segunda-feira, 25 de julho de 2016

Fui para ser mentor e acabei sendo mentorizado

  
Na noite de 21 de julho, participei do Circuito Startup, no Rio de Janeiro. Basicamente é uma maratona de eventos no formato happy hour onde um monte de gente com ideias e sonhos se juntam: empreendedores, investidores (em startups), desenvolvedores, prestadores de serviço, incubadoras, aceleradoras de negócios, mídia e interessados… todos buscando iniciar e alavancar seus projetos. É um ambiente absolutamente diverso, gente de todo tipo, de todas as idades, com cabeças repletas de ideias, pessoas de diferentes origens, formações, experiências e expectativas… um mosaico incrível e difícil de descrever.
   
Descobri ideias muito doidas, mas outras incríveis. Quer ver algumas?:
– gerador eólico para aeroportos, no qual o vento vem dos próprios aviões nos pousos e decolagens;
– aplicativo, para os amantes de dança, que faz o match de pessoas procurando parceiros para dançar, além do mapeamento de todos os eventos de dança pela cidade;
– um canal no YouTube que é uma espécie de Netflix, com oito gêneros diferentes e com filmes super bem produzidos que contam uma história completa em até cinco minutos.
 
A noite começa com as pessoas fazendo pitches de, no máximo, três minutos. O mediador, às vezes, dá uma colher de chá e deixa o pessoal estourar o tempo. Por outro lado, quando a apresentação está desestruturada e com pouca objetividade, o mediador ajuda. Ali, rolam pessoas apresentando ideias, embrionárias ou já em estágio avançado de execução, prestadores de serviços oferecendo algum serviço diferenciado, entidades de todos os tipos que têm interesse em se juntar ou investir em negócios, enfim, é uma sequência quase aleatória de pessoas falando, contando histórias, sonhos e projetos. Um reality show da diversidade do empreendedorismo no nosso País. Fiquei fascinado com a experiência.
 
Depois da sequência de apresentações, se abrem as sessões de mentorização. Os mentores ficam sentados em mesas, com etiquetas mostrando as suas respectivas áreas de competência, e as pessoas circulam aleatoriamente entre as mesas para conversar sobre suas ideias. As conversas podem durar de um até muitos minutos. Minha área de experiência era marketing, portanto, quando as pessoas sentavam comigo iniciavam com esse foco, mas em pouco tempo estávamos falando sobre tudo: planejamento, estruturação do negócio, busca de investimento, parceiros etc. Esse foi um exercício de ouro para mim.
 
Saí mentalmente esgotado do evento. Adorei a experiência, mas o nível de complexidade das conversas é uma loucura. Você fala com pessoas super bem estruturadas, mas também com pessoas totalmente piradas e com ideias ainda muito vagas, porém, encantadoras. O nível de abstração, às vezes, é louco. Por outro lado, muitas das perguntas que surgem colocam você numa sinuca, porque você não tem ideia da resposta, mas o cara está lá, olhando para você e pedindo uma luz, uma dica ou um insight. Isso mexeu com regiões do meu cérebro que acho que nunca foram tocadas, ainda mais porque apareciam temas sobre os quais eu não tinha nenhum conhecimento.
 
Essa não foi a minha primeira experiência desse tipo. Já participei de várias outras com a mesma pegada e propósito, como hackathons. Ser submetido a esses exercícios é tão legal, tão intenso e tão desafiador, que todo profissional de desenvolvimento de negócios e de marketing deveria se submeter a isso de vez em quando. É um desafio enorme e você sai de lá amassado depois de tantos estímulos inovadores concentrados em poucas horas. É um desenvolvimento mental muito saudável.
 
Foi revigorante ter participado daquela noite (saí de lá depois das 23 horas) numa fase em que a gente só vê notícias ruins no Brasil. Tem muita gente pensando, criando e com ideias incríveis neste País. São essas pessoas que podem ajudar a virar o jogo. Eu fui lá para ser mentor, ajudar as pessoas a estruturarem seus projetos, dar orientação e até colocar mais minhoca na cabeça dos outros. Enfim, fui para mentorizar… mas quem saiu mentorizado fui eu.


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