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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Luiza Trajano aplica um media training invertido no Manhattan Connection
Dias trás bombou nas redes sociais a entrevista que Luiza Trajano deu no Manhattan Connection. O mote principal dos comentários foi a capacidade de argumentação da Luiza perante as garras afiadas do pessoal do programa. Alguns citaram que a entrevistada deixou o ácido Diogo Manardi constrangido, outros afirmaram que Luiza tem ligações com o PT por conta de sua exagerada motivação com os indicadores da economia brasileira e por aí vai. Não tenho interesse em discutir isso aqui, mas sim olhar a entrevista pelo lado do comportamento e da capacidade demonstrada pela Luiza.
Entrevistas para imprensa, especialmente dadas por CEOs, sempre são cercadas de atenção da assessoria e do time de comunicação da empresa do entrevistado. Normalmente merecem cuidados especiais, uma preparação prévia e uma boa dose de planejamento. Isso é natural e faz parte do jogo, até porque uma declaração de um CEO causa impacto no mercado, especialmente se a empresa tem ações no mercado acionário. Por isso as organizações implementam treinamentos de como falar e se relacionar com a imprensa, normalmente chamados de media training.
Alguns CEOs, governantes e personalidades parecem não precisar de media training. Existem pessoas mágicas, detentores de atributos nativos em seu DNA que geram naturalmente credibilidade e admiração. Será que pessoas como Drauzio Varella precisam realmente de algum treinamento? Quando o Dr. Drauzio abre a boca a gente acredita. Steve Jobs e Richard Branson são bons exemplos. No Brasil Jorge Gerdau e Antônio Ermírio de Moraes são exemplos evidentes. Lembro bem do Comandante Rolim numa palestra que assisti, eu fiquei encantado com sua capacidade de comunicação. Acho que a Luiza Trajano entra nessa lista de speakers autênticos e críveis. Veja qualquer entrevista ou apresentação da Luiza. Ela encanta.
A entrevista da Luiza para o Manhanttan Connection foi interessante. Ela foi simples, clara, didática e factual. Parecia estar conversando numa tarde qualquer, em um lugar qualquer, tomando um cafezinho com bolo de laranja. Soube equilibrar os seus pontos de vista pessoais com a visão da empresária. Teve paciência e tolerância com os entrevistadores, que foram negativos o tempo todo. Não vi nada de positivo na posição e na argumentação deles, na verdade eles tinham uma visão de fim de mundo e vieram armados para colocá-la em sinuca. Diogo Mainardi, como sempre, veio com uma visão catastrófica. Ele não vê salvação para o varejista brasileiro e teve a ousadia de perguntar quando ela pretendia vender a sua empresa para a Amazon. Isso não foi apenas uma indelicadeza, foi uma grosseria. Me parece que este foi o único momento em que Luiza ficou séria, mas ela não caiu na pegadinha dele. Talvez até tenha ficado ansiosa com a grosseria, porém respondeu com fatos e de forma assertiva, tendo ainda presença de espírito para dizer que ia mandar um email para ele pois ele não estava com dados verdadeiros.
Sorriso nos lábios, leveza de expressão e brilho nos olhos. Luiza tem isso em seu DNA, além de profundo conhecimento de seu negócio e do mercado onde atua. Essa é uma combinação infalível para conquistar carisma e credibilidade. Ela não nega que é uma otimista de carteirinha, mas reconhece a enorme distância existente entre os mercados varejistas brasileiro e norte-americano. Também cita alguns enormes desafios que o varejo nacional tem pela frente, como fazer a integração das lojas física e online. Ela disse que o Magazine Luiza é um "case" e que 57% dos consumidores que compram no site da empresa visitam uma loja física.
Quer saber? Acho que esta entrevista de 16 minutos é um media training invertido. Geralmente são jornalistas que dão treinamento para os empresários nos tradicionais media training corporativos. Aqui rolou o contrário. Foi a Luiza Trajano que deu um media training no grupo de jornalistas experientes e reconhecidos do Manhanttan Connection. Eles entraram com o espírito de "metralhar esta senhora" e receberam em troca uma verdadeira aula de carisma, conhecimento, capacidade de argumentação, simplicidade, domínio do assunto e comunicação direta e assertiva. Foi um show. Acho que eles se surpreenderam e aí está a genialidade da entrevistada: a capacidade de surpreender. Não é por acaso que Luiza Trajano comanda um conglomerado com faturamento próximo aos 10 bilhões de reais.
Veja a ENTREVISTA
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domingo, 6 de outubro de 2013
As 3 formas dos CEOs participarem das redes sociais e seus benefícios

O estudo "The Social CEO: Executives Tell All", publicado em 2012 pela Weber Shandwick, é o melhor estudo que já vi sobre a presença dos CEOs nas mídias sociais. A pesquisa foi feita com 630 profissionais (de gerentes a VPs, com exceção dos próprios CEOs) sobre a participação dos CEOs no mundo digital social.
Estudos anteriores identificaram que os líderes empresariais têm pouca presença nas redes sociais, por diversos motivos. Os impactos dessa ausência são grandes e o novo estudo da Weber Shandwick dá novos elementos para análise desse ambiente.
O estudo revela 9 "insights" da sociabilidade dos CEOs. Também oferece um bom guia dos 7 principais hábitos dos CEOs altamente sociais. Trata-se de uma inspiração para CEOs que querem partir para ação nas mídias sociais e não sabem como. Foi bom descobrir que, apesar da ausência dos CEOs nas mídias sociais abertas, eles estão bem presentes nas intranets e websites das empresas, embora sejam ambientes mais controlados e limitados.
Existem basicamente 3 formas dos CEOs participarem dos canais digitais sociais:
1- na INTRANET da empresa
2- no WEBSITE da empresa
3- nas MÍDIAS SOCIAIS abertas (como facebook, Twitter, LinkedIn, Pinterest, etc)
A presença do CEO na INTRANET da empresa melhora sensivelmente a REPUTAÇÃO INTERNA no ambiente de trabalho, colaborando para um ambiente mais TRANSPARENTE e com COMUNICAÇÃO mais GENUÍNA.
O CEO ativo no WEBSITE da empresa gera mais CREDIBILIDADE, colaborando para a melhora da REPUTAÇÃO EXTERNA da empresa.
Já o CEO nas MÍDIAS SOCIAIS traz INOVAÇÃO e constrói RELACIONAMENTOS mais GENUÍNOS e DURADOUROS, com seus clientes e sociedade.
Os pesquisados afirmaram que diálogos e comentários de CEOs nas mídias sociais têm mais credibilidade do que comentários dos mesmos CEOs na imprensa ou nos canais oficiais de comunicação da empresa.
A pesquisa indicou os seguintes benefícios (em ordem de prioridade) gerados pela presença do CEO em cada uma das 3 plataformas:
INTRANET DA EMPRESA
1- Boa forma para compartilhar notícias e informação: 90%
2- Bom canal para o CEO se comunicar com os funcionários: 82%
3- Dá uma face humana e personalidade para a empresa: 73%
4- Bom uso do tempo do CEO: 66%
5- Permite os funcionários se comunicarem com o CEO: 57%
6- Faz a empresa um lugar mais atrativo para se trabalhar: 57%
WEBSITE DA EMPRESA
1- Boa forma para compartilhar notícias e informação: 87%
2- Dá uma face humana e personalidade para a empresa: 76%
3- Impacto positivo na reputação da empresa: 67%
4- Bom uso do tempo do CEO: 59%
5- Aumenta a credibilidade da empresa no mercado: 57%
MÍDIAS SOCIAIS
1- Boa forma para compartilhar notícias e informação: 80%
2- Impacto positivo na reputação da empresa: 78%
3- Mostra Inovação: 76%
4- Dá uma face humana e personalidade para a empresa: 75%
5- Boa forma do CEO se comunicar com os funcionários: 75%
6- Ajuda o CEO em criar relacionamentos com a imprensa: 75%
7- Permite os funcionários se comunicarem com o CEO: 73%
O estudo evidenciou um ponto super interessante e que sempre acreditei. Foi bom constatar isso na pesquisa. Todos os benefícios gerados pela presença dos CEOs nas mídias sociais são amplificados quando os CEOs blogam. Atributos como Inovação, Reputação e Construção de Relacionamentos são amplificados quando o CEO é blogueiro.
85% dos pesquisados disseram que CEOs que blogam mostram INOVAÇÃO.
Falar em CEO blogueiro é sempre complicado. A grande maioria não contribui para blogs por diversas razões. Pesquisa da CEO.com no ano passado mostrou que 70% dos CEOs não têm rastro nas redes sociais. Apenas 6 CEOs das 500 Top Companies da Fortune contribuem para blogs, ou seja, um índice de apenas 1%. O mesmo estudo publicado em 2013 mostrou pouca evolução.
Existem razões evidentes para os executivos não blogarem. Um dos posts mais acessados que já escrevi chamado "10 motivos por que os executivos não blogam" aborda essa questão. Mas, no fundo, lá no fundo mesmo, os executivos pensam que eles têm coisas mais importantes para fazer do que estar pendurado nas redes sociais. Em suas mentes existe uma sensação de perda de tempo quando se fala em redes sociais.
O recente estudo da CEO.com mostra que o Twitter e o LinkedIn emergem como os principais canais de mídia social que os líderes empresariais estão adotando. Mesmo assim, quando analisamos o presença dos CEOs da Top 500 da Fortune no Twitter, muito deles estão presentes, mas com pouca atividade. Muitos estão... mas não estão. Enfim, esse é um caminho de aprendizado.
O fato é que já existe uma consciência (não dos CEOs ainda, talvez) das organizações que a presença de seus CEOs nas mídias sociais é relevante não só para a construção de um ambiente de trabalho mais transparente e sadio, mas também para melhorar a reputação e credibilidiade da empresa perante seus clientes e sociedade. CEO blogueiro ajuda a reputação e os negócios da empresa. Só falta agora os CEOs abrirem os olhos e abrir um tempinho na agenda.
Vale a pena ver outros índices da pesquisa da Weber Shandwick. Imprime o documento e embrulha para presente para o seu CEO.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012
O executivo quer um blog? Convide-o para uma degustação
Certa vez, num encontro inesperado no aeroporto, eu me deparei com um colega que eu não via há muito tempo. Fiquei feliz ao saber que ele acessava o meu blog de vez em quando para conhecer minhas histórias. Perguntei qual era o interesse e ele me surpreendeu ao dizer que estava pensando em ter um blog próprio.
Como executivo de empresa, ele enxergava naquilo uma forma de se aproximar dos funcionários e se tornar um executivo mais de vanguarda. Daí fiz a pergunta que sempre faço: "qual é a sua experiência anterior com mídias sociais?" A resposta veio rápida e certeira: "nenhuma". Na verdade ele tinha uma conta pouca acessada no LinkedIn. Coloquei a mão em cima de seu ombro, resgatando a velha intimidade de antigamente e falei: "por que você não abre uma conta no Twitter e no Facebook antes de tentar um blog? Brinca com isso e veja se gosta". Ele riu, mas entendeu o recado.
Passaram meses antes de encontrá-lo novamente no aeroporto, de forma casual mais uma vez, na fila do café. Ele me falou que tinha aberto uma conta no Twitter e outra conta no Facebook. Disse que não curtiu o Twitter e raramente acessava o programa. Afirmou que teve grande dificuldade para pensar no que postar e mais ainda em definir um propósito para gastar tempo em escrever num lugar onde ninguém poderia ter interesse. Já o Facebook ele gostou porque conseguiu acompanhar os filhos e alguns parentes que já se aventuravam por ali, mas me confidenciou que raramente escrevia posts, dava alguns "curtir" e que somente acessava tal rede social em momentos de total falta do que fazer. Ou seja, não existia nele a vontade e a necessidade de se conectar ao longo do dia. Por fim a pergunta fatal: "e o blog?" A resposta veio nua e crua: "Desisti. Descobri que não gosto disso, não vou dar atenção e dar prioridade. É melhor esperar um pouco mais".
Casos como esse não são raros. Conheço vários colegas de marketing e comunicação que passam pela mesma experiência. Infelizmente alguns colegas, por ansiedade e pressão, tentam forçar executivos a constituírem blogs e outras iniciativas de mídias sociais sem a devida fase de experimentação, tão necessária para assimilação e aprendizado.
Se você é profissional de marketing e comunicação, e o seu executivo chegar com esse papo de fazer um blog porque acha que é legal, convide-o antes para uma fase de degustação. Peça para ele escolher uma ou duas mídias e brincar: pode ser LinkedIn, Facebook, Twitter, Instagram ou Pinterest. Qualquer um serve. Não tem como criar relevância nas mídias sociais sem antes passar pela fase inicial de presença e experimentação. Ele precisa sentir na pele que as mídias sociais exigem planejamento, dedicação, propósito, vontade e perseverança. Oferecer esse período de experimentação permitirá que ele desista no meio do caminho se sentir que "isso não é para ele".
Enfim, não deixe o seu executivo tratar as mídias sociais como uma simples aventura.
Como executivo de empresa, ele enxergava naquilo uma forma de se aproximar dos funcionários e se tornar um executivo mais de vanguarda. Daí fiz a pergunta que sempre faço: "qual é a sua experiência anterior com mídias sociais?" A resposta veio rápida e certeira: "nenhuma". Na verdade ele tinha uma conta pouca acessada no LinkedIn. Coloquei a mão em cima de seu ombro, resgatando a velha intimidade de antigamente e falei: "por que você não abre uma conta no Twitter e no Facebook antes de tentar um blog? Brinca com isso e veja se gosta". Ele riu, mas entendeu o recado.
Passaram meses antes de encontrá-lo novamente no aeroporto, de forma casual mais uma vez, na fila do café. Ele me falou que tinha aberto uma conta no Twitter e outra conta no Facebook. Disse que não curtiu o Twitter e raramente acessava o programa. Afirmou que teve grande dificuldade para pensar no que postar e mais ainda em definir um propósito para gastar tempo em escrever num lugar onde ninguém poderia ter interesse. Já o Facebook ele gostou porque conseguiu acompanhar os filhos e alguns parentes que já se aventuravam por ali, mas me confidenciou que raramente escrevia posts, dava alguns "curtir" e que somente acessava tal rede social em momentos de total falta do que fazer. Ou seja, não existia nele a vontade e a necessidade de se conectar ao longo do dia. Por fim a pergunta fatal: "e o blog?" A resposta veio nua e crua: "Desisti. Descobri que não gosto disso, não vou dar atenção e dar prioridade. É melhor esperar um pouco mais".
Casos como esse não são raros. Conheço vários colegas de marketing e comunicação que passam pela mesma experiência. Infelizmente alguns colegas, por ansiedade e pressão, tentam forçar executivos a constituírem blogs e outras iniciativas de mídias sociais sem a devida fase de experimentação, tão necessária para assimilação e aprendizado.
Se você é profissional de marketing e comunicação, e o seu executivo chegar com esse papo de fazer um blog porque acha que é legal, convide-o antes para uma fase de degustação. Peça para ele escolher uma ou duas mídias e brincar: pode ser LinkedIn, Facebook, Twitter, Instagram ou Pinterest. Qualquer um serve. Não tem como criar relevância nas mídias sociais sem antes passar pela fase inicial de presença e experimentação. Ele precisa sentir na pele que as mídias sociais exigem planejamento, dedicação, propósito, vontade e perseverança. Oferecer esse período de experimentação permitirá que ele desista no meio do caminho se sentir que "isso não é para ele".
Enfim, não deixe o seu executivo tratar as mídias sociais como uma simples aventura.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Os executivos não veem valor nas redes sociais
Aqui vai uma pequena entrevista de 3 minutos que dei no intervalo do Digital Age onde apresentei o tema "Por que os CEOs têm que estar nas redes sociais".
A pergunta base foi: por que os executivos não estão nas redes sociais? A resposta é simples: eles não veem valor em tais redes. Mas logo logo isso vai mudar, assim que a nova geração começar a ocupar posições de liderança nas empresas. Aliás, isso já está acontecendo.
A pergunta base foi: por que os executivos não estão nas redes sociais? A resposta é simples: eles não veem valor em tais redes. Mas logo logo isso vai mudar, assim que a nova geração começar a ocupar posições de liderança nas empresas. Aliás, isso já está acontecendo.
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Seis regras básicas para que os CEOs melhorem sua reputação social
Eu gostei muito desta pergunta porque foi a mesma que fiz em uma pequena pesquisa que realizei meses atrás, cuja resposta publiquei no post "10 motivos por que os executivos não blogam".
O estudo apresenta as seguintes possíveis causas:
- CEOs consideram que devem investir seu time em estar mais face-to-face com seus clientes, funcionários e outros constituintes, em vez de estar online;
- Eles não estão convencidos a respeito do ROI do mundo online;
- CEOs das empresas mais poderosas do mundo são velhos e não se sentem confortáveis em se comunicar através de ferramentas online (a média de idade dos CEOs pesquisados é 57);
- Os CEOs estão apreensivos com a participação online em geral;
- As restrições recebidas dos times jurídico, de comunicação e de relação com os investidores ajudam a inibir a participação online dos CEOs;
- Aversão a se tornarem celebridades ou receio de criarem sombra para organização também é um inibidor;
- As diferenças culturais e regionais podem causar dificuldades para a comunicação online.
Eu não estou muito convencido de alguns desses argumentos, especialmente os dois últimos, mas entendo a tendência de ver "chifre em cabeça de cavalo", isso sempre acontece quando algo novo aparece.
No documento, a Weber Shandwick apresenta “seis regras básicas” para que os CEOs melhorem sua reputação social e sua interatividade.
- Identifique as melhores práticas online de seus pares e os melhores comunicadores entre os CEOs. A partir daí, estabeleça e amplie a sua própria “zona de conforto”;- Comece com o básico (exemplo: vídeos e fotos on-line). Selecione e reúna os comunicados executivos já existentes para reposicioná-los na rede;
- Simule e faça um test-drive de sua participação nas mídias sociais. Entenda o universo online antes de aparecer publicamente. Inicie com projetos internos, mas lembre que ações internas também se espalham para o público externo;
- Decida antecipadamente quanto tempo poderá dedicar para alimentar seus perfis nas mídias sociais. Isso pode variar entre uma vez por semana, uma vez por mês, trimestralmente ou até menos. Seja seu próprio juiz do que será mais conveniente;
- Construa uma narrativa que chame a atenção de seu público, algo que seja realmente importante e que humanize a reputação de sua empresa;
- Aceite o fato de que a “socialização” precisa fazer parte do programa da construção de imagem de sua empresa. Administre com cautela sua reputação social assim como sua reputação corporativa.
Enfim, estamos todos aprendendo.
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Apenas 12% dos CEOs têm perfil no Twitter ou Facebook
O documento chamado "Socializing your CEO: from (un)social to social", produzido pela Weber Shandwick, é muito interessante. As atividades publicamente visíveis dos CEOs das 50 maiores empresas do mundo foram analisadas e a conclusão confirma o que venho publicando nos meus últimos posts: a maioria dos CEOs estão distantes das redes sociais.
Eis alguns dados interessantes a respeito da "sociabilidade" dos CEOs pesquisados:
97% dos CEOs se comunicam através dos canais online e/ou canais tradicionais
64% deles não estão presentes nas mídias sociais
28% postam cartas ou mensagens nos websites oficiais das empresas
Apenas 18% têm vídeos ou podcasts incluidos nos websites corporativos ou nos canais oficiais das empresas no YouTube
Apenas 16% dos CEOs tem um perfil no Twitter(8%), Facebook (4%), MySpace (4%) ou LinkedIn (4%)
Olhando melhor a última informação, se considerarmos apenas Twitter e Facebook, apenas 12% dos CEOs estão lá.
Um dado interessante da pesquisa foi saber que os CEOs adeptos da rede adotam mais de um canal de mídia social: 72% são encontrados em mais de uma rede social. Em média, os CEOs participativos utilizam 1,8 canais. Ou seja, os que usam é porque querem ser "sociais" de verdade.
O estudo concluiu que os CEOs com mandatos novos (3 anos ou menos) têm menor participação online do que aqueles com mandatos médios (de 3 a 5 anos) ou mandatos longos (mais de 5 anos) – 30%, 38%, 43%, respectivamente. Mas será isso relevante? Não achei a diferença tão grande assim. Mas, enfim, é um "finding" do estudo.
Os números acima evidenciam que os CEOs ainda não estão "genuinamente" dentro das mídias sociais. Eles estão entrando nos ambientes mais controlados e monitorados pela tradicional máquina de comunicação das empresas, como os canais oficiais das empresas no You Tube ou seus próprios websites. Não posso deixar de pegar carona nessa onda e citar os meus últimos posts que afirmam que os CEOs não investem nas mídias sociais porque eles acham que têm coisas mais importantes para fazer. Portanto, não surpreende o resultado da pesquisa.
Acesse AQUI o estudo completo.
Uma curiosidade:
A Weber Shandwick falou com 60 CEOs de 50 empresas, sendo 20 nos Estados Unidos, 27 na Europa, 9 na Ásia/Pacífico e 4 na América Latina. Agora a curiosidade: por que 60 CEOs se são 50 empresas? É que 10 empresas tiveram múltiplos CEOs durante 2009... :)
A boa novidade é que a S2Publicom, que representa a Weber Shandwick no Brasil, já está conduzindo a mesma pesquisa com as 20 maiores empresas brasileiras. O resultado será divulgado ainda neste ano de 2011.
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Blog de um executivo - uma experiência real que não deu certo
É sempre bacana ler livros e revistas a respeito do potencial de uso das redes sociais nas empresas, o problema é que eles raramente falam de experiências negativas, todos gostam de contar casos que deram certo. O nosso dia a dia mostra que a gente acaba aprendendo mais com os erros do que com os acertos. Este caso que vou contar é real e foi vivido por mim.Um executivo me procurou dizendo que gostaria de lançar um blog interno para falar com sua organização. É bem verdade que eu incentivei este projeto desde o início, não foi somente uma iniciativa dele, mas como ele tinha uma organização enorme, certamente um blog seria um bom canal de relacionamento dele com seus funcionários.
O objetivo inicial do blog era estabelecer uma conversa com os funcionários, fomentando discussões sobre estratégia, planos e resultados. Numa organização com vários níveis hierárquicos, com um número enorme de funcionários, a meta era a conversa direta, sem interferência e filtros.
O primeiro post foi uma "festa". A notícia do blog correu dentro da empresa, foram vários comentários, apesar do primeiro post ter sido aquele tradicional "boas-vindas, cheguei", prometendo uma conversa franca e direta. O executivo estava feliz. Parecia que o blog já estava cumprindo o seu papel. Os comentários escritos no blog davam os parabéns pela iniciativa, pela ousadia e pelo exemplo que serviria para os executivos de outras áreas.
Nos 2 meses seguintes o executivo publicou 6 posts, alguns longos, outros mais curtos, e quase sempre recebeu comentários. Nos posts publicados eu não identifiquei novidades diferentes daquelas já ditas nos meios de comunicação interna da empresa. Mas vale destacar o terceiro post, quando ele apresentou sua visão a respeito de uma prática de recursos humanos da empresa. Ele deu uma opinião pessoal e particular, e isso sempre cai bem num blog, especialmente de um executivo. O problema é que o blog ficou mudo após 2 meses de atividade, nada mais foi publicado. O próximo e último post do blog foi publicado 60 dias depois, que acabou sendo escrito por uma funcionária da área de comunicação que estava preocupada com a morte precoce do blog. Ela escreveu o texto e sugeriu ao executivo para publicar, ele fez a revisão e deu OK. O post foi publicado em seguida, com a assinatura dele.
Esta foi a história do blog, que teve vida de quase 4 meses, com apenas 8 posts, sendo um de boas-vindas e outro escrito por uma ghost-writer. Meses depois, conversando com o executivo, ele lamentava do blog não ter dado certo, dizia que teve pouca repercussão, que esperava mais comentários e mais interesse da comunidade. Reclamou da sua falta de tempo e disse que preferia investir mais na comunicação interna tradicional (como newsletter eletrônica, mural e intranet) do que num blog ou redes sociais. E deu a experiência como encerrada.
Olhando pelo retrovisor, me atrevo a dizer que o blog teve mais acertos do que erros, mas ficou evidente que o blog não emplacou devido a pequenas coisas. As coisas estavam indo bem no início do projeto, a experiência era positiva, mas pequenos obstáculos começaram a aparecer. Eis a minha avaliação pessoal:
1- Os posts não tiveram regularidade de publicação.
2- A maiorias dos posts não tinham informação exclusiva ou uma abordagem diferente do que era publicado nos outros canais de comunicação. Ou seja, eles não traziam algo realmente especial, pareciam mais do mesmo. Portanto, não havia uma motivação esepcial dos funcionários para acessá-lo.
3- Muitas vezes o executivo usou uma linguagem mais institucional do que pessoal, com frases frias, distanciando a conversa pessoal que todos esperavam do executivo. Talvez eu esteja sendo duro aqui, mas quero alertar este ponto porque ele é muito importante.
4- Os posts eram sempre muito assertivos, não apresentavam perguntas ou dúvidas e não convidavam os funcionários a opinarem sobre algo. Ou seja, faltou polêmica.
5- E o mais importante: faltou crença, perseverança e tempo. Faltou o executivo acreditar de verdade no projeto, investir um pouco mais de tempo e dedicação, me parece que ele desistiu muito facilmente.
Enfim, este foi um caso que não deu certo, quando tinha tudo para ser sucesso. O executivo é um vencedor, admirado por todos e com conteúdo riquíssimo que merecia ser compartilhado com a organização. Analisá-lo depois é muito fácil, da mesma forma que analisamos uma partida de futebol. Difícil é analisar e tomar decisões durante a partida. Existem inúmeros casos de projetos de blog que deram certo, mas, particularmente, com eu já disse antes, eu acho que aprendemos mais nas experiências negativas do que nas positivas.
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010
CEOs perdem tempo nas redes sociais
Vejam a história abaixo publicada pela Lucy Kellaway em sua excelente coluna do Financial Times, reproduzida em terra-brasilis no jornal Valor Econônico. Eu fiz o sumário abaixo agregado com meus comentários, mas o artigo original se encontra AQUI (vale a muito a pena ler ele todinho!!!!). Este é um bom exemplo a respeito do assunto que toquei no post "Os executivos não blogam porque eles têm coisas mais importantes para fazer".Meses atrás, o comediante Armando Iannucci, que é bem conhecido no Reino Unido, conduzia seu carro numa rodovia e resolveu parar numa loja da Starbucks na estrada. Ele é um sujeito que escreve muito no seu twitter, compartilhando o seu cotidiano. Ao se deparar com algo que não gostou no banheiro da Starbucks, ele não titubeou e soltou uma mensagem no twitter para os seus 93 mil seguidores: "Me surpreendo que, embora domine o mercado, a Starbucks ainda não consiga eliminar aquele cheirinho de banheiro que a gente sente quando entra".
Rapidamente o presidente da Starbucks no Reino Unido, Darcy Willson-Rymer, respondeu em seu twitter:
"Obrigado pela informação. Que loja você visitou?".
Ainda pelo twitter, Iannucci respondeu que estava na cidade de Warwick, mas que o "cheirinho ruim" era sentido em várias lojas da Starbucks. Willson-Rymer agradeceu novamente e prometeu investigar. Em seguinda o comediante tuitou: "Uma boa notícia. A Starbucks agora está preocupada com o seu cheiro de banheiro".
Estou certo que a grande maioria dos especialistas em mídias sociais vão afirmar que este é um excelente exemplo de como as empresas podem e devem se relacionar com os seus clientes e sociedade nas redes sociais. Ou seja, uma resposta rápida, assertiva e vinda de um líder credenciado da empresa. A princípio eu até concordo, mas acho o caso questionável como um exemplo realmente útil.
As redes sociais são um tremendo canal de relacionamento com os clientes, funcionários e sociedade. Mas também formam um poderoso instrumento de distração e devaneio. Estou convencido que tais redes podem causar distúrbios imensos nas lideranças das empresas, fazendo com que eles gastem tempo e recursos em coisas que não valem a pena.
A análise de Lucy Kellaway em seu artigo é excelente. Será que a rede Starbucks realmente tem "cheirinho" de banheiro? Vamos supor que sim, então o presidente não deveria depender de uma tuitada para descobrir isso. Certamente o seu staff deveria tê-lo informado disso há muito tempo e já deveria ter tomado providências.
Outro ponto é se o que este sujeito escreveu tem realmente relevância ou causa algum impacto para a imagem do Starbucks, mesmo considerando que ele tem mais de 90 mil seguidores. Sinceramente? Eu acho que não. E, mesmo que aja alguma relevância, a mensagem do comediante não foi direcionada para a Starbucks. Ou seja, não havia nenhuma expectativa de resposta por parte da rede de cafeterias. O post poderia ter passado desapercebido.
Se eu estivesse no comando desse processo, provavelmente tomaria duas providências. A primeira seria disparar um processo interno na empresa para verificar se o que ele falou realmente é fato. A segunda seria monitorar o twitter e ver se a mensagem do comediante iria ter alguma repercussão ou consequência, como por exemplo retuitadas dos seguidores do comediante e comentários adicionais. Só depois disso é que eu pensaria em tomar alguma ação na rede.
Independentemente de tudo que eu escrevi acima, o fato é que ignorar uma coisa como essa poderia ter poupado tempo à administração da empresa. Agora eles devem estar colocando um monte de gente para cheirar os banheiros... :)
Lucy diz que fez uma pesquisa na rede e não viu ninguém reclamando ou repercutindo o fato do cheiro nos banheiros. Ou seja, muito provavelmente esse assunto não tem nenhuma relevância para os usuários e clientes da rede de cafeterias e parece ser um tremendo desvio das prioridades da empresa.
O resumo disso tudo é que as redes sociais podem ser perversas para as empresas. As empresas e os executivos têm que estar conscientes disso. Ficam dois recados aqui:
- Blogs e redes sociais não podem ser encaradas como aventuras empresariais;
- Os executivos não devem assumir que os integrantes da rede têm consciência plena do que vale ou não a pena reclamar ou comentar.
As redes é uma arena aberta, onde todos entram para elogiar e, muito especialmente, para espinafrar e zombar. Portanto, critério, planejamento e "canja de galinha" não fazem mal a ninguém.
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terça-feira, 23 de novembro de 2010
10 motivos por que os executivos não blogam
A Época Negócios deste mês publica uma colaboração minha. A matéria "Cadê seu blog, presidente?" tem origem numa pesquisa que eu fiz. Perguntei a dez executivos, de diferentes empresas, o motivo deles não terem blogs ou não participarem ativamente das redes sociais. As respostas não me surpreenderam, mas fiquei incomodado com elas.
Aí vai: Por que você não bloga?
1- FALTA DE TEMPO
A maioria alega falta de tempo. Todos eles afirmaram que os blogs e as redes sociais significam relacionamento, portanto dedicar tempo é pré-requisito fundamental. Eles acham que se o blog for bem, existe o risco deles precisarem de cada vez mais tempo para manter o diálogo. Ficou claro que a falta de tempo é uma síndrome de todos os executivos.
2- MEDO DE ENTRAR EM DISCUSSÕES POLÊMICAS
A maioria acha que os funcionários usarão a rede social interna de empresa para reclamar de alguma coisa da empresa ou do ambiente de trabalho: salário, benefícios, clima, instalações, etc. Ou seja, existe a percepção de que os funcionários tratarão a rede social como um canal de críticas e registro de insatisfação. Eu, particularmente, não acredito nisso. Existem pesquisas que mostram que a maioria dos funcionários nas empresas usam os blogs e redes como via para colaborações construtivas e positivas. Afinal, ao se identificar com seu nome e senha para comentar numa rede ou blog, o funcionário estará se expondo para toda a empresa, e ele vai querer aparecer bonito na foto, né? Já nas redes sociais externas, para clientes, existe o conceito de que os clientes usarão este canal para fazer reclamações e como complemento aos canais tradicionais de atendimento ao cliente.
3- PERCEPÇÃO DE QUE NÃO É RELEVANTE
Existe um sentimento de que as discussões nas redes sociais poderão não ser interessantes, e isto reforça o conceito da falta de tempo. Afinal, por que alguém vai investir tempo em algo que não julga relevante? A maioria acha que os assuntos serão fúteis. Este é um equívoco, pois um dos maiores benefícios das redes sociais é evidenciar os assuntos que interessam à comunidade. Na verdade, o conceito é exatamente o oposto do que os executivos disseram, ou seja, os executivos deveriam usar as redes sociais para descobrir e entender os principais temas que preocupam a comunidade e trabalhar neles.
4- INSEGURANÇA DE ATÉ ONDE VAI A CONVERSA
Este é um conceito interessante. Alguns executivos sentem medo de uma conversa sem fim. É como se um determinado assunto começasse a ser discutido e os posts/comentários subsequentes levassem a conversa para um patamar exageradamente específico e desinteressante, quase pessoal. É como se a rede social fosse usada para discutir/evoluir a respeito de uma situação individual, que seria desinteressante para a comunidade como um todo. Ou seja, existe uma insegurança de quando terminar a conversa sobre algo.
5- INSEGURANÇA PARA ESCREVER
Alguns poucos me disseram que se sentem inseguros para escrever e alegaram falta de fluência na escrita. Usaram a expressão "eu estou enferrujado". Outros me disseram que gostariam da ajuda de alguém para escrever no blog ou rede por eles, mas sempre sob sua supervisão e orientação.
6- RISCO DE IMAGEM
Este foi um ponto citado por alguns, mas não senti que é um grave problema. Existe uma insegurança de que muitos funcionários falando sobre a empresa poderão causar problemas de imagem, especialmente porque dará visibilidade de algumas situações negativas que podem estar confinadas a algum departamento ou setor da empresa, e que numa rede social teriam ampla divulgação e/ou debate. A preocupação aumenta se imaginarmos uma rede social ou blog externo.
7- VAZAMENTO DE INFORMAÇÃO
Esta é uma preocupação geral, mas notei que ela é mais evidente nas empresas onde não existe a cultura de "proteção à informação". Os executivos que trabalham nas empresas onde os funcionários já são treinados e têm consciência do que é informação, se mostraram bem mais relaxados com este tipo de preocupação.
8- MEDO DE DIZER QUE NÃO DEU CERTO
Este é um conceito interessante. O maior problema de um blog é que ele é um passo de difícil retorno. Se o blog der certo, a tendência é ele consumir cada vez mais tempo e atenção, ocupando mais espaço na agenda do executivo (e este é um temor já descrito no primeiro item). Se o blog der errado, o executivo vai se expor e terá de reconhecer que errou em alguma coisa. Ou seja, o lançamento de um blog sempre tem seu preço, mas o medo de fracassar aterroriza os executivos. Já imaginou ter de reconhecer de que não foi capaz de estabelecer e sustentar um diálogo com a comunidade?
9- IMAGEM PERANTE OS COLEGAS EXECUTIVOS
Este é um feedback inesperado. Acredite se quiser, mas existe ainda entre os executivos a imagem de que ter um blog é para quem tem tempo sobrando, para quem está mais à vontade para navegar pelas redes sociais. E esta não é uma imagem que os executivos desejam demonstrar para os seus outros colegas executivos, né? Eles têm que se mostrar bastante atarefados, angustiados e apressados. Um dos executivos me contou que lançou um blog pessoal no passado, ao contar para o chefe, a resposta dele foi: "que bom que você tem tempo para isso".
10- A COMUNIDADE NÃO ESTÁ PREPARADA
De maneira geral, os executivos alegam que a comunidade com que desejam interagir não está preparada para usar as mídias sociais de maneira adequada. Os motivos são alguns dos citados nos itens anteriores. A surpresa aqui é que eles "jogam a culpa" nos outros, esquecendo que eles próprios parecem também não estar preparados para o mundo das redes, conforme evidenciado em alguns medos já descritos acima. Daí eles alegam que precisam esperar um pouco mais.
Apesar de algumas preocupações exageradas e o tradicional receio de entrar em algo novo, eu adorei descobrir que ninguém citou a velha questão da perda de produtividade. Isso foi muito bom. O mito da perda de produtividade é algo que sempre me incomoda. Outra coisa boa é que todos falaram que está cada vez mais impossível não ter um blog ou negligenciar as redes sociais. Foi bom saber que eles estão incomodados com a distância das redes. Enfim, todos têm que consciência que terão que entrar nas redes em breve.
Se eu tivesse que resumir todo o texto acima em poucas palavras, eu diria que os executivos não blogam por 2 motivos básicos:
1- Porque acham que vão perder tempo;
2- Porque têm medo do diálogo.
Aí vai: Por que você não bloga?
1- FALTA DE TEMPOA maioria alega falta de tempo. Todos eles afirmaram que os blogs e as redes sociais significam relacionamento, portanto dedicar tempo é pré-requisito fundamental. Eles acham que se o blog for bem, existe o risco deles precisarem de cada vez mais tempo para manter o diálogo. Ficou claro que a falta de tempo é uma síndrome de todos os executivos.
2- MEDO DE ENTRAR EM DISCUSSÕES POLÊMICAS
A maioria acha que os funcionários usarão a rede social interna de empresa para reclamar de alguma coisa da empresa ou do ambiente de trabalho: salário, benefícios, clima, instalações, etc. Ou seja, existe a percepção de que os funcionários tratarão a rede social como um canal de críticas e registro de insatisfação. Eu, particularmente, não acredito nisso. Existem pesquisas que mostram que a maioria dos funcionários nas empresas usam os blogs e redes como via para colaborações construtivas e positivas. Afinal, ao se identificar com seu nome e senha para comentar numa rede ou blog, o funcionário estará se expondo para toda a empresa, e ele vai querer aparecer bonito na foto, né? Já nas redes sociais externas, para clientes, existe o conceito de que os clientes usarão este canal para fazer reclamações e como complemento aos canais tradicionais de atendimento ao cliente.
3- PERCEPÇÃO DE QUE NÃO É RELEVANTE
Existe um sentimento de que as discussões nas redes sociais poderão não ser interessantes, e isto reforça o conceito da falta de tempo. Afinal, por que alguém vai investir tempo em algo que não julga relevante? A maioria acha que os assuntos serão fúteis. Este é um equívoco, pois um dos maiores benefícios das redes sociais é evidenciar os assuntos que interessam à comunidade. Na verdade, o conceito é exatamente o oposto do que os executivos disseram, ou seja, os executivos deveriam usar as redes sociais para descobrir e entender os principais temas que preocupam a comunidade e trabalhar neles.
4- INSEGURANÇA DE ATÉ ONDE VAI A CONVERSA
Este é um conceito interessante. Alguns executivos sentem medo de uma conversa sem fim. É como se um determinado assunto começasse a ser discutido e os posts/comentários subsequentes levassem a conversa para um patamar exageradamente específico e desinteressante, quase pessoal. É como se a rede social fosse usada para discutir/evoluir a respeito de uma situação individual, que seria desinteressante para a comunidade como um todo. Ou seja, existe uma insegurança de quando terminar a conversa sobre algo.
5- INSEGURANÇA PARA ESCREVER
Alguns poucos me disseram que se sentem inseguros para escrever e alegaram falta de fluência na escrita. Usaram a expressão "eu estou enferrujado". Outros me disseram que gostariam da ajuda de alguém para escrever no blog ou rede por eles, mas sempre sob sua supervisão e orientação.
6- RISCO DE IMAGEM
Este foi um ponto citado por alguns, mas não senti que é um grave problema. Existe uma insegurança de que muitos funcionários falando sobre a empresa poderão causar problemas de imagem, especialmente porque dará visibilidade de algumas situações negativas que podem estar confinadas a algum departamento ou setor da empresa, e que numa rede social teriam ampla divulgação e/ou debate. A preocupação aumenta se imaginarmos uma rede social ou blog externo.
7- VAZAMENTO DE INFORMAÇÃO
Esta é uma preocupação geral, mas notei que ela é mais evidente nas empresas onde não existe a cultura de "proteção à informação". Os executivos que trabalham nas empresas onde os funcionários já são treinados e têm consciência do que é informação, se mostraram bem mais relaxados com este tipo de preocupação.
8- MEDO DE DIZER QUE NÃO DEU CERTO
Este é um conceito interessante. O maior problema de um blog é que ele é um passo de difícil retorno. Se o blog der certo, a tendência é ele consumir cada vez mais tempo e atenção, ocupando mais espaço na agenda do executivo (e este é um temor já descrito no primeiro item). Se o blog der errado, o executivo vai se expor e terá de reconhecer que errou em alguma coisa. Ou seja, o lançamento de um blog sempre tem seu preço, mas o medo de fracassar aterroriza os executivos. Já imaginou ter de reconhecer de que não foi capaz de estabelecer e sustentar um diálogo com a comunidade?
9- IMAGEM PERANTE OS COLEGAS EXECUTIVOS
Este é um feedback inesperado. Acredite se quiser, mas existe ainda entre os executivos a imagem de que ter um blog é para quem tem tempo sobrando, para quem está mais à vontade para navegar pelas redes sociais. E esta não é uma imagem que os executivos desejam demonstrar para os seus outros colegas executivos, né? Eles têm que se mostrar bastante atarefados, angustiados e apressados. Um dos executivos me contou que lançou um blog pessoal no passado, ao contar para o chefe, a resposta dele foi: "que bom que você tem tempo para isso".
10- A COMUNIDADE NÃO ESTÁ PREPARADA
De maneira geral, os executivos alegam que a comunidade com que desejam interagir não está preparada para usar as mídias sociais de maneira adequada. Os motivos são alguns dos citados nos itens anteriores. A surpresa aqui é que eles "jogam a culpa" nos outros, esquecendo que eles próprios parecem também não estar preparados para o mundo das redes, conforme evidenciado em alguns medos já descritos acima. Daí eles alegam que precisam esperar um pouco mais.
Apesar de algumas preocupações exageradas e o tradicional receio de entrar em algo novo, eu adorei descobrir que ninguém citou a velha questão da perda de produtividade. Isso foi muito bom. O mito da perda de produtividade é algo que sempre me incomoda. Outra coisa boa é que todos falaram que está cada vez mais impossível não ter um blog ou negligenciar as redes sociais. Foi bom saber que eles estão incomodados com a distância das redes. Enfim, todos têm que consciência que terão que entrar nas redes em breve.Se eu tivesse que resumir todo o texto acima em poucas palavras, eu diria que os executivos não blogam por 2 motivos básicos:
1- Porque acham que vão perder tempo;
2- Porque têm medo do diálogo.
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
Os executivos não têm blog
Em junho do ano ano passado, o site norte-americano UBERCEO - que cobre a "vida" dos CEOs, Chief Executive Officers de empresas - afirmou que, a maioria dos 100 principais executivos do planeta não frequenta rotineiramente as redes sociais. Poderíamos até dizer que o pessoal não tem intimidade mesmo.
A pesquisa realizada pelo UBERCEO foi em comunidades como Facebook, Twitter, LinkedIn e Wikipedia. O resultado é que apenas 2 CEOs tinham contas no Twitter, 13 deles tinham perfis no LinkedIn, 81% não tinham página pessoal no Facebook e nenhum deles tinha um blog.
Apesar da pesquisa ter sido "pobrinha", o tema ganhou repercussão na web. E o principal motivo foi evidenciar que os executivos que comandam as maiores empresas do planeta não estão muito bem conectados com as novas formas de comunicação e relacionamento da sociedade, onde os seus clientes estão inseridos.
Desde então eu liguei o meu radar e passei a olhar o tema com mais atenção.
A verdade nua e crua é que os executivos, de maneira geral, estão muito distantes das redes sociais. E já me antecipo pedindo desculpas se estou generalizando. De forma geral, o presidente de uma empresa já reconhece que é algo importante e que a sua empresa não pode ficar de fora, mas na maioria das vezes ele delega para alguém cuidar em nome dele. Alguns até demonstram vontade de participar, mas o duro é separar tempo na agenda para "brincar" de redes sociais.
Eu não acho que eles estão desinteressados como muitos afirmam. O problema maior é de prioridade. Entre uma revisão de negócios e um passeio por alguma rede social, a primeira opção ganha de goleada. É por isso que na maioria das empresas, segundo um estudo da Deloitte, a atividade de redes sociais acaba caindo no colo de marketing, que já enxerga o mundo das ferramentas sociais como uma arma poderosa de influência e relacionamento com os clientes.
Eu, sinceramente, tenho dificuldade de ver os executivos de Recursos Humanos e Customer Service longe das redes sociais. Como eles podem dispensar tais recursos? É difícil de entender. Eles ainda gastam tempo com emails e outros meios de relacionamento, quase sempre de mão única e lentos em velocidade, mas não investem e se arriscam nas tecnologias sociais.
Pesquisas já realizadas por outras fontes, mostram que os executivos temem as redes sociais pelos riscos que elas podem trazer para a reputação da empresa, pelo vazamento de dados estratégicos, pela falta de conhecimento em como lidar com as redes e pela possível improdutividade que ela pode trazer para o funcionário. Mas, por trás disso tudo, tem o principal motivo: a velha razão da falta de tempo. E dá-lhe reunião de revisão de negócios...
A pesquisa realizada pelo UBERCEO foi em comunidades como Facebook, Twitter, LinkedIn e Wikipedia. O resultado é que apenas 2 CEOs tinham contas no Twitter, 13 deles tinham perfis no LinkedIn, 81% não tinham página pessoal no Facebook e nenhum deles tinha um blog.Apesar da pesquisa ter sido "pobrinha", o tema ganhou repercussão na web. E o principal motivo foi evidenciar que os executivos que comandam as maiores empresas do planeta não estão muito bem conectados com as novas formas de comunicação e relacionamento da sociedade, onde os seus clientes estão inseridos.
Desde então eu liguei o meu radar e passei a olhar o tema com mais atenção.
A verdade nua e crua é que os executivos, de maneira geral, estão muito distantes das redes sociais. E já me antecipo pedindo desculpas se estou generalizando. De forma geral, o presidente de uma empresa já reconhece que é algo importante e que a sua empresa não pode ficar de fora, mas na maioria das vezes ele delega para alguém cuidar em nome dele. Alguns até demonstram vontade de participar, mas o duro é separar tempo na agenda para "brincar" de redes sociais.
Eu não acho que eles estão desinteressados como muitos afirmam. O problema maior é de prioridade. Entre uma revisão de negócios e um passeio por alguma rede social, a primeira opção ganha de goleada. É por isso que na maioria das empresas, segundo um estudo da Deloitte, a atividade de redes sociais acaba caindo no colo de marketing, que já enxerga o mundo das ferramentas sociais como uma arma poderosa de influência e relacionamento com os clientes.Eu, sinceramente, tenho dificuldade de ver os executivos de Recursos Humanos e Customer Service longe das redes sociais. Como eles podem dispensar tais recursos? É difícil de entender. Eles ainda gastam tempo com emails e outros meios de relacionamento, quase sempre de mão única e lentos em velocidade, mas não investem e se arriscam nas tecnologias sociais.
Pesquisas já realizadas por outras fontes, mostram que os executivos temem as redes sociais pelos riscos que elas podem trazer para a reputação da empresa, pelo vazamento de dados estratégicos, pela falta de conhecimento em como lidar com as redes e pela possível improdutividade que ela pode trazer para o funcionário. Mas, por trás disso tudo, tem o principal motivo: a velha razão da falta de tempo. E dá-lhe reunião de revisão de negócios...
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Hare baba! O que fazer quando um empregado espinafra a empresa numa mídia social?
Repito o meu último post e acrescento meus comentários.
Imaginem a seguinte situação passada dentro de uma empresa...
É publicada uma matéria na intranet falando sobre uma ação importante realizada pela empresa que tocou a sociedade e o governo. A empresa considerou aquela iniciativa estratégica e relevante para os seus negócios, com impacto muito positivo no mercado. Foram publicadas fotos do encontro dos executivos da empresa com autoridades da sociedade e do governo nos veículos internos de comunicação.
Dias depois, num blog desconhecido, é publicado um post reproduzindo em parte o texto da matéria da intranet. Uma foto, também retirada da intranet, foi copiada. O conteúdo do post é positivo e negativo, ao mesmo tempo. Por vezes é irônico, com um tom negativo, citando que aquilo era coisa de "engravatados arrogantes". Outras vezes elogiava a empresa, dando uma boa dimensão do fato e das consequências. Ou seja, o texto variava entre uma mera citação, até positiva, e uma crítica contumaz. Pesquisando um pouco mais, descobriu-se que o blog era um blog pessoal de uma empregada muito jovem da empresa, algo como um diário pessoal, que comentava fatos cotidianos da vida, com pontos de vista diversos. Em resumo, o post nada mais era do que a visão pessoal de alguém sobre um fato.
O que fazer? Qual seria sua atitude se você fosse o gestor da empresa?
Antes de tudo, esse caso é real e bem recente.
As respostas para essas questões são sempre difíceis. Não existe resposta certa, afinal somos todos aprendizes nessa nova sociedade digital. A ação da empresa vai depender muito da cultura corporativa, do nível de abertura e transparência que existe internamente.
Minha avaliação é que, no caso acima, a funcionária cometeu dois erros. Um de violação de regra e outro de atitude. O primeiro é inquestionável, já o segundo pode ser motivo de controvérsia.
VIOLAÇÃO DE REGRA
O primeiro erro foi ela pegar a informação e a foto publicadas na intranet da empresa e postar em seu blog pessoal. O correto seria entrar em contato com a empresa para pedir autorização para usar esse material. O acidente torna-se menos grave pois o conteúdo postado não era um material confidencial. Mas, independentemente disso, ela não poderia fazer um "copiar e colar" sem consultar antes.
ATITUDE
O segundo erro foi de atitude. Aqui entendo que o terreno é arenoso pois sempre existirão opiniões e percepções diferentes. Concordo com o que Zee Lima escreveu no comentário do meu post anterior. Não me parece razoável que uma empresa demita um funcionário por ele ter expressado suas opiniões num bar, entre os amigos, mesmo que essa opinião não esteja 100% alinhada com o que a empresa pensa. O mesmo conceito se aplica quando a pessoa se expressa num blog pessoal. É claro que podem haver casos extremos, como publicar algo confidencial, xingar a mãe do presidente ou falar que o chefe é isso e aquilo.
A forma como a funcionária escreveu e se posicionou em seu blog pessoal evidencia uma pessoa que parece estar insatisfeita com seu trabalho, que não concorda integralmente com as ações e os valores da empresa. A atitude equivocada da funcionária foi publicar sua opinião a respeito da empresa em seu blog pessoal, sem antes conversar com seu gerente a respeito, que seria o movimento correto para ela expressar suas divergências.
LIBERDADE DE OPINIÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS
Conceitualmente falando, qualquer um de nós tem liberdade para opinar e apresentar nossos pontos de vista, seja na rua, num papo com amigos ou num blog pessoal. O importante aqui é cada um assumir a responsabilidade do que escreve, e consequentemente assumir os ônus e bônus. No momento em que a funcionária escreve seu pensamento num blog público, ela está assumindo uma posição e uma postura diante de todos, inclusive da própria empresa, que certamente vai avaliar tal comportamento de sua funcionária.
TODO FUNCIONÁRIO É REPRESENTANTE DA EMPRESA PERANTE A SOCIEDADE
Aqui cabe mais uma observação importante. O compromisso e a cumplicidade do funcionário com determinada empresa não termina quando ele sai do trabalho no final do expediente. Para todos os efeitos, mesmo fora das paredes da empresa, ele continua sendo funcionário e, portanto, continua sendo um representante da empresa na sociedade. É esperado que ele defenda e preserve os interesses e valores onde trabalha. Falar mal da empresa em público não faz sentido. Ironizar a empresa num blog aberto, ainda mais pessoal, não é razoável. Além disso, o que ela escreveu em seu blog pessoal mostra o tipo de papo e conversa que ela tem com amigos no ambiente do trabalho, seja no cafezinho ou nos corredores da empresa. A ironia mostrada no texto coloca em check o quanto que ela acredita na empresa para seu futuro profissional.
O PAPEL DO GERENTE IMEDIATO
No caso acima, ao identificar que a funcionária agiu equivocadamente, o gerente tem que exercer o seu papel, entendendo a situação e orientando-a. Acredito que uma conversa franca e transparente é a melhor ação que um gerente pode tomar.
A CABEÇA DA GERAÇÃO Y
A nova geração Y é formada pelos nativos digitais. Eles cresceram falando de forma aberta e transparente. São brasileiros que nasceram na democracia, que olham uma imprensa livre, rigorosa e até irônica com o governo. Toda essa ousadia na hora de expor faz parte da formação pessoal desses novos cidadãos e trabalhadores. Portanto, questionamento e enfrentamento são características inerentes a esta nova geração. Eles nasceram assim. E nós, como pais dessa nova geração, incentivamos esse comportamento diariamente quando assistimos TV e reclamamos do governo, da insegurança nas ruas, do sistema da saúde e todos os dilemas da sociedade. Os filhos apenas se miram na gente.
Dou toda essa volta para dizer que as empresas terão que aprender a lidar com a geração Y e suas características. Essa curva de aprendizado poderá ser mais acelerada ou mais sofrida de acordo com o perfil adotado pelas empresas. Não acredito que a geração Y vai mudar. As empresas têm que saber ouvir mais, entender que virão opiniões duras e irônicas dos seus jovens colaboradores. Por outro lado, os jovens terão que ter mais consciência do que falam e escrevem, terão que honrar as suas opiniões e eventualmente sofrerem perdas ou penalidades pelos seus atos.
Convido a visitarem o blog Foco em Gerações para lerem dois posts: um escrito pela Eline Kullock da geração Baby Boomer e outro pela Liliane Fonseca da geração Y (clique nos links).
SOCIAL COMPUTING GUIDELINES
Toda empresa que pretende se aventurar nas mídias sociais tem que se preocupar em estabelecer algumas regras. Por exemplo, a IBM publicou em 2005 um conjunto de normas chamado “IBM Social Computing Guidelines”, que contempla princípios e instruções a respeito da criação, uso e etiqueta de blogs, wikis, redes sociais, mundos virtuais e mídia social em geral. Clique AQUI para acessá-lo. Mas não basta ter regras, tem que divulgá-las, aprimorá-las e discuti-las. Esse é um passo fundamental para toda empresa que começa a entrar nesse mundo. Mesmo na IBM, que é uma empresa onde o tema é conversado intensamente, ainda continuamos com o desafio de fazer os funcionários conhecerem e exercerem esses guidelines.
O QUE FOI FEITO
Por fim, para fechar o post. Eis as ações que foram tomadas:
- A área de comunicação entrou em contato com a funcionária e informou que ela não poderia usar ou reproduzir textos e fotos de matérias publicadas na intranet sem autorização prévia;
- Ela foi alertada que, semanalmente, as citações a respeito da empresa publicadas na imprensa e em blogs são selecionadas e incluídas num relatório que é enviado para o time executivo. Recomendou-se que ela repensasse a forma como escreveu o post pois ele seria repassado integralmente para a audiência citada;
- Por fim, foi sugerido que refletisse melhor sobre o que escreveu, pois a ironia do conteúdo evidenciava que ela não concordava com as decisões e os valores da empresa. Também foi lembrado que seu blog poderia ser lido por seu gerente imediato, colegas de trabalho e até executivos da empresa;
- O gerente imediato foi informado do fato.
Ela atendeu e entendeu bem. Em 15 minutos o post foi deletado. Hare baba!!!
Imaginem a seguinte situação passada dentro de uma empresa...
É publicada uma matéria na intranet falando sobre uma ação importante realizada pela empresa que tocou a sociedade e o governo. A empresa considerou aquela iniciativa estratégica e relevante para os seus negócios, com impacto muito positivo no mercado. Foram publicadas fotos do encontro dos executivos da empresa com autoridades da sociedade e do governo nos veículos internos de comunicação.
Dias depois, num blog desconhecido, é publicado um post reproduzindo em parte o texto da matéria da intranet. Uma foto, também retirada da intranet, foi copiada. O conteúdo do post é positivo e negativo, ao mesmo tempo. Por vezes é irônico, com um tom negativo, citando que aquilo era coisa de "engravatados arrogantes". Outras vezes elogiava a empresa, dando uma boa dimensão do fato e das consequências. Ou seja, o texto variava entre uma mera citação, até positiva, e uma crítica contumaz. Pesquisando um pouco mais, descobriu-se que o blog era um blog pessoal de uma empregada muito jovem da empresa, algo como um diário pessoal, que comentava fatos cotidianos da vida, com pontos de vista diversos. Em resumo, o post nada mais era do que a visão pessoal de alguém sobre um fato.
O que fazer? Qual seria sua atitude se você fosse o gestor da empresa?Antes de tudo, esse caso é real e bem recente.
As respostas para essas questões são sempre difíceis. Não existe resposta certa, afinal somos todos aprendizes nessa nova sociedade digital. A ação da empresa vai depender muito da cultura corporativa, do nível de abertura e transparência que existe internamente.
Minha avaliação é que, no caso acima, a funcionária cometeu dois erros. Um de violação de regra e outro de atitude. O primeiro é inquestionável, já o segundo pode ser motivo de controvérsia.
VIOLAÇÃO DE REGRA
O primeiro erro foi ela pegar a informação e a foto publicadas na intranet da empresa e postar em seu blog pessoal. O correto seria entrar em contato com a empresa para pedir autorização para usar esse material. O acidente torna-se menos grave pois o conteúdo postado não era um material confidencial. Mas, independentemente disso, ela não poderia fazer um "copiar e colar" sem consultar antes.
ATITUDE
O segundo erro foi de atitude. Aqui entendo que o terreno é arenoso pois sempre existirão opiniões e percepções diferentes. Concordo com o que Zee Lima escreveu no comentário do meu post anterior. Não me parece razoável que uma empresa demita um funcionário por ele ter expressado suas opiniões num bar, entre os amigos, mesmo que essa opinião não esteja 100% alinhada com o que a empresa pensa. O mesmo conceito se aplica quando a pessoa se expressa num blog pessoal. É claro que podem haver casos extremos, como publicar algo confidencial, xingar a mãe do presidente ou falar que o chefe é isso e aquilo.
A forma como a funcionária escreveu e se posicionou em seu blog pessoal evidencia uma pessoa que parece estar insatisfeita com seu trabalho, que não concorda integralmente com as ações e os valores da empresa. A atitude equivocada da funcionária foi publicar sua opinião a respeito da empresa em seu blog pessoal, sem antes conversar com seu gerente a respeito, que seria o movimento correto para ela expressar suas divergências.
LIBERDADE DE OPINIÃO E SUAS CONSEQUÊNCIASConceitualmente falando, qualquer um de nós tem liberdade para opinar e apresentar nossos pontos de vista, seja na rua, num papo com amigos ou num blog pessoal. O importante aqui é cada um assumir a responsabilidade do que escreve, e consequentemente assumir os ônus e bônus. No momento em que a funcionária escreve seu pensamento num blog público, ela está assumindo uma posição e uma postura diante de todos, inclusive da própria empresa, que certamente vai avaliar tal comportamento de sua funcionária.
TODO FUNCIONÁRIO É REPRESENTANTE DA EMPRESA PERANTE A SOCIEDADE
Aqui cabe mais uma observação importante. O compromisso e a cumplicidade do funcionário com determinada empresa não termina quando ele sai do trabalho no final do expediente. Para todos os efeitos, mesmo fora das paredes da empresa, ele continua sendo funcionário e, portanto, continua sendo um representante da empresa na sociedade. É esperado que ele defenda e preserve os interesses e valores onde trabalha. Falar mal da empresa em público não faz sentido. Ironizar a empresa num blog aberto, ainda mais pessoal, não é razoável. Além disso, o que ela escreveu em seu blog pessoal mostra o tipo de papo e conversa que ela tem com amigos no ambiente do trabalho, seja no cafezinho ou nos corredores da empresa. A ironia mostrada no texto coloca em check o quanto que ela acredita na empresa para seu futuro profissional.
O PAPEL DO GERENTE IMEDIATO
No caso acima, ao identificar que a funcionária agiu equivocadamente, o gerente tem que exercer o seu papel, entendendo a situação e orientando-a. Acredito que uma conversa franca e transparente é a melhor ação que um gerente pode tomar.
A CABEÇA DA GERAÇÃO YA nova geração Y é formada pelos nativos digitais. Eles cresceram falando de forma aberta e transparente. São brasileiros que nasceram na democracia, que olham uma imprensa livre, rigorosa e até irônica com o governo. Toda essa ousadia na hora de expor faz parte da formação pessoal desses novos cidadãos e trabalhadores. Portanto, questionamento e enfrentamento são características inerentes a esta nova geração. Eles nasceram assim. E nós, como pais dessa nova geração, incentivamos esse comportamento diariamente quando assistimos TV e reclamamos do governo, da insegurança nas ruas, do sistema da saúde e todos os dilemas da sociedade. Os filhos apenas se miram na gente.
Dou toda essa volta para dizer que as empresas terão que aprender a lidar com a geração Y e suas características. Essa curva de aprendizado poderá ser mais acelerada ou mais sofrida de acordo com o perfil adotado pelas empresas. Não acredito que a geração Y vai mudar. As empresas têm que saber ouvir mais, entender que virão opiniões duras e irônicas dos seus jovens colaboradores. Por outro lado, os jovens terão que ter mais consciência do que falam e escrevem, terão que honrar as suas opiniões e eventualmente sofrerem perdas ou penalidades pelos seus atos.
Convido a visitarem o blog Foco em Gerações para lerem dois posts: um escrito pela Eline Kullock da geração Baby Boomer e outro pela Liliane Fonseca da geração Y (clique nos links).
SOCIAL COMPUTING GUIDELINES
Toda empresa que pretende se aventurar nas mídias sociais tem que se preocupar em estabelecer algumas regras. Por exemplo, a IBM publicou em 2005 um conjunto de normas chamado “IBM Social Computing Guidelines”, que contempla princípios e instruções a respeito da criação, uso e etiqueta de blogs, wikis, redes sociais, mundos virtuais e mídia social em geral. Clique AQUI para acessá-lo. Mas não basta ter regras, tem que divulgá-las, aprimorá-las e discuti-las. Esse é um passo fundamental para toda empresa que começa a entrar nesse mundo. Mesmo na IBM, que é uma empresa onde o tema é conversado intensamente, ainda continuamos com o desafio de fazer os funcionários conhecerem e exercerem esses guidelines.
Por fim, para fechar o post. Eis as ações que foram tomadas:
- A área de comunicação entrou em contato com a funcionária e informou que ela não poderia usar ou reproduzir textos e fotos de matérias publicadas na intranet sem autorização prévia;
- Ela foi alertada que, semanalmente, as citações a respeito da empresa publicadas na imprensa e em blogs são selecionadas e incluídas num relatório que é enviado para o time executivo. Recomendou-se que ela repensasse a forma como escreveu o post pois ele seria repassado integralmente para a audiência citada;
- Por fim, foi sugerido que refletisse melhor sobre o que escreveu, pois a ironia do conteúdo evidenciava que ela não concordava com as decisões e os valores da empresa. Também foi lembrado que seu blog poderia ser lido por seu gerente imediato, colegas de trabalho e até executivos da empresa;
- O gerente imediato foi informado do fato.
Ela atendeu e entendeu bem. Em 15 minutos o post foi deletado. Hare baba!!!
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domingo, 5 de abril de 2009
Quando a imagem fala mais que a palavra
Imagine que você trabalha numa grande empresa e foi convidado para participar de um evento interno, uma reunião onde o presidente vai se reunir com 200 a 300 pessoas, entre gerentes e funcionários, para falar sobre a situação da empresa, os desafios e os próximos passos. Ou seja, uma típica reunião interna de informação e motivação da tropa de trabalho. Obviamente que os diretores foram convidados e alguns deles vão até falar também. O auditório é aberto e as pessoas vão chegando e sentando. Agora imagine duas situações diferentes:
Situação 1:
Os diretores chegam em cima da hora, separadamente, cada um na sua, com poucos sorrisos e raros cumprimentos para alguns da platéia. O ambiente no auditório é silencioso. O presidente vem sozinho, também chega em cima da hora e vai direto para o palco onde começa a reunião. O grupo executivo passa uma imagem de isolamento, preocupação e muito formalismo.

Situação 2:
Os diretores chegam em grupos, conversando mutuamente, sorrindo e mostrando amizade. Eles chegam 15 minutos antes do evento começar. O presidente também chega cedo, mostrando simpatia, ao entrar no auditório vai andando no meio das pessoas, parando no meio do caminho, falando com um ou com outro funcionário, demonstrando intimidade e informalidade. O ambiente no auditório é barulhento, todos falando com todos. Minutos depois estão os diretores e o presidente conversando animadamente perto do palco, evidenciando camaradagem e cumplicidade entre eles.
Agora eu tenho uma pergunta para você: Em qual empresa você gostaria de trabalhar?
A minha resposta para você é: Eu também!
As evidências de como o time executivo de uma empresa se comporta e se relaciona, incluindo o presidente, formam uma poderosa mensagem para a população interna, as vezes muito mais forte e eficaz do que as palavras ditas ao microfone. Essa comunicação não verbal traduz o estado de espírito da empresa e acaba permeando o comportamento de todos os níveis de hierarquia. O clima e o estilo de relacionamento dos executivos impactam diretamente a forma como os funcionários se relacionam. O caso dado acima é um pequeno exemplo para ilustrar meu ponto, já que o ritual de chegada das pessoas e executivos em eventos internos denuncia a personalidade e o clima interno da empresa.
Eu decidi escrever sobre isso pois muitas vezes montamos um evento ou speech maravilhoso, mas que é completamente desconectado da realidade. Fomentar e evidenciar os relacionamentos positivos existentes entre os executivos é muito saudável, especialmente porque as empresas cada vez mais se segmentam, criando unidades e departamentos que muitas vezes não se falam ou até tem objetivos não tão alinhados. Acho que os gestores de comunicação e recursos humanos deveriam se preocupar muito em evidenciar os bons relacionamentos entre os executivos das empresas.
A inspiração para tocar nesse tema veio de dois momentos recentes que ganharam as capas de todos os jornais.
O primeiro momento foi da Michelle Obama, primeira dama dos EUA, que quebrou o protocolo e deu um “aperto” na Rainha Elizabeth II. Segundo a tradição e protocolo, a rainha britânica nunca pode ser tocada, no máximo ela pode receber um singelo aperto de mão. A Dona Michelle Obama escancarou e colocou seu braço nos ombros da rainha... e a Dona Rainha Elizabeth II retribuiu pegando na cintura da Dona Obama. Veja abaixo.
O segundo momento foi de Barack Obama com o Lula. Ele disse que o Lula "é o cara" e que o presidente brasileiro é o "político mais popular do mundo", demonstrando uma intimidade e cumplicidade com o Lula que nenhum chefe de estado havia demonstrado até então. Veja aqui.
Esses dois exemplos transmitem para nós, pobres mortais, momentos de intimidade das lideranças globais, que dizem muito mais do que “speeches” e apertos de mãos. Tais demonstrações de afeição e proximidade geram na gente a sensação de que o mundo pode ser melhor, que os líderes das nações estão se entendendo e conversando, que estão buscando o diálogo e cultivando a camaradagem, respeitando com tolerância e compreensão as individualidades e as culturas distintas... mesmo que "toda essa a crise tenha sido causada pelos brancos de olhos azuis"...
Essas imagens, muitas vezes, dizem mais que mil palavras.
Situação 1:
Os diretores chegam em cima da hora, separadamente, cada um na sua, com poucos sorrisos e raros cumprimentos para alguns da platéia. O ambiente no auditório é silencioso. O presidente vem sozinho, também chega em cima da hora e vai direto para o palco onde começa a reunião. O grupo executivo passa uma imagem de isolamento, preocupação e muito formalismo.

Situação 2:
Os diretores chegam em grupos, conversando mutuamente, sorrindo e mostrando amizade. Eles chegam 15 minutos antes do evento começar. O presidente também chega cedo, mostrando simpatia, ao entrar no auditório vai andando no meio das pessoas, parando no meio do caminho, falando com um ou com outro funcionário, demonstrando intimidade e informalidade. O ambiente no auditório é barulhento, todos falando com todos. Minutos depois estão os diretores e o presidente conversando animadamente perto do palco, evidenciando camaradagem e cumplicidade entre eles.
Agora eu tenho uma pergunta para você: Em qual empresa você gostaria de trabalhar?
A minha resposta para você é: Eu também!
As evidências de como o time executivo de uma empresa se comporta e se relaciona, incluindo o presidente, formam uma poderosa mensagem para a população interna, as vezes muito mais forte e eficaz do que as palavras ditas ao microfone. Essa comunicação não verbal traduz o estado de espírito da empresa e acaba permeando o comportamento de todos os níveis de hierarquia. O clima e o estilo de relacionamento dos executivos impactam diretamente a forma como os funcionários se relacionam. O caso dado acima é um pequeno exemplo para ilustrar meu ponto, já que o ritual de chegada das pessoas e executivos em eventos internos denuncia a personalidade e o clima interno da empresa.
Eu decidi escrever sobre isso pois muitas vezes montamos um evento ou speech maravilhoso, mas que é completamente desconectado da realidade. Fomentar e evidenciar os relacionamentos positivos existentes entre os executivos é muito saudável, especialmente porque as empresas cada vez mais se segmentam, criando unidades e departamentos que muitas vezes não se falam ou até tem objetivos não tão alinhados. Acho que os gestores de comunicação e recursos humanos deveriam se preocupar muito em evidenciar os bons relacionamentos entre os executivos das empresas.
A inspiração para tocar nesse tema veio de dois momentos recentes que ganharam as capas de todos os jornais.
O primeiro momento foi da Michelle Obama, primeira dama dos EUA, que quebrou o protocolo e deu um “aperto” na Rainha Elizabeth II. Segundo a tradição e protocolo, a rainha britânica nunca pode ser tocada, no máximo ela pode receber um singelo aperto de mão. A Dona Michelle Obama escancarou e colocou seu braço nos ombros da rainha... e a Dona Rainha Elizabeth II retribuiu pegando na cintura da Dona Obama. Veja abaixo.
O segundo momento foi de Barack Obama com o Lula. Ele disse que o Lula "é o cara" e que o presidente brasileiro é o "político mais popular do mundo", demonstrando uma intimidade e cumplicidade com o Lula que nenhum chefe de estado havia demonstrado até então. Veja aqui.
Esses dois exemplos transmitem para nós, pobres mortais, momentos de intimidade das lideranças globais, que dizem muito mais do que “speeches” e apertos de mãos. Tais demonstrações de afeição e proximidade geram na gente a sensação de que o mundo pode ser melhor, que os líderes das nações estão se entendendo e conversando, que estão buscando o diálogo e cultivando a camaradagem, respeitando com tolerância e compreensão as individualidades e as culturas distintas... mesmo que "toda essa a crise tenha sido causada pelos brancos de olhos azuis"...
Essas imagens, muitas vezes, dizem mais que mil palavras.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Prezado funcionário
Trabalhei numa empresa onde ocorreu um fato curioso.
Toda a comunicação interna era muito centralizada na comunicação do presidente. O líder tinha uma imagem muito forte e ele era muito assertivo.
O presidente se dirigia aos funcionários, via cartas e emails, sempre de forma muito direta e pragmática, até mesmo um pouco dura. Ele não era um presidente carismático, nem popular, uma de suas características eram seus textos curtos e impositivos. Ele não falava muito. Sempre começava o texto com “Prezado funcionário”.
Em determinado momento esse presidente se aposentou. A empresa, que tinha o objetivo de fazer uma grande transformação em seus negócios e cultura, decidiu contratar um presidente vindo do mercado.
O executivo contratado era muito mais jovem que o anterior, mais de 20 anos de diferença de idade. O novo líder era falante, gostava de conversar com os funcionários e muito informal. Ele tinha a capacidade de inspirar as pessoas e exalava carisma por todos os
lados.
Tudo ia bem, mas a grande falha de todo o processo foi que a comunicação do novo presidente passou pela velha máquina de comunicação interna da empresa. Máquina que muitas vezes eu chamo de “máquina de moer carne”, porque na saída o resultado é sempre o mesmo, independentemente do que entra nela.
O problema ficou flagrante logo no início. As primeiras cartas do novo presidente continuaram a usar o velho chavão do “prezado funcionário”, expressão que ele nunca usava no dia a dia. O texto e estilo das cartas eram quase nada diferentes do presidente anterior, continuavam duras, secas e impositivas. Ou seja, a máquina de comunicação interna estava pasteurizando a comunicação, tirando o brilho dos olhos do novo presidente e colocando-o atrás do muro corporativo.
Essa experiência foi muito ruim e impactou seriamente a liderança do novo executivo. Graças a Deus, em poucos meses, uma turma de iluminados descobriu e corrigiu o problema.
Em resumo, não podemos deixar a comunicação interna de uma empresa virar uma máquina de moer carne (onde a saída é igual independente do que entra) ou uma padaria de pãozinho quente (onde o negócio é quantidade, e todo dia é a mesma coisa). A comunicação interna tem que transmitir o estado de espírito da liderança e criar gatilhos que evidenciem a personalidade do executivo. Tem que usar as expressões que o executivo usa no dia a dia. Tem que aproximar os líderes das tropas, criar um estado de proximidade e até intimidade. Manter a atenção nesses pontos permitirá que a comunicação interna execute seu papel, gerando credibilidade e tornando-se uma ferramenta eficaz dentro da empresa.
Toda a comunicação interna era muito centralizada na comunicação do presidente. O líder tinha uma imagem muito forte e ele era muito assertivo.
O presidente se dirigia aos funcionários, via cartas e emails, sempre de forma muito direta e pragmática, até mesmo um pouco dura. Ele não era um presidente carismático, nem popular, uma de suas características eram seus textos curtos e impositivos. Ele não falava muito. Sempre começava o texto com “Prezado funcionário”.Em determinado momento esse presidente se aposentou. A empresa, que tinha o objetivo de fazer uma grande transformação em seus negócios e cultura, decidiu contratar um presidente vindo do mercado.
O executivo contratado era muito mais jovem que o anterior, mais de 20 anos de diferença de idade. O novo líder era falante, gostava de conversar com os funcionários e muito informal. Ele tinha a capacidade de inspirar as pessoas e exalava carisma por todos os
lados.Tudo ia bem, mas a grande falha de todo o processo foi que a comunicação do novo presidente passou pela velha máquina de comunicação interna da empresa. Máquina que muitas vezes eu chamo de “máquina de moer carne”, porque na saída o resultado é sempre o mesmo, independentemente do que entra nela.
O problema ficou flagrante logo no início. As primeiras cartas do novo presidente continuaram a usar o velho chavão do “prezado funcionário”, expressão que ele nunca usava no dia a dia. O texto e estilo das cartas eram quase nada diferentes do presidente anterior, continuavam duras, secas e impositivas. Ou seja, a máquina de comunicação interna estava pasteurizando a comunicação, tirando o brilho dos olhos do novo presidente e colocando-o atrás do muro corporativo.
Essa experiência foi muito ruim e impactou seriamente a liderança do novo executivo. Graças a Deus, em poucos meses, uma turma de iluminados descobriu e corrigiu o problema.
Em resumo, não podemos deixar a comunicação interna de uma empresa virar uma máquina de moer carne (onde a saída é igual independente do que entra) ou uma padaria de pãozinho quente (onde o negócio é quantidade, e todo dia é a mesma coisa). A comunicação interna tem que transmitir o estado de espírito da liderança e criar gatilhos que evidenciem a personalidade do executivo. Tem que usar as expressões que o executivo usa no dia a dia. Tem que aproximar os líderes das tropas, criar um estado de proximidade e até intimidade. Manter a atenção nesses pontos permitirá que a comunicação interna execute seu papel, gerando credibilidade e tornando-se uma ferramenta eficaz dentro da empresa.
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