terça-feira, 13 de outubro de 2009

A síndrome do elefante indiano

Na Índia, o elefante é um animal sagrado. Muitos deles vivem livres, mas muitos outros são criados em cativeiro. Quando bebê, o elefantinho é amarrado a uma árvore com uma corda forte. Ele tenta de todas as maneiras se livrar da corda, o que é muito natural pois os elefantes são animais para viverem livres. Mas como ele ainda não é tão forte para romper a corda, ele se acostuma a ficar preso e ao longo do tempo desiste de tentar escapar. Inconscientemente, o elefantinho assume que a corda sempre será mais forte do que ele.

O elefante bebê cresce, fica forte e gigantesco, mas nunca mais vai tentar se livrar da corda. Ele pode até ser amarrado a uma árvore pequena, com uma corda fina, porque ele não vai mais tentar sair. A ironia é que o elefante poderia facilmente libertar-se arrancando a árvore ou rompendo a corda, mas sua mente foi condicionada por suas experiências anteriores quando bebê e não faz mais a menor tentativa de se libertar. Ou seja, o gigantesco e poderoso animal limitou sua capacidade de seguir os seus instintos. Os elefantes dos circos passam pela mesma experiência, são domesticados dessa forma e muitas vezes vivem presos com uma simples e frágil corda amarrada em suas pernas.

Essa história é a metáfora do que acontece com as empresas quando resolvem abrir as redes sociais para os empregados. A maior parte das experiências mostra uma inibição inicial e um "vamos esperar para ver o que acontece" dos colaboradores, o que sugere uma espécie de escudo invisível que faz com que eles não participem e não se arrisquem a colaborar e a opinar. Isto acontece repetitivamente em empresas com cultura mais conservadora. Afinal, como fazer os empregados falarem abertamente se eles passaram anos sendo treinados para não falar?

A maioria das empresas sofre desta "síndrome", quebrar esse paradigma é um processo lento, de aprendizado e de transformação cultural. Algumas empresas esperam uma transformação mágica e imediata, e muitas se frustam quando se deparam com essa barreira mental dos empregados.

Enfim, considere a "síndrome do elefante indiano" se estiver planejando projetos de mídias sociais para sua empresa. Libertar os seus empregados da cordinha não será tão fácil quanto você imagina.

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6 comentários:

Giulia disse...

Adorei a analogia, Mauro! Viajando pra um pouco mais longe, é quase como a alegoria do sensacional livro Admirável Mundo Novo, no qual as crianças (sem mães, sem pais) são condicionadas ainda quando bebês a aceitar e adorar a sua casta imposta, e a não ter vontade de mais nada além disso.

Para mim, pior do que o costume de não explorar mídias sociais é justamente essa falta de vontade de utilizá-las. Pessoas que não conseguem enxergar a riqueza de experiências que o mundo 2.0 proporciona, e que nunca vão querer soltar a cordinha...

Acho que a única maneira de driblar essa síndrome é nunca desistir de informar. Martelar na cabeça dos elefantinhos que eles podem se libertar, dar sempre o caminho, mostrar exemplos de outros elefantinhos que já se libertaram e tiveram uma vida bem feliz e bacana...

Acredito muito em dar o exemplo, em contar histórias. Se eu tivesse que apontar uma coisa pela qual todo o mundo se interesse, eu diria que é a vida das outras pessoas.

Às vezes, sinto que é só por esse interesse intrínseco e inegável do ser humano por outro ser humano que a gente consegue disparar nos elefantinhos mais acomodados aquela faísca que dá início a todo o processo. Essa é, afinal, a primeira razão pela qual me formei jornalista: poder contar essas histórias. :)

Porque a luta pelo fim das cordinhas (as muitas cordinhas que nos impedem de abrir a cabeça em muitos sentidos) é essa nossa luta de todos os dias. E é bom demais quando a gente vence uma batalhinha!

Beijos e obrigada pela inspiração.

Ocappuccino disse...

pois e Mauro, o desafio é exatamente esse, fazer a rede social ser realmente socializada para a empresa retirar vantagens dessa interação,

por isso, como qqr outro projeto de comunicação, os projetos que tem como meio a web tb devem ser muito bem planejados, e não serem feitos apenas por fazer, com o motivo de estar no ciberespaço é obrigação ja que a concorrência esta na rede

abraço
Mano Delazeri
www.ocappuccino.com

Mari disse...

Oi Mauro, adorei o artigo! Ainda bem que nós, diferentemente dos animais, podemos mudar nosso comportamento e lutar contra a cordinha sempre que quisermos, não precisamos de um adestrador para isso... a grande questão é ter coragem. Bjos!

Comunidade RP Brasil disse...

Excelente post Mauro!

Cultura Organizacional é ponto chave para auxiliar no sucesso em processos de comunicação.

Abraço!

Danielly.

Zee Lima disse...

Quebrar o vínculo psicossomático é um trabalho mítico! Entretanto extremamente prazeiroso.

Um exemplo de como isso pode ser feito, e as consequências de ser livre em nossa sociedade pode ser visto no filme, Instinto com Anthony Hopkings...

Somente voltando-se para seu interior e buscando seu âmago, é que alguém pode quebrar estes vínculos...

Todos os pensadores e escritores que falaram sobre isso falam a mesma coisa. Seja atravéz do sexo como ato político de Orwell, ou o retorno aos instintos da Ilha do Dr Mureau, ou ainda o despertar do amor profundo e verdadeiro do Blade Runner Deckard pela andróide.

Só assim podemos romper esses grilhões e enfim viver sem culpa de estar vivendo.

Forte Abraço a todos!

Reinaldo Italiano Yocida disse...

Mauro, excelente artigo ! Mudar hábitos e atitudes só pode ser feito por estímulo e exemplo. Infelizmente o ser humano, como todo animal, tende a gravar os extremos das sensações, sejam elas de prazer ou de castigo. Na dúvida, ficam na zona de conforto, sem se expor para não correr riscos.

A forma de mudar é ter pessoas que inspirem e motivem a conhecer o novo, a ter atitudes construtivas, mesmo assumindo alguns riscos.

Seu blog é um desses exemplos. Parabéns pelo que tem escrito e inspirado, principalmente para as gerações anteriores à geração "Y" (seriam da geração "X"?), ou seja, pessoas da nossa geração, que viram a primeira versão do Sítio do Pica Pau Amarelo e Vila Sésamo com Sônia Braga e Armando Bógus.

Pelo menos para mim tem funcionado. Virei fã de seu blog, ainda mais após a postagem do Nacional Kid :-)

Grande abraço, Reinaldo

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