparente transparência exagerada, 70% dos jovens pesquisados já ofereceram conselhos sobre a forma de gerir sua privacidade online. A maioria dos jovens alega que sabem usar as configurações de privacidade do facebook.

Nessa questão de aconselhamento, pais e amigos aparecem quase com o mesmo peso.
42% dos adolescentes pesquisados pediram conselho para um amigo ou colega sobre privacidade nas redes, e 41% pediram a mesma ajuda aos pais.
 
Uma pesquisa recente da Cisco confirma a "despreocupação" dos jovens com as empresas coletarem suas informações pessoais. Aliás, esta pesquisa vai mais longe, pois afirma que os consumidores, independentemente da idade, não têm receio de compartilhar suas informações quando se trata de compras na web. Mundialmente, quase metade (49%) dos consumidores pesquisados dizem não existir problema com o fato das empresas coletarem informações pessoais quando fazem compras online, em troca de recomendações e serviços mais personalizados. O percentual no Brasil chega a 60% (Fonte: Converge.com).

Em resumo, a pesquisa da Pew Internet aponta que:

1 Não é verdade aquela história de que os jovens usam as redes sociais com displicência e sem controle. Eles não se sentem assim. Os adolescentes afirmam que estão no controle e que têm consciência do fazem nas redes sociais. 

2  Pais são muito mais preocupados do que os jovens em relação às empresas (e seus marqueteiros) acessarem os dados pessoais para fins de marketing. Os adolescentes não demonstram grande preocupação.

3  Jovens estão compartilhando cada vez mais informações pessoais, como fotos, endereços e telefones. Mas dizem que têm consciência do que estão fazendo.

4  Jovens não se sentem inibidos para pedir conselhos para amigos e pais de como gerir sua privacidade.

A questão dos rastros pessoais deixados na web vai além da questão da privacidade e do uso de tais informações pelas empresas. Tem muito mais coisas aí. Não acho que vamos chegar no ponto do que foi dito pela Cora Ronai em sua coluna no O Globo recentemente, quando ela disse que "um dia, todos os pais e mães terão uma conversa muito séria com os filhos a respeito da vida online. Essa conversa ainda é mais importante do aquela clássica conversa sobre sexo da qual todos querem da qual todos querem fugir". Tenho dúvidas em relação a esta afirmação. Mas a real questão é que a internet não esquece. Tudo que você escreve fica ali guardado, de alguma forma. Uma busca na internet sobre alguém pode denunciar seus hábitos, preferências, relacionamentos, insatisfações e, até, aspirações. Deixamos nossos rastros cada vez que acessamos a internet. E, pior, muitas vezes sem a consciência do que estamos fazendo. O futuro de uma pessoa pode ser influenciado pelos rastros que ela deixou na internet ao longo de sua adolescência, tanto para o bem quanto para o mal. Uma bobagem ou um comentário inconsequente, ou até um vídeo despretensioso, pode causar um prejuízo para sua carreira ou pretensões profissionais. A maioria das empresas atualmente já vasculha a vida dos candidatos na web a procura de indícios de suas aptidões, competências e comportamento. Portanto, a discussão da privacidade nas redes sociais vai muito além do próprio conceito pois estamos falando de futuro e consequências.

Texto publicado no blog Ponto de Vista do Meio&Mensagem

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A Primeira Entrevista de Emprego


O garoto entra na sala para sua primeira entrevista de emprego.
Minutos depois entra o entrevistador, um gerente senior, com mais de 20 anos de história naquela empresa.

A entrevista começa.

O gerente pensa:
"Eu devia estar usando uma roupa menos formal. Só estou entrevistando jovens hoje. O que esse garoto vai pensar de mim? Que sou um velho dinossauro, completamente desatualizado e arcaico".

Nesse mesmo momento, o jovem também está pensando:
"Puxa, eu deveria ter sido mais atento com a minha roupa. Estou muito despojado. Esse sujeito vai pensar que eu sou desleixado. Eu devia estar usando uma roupa parecida com a dele".

O gerente passa a mão na cabeça, tenta achar algum cabelo. Olha para o adolescente, refletindo:
"Estou ficando careca, com cabelo branco, e o garoto aqui na frente com esse cabelão".

O garoto se preocupa com seu cabelo, sente que o entrevistador olhou para cabeça dele:
"Eu tinha que ter cortado melhor esse cabelo. Estou despenteado. Eu sabia que ele ia estranhar. Por que ele olha tanto para o meu cabelo? Certamente eu não estou agradando".

O gerente fala sobre a história e a cultura da empresa. Ao mesmo tempo que fala, ele também pensa:
"Por que estou falando isso tudo? Acho que esse garoto nem está interessado. Essa juventude quer olhar para o futuro, não para o passado. Eles querem saber da carreira deles, como crescer. Acho que estou perdendo tempo em falar sobre a história da empresa".

O garoto se endireita na cadeira e fica com seus pensamentos:
"Puxa, porque ele pergunta tanto sobre os meus interesses? Eu quero saber mais da empresa. Quero entender se a empresa vale a pena. Queria saber mais da história, porque entendendo a história eu vou saber mais sobre a empresa".

O telefone toca. O gerente olha e não atende. Em segundos o celular dele está tocando. O gerente ri sem graça e desliga o telefone. E pensa: "Eu não vou atender o celular pois vai atrapalhar a entrevista. Eu devia ter desligado o celular".  O garoto olha o gerente preocupado e pensa: "Ele podia ter atendido. E se tocar o meu? Droga, esqueci de tirar o som do celular. Mas não vou fazer isso na frente dele para não parecer que sou distraído". 

O gerente olha o horário em seu relógio de pulso. O garoto em seu celular.

Enquanto o jovem fala, o gerente continua com devaneios em sua mente: "Ele tem um pequeno furo na orelha. Deve usar brinco". E pensa no filho que determinado dia apareceu com a novidade da tatuagem no braço: "Será que meu filho vai usar brinco também?". 

O garoto encara o gerente, no meio de seus pensamentos:
"Por que será que ele me olha tanto? Será que ele viu que tenho um furinho na orelha? Agora já era".

Do lado de fora, a secretária atravessa o corredor olhando para a sala onde ocorre a entrevista, dá um sorriso contido e pensa:
"Eles são muito diferentes. Isso não vai dar certo".

Ao longo da entrevista os dois vão descobrindo que têm mais interesses comuns do que imaginavam. O gerente queria ser mais informal e jovem. Já o garoto queria saber ser mais "corporativo" e velho. Ao longo do tempo eles se admiram. No final da entrevista, apertam as mãos, sorridentes, ambos pensando a mesma coisa: "Este cara é muito legal. Seria bacana trabalhar com ele".

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domingo, 1 de setembro de 2013

Apenas 6% da geração Y acredita na publicidade



O estudo chamado "Millenials as Brand Advocates", da Social Chorus, publicado em julho de 2013, traz informações interessantes a respeito de como a geração Y lida com as marcas e com o marketing das empresas. A pesquisa, que alimentou o estudo, foi feita nos EUA, mas creio que a maioria das conclusões se aplica muito bem ao mercado brasileiro.

Geração Y são todos aqueles nascidos entre 1980 e 2000. Uma parte desse povo já compõe a população ativa economicamente, são consumidores e fazem parte da força de trabalho nas empresas. Nos EUA, são 79 milhões da geração Y versus 48 milhões de geração X (nascidos entre 1965 e 1980).

A conclusão mais impactante do estudo é que os Ys não acreditam em publicidade.
Apenas 6% dos pesquisados disseram acreditar na publicidade online.
Existe uma insatisfação com histórias patrocinadas postadas nas redes sociais.
67% disseram que nunca clicaram numa história patrocinada.

Ironicamente, um estudo recente da Edelman Berland, também realizado junto à Geração Y, apontou que somente 3% acham que a publicidade é chata. O mesmo estudo concluiu que 70% dos Ys se sentem responsáveis em publicar feedbacks a respeito de suas experiências com as empresas, sejam positivas ou negativas. Parece que existe um compromisso tácito entre eles de fazer isso.

Em contraponto ao descrédito com a publicidade, o estudo da Social Chorus diz que os Ys confiam no que seus amigos e comunidades falam.
91% dos Ys consideram comprar um produto recomendado por um amigo.
98% deles são mais propensos a se engajar num post de um amigo do que num post de uma marca.

Estamos diante de um novo desafio para o marketing das empresas: buscar métodos para incentivar os Ys a compartilhar suas ações nas redes sociais. Ou seja, falamos de uma espécie de co-marketing entre empresas e jovens. Em vez de marketing para eles, estamos falando de marketing com eles.

As empresas devem investir em plataformas para incentivar que os Ys contem suas experiências com as marcas para seus amigos e comunidades. Essa é uma relação que precisa ser construída de forma genuína, não o tradicional marketing forçado usado por muitas empresas.,Os Ys, de maneira geral, são mais propensos a fornecer suas informações pessoas e preferências do que outras gerações, as empresas devem se aproveitar dessa característica se associando a eles, criando um relacionamento mais aberto e aceitando bem os riscos inerentes a uma convivência mais espontânea e transparente.

A conclusão é que estamos diante de uma transformação profunda do marketing. As marcas já sabem disso, mas não existe uma clareza de como fazer. É evidente a corrida atual das empresas na adoção de uma estratégia diferenciada para lidar com a Geração Y. Quem está no poder são eles, não mais as organizações.


Texto publicado no blog Ponto de Vista na Meio&Mensagem

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