quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Luiza Trajano aplica um media training invertido no Manhattan Connection


Dias trás bombou nas redes sociais a entrevista que Luiza Trajano deu no Manhattan Connection. O mote principal dos comentários foi a capacidade de argumentação da Luiza perante as garras afiadas do pessoal do programa. Alguns citaram que a entrevistada deixou o ácido Diogo Manardi constrangido, outros afirmaram que Luiza tem ligações com o PT por conta de sua exagerada motivação com os indicadores da economia brasileira e por aí vai. Não tenho interesse em discutir isso aqui, mas sim olhar a entrevista pelo lado do comportamento e da capacidade demonstrada pela Luiza.

Entrevistas para imprensa, especialmente dadas por CEOs, sempre são cercadas de atenção da assessoria e do time de comunicação da empresa do entrevistado. Normalmente merecem cuidados especiais, uma preparação prévia e uma boa dose de planejamento. Isso é natural e faz parte do jogo, até porque uma declaração de um CEO causa impacto no mercado, especialmente se a empresa tem ações no mercado acionário. Por isso as organizações implementam treinamentos de como falar e se relacionar com a imprensa, normalmente chamados de media training.

Alguns CEOs, governantes e personalidades parecem não precisar de media training. Existem pessoas mágicas, detentores de atributos nativos em seu DNA que geram naturalmente credibilidade e admiração. Será que pessoas como Drauzio Varella precisam realmente de algum treinamento? Quando o Dr. Drauzio abre a boca a gente acredita. Steve Jobs e Richard Branson são bons exemplos. No Brasil Jorge Gerdau e Antônio Ermírio de Moraes são exemplos evidentes. Lembro bem do Comandante Rolim numa palestra que assisti, eu fiquei encantado com sua capacidade de comunicação. Acho que a Luiza Trajano entra nessa lista de speakers autênticos e críveis. Veja qualquer entrevista ou apresentação da Luiza. Ela encanta.    

A entrevista da Luiza para o Manhanttan Connection foi interessante. Ela foi simples, clara, didática e factual. Parecia estar conversando numa tarde qualquer, em um lugar qualquer, tomando um cafezinho com bolo de laranja. Soube equilibrar os seus pontos de vista pessoais com a visão da empresária. Teve paciência e tolerância com os entrevistadores, que foram negativos o tempo todo. Não vi nada de positivo na posição e na argumentação deles, na verdade eles tinham uma visão de fim de mundo e vieram armados para colocá-la em sinuca. Diogo Mainardi, como sempre, veio com uma visão catastrófica. Ele não vê salvação para o varejista brasileiro e teve a ousadia de perguntar quando ela pretendia vender a sua empresa para a Amazon. Isso não foi apenas uma indelicadeza, foi uma grosseria. Me parece que este foi o único momento em que Luiza ficou séria, mas ela não caiu na pegadinha dele. Talvez até tenha ficado ansiosa com a grosseria, porém respondeu com fatos e de forma assertiva, tendo ainda presença de espírito para dizer que ia mandar um email para ele pois ele não estava com dados verdadeiros.

Sorriso nos lábios, leveza de expressão e brilho nos olhos. Luiza tem isso em seu DNA, além de profundo conhecimento de seu negócio e do mercado onde atua. Essa é uma combinação infalível para conquistar carisma e credibilidade. Ela não nega que é uma otimista de carteirinha, mas reconhece a enorme distância existente entre os mercados varejistas brasileiro e norte-americano. Também cita alguns enormes desafios que o varejo nacional tem pela frente, como fazer a integração das lojas física e online. Ela disse que o Magazine Luiza é um "case" e que 57% dos consumidores que compram no site da empresa visitam uma loja física.

Quer saber?  Acho que esta entrevista de 16 minutos é um media training invertido. Geralmente são jornalistas que dão treinamento para os empresários nos tradicionais media training corporativos. Aqui rolou o contrário. Foi a Luiza Trajano que deu um media training no grupo de jornalistas experientes e reconhecidos do Manhanttan Connection. Eles entraram com o espírito de "metralhar esta senhora" e receberam em troca uma verdadeira aula de carisma, conhecimento, capacidade de argumentação, simplicidade, domínio do assunto e comunicação direta e assertiva. Foi um show. Acho que eles se surpreenderam e aí está a genialidade da entrevistada: a capacidade de surpreender. Não é por acaso que Luiza Trajano comanda um conglomerado com faturamento próximo aos 10 bilhões de reais.

   
Veja a ENTREVISTA


http://g1.globo.com/globo-news/manhattan-connection/videos/t/todos-os-videos/v/empresaria-fala-sobre-comercio-e-economia-no-brasil/3088745/



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7 comentários:

Andre Conceição disse...

mesmo com os erros de português e gaguejadas, vê-se que é uma pessoa que sabe fazer e entende de negociar, mas quando ela fala da diferença de troca de um produto comparando EUA com Brasil colocando culpa na burocracia em nosso país eu discordo plenamente, a diferença está realmente no respeito ao consumidor e vontade de respeitar seus direitos, e sua empresa também se enquadra nesses quesitos. Quando será que teremos empresas que queiram fazer a diferença?

Cícero Nogueira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cícero Nogueira disse...

Ela se mostrou uma excelente porta-voz, primeiro porque é uma autoridade em seu segmento (varejo), mas também parece ser muito bem treinada e assessorada.
E estes senhores a partir de agora pensarão muito antes de subestimar a capacidade de seus entrevistados.

Mauro Segura disse...

Cicero, concordo integralmente com você. Obrigado por visitar o blog e comentar. Abraços. Mauro.

Fabio. GGO disse...


Olá Mauro, apenas para esclarecer minha opinião informo que assisti a entrevista integralmente, incluindo o Manhattan da semana seguinte, e te digo que os entrevistadores se redimem de algum engano que tenham cometido em praticamente todas as vezes, com isso, acompanhei que na semana seguinte ocorreu um esclarecimento informando que os dados sobre a inadimplência varejista estão presentes em mais de um indicador e estes estavam realmente diferentes, ponto este que é ruim para a clareza dos debates em torno desses cenários que pautam trocas de ideias, que foi o caso.
Essa entrevista e também as demais são claramente trocas de pontos de vista, portanto, não vejo como voce disse que houve uma tendência de confrontar a Luiza por parte dos entrevistadores, mesmo porque esse tipo de conversa parece mesmo mais acirrada em virtude dessa troca de opiniões que leva muitas vezes a busca de informações que não são comentadas sempre ou explícitas para todo tipo de mídia. E claro, além das características pessoais, análises subjetivas e visões raciocinadas de maneiras diversas, assim é evidente que serão expostas visões divergentes, porém para participar desses cenários isso é preciso maior análise, perspicácia e serenidade, afinal são “confrontos” de pensamentos e pontos de vista que muitas vezes não seguem a mesma direção (o que é saudável que aconteça). Enfim, este comentário é para destacar que após repensar sobre como você abordou o tema, digo que o seu texto acabou por ser tendencioso e assim não posso concordar com sua opinião, sem a visão do todo no seu texto eu acreditaria que houve alguém errado, o que não tem nenhum motivo para ser verdade, ainda.
Obrigado pelo espaço e oportunidade.
Fabio.

Luciano Zago disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luciano Zago disse...

Excelente avaliação, Mauro!

Quando assisti à entrevista tive exatamente a mesma impressão: de que "dona" Luiza (como é costumeiramente tratada no dia-a-dia) estava cercada daqueles jornalistas experientes e perversos. Apesar disso, em nenhum momento se abalou, pelo contrário: mostrou serenidade, conhecimento da realidade do mercado e praticamente dominou a situação. Acredito que poucos CEOs - até mesmo outros tão experientes - não teriam saído da "saia justa" em que a colocaram.

Admiro a qualidade e o profissionalismo do jornalismo da rede Globo, mas às vezes cometem alguns exageros e, infelizmente, tendem a apresentar uma visão bem mais negativa do que a realidade.

Grande abraço!

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