terça-feira, 27 de outubro de 2015

A maior barreira na adoção da tecnologia são as pessoas



Os elevadores automatizados, quando surgiram, provocaram reações no mercado de trabalho porque os ascensoristas perderiam os seus empregos. Hoje, raramente nos deparamos com cabineiros, forma como os ascensoristas são chamados em algumas cidades. No Rio de Janeiro, durante muitos anos, existiu uma lei que obrigava a existência de ascensoristas nos prédios comerciais, independentemente do tipo do elevador. A pressão da classe trabalhadora e dos sindicatos foi muito grande. Eu confesso que não tenho certeza se essa lei ainda está em vigor, mas sei que esse tema foi muito tempo discutido dentro da assembleia legislativa.

Quando os primeiros automóveis apareceram, os fabricantes não consideraram que os próprios donos iriam dirigi-los. Os primeiros carros a motor tinham a cara das velhas carruagens puxadas por animais e o assento do motorista era desenhado num lugar alto assemelhado ao espaço antes destinado ao cocheiro. Ninguém admitiu que as novas carruagens a motor poderiam ser guiadas pelos próprios proprietários, quase sempre pessoas abastadas. Demorou vários anos para que isso acontecesse.

Nos dias atuais, a polêmica do Uber continua sendo tema de conversas e debates acalorados. Pessoas comuns, que têm carros pretos, se sentem ameaçadas e assustadas com a possibilidade de serem atacadas nas ruas. Em New York o número de carros do Uber já supera o de carros amarelos dos táxis. Em São Paulo e no Rio, o Uber está proibido pelas autoridades, porém o número de usuários cresce vigorosamente dia a dia.

Os três exemplos acima mostram momentos distintos da história da sociedade. Em todos eles, a tecnologia impôs novos hábitos, novos modelos de negócio, novas conveniências e impactos diretos no mercado de trabalho. As vezes a adaptação é lenta, como no caso dos automóveis versus carruagens. Outras vezes a sociedade reage decidindo por alternativas esdrúxulas, como no caso dos elevadores no Rio. Por fim, existem casos em que a resistência sai do fórum das discussões e entra na reação violenta como nos táxis versus Uber.

O fato, inquestionável, é que a tecnologia impõe mudanças em nossas vidas em todas as dimensões. Todos os dias surgem novidades e nós, seres humanos, em favor da conveniência e do bem estar, as adotamos. O interessante é que quase sempre a adoção dessas tecnologias representa impactos diretos em parte da sociedade, para o bem e para o mal, dependendo do ponto de vista.

O transporte aéreo é um belo exemplo da evolução acelerada decorrente da tecnologia. A simplificação dos processos e a introdução de novas tecnologias vêm transferindo para as máquinas, e para os próprios clientes, a responsabilidade da realização dos procedimentos de voo. Atualmente nós, passageiros, já imprimimos em casa os nossos bilhetes aéreos e fazemos o checkin remotamente através de nossos dispositivos móveis, como smartphones. No entanto, o que continuamos a fazer do mesmo jeito de sempre é o checkin de nossas malas, mas parece que isto está prestes a mudar. Já surgem empresas aéreas onde o próprio passageiro etiquetará a sua bagagem, imprimindo as etiquetas em casa e acompanhando a trajetória de suas malas por meio de seu smartphone. No fim de 2015, viajantes na Europa provavelmente estarão usando o modelo que deverá ser o futuro da passagem aérea: etiquetas permanentes que poderão ser atualizadas digitalmente caso os planos de viagem mudem.

Tudo isso parece muito legal, mas tais mudanças em relação às bagagens enfrentam desafios, como a reação dos sindicatos, normas de segurança e viajantes que preferem um atendimento humano no despacho da bagagem. No meu ponto de vista, confesso que eu não tenho nenhuma satisfação pessoal em entregar as malas para um funcionário de uma companhia aérea, porém compreendo que podem ocorrer casos especiais em que seja mais fácil lidar com um atendente humano do que um atendente máquina.

Quando o automóvel surgiu, os primeiros proprietários reagiram dizendo que a tarefa de dirigir um automotor era uma tarefa secundária, uma espécie de subatividade, além de não se sentirem capacitados para tal função. Na época, os sindicatos e as autoridades públicas se posicionaram afirmando que permitir pessoas comuns guiarem seus automóveis seria um risco à segurança nas ruas. A indústria de carruagens puxadas por animais na época, que chegou a produzir mais de 50 mil carruagens por ano, de repente viu o seu negócio sob risco e afirmou que milhares de trabalhadores iriam perder seus empregos. Na época do surgimento dos elevadores automatizados, o pesadelo era as pessoas ficarem presas nos cubículos sem a quem recorrer em caso de necessidade de ajuda. Nos dois casos citados, a experiência mostrou que, inicialmente, as próprias pessoas impuseram barreiras à mudança.

Enfim, quando falamos das transformações que a tecnologia impõe à sociedade, a maior barreira nem sempre está na própria tecnologia, mas provavelmente nos seres humanos, em seus hábitos, conveniências, crenças e até na dificuldade de sonhar. Os empreendedores e visionários são diferentes, eles sonham.  Há exatos 100 anos atrás, em 1915, Alexander Graham Bell realizou a primeira ligação telefônica transcontinental americana, de New York para seu assistente Thomas Augustus Watson, em San Francisco. Foi um acontecimento e tanto. Eles se falaram por telefone numa distância impressionante para época. Ninguém acreditou que aquele projeto seria viável a longo prazo e que ele poderia ser o primeiro passo para conectar todas as grandes cidades do país, afinal a experiência de instalar um cabo de cobre conectando as duas cidades no extremo do país apresentou um custo enorme. Ou seja, o modelo não se pagava. Naquela época, uma conversa de longa distância se dava apenas por cartas. Era a época dos correios e telégrafos. O telefone foi o Uber dos correios. Parece que, independentemente do tempo, toda empresa tem o seu Uber a espreita.




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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Bem-vindo ao futuro, Marty McFly


Existem filmes que eu já vi dezenas de vezes, e por incrível que pareça eu continuo assistindo alguns deles. O filme termina e eu sinto uma vontade enorme de ver de novo, tem algo mágico que eu não consigo dizer o que é. A trilogia "De Volta para o Futuro" faz parte dessa magia.

Lembro que ao ver "De Volta para o Futuro 2" no cinema, no natal de 1989, eu memorizei a data marcada no DeLorean: 21 de outubro de 2015. Esta foi a data que Doc Brown marcou na máquina do tempo para levar Marty McFly ao futuro. E o futuro chegou, hoje é o dia! Bem-vindo Marty McFly. Quem sabe não nos esbarramos em alguma esquina?

Também lembro de estar sentado na poltrona do cinema e pensar comigo: "estarei vivo em 2015 e vou querer ver o quanto disso será realidade". Eu nunca imaginei que os carros voadores e os skates flutuantes do filme pudessem existir de verdade, mas quem sabe o aparecimento de uma fonte de energia como o Mr. Fusion fosse possível?

"De Volta para o Futuro 2" me encantou porque mostrou um futuro colorido, vibrante e divertido, até bobo em alguns aspectos, mas muito diferente das previsões sombrias, de mundos escuros e perversos, como em Blade Runner e outros filmes apocalípticos. Eu sempre sonhei em viajar no tempo, explorar o futuro, e o filme ajudou a criar uma imagem de futuro na minha cabeça. Acho que toda criança já passou por isso. Isso explica a minha obsessão por filmes de viagem no tempo como "Em algum lugar do passado" e "Planeta dos Macacos".

Como qualquer filme contando uma história no futuro, a gente se pega olhando as previsões e fazendo exercícios de futurologia. O filme acerta algumas previsões como as TVs de tela plana e as ligações telefônicas com vídeo, mas passa longe ao não imaginar a internet e as mídias sociais como temos hoje. Uma curiosidade é que no filme os aparelhos de fax continuam funcionando e aparecem bem ativos, inclusive no meio da rua, como uma espécie de post-office do futuro.

O filme é icônico, ainda muito popular e continua interessante nos dias de hoje. Vou rever mais uma vez toda a trilogia. Aliás, a caixa com os 3 DVDs da trilogia está muito bem guardada. De tudo que se passa e é mostrado no filme, só tem uma uma coisa que nunca entendi: como pode os autores do filme imaginarem que no futuro a moda seria gravata dupla? Que coisa, hein?




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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Por que trabalhamos?


O artigo "É possível ser feliz, sem ser feliz no trabalho?", do Tracanella, faz uma reflexão perturbadora. Gastamos um terço da vida trabalhando, um terço dormindo e um terço vivendo. Notem que eu separo "viver" de "trabalhar". É uma equação simples, de conclusões óbvias, mas ela carrega alguns segredos.

Assumindo que fisiologicamente é difícil diminuirmos o tempo de sono, mesmo considerando que eu tenho amigos que dormem magicamente apenas quatro horas por dia, a estratégia para a nossa felicidade passa por fazer o "tempo vivendo" invadir o "tempo trabalhando". Ou, analisando de outra forma, precisamos diminuir o número de horas diárias de trabalho para sobrar mais tempo para viver. Isso parece impossível assumindo que na vida real o trabalho nos consome cada vez mais tempo e invade a nossa vida cotidiana.

Se não dá para diminuirmos as horas de trabalho por dia, então o caminho é transformarmos o nosso trabalho em algo que realmente faça sentido para nossa realização pessoal e profissional. Não podemos simplesmente encarar o "tempo trabalhando" como trabalho. É exatamente neste ponto que entra a argumentação do Tracanella: não dá para ser feliz sem ser feliz no trabalho. Invertendo as coisas, não dá para trabalhar em algo que não te faça feliz.

Barry Schwartz, psicólogo e palestrante do TED, foi ainda mais fundo nessa questão e lançou a pergunta: por que trabalhamos? A resposta parece óbvia: porque precisamos de dinheiro para viver e pagar as nossas contas. Essa é a resposta evidente e racional, mas no fundo não é a resposta que esperamos. Existe algo mais profundo e filosófico por trás da necessidade de trabalharmos.

Ele faz mais perguntas: por que o trabalho representa um sacrifício sem fim para a maioria esmagadora das pessoas no planeta? Por que o trabalho não pode ser algo motivador que nos faça levantar felizes da cama todos os dias? Por que a sociedade aceita que a maioria das pessoas faça trabalhos monótonos, sem sentido e sufocantes? Por que é que ao longo do último século nós não conseguimos fazer com que as satisfações não materiais no trabalho se tornassem mais essenciais?

Não vou descrever aqui as reflexões de Mr. Schwartz. Veja você mesmo em seu excelente vídeo no TED de apenas 8 minutos (com legendas em português) ou acesse o transcript (em português). Ele faz as perguntas, dá as respostas e elas não são nada agradáveis. O fato evidente é que a própria sociedade criou a armadilha do trabalho em que nos encontramos hoje. Parece que estamos presos a um modelo que não conseguimos nos libertar. Se não existe uma perspectiva de mudança vinda da sociedade, então a mudança na forma como encaramos o trabalho tem que vir de nós mesmos, de dentro da gente. A responsabilidade torna-se individual, introspectiva, muito particular e sem fórmula mágica.

Parte da resposta vem das perguntas e da reflexão do Tracanella. Quanto o nosso trabalho nos ajuda a sermos mais felizes? E quanto ajudamos nosso trabalho a também ser? Só conseguiremos ser felizes no trabalho se, de alguma forma, ele nos prover realizações.

A sua relação com o trabalho tem múltiplas dimensões: a carreira que você escolheu, o seu emprego, a empresa onde trabalha, os seus colegas, as suas aspirações profissionais, a sua performance e muitas outras dimensões. Conheço muitos amigos que reclamam do trabalho, quase sempre delegando a questão a fatores externos, mas o principal responsável pela sua felicidade no trabalho é você mesmo, é consequência de suas escolhas e depende da sua capacidade de ver a parte cheia do copo todos os dias.

Eu tenho uma visão pessoal a respeito disso. O mais importante para mim é trabalhar em um lugar ou com algo que esteja conectado a algum propósito que não me deixa indiferente. Sabe aquela sensação de estar fazendo ou construindo algo especial, que impacta alguém ou alguma coisa? É disso que estou falando, e é isso que me alimenta diariamente no trabalho.

Esqueça aquela história de que o bom é trabalhar em algo que exija pouco de você, que deixe você confortável, sem pressão, sem incômodos e sem desafios. A ciência mostra exatamente o contrário. A chave para a satisfação pessoal é fazer coisas arriscadas, desconfortáveis e até mesmo desgastantes; mas desde que elas empurrem você para frente, que permitam você se desenvolver, crescer e aprender coisas novas.

O bom trabalho não é sinônimo de conforto. É até pior, ele gera ansiedade e frio na barriga, uma sensação constante de estar em uma corrida de obstáculos. Portanto é importante conhecer suas potencialidades, o que realmente motiva você, o que você tem interesse e encontrar meios de conectar tudo isso no trabalho. Tudo isso exige autoconhecimento e capacidade de reconhecer suas virtudes e fraquezas. Saber desenvolver bons relacionamentos também é fundamental. Enfim, essas são formas de ajudar que o seu trabalho seja mais feliz e revigorante. Por mais que pense diferente, o principal responsável pela felicidade no trabalho é você mesmo.


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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Pai, você está postando demais!

Tempos atrás, o meu filho chegou perto e disse: "Pai, você está postando muito no Facebook. Tá exagerando". Entendi aquilo como um alerta e puxei o freio. Desde então eu tenho sido mais comedido no uso do Facebook.

Tenho preocupação com a exposição da minha família e meus amigos nas redes sociais. Nos últimos anos eu tenho assumido uma posição mais conservadora e evitado postar coisas na base do entusiasmo. Por outro lado, eu tenho amigos mais jovens que publicam com assiduidade, muitas vezes compartilhando fotos mais íntimas da família, especialmente os seus filhos.

Não me surpreende que os pais e as mães da geração Y usem as redes sociais como meio de discussão e compartilhamento de temas relacionados à educação, desenvolvimento e formação dos filhos. Esse é um meio natural para eles conversarem a respeito. A Universidade de Michigan publicou um estudo chamado "Parents on social media: Likes and dislikes of sharenting", oriundo de uma pesquisa realizada com pais de idade superior a 18 anos e com filhos de até quatro anos.

O estudo evidenciou que os pais estão usando as redes sociais como um canal de ajuda em suas dúvidas e inseguranças em relação à educação de suas crianças, além de prover algum conforto psicológico por mostrar que suas inseguranças e desconhecimento também rondam a mente de outros pais e mães. O maior risco deste comportamento é a exposição exagerada da família.

Eis os principais resultados da pesquisa:
A maioria dos pais (84% das mães, 70% dos pais) respondeu que usam regularmente as mídias sociais, como o Facebook, fóruns online e blogs. Mais da metade das mães (56%), em comparação com apenas 34% dos pais, discutem temas de saúde das crianças e da família nas mídias sociais.

Ao compartilhar conselhos aos pais nas mídias sociais, os temas mais comuns são: colocar as crianças para dormir (28%), dicas de nutrição/alimentação (26%), disciplina (19%), creche/pré-escola (17%) e problemas de comportamento (13%).

Pais classificam as mídias sociais como úteis para fazê-los sentir que eles não estão sozinhos (72%), aprendendo o que não fazer (70%), recebendo conselhos de pais mais experientes (67%), e ajudando-os a se preocuparem menos (62%). Em contrapartida, cerca de dois terços dos pais se preocupam com a possibilidade de alguém descobrir informações particulares sobre seus filhos (68%) ou compartilhar fotos de seus filhos (67%), enquanto 52% estão preocupados que quando mais velho, seu filho possa se envergonhar do que tenha sido compartilhado nas mídias sociais sobre ele.

A maioria dos pais pesquisados que usam mídias sociais (74%) afirma que conhecem outros pais que compartilham informação sobre uma criança nas redes de forma exagerada. Aí estão pais que deram informações embaraçosas sobre uma criança (56%), provendo informações pessoais que permitem identificar a localização de uma criança (51%), ou fotos inadequadas compartilhados de uma criança (27%).

Acredito que os resultados podem ser ainda mais perturbadores se a pesquisa for feita no Brasil, tendo em vista a nossa tradicional paixão pelas mídias sociais e pelo uso intensivo de smartphones por todos os membros das famílias brasileiras. Minha percepção é de que pode existir uma espécie de falta de autoavaliação dos pais em relação a tudo isto. Apontar que outros pais se expõem em demasia é mais simples e menos doloroso do que se autoavaliar e reconhecer um comportamento próprio exagerado nas redes.

Particularmente, na minha análise, a maior preocupação é com as crianças. Os pais, em geral, gostam de publicar fotos engraçadinhas de seus filhos pequeninos, fazendo caras e bocas, às vezes em situações inusitadas. Isso pode até ser divertido, mas quando as crianças se tornarem adolescentes tais fotos e comentários poderão gerar constrangimento. Ou seja, podemos estar falando de uma típica situação de bullying.

Aqui no Brasil, a questão de segurança me parece ser algo mais importante e grave do que em outros países. Quanto mais você publica dados sobre comportamento e rotina dos filhos, mais facilidade e informações você está dando para um possível crime.

Enfim, a superexposição dos pais e mães nas redes sociais já é uma realidade. As novas gerações certamente levarão esta exposição a um novo patamar. A atenção a ser dada é em relação aos filhos. Os filhos pequeninos da era atual já têm uma identidade digital criada na web, mesmo sem terem consciência disso. São os pais que criam essa identidade logo que o filho nasce, dá o primeiro sorriso, quando tira a fralda, larga a chupeta, fala papai e mamãe ou dá o primeiro passo.

Nos dias atuais, de uma forma ou de outra, tudo é registrado e publicado nas mídias sociais. O que for publicado sobre a criança em seus primeiros anos de vida é responsabilidade integral dos pais, que precisam estar conscientes e seguros sobre a imagem, personalidade e legado digital que desejam deixar para os seus filhos quando eles tiverem maturidade e responsabilidade. Podemos interpretar isso como um presente que os pais deixam para os filhos. Será que os pais estão pensando nisso?


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domingo, 20 de setembro de 2015

Nós amamos abobrinha

Confesso para vocês que eu tenho um problema de relacionamento com o Facebook.

Eu já tentei usar o Facebook de maneira mais séria, mais construtiva, mas não tem jeito, o negócio mesmo é falar bobagem ou usar de maneira despretensiosa.

De um ano pra cá eu transformei a minha atividade no Facebook numa espécie de experimentação. Comecei a publicar coisas diversas para ver o que rolava, especialmente olhando o número de "likes" e comentários. Deu para aprender algumas coisas.

Fotografias da minha janela do trabalho, que é um escândalo pois tenho na frente o Pão de Açúcar no Rio, é um campeão de "likes". Pode ser em qualquer situação: dia de sol, dia nublado, com chuva, sem chuva, com neblina, vale tudo. O número de "likes" é sempre relevante. Também posto muitas fotografias de Paraty, cidade que frequento com regularidade. Quase sempre o retorno é muito bom. Minhas fotos da ponte aérea também geram muitos "likes". As pessoas curtem pra valer. Quanto menos texto, melhor. O que vale é a imagem mesmo.

Passei a escrever histórias curtas do meu cotidiano, quase sempre bem humoradas, com um olhar otimista e positivo, vendo as coisas com um viés mais humano e divertido. As pessoas adoram isso, curtem bastante e postam muitos comentários. Em resumo: histórias curtas, onde as pessoas se identificam, sem compromisso, é uma boa e o engajamento acontece. Acabei até criando um blog para armazena-las.

Por outro lado, nas vezes que publiquei posts mais sérios, refletindo sobre a sociedade e de forma imparcial, o que ganhei foi um silêncio quase total, pouquíssimo engajamento e comentários mínimos. Não rolou! Tentei mais vezes e nunca rolou.  Porém, se eu escrever o mesmo post com um tom mais polêmico, parcial, com um tom irônico, dando uma cutucada em alguém, aí a coisa esquenta e os comentários aparecem. No entanto acontece um fenômeno: a polarização. Aparecem pessoas a favor e outras contra, muitas cuspindo maribondos contra mim. Eu não curto muito isso, até porque alguns dos comentários são radicais e grosseiros, criando um tremendo mal estar, porém é uma forma de ter uma timeline mais movimentada.

O que aprendi na prática:
- Posts com fotografias bonitas trazem mais engajamento (pequenos vídeos também!).
- Posts despretensiosos, descrevendo o dia a dia de maneira positiva, muitas vezes funciona bem.
- Posts polêmicos, sobre qualquer assunto, sempre dá bom retorno, mas esteja preparado para o radicalismo e comentários deselegantes
- Posts sobre assuntos sérios recebem pouco feedback, parece que as pessoas passam direto

Em resumo, um saco !!!

Uma coisa que também me desanima é constatar que as grandes redes sociais, como Facebook e Twitter, por exemplo, diminuíram muito o alcance orgânico dos posts publicados pelos simples mortais. O que pula na sua tela são conteúdos patrocinados, com viés publicitário, privilegiados pelos algoritmos turbinados das grandes redes. Ok, eu entendo, aceito bem, afinal elas são empresas que precisam se sustentar, crescer, faturar para manter a operação e inovar. Porém lamento constatar que a timeline agora está menos divertida e menos interessante do que há alguns anos.

Ao longo dos últimos meses eu fui limpando o meu Facebook. Eu continuo com toneladas de amigos, mas deixei de seguir a maioria. E peço desculpas por isso, mas não quero saber o que as pessoas comem no café da manhã, nem no jantar, e nem mensagens de paz e amor. Gosto de pessoas que me fazem refletir, de forma bem humorada, que trazem um ponto de vista diferente, não necessariamente alinhados com meu pensamento ou crenças. Não gosto de posts que simplesmente compartilham links, mas curto muito quando alguém escreve algo sobre seu conteúdo, dando algum brilho adicional. Aos poucos eu fui deixando de seguir a maior parte das pessoas e hoje eu tenho uma timeline extremamente valiosa para mim.

Como sigo pessoas que não necessariamente pensam como eu, as vezes eu tenho vontade de escrever gafanhotos sobre algo ou alguém, mas aí eu me seguro porque a decisão de seguir e ler determinados indivíduos foi exclusivamente minha. Já até pensei em escrever um post listando as personalidades que sigo e que acho que vale a pena serem seguidas. Tem cantor, político, acadêmico, psicólogo etc. É bem diverso. Mas a lista de pessoas é algo muito individual, cada um tem um interesse diferente. Por isso nunca compartilhei essa lista.

Mas de tudo isso, o que me incomoda é o que o número de "likes" no Facebook denuncia o que o povo realmente consome nesta gigantesca rede social. Em vez desta poderosa rede estar sendo usada mais vigorosamente para fazer as pessoas refletirem e discutirem como podemos transformar nossa sociedade em algo melhor, estamos nós aqui curtindo as fofocas e as efemeridades da vida. Enfim, todos amamos abobrinhas.


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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Uma visão perturbadora sobre o marketing que conhecemos


Sabe aquela pedrinha que fica no sapato? Vou contar uma coisa aqui que já estou para escrever faz tempo.

Em junho, o Pyr Marcondes publicou um artigo chamado "Três decálogos para um mercado que se dissolve". Esse artigo me atropelou. Sabe aquele artigo tipo pá pum? Não tem salamaleque e nem meio termo. Ele é direto: o mercado que a gente conhece está se dissolvendo, porra! Vai ficar aí parado?

Se você não leu este artigo. Então pare, vá ao link, tome um tapa na cara e volte.

E aí? Leu? Saiu atordoado? Rolou uma reaçãozinha ou uma vontade de saber o que ele andou fumando? Você pode não concordar ou não acreditar, pode pensar que isso é coisa do Dr. Jekyll, mas não é não. É o Mr. Hyde que está falando! O Pyr foi direto, sem floreios. Ele mostrou três decálogos: um para agências, outro para os grupos de mídia e um terceiro para os anunciantes. Simples assim. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu li esse artigo.

O artigo do Pyr é brilhante, perturbador, sem panos quentes e emblemático. Todo profissional de marketing e comunicação deveria ler este artigo quando acordar – todos os dias. Você acorda, escova os dentes e lê o artigo. Trate-o como um medicamento. Você pode até não tomar um dia, mas se não tomá-lo com regularidade, você vai ficar doente. Pode ser antes do almoço ou antes de dormir. Imprima várias cópias e cole na sua mesa, no espelho do banheiro de sua casa, no para-brisa do carro, transforme em screen saver do seu tablet, sei lá.

Notou que são 10 mandamentos para cada um? Por isso é decálogo! São pedras fundamentais. O Pyr é o nosso Moisés. Acho que você deveria ler isso todo dia, até decorar. Um a um.

O marketing tem um novo ecossistema. Estamos vivendo o derretimento das antigas e tradicionais estruturas de marketing e comunicação. O grande dilema dessa fase que vivemos é que ainda não temos clareza de para onde estamos indo. Estamos numa estrada e não sabemos onde ela termina. Alguns estão de carro, outros de bicicleta, alguns a pé – vai demorar, hein? –, mas estamos todos na mesma estrada sem saber o destino final. Isso gera uma tremenda ansiedade.

Sabe aquela imagem do barco afundando em alto mar? Quando isso acontece, você se segura na única coisa que te salva quando o barco afunda: o mastro. Ele vai ser a última parte do barco que vai afundar. E você fica ali no mastro, com o barco afundando devagarinho, você olhando para o infinito com a esperança de que algo extraordinário vá acontecer para salvar você. E você continua afundando... E aí? Conseguiu comparar com algo ou com alguém? Esse mastro está enchendo de gente, hein?

Acho que faltou uma análise adicional na reflexão do Pyr: o profissional de marketing e comunicação. Ele citou todo mundo em sua reflexão: as agências, os grupos de mídia, os anunciantes e outros players de mercado. No meio disso tudo está o ser humano. As cadeiras, as mesas e os computadores não decidem sozinhos. São as pessoas. Portanto, o elemento fundamental nessa transformação do marketing é o profissional. Os decálogos do Pyr estão centrados no que nós, profissionais de marketing, queremos fazer com nossas vidas. Podemos continuar produzindo o pãozinho quente de sempre ou tentarmos surfar a onda da mudança.

E aí? A água já tá batendo no joelho? Qual é o tamanho do seu mastro?


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sábado, 5 de setembro de 2015

Marketing personalizado: todos em busca do Santo Graal


Você faz um projeto bacana de marketing, oferece ao mercado um produto ou um serviço realmente diferenciado, consegue a atenção do consumidor, ele vai para o seu canal de e-commerce e… nada acontece. A única coisa que você sabe é que ele passou pela porta dos seus canais digitais, mas a partir daí tudo é um grande mistério, as vendas não acontecem no volume e na velocidade prevista em seu plano de negócio, você não entende o motivo da desistência dos clientes dentro dos seus canais digitais e o seu plano está sob risco. Resumindo: o sujeito entra na loja mas não compra. Essa história é mais comum do que parece.

ENTENDENDO O COMPORTAMENTO DIGITAL DOS CLIENTES Tradicionalmente as empresas investem muito dinheiro nas suas estratégias de marketing para levar os consumidores para as suas lojas físicas e virtuais, mas muitas vezes esquecem de estabelecer mecanismos para entender o que realmente acontece dentro de suas lojas. Nos ambientes físicos parece mais fácil entender o que se passa, pelo menos aparentemente, afinal quase tudo é visível e muitas vezes a chave do problema pode estar na equipe de vendas. Por outro lado, o ambiente digital é uma grande incógnita quando você não tem ferramentas adequadas que permitem entender como o seu cliente navega, qual o seu interesse e os seus critérios de avaliação e compra.

A transformação dos consumidores é evidente. Eles já usam intensamente a web quando vão comprar alguma coisa, além de demonstrarem um comportamento diferente no mundo online. De acordo com estudos da IBM, cerca de 92% deles já fazem pesquisas online antes de realizar uma compra. E o que eles esperam é que as empresas respondam seus questionamentos nas mídias sociais em até 5 minutos. Portanto, conhecer e entender melhor esse perfil de atuação digital das pessoas é fundamental para as marcas proverem uma melhor experiência de relacionamento e de compra para seus clientes. No entanto, 91% das empresas não tem um claro entendimento do motivo dos visitantes saírem de seus canais online sem a conversão de vendas, sendo que apenas 58% das empresas têm algum indício de como a usabilidade e navegabilidade do seu site afeta a conversão de vendas.

MARKETING DEPENDENTE DE FERRAMENTAS ANALÍTICAS
De forma geral, as empresas negligenciam o estudo analítico da jornada do cliente em seus canais online, incluindo aí os canais de e-commerce. Na maioria das vezes a análise é básica e quantitativa, não oferecendo real entendimento de como os clientes navegam dentro desses canais: onde eles param, relutam, os critérios considerados em suas tomadas de decisão, quando eles saem e… porque saem. Em resumo, a visão completa da experiência do usuário nos canais digitais das empresas ainda é um desafio na maioria das vezes.

Uma boa alternativa para aumentar o entendimento da experiência do usuário é combinar os dados analíticos com os dados qualitativos que podem ser obtidos nas redes sociais e outros canais de feedback de clientes. Essa combinação permite prover insights valiosos, porém não é simples de fazer quando pensamos em marcas que detém um contingente de milhares ou milhões de clientes e interações online.

Tal desafio não é algo novo. Ele foi identificado claramente nas pesquisas que a IBM vem conduzindo com os CMOs nos últimos anos. Definitivamente os CMOs e os times de marketing das empresas ainda carecem de boas ferramentas de marketing, demonstrando claro desconforto em lidar com big data, análise de dados e redes sociais. Os lideres de marketing têm consciência da responsabilidade que eles têm junto aos clientes, não somente na prestação de um melhor serviço e um melhor relacionamento, mas especialmente na busca de entender cada cliente de forma individual, em seus desejos, preferências e conveniência.

UMA MÁ EXPERIÊNCIA DE COMPRA PODE SER IRREPARÁVEL
Conveniência é uma palavra que vem ganhando destaque: o consumidor deseja ser atendido no momento, no meio e na forma que melhor lhe convier. Por isso o mundo fixo perde espaço para o mundo móvel. Clientes querem interagir e realizar suas compras usando dispositivos diferentes, incluindo PCs, tablets, smartphones e qualquer outro dispositivo que tenha em mãos. Uma má experiência de compra poderá causar um impacto irrecuperável para a marca. Os consumidores, em geral, estão dando pouca margem de manobra para as marcas. De fato, 63% dos consumidores nunca comprarão algo, seja produto ou serviço, de uma marca que não ofereça uma robusta e aprazível experiência digital móvel. Pense na atual geração de consumidores jovens e este quadro será ainda mais dramático.

Essa questão da má experiência pode ter um impacto maior. Basta imaginarmos que um usuário insatisfeito muitas vezes compartilha sua insatisfação em sua rede de relacionamento, estendendo de forma avassaladora o dano de imagem de uma marca.  Pesquisas mostram que um cliente insatisfeito fala, em média, com nove a quinze pessoas sobre sua má experiência, e que 24% dos consumidores compartilham a sua insatisfação nas redes sociais. Tais dados demonstram que o diferencial de uma marca não necessariamente está apenas no produto ou no serviço.

ANTES DE ANALISAR DADOS, PENSE EM CAPTURAR DADOS
Entender e conhecer o cliente de forma holística passa pela necessidade de registrar e capturar informação dos consumidores nos diversos canais de interação e vendas, tais como: lojas físicas, lojas online, call center, portal institucional, quiosques, redes sociais etc.  Estamos falando de registros muito diversos como: dados demográficos pessoais, compras realizadas, transações realizadas, histórico de pagamento, preferências, opiniões, desejos declarados, emails, chats realizados, pedidos no call center, declarações sobre o produto ou marca nas redes sociais, reclamações, navegação nos canais digitais da empresa etc.  Imagine o manancial poderoso de conhecimento que cada marca teria de cada cliente se ela conseguisse juntar tudo isso de forma inteligente, permitindo identificar suas preferências e desejos, e até oferecendo insights poderosos de suas futuras compras e atitudes.

Para isso se tornar realidade, as empresas precisam instrumentalizar todos os pontos de contato com o consumidor, permitindo a captura e o registro de todas as interações de forma inteligente e em tempo real, sempre que possível. Esta é uma condição básica para tornar viável qualquer projeto de marketing analítico e personalizado. Ou seja, antes de pensar em analisar dados, pense em capturar dados. E quando capturar, pense em como armazenar e estruturar estes dados, com especial atenção à questão da privacidade das informações do cliente.

ANALISANDO OS DADOS
Basicamente, quando falamos em análise de dados em marketing, devemos considerar 4 dimensões:

1- Análise do comportamento do consumidor: quem é ele e como se comporta
2- Análise dos resultados: o que ele gera para a marca
3- Análise das redes sociais: quais são as suas opiniões4- Análise preditiva: quais serão as suas próximas ações

As quatro dimensões acima representam a necessidade de análises quantitativa, qualitativa e comportamental, não triviais, para entender a jornada do consumidor. Não dá para fazer isso sem uma ferramenta integrada e abrangente. Os projetos de marketing das empresas não podem mais contar apenas com um campanha bem feita, impactante e com um plano de mídia bem construído.

A EXPERIÊNCIA DO CLIENTE É O NOVO MARKETING
Em resumo, os projetos de marketing de sucesso cada vez mais dependem do uso de plataformas analíticas poderosas, que permitem as empresas entenderem os seus clientes de forma individual, identificando as suas necessidades, as suas insatisfações e os seus desejos. Tudo indica que a experiência do cliente é o novo marketing, por isso a gestão de cada experiência e relacionamento do consumidor com a marca é um momento da verdade que não deve ser negligenciado. As empresas que souberem se utilizar desses recursos certamente estarão conquistando a preferência do consumidor e alcançando maior sucesso em seus resultados de negócio.

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domingo, 30 de agosto de 2015

Petrobras e Odebretch são empresas dos sonhos dos jovens

Logo depois que me formei em engenharia, eu fiz um concurso para trabalhar na Petrobras. Não passei! Trabalhar na Petrobras virou um sonho. A Cia. de Talentos acaba de publicar o estudo "Empresas dos Sonhos dos Jovens 2015" e eu descobri que, como eu, a Petrobras é o sonho de trabalho de milhares de jovens.

O estudo tem origem numa pesquisa com quase 70 mil jovens para entender o que se passa nas cabeças dos universitários e recém formados em relação a trabalho e emprego. O perfil foi o seguinte: 36% de jovens entre 17 e 20 anos, 48% entre 21 e 24 anos e 16% com 25 e 26 anos de idade.

O quem mais me chamou a atenção foi encontrar a Petrobras e Odebretch nas segunda e terceira posições do ranking das empresas favoritas para se trabalhar pelos Ys. As duas só perdem para a onipresente Google, que ocupa a primeira posição da lista. As posições de Petrobras e Odebretch mostram que os jovens conseguem separar os efeitos dos escândalos da Operação Lava Jato entre empresas e executivos. Muito bom isso!!

Eu tenho muito amigos na Petrobras, inclusive alguns estudaram comigo na universidade, todos são bons profissionais, éticos e competentes. A Petrobras é uma empresa constituída de profissionais altamente qualificados e comprometidos com o sucesso da empresa, é uma organização que oferece oportunidades incríveis de desenvolvimento profissional. Já a Odebretch é um empresa com uma cultura corporativa admirada, cujo funcionários demonstram grande orgulho e admiração. As que conheço que trabalham lá tem grande paixão pela empresa. Foi uma bela surpresa constatar que os jovens mantém essas empresas no radar como lugar para se trabalhar e fazer carreira... porque são mesmo!!

Neste ano, apenas 52% dos jovens pesquisados disseram ter uma empresa dos sonhos. No ano passado esse índice foi de 58%.

A pesquisa confirma que os jovens querem trabalhar em empresas que oferecem oportunidades de desenvolvimento, que tem um ambiente aberto para experimentação e adoção de novas ideias e alternativas de carreira, ou seja, flexibilidade cada vez mais se torna importante e fator de decisão pelas novas gerações.

Registro abaixo 5 índices importantes:

  • 84% dos pesquisados esperam empresas com olhar inovador para processos e produtos
  • 71% esperam espaço para experimentar e testar novas coisas e ideias
  • 94% sairiam das empresas caso seus gestores não estivessem preparados para desenvolver pessoas, mesmo que tivessem bom salário 
  • 74% esperam que seus gestores conversem frequentemente sobre desenvolvimento profissional
  • 69% preferem recompensas imediatas às de longo prazo

Veja abaixo os motivos de escolha e o ranking das empresas. Caso se interesse pelo tema, vale a pena acessar o Estudo EMPRESAS DOS SONHOS 2015 para entender melhor como pensa essa nova geração de trabalhadores. Veja o ranking por gênero, por faixa etária, por região do país e até por renda.





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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O Uber das agências e o hacker do crescimento


Esse post tem origem em dois artigos que li recentemente. O primeiro tinha o curioso título "Growth Hacker is the new VP of Marketing". Eu caí da cadeira. O que é Growth Hacker? Se este cara vai ser o novo vice-presidente de marketing, como é que eu estou por fora? Se você é como eu, não sabe o que é isso, vá lá, dê um pulinho para sair da ignorância e conhecer seu novo chefe.

O segundo artigo tinha o oportunista título "The Uber of Agencies: Why Marketers Want to Ride a New Kind of Shop". Nesse artigo, o CMO da Kimberly-Clark põe pimenta na discussão sobre o futuro das agências.

Confesso que essas duas leituras me geraram um tremendo desconforto. Elas mostram que o marketing atual já é bem diferente daquele de um passado recente. O marketing que nós aprendemos já não existe mais, ou pelo menos parte dele. A decisão da P&G de eliminar o nome marketing das organizações e posições de marketing dentro da empresa é uma evidência dessa mudança.

No evento #ibmschool que aconteceu na semana passada rolou um painel de debate de duas horas onde se discutiu o futuro do marketing e o marketing do futuro. O painel era eclético, formado por Beth Saad (pesquisadora, professora e coordenadora do curso de pós-graduação de comunicação digital da USP), Edney Souza (consultor de marketing, professor de redes sociais na ESPM, organizador da Social Media Week São Paulo e conhecido também como Interney), Gustavo Reis (gerente de marketing e mídia da Tecnisa e professor de marketing do MBA da ESPM), Edu Vasques (coordenador de mídias sociais do Grupo TV1) e Fábio Sabba (líder de comunicação do Uber Brasil).

Ou seja, só fera e gente com múltiplas visões e experiências. O tema foi o impacto da computação cognitiva para o marketing. Um dos pontos flagrantes mais discutidos foi o desconhecimento, o despreparo e a dificuldade dos profissionais, das agências e das empresas em lidarem com as tecnologias mais disruptivas. Esse papo permeou todo o debate sugerindo que é algo que está tirando o sono de todos.

Este novo marketing é formado por um novo ecossistema, com novos personagens, novas entidades e novos influenciadores. E parece que cada vez mais chegam novos intrusos nesta festa. Se você estuda ou trabalha com marketing, sugiro que comece a repensar seus relacionamentos. O profissional de marketing precisa sair do seu habitat, do seu território protegido, e se desenvolver em novas áreas de conhecimento. Também precisa ir além do instinto de sobrevivência, precisa ter grande capacidade de adaptação e de transformação.

Hoje, as organizações de marketing têm profissionais que não existiam na década passada. Pense em especialistas em SEO, web designers, web app developers, social media experts, community managers, data analysts, programmatic media planners e etc. Esses não são profissionais tradicionais de marketing. Eles não nasceram nas universidades. São profissionais multifacetados, com múltiplas formações e com perfis muito distintos. É esse o caminho do marketing.

Agora, pense em computação cognitiva, inteligência artificial, wearables, internet das coisas e toda a sorte de dispositivos móveis. Pense na morte lenta e agonizante da TV como a conhecemos. Pense na era on demand total, na qual as marcas vão conversar com os consumidores da nova geração de forma completamente distinta. Pense que o novo canal de mídia não é mais a TV, nem o rádio e nem os canais impressos. São as próprias pessoas.

Em vez de criarmos lindas peças de publicidade para serem veiculadas na mídia que conhecemos, o novo paradigma será desenvolver ideias que possam ser compartilhadas e escaladas e que motivem as pessoas a distribuí-las. O sucesso das marcas dependerá cada vez mais da capacidade das marcas de engajar pessoas. Pense na nova geração de seres humanos nascida imersa no mundo digital e no mundo on demand. E aí? Está confortável na cadeira?

Uma vez ouvi numa palestra a seguinte profecia: "na próxima década o marketing tradicional estará morto". Eu ouvi essa frase em 1995, quando a internet como a conhecemos ainda dava os primeiros sinais de vida. Naquela época, ninguém entendia muito bem o que seria o marketing digital. A cada ano que passa essa frase volta a repercutir na minha cabeça. Seremos todos zumbis marqueteiros se não nos jogarmos no abismo desconhecido a nossa frente.

Marketing, como aprendemos na escola, sozinho, não existe mais. Marketing agora é uma combinação do marketing tradicional com antropologia, ciências humanas, matemática, estatística, tecnologia da informação, novas tecnologias, robótica e o que mais você desejar. Estamos diante de um novo marketing, de uma época onde sistemas inteligentes escreverão notícias, comprarão mídia programática e farão mensuração das campanhas em tempo real.

Vivemos um tempo onde a experiência das pessoas com as marcas é que determinará o sucesso das organizações, e considere que estamos falando de experiências únicas e individualizadas, cada vez menos massificadas. Novas profissões de marketing emergirão, exigindo novos conhecimentos, novas capacidades e competências.

O sucesso de todos nós, profissionais de marketing e comunicação – e eu me incluo nessa –, dependerá da nossa capacidade de entrar nesse novo mundo. Dependerá de sairmos do nosso networking tradicional, com os mesmos de sempre, da patotinha que fica olhando o retrovisor e fazendo o pãozinho quente da padaria, e procurar novas tribos. Dependerá da nossa capacidade de articular e nos conectarmos com profissionais completamente diferentes da gente em todos os aspectos, que nos agregam novos conhecimentos e experiências, que nos geram desconforto, e mesmo assim trabalhar com eles para um objetivo comum.

Nosso futuro depende da nossa agenda diária, com quem gastamos tempo, em quais temas, o que estamos lendo e até quem seguimos no Facebook. A nossa evolução depende de abandonarmos a velha retórica de imaginarmos que os sucessos do passado são credenciais para o sucesso futuro.

Quer saber? No fundo, no fundo, o nosso futuro em marketing é diretamente proporcional à nossa coragem de abandonar o passado.


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terça-feira, 18 de agosto de 2015

As 7 vidas do blog


O blog A Quinta Onda está completando 7 anos de vida. As vezes eu tenho a
impressão que escrevo para ninguém. Não tenho ideia do nível de interesse e leitura do blog nos dias atuais. Já desisti de acompanhar o número de acessos e comentários. A verdade é que a busca orgânica no Google e no Facebook tem jogado contra. O fato de colaborar com publicações como Meio&Mensagem, Brasil Post, Café Brasil e Innovation Insider também atrapalha, pois crio dispersão. Apesar de aumentar a relevância do meu nome, eu tiro o foco do blog.

O blog parece que tem 7 vidas. Eu pensei em parar com o blog por várias vezes, exatamente por não ter a dimensão do alcance dos posts publicados. Mas a minha motivação pelo blog sempre foi muito mais interna do que externa. O compromisso do blog me faz pensar, cria disciplina, me obriga ser criativo e a buscar coisas novas. E isso é bom pra caramba. No fundo é isto que me motiva.

A minha estratégia atual é priorizar as publicações que colaboro e depois, planejadamente, republicar os artigos aqui no blog. Ou seja, o blog está virando um repositório do que penso e escrevo por aí pela web.

Se você chegou até aqui, receba meu abraço e minha gratidão. Me sinto muito bem em saber que existem pessoas que gostam de ler o que publico. Acho que é uma forma de compartilhar um pouco do meu conhecimento e dos meus pontos de vista sobre temas diversos. Também reconheço que poucos executivos se predispõe a montar um blog e investir tempo nisso.

Se você gosta do blog, deixa uma mensagem de carinho nos comentários. Vou gostar muito. Abraços. Mauro.


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