quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Inovação colaborativa nas grandes empresas. É possível?

O post da Eline "Mark Zuckerberg e a capacidade criativa dos jovens nas empresas", publicado no Foco em Gerações, fundiu a minha cuca. Foram tantos "insights" legais que ainda não consegui desenroscar o nó criado na minha cabeça. Não deixe de ler, acesse AQUI.

Mark Zuckerberg é o criador do Facebook. Ele teve a inspiração de criar algo, aos 19 anos de idade, que está mudando a forma como as pessoas se relacionam. Eline assistiu a apresentação dele na FGV e destacou algo dito por ele: "Mark acredita que são as pessoas autônomas, e não aquelas que estão dentro de grandes organizações, as que têm mais condições de desenvolver os aplicativos mais requisitados, exatamente porque não estão com sua criatividade cerceada".

Caramba!! O que Mark disse, em seus 25 anos de idade, é que as empresas limitam a capacidade de cada um de nós de pensar diferente, ou seja, inovar. Isso me deixou encucado, apesar de parecer muito coerente.

Eu vivo no mundo empresarial. Visito empresas, participo de fóruns e leio um monte de "papers" regularmente. Quase sempre a palavra inovação aparece. "Inovação" parece ser a palavra da moda. Todas as empresas falam que procuram pessoas criativas, que fomentam a iniciativa pessoal e que criam um ambiente receptivo a colaboração entre os funcionários. A maioria das empresas diz ter programas de ideias. Então porque o Mark disse aquilo?

Acho que o Mark disse aquilo porque a iniciativa à inovação dentro das empresas não é algo genuíno. É algo controlado, parametrizado e limitado, especialmente nas grandes empresas. A inovação genuína é aquela vem das massas, livre, que vem de improváveis grupos que normalmente as empresas não dão pelota.

Quando pensamos em inovação, quase sempre caímos na armadilha de pensar em "inovação de produtos". Fica mais fácil falarmos de inovação quando pensamos em máquinas, produtos eletrônicos e coisas similares. Logo pensamos em laboratórios de pesquisa e centros de desenvolvimento. Mas a inovação nas empresas pode estar em toda a cadeia. Pode estar na forma como atendemos o cliente, na fatura de cobrança, na forma como nos relacionamos com o fornecedor, em algum processo logístico, enfim, em todos os lugares. Quando pensamos dessa forma, fica fácil ver que a grande capacidade inovadora não está nos laboratórios ou nos centros científicos. Ela está dispersa em todos os cantinhos da empresa, dentro e fora. A inovação está com o Seu Manuel que trabalha no estoque, no Seu João que dirige os caminhões da fábrica, na Dona Lúcia Maria que trabalha no call center ou novata Renata que acabou de entrar para a linha de produção. São estas pessoas que conhecem as falhas nos processos, as oportunidades de melhoria, as demandas e necessidades dos clientes e o potencial de oportunidades que a companhia não vê. São elas que conhecem os sonhos dos clientes. É exatamente aí que o Mark pode estar mirando com sua afirmação.

E tem mais pimenta neste angú. Existe um grande dilema nisso tudo. Chama-se globalização das empresas.
Uma empresa para se tornar global, tem que pensar seus processos e métodos de maneira inovadora. Ou seja, para globalizar tem que inovar. Por outro lado, depois que as empresas começam a se tornar verdadeiramente globais, a busca pela padronização ganha dimensões enormes. Estamos falando de padronização de processos, sistemas, ferramentas de trabalho, metodologias, produção, etc, etc, etc. Todo esse pseudo-engessamento tende a criar fortes armadilhas para a liberdade de trabalho, que considero premissa básica para a criação de um ambiente colaborativo e inovador dentro do escritório, fábrica ou campo. Contratar e manter os talentos dentro desse ambiente torna-se complexo. Enfim, é um enrosco só.

Esse, na minha opinião, é "o desafio" das grandes empresas. Como crescer sem inibir a criatividade, o livre pensamento e a colaboração? Analise você mesmo. Pense em empresas que eram ícones de inovação e que, depois de crescidas, enfrentaram muitas dificuldades para continuar sua jornada de inovação contínua.

Peço perdão se estou generalizando, pois sei que existem empresas que criam ambientes altamente colaborativos, que alavancam e que polinizam a inovação. Eu acho que sou um exemplo disso pois trabalho numa empresa onde a inovação contínua está no DNA da empresa.

Eline termina seu post fazendo algumas perguntas interessantes:
Suas empresas tem jovens de 25 anos criando e sendo reconhecidos por novos produtos ou serviços?
De que forma eles são valorizados pelos gestores mais velhos?
A burocracia organizacional permite a visibilidade destes jovens que fazem a diferença?
Eles percebem esse reconhecimento e entendem a visibilidade que têm?

E aí? Vai arriscar uma resposta?

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7 comentários:

Augusto Pinto disse...

Mauro, esta é a segunda vez que posto um comentário para sua blogada. Na primeira tentativa deu pau.

Seu post expõe o dilema das empresas diante da inovação. A IBM, onde trabalhei por 20 anos, é uma empresa inovadora, mas seu foco é excessivamente na tecnologia. O tema inovação é complexo, pois se inicia com a criatividade, que é individual e difícil de estimular e controlar.

"Inovação está definitivamente na moda. Esse tema freqüenta as reuniões de comitês executivos e a agenda dos business plans anuais. Porém, poucos se dão conta da complexidade do assunto. Inovar custa e tem um risco implícito, mas fugir da inovação pode significar a morte do negócio. A inovação tem vários caminhos e cada um deles tem sua indicação, mais ou menos adequada, conforme o momento do negócio."

Este último parágrafo é o início de um post num blog que oferece consultoria gratuita em gestão de negócios, através de redes sociais (www.bizcookies.wordpress.com.br). Se te interessar dê uma espiada no texto completo, que aprofunda bem mais sobre o tema da inovação nas grandes corporações.

abs

Augusto Pinto

Ernesto disse...

Mauro,
Gostaria de falar com você a respeito de um evento que estou organizando no Brasil com a presenca dos principais estrategistas que criam a campanha do Obama nos EUA.
O evento sera em outubro, fechado para CEOs de grandes empresas e para liderancas politicas.
Se possivel, por favor me envie um email no ernesto@enox.com.br
Att.
Ernesto

Ocappuccino disse...

Mauro, tratou no texto 'inovação' como sendo apenas o resultado de 'criatividade' e é sabemos que é muito mais do que isso, é Pesquisa e Desenvolvimento, aquisição de tecnologia externa e intensificação de tecnologia existente na empresa, bench, educação básica e capacitação do colaborador, ambiente favoravel para investimento privado e estimulos do governo e também claro criatividade. E claro que a empresa censura o pontencial criativo, principalmente de jovens, nas empresas, há burocracia, há o medo de perda de notoriedade.

abraços, mateus

Mauro Segura disse...

Oi, Augusto. Perfeito seu comentário. Já visitei o Business Cookies e já liguei o radar, ou seja, incluí no meu blogroll. Vou ficar em cima. Adorei o OVO AZUL. Abraços e obrigado por visitar meu blog. Abçs. Mauro.

Mauro Segura disse...

É isso mesmo Mateus. Inovação nas empresas é muito mais do que eu escrevi em meu post. Perfeito seu comentário. Meu objetivo no post foi cutucar o tema de colaboração interna nas empresas, que normalmente fica muito mais na retórica do que a prática demonstra. Abraços. Mauro.

Felipe Ziliotti disse...

Mauro, recentemente num programa de rádio acompanhei uma entrevista com a presidenta da UPS Brasil, e um dos temas foi inovação. Ela questionou o comportamento inovativo de grandes corporações e propôs dentro da UPS um novo modelo que incentivasse a inovação e que troxue grandes idéias à UPS uma vez que, aqueles que vivem cada processo, dia a dia estão mais capazes a prover melhores soluções a cada situação. Gostaria de propor aqui, algo contrário ao que você disse, e de acordo com o que Mark disse. Mark, ao falar sobre inovação, não tratava daquela que as grandes empresas procuram como prioritárias. Ele falava da criação de aplicativos novos ao grande palco, a idéias inovadoras a todos. Seu discursso não se dirige ao questionamento do método empresarial, que eu concordo limitar a criatividade. Falo isso por que não acredito que pessoas que não vivam a realidade da empresa, do processo e do método de cada companhia possa criar, inovar e trazer melhorias. Ou seja, discutirmos se são pessoas autonômas aquelas capazes de criar aplicativos inovadores ao grande público é algo coerente, porém dizer que são essas mesmas pessoas que estarão hábeis a inovar dentro das companhias, já não faz sentido, isso por que simplesmente não vivem tal realidade. “A inovação genuína é aquela vem das massas, livre, que vem de improváveis grupos que normalmente as empresas não dão pelota.” Em partes isso é verdade e veja, que se totarmos essa frase na totalidade estamos encarando um problema, qual seja, excluindo os talentos que toda empresa tem. Dei o exemplo da UPS, pois vai de acordo com o que você disse sobre o SeuManuel, é isso mesmo; portanto pra cada empresa, existe uma massa, talentosa exigindo atenção qeu clama timidamente por voz, essa massa é como um baú de tesouros, basta abrir e observar quantas idéias boas pdoemos tirar de lá. A massa livre não significa necessariamente a massa fora da empresa, esse é o ponto que gostaria de questionar, mas sim a que tem liberdade. Portanto dar essa liberdade e tirar todo o medo que os funcionários tem e dar-lhes o reconhecimento necessário é importante e fundamental a empresas que inovam. O Google faz isso, e não é nova essa idéia; acima de tudo, acredito que deveriamos focar na retenção dos talentos e a eles dar essa liberdade para buscar dentro de nossa realidade, como cada cantinho da empresa estaria pensando em melhorar aquilo que hoje é feito.

Verinha disse...

Oi Mauro, eh a Vera, volta e meia leio seu blog, acho ele otimo. Parabens pela empreitada.

Vou dar minha opiniao. Eu acho que o problema cai, nessa sentido de inovacao que vc estah falando (colaboracao interna nas empresas) mais uma vez, na hierarquizacao da corporacao e no papel do gerente/chefe de cada um. Se o cara que estah ali, do seu lado, te liderando no dia a dia, nao se importa com inovacao, soh quer ver resultado e numeros, nao tem jeito, o empregado vai se sentir quase como um "tolo" ou um "bobo" por pensar fora da caixa. "Eh besteira, isso nao importa", podem pensar alguns, mesmo depois de passarem milhoes de horas refletindo sobre como x processo ou y produto poderiam ser aprimorados. Se nao tem apoio, pensar alem pra que? E se o empregado arriscar e mandar a ideia sem ter falado com o gerente, pode ser considerado "by pass"...

Organizacoes sao constituidas de pessoas, e a gente sabe como as pessoas sao desde que mundo eh mundo: existe arrogancia, inveja, medo (do empregado tambem), ignorancia (no sentido de nao querer nem saber), falta de comprometimento, outras prioridades etc etc. Acho que o pulo do gato esta no micro, no dia a dia real, ou seja, na gerencia, que deve estimular a inovacao na rotina diaria. Acho que, mais do que o macro e a corporacao, sao eles que vao fazer a diferenca.

My 2 cents :)

Abraco.

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